Archive for the ‘Música’ Category
Earth Crisis: “Não posso pensar em nada mais importante do que salvar vidas, e esta é a principal razão pela qual me tornei vegano”
Scott Crouse: “Há muitos produtos lá fora para quem quer evitar causar sofrimento aos animais”

O Earth Crisis é conhecido por abordar os direitos animais em suas letras (Foto: Divulgação)
Fundada em Syracuse, Nova York, em 1989, a banda de metalcore/hardcore punk Earth Crisis é conhecida principalmente por abordar os direitos animais, dar suporte a grupos como Animal Liberation Front (ALF) e ajudar a promover o veganismo e o estilo de vida straight edge.
Em entrevista a Max Deneau, do Exclaim!, do Canadá, e publicada em 15 de abril de 2009, o guitarrista Scott Crouse contou que originalmente o vocalista Karl Buechner tocava baixo, e que desde o início todos os integrantes já eram veganos e seguiam um estilo de vida livre de álcool e outras drogas lícitas e ilícitas.
“Não posso pensar em nada mais importante do que salvar vidas, e esta é a principal razão pela qual me tornei vegano. Quero apoiar as empresas que estão oferecendo alternativas livres de crueldade. Não quero dar dinheiro para pessoas que são responsáveis por tanto sofrimento em lugares como matadouros, fazendas de peles e laboratórios de vivissecção”, disse o vocalista Karl Buechner em entrevista ao zine Value Of Strength #4 e publicada no Punk Interviews em 2006.
Para Buechner o veganismo, que ele aderiu aos 16 anos, reverencia as vidas inocentes e preconiza a construção de um sistema mais pacífico e justo. Uma das coisas que mais o deixa feliz é quando alguém lhe procura para tirar dúvidas sobre direitos animais. “Significa que estão interessados em saber mais sobre a libertação animal. Há muitos rumores a nosso respeito, na tentativa de fazer as pessoas não ouvirem o que estamos falando, mas vejo como uma reação positiva quando alguém nos procura ou faz uma entrevista com a gente”, comenta.
Por outro lado, o vocalista do Earth Crisis reclama que no cenário punk há muitas pessoas desinteressadas em saber o que acontece nos matadouros. “Eles não querem ouvir sobre isso porque é algo que desafia a forma como eles vivem. Bom, obviamente você pode ver como é o corpo humano. Nós não temos garras enormes. Nosso sistema digestivo é muito longo e o sistema digestivo dos carnívoros é curto. É por isso que a carne apodrece dentro do corpo humano, e é por isso que os seres humanos têm tantos problemas de saúde”, critica.

Crouse: “Para que o mundo mude, a perspectiva tem que mudar” (Foto: Divulgação)
Por causa de suas temáticas em torno do abolicionismo animal e também por defender ações diretas em benefício dos animais, o Earth Crisis está há anos sob vigilância nos Estados Unidos. “Muitos dos nossos amigos também”, garante Karl Buechner.
Em entrevista a Andrew Bansal, do Metal Assault, publicada em 17 de março de 2014, o guitarrista Scott Crouse disse que o mundo mudou desde que ele se tornou vegetariano em 1990. “Há muitos produtos lá fora para quem quer evitar causar sofrimento aos animais e danos ao meio ambiente. Há muitos substitutos de carnes e laticínios, e há mais produtos não testados em animais do que nunca. Acho que é ótimo porque significa que hoje existe muito mais consciência”, avalia.
Porém, as espécies ameaçadas de extinção continuam desaparecendo, e isto porque, segundo Crouse, a humanidade sempre olhou primeiro para si mesma. Lá trás, alguém pensou que o ser humano deveria assumir o controle do mundo e fazer o que quisesse com as outras espécies. “Para que o mundo mude, a perspectiva tem que mudar. Temos que olhar para nós não como se estivéssemos acima das outras criaturas, mas como alguém que pode trabalhar em harmonia com elas. Ainda podemos ter nossas casas e nossos carros, só que podemos fazer isso com responsabilidade, sem destruir o habitat das outras criaturas. Acho que teremos problemas até começarmos a nutrir a vida, não tirá-la”, lamenta.
A Dane Prokofiev, do News Noise Magazine, Scott Crouse relatou que o único aspecto negativo em ser vegano e straight edge é que consumir álcool e comer carne são duas coisas que as pessoas fazem socialmente. “Você se afasta da sociedade, o que em minha opinião não é tão ruim. Quero dizer, prefiro isso, mas é mais difícil para pessoas que gostam de estar com outras pessoas, porque elas percebem que já não se encaixam”, enfatiza. Muitas das músicas do Earth Crisis falam de direitos animais. Alguns exemplos são “New Ethic”, do álbum “Destroy The Machines”, de 1995, e “To The Death”, do álbum homônimo de 2009.
Nova Ética
Esta é a nova ética
Animais têm suas próprias vidas e devem ser respeitados
Rejeite o antropocentrismo
Falsidade que mantém a hierarquia opressiva da humanidade sobre os animais
É hora de libertá-los. A vida deles reduzidas à condição de máquinas em fábricas, fazendas e laboratórios
Laticínios, ovos, peles, camurça, lã, couro são o fim
Produtos de tortura, confinamento e assassinato
Eu abjuro seu uso em reverência a toda vida inocente
É um direito dos selvagens viverem em paz em seu ambiente natural
Sem a interferência, que já não deve ser negada, desta civilização
Para fazer uma civilização digna da palavra civilizado a crueldade deve terminar
Começando pelas suas próprias vidas
Rejeite a falsidade antropocêntrica que mantém a hierarquia opressiva da humanidade sobre os animais
É hora de libertá-los
O veganismo é a essência da compaixão e da convivência pacífica
Os animais não são nossos para abusar ou dominar
Eu abjuro seu uso em reverência…
Eu abjuro seu uso em reverência…
Eu abjuro seu uso em reverência a toda vida inocente
Formação Atual
Karl Buechner – vocal
Scott Crouse – guitarra
Ian “Bulldog” Edwards – baixo
Dennis Merrick – bateria
Erick Edwards – guitarra
Saiba Mais
Entre os anos de 1995 e 2014, o Earth Crisis lançou os álbuns “Destroy The Machines”, “Gomorrah’s Season Ends”, “Breed the Killers”, “Slither”, “Last of the Sane”, “To The Death”, “Neutralize the Threat” e “Salvation of Innocents”.
Referências
http://exclaim.ca/music/article/scott_crouse_of_earth_crisis
http://www.punkinterviews.com/2006/punk-rock-interviews/earth-crisis-2/
http://newnoisemagazine.com/interview-earth-crisis-talk-comic-book-album/
https://www.youtube.com/watch?v=uGa-YZiK4aI
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Mike Ness: “Devo sempre lutar pelos animais porque eles não podem falar por eles mesmos”
“Ninguém iria assar o cachorro da família. Por que com a vaca ou com a galinha é diferente?”

