David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Meio Ambiente’ tag

Segundo Will Potter, ativistas ambientais e dos direitos animais são vistos como ameaça terrorista pelo FBI

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Potter: “Acredito que porque, mais do que qualquer outro movimento social, ameaçam diretamente os lucros empresariais” (Fotos: Shutterstock/Peta)

De acordo com o jornalista Will Potter, autor do livro “Green is the New Red”, ativistas ambientais e dos direitos animais são considerados pelo FBI a pior ameaça terrorista. “Acredito que porque, mais do que qualquer outro movimento social, ameaçam diretamente os lucros empresariais”, explica.

 





Jane Goodall: “Sou vegetariana porque, você sabe, respeito os animais. Sei que todos eles são indivíduos”

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“Parei de comer carne há 50 anos, quando olhei a costeleta de porco em meu prato e pensei: isso representa medo, dor e morte”

Jane Goodall: “A maioria das pessoas não percebe a indescritível crueldade sofrida pelos animais” (Acervo: Jane Goodall Institute)

Considerada uma das mais importantes primatólogas do nosso tempo, a britânica Jane Goodall, que também é etóloga e antrópologa, teve papel determinante no século 20 no avanço de estudos envolvendo a capacidade de aprendizagem social e raciocínio de chimpanzés e babuínos.

“Parei de comer carne há 50 anos, quando olhei a costeleta de porco em meu prato e pensei: isso representa medo, dor e morte. Feito, me tornei vegetariana instantaneamente”, contou Jane Goodall em artigo publicado em seu site no dia 28 de abril. Para a primatóloga, um grande e nobre motivo para não consumirmos carne é a contrariedade à exploração animal, a rejeição ao sofrimento imposto arbitrariamente aos seres não humanos.

Ela citou como outra importante razão o impacto causado pela produção de carne ao meio ambiente – incluindo a contribuição às mudanças climáticas. “A maioria das pessoas não percebe a indescritível crueldade sofrida pelos animais […]. E aqueles que sabem, não se importam. As pessoas me dizem que os animais são criados para tornarem-se comida – como se isso significasse que eles não são mais seres sensíveis. Outros me pedem para não falar sobre isso, porque eles ‘amam os animais e são muito sensíveis’ – [pedem isso] para que possam comer porcos, bois e vacas sem sentirem culpa”, lamentou.

Em 14 de janeiro de 2016, Jane Goodall concedeu uma entrevista ao Democracy Now, e disse que assim como não comeria seu cachorro, não seria capaz de comer a carne de outros animais. “Sou vegetariana porque, você sabe, respeito os animais. Sei que todos eles são indivíduos”, declarou e acrescentou que porcos são animais mais inteligentes do que muitos cães.

Jane destacou que vê com estranheza quando alguém diz que não acredita que o mundo está passando por mudanças climáticas em decorrência da displicência humana em relação aos animais e ao meio ambiente. “Esse vasto impacto está sendo causado pela agropecuária. E a fim de alimentar bilhões e bilhões de bois, vacas, porcos, frangos, galinhas. Mesmo que você não se importe com a crueldade, mesmo que se recuse a admitir que esses indivíduos têm sentimentos, que sentem dor e têm emoções, você tem que admitir que grandes florestas são destruídas para cultivar grãos para alimentá-los. A pecuária está transformando florestas em pasto”, reclamou em entrevista ao Democracy Now. No artigo publicado no dia 28 de abril, Jane Goodall citou as secas causadas pelas mudanças climáticas na África Subsaariana. Relatou que a região está se tornando um deserto com grandes áreas suscetíveis à erosão:

Jane parou de comer carne há 50 anos (Acervo: Jane Goodall Institute)

“Quantidades enormes de água estão sendo desperdiçadas para transformar a proteína vegetal em proteína animal. […] Os aquíferos subterrâneos também estão diminuindo e se tornando poluídos, e frequentemente por causa do escoamento de produtos químicos agrícolas ou por causa das ‘lagoas’ de resíduos produzidos pelos próprios animais [criados para consumo]. Precisamos considerar a grande quantidade de metano gerada pelo sistema digestivo dos animais, especialmente os bovinos – um gás com efeito estufa muito mais potente do que o CO2. As grandes quantidades de combustíveis fósseis utilizados para manter toda a produção industrial de carne estão aumentando absurdamente os gases do efeito estufa.”

