Archive for the ‘Vegetarianismo/Veganismo’ Category
Lindsay Schoolcraft: “Vejo os animais como iguais [quanto ao direito à vida], enquanto os outros os veem como mercadorias”
“Ser vegano é ter consciência de que você pode melhorar o planeta e a vida dos outros seres tomando decisões mais inteligentes de consumo”
Vocalista e tecladista da banda inglesa de metal extremo Cradle of Filth, Lindsay Schoolcraft se tornou vegana em 2012. O que a fez refletir profundamente sobre a realidade da produção e do consumo de alimentos de origem animal foi o documentário “Food, Inc”, lançado em 2008 por Robert Kenner.
“Depois que assisti ‘Food, Inc’, me senti desconfortável com os produtos de origem animal. Na mesma época, comecei a aprender o que significava esse estilo de vida [veganismo]. Imediatamente, me livrei de tudo que eu possuía que era feito de animais, o que se resumia a um cinto de couro, produtos de beleza e produtos domésticos testados em animais. Me tornei vegana entre o Natal e o Ano Novo de 2012. Eu não gostaria de viver de outra maneira, e gostaria de ter feito isso mais cedo”, disse Lindsay em entrevista publicada pela Headbangers Lifestyle em 23 de fevereiro de 2016.
A vocalista canadense sempre gostou de animais, mas admite que a indústria tem a seu favor recursos que dissimulam a realidade no que diz respeito ao sofrimento e à exploração animal, o que faz com que as pessoas não “liguem os pontos”. “Para mim, ser vegano é ter consciência de que você pode melhorar o planeta e a vida dos outros seres tomando decisões mais inteligentes de consumo. É libertador saber que você tem esse tipo de controle, para si mesmo e para os animais que você beneficia com essas ações”, declarou à Liselotte ‘Lilo’ Hegt, do Headbangers Lifestyle.
Ela acredita que o veganismo tem se tornando mais comum e conquistado mais reconhecido no mundo do metal, o que a deixa mais confortável. “Quando me juntei ao Cradle of Filth, pensei que seria difícil, mas quanto mais shows fazemos, mais encontro refeições veganas disponíveis nos festivais, e geralmente quando saio em turnê sempre encontro outra pessoa vegetariana viajando com a gente”, relatou.
Por outro lado, é inevitável que haja oposição, mas Lindsay acredita que isso acontece em qualquer lugar. Quando alguém a confronta e tenta apontar alguma contradição no veganismo, por exemplo, alegando que não é uma filosofia de vida que faz a diferença no mundo, a cantora argumenta que, independente das pessoas aceitarem ou não, um fato é que o consumismo está cercado pela crueldade animal. “E eu escolho não me envolver com isso”, declarou em entrevista ao Logical Harmony em 2015.
Lindsay, que faz questão de pesquisar e conhecer o sistema de produção das próprias roupas, inclusive as usadas nos shows com o Cradle of Filth, destacou que quando alguém faz piada sobre o fato dela não se alimentar de animais, ela explica todo o processo até a carne e outros produtos de origem animal chegarem ao prato das pessoas.

“É libertador saber que você tem esse tipo de controle, para si mesmo e para os animais que você beneficia com essas ações” (Foto: Divulgação)
“Posso ser desagradável sobre isso de forma sarcástica [se eu for provocada]. Mas nunca tentarei forçar minha opinião porque acredito que você tem ou não tem compaixão. Não gosto de ser ignorante. Tudo que uso, coloco em meu corpo, gosto de saber onde veio. Vejo os animais como iguais [quanto ao direito à vida], enquanto os outros os veem como mercadorias. Se você estiver interessado, vou dizer tudo o que sei”, garantiu em entrevista a Levi Seth Buckley, do Sticks For Stones, em publicação de 9 de julho de 2015.
Lindsay contou que ficou muito feliz quando soube que suas duas cantoras favoritas – Ellie Goulding e Sia, são veganas. “Quando você conhece outro vegano é como conhecer um bom amigo pela primeira vez”, comentou com Tashina Combs, do Logical Harmony. Entre as cidades em que esteve e que hoje considera duas das melhores para os veganos, ela cita Glasgow, na Escócia, e Montreal, no Canadá.