Mike Ness: “Sou um lutador. Essa parte de mim nunca vai mudar”
Em 1978, o vocalista e guitarrista Mike Ness, inspirado em bandas britânicas como Sex Pistols e The Rolling Stones, fundou o Social Distortion nos Estados Unidos. Além da banda ser uma das mais importantes do ressurgimento do punk rock na década de 1980, é também apontada como uma das que alcançou maior sucesso comercial na história do punk rock.
Vegetariano há mais de 35 anos, Mike Ness relatou em entrevista a Maranda Pleasant, da revista Origin, dos Estados Unidos, em 5 de dezembro de 2012, que ele se considera um ativista pelo direitos animais, vegetarianismo e meio ambiente.
“Nunca fui de hastear bandeiras, mas posso dar o exemplo. Sinto que se de algum modo o público está de olho em você, isso significa que você tem um pouco de influência. As pessoas que têm a mente fechada, podem dizer: ‘Ah, isso é interessante! Talvez haja mais do que eu pensava”, declarou.
Em entrevista ao portal Idioteq, de Vasórvia, na Polônia, publicada em maio de 2012, Karol Kamiński comentou que Mike Ness é um bom exemplo da dicotomia entre pessoa pública e vida privada. “Você é esse cara durão todo tatuado e ainda assim…” Então o fundador do Social Distortion continuou:
“Sou um vegetariano que tem três chihuahuas e faz ioga e boxe. Houve um momento em minha trajetória que percebi que se eu me importasse com o que as pessoas pensam de mim, eu não estaria sendo eu mesmo. Não estou preocupado com a minha masculinidade. Sei qual é a diferença entre as coisas que fazem um homem de verdade e a falácia do que as pessoas pensam que faz de você um homem.”

Ness: “Amo ser vegetariano e acredito que é a escolha certa para mim”
Em entrevista a Shelley Peckham, do blog True Endeavors, publicada em 29 de novembro de 2011, Ness disse que se você não tem nada em sua vida pelo que lutar, você não tem nada – você não está realmente vivendo, em referência à sua luta pelos direitos animais e também por inúmeras causas sociais.
“Quando eu era adolescente, minha luta era pela música. Eu tive que defendê-la. A reação ao punk rock era muito violenta e volátil às vezes, e eu tive que lutar por isso. Mas agora há outras coisas que me deixam apaixonado. Sou um lutador. Essa parte de mim nunca vai mudar”, informou.
Colaborador voluntário da organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta), Mike Ness já apareceu em vários vídeos falando sobre a contradição humana de amar alguns animais e relegar outros à morte simplesmente para transformá-los em comida. “Tenho a responsabilidade de ajudar a fazer do mundo um lugar melhor. Ninguém iria assar o cachorro da família. Por que com a vaca ou com a galinha é diferente?”, questionou retoricamente.
Nos shows do Social Distortion, não são raras as vezes em que Ness encontra algum meio de falar de forma sutil e argumentativa o motivo pelo qual ele é vegetariano e defende os direitos animais. “Devo sempre lutar pelos animais porque eles não podem falar por eles mesmos. Amo ser vegetariano e acredito que é a escolha certa para mim”, anunciou em vídeo publicado pela Peta em abril de 2009.
Saiba Mais
Mike Ness nasceu em 3 de abril de 1962 e foi criado em Orange County, na Califórnia.
Entre os anos de 1983 e 2012, ele gravou sete álbuns com o Social Distortion. Além disso, lançou dois álbuns em carreira solo.
Referências
http://www.originmagazine.com/2012/05/12/interview-with-mike-ness-of-social-distortion/
SOCIAL DISTORTION’s Mike Ness interviewed by The Tribune, May 2012
Tim McIlrath: “Foi como se eu não tivesse mais estômago para isso [comer carne]”
“Eu era um cara do tipo: ‘Foda-se isso. Nunca vou parar de comer carne.”

McIlrath teve um choque de realidade ao receber informações sobre a exploração de animais (Foto: Reprodução)
O vocalista e guitarrista da banda estadunidense de hardcore melódico Rise Against, Tim McIlrath, contrariando todas as possibilidades, já que ele se via como alguém que jamais abandonaria o consumo de carne, tornou-se vegetariano. Isto porque acidentalmente McIlrath teve um choque de realidade ao receber informações sobre a exploração de animais na indústria alimentícia.
Em entrevista a Big D, do zine The Black & Blue Press, ele contou que aos 17 anos saiu para comprar um CD e uma camiseta quando alguém colocou um panfleto sobre a exploração de animais em seu bolso. À época, ele não via o vegetarianismo com bons olhos, mas ainda assim teve uma reação inesperada.
”Eu era um cara do tipo: ‘Foda-se isso. Nunca vou parar de comer carne.’ Esse panfleto ficou no meu bolso por dias. Até que um dia, enquanto eu esperava o ônibus, senti algo no bolso e pensei: ‘O que é essa porcaria?’ Então comecei a ler e de repente: ‘Puta merda!’ […] Foi como se eu não tivesse mais estômago para isso. Era como colocar um garfo na minha boca e eu ficar: “Aaaaah, não posso comer isso mais’ Então me tornei vegetariano e nunca mais olhei para trás”, relatou em entrevista a Big D em outubro de 2006.
O panfleto que fez McIlrath abandonar o consumo de carne foi criado pela organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta). Segundo o músico, clipes como “Meat is Murder”, do The Smiths, e bandas como Earth Crisis e Snapcase fortaleceram ainda mais a sua decisão, assim como vídeos da realidade dos matadouros e livros sobre como os animais não humanos são tratados pela indústria alimentícia.
Em entrevista ao expert em punk rock Ryan Cooper, do portal About.com, o vocalista da banda Rise Against citou a baixa qualidade dos produtos de origem animal e qualificou como nojento o sistema de produção de carnes e laticínios. “Não tive mais estômago e condição física para seguir adiante. […] Agora me sinto responsável em passar isso para as próximas gerações, assim como outras bandas fizeram antes”, disse a Cooper. Tim McIlrath realiza campanhas voluntárias para a Peta, visando incentivar principalmente os jovens a aderirem ao vegetarianismo ou ao veganismo.
Referências
http://punkmusic.about.com/od/interviews/a/McIlrath.htm
http://theblackandbluepress.blogspot.com.br/2006/10/interview-rise-against-tim-mcilrath-joe.html
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Morrissey: “A liberdade não é apenas para os seres humanos, mas para todos os animais”
Desde que lançou “Meat is Murder” em 1985, Morrissey segue defendendo os direitos animais