Além desses apontamentos e críticas, há muito tempo Jane Goodall qualifica a dieta vegetariana como mais benéfica para a saúde. Costuma citar a si mesma como exemplo, argumentando que assim que parou de se alimentar de animais, imediatamente sentiu-se melhor e mais leve. “Muitas pessoas me disseram o mesmo”, afirmou em seu artigo. Ao abordar os malefícios do consumo de carne, Jane apresentou como referência os estudos da Harvard Medical School e do Science Daily – que relacionou o alto consumo de carne na atualidade com o aumento da obesidade:

“Alguns dos hormônios e outros suplementos alimentares dados aos animais para aumentar a taxa de crescimento podem ter impacto sobre nós. Os antibióticos agora são fornecidos regularmente para manterem vivos os animais [criados para consumo] em condições de lotação e depressão. Inevitavelmente, as bactérias estão se tornando mais resistentes, e pessoas têm morrido em decorrência de simples infecções que não responderam aos antibióticos usados para curá-las.”

Jane Goodall defende que há muitas razões para uma pessoa se tornar vegetariana ou vegana, e sempre que possível pede encarecidamente para que reflitam a respeito: “Continuo pedindo que as pessoas considerem o que essa escolha realmente significa em um nível moral para os animais e o meio ambiente. É a escolha de mudar nossas vidas, o que por sua vez trará enormes benefícios para toda a humanidade e todas as outras criaturas com quem compartilhamos a nossa casa.”

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Jane Goodall nasceu em Londres, na Inglaterra, em 3 de abril de 1934. Ao longo de sua carreira, recebeu dezenas de prêmios, títulos e homenagens. O primeiro prêmio foi o World Wildlife Award for Conservation em 1980, e o mais recente foi o International Cosmos Prize em 2017.





Uma mensagem de Woody Harrelson para o mundo

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Harrelson: “Eles só querem que você compre coisas”

Temos o hábito de comprar fast food, que não é comida de verdade. Compramos galões de produtos de limpeza que são nocivos, quando um bom sabão macio e facilmente degradável pode fazer muito bem esse trabalho. Estamos envenenando nossos lares e desperdiçando sem nenhuma boa razão o nosso dinheiro conquistado arduamente. Por quê? Porque a indústria diz que é isso que devemos fazer. Eles só querem que você compre coisas.

Por exemplo, se uma companhia polui o meio ambiente ou realiza negócios reprováveis, se você não comprar os produtos deles, eles irão mudar. Se você não quer comida com muitos produtos químicos ou transgênicos nela, então não compre. A partir do minuto que assumimos a responsabilidade e gastamos nosso dinheiro sabiamente, cada político, cada corporação e cada líder ao redor do mundo saberá que nós despertamos.

Este é o século 21, se usarmos nossos recursos sabiamente, não haverá razão para que alguém não tenha o que necessita. Não há nenhum motivo para que as pessoas morram de fome neste planeta. O homem ou a mulher comum, sejam eles israelenses ou palestinos, protestantes ou católicos, iraquianos ou estadunidenses, só querem viver em paz e justiça em um ambiente limpo.

Quando olhamos ao redor do mundo e vemos que esse não é o nosso caso, sabemos que a maioria da população não é ouvida. Esse é o primeiro sinal de que nosso sistema está quebrado. O governo não irá fazer essas mudanças para nós. Isso cabe ao ser humano comum.

Nenhuma indústria vai continuar com uma prática ou um produto que você, enquanto consumidor, não quer comprar. É de vital importância que você entenda isso, porque isso lhe dá o poder supremo de mudar o mundo em que você vive.

Empresas são extremamente sensíveis sobre sua reação em relação aos seus produtos, porque eles sabem que se você não comprá-los, eles terão que sair desse negócio. Isso não é algo que muitas empresas estão dispostas a considerar e, ao escolher gastar seu dinheiro sabiamente, você acaba promovendo as empresas que fazem negócios de forma mais socialmente responsável.

A message for the world from Woody Harrelson (Uma mensagem de Woody Harrelson para o mundo), gravado pela Real Leaders Magazine em maio de 2016. O ator estadunidense Woody Harrelson, que conquistou projeção internacional a partir de 1994, quando estrelou o filme “Natural Born Killers”, de Oliver Stone, foi indicado duas vezes ao Oscar. Ele é vegano, ativista dos direitos animais e ativista social.