“É tão fácil ser vegano nessas cidades. Amo comida asiática. Os vegetais e as especiarias são muito bem combinados”, revelou ao Local Harmony. Ao Headbanger Lifestyle, a vocalista e tecladista do Cradle of Filth também frisou que faz o possível para sensibilizar as pessoas sobre a importância dos santuários para animais que seriam mortos pela indústria alimentícia.
“Eles merecem nosso amor e respeito tanto quanto os animais de estimação. Faço o meu melhor para ajudar instituições de caridade que defendem os direitos animais. Eu gostaria de me envolver mais com esses tipos de campanha”, garantiu.
Saiba Mais
Lindsay Schoolcraft nasceu em Ontário, no Canadá, em 26 de fevereiro de 1986.
De 2007 a 2014, ela foi vocalista da banda Mary and the Black Lamb.
Lindsay tornou-se vocalista e tecladista da banda Cradle of Filth em 2013.
Em 2015, participou da gravação do disco “Hamer of the Witches”, do Cradle of Filth.
Referências
http://www.headbangerslifestyle.com/face-body/276/beauty-and-lifestyle-profile-with-lindsay-schoolcraft-keyboardist-and-female-vocalist-of-cradle-of-filth
http://www.sticksforstones.net/single-post/2015/07/09/Interview-Lindsay-Schoolcraft-CRADLE-OF-FILTH
An Exclusive Interview with Lindsay Schoolcraft from Cradle Of Filth
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Converge: “Uma dieta vegetariana é a resposta lógica ao mundo em que vivo”
Bannon: “Me senti confortável o suficiente para tomar a decisão de parar [de me alimentar de animais]”
Expoente do metalcore, a banda estadunidense Converge foi formada em 1990 pelo vocalista Jacob Bannon e pelo guitarrista Kurt Ballou, que entre os anos de 1994 e 2012 lançaram oito álbuns. Bannon é vegetariano e Ballou é vegano e, coincidência ou não, o metalcore, influenciado por eles, é um dos estilos musicais em que mais cresce a quantidade de músicos vegetarianos e veganos.
Em entrevista concedida à Hilary Pollack e publicada pelo Veg News em 6 de junho de 2013, Bannon contou que a adoção do vegetarianismo por questões morais ocorreu naturalmente, e a influência veio principalmente do punk rock. “Me eduquei sobre esse assunto e me obriguei a ler mais a respeito. Ao longo dos anos, descobri que uma dieta vegetariana funciona para mim, embora eu ainda esteja explorando as implicações morais e éticas disso”, disse.
O vocalista do Converge se tornou vegetariano aos 13 anos, e relatou que não teve nenhum problema na transição. Nem sentiu-se inseguro sobre isso. “Me senti confortável o suficiente para tomar a decisão de parar [de me alimentar de animais], e simplesmente fiz isso”, relatou em entrevista à organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta), publicada em 9 de abril de 2005.
Para Jacob Bannon, não é difícil considerar o mundo um lugar muito estranho se refletirmos sobre o fato de que a tecnologia deu origem a populações “avançadas” que constroem fazendas industriais e outros mecanismos não naturais de “coleta” e consumo de alimentos. “Esses são os dilemas morais e éticos que me levam à dieta de hoje. Uma dieta vegetariana é a resposta lógica ao mundo em que vivo”, afirmou ao Veg News.
O vocalista, que considera a corrida de galgos umas das formas mais abusivas de exploração animal, defendeu em entrevista à Peta que o melhor jeito de fazer com que as pessoas reflitam sobre a exploração animal é por meio de um trabalho educacional. “Educação é a chave. Sempre foi e sempre será. Há tanta informação lá fora. […] Alguém só precisa encontrar o ponto de partida para movê-los e guiá-los por um caminho que faça a diferença”, ponderou.
Questionado pelo Veg News se há uma ligação entre vegetarianismo, veganismo e o movimento punk rock, Bannon explicou que nesse cenário há um elemento de consciência social e ética. “O movimento dos direitos animais é algo que se encaixa bem nesse cenário”, declarou e acrescentou que há muitas pessoas envolvidas com o punk rock que estão sempre abertas a outras formas de pensar.
À Peta, ele argumentou que a comunidade do punk rock é como um fórum aberto, onde ativismo e conscientização sempre fizeram parte das conversas envolvendo músicos e público. “É uma das coisas mais bonitas que essa comunidade tem a oferecer”, frisou.
