David Arioch – Jornalismo Cultural

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Sunahara e a Casa dos Sonhos

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16473470_1331472243610834_4803755542304741557_nPassei a maior parte da manhã com Sunahara, que comprou uma casa dos tempos de colonização de Paranavaí, no Noroeste do Paraná, para criar um memorial que conta a história de sua mãe. Depois que a reforma for concluída e a Casa dos Sonhos inaugurada, ele vai oferecer o espaço para a realização de atividades culturais. Sem dúvida, um grande ser humano.

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February 8th, 2017 at 1:22 pm

Por que torcer para que tudo dê errado na gestão de um político?

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Uma das piores coisas que você pode fazer quando um candidato é eleito é torcer para que tudo dê errado, porque isso faz parecer que a sua prioridade é mostrar aos outros que eles estão errados. Ou seja, o que importa não é a coletividade, mas um anseio individualista, que é o triunfo da sua visão política. Torcer para que o outro esteja errado é melhor do que aceitar a possibilidade de que você pode ter uma boa surpresa? Acho que não.

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February 8th, 2017 at 10:40 am

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Quando as pessoas se afastam de alguém que tem uma grave doença

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Fico surpreso quando as pessoas se afastam de alguém que tem uma grave doença. Se eu tivesse uma namorada e descobrisse que ela tem câncer ou até mesmo HIV, é claro que eu não me afastaria dela.

Sempre tive o exemplo da minha mãe que cuidou do meu pai até o último momento, mesmo ele incapaz de se levantar de uma cama, e já não reconhecendo ela em decorrência de um câncer que se espalhou pelo cérebro.

Minha mãe cuidou dele o tempo todo. Ao mesmo tempo, criou eu e meus dois irmãos. À época, o Juninho tinha só um ano de idade. O amor é isso, a doação e a mais genuína forma venusta de empatia que se sobressai a tudo.

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February 8th, 2017 at 10:38 am

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Quando você reconhece que a vida é feita de muitos caminhos…

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Quando você reconhece que a vida é feita de muitos caminhos, não somente de um, você começa a entender o verdadeiro sentido de palavras como multiplicidade, respeito e transigência. Passa a entender também que verdades inquestionáveis também mantêm pessoas na zona de conforto. Afinal, gostamos de domesticá-las. Ter medo de conhecer outras verdades, não é ruim, mas se negar a refletir sobre isso, é sim.

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February 8th, 2017 at 10:37 am

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Nascem, crescem numa velocidade assustadora e morrem para tornarem-se comida

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Logo cedo, são privados do convívio familiar

Quando eu era criança, vez ou outra eu fazia algum comentário perto da fila do açougue. “É o lugar mais frio do mercado”, eu dizia para a minha mãe – conta ela. Às vezes, me sentia desconfortável, mesmo sem entender. Com o tempo, compreendi o que cada uma daquelas partes expostas na vitrine, dispostas em bandejas ou em grilhões representa de verdade, para além do romantismo da exploração animal.

Vejo pessoas nas filas, seguindo suas vidas, conversando e brincando. Acredito que poucos refletem sobre isso enquanto aguardam o açougueiro, até porque fomos condicionados a isso nos últimos séculos, e mais ainda nas últimas décadas. É um contraste muito grande com o destino daqueles animais que têm vidas muito curtas, e logo cedo são privados do convívio familiar. Nascem, crescem numa velocidade assustadora e morrem para tornarem-se comida.

Ocasionalmente, alguém me diz que fulano de tal matou um animal para ser consumido inteiramente em uma confraternização. Difícil não pensar que toda a vida de um animal foi resumida a algumas horas de comilança, e em um evento que celebra a amizade e o companheirismo. Onde está esse senso de companheirismo quando esse animal é privado de conviver com os seus? Somos animais conscientes e racionais que celebram a vida com a morte.

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Compreensão e ponderação

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Acredito que a universalização e convergência da compreensão e da ponderação a respeito de algo é uma das coisas mais raras e gratificantes a se alcançar. E você só chega lá quando consegue atravessar barreiras ideológicas, permitindo tocar a mente e o coração das pessoas, fazendo-as se despirem de seus próprios pré-conceitos.

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February 8th, 2017 at 10:29 am

Inglaterra e os direitos animais

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Interessante saber que dos países do Ocidente, a Inglaterra em um passado longínquo já era apontada como a nação considerada mais avançada no que diz respeito à conscientização sobre os direitos animais, e que por tal motivo o vegetarianismo e o veganismo daquele país, enquanto movimentos articulados, tornaram-se referências para o mundo. Já anotei aqui que um dos meus compromissos é pesquisar sobre o contexto em que se deu essa valorização do vegetarianismo e depois do veganismo na Inglaterra.

Written by David Arioch

February 8th, 2017 at 10:28 am

Nos condicionamos a crer que precisamos de carne para sobreviver

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Nos condicionamos a crer que precisamos de carne para sobreviver

Quando crescemos, em algum momento de nossas vidas, temos alguma ideia de como a carne chega aos nossos pratos, mas acaba por ser mais conveniente não pensar a respeito e ignorar o sofrimento envolvido naquele pedaço de carne.

Para não nos sentirmos mal, colocamos em nossas mentes que precisamos da carne para sobreviver, e os animais não humanos podem sofrer, porque estão fazendo “algo bonito”, que é sanar “uma importante necessidade da humanidade”. Um “belo destino” para seres vistos como inferiores, que muitos preferem acreditar que existem simplesmente para nos servir.

Evitamos ver os animais para além da comida porque não queremos nos responsabilizar pelo fato de que somos culpados por suas vidas tão curtas, por seu sofrimento e privação. Preferimos ignorá-los, observá-los à distância e com altivez, por nos considerarmos melhores.