Morrissey: “Me tornei vegetariano com 11, 12 anos” (Foto: Reprodução)
Um dos artistas mais controversos em campanha contra o consumo de carne, o icônico Steven Patrick Morrissey tornou-se um dos porta-vozes do vegetarianismo e dos direitos animais nos anos 1980. Tudo começou em outubro de 1984, quando o vocalista e compositor da banda britânica de rock The Smiths escreveu a música “Meat is Murder”, ou seja, “Carne é Assassinato”, que faz parte do álbum homônimo lançado em 11 de fevereiro de 1985.
O disco ocupou posição de destaque nas paradas do Reino Unido, e ajudou a dar mais visibilidade ao vegetarianismo e a fazer com que os britânicos se questionassem sobre o quão nocivo é o consumo de carne. “Assim que decidimos que ‘Meat is Murder’ seria a faixa título, as manchetes dos jornais britânicos nos deram ampla atenção. O grande problema é que a música não ganhou qualquer espaço nos programas de rádio. O álbum entrou nas paradas, mas a nossa música nunca foi tocada”, disse em entrevista ao vice-presidente de campanhas de mídia da organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta).
Uma vez, quando o The Smiths estava tocando “Meat is Murder”, em Stokes, na Inglaterra, alguém da plateia arremessou um monte de salsichas em direção ao palco. Elas bateram no rosto de Morrissey e uma porção entrou em sua boca. “Tive que correr para fora do palco e vomitar”, relatou e qualificou o incidente como um caso isolado.
O cantor britânico já recebeu muitos e-mails de pessoas de todas as partes do mundo, informando que estão felizes por ter alguém que diz exatamente o que pensam. “Recebemos tremendas respostas principalmente de fãs dos Estados Unidos agradecendo e dizendo que se tornaram vegetarianos. Isso é maravilhoso! Quando tocamos em Madrid, fizemos um concerto ao ar livre para 350 mil pessoas, e foi televisionado para toda a Espanha. Durante ‘Meat is Murder’, eles traduziram a letra. Foi incrível, e na noite seguinte, tocamos em Barcelona e fizeram a mesma coisa”, narrou.
O disco “Meat is Murder” também teve boa repercussão no Canadá, onde ocupou a 40ª posição entre os melhores discos do ano, e nos Estados Unidos ficou em 110º lugar. Quatro dos álbuns do The Smiths estão entre os 500 melhores de todos os tempos, segundo a revista Rolling Stone. E toda essa popularidade foi usada por Morrissey como uma grande oportunidade para divulgar o vegetarianismo.
Embora o The Smiths tenha existido somente entre os anos de 1982 e 1987, Steven Patrick Morrissey seguiu adiante e fez da sua carreira solo um dos maiores exemplos de sucesso no mundo da música. Suas composições estiveram dez vezes no Top 10 da UK Singles Chart. Como alguém que leva muito a sério a promoção dos direitos animais, ele costuma pedir que os integrantes de sua banda não tirem fotos comendo carne. Além disso, sempre exigiu que os organizadores permitissem somente a comercialização de comida vegetariana nos locais de seus shows.
Em 2007, foi realizado no Reino Unido, Estados Unidos, Austrália, África do Sul, Japão, Alemanha, Brasil, China, Itália e Antártica uma série de shows que fizeram parte do “Live Earth”. O objetivo do evento criado por Al Gore e Kevin Wall, era conscientizar as pessoas sobre o aquecimento global e as crises climáticas. No local, eles comercializavam principalmente carnes e laticínios. Incomodado ao saber disso, Morrissey se recusou a se apresentar. O mesmo aconteceu na Islândia.

“Acho que contribuímos muito com o movimento dos direitos animais” (Foto: Reprodução)
Em 2009, o músico britânico abandou o palco do festival Coachella, no interior da Califórnia, nos Estados Unidos, justificando que o cheiro de animais sendo queimados estava deixando ele doente. “Posso sentir o cheiro de carne queimando…”, reclamou.
Em 2013, o cantor cancelou sua participação no “Jimmy Kimmel Live!” depois de ficar sabendo que a equipe do reality Show “Duck Dinasty” também participaria. O programa gira em torno da Família Robertson, que enriqueceu criando produtos para caçadores de patos. “No que diz respeito à minha reputação, não posso correr o risco de estar ao lado de pessoas que, de fato, são como assassinos em série de animais”, declarou.
Em 2014, durante show em Denver, no Colorado, também nos Estados Unidos, Morrissey falou ao público que a liberdade não é apenas para os seres humanos, mas para todos os animais. “Passei pelo Zoológico de Denver que possui mais de quatro mil animais de todo o mundo, mas suponho que eles deveriam dizer que são animais capturados em armadilhas, infelizes, suicidas, prisioneiros. E passei por Greeley que é a capital do assassinato no Colorado. Se você não acredita, pergunte a uma vaca”, satirizou. Em Manchester, onde surgiu a banda The Smiths, seu pedido jamais foi desrespeitado.
Outra ação de Morrissey que chamou muita atenção ocorreu em 21 de novembro de 2016, quando ele escreveu uma carta para a CEO da General Motors, Mary T. Barra, depois de sua apresentação no Royal Oak Music Theatre, em Michigan.
“A GM é citada na nova pesquisa da Peta em que animais têm suas caras marcadas, são eletrocutados e espancados antes de serem abatidos e usados na fabricação de interiores de couro para empresas de automóveis”, reclamou e pediu que a General Motors fabricasse automóveis com bancos de couro vegano.
Para endossar a sua insatisfação, durante o show em Royal Oak, no subúrbio de Detroit, onde fica a sede da GM, ele mostrou um vídeo da Peta, denunciando como os fornecedores de couro dos fabricantes de automóveis maltratam os animais. Colaborador da Peta há muito tempo, Morrissey sempre incentivou seus companheiros de banda a usarem camisetas da organização. A parceria culminou na gravação de um filme de animação sobre a triste realidade de galinhas criadas em unidades industriais. O vídeo foi exibido em cada um de seus shows em 2014.
Considerado um ativista até os “ossos”, o britânico é a favor do fim de todos os zoológicos e circos que usam animais. Ele defende que todos os animais deveriam ter os mesmos direitos básicos dos seres humanos. “Eu gostaria de perguntar a quem come carne por que eles acreditam que os animais não podem ter nenhum direito de viver suas vidas, enquanto os seres humanos reivindicam um direito dado por Deus de viver como desejam…”, queixou-se em resposta a uma pergunta feita pela fã Amber Derby no “True To You – A Morrissey Zine” em janeiro de 2014.
Divulgando um estilo de vida livre de carne desde a década de 1980, Morrissey tem como principal inspiração a própria mãe, que era vegetariana e o motivou a seguir pelo mesmo caminho. “Me tornei vegetariano com 11, 12 anos. Éramos muito pobres e pensei que carne era uma boa fonte de nutrição. Acho que você pode dizer que me arrependi daqueles anos consumindo carne. Minha mãe é muito ativa. Frequentemente participa de campanhas anti-caça no Reino Unido. Me influenciou muito”, admitiu a Dan Matthews, da Peta.