Jacob Bannon admitiu que quando era mais jovem muitas vezes se envolveu em discussões e confrontos sobre vegetarianismo e veganismo, mas chegou a um ponto em que optou por seguir outro caminho.
“Neste momento da minha vida, não sinto necessidade de discutir sobre isso o tempo todo porque estou realmente confortável com minha decisão. É simplesmente uma parte de mim agora. Nunca vou forçar ninguém a nada, mas se houver uma curiosidade em relação ao que eu acredito e pratico, vou deixar alguém saber que há questões lá fora que as pessoas devem conhecer”, revelou.
Indagado sobre o que podemos fazer para melhorar a vida dos animais, ele sugeriu: “Se importe, mostre compaixão, tenha coração.”
Formação
Jacob Bannon – Vocalista e letrista
Kurt Ballou – Guitarrista e vocalista
Nate Newton – Baixista e vocalista
Ben Koller – Baterista
Saiba Mais
Jacob Bannon nasceu em 15 de outubro de 1976 em Boston, Massachusetts.
Kurt Ballou é vegano e os demais integrantes são vegetarianos.
Referências
http://vegnews.com/articles/page.do?pageId=5833&catId=7
https://web.archive.org/web/20050409051729/http://www.peta2.com/OUTTHERE/o-converge.asp
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While She Sleeps: “Tornar-se vegano sempre foi algo que esteve em nossas mentes”
“Quando relacionamos a nossa preocupação com a nossa saúde e o protesto contra a crueldade animal, pareceu mais lógico e compassivo dar esse passo”

Aaran McKenzie: “Sempre fomos pessoas livres e espirituosas que se desviam dos valores convencionais” (Foto: Divulgação)
Formada em 2006, a banda inglesa de metalcore While She Sleeps traz na formação o baixista Aaran McKenzie, o guitarrista Sean Long, o vocalista Lawrence “Loz” Taylor, o guitarrista Mat Welsh e o baterista Adam “Sav” Savage. Em 2012, a banda foi eleita a melhor revelação britânica pela revista Kerrang!, após o lançamento do álbum “This is the Six”. Além de ter se tornado popular principalmente entre os jovens que gostam da fusão do heavy metal com o hardcore, outro fato que chama a atenção é que o While She Sleeps é uma banda vegana.
“Sempre fomos pessoas livres e espirituosas que se desviam dos valores convencionais. A maioria de nós na banda foi vegetariano por 4 a 23 anos. Por isso, tornar-se vegano sempre foi algo que esteve em nossas mentes. Então, quando relacionamos a nossa preocupação com a nossa saúde e o protesto contra a crueldade animal, e as fazendas industriais, pareceu mais lógico e compassivo dar esse passo”, disse Aaran McKenzie em entrevista ao Vegan Blatt.
Em vídeo gravado para a Organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) e publicado no YouTube em 3 de dezembro de 2015, Aaran e Sean relataram que sempre odiaram a crueldade contra os animais, e citaram o documentário “Earthlings” como referência para quem quiser conhecer a realidade da exploração animal. “Eu disse, ok, é isso, chega!”, declarou o baixista e membro-fundador do While She Sleeps depois de assistir ao documentário.

“Estamos tentando conscientizar as pessoas sobre toda essa merda que acontece à nossa volta” (Foto: Divulgação)
Ao Vegan Blatt, Aaran contou que o estilo de vida dos integrantes é uma forma de deixar claro que eles não são tolerantes com as atrocidades do mundo, e que esse posicionamento é algo que endossa a mensagem que a banda quer passar para as pessoas. “Não especificamos isso em um sentido literal, mas, como um todo, estamos tentando conscientizar as pessoas sobre toda essa merda que acontece à nossa volta”, informou McKenzie.
Os integrantes do While She Sleeps preferem não confrontar as pessoas. O caminho escolhido por eles é o de servir como inspiração simplesmente vivendo o veganismo ou falando sobre o assunto quando vier à tona naturalmente. “Um dia, alguém veio até mim e disse: ‘Se Deus não quisesse que comêssemos os animais, então por que ele não os fez sem carne?’ Eu não tenho nada a dizer a pessoas como essa”, afirmou.
Saiba Mais
O While She Sleeps foi fundado em Sheffield, na Inglaterra.