Há quem use o pretexto da saúde, quando, de um modo ou de outro, sabemos que a maior “justificativa” para o consumo de carne é o paladar. Sim, não há nada que motive mais o ser humano a seguir por esse caminho do que o paladar. Quando alguém refuta isso é porque não admite ser visto como alguém que é motivado pelo efêmero prazer da gustação.

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Written by David Arioch

February 8th, 2017 at 10:26 am

Há sempre motivos mais nobres para não comer carne do que para comê-la

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Arte: Dana Ellyn

Há sempre motivos mais nobres para não comer carne do que para comê-la, e, na minha opinião, isso por si só já é mais que suficiente. Quem come carne, e não abre mão, diz que é importante fonte de proteína, que é gostosa e que faz bem. Ou seja, são argumentos que, independente da veracidade, se voltam mais para a individualidade.

Já os argumentos para não comer carne são: não temos o direito de matar para beneficiar o nosso paladar e não precisamos de carne para sobreviver. A simples e maior prova disso é a existência de vegetarianos e veganos. Além disso, há muitas pesquisas que apontam que a produção de alimentos de origem animal não é sustentável.

Sugestões de leitura:

https://www.theguardian.com/sustainable-business/2017/jan/03/challenges-sustainable-food-2017-organic-farming

Why Organic Meat, Dairy and Eggs Are Not Sustainable

Agriculture And Food Systems Unsustainable

https://woods.stanford.edu/environmental-venture-projects/consequences-increased-global-meat-consumption-global-environment

 

 

 





Written by David Arioch

February 8th, 2017 at 10:09 am

Mike Ness: “Devo sempre lutar pelos animais porque eles não podem falar por eles mesmos”

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“Ninguém iria assar o cachorro da família. Por que com a vaca ou com a galinha é diferente?”

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Mike Ness: “Sou um lutador. Essa parte de mim nunca vai mudar”

Em 1978, o vocalista e guitarrista Mike Ness, inspirado em bandas britânicas como Sex Pistols e The Rolling Stones, fundou o Social Distortion nos Estados Unidos. Além da banda ser uma das mais importantes do ressurgimento do punk rock na década de 1980, é também apontada como uma das que alcançou maior sucesso comercial na história do punk rock.

Vegetariano há mais de 35 anos, Mike Ness relatou em entrevista a Maranda Pleasant, da revista Origin, dos Estados Unidos, em 5 de dezembro de 2012, que ele se considera um ativista pelo direitos animais, vegetarianismo e meio ambiente.

“Nunca fui de hastear bandeiras, mas posso dar o exemplo. Sinto que se de algum modo o público está de olho em você, isso significa que você tem um pouco de influência. As pessoas que têm a mente fechada, podem dizer: ‘Ah, isso é interessante! Talvez haja mais do que eu pensava”, declarou.

Em entrevista ao portal Idioteq, de Vasórvia, na Polônia, publicada em maio de 2012, Karol Kamiński comentou que Mike Ness é um bom exemplo da dicotomia entre pessoa pública e vida privada. “Você é esse cara durão todo tatuado e ainda assim…” Então o fundador do Social Distortion continuou:

“Sou um vegetariano que tem três chihuahuas e faz ioga e boxe. Houve um momento em minha trajetória que percebi que se eu me importasse com o que as pessoas pensam de mim, eu não estaria sendo eu mesmo. Não estou preocupado com a minha masculinidade. Sei qual é a diferença entre as coisas que fazem um homem de verdade e a falácia do que as pessoas pensam que faz de você um homem.”

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Ness: “Amo ser vegetariano e acredito que é a escolha certa para mim”

Em entrevista a Shelley Peckham, do blog True Endeavors, publicada em 29 de novembro de 2011, Ness disse que se você não tem nada em sua vida pelo que lutar, você não tem nada – você não está realmente vivendo, em referência à sua luta pelos direitos animais e também por inúmeras causas sociais.

“Quando eu era adolescente, minha luta era pela música. Eu tive que defendê-la. A reação ao punk rock era muito violenta e volátil às vezes, e eu tive que lutar por isso. Mas agora há outras coisas que me deixam apaixonado. Sou um lutador. Essa parte de mim nunca vai mudar”, informou.

Colaborador voluntário da organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta), Mike Ness já apareceu em vários vídeos falando sobre a contradição humana de amar alguns animais e relegar outros à morte simplesmente para transformá-los em comida. “Tenho a responsabilidade de ajudar a fazer do mundo um lugar melhor. Ninguém iria assar o cachorro da família. Por que com a vaca ou com a galinha é diferente?”, questionou retoricamente.

Nos shows do Social Distortion, não são raras as vezes em que Ness encontra algum meio de falar de forma sutil e argumentativa o motivo pelo qual ele é vegetariano e defende os direitos animais. “Devo sempre lutar pelos animais porque eles não podem falar por eles mesmos. Amo ser vegetariano e acredito que é a escolha certa para mim”, anunciou em vídeo publicado pela Peta em abril de 2009.

Saiba Mais

Mike Ness nasceu em 3 de abril de 1962 e foi criado em Orange County, na Califórnia.

Entre os anos de 1983 e 2012, ele gravou sete álbuns com o Social Distortion. Além disso, lançou dois álbuns em carreira solo.

 Referências

http://www.originmagazine.com/2012/05/12/interview-with-mike-ness-of-social-distortion/

SOCIAL DISTORTION’s Mike Ness interviewed by The Tribune, May 2012

https://trueendeavorsblog.com/2011/11/29/somewhere-between-heaven-and-hell-an-interview-with-social-distortions-mike-ness/