Archive for the ‘Paranavaí’ Category
“Ô tio, não leva meu pai! Por favor!”
Há um tempinho, após uma entrevista, saí de uma residência no Conjunto Dona Josefa, na periferia de Paranavaí, e lá fora fui abordado por uma criança que morava na casa vizinha. “Ô tio, não leva meu pai! Por favor! Não leva ele hoje. Ele não teve nem tempo de ficar com a gente”, disse o garotinho de quatro anos com olhos marejados.
Enquanto falava, a criança usava sua trêmula mão esquerda para segurar sem jeito dois dedos da minha mão direita. Expliquei a ele que eu não estava atrás do pai dele. “Por favor, tio! Por favor, deixa ele com nós! Hoje é meu aniversário! Juro que nunca mais faço arte na minha vida!”, continuou repetindo. Depois cruzou os dedos indicadores das mãos e os beijou num estalo sem igual fazendo promessa em forma de sinal.
Só se acalmou quando mostrei meu caderno, meu gravador e minha caneta. O garotinho sentiu um alívio tão grande que seu sorriso se transformou em uma gargalhada. De repente, começou a saltar sobre um pedaço de toco queimado rente ao portão.
Ele estava eufórico e queria dividir isso até com quem não notava sua existência por causa da pequenez. Quando parou de pular, ficou rubro de vergonha e correu para dentro de casa arrastando um par de chinelinhos com elástico junto aos calcanhares. Naquela noite, mais do que uma festinha, ele teria seu pai dormindo em casa.
Uma terapia em forma de alegria
Grupo Pausa para o Riso leva diversão e esperança para crianças da Santa Casa de Paranavaí
Fundado em 2014, o grupo Pausa para o Riso nasceu de uma iniciativa de três atores de Paranavaí, no Noroeste do Paraná, que são apaixonados por circo e teatro. Em 2005, eles criaram um grupo de doutores palhaços chamado Amigos do Riso. Com o passar dos anos e algumas mudanças, hoje a trupe de oito voluntários se reveza nas visitas à Santa Casa de Paranavaí, onde leva alegria, diversão e esperança às crianças internadas na ala pediátrica.
“Também visitamos os adultos quando temos tempo”, explica a fundadora Karina Lima que prevê em breve a inclusão de asilos e abrigos na agenda do grupo. Além das visitas semanais com duração média de duas horas, os integrantes do Pausa para o Riso se reúnem uma vez por mês para compartilharem experiências. “Nosso grupo trabalha de forma espontânea. Quando vemos que alguém se enquadra no perfil do grupo, fazemos um convite para ingressar na trupe”, conta.

“Também somos um abraço, um sorriso, um detalhe que faz a diferença na vida de quem passa por nós” (Foto: Divulgação)
O convidado ou a convidada responde a um questionário e participa de uma simulação, começando a se familiarizar com o trabalho dos doutores palhaços. “Fazemos com que tentem imaginar como será quando estiverem no ambiente hospitalar”, argumenta Karina. Em média, o Pausa para o Riso atende pelo menos 200 pessoas por mês. Além dos internos, eles interagem com acompanhantes e funcionários da Santa Casa de Paranavaí.
“Logo no início percebemos que o ambiente hospitalar é o local ideal para levarmos a alegria proporcionada pelo circo”, comenta Karina Lima, acrescentando que muitas pessoas já passaram pelo grupo, mas as mudanças são naturais quando alguém decide trilhar um novo caminho. Como o Pausa para o Riso é 100% voluntário e não tem fins lucrativos, a maior recompensa dos integrantes é o sorriso das crianças, o agradecimento das mães e as amizades que surgem com as visitas.
“Muitas mães aproveitam as nossas brincadeiras com seus filhos para se ausentarem por alguns minutos, respirar um ar que não seja o do hospital e restabelecer a energia. Lá somos palhaços, amigos, companheiros, confidentes. Também somos um abraço, um sorriso, um detalhe que faz a diferença na vida de quem passa por nós”, declara Karina. Quem quiser contribuir com o Pausa para o Riso, realizando algum tipo de doação, pode ligar para (44) 9927-4486.