Entre os anos de 2012 e 2017, eles lançaram os álbuns “This is the Six”, “Brainwashed” e “You Are We”.
Referências
https://www.veganblatt.com/while-she-sleeps-vegane-metalcore-band
http://www.peta.org.uk/blog/while-she-sleeps/
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Algo brilhava dentro do forno
Algo brilhava dentro do forno, e não era papel alumínio, mas a pele untada de um pintado inteiro que trepidava. Quando o tiraram do forno, toda a gente viu seus olhos vacilantes que respondiam à boquinha tremulante. As únicas partes que não foram marcadas pelo fogo. Ainda tinha vida.
Seu couro parecia envernizado, e quando tentaram tocá-lo, queimaram os dedos. Era o carimbo da natureza, denunciando que cada bolinha no corpo do Pintado representava uma semana de vida que ele já não teria. Enquanto o peixe agonizava, Manuela gritava. Com o barulho, o pintado se lançou no chão da cozinha.
A criança se afastou, e quando alguém ameaçou colocá-lo de novo no forno, Manuela berrou: “Não! Não! Não!” Enrolou o peixe já sem vida em um lençol branco, caminhou até o quintal e o enterrou no jardim, ladeado por um pé de Jasmim. Deu a ele o nome de Querubim, afirmando que quem nasce nadando morre voando.
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Johnny Appleseed, o plantador de árvores que amava todas as criaturas
Para Johnny, era errado e desnecessário ceifar vidas para conseguir comida

Johnny Appleseed é uma das figuras mais lendárias da história dos Estados Unidos (Arte: Autoria Desconhecida)
Johnny Appleseed é uma das figuras mais lendárias da história dos Estados Unidos. Nascido em 26 de setembro de 1774 em Leominster, Massachusetts, ele optou por deixar o conforto familiar para dedicar 50 anos ao plantio de macieiras, percorrendo milhares de quilômetros dos estados da Pensilvânia, Ohio, Illinois, Indiana e West Virginia. Johnny andava a maior parte do tempo descalço e usava como vestimenta apenas um saco de café com buracos para a cabeça e os braços.
“Ele era, de acordo com todos os relatos, extremamente excêntrico, usando sacos como túnicas. Era vegetariano, embora eu não sei se os esquilos e outros animais realmente passeassem com ele pela floresta”, declarou a escritora e doutora em sociologia Gwen Sharp no artigo “The Real Johnny Appleseed: Alcohol, not Apples”, de 9 de janeiro de 2015.
De acordo com informações da U.S. Apple Association, o plantador de árvores dizia que as roupas não devem ser usadas como adorno, mas somente como recurso de conforto. Até mesmo no inverno, Johnny Appleseed era visto caminhando descalço. Na lenda popular, ele não carregava nenhuma arma e andava descalço por toda parte. Além disso, detestava prejudicar qualquer criatura, era vegetariano e às vezes é descrito como um abstêmio, segundo o artigo “Was Johnny Appleseed a Barefoot Vegetarian?”, da American Orchard, publicado em 6 de setembro de 2014.
No livro “Who Was Johnny Appleseed?”, publicado em 2005, a escritora Joan Holub também afirma que Johnny não comia nenhum tipo de carne, nem mesmo quando se reunia em confraternização com os colonos. “Pioneiros caçavam por comida [animais] e achavam que sua crença era estranha. Enquanto viajava pela floresta, ele fervia a água do córrego em sua panela, adicionava bagas, grãos ou batatas para fazer uma refeição. Ele também comia ‘journey bread’, um pão que os nativos americanos o ensinaram a fazer a partir do milho”, informa Joan.
Johnny tinha estatura mediana, olhos azuis e cabelos longos castanho-claros. Chamava a atenção pela inocência, coragem e resistência. No livro “Johnny Appleseed and the American Orchard: A Cultural History”, de 2012, William Kerrigan narra que tanto o homem branco quanto o índio confiaram em Johnny Appleseed porque viram que ele era um homem sem malícia. As crianças o admiravam e o cumprimentavam com entusiasmo. “Ele amava todas as criaturas de Deus e não queria prejudicar nenhuma delas. Ele era vegetariano. Livros frequentemente contam como ele sentiu remorso profundo quando em um momento incomum de exaltação golpeou uma serpente que o mordeu”, relata Kerrigan.