Tradução: David Arioch

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August 4th, 2017 at 5:38 pm

Google lança vídeo denunciando o papel da pecuária no desmatamento da Amazônia

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20% das florestas da Amazônia desapareceram com o desmatamento (Foto: Reprodução)

Este mês, o Google lançou um vídeo em seu canal no YouTube intitulado “Eu Sou Mudança – Consumo Consciente”. O trabalho bastante objetivo, que não chega a um minuto e meio de duração, denuncia, de maneira bem simples e didática, como a pecuária tem contribuído com o desmatamento na Amazônia. Ao final, enfatiza que “o desmatamento pode estar no prato de quem consome carne”, relacionando esse hábito com o impacto ambiental.

De acordo com o vídeo, na Amazônia, mais de 750 mil quilômetros quadrados de floresta foram destruídos, dois terços foram transformados em pasto, o equivalente ao tamanho da Espanha. Tudo começa assim, uma pequena estrada de terra é aberta na floresta, por onde entram madeireiros interessados no corte das árvores com maior valor comercial. Quando acabam de cortar, e deixam a área, chega o fazendeiro de gado pela mesma estrada, corta todas as árvores remanescentes e bota fogo em tudo para fazer pasto.

Aí o gado se espalha, em uma imensidão de território só ocupado por ele. Segundo informações do filme, a pecuária extensiva ainda é a maior responsável pela derrubada de floresta na Amazônia brasileira. É um ciclo vicioso. Após a derrubada da floresta, o pasto se degrada rapidamente, exigindo assim novas aberturas na floresta.

O vídeo diz também que 38% de toda a carne produzida no Brasil vem da Amazônia. Somos o maior exportador de carne do mundo. “Não seria exagero dizer que o desmatamento pode estar no seu prato. Até agora já são 20% de toda a Amazônia que se foi. Todo esse pasto, e pensar que era tudo floresta”, termina.

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Written by David Arioch

July 30th, 2017 at 6:14 pm

Quando alguém faz piada sobre a preocupação com as mudanças climáticas

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Foto: Adam Smith Institute

Acho que você tem razão, a natureza deve ser espoliada a níveis alarmantes e nunca amargaremos as consequências disso, não é mesmo? Muito do que acontece de ruim no mundo tem relação com a destruição do meio ambiente. Você concordando ou não, a preocupação com as mudanças climáticas é uma manifestação do anseio por um mundo melhor, menos agressivo contra todos os seres vivos que habitam a Terra.

Não é preciso nenhum relatório para deixar claro que a natureza não é uma subalterna da humanidade, que deve ser explorada exaustivamente. Sem limites, o ser humano continuará se preocupando apenas com o que lhe convém. Ouso até dizer que uma das piores doenças do mundo contemporâneo é a ganância, porque ela infla muitas pessoas com um individualismo tão abjeto que faz com que nada seja mais importante do que o próprio ego. Isso é muito perigoso porque arrasta consigo a ideia equivocada de superioridade, que também é a raiz de muitos males.

Ao longo da história, quanto a humanidade investiu em guerras? E quanto ela investiu na preservação e recuperação do meio ambiente? Gosto de fazer essa pergunta para quem faz piada dos relatórios sobre mudanças climáticas. Não adianta falar que isso é uma preocupação meramente contemporânea porque essa reflexão já existia na Grécia Antiga. A diferença é que tudo que foi dito no passado sobre o respeito ao meio ambiente foi ignorado.

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Written by David Arioch

June 2nd, 2017 at 2:16 pm

Dirk Verbeuren: “Sou vegetariano porque não gosto da forma como os animais são tratados”

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“Eu não poderia continuar fazendo parte disso. Cada criatura viva tem o direito de ser tratada eticamente”

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Dirk Verbeuren é vegetariano e defende os direitos animais (Foto: Peta)

O belga Dirk Verbeuren, que foi baterista da banda sueca de death metal melódico Soilwork, com quem gravou cinco álbuns e um EP entre os anos de 2005 e 2015, ingressou na banda Megadeth em 2016, a convite do vocalista e guitarrista Dave Mustaine. Embora seja bem conhecido no cenário do heavy metal, muita gente não sabe que Verbeuren é vegetariano, defende os direitos animais e tem uma banda em que aborda o tema.

