Archive for October, 2017
Retrato da triste realidade
Realmente, é triste, mas ao mesmo tempo a foto ilustra a realidade de bilhões de animais ao redor do mundo, reduzidos a alimentos e outros produtos. Falo de criaturas que muitos chamam de “animais comuns”, que recebem do especismo o “aval” para morrerem quando não somos capazes de vê-los como realmente são, ou seja, seres com ânsia pela vida.
Quando alguém parecer agressivo com você na internet…
Quando alguém parecer agressivo com você na internet, talvez um exercício interessante seja fazer uma ou duas perguntas neutras e analisar as respostas. Se o discurso ainda parecer agressivo, provavelmente a pessoa está exaltada. “Por que eu faria isso?” Bom, porque muitas vezes as pessoas podem transmitir uma mensagem de forma equivocada, ou seja, transparecendo algo que não é o objetivo do emissor.
Sorrindo na rua
Esses dias, andando pelo centro, decidi sorrir, sorrir sem parar. Comecei a pensar em algumas coisas que me ajudaram a manter o sorriso o tempo todo. Eu sorria e olhava diretamente para os transeuntes. Algumas pessoas gostaram, tanto mulheres quanto homens das mais diferentes faixas etárias. Outras pessoas simplesmente me observavam com expressão de estranhamento, talvez achando que eu tivesse algum problema. Ninguém me ofendeu. Isso é bom.
Por que o pai matou a galinha?
Com cinco anos, Hugo testemunhou seu pai matando uma galinha no quintal. Nunca tinha visto aquele animal com vida. Achava que galinhas já nasciam mortas. Chorou quando viu a pequena ceder com o pescoço destroncado. O pai olhou para o menino. Não disse nada. Entrou em casa e pediu para que a esposa limpasse a galinha e preparasse o jantar.
Hugo correu até o quintal, juntou as penas da galinha que voaram pelo chão de terra e as guardou dentro do bolso. Enquanto a mãe temperava a galinha, o menino tomou coragem e se aproximou.
— Por que o pai matou a galinha?
— Pra gente comer, filho.
— Mas ela queria morrer?
Silêncio.
— A vida é assim, Hugo.
— Por quê?
Silêncio.
— Depois a gente conversa. Agora preciso fazer a janta.
Hugo entrou no quarto. Ficou lá mais de hora e retornou. Desenhou uma galinha, tirou as penas do bolso e as colou na ave tristonha. Depois foi até a cozinha e entregou o desenho para a mãe.
— Olhe, mãe, eu disse que ela não queria morrer.
A mulher observou a expressão lacrimosa do animal. As lágrimas da mãe desceram junto com as lágrimas da galinha, pinguinhos escuros de lápis.
Quando publico fotos de animais…
Quando publico fotos de animais, a parte mais triste é saber que muitos desses animais existem apenas como retrato uno e paradoxalmente sequente de um momento de grande sensibilidade, um momento que se foi. Muitos deles transmitem inocência, incredulidade, medo, desespero, terror ou ânsia pela vida. Há súplica em seus olhos.
O que vemos nas fotos são criaturas já falecidas, que sequer foram enterradas. Algumas de suas partes foram ingeridas e digeridas; outras se tornaram insumos de produtos que as pessoas usam no cotidiano, sem refletirem ou se preocuparem com o fato de que “aquilo” um dia pertenceu a um ser que assim como nós também se deslocava, se comunicava, sentia fome, sede.
Há também aquelas partes que foram descartadas como lixo, assim como fazemos com restos de alimentos, com coisas pequenas e insignificantes. Eles morreram, não tiveram uma segunda chance. Vidas curtas interrompidas pela elação. Cumpriram um objetivo que não era o deles, subjugados pela desconsideração e intransigência humana.
A perspectiva de Sócrates sobre a coisificação dos animais não humanos
A coisificação dos animais não humanos é apontada por Sócrates e Glauco como algo capaz de impedir a humanidade de alcançar a felicidade. “E, se seguirmos esse modo de vida, não teremos de visitar o médico com mais frequência?”, questiona o filósofo, que recebe a confirmação de Glauco: “Teríamos tal necessidade.” Sócrates prevê ainda que o hábito de comer animais e criá-los com a finalidade de vendê-los transformaria o ser humano em alguém não somente ambicioso, mas ganancioso a ponto de espoliar propriedades vizinhas para ampliar suas pastagens:
“Se nosso vizinho seguir um caminho semelhante, não teremos que ir à guerra contra o nosso próximo para garantir maiores pastagens? Porque as nossas não serão mais suficientes para o nosso sustento, e nosso vizinho terá a mesma necessidade e entrará em guerra conosco?” Glauco corrobora o receio do ateniense ao confirmar que sim, deixando subentendido que a humanidade se tornaria mais suscetível à decadência e às tentações de uma sociedade imersa em desigualdades. Para Sócrates, a redução dos animais à comida seria um gatilho para minar as condições de construção de uma sociedade mais justa – e um distanciamento cada vez mais crescente da forma mais genuína de felicidade.