Johnny sentia compaixão por todos os animais, mas o que aparentemente o levou a se tornar vegetariano foi uma experiência que teve enquanto descansava sob uma fogueira. Ele viu que o fogo atraía os mosquitos, e que rapidamente morriam queimados. Isso o deixou muito triste e o fez tomar a decisão de não acender mais nenhuma fogueira, mesmo que tivesse de passar frio. “Deus me livre de ter que fazer uma fogueira para o meu conforto, porque isso significaria destruir as criaturas de Deus”, teria justificado. Essa experiência o motivou a assumir um compromisso de compartilhar o seu amor com todos os animais.
Para Johnny, era errado e desnecessário ceifar vidas para conseguir comida. Por isso, ele se tornou ainda mais zeloso no seu trabalho de motivar as pessoas a plantarem e cultivarem frutos. A ele, é atribuída à valorização da maçã como alimento tradicional e simbólico nos Estados Unidos. Há quem diga que é praticamente impossível não encontrar macieiras nos lugares percorridos por Johnny Appleseed, filho do capitão Nathaniel Chapman que serviu na Guerra Revolucionária.
Em 1797, segundo William Kerrigan, o plantador de macieiras pode ter comprado três pares de mocassins na loja Holland Land Company. “Eram fáceis de transportar e poderiam ser trocadas por outras coisas que ele precisava, ou doados a outros em necessidade”, declara Kerrigan. Entretanto, isso é um episódio à parte. Johnny era um sujeito tão simples e empático que ocasionalmente, apenas em caso de última necessidade, usava botas, e somente se estivessem desgastadas ou fossem descartadas por outras pessoas.
E não demorava para que ele as doasse para alguém que julgava mais necessitado. Comprometido com uma vida alheia ao materialismo, Johnny amava a floresta, a considerava o seu verdadeiro lar, e só buscava abrigo entre paredes se o tempo estivesse muito ruim. Todas as histórias sobre ele, apesar de algumas divergências dependendo das fontes, mostram que sua popularidade veio de sua generosidade que não se baseava em espécie. Pessoas, animais e plantas, tudo para ele tinha a sua própria razão de ser. Ao reconhecer isso, Johnny Appleseed, que optou por levar uma vida de abnegação, mostrou o quanto é importante o respeito à vida.
“[…] Pessoas em todo o Meio-Oeste, e até além, dizem que cada antiga árvore de maçã do seu próprio bairro já foi uma das mudas de Johnny Appleseed. Ele era São Francisco de Assis e Papai Noel embrulhados em um pacote [uma menção ao saco que ele usava como vestimenta]”, escreveu William Kerrigan, autor do livro “Johnny Appleseed and the American Orchard: A Cultural History”.
Saiba Mais
John Chapman, mais conhecido como Johnny Appleseed, faleceu aos 70 anos, em 18 de março de 1875, em Fort Wayne, Indiana, onde o seu túmulo pode ser visitado no Johnny Appleseed Park.
Há autores que defendem que Johnny Appleseed foi um dos primeiros divulgadores do vegetarianismo nos Estados Unidos.
Referências
Kerrigan, William. Johnny Appleseed and the American Orchard: A Cultural History. Johns Hopkins University Press (2012).
Holub, Joan. Who Was Johnny Appleseed. Grosset & Dunlap (2005).
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Alex Bradshaw: “Estamos combatendo todos os outros preconceitos primitivos, menos o especismo”
“Sou apaixonado por direitos animais. Tento criar projetos que ajudam a transmitir essas ideias”
O inglês Alex Bradshaw é um ilustrador, escritor e escultor vegano especializado em folclore e rituais da terra. Durante os anos de 2005 e 2009, ele foi vocalista da banda vegana de crust punk Fall of Efrafa, fundada em Brighton, que ao longo de quatro anos lançou os álbuns “Owsla”, “Elil” e “Inlé”.
Em entrevista ao Plague Years em outubro de 2008, Bradshaw, que integra as bandas Anopheli, Archivist, Carnist, Eleleth, Momentum e Morrow, disse que não devemos aplicar o termo “civilizado” à humanidade enquanto estivermos subjugando outras espécies. “Estamos combatendo todos os outros preconceitos primitivos, menos o especismo”, criticou em referência ao fato de que naturalmente as pessoas se preocupam mais com as desigualdades e os preconceitos que as atingem diretamente, ignorando os demais.