Em entrevista a Tarja Virmakari, do Metal Shock Finland, o baterista contou que decidiu fundar o projeto de grindcore Bent Sea em 2011 como um veículo de divulgação de suas ideias sociopolíticas, incluindo os direitos animais. Sua iniciativa foi influenciada por bandas que o marcaram na adolescência, como Napalm Death, D.R.I. e Extreme Noise Terror.

“Sou vegetariano porque não gosto da forma como a carne é produzida, e como a maioria dos animais são tratados neste planeta. É uma causa em que acredito e é disso que falo na música ‘Dead Meat’ [que faz parte do EP Nostalgia, de 2011]. Todo mundo pode comer o que bem entender, mas talvez eu possa inspirar algumas pessoas a pensarem sobre algumas dessas questões”, justificou. O EP é baseado em críticas contundentes, principalmente no que diz respeito ao comprometimento do meio ambiente.

Logo no início, o Bent Sea contou com a participação do vocalista belga Sven de Caluwe, da banda Aborted, e do multi-instrumentista canadense Devin Townsend. Depois o lendário baixista britânico Shane Embury, do Napalm Death, também ingressou no projeto de grindcore. Colaborador da organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta), Verbeuren gravou com o Bent Sea os splits “Double Penetration”, com o Torture Division em 2013; “Animalist”, com o Usurpress em 2014; e “Ascend”, com o To Dust em 2014.

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Verbeuren é baterista do Megadeth desde 2016 (Foto: Divulgação)

Em entrevista publicada em 6 de março de 2013, Dirk Verbeuren afirmou a Dane Prokofiev, da New Noise Magazine, que os oceanos estão mais ameaçados do que nunca pela poluição e pela pesca excessiva, e lamentou que aqueles que estão no poder não estão tomando as medidas necessárias para preservar o equilíbrio dos oceanos. Ingenuamente, o músico acreditava que havia regulamentações e leis para proteger o mar aberto.

Por isso, ele sugere que as pessoas assistam ao filme “Shark Water”, do canadense Rob Stewart, lançado em 2006. A obra mostra o quão visceralmente diferente e deprimente é a realidade dos oceanos e de espécies marinhas como os tubarões – afetados diretamente pela ganância humana. “O oceano é um lugar onde as pessoas pegam tudo que querem sem assumir qualquer responsabilidade. É muito fácil fechar os olhos para algo que não faz parte de nossas vidas diárias. Mas todos podemos dar pequenos passos para fazer uma enorme diferença. Por exemplo, boicotando as empresas envolvidas nisso”, recomenda.

Fatos como esse tiveram tanto impacto na consciência de Verbeuren e dos outros integrantes da banda sueca Soilwork que em 2013 eles lançaram o álbum “The Living Infinite”, que aborda a importância da vida marinha. “Ele ecoa a vastidão e a riqueza da nossa principal fonte de inspiração – o oceano”, declarou a Alexandra Furnea, do Maximum Rock em entrevista publicada em 4 de março de 2013. O músico belga admite que se sente na obrigação de conscientizar as pessoas sobre a importância de se proteger os oceanos, um mundo subaquático ainda pouco conhecido pela humanidade.

“Felizmente as pessoas estão percebendo que se o frágil equilíbrio dos ecossistemas subaquáticos for destruído, a vida humana na Terra se tornará impossível”, disse ao Maximum Rock. Em entrevista a Susan do Metal Storm em 7 de abril de 2013, Dirk Verbeuren, que vive em Los Angeles, nos Estados Unidos, confidenciou que para ele é muito fácil encontrar comida vegetariana hoje em dia.

“Em Los Angeles há toneladas de comida vegetariana. Amo comida tailandesa, coisas com arroz, talharim e muitos vegetais. Amo o sabor tailandês com coco. Também aprendi a apreciar a comida mexicana vivendo na Califórnia”, revelou.

Em um vídeo lançado pela Peta em 8 de agosto de 2013, Verbeuren aparece sorrindo e empolgado ao falar do seu estilo de vida vegetariano. “Eu provavelmente tinha quatro ou cinco anos, e acidentalmente matei uma mosca e comecei a chorar. Fiquei muito triste por tê-la matado, então acredito que sempre tive compaixão pelos animais. Não acho que qualquer animal deva ser tratado da forma como eles são tratados pela indústria. Então eu não poderia continuar fazendo parte disso. Cada criatura viva tem o direito de ser tratada eticamente”, argumentou.