Formação
Doutora Naninha – Karina Lima, Doutor Tramela – Cristiano Oliveira, Doutor Clavinho – Bruno Alécio, Doutora Soninho – Tais Fernanda, Doutor Goiabinha – Paulo Queiroz, Doutora Leãozinho – Kátia Batista, Doutora Frida Não Kalo – Gislaine Pinheiro.
Clube de Leitura do Sesc discute obras de autores paranaenses
Uma interação lúdica e estimulante sobre o Paraná a partir da perspectiva de seus escritores

Clube de Leitura vai debater o livro “O caso da Chácara Chão”, de Domingos Pellegrini (Foto: Amauri Martineli)
Iniciado esta semana na Biblioteca Municipal Júlia Wanderley, em Paranavaí, o projeto Clube de Leitura do Sesc convida leitores interessados em ler e discutir a obra “O Caso da Chácara Chão”, do escritor londrinense Domingos Pellegrini, vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura em 1977 e em 2001. O projeto tem o apoio da Fundação Cultural.
Com o tema “Autores Paranaenses”, o objetivo é propor uma interação lúdica e estimulante sobre o Paraná a partir da perspectiva de seus escritores. “Em Paranavaí, temos um grupo que começou a se reunir na segunda-feira às 14h. Começamos lendo e depois conversamos sobre a obra”, explica a coordenadora da Biblioteca Municipal Júlia Wanderley, Cássia Ribeiro de Souza.
Segundo a orientadora de atividades de letramento Tamara Spinola, da equipe do Sesc Educação, outro grupo se reúne no mesmo local, das 9h30 às 11h, às quintas-feiras. “Vamos ler a obra ‘A Árvore que dava Dinheiro’, do Domingos Pellegrini. E aos sábados, no Sesc, leremos contos, também de escritores paranaenses. Começamos no último dia 21, sábado, com o ‘Vampiro de Curitiba’, de Dalton Trevisan’”, revela.
O Clube de Leitura foi idealizado para atender a comunidade em geral, mas principalmente os estudantes da rede pública de ensino que participam do programa Futuro Integral do Sesc. “Queremos que os leitores de Paranavaí se interessem mais pela literatura paranaense”, comenta Tamara. O projeto se encerra em agosto e os resultados serão apresentados em setembro na Semana Literária do Sesc.
O caso da Chácara Chão
Escritor de livros-juvenis, Alfredo Manfredi decide se distanciar do estresse urbano e se muda para uma chácara em busca de tranquilidade. Porém, no domingo de Carnaval, é surpreendido por um assalto. Depois de ferir um dos invasores e impedir o crime, Alfredo é surpreendido na delegacia com a acusação de que eles foram até a chácara a pedido de Olga, sua esposa, de quem um deles afirma ser amante.
Acusado de agressão e tentativa de homicídio, o escritor fica confuso e não sabe em quem acreditar e confiar. Para garantir mais realismo ao suspense, Domingos Pellegrini narra a história em ritmo cinematográfico e sincretiza elementos que prendem a atenção do leitor do início ao fim, como amor, resignação, revolta, amizade, indulgência, racismo, drogas, corrupção policial e jornalismo sensacionalista.
Saiba Mais
Em Paranavaí, os livros podem ser retirados na Biblioteca Júlia Wanderley. O projeto é oferecido em 27 unidades do Sesc do Paraná. Para mais informações, ligue para (44) 3474-8500.
Museu de Paranavaí vai ser reinaugurado no dia 5 de junho
Espaço reúne mais de 600 peças que remetem às mais diferentes fases da formação de Paranavaí
No dia 5 de junho, o Museu Histórico, Antropológico e Etnográfico de Paranavaí vai ser reinaugurado ao lado da Casa da Cultura Carlos Drummond de Andrade, na antiga Estação do Ofício. Para comemorar a reabertura, a Fundação Cultural preparou uma programação para pessoas de todas as idades.
Às 14h, começa uma apresentação de roda de capoeira, seguida pela abertura oficial do museu e visita monitorada. “Faremos um passeio pelo acervo da história de Paranavaí. Também vamos oferecer brincadeiras e jogos tradicionais como peteca, amarelinha, cinco marias, ciranda, pula-corda, elástico, dobradura e arte em papel, além de contação de histórias”, explica a coordenadora da Casa da Cultura, Rosi Sanga, que também administra o museu.