Para Alex, o ser humano ainda não é capaz de ver e reconhecer o seu verdadeiro potencial. Em entrevista ao Metalorgie, publicada em setembro de 2016, ele relatou que o que o fez refletir profundamente sobre a exploração animal e se tornar vegano foi a música “Nailing Descartes To The Wall/(Liquid) Meat is Still Murder”, do álbum “Less Talk, More Rock”, lançado em 1996, pela banda vegana de punk rock Propagandhi.
Durante a entrevista, o inglês citou o trecho: “Mas você não pode negar que carne ainda é assassinato, e laticínios ainda são estupro. Eu ainda sou tão estúpido quanto qualquer um, mas sei dos meus erros. Reconheci uma forma de opressão. Agora reconheço o resto. A vida é muito curta para tornar a dos outros mais curta.” Depois de ouvir a música do Propagandhi, Alex admitiu a si mesmo que seria difícil não pensar a respeito e abraçar o veganismo por uma questão moral.
“Sou apaixonado por direitos animais. Tento criar projetos que ajudam a transmitir essas ideias. Comando um projeto de vestuário chamado Animals Allies. Faço camisetas com slogans veganos e doo todo o dinheiro para a caridade. Tenho feito isso há cinco anos e levantei um bom dinheiro. Bandas são uma boa forma de veicular mensagens sobre direitos animais”, garante Alex Bradshaw, também conhecido como Alex CF.
Referências
http://www.artofalexcf.com/
https://www.discogs.com/artist/935521-Alex-Bradshaw
http://plague-years.blogspot.com.br/2008/10/fall-of-efrafa-interview.html
http://www.metalorgie.com/interviews/1356_Alex-CF-Fall-Of-Efrafa-Light-Bearer-Morrow-Anopheli_Par-Email
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Carnist: “A verdade é que comer carne tem um grande custo, e o custo é sempre afastado dos olhos das pessoas”
“A chapa de carne que se encontra diante de você, você se importa de onde veio?”
Fundada em 2013, a banda inglesa de hardcore Carnist se pauta em questões envolvendo veganismo e direitos animais, além de outros assuntos que o quarteto julga como relevantes na discussão sobre a exploração animal. Embora o grupo não seja antigo, o Carnist surgiu por iniciativa de integrantes das bandas Shels, Plague Mass, Unquiet Grave, Momentum, Light Bearer e Fall of Efrafa. Em 2013, eles estrearam com o álbum “Unlearn”, que fala sobre o conceito de desaprender normas sociais e traços culturais que são contrários à natureza humana.
“Ou seja, a nossa atitude em relação aos animais [tanto não humanos quanto humanos], que não se encaixam nas ideias sufocantes, arcaicas e claustrofóbicas do que é ser humano”, explica o Carnist, que tem como principais influências bandas como Dropdead, Trial, Propagandhi, Infest, Siege e Protestant. Em tom bem-humorado, eles dizem que o som da banda, que tem uma pegada crust, é melhor apreciado acompanhado de uma xícara de chá.
Em entrevista ao The New Noise, da Itália, em fevereiro de 2014, o vocalista Alex informou que não se sente especial por ser vegano. Também não vê o veganismo com algo particularmente virtuoso. “Realmente sinto que alguém de mente sã, uma vez que conseguisse digerir a informação que está livremente disponível, iria procurar eliminar o abuso animal de sua vida. Infelizmente esse sistema trabalha ativamente para ocultar e distorcer todo o processo, inclusive propagando desinformação”, criticou.
Na música “Eating Children”, do álbum “Unlearn”, Alex canta: “A chapa de carne que se encontra diante de você, você se importa de onde veio? O pedaço de músculo, atado com veias; uma carne de bebê cortada de seus membros.” Também com o objetivo de chamar a atenção para a crua realidade da exploração animal na indústria alimentícia, o Carnist lançou em 2016 o disco “Hellish”, que tem como capa a imagem de porcos sendo executados em um matadouro.