Referências

https://metalshockfinland.com/2012/01/13/interview-with-dirk-verbeuren-bent-sea-do-not-preach-but-they-certainly-arent-afraid-to-blast-it-from-the-rooftops/

http://newnoisemagazine.com/interview-w-soilwork-by-dane-prokofiev/

http://maximumrock.ro/soilwork-the-ocean-has-been-our-most-important-source-of-inspiration-on-the-living-infinite/

http://www.metalstorm.net/pub/interview.php?interview_id=672

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Paul McCartney sobre o consumo de carne: “Acabei percebendo que eu estava tirando a vida dos animais”

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“Uma grande mudança que alguém pode fazer no seu estilo de vida é se tornar vegetariano”

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Campanha da Peta: “Eu sou Paul McCartney, e eu sou um vegetariano”

O cantor e compositor britânico Paul McCartney, que há muito tempo faz campanhas em defesa dos direitos animais, contou em entrevista à jornalista Barbara Ellen, publicada no The Guardian em 18 de julho de 2010, que abdicou do consumo de carne no início dos anos 1970, quando ele e sua esposa Linda estavam comendo um assado durante o jantar.

O casal olhou pela janela e viu cordeiros felizes saltitando. Sensibilizados com a cena, perderam o interesse em comer carne. “Foi como se a ficha tivesse caído, a lâmpada acendeu. Vimos que poderíamos simplesmente desistir disso. Acabei percebendo que eu estava tirando a vida dos animais”, disse.

McCartney atribui a Linda, falecida em 1998, a sua adesão ao vegetarianismo. Sua esposa inclusive atraiu muita atenção com seus livros de receitas sem carne. “Ela tinha um jeito, uma força não-agressiva, e muitos de nossos amigos se tornaram vegetarianos por causa disso”, explicou.

Um dia, quando estava pescando em um rancho em Nashville, nos Estados Unidos, ele puxou um peixe para fora da água e viu que o pequeno animal lutava bravamente pela própria vida. Normalmente, ele teria dito: “Sim, você é meu jantar!”, mas naquele dia o desfecho foi diferente: “Apenas pensei: ‘Oh, realmente estou matando você e posso fazer algo sobre isso. Então o tirei do gancho, o soltei e disse: ‘Aí está, camarada!”

O compositor britânico relatou em entrevista à organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) publicada em 21 de abril de 2008 que se surpreende com o fato de que a maioria das organizações ambientais jamais citam a adesão ao vegetarianismo como uma das medidas mais importantes para ajudar a reduzir o aquecimento global. “O mais interessante é que hoje em dia é tão fácil ser vegetariano. Esse é um passo simples, mas extremamente efetivo, que muitas pessoas poderiam dar para ajudar o meio ambiente e melhorar a sua própria saúde”, argumentou.

Segundo Paul McCartney, a vida selvagem e muitos dos lugares mais belos do planeta estão sendo destruídos em consequência da industrialização irrefletida. “É algo que pode ser interrompido, e há sinais esperançosos de que as pessoas estão começando a perceber que isso deve ser feito [adesão ao vegetarianismo] para garantir um futuro melhor para nossos filhos e os filhos deles”, declarou.

Em entrevista a David Frickle, publicada na revista Rolling Stone em 10 de agosto de 2016, o compositor britânico revelou que não frequenta a rede de fast food McDonald’s porque é incompatível com seus ideais, o que significaria incentivar a exploração animal. O que também sempre gerou estranheza em McCartney é que muitas pessoas pensam que vegetarianos comem peixes:

“E quando você considera a pesca excessiva, a poluição marinha e os danos enormes aos nossos oceanos em decorrência da pesca comercial, fica mais óbvio ainda que um estilo de vida vegetariano pode melhorar muito o nosso meio ambiente e ajudar a salvar os oceanos.”