Uma biblioteca especial vai ser montada no local, onde o público pode ter acesso ao Cantinho da Leitura e a um sebo com venda de livros usados. “Às 16h, faremos um piquenique coletivo e às 17h30 o encerramento vai ficar por conta do forró pé de serra com a turma do professor de música Glau Ribeiro”, informa Rosi. Uma exposição de obras de arte, um varal literário com obras de escritores paranaenses e declamações de poemas também fazem parte da programação.
Um acervo com 2,8 mil fotos
O Museu de Paranavaí reúne mais de 600 peças que remetem às mais diferentes fases da formação de Paranavaí. Há inclusive objetos dos tempos da Fazenda Brasileira, como Paranavaí era conhecida nas décadas de 1930 e 1940, e um acervo com 2,8 mil fotos. Muitas já foram digitalizadas e devem compor o Memorial Digital do Pioneiro. O espaço pode ser visitado de segunda à sexta das 8h às 17h. Para mais informações, ligue para (44) 3422-5018.
O garotinho que acreditava que sua casa era uma cidade
Brincando entre um cômodo e outro, ele simulava que tinha percorrido quilômetros
Conheci um garotinho na minha adolescência que acreditava que sua casa era uma cidade, sua rua um estado e Paranavaí um país. Seu nome era Natanael e ele era tão criativo que nominou os cômodos de sua casa como se fossem ruas. Um dia sentou no chão, fez plaquinhas a partir de caixas de papelão e as fixou nas paredes.
Havia a Rua Leão Mágico, Rua Peter Pan, Rua Pequeno Polegar, Rua Pinóquio, Rua do Gato e do Rato e Rua Três Porquinhos. E todas as plaquinhas que cintilavam no escuro por causa da tinta fosforescente traziam uma ilustração. Natanael achava importante mostrar quem eram os homenageados. E se alguém o perguntasse o porquê, ele justificava com grande facilidade.
“Por que você colocou o nome de Leão Mágico neste corredor aqui entre a sala e o seu quarto?”, questionei um dia. Então respondeu que o leão era o maior e mais forte guardião da casa e, como ele tinha o poder de desaparecer e reaparecer onde quisesse, Natanael sempre estaria seguro, assim como seus pais.
Brincando entre um cômodo e outro, ele simulava que tinha percorrido quilômetros, atravessado bairros, estradas rurais e colhido frutas no campo enquanto um ventinho fresco acariciava seu rosto. As fantasias de Natanael eram incentivadas pelos familiares.
Depois de estudar física e eletromecânica, o pai construiu um ventilador especial que simulava o som e a intensidade natural do vento. Já a mãe criou algumas pequenas árvores artificiais e aromatizadas em uma velha despensa e, sobre os galhos que balouçavam como se fossem reais, todos os dias pela manhã ela prendia frutas como maçãs, peras, laranjas e mangas, as preferidas do filho.
As paredes foram pintadas por um tio artista que morava no Rio Grande do Sul e veio a Paranavaí para criar um cenário inspirado na obra Campos de Papoula, do impressionista Claude Monet. Natanael sorria tanto no meio daquele cenário pastoril que sentia até as beiradinhas da boca formigando.
Ele girava em torno das pequenas árvores, se acocorava em um canto, sobre um piso coberto por uma camada grossa de terra que garantia mais realismo ao ambiente, e comia um pedaço de fruta com tanto anelo e satisfação que parecia carregar o que existe de melhor no mundo dentro de si mesmo. Era apenas uma criança, mas dotada de um tipo de sensibilidade encontrada em uma pessoa entre milhões.
Natanael tinha cabelos escuros e lisos, uma pele jamais tocada pelo sol e os olhos grandes, redondos e escuros como jabuticabas gigantes. Vez ou outra, o próprio riso o levava às gargalhadas e quando ele exibia os dentes o ambiente ficava mais iluminado. Sempre descalço, mostrava com orgulho as solas avermelhadas e encardidas dos pés.