“Queríamos mostrar às pessoas uma verdade, e a verdade é que comer carne tem um grande custo, e o custo é sempre afastado dos olhos das pessoas. A foto é grotesca em sua exibição do assassino humano sem rosto, a trágica falta de respeito, o medo dos porcos que têm de testemunhar seu companheiro caído. Isso apresenta o inferno da indústria da carne de modo eloquente, penso”, avaliou Alex em entrevista ao Metalorgie em setembro de 2016.
A ideia do nome, “Carnist”, é uma referência ao carnismo, sistema de crença invisível, também definido como ideologia, que, segundo a psicóloga social Melanie Joy, condiciona as pessoas a comerem alguns tipos de animais. O termo foi concebido por ela em sua dissertação de doutorado em 2001, e se tornou popular por meio do livro “Why We Love Dogs, Eat Pigs, and Wear Cows”, ou seja, “Por Que Amamos Cachorros, Comemos Porcos e Vestimos Vacas”, publicado em 2009.
Saiba Mais
Todos os integrantes do Carnist são veganos.
Caso queira comprar a camiseta do Carnist, acesse:
http://doomrock.com/Band-Merch-Clothes/Bandmerch/Shirts/Carnist-Hellish-Shirt::1301.html?XTCsid=93e680a6a7da998e0f1e744595ba30a7
Referências
http://www.metalorgie.com/interviews/1356_Alex-CF-Fall-Of-Efrafa-Light-Bearer-Morrow-Anopheli_Par-Email
http://no-pasaran.org/label/artists/detail/detail/carnist-ukat/
https://www.discogs.com/artist/3661813-Carnist
http://www.chaosruralrecords.com/store/carnist_hellish_10_inch
Crusty doom hardcore band CARNIST streaming “Hellish” 10” in full!
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Imagine passar a sua vida toda confinado

Chegando, quem sabe, a perder a noção do que existe fora das grades que afunilam seu mundo (Foto: Reprodução)
Imagine passar a sua vida toda confinado, chegando, quem sabe, a perder a noção do que existe fora das grades que afunilam seu mundo; sem poder sentir o aroma de nada que não seja sua ração e suas próprias fezes. Aos poucos, você se torna incapaz de distinguir importantes elementos da realidade. Talvez, dependendo do nível de estresse e do tipo de ambiente, você comece a comer as suas próprias fezes confundidas com ração.
O som de seus companheiros que não voltam mais. Eles resistem quando são agarrados, mas logo são imobilizados – mesmo que isso custe penas voando e asas dilacerando. Há um tipo de esperança que persiste, mas não em todos. Os mais sensíveis enlouquecem mais rápido em meio à agitação; começam a se estranhar e tentam se bicar porque já não sabem quem são.
Aves que não se veem mais como semelhantes e pouco agem como aves, sintoma de uma degradação tradicional que usurpa do mais frágil o direito ao que seria de fato uma vida normal. Dentro de um caminhão, o colocam dentro de uma caixa minúscula. Sem espaço para movimentar naturalmente as asas, se encolhe num canto e assiste, entre grades de plástico, carros ultrapassando, caminhões encostando, pessoas falando.
Quantas vidas existem lá fora, mas nenhuma delas é como a sua. Te penduram, te atordoam e te sangram por três minutos. Sua existência se esvai com o vermelho que escorre pelo chão. Seu sangue, símbolo-mor da sua vitalidade sem unção, é tratado como imundície. Alguém deve limpar. Não existe velório. Só escaldagem, depenagem e evisceração; e mutilação, gotejamento e resfriamento. Mais tarde, te embalam e te enviam para um açougue. Alguém há sempre de comer. Quanto vale sua morte? R$ 4,50 o quilo, mais ou menos.
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Kupfer-Koberwitz: “Acredito que enquanto o homem torturar e matar animais, ele vai torturar e matar seres humanos também”
Me recuso a comer animais porque não posso me nutrir a partir do sofrimento e da morte de outras criaturas
Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, o pacifista alemão Edgar Kupfer-Koberwitz foi classificado como um inimigo da Alemanha e enviado para um campo de concentração em Dachau, ao norte de Munique. Mesmo vivendo em situação degradante, ele se manteve fiel a sua filosofia de vida como vegetariano.