McCartney, assim como muitos, foi criado como um típico consumidor de carne, mas isso não impede que as pessoas façam escolhas melhores, que beneficiem os animais, a saúde e o planeta. “Acho que uma grande mudança que alguém pode fazer no seu estilo de vida é se tornar vegetariano. A indústria global da carne, por causa da terra e água necessárias para o serviço, é uma das maiores responsáveis pelo aquecimento global. Esse fato surpreendente emergiu nas pesquisas nos últimos anos. Então convido todos a refletirem e darem esse simples passo [tornarem-se vegetarianos] para ajudar o nosso precioso meio ambiente, o salvando para as crianças do futuro”, ponderou.

Referências

http://www.peta.org/blog/interview-sir-paul-mccartney/

https://www.theguardian.com/music/2010/jul/18/paul-mccartney-vegetarianism

http://www.rollingstone.com/music/features/paul-mccartney-looks-back-the-rolling-stone-interview-w433437

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Written by David Arioch

January 24th, 2017 at 12:16 pm

Cattle Decapitation: “No fim do dia, os animais não têm direitos”

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Travis Ryan: “Em vez de ajudá-los, criamos coisas como fazendas industriais”

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Travis Ryan: “Por sermos a espécie mais inteligente do planeta, tudo isso é ignorado” (Foto: Reprodução)

Fundada em San Diego, na Califórnia, em 1996, a banda de deathgrind Cattle Decapitation, uma das maiores do gênero, surgiu com a proposta de abordar questões como a exploração de animais, a destruição do meio ambiente e outros problemas gerados pela humanidade na sanha por dinheiro e poder.

Em 6 de julho de 2012, o vocalista Travis Ryan concedeu uma entrevista ao portal Metal Sucks defendendo que os animais deveriam ter cada um dos direitos garantidos aos seres humanos. “No fim do dia, os animais não têm direitos. É um tema tocante. Por sermos a espécie mais inteligente do planeta, tudo isso é ignorado. Em vez de ajudá-los, criamos coisas como fazendas industriais”, lamentou.

Entre os problemas apontados por Ryan também está o descontrole na tutela de animais. Ele acredita que seria importante emitir licenças para que as pessoas provem que têm condições de garantir qualidade de vida aos animais domésticos. “Deveria haver leis mais rigorosas a respeito disso. Tenho uma ligação forte com os direitos animais. Somos aquilo que tocamos desde os nossos primeiros registros no final dos anos 1990 [em referência ao EP “Human Jerky”, que traz 18 músicas]”, disse.

O vocalista desabafou que é sempre desconfortável se deparar com pessoas que não se esforçam em entender a proposta da banda. “O que posso fazer é reiterar o que sinto, o que realmente somos. E há pessoas que continuam entendendo errado o nosso trabalho. Em uma entrevista, seja em papel ou online, tudo começa com ‘Os guerreiros veganos do grind Cattle Decapitation’ rá rá rá [risadas]. E eu fico: ‘Será que tem alguém ouvindo o que estou dizendo?’ É hipócrita pensar sobre essas coisas e não querer falar sobre isso. A maneira como você é provocado, não faz sentido. Mas essa é a única forma de combater a ignorância”, argumentou.

Travis Ryan contou que uma de suas prioridades é falar sobre como os seres humanos têm prejudicado seres vivos não humanos. “Convido as pessoas e lerem nossas letras antes de considerarem o julgamento que os outros fazem de nós. Há mitos e rumores que se perpetuam. A mídia fala de nós como se fôssemos veganos extremistas, e não é nada disso, o que inclusive acabou prejudicando nossa relação com nossos fãs”, queixou-se ao The Moshville Times, do Reino Unido, em 22 de julho de 2015.

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Ryan: “Tenho uma ligação forte com os direitos animais” (Foto: Reprodução)

Em entrevista à revista Guitar World em maio de 2012, Ryan declarou que as pessoas têm uma tendência a ter uma visão visceral do que é uma banda vegetariana que defende os direitos animais. “Por ser um tema polêmica, há polarização por parte das pessoas e da mídia. Eles preferem exagerar as coisas”, enfatizou.

Sobre as experiências como vegetariano em turnê ao longo dos anos, Travis Ryan relatou que muitas vezes as pessoas oferecem alimentos que eles não têm como ter certeza se há ovos ou leite na composição:

“Não temos o luxo de ir a um Whole Foods às três da manhã depois de um show. À essa altura, vamos a algum Taco Bell ou outro lugar nojento. É triste porque você viaja queimando combustíveis fósseis, e seu veículo fica coberto de carcaças de insetos. Às vezes, até de pássaros e outros animais. É por isso que posso dizer que hoje sou vegetariano, mas não vegano. Vivo minha vida com tanta compaixão quanto posso em relação aos animais e ao meio ambiente. Mas quando estou em casa, é muito mais fácil.”