“Todo mundo começa como vegetariano porque mergulhar diretamente [no veganismo] é muito difícil para a maioria das pessoas” (Foto: Reprodução)
Preocupado em contextualizar as letras de suas músicas, um dia quando concederam entrevista a um programa de TV na Escócia, Morrissey pediu filmagens de matadouros e as usou em um show realizado propositadamente no horário do jantar, para que as pessoas refletissem sobre o que estão comendo. Ao final da exibição, o cantor lançou uma pergunta: “Qual é a sua desculpa agora?”
Entre os vídeos que ele costuma indicar aos fãs está “The Video the Meat Industry Doesn’t Want You To See”, disponível no YouTube. Segundo ele, a obra resume a sua perspectiva em relação à exploração animal. “Se isso não for suficiente para trazer pessoas para o vegetarianismo, então provavelmente são pessoas feitas de pedra”, comentou com o fã Matthew Preston em diálogo no “True To You – A Morrissey Zine” em janeiro de 2014.
Sobre a transição para o veganismo, Morrissey disse em 20 de agosto de 2015, em entrevista ao apresentador estadunidense Larry King, que foi algo gradual. “Todo mundo começa como vegetariano porque mergulhar diretamente [no veganismo] é muito difícil para a maioria das pessoas”, argumentou.
O músico britânico também tem ajudado a levar o ativismo pelos direitos animais para o mundo dos jogos. Em 2016, ele aprovou o lançamento de “This Beautiful Creature Must Die”, baseado em um dos trechos da música “Meat is Murder”, que responde pela trilha sonora em versão arcade. No game, o jogador deve proteger animais fracos e indefesos da violência humana, principalmente em matadouros. “É melhor do que Pokémon Go”, brincou Morrissey no site da Peta.
Meat is Murder (Carne é Assassinato)
O lamento do bezerro poderia ser um choro humano
A faca gritante se aproxima cada vez mais
Esta linda criatura deve morrer
Esta linda criatura deve morrer
Uma morte sem razão
E morte sem razão é assassinato
E a carne que você frita distraidamente
Não é suculenta, saborosa ou bondosa
É morte sem razão
E morte sem razão é assassinato
E o vitelo que você destrincha com um sorriso
É assassinato
E o peru que você fatia festivamente
É assassinato
Você sabe como os animais morrem?
Os aromas da cozinha não são familiares
Não são confortáveis, acolhedores ou generosos
É o sangue sendo frito e o profano fedor
De assassinato
Não é natural, normal ou generoso
A carne que você majestosamente frita
A carne em sua boca
É você saboreando o gosto do assassinato
Não, não é outra coisa, é assassinato
Quem ouve quando os animais choram?
Saiba Mais
Morrissey já inspirou milhões de pessoas ao redor do mundo.
Ele também faz campanhas contra o comércio de peles e a superpopulação de animais, incentivando a castração.
Em 11 de outubro do ano passado, os cozinheiros Joshua Ploeg e Automne Zingg lançaram o livro “Defensive Eating with Morrissey: Vegan Recipes from the One You Left Behind”, baseado em mais de 100 receitas aprovadas pelo cantor britânico.
Com o The Smiths, o vocalista e compositor lançou os álbuns “The Smiths”, “Meat is Murder”, “The Queen is Dead” e “Strangways, Here We Come”.
Em carreira solo, lançou entre os anos de 1988 e 2014 os álbuns “Viva Hate”, “Kill Uncle”, “Your Arsenal”, “Vauxhail And I”, “Southpaw Grammar”, “Maladjusted”, “You Are the Quarry”, “Ringleader of the Tormentors”, “Years of Refusal” e “World Peace is None of Your Business”.
Referências
http://www.vegan.com/morrissey/
http://www.yourdailyvegan.com/2014/05/is-morrissey-vegan-yet/
http://pitchfork.com/news/70003-morrissey-calls-on-general-motors-to-offer-vegan-leather/
http://www.huffingtonpost.com/2014/01/07/morrissey-meat-eating-pedophilia_n_4554667.html
http://true-to-you.net/morrissey_news_140102_01
http://www.ora.tv/larrykingnow/2015/8/19/morrisseys-first-in-person-interview-in-nearly-10-years
http://www.peta.org/features/morrissey-spay-neuter/
http://www.peta.org/features/morrissey-opening-act/
http://www.nme.com/news/music/morrissey-86-1213092
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John Joseph: “Se uma dieta baseada em vegetais funcionou para mim, ela funciona para qualquer um”
Como o vocalista da lendária banda nova-iorquina Cro-Mags tornou-se um atleta vegano