Para criar novos cômodos na casa, os pais reduziram o próprio quarto a 1/3 do tamanho original. Também diminuíram a sala e a cozinha. Tudo era feito com a intenção de expandir o mundinho de Natanael que chegava a passar meses dentro de casa. “Hoje vou te levar até a Praça dos Pioneiros pra você brincar no parque. Que tal?”, revelou o pai numa surpresa matutina de sábado.
O homem arqueou os braços formando uma cadeirinha e pediu que Natanael subisse a bordo, escorando as costas em seu peito. A mãe entregou a ele um volante do tamanho de um pires e o pai simulou com a boca o som do ronco de um motor. Reproduziram até os solavancos das lombadas, fazendo o garotinho rir e agarrar o braço do pai como um animalzinho protegido pelo tronco de uma sequoia.
A Praça dos Pioneiros de Natanael era um quarto com escorregador, gangorra, balanço e gira-gira. Todos os brinquedos, tornados os mais belos em seu ideário meninil, foram feitos com peças baratas compradas em um ferro-velho. E sobre sua cabeça, o que mais o emocionava e impressionava, entre tudo que possuía, não era nenhum brinquedo, e sim um sol giratório feito de papelão que ficava suspenso no ponto mais alto da área interna da casa.
Conforme o pai ou a mãe puxava uma cordinha, a lírica réplica sorria e piscava para Natanael que se sentia “quentinho” diante dele apesar da ausência de luz solar. “Por que o sol não queima o teto, mamãe? E por que ele nunca se põe? Será que não sente falta da casa dele?”, inquiriu. A mãe respondeu que aquele era o Solzinho, filho do Sol, e se mudou para a Terra para crescer junto com ele. “Quando o Solzinho for grande, ele também vai ter que partir. Enquanto isso vocês podem ser grandes amigos”, comentou. Natanael ficou em silêncio.
Ele amava tanto o sol que muitas das suas roupas traziam desenhos com as mais diferentes representações da estrela. Até mesmo o teto do seu quarto tinha um sol próprio que resplandecia na escuridão noturna como uma paródia prodigiosa da lua de de Le Voyage dans la Lune, de Georges Méliès.
Com o pôr do sol, Natanael saía de casa para brincar no quintal. À noite, depois de muito tempo, uma vez o encontrei chorando debaixo do pé de manga, reclamando que não entendia porque o “Sol Maior”, aquele que traz a alegria do dia, não gostava dele. “O ‘Sol Maior’ deixa tudo brilhando. Ilumina tanta coisa, menos a minha vida”, reclamou. Apesar da casual melancolia, sempre melhorava com o despertar do dia.
Quando Natanael ficava muito triste, seus pais se fantasiavam à noite e o levavam para percorrer a Rua John Kennedy. Criavam histórias quiméricas sobre seres fantásticos que surgiam com o poente, protegendo pessoas e animais. Para cada quadra, o garotinho dava o nome de uma cidade. “Alto Paraná, Nova Esperança, Presidente Castelo Branco, Mandaguaçu, Maringá, Sarandi…”, dizia, usando como referência um mapa do Paraná que guardava embaixo da cama.
Às vezes, ia além, atravessando o centro e dezenas de bairros, despertando em seu mundo diminuto a sensação de um desbravador atravessando países e continentes. Numa manhã fria e escura de inverno o levaram para conhecer o Bosque Municipal. Natanael ficou chateado porque os animais não apareceram.
Sem saber o que fazer, seus pais o chamaram para ir embora, preocupados com a previsão de que o sol logo despontaria. De repente um macaquinho-prego se aproximou, deu cinco piruetas e guinchou. Lágrimas escorreram pelas maçãs de Natanael que deu ao lugar o apelido de Amazoninha.
Após o aniversário de nove anos, o garotinho teve a oportunidade de ver o sol a céu aberto pela primeira vez. Seus pais conseguiram economizar dinheiro o suficiente para comprar uma roupa especial que o cobriu dos pés à cabeça, evitando as severas agressões do sol.