Essas reflexões de Sócrates envolvendo a exploração animal e o consumo de carne vão ao encontro do estudo da virtude. Ele dizia que é mais importante a busca do desenvolvimento humano do que a busca pela riqueza material – um dos principais motivos da exploração de animais enquanto produtos. Sócrates acreditava tanto nisso que nem mesmo quando foi sentenciado à morte por questões políticas, segundo as obras “Apologia” e “Críton”, de Platão; e pessoais, de acordo com Xenofonte, optou por curvar-se ao júri ou fugir em vez de enfrentar a injusta condenação. Nascido em 470 a.C., Sócrates, que preferiu à morte ao exílio, faleceu em 399 a.C, depois de ser obrigado a ingerir cicuta após 30 dias preso.
Quando alguém parecer agressivo com você na internet
Quando alguém parecer agressivo com você na internet, talvez um exercício interessante seja fazer uma ou duas perguntas neutras e analisar as respostas. Se o discurso ainda parecer agressivo, provavelmente a pessoa está exaltada. “Por que eu faria isso?” Bom, porque muitas vezes as pessoas podem transmitir uma mensagem de forma equivocada, ou seja, transparecendo algo que não é o objetivo do emissor.
Rousseau: “Os animais que você come não são aqueles que devoram outros”
“Os animais que você come não são aqueles que devoram outros. Você não come as feras carnívoras, você as toma como exemplo. Você só sente fome pelas criaturas doces e gentis que não ferem ninguém, que o seguem, o servem, e que são devoradas por você como recompensa por seus serviços.”
Jean-Jacques Rousseau em “Emílio, ou Da Educação”, escrito em 1762.
Mark Twain: “Meus experimentos provaram que o homem é o animal irracional”
“O homem é um animal racional. Assim como ele se intitula. Eu acho que essa afirmação é discutível. De fato, meus experimentos provaram que o homem é o animal irracional. Na verdade, o homem é incrivelmente tonto. Coisas simples que outros animais aprendem facilmente, ele é incapaz de aprender. Os meus experimentos provam isso. Em uma hora, ensinei um gato e um cachorro a serem amigos. Em outra hora, os ensinei a serem amigos de um coelho. Ao longo de dois dias, incluí uma raposa, um ganso, um esquilo e algumas pombas nesse círculo social. Finalmente, um macaco. Eles viveram juntos em paz, inclusive carinhosamente.
Em outro local, confinamos um católico irlandês de Tipperary e um presbiteriano escocês de Aberdeen. Em seguida, um turco de Constantinopla, um grego cristão de Creta, um armênio, um metodista das regiões selvagens do Arkansas, um budista da China, um brâmane de Varanasi; Finalmente, um coronel do Exército da Salvação de Wapping. Então fiquei longe por dois dias. Quando retornei para observar os resultados, estava tudo bem na gaiola dos animais superiores, mas na outra havia um caos sangrento, com ossos e carne. Nenhum espécime foi deixado vivo. Esses animais racionais discordaram de detalhes teológicos e levaram a questão a um Tribunal Superior.”
Mark Twain em “Letters from the Earth: Uncensored Writings”, publicado em 1962.
Muitos temem reconhecer que os animais são sensíveis, conscientes e inteligentes
Muitos temem reconhecer que os animais não humanos são sensíveis, conscientes e inteligentes, isto porque ao aceitar a constatação desse fato o ser humano tem de lidar com a própria consciência, e ninguém quer ver a si mesmo (e talvez menos ainda que os outros o vejam) como alguém que se importa apenas com a sua vida e a dos seus, surgindo assim um embate que pode gerar ou não mudanças dependendo da maneira como alguém lida com a realidade, seja aceitando-a ou refugiando-se na dissimulação.
Quando o véu da inocência, do desconhecimento ou da ignorância deita ao chão, ao ser humano resta duas opções – a mudança, que pode levá-lo a uma nova perspectiva do valor da vida, incluindo talvez até um exame do seu papel enquanto ser humano; ou a uma desconsideração, empáfia ou egotismo, representando assim uma posição de reafirmação de que somente nós somos importantes, e todo o resto existe apenas para nos servir, independente se há privação, sofrimento ou morte. Afinal, toda exploração animal traz consequências negativas em menor ou maior proporção.