Mudança de atitude de John Joseph foi uma consequência da sua dieta vegetariana estrita (Foto: Vice)
Vocalista da lendária banda de crossover Cro-Mags, pioneira na fusão do hardcore punk com o thrash metal, e uma das mais importantes da história do cenário hardcore de Nova York, John Joseph publicou em 2014 o livro “Meat is for Pussies: A How-To Guide for Dudes Who Want to Get Fit, Kick Ass…”. Embora o título possa parecer bobo, cômico ou provocativo, o conteúdo merece muita atenção.
“É um olhar sobre a perspectiva de que o homem ‘precisa’ de carne para ser varonil e forte”, explica o também escritor e atleta vegano. Na primeira parte do livro, John Joseph apresenta fatos e faz críticas aos horrores envolvendo a exploração animal e os processos de produção de carne.
Depois de falar das fazendas industriais, ele guia o leitor a um capítulo em que discorre sobre um estilo de vida mais feliz, saudável e muito mais humano. Ou seja, um estilo de vida vegano. Na obra, ele dá dicas sobre culinária livre de crueldade contra animais. Em síntese, “Meat is for Pussies”, ignorem o título jocoso, é uma obra em que Joseph desafia positivamente os leitores a mudarem de vida.
“Muitos dos caras que perguntam de onde consigo minhas proteínas estão acima do peso, precisam de pílulas para ereção e levam uma hora no banheiro para se livrarem das carcaças podres que estão em seus cólons”, diz.
Uma das figuras mais famosas do cenário hardcore punk dos Estados Unidos, John Joseph tem usado a sua popularidade para atrair pessoas para o veganismo, divulgando principalmente os benefícios de uma alimentação vegetariana aliada a um bom condicionamento.
“Aprendi sobre a PMA [atitude mental positiva] quando a banda punk rastafári Bad Brains me deu um trabalho como roadie deles em 1981. A primeira parte do processo era abandonar carnes, ovos, laticínios, comida processada e drogas”, confidenciou em entrevista à Deni Kirkova, do tabloide britânico Metro em 21 de agosto de 2015.
Segundo Joseph, a sua mudança de atitude foi uma consequência da sua dieta vegetariana estrita, um catalizador em sua vida. “As cortinas caíram, por assim dizer. Absorvi o conhecimento como se eu fosse uma esponja. Fiquei sóbrio, comecei a praticar ioga, meditação, artes marciais, ciclismo, natação de águas abertas e corrida”, revelou.

Joseph: “Se você me dissesse em 1980 que um dia eu seguiria uma dieta vegetariana, eu daria risada em sua cara”
O novo estilo de vida também garantiu mais energia para tocar com o Cro-Mags e um bom desempenho no Ironman Triathlon, competição de resistência que exige que os atletas completem quase quatro quilômetros de natação, 180 quilômetros de pedaladas e mais de 42 quilômetros de corrida. E tudo isso exige muito treinamento e uma boa dieta. Em 25 de setembro de 2015, a Vice publicou uma matéria baseada na rotina de John Joseph em sua preparação para o Ironman, e se surpreendeu com a força de um homem que só consome alimentos de origem vegetal.
“Se você me dissesse em 1980 que um dia eu seguiria uma dieta vegetariana, e mandaria ver no IronMan, eu provavelmente daria risada em sua cara. Meu passado em Nova York foi duro, realmente duro”, explicou a Deni Kirkova. Mesmo quando sua rotina ficou atribulada por causa das turnês com bandas como Motörhead, Bad Brains, Megadeth e GBH, Joseph continuou cumprindo seu papel como vegano, sem qualquer deslize. Com o Cro-Mags, ele gravou entre os anos de 1986 e 1993 os álbuns “Age of Quarrel”, considerado um dos discos mais influentes da história do hardcore punk, “Alpha Omega” e “Near Death Experience”.
O escritor e atleta vegano já recebeu milhares de e-mails, mensagens no Facebook, Instagram e Twitter de pessoas dizendo que leram seu livro e mudaram de vida por causa do conteúdo e do seu estilo de escrever. “Eles gostam porque dizem que foi escrito na linguagem deles”, justifica.
Quem não conhece a história de John Joseph, jamais imaginaria que ele foi um sem teto viciado em álcool e drogas. Em 1969, aos sete anos, ele foi obrigado a abandonar um lar violento. Viveu em vários orfanatos e em mais lares abusivos. Sem perspectiva de futuro, passou o ano de 1988 consumindo crack.
Na mesma época, levou um tiro, foi esfaqueado e chegou a ser preso. Hoje, com 54 anos, ele continua atuando como vocalista e tornou-se um atleta vegano com desempenho exemplar em cinco edições do Ironman. E ele atribui a sua história de superação ao seu estilo de vida vegano, que não admite a exploração de animais e considera prejudicial à saúde o consumo de alimentos de origem animal.
“As pessoas são bombardeadas por comerciais de fast food barato, e ingerem comidas que não só causam estragos ao seu sistema como ao planeta por causa do abate de animais”, lamentou em entrevista ao jornal The Examiner, da Austrália, e repercutida pelo Exclaim, do Canadá, em 7 de outubro de 2009.
Saiba Mais
John Joseph, que nasceu em Nova York em 3 de outubro de 1962, se tornou vegetariano há mais de 30 anos.
Referências
Vegan rockstar and athlete John Joseph on why ‘meat is for pussies’
https://munchies.vice.com/en/videos/fuel-the-vegan-ironman-diet-of-cro-mags-john-joseph
http://exclaim.ca/music/article/cro-mags_john_joseph_declares_meat_is_for_pussies_with_new_book_begins_work_on_reality_show
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Bryan Adams: “Se você ama os animais, não os coma”
“Me oponho ao uso de peles de animais e a qualquer outro tipo de produto que use animais”

Bryan Adams: “Não como eles, e não me visto com eles” (Foto: Reprodução)
Considerado um dos artistas mais bem-sucedidos da história da música, o canadense Bryan Adams, que emplacou sucessos internacionais como “Everything I Do”, “Summer of 69″, Heaven” e “Please Forgive Me”, abandonou o consumo de carne em 1988, depois de comer um grande bife e sentir-se muito mal. “Aquele foi o fim para mim. Nunca mais”, contou em entrevista à June Bird, da organização Animal Liberation Front (ALF) em abril de 2000.
A partir daquele dia, Adams se afastou cada vez mais dos velhos hábitos alimentares. “Se você ama os animais, não os coma. Me oponho ao uso de peles de animais e a qualquer outro tipo de produto que use animais. Não como eles, e não me visto com eles”, declarou em entrevista à Peta.
O compositor, que também é guitarrista, produtor e fotógrafo, tornou-se um ativista pelos direitos animais quando abdicou do consumo de carne. A primeira grande campanha de sucesso que contou com a sua participação foi a construção de um santuário de baleias na Antártica na década de 1990. “Distribuímos 500 mil cartões postais pedindo que as pessoas escrevessem a favor do santuário e encaminhassem cada cartão para diferentes líderes governamentais para votarem a nosso favor. E isso funcionou”, contou à ALF.
A aproximação de Bryan Adams com ações em defesa dos animais sempre lhe trouxe lembranças dos seus companheiros caninos na juventude. “Eles se tornaram parte da família. Ajudaram a moldar a minha compaixão. Também amo cavalos, então não é difícil apreciar a beleza e inteligência das outras criaturas. Eu nunca tinha analisado a crueldade animal na totalidade quando eu era jovem. Mas a partir do momento que comecei a entender o que ocorre na nossa relação com os animais, fui para um caminho fez com que eu me tornasse vegano”, informou.
O músico perdeu as contas de quantas pessoas influenciou a tornarem-se vegetarianas e veganas ao longo dos anos. “Consegui com muita calma convencer a minha mãe, meu irmão e minha banda. Todos eles se tornaram vegetarianos. Veganos têm muitas opções, que incluem massas, sopas, assados, pizzas, saladas e batatas. São infinitas as opções”, enfatizou.

“Não compactuo com o assassinato de qualquer criatura, sejam focas, vacas, cães, qualquer animal” (Foto: Reprodução)
Outro ponto positivo é que Bryan Adams conseguiu se livrar de muitas alergias, como eczema, que o acompanharam por muitos anos. Dentro de duas semanas consumindo frutas pela manhã, e nada mais, elas desapareceram. “Achei que essas alergias me acompanhariam por toda a minha vida. Isso nunca mais retornou. Outra coisa brilhante é que por causa desse estilo de vida nunca mais tive problema de peso, e definitivamente tenho mais energia do que a maioria das pessoas que conheço”, assegurou à June Bird.
O músico também tem ojeriza por circos que usam animais e odeia fazendas industriais, o fato de que bovinos, suínos e aves são confinados para sanarem um prazer efêmero humano, que é o consumo de carne. “As pessoas contraem tantas doenças comendo carne, principalmente câncer no intestino. Na Grã-Bretanha eles alimentavam os animais com excrementos, e foi assim que a doença da vaca louca começou”, lamentou à Animal Liberation Front.
Segundo Bryan Adams, é muito fácil para as pessoas irem ao mercado, comprarem um hambúrguer e simplesmente virarem as costas para a realidade em torno daquele pedaço de carne. “Um dia, aquilo fez parte de uma vaca viva. As pessoas não assimilam as duas coisas. Não compactuo com o assassinato de qualquer criatura, sejam focas, vacas, cães, qualquer animal. Sou totalmente contra”, ponderou.
Adams também se recordou que no passado as pessoas duvidaram que ele conseguiria ser vegano por muito tempo. E muitas dessas pessoas tornaram-se vegetarianas e veganas mais tarde. “Preciso de uma boa recomendação de restaurante vegano ou vegetariano. Sem molho de ostra para mim. Obrigado!”, disse à revista Time Out, de Hong Kong, quando estava em turnê em 16 de dezembro de 2016.
Saiba Mais
Bryan Adams nasceu em Kingston, Ontário, no Canadá, em 5 de novembro de 1959.
Lançou 14 álbuns entre os anos de 1980 e 2015. O disco “Reckless”, lançado em 1984, e que ficou em primeiro lugar na Billboard, é considerado um dos seus melhores trabalhos.
Ele também atua como fotógrafo da Peta.
Referências
http://www.animalliberationfront.com/Saints/Interviews/Interview%20with%20Bryan%20Adams.htm
http://www.peta.org/features/bryan-adams-animal-rights-vegan/
https://www.timeout.com/hong-kong/music/interview-bryan-adams-on-his-get-up-tour-and-returning-to-hong-kong
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Cattle Decapitation: “No fim do dia, os animais não têm direitos”
Travis Ryan: “Em vez de ajudá-los, criamos coisas como fazendas industriais”

Travis Ryan: “Por sermos a espécie mais inteligente do planeta, tudo isso é ignorado” (Foto: Reprodução)
Fundada em San Diego, na Califórnia, em 1996, a banda de deathgrind Cattle Decapitation, uma das maiores do gênero, surgiu com a proposta de abordar questões como a exploração de animais, a destruição do meio ambiente e outros problemas gerados pela humanidade na sanha por dinheiro e poder.
Em 6 de julho de 2012, o vocalista Travis Ryan concedeu uma entrevista ao portal Metal Sucks defendendo que os animais deveriam ter cada um dos direitos garantidos aos seres humanos. “No fim do dia, os animais não têm direitos. É um tema tocante. Por sermos a espécie mais inteligente do planeta, tudo isso é ignorado. Em vez de ajudá-los, criamos coisas como fazendas industriais”, lamentou.
Entre os problemas apontados por Ryan também está o descontrole na tutela de animais. Ele acredita que seria importante emitir licenças para que as pessoas provem que têm condições de garantir qualidade de vida aos animais domésticos. “Deveria haver leis mais rigorosas a respeito disso. Tenho uma ligação forte com os direitos animais. Somos aquilo que tocamos desde os nossos primeiros registros no final dos anos 1990 [em referência ao EP “Human Jerky”, que traz 18 músicas]”, disse.
O vocalista desabafou que é sempre desconfortável se deparar com pessoas que não se esforçam em entender a proposta da banda. “O que posso fazer é reiterar o que sinto, o que realmente somos. E há pessoas que continuam entendendo errado o nosso trabalho. Em uma entrevista, seja em papel ou online, tudo começa com ‘Os guerreiros veganos do grind Cattle Decapitation’ rá rá rá [risadas]. E eu fico: ‘Será que tem alguém ouvindo o que estou dizendo?’ É hipócrita pensar sobre essas coisas e não querer falar sobre isso. A maneira como você é provocado, não faz sentido. Mas essa é a única forma de combater a ignorância”, argumentou.
Travis Ryan contou que uma de suas prioridades é falar sobre como os seres humanos têm prejudicado seres vivos não humanos. “Convido as pessoas e lerem nossas letras antes de considerarem o julgamento que os outros fazem de nós. Há mitos e rumores que se perpetuam. A mídia fala de nós como se fôssemos veganos extremistas, e não é nada disso, o que inclusive acabou prejudicando nossa relação com nossos fãs”, queixou-se ao The Moshville Times, do Reino Unido, em 22 de julho de 2015.

Ryan: “Tenho uma ligação forte com os direitos animais” (Foto: Reprodução)
Em entrevista à revista Guitar World em maio de 2012, Ryan declarou que as pessoas têm uma tendência a ter uma visão visceral do que é uma banda vegetariana que defende os direitos animais. “Por ser um tema polêmica, há polarização por parte das pessoas e da mídia. Eles preferem exagerar as coisas”, enfatizou.
Sobre as experiências como vegetariano em turnê ao longo dos anos, Travis Ryan relatou que muitas vezes as pessoas oferecem alimentos que eles não têm como ter certeza se há ovos ou leite na composição:
“Não temos o luxo de ir a um Whole Foods às três da manhã depois de um show. À essa altura, vamos a algum Taco Bell ou outro lugar nojento. É triste porque você viaja queimando combustíveis fósseis, e seu veículo fica coberto de carcaças de insetos. Às vezes, até de pássaros e outros animais. É por isso que posso dizer que hoje sou vegetariano, mas não vegano. Vivo minha vida com tanta compaixão quanto posso em relação aos animais e ao meio ambiente. Mas quando estou em casa, é muito mais fácil.”
Em “Manufactured Extinct”, do álbum “The Anthropocene Extinction”, lançado pelo Cattle Decapitation em 2015, Travis Ryan, que tem um vocal gutural singular, canta sobre como o homem do período antropoceno tem esmagado a biodiversidade, alterado e acelerado as condições climáticas por razões egocêntricas:
“Máquinas para construir máquinas/Forjando o fim de todas as coisas vivas/Sacrificando toda a moralidade, os fins justificam os meios/Tecnologia define as eras/Nossa história humana queima suas próprias páginas.”
Em outro trecho da música, Ryan reclama que espécies inteiras são exterminadas em decorrência da inconsequência humana. “Milhões de hectares desfigurados/Não renováveis. Foda-se esta carne/Curadoria da aflição/A real natureza emergiu/Debaixo do sol e na planície/Uma tragédia foi articulada/Por mãos de culturas entrelaçadas em ganância e formas cruéis de vida”, berra em “Manufactured Extinct”.
Formação
Travis Ryan – Vocalista
Josh Elmore – Guitarrista
Derek Engemann – Baixista
Dave Mcgraw – Baterista
Saiba Mais
Cattle Decapitation significa decapitação do gado.
A banda lançou sete álbuns de estúdio entre os anos de 2000 e 2015.
Deathgrind é uma combinação de death metal e grindcore.
Referências
http://www.guitarworld.com/interview-cattle-decapitation-vocalist-travis-ryan-discusses-new-album-monolith-inhumanity
Cattle Decapitation – “We don’t like headlining.” (An interview with Travis Ryan)
http://www.metalunderground.com/interviews/details.cfm?newsid=82043
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Agathocles: “Por que matar animais quando há muitas alternativas de comida saudável ao seu redor?
Jan Frederickx: “A indústria da carne foi construída em cima do abuso de animais, visando apenas dinheiro”
Uma das bandas mais tradicionais de grindcore, o Agathocles surgiu na Bélgica em 1985, com o objetivo de abordar questões políticas, sociais e direitos animais. Dois anos depois, os belgas começaram a tocar com os ingleses do Napalm Death e Extreme Noise Terror, grupos que também trazem vegetarianos e veganos em suas formações.
Após o lançamento da primeira demo em 1987, o grupo excursionou por toda a Europa. Em 1996, enquanto viajavam pela República Tcheca, os integrantes gravaram voluntariamente um vídeo em prol de um grupo tcheco de defesa dos direitos animais.
Em entrevista ao zine Devastation Underground Attack, o vocalista, guitarrista e principal compositor Jan Frederickx contou que há muitas razões para alguém se tornar vegetariano. “Uma importante razão é que você não precisa de carne para ser saudável. Então, por que matar animais para transformá-los em comida quando há muitas alternativas de comida saudável ao seu redor? Uma outra razão é que a produção de carne ajuda a manter os países ricos mais ricos e os países pobres mais pobres”, argumentou.
Jan também justificou que muitos dos vegetais que são consumidos hoje em dia são produzidos em países de Terceiro Mundo, principalmente em nações onde há muita gente faminta, sem acesso à comida. “E isso acontece simplesmente porque grande parte dessa comida é destinada ao gado que vai ser abatido e transformado em carne para os países mais capitalistas. Acredito que isso é o suficiente para que uma pessoa se torne vegetariana ou vegana”, enfatizou.
Em suas letras, o Agathocles que se define como mincecore, costuma abordar questões como direitos animais e humanos, ecologia, política, economia e problemas nos países de Terceiro Mundo. Em entrevista concedida ao zine tcheco Obscene Extreme em maio de 2014, Frederickx sugeriu que as pessoas assistam documentários e busquem informações na internet sobre direitos animais, vegetarianismo e veganismo.
“É importante dizer às pessoas que tomem ciência sobre o consumo de massa e o abate de animais. A forma como os animais são ‘criados’ e tratados é realmente doentia. Por exemplo, a maneira como fazem o foie gras. E nem mencionei o quanto é cruel a forma como os animais são mortos nos matadouros. A indústria da carne foi construída em cima do abuso de animais, visando apenas dinheiro”, desabafou.
Sobre direitos animais, um dos maiores clássicos do Agathocles é a música “Hormon Mob”, faixa número 20 do álbum “Razor Sharp Daggers”, lançado em 1995. Na letra, Jan diz:
Agora ele está morto – uma bala em sua cabeça
Pare a multidão do hormônio
Matar por lucro é o seu trabalho
Prato químico – é isso que você deseja?
Bife e carne – de uma raça mutante
Pelo lucro doentio – você recebe carne contaminada
Essa é a multidão – esse é o trabalho deles
Pare a multidão do hormônio
Matar por lucro é o seu trabalho
O Agathocles costuma realizar shows beneficentes para movimentos de direitos animais, como o grupo belga Gaia, Animal Liberation Front (ALF) e APMA. Também já gravou músicas em prol desses movimentos e participaram de muitos protestos em defesa dos animais. “Há uma boa quantidade de restaurantes vegetarianos aqui na Bélgica, e eles não são caros. Então acaba sendo uma forma de encorajar as pessoas a comerem pratos vegetarianos. Não é nada difícil ser vegetariano aqui, e há toneladas de opções baratas e saudáveis”, garantiu Frederickx.
Saiba Mais
Mincecore significa grindcore puro voltado para direitos animais, questões políticas e sociais.
Referências
http://www.angelfire.com/mt/attack1/ag.html
http://www.obsceneextreme.cz/cs/a/71/fanzin,agathocles-interview
http://www.angelfire.com/nj/apf/agint.html
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Como o lendário baixista do Black Sabbath se tornou vegano
Geezer Butler: “Eu costumava comer carne quando era criança, mas eu não sabia qual era a origem”

Butler: “E um dia, cortei um pedaço de carne e saiu sangue, então perguntei a minha mãe de onde vem a carne, e ela disse: ‘Dos animais’, e foi isso” (Arquivo: Peta)
Um dos músicos mais influentes da história do heavy metal, o baixista inglês Geezer Butler, principal letrista do Black Sabbath, cresceu rodeado de animais. Com três irmãos e duas irmãs, ele se recordou que a casa vivia repleta de gatos, cães, ratos, galinhas, sapos e tartarugas.
“E eles sempre tiveram grande importância na minha vida. Meu cachorro, Scamp, era meu melhor amigo quando eu estava crescendo, e ele era tão meu irmão quanto meus irmãos humanos. Um dia, alguém jogou ácido nele, e ele quase morreu, mas meus pais gastaram as economias de uma vida para pagar por seu tratamento”, disse em entrevista ao Devils Gate Media em março de 2016.
Butler se surpreendeu em saber que as pessoas poderiam ser tão cruéis, e desde então assumiu um compromisso em defender os animais. Ativista e vegano, ele tem usado a sua influência para inspirar jovens de todas as partes do mundo.
“Eu costumava comer carne quando era criança, mas eu não sabia qual era a origem. E um dia, cortei um pedaço de carne e saiu sangue, então perguntei a minha mãe de onde vem a carne, e ela disse: ‘Dos animais’, e foi isso”, relatou.
Geezer Butler também teve uma infância difícil. Havia sete crianças na família e seu pai costumava receber apenas 30 dólares por semana para alimentar todos. “De qualquer modo, já não havia muita carne. Então eu realmente não senti falta. Conforme fui amadurecendo e começamos a pegar a estrada, tão logo você dissesse que era vegetariano, as pessoas, por alguma razão, achavam que você comia peixe. E eu dizia: ‘Como peixe pode ser um vegetal?’ Eu já tinha decidido fazer apenas coisas veganas, nada relacionado com qualquer tipo de animal. Me tornei vegano a partir daí”, informou a Bryan Reesman, do Attention Deficit Delirium.
Em entrevista concedida ao portal Team Rock em outubro de 2016, o lendário baixista admitiu que é um bom cozinheiro vegano. “E também faço uma boa xícara de chá”, emendou. Em outra entrevista concedida ao Peta2, ele disse que gosta de levar amigos para jantar em sua casa e servi-los com carne falsa. “Só depois digo a eles que aquela deliciosa refeição que eles comeram era vegana”, enfatiza.
Geezer e sua esposa Gloria estão há muitos anos envolvidos em batalhas contra criações de animais com finalidades comerciais, levando em conta que esses locais têm contribuído para ampliar a superpopulação de cães e gatos. “Há tantos cães e gatos e todos os tipos de animais que precisam de casas. Você sabe, não há razão para sair por aí e comprar um animal de um pet shop quando você pode simplesmente buscar um deles em um abrigo local”, lamentou Butler.
Saiba Mais
Geezer Butler nasceu em 17 de julho de 1949 em Aston, Birmingham, na Inglaterra.
Gravou 14 álbuns com o Black Sabbath entre os anos de 1970 e 2013; três discos solo; três discos com Ozzy Osbourne; e três discos com o Heaven & Hell.
Referências
http://devilsgatemedia.com/interview-black-sabbaths-geezer-butler/
http://www.blabbermouth.net/news/black-sabbaths-geezer-butler-ive-grown-up-with-animals-in-the-house/
http://www.bryanreesman.com/2014/03/27/geezer-butler-discusses-veganism-religion-politics-surveillance-and-life-lessons/
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Ben Kenney: “Comecei a descobrir sobre a crueldade contra os animais e, eticamente, não fazia sentido continuar comendo carne”
Foi na adolescência que o baixista Ben Kenney, da banda estadunidense de rock alternativo Incubus, por vezes também associada ao new metal, começou a se interessar pelo vegetarianismo e pelos direitos animais. Um choque de realidade o motivou a não consumir mais carne e a tornar-se vegetariano mais tarde.
“Fui surpreendido no momento certo com a informação certa. Acho que eu tinha 16 ou 17 anos quando comecei a descobrir sobre a crueldade contra os animais e, eticamente, não fazia sentido para mim continuar comendo carne, então eu parei”, disse em uma entrevista disponibilizada pelo canal AAnimalsStreetTeam2 em 23 de fevereiro de 2009, no YouTube.
Kenney ingressou na banda de rock alternativo Incubus em 2003, após a saída do baixista e membro-fundador Alex Katunich. Antes de tornar-se membro do Incubus, ele já havia tocado com o guitarrista Mike Einziger e com o baterista Jose Pasillas no Time Lapse Consortium, banda que fazia uma fusão de rock psicodélico, jazz e funk.
Além de baixo, Kenney toca outros instrumentos musicais, como guitarra e bateria. De 2004 a 2013, ele lançou os discos solo “26”, “Maduro”, “Distance and Comfort”, “Burn the Tapes” e “Leave on your Makeup”.
Com o Incubus, ele gravou os álbuns “A Crow Left of the Murder…”, de 2004; “Light Grenades”, de 2006; e “If Not Now, When?”, de 2011; além do EP “Trust Fall (Side A)”, de 2015.
“Eu estava assistindo um especial na HBO sobre hábitos alimentares e diferentes culturas, e eles mostraram como as pessoas comem gatos na China. E eu realmente gosto de gatos, e eu estava sentado no sofá com meu gato, e uma vez que vi isso, apenas coloquei tudo em perspectiva. Se eu não comeria o meu gato, qual seria a diferença entre comer um gato ou uma vaca?”, ponderou.
Referências
http://incubusonline.com/band/band/band/benmain.html
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