Hirto, Natanael assistiu extasiado a luz natural que o rodeava. Ajoelhou no quintal de casa por alguns minutos, se levantou e correu em torno das mangueiras e da jabuticabeira. Empolgado, encostou as mãos protegidas por luvas em todos os pontos onde a incidência da luz solar era maior. “Acho que o sol tá começando a gostar de mim. Hoje é o melhor dia da minha vida!”, gritou, acompanhado por Dino, um cãozinho mestiço e serelepe.
Menos de um mês depois, Natanael foi diagnosticado com melanoma metastático, um câncer de pele associado à xerodermia pigmentosa, doença que o acompanhou desde o nascimento e o impedia de se expor ao sol. O garotinho recluso faleceu em casa antes de completar dez anos. “Será que o leão mágico não vem hoje?”, brincou, exprimindo um sorriso fragilizado.
Quando a morte se aproximou como um sono sempiterno, o sol reluziu na janela. Seus pais abriram a cortina e ele sentiu o “quentinho” que pousou sobre a ponta do dedinho. “É talvez o último dia da minha vida. Saudei o Sol, levantando a mão direita, mas não o saudei, dizendo-lhe adeus, fiz sinal de gostar de o ver antes: mais nada”, escreveu Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) em Poemas Inconjuntos.
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Quatro mulheres e uma banda
Roqueiras da Red Velvet planejam lançar primeiro EP este ano

Banda foi influenciada por Guns N’ Roses, Led Zeppelin, AC/DC, Deep Purple, Rival Sons e Janis Joplin (Foto: Red Velvet)
Formada por Débora Louize, Luana Maran, Priscila Louzano e Luana Santana, a banda Red Velvet surgiu em Paranavaí no final de 2014. Desde o início a intenção já era fundar uma banda feminina de rock. “Eu e uma amiga começamos a tocar e tivemos essa ideia. Mas ela se mudou daqui e decidi procurar outras meninas em escolas de música e cidades próximas”, conta Luana Maran.
Embora a história das mulheres no rock seja antiga, e tenha como exemplo nomes como Janis Joplin, Joan Baez, Joan Jett, Lita Ford, Rita Lee, Debbie Harry, Chrissie Hynde e muitas outras, ainda tem gente que se surpreende ao ver uma banda formada por garotas. “Há pessoas que encaram como novidade algo que não é. Em relação a ser uma banda de mulheres, nos sentimos indiferentes a isso, mas infelizmente há pessoas que ainda nos veem de forma estranha. Tem quem acredite que uma banda de mulheres é ‘menos capaz”, lamenta Luana.
A Red Velvet tem conquistado boa popularidade no Noroeste do Paraná, com shows marcantes em Paranavaí, Altônia, Umuarama e Maringá. Nós tocamos bastante covers. Não seguimos exatamente um estilo. A gente toca o que gosta, levando em conta que temos formações bem diferentes”, comenta a guitarrista. Entre as principais influências da banda estão Guns N’ Roses, Led Zeppelin, AC/DC, Deep Purple, Rival Sons e Janis Joplin.
Desde o ano passado a Red Velvet tem se apresentado em várias regiões do Paraná, o que tem ajudado a alavancar ainda mais o trabalho da banda que se me vê mais próxima de gravar o primeiro EP. “Já temos algumas músicas autorais prontas. Queremos lançar nosso disco ainda este ano e temos certeza que o resultado vai ser animal. Vivemos um bom momento, com convites para tocar até fora do Paraná”, comemora Luana.
Até hoje a receptividade foi muito positiva em todas as cidades por onde a banda passou levando um repertório que vai do rock clássico ao heavy metal. “Tratam a gente super bem. É gratificante ver o carinho que recebemos desde o momento em que subimos no palco até a hora de ir embora”, enfatiza a guitarrista. Quem quiser contribuir com a Red Velvet ou contratar a banda para shows pode ligar para (44) 9716-9390.
Formação
Débora Louize – Vocal
Luana Maran – Guitarra
Priscila Louzano – Contrabaixo
Luana Santana – Bateria
Acompanhe
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Instagram: @redvelvetrock
Twitter: @RedVelvet_Rock
Doações transformam residência de casal na Vila Alta
Hoje de manhã, fui até a casa do Seu Juvenal e da Dona Neide, o casal de idosos da Vila Alta, na periferia de Paranavaí, que vivia em uma residência com telhado deteriorado e sem forro, por onde a água entrava sempre que chovia, molhando inclusive móveis e outros pertences.
Depois de receber doações de medicamentos, cestas básicas e um telhado novo, dentre outras contribuições, esta semana foi concluída a última etapa – a instalação do forro. Mais uma vez e com humildade singular, Seu Juvenal e Dona Neide demonstraram muita gratidão.
“Nem parece mais a nossa antiga casa. Ficou muito diferente. Até hoje a gente se emociona quando lembra como as pessoas se uniram para nos ajudar. É um grande presente. E alguns continuam nos visitando. Ontem choveu e pela primeira vez a gente nem escutou o barulho da chuva que caiu sobre o telhado. Antes dava muito medo”, declararam.
Aproveito também para agradecer a equipe da J & M Decorações que fez a instalação do forro e foi muito colaborativa em todo o processo, inclusive reorganizou o quarto do Seu Juvenal e da Dona Neide. Ou seja, os funcionários foram além da função deles. “Uma equipe maravilhosa!”, enfatizaram.
Criança com doença rara precisa de ajuda no Conjunto Geraldo Felippe
“O problema é que a área não tem piso e ele se machuca com facilidade, chegando a se cortar”
Gustavo é um garotinho de quatro anos que mora no Conjunto Habitacional Geraldo Felippe, na saída de Paranavaí para Tamboara. Quando ele tinha dois anos, os pais Ana Paula Marques e Reginaldo Felix descobriram que ele sofre de mucopolissacaridose, uma rara doença provocada por disfunções metabólicas que causam o mau funcionamento de enzimas responsáveis por importantes reações químicas do corpo humano.
Como consequência da doença, Gustavo tem as pernas atrofiadas e não consegue andar. Também sofre com problemas no fígado, baço e coração. “O cérebro dele também é atrofiado. Toda semana o levo a Curitiba, onde ele recebe enzimas que o organismo dele não produz”, explica a mãe Ana Paula que se dedica ao filho em tempo integral por causa de suas necessidades especiais. Como o atendimento é realizado sempre na quarta-feira, eles saem de Paranavaí na terça-feira à noite.
As viagens entraram para a rotina da família há um ano e três meses, quando Gustavo iniciou o tratamento. “Ele está com um cateter há dois meses. É através dele que meu filho recebe as enzimas. Às vezes ele fica nervoso porque não gosta de ficar longe de casa”, relata a mãe.
Apesar das muitas limitações, a maior alegria de Gustavo é se arrastar e brincar ao lado da casa, de onde ele gosta de observar a rua e a movimentação de pessoas e animais. “O problema é que a área não tem piso e ele se machuca com facilidade, chegando a se cortar”, explica Ana Paula, acrescentando que o garotinho tem a pele dos pés muito fina.
Por isso Ana Paula pede ajuda para custear a compra de 34 metros de piso emborrachado ou outro tipo de piso antiderrapante, cinco sacos de cimento, oito sacos de argamassa e meio metro de areia média. Quem quiser contribuir pode ligar para (44) 9909-2513.
Serviço
Gustavo mora na casa 28 da quadra 6 do Conjunto Habitacional Geraldo Felippe. A residência é a décima a partir da entrada e fica ao lado de um ponto comercial.
Intolerância e política provinciana
Uma vez, um prefeito de Paranavaí, que não é o atual, estava percorrendo a pé as ruas de um bairro acompanhado de um secretário municipal. Quando se aproximaram da residência de um servidor público da mesma secretaria, eles ficaram muito incomodados ao verem que o homem mantinha na varanda um banner com a imagem de um candidato que não era o então prefeito. Em vez de compreenderem que esse é um direito do sujeito, afinal ele era concursado e não devia nada ao administrador público, interpretaram aquilo como uma afronta.
Quando se afastaram da casa do homem, o prefeito disse que algo precisava ser feito, que não seria possível tolerar tanto “desrespeito” e “insubordinação”. “Pode deixar comigo. Vou inventar uma desculpa qualquer, tirar ele da função dele e colocá-lo pra passar a semana toda varrendo num lugar bem sujo e desconfortável”, prometeu o secretário, como o mais equivocado dos justiceiros, conquistando um sorriso de mórbida gratidão do tal prefeito. E pode acreditar que atitudes assim são mais comuns do que imaginamos.
As malandragens de Nebrão
“Sofri tanto que nunca mais quis saber de me meter noutra roubada do tipo”
Há alguns anos, conheci na Vila Alta, periferia de Paranavaí, o jovem Nebrão. Hoje, ele leva uma vida pacata atuando como servente de pedreiro, mas nem sempre foi assim. Sua infância, um “misto de coisas boas e ruins”, como ele mesmo define, foi marcada por muita malandragem, assim como a adolescência e os primeiros anos da fase adulta.
“Eu era ‘terrorista’, quebrava as coisas da minha mãe, fazia bagunça e judiava da minha irmã. Depois ela se vingava de mim. Eu vivia brigando com a molecada na rua. Dos 8 aos 10 anos, todo dia eu batia em alguém e depois corria. Daí se juntavam para me pegar”, conta rindo.
Naquele tempo havia uma família no bairro que prometeu não dar paz a Nebrão depois que ele matou a coruja importada do patriarca. “O homem ficou louco quando soube. Eu era novo de tudo e uma vizinha que denunciou. Passei a mão no estilingue e matei o bicho. Rapaz, e a coruja não era do velho? Veio uma tropa de molecada e eu pensei: ‘Agora é perna pra quem tem. Saí no pau’”, relata às gargalhadas, acrescentando que no dia seguinte o espancaram em retaliação pela morte da coruja.
E a vingança continuou. Em dia de festa no bairro, caso algum familiar do dono da coruja morta visse Nebrão passeando, a recomendação era dar-lhe uma nova surra. “Já baguncei nesta Vila Alta, hein? Muito mesmo! Eu catava cavalo que tinha dono e saía por aí montando. Eles procuravam o bicho e nada. Aquela barragem lá embaixo tinha uma caixona fechada de concreto que dava pra gente nadar legal. Então tinha época que eu nem queria trabalhar. Só ficar na barragem, curtindo um sol de ‘arrancar o coriri’. Lá era o lugar. Só paramos de ir lá depois que começaram a matar gente”, reclama.
Malandro, Nebrão se envolveu em situações que quem não o conhece diria que não passa de invencionice. Um dia quando ele ouviu que um conhecido morador do bairro faleceu na Santa Casa de Paranavaí, não pensou duas vezes antes de subir na carroça para visitar a casa do homem. Chegando lá, Nebrão viu que não havia ninguém e fez “várias viagens” transportando todos os móveis do falecido na carroça.
Em casa, não conseguiu velar a alegria ao observar a bela mobília. Chegou a deslizar as mãos por ela como se estivesse tocando o corpo de uma mulher. A imaginou se destacando em sua humilde residência improvisada com tábuas. Em pouco tempo soube que mentiram para ele. O homem estava vivo e prestes a receber alta. Então correu para devolver todos os móveis. “Ele morava sozinho e não tinha família, por isso fiz o que fiz”, justifica Nebrão que admite ter se arrependido.
Mas as estripulias do rapaz não pararam aí. Uma vez ficou sabendo que havia uma madeireira em Paranavaí que comprava pontes desmontadas a “preço de ouro”. “Fiquei ambicioso e armei um plano. Fui até o Bosque Municipal de Paranavaí e desmontei sozinho a bela ponte de madeira que cobria o córrego. Fiz ‘várias viagens’ de carroça e fui entregar numa madeireira pra receber o meu. Só que alguém me denunciou e a polícia militar veio no meu encalço”, lembra.
Depois do flagrante, Nebrão teve de levar a ponte de volta para o bosque e os policiais que o acompanharam assistiram ele remontá-la. “O trabalho ficou supimpa, irmão! Comigo não tem erro. Serviço de primeira! Só que sofri tanto que nunca mais quis saber de me meter noutra roubada do tipo”, pondera rindo.