Em “Manufactured Extinct”, do álbum “The Anthropocene Extinction”, lançado pelo Cattle Decapitation em 2015, Travis Ryan, que tem um vocal gutural singular, canta sobre como o homem do período antropoceno tem esmagado a biodiversidade, alterado e acelerado as condições climáticas por razões egocêntricas:

“Máquinas para construir máquinas/Forjando o fim de todas as coisas vivas/Sacrificando toda a moralidade, os fins justificam os meios/Tecnologia define as eras/Nossa história humana queima suas próprias páginas.”

Em outro trecho da música, Ryan reclama que espécies inteiras são exterminadas em decorrência da inconsequência humana. “Milhões de hectares desfigurados/Não renováveis. Foda-se esta carne/Curadoria da aflição/A real natureza emergiu/Debaixo do sol e na planície/Uma tragédia foi articulada/Por mãos de culturas entrelaçadas em ganância e formas cruéis de vida”, berra em “Manufactured Extinct”.

Formação

Travis Ryan – Vocalista

Josh Elmore – Guitarrista

Derek Engemann – Baixista

Dave Mcgraw – Baterista

Saiba Mais

Cattle Decapitation significa decapitação do gado.

A banda lançou sete álbuns de estúdio entre os anos de 2000 e 2015.

Deathgrind é uma combinação de death metal e grindcore.

Referências

http://www.metalsucks.net/2012/07/06/cattle-decapitations-travis-ryan-the-metalsucks-interview/

http://www.moshville.co.uk/interview/2015/07/interview-travis-ryan-of-cattle-decapitation/

http://www.guitarworld.com/interview-cattle-decapitation-vocalist-travis-ryan-discusses-new-album-monolith-inhumanity

http://www.metalobsession.net/2013/05/26/cattle-decapitation-we-dont-like-headlining-an-interview-with-travis-ryan/

http://www.metalunderground.com/interviews/details.cfm?newsid=82043

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Há sempre mais motivos para não comer carne

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Há sempre mais motivos para não comer carne do que para comê-la, e isso por si só já é mais que suficiente. Quem come carne e não abre mão, diz que é importante fonte de proteína, que é gostosa e que faz bem. Ou seja, são argumentos que, independente da veracidade, se voltam para a individualidade.

Já os argumentos para não comer carne hoje em dia são: não temos direito de matar para beneficiar nosso paladar e não precisamos de carne para sobreviver. Há profissionais que também argumentam que o consumo de carne não é saudável nem sustentável.

O consumo de carne é um dos maiores responsáveis pelo aquecimento global e pela destruição do meio ambiente. Quais argumentos se voltam menos para a individualidade e mais para os benefícios coletivos?

Exploração animal, consumo de carne e fome mundial

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Investe-se tanto no peso de animais inocentes que serão sacrificados. Ao mesmo tempo, investe-se nada naqueles que estão esfomeados (Fotos: Reprodução)

O mundo atualmente conta com mais de 1,5 bilhão de bovinos e pouco mais de sete bilhões de pessoas. Os seres humanos consomem 9,5 bilhões de quilos de comida e 20 bilhões de litros de água por dia. Por outro lado, o gado é alimentado com 61 bilhões de quilos de comida e 170 bilhões de litros de água por dia, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Ou seja, temos animais criados simplesmente para serem mortos e transformados em carne para pessoas que têm condições de pagar por ela. E muitos não têm, já que o mundo soma mais de um bilhão de pessoas passando fome diariamente. Isso é absurdo e surreal. Gasta-se seis vezes mais para alimentar bovinos, quando poderíamos estudar uma alternativa para destinar comida de origem vegetal para sanar a fome do mundo.

Além do mal que causamos aos animais não humanos, ainda desconsideramos a fome mundial, porque é isso que o consumo de carne privilegia, uma aberrante desigualdade social, já que não se trata de algo justo nem acessível a todo mundo. Acredito que quando comemos carne estamos virando as costas para a miséria que assola o mundo.