Quando recebia uma porção de carne, Kupfer dava aos seus companheiros prisioneiros, de acordo com informações do “Guide to the Edgar Kupfer-Koberwitz Dachau Diaries 1942-1945”, da Universidade de Chicago. Durante os anos em que esteve em Dachau, ele escreveu diariamente sobre a sua vida e suas impressões da realidade. Para Kupfer, o fato do ser humano negar humanidade a seus semelhantes e, assim agir de forma cruel, sempre foi determinante na legitimação da brutalidade contra os animais.
“Acredito que enquanto o homem torturar e matar animais, ele vai torturar e matar seres humanos também – e guerras serão travadas – pois o assassinato deve ser praticado e aprendido em uma pequena escala. Devemos tentar superar nossa própria pequena crueldade irrefletida, evitá-la e aboli-la”, escreveu em seu diário que deu origem ao livro “Dachauer Tagebücher Die Aufzeichnungen des Häftlings 2481”, publicado em Munique em 1997, baseado em suas memórias e reflexões.
Segundo informações da Biblioteca da Universidade de Chicago, depois de conseguir um trabalho como balconista em uma loja do campo de concentração, Edgar Kupfer-Koberwitz começou o seu próprio diário em pequenos pedaços de papel. A princípio, ele relatava principalmente os incidentes da vida em Dachau.
Para não ser flagrado e punido, ele escondia suas folhas entre outros papéis. Até que mais tarde, preocupado em perder tudo que tinha escrito, tomou a decisão de enterrar seus diários. Ainda assim, foi impossível preservar todas as folhas porque algumas foram danificadas pelo contato com a água.
“Me recuso a comer animais porque não posso me nutrir a partir do sofrimento e da morte de outras criaturas. Me recuso a fazê-lo, porque sofri tão dolorosamente que posso sentir as dores dos outros, lembrando meus próprios sofrimentos”, declarou em carta que faz parte do ensaio “Animais, Meus Irmãos”, que integra seus diários preservados pela Universidade de Chicago.
A passagem foi escrita quando, após contrair tifo, o pacifista alemão estava em um barracão que funcionava como hospital. Mesmo doente e receando a própria morte, ele conseguiu sobreviver, ao contrário de outros 12 mil prisioneiros que sucumbiram em decorrência de doenças ao longo de quatro meses e meio.
“Me sinto feliz, ninguém me persegue; por que devo perseguir outros seres ou fazer com que sejam perseguidos? Não sou prisioneiro, sou livre; por que eu faria com que outras criaturas fossem feitas prisioneiras e jogadas na prisão? Ninguém me prejudica; por que eu deveria prejudicar outras criaturas e fazê-las sofrer?”, ponderou Kupfer.
Edgar Kupfer-Koberwitz foi libertado pelas Forças Armadas dos Estados Unidos em 29 de abril de 1945, assim como outros mais de 67 mil prisioneiros. Quando se deu conta de que estava realmente livre para continuar a sua vida, ele declarou: “O dia acabou, celebrarei este 29 de abril de 1945 pelo resto da minha vida como o meu segundo aniversário, como o dia que me deu novamente a vida.”
Conforme o “Guide to the Edgar Kupfer-Koberwitz Dachau Diaries 1942-1945”, durante a Segunda Guerra Mundial, Adolf Hitler proibiu que todas as organizações vegetarianas continuassem ativas em territórios ocupados pela Alemanha. Também ordenou a prisão de seus líderes. Tal iniciativa foi colocada em prática porque o vegetarianismo organizado era visto como uma ameaça, por se aproximar dos mesmos ideais das organizações pacifistas que o Führer desprezava.
“Ninguém me mata. Por que devo ferir ou matar outras criaturas, ou fazer com que sejam feridas ou mortas para o meu prazer e conveniência? Não é natural que eu não cause dor em outras criaturas que, eu espero e temo, nunca causarão em mim? Não seria injusto fazer tais coisas sem outra finalidade senão gozar deste insignificante prazer físico à custa do sofrimento dos outros, da morte de outros?”, interpelou o pacifista alemão em seu diário.
A vida de um pacifista alemão
Edgar Kupfer-Koberwitz nasceu na cidade de Koberwitz, na Alemanha, em 24 de abril de 1906 e estudou em Bonn, Regensburg e Stuttgart. Após o divórcio de seus pais, ele deixou a escola para ajudar sua mãe e sua irmã. Trabalhou em fábricas, lojas e bancos. Como consequência de uma desilusão amorosa, foi para a Itália em 1925.
Entre idas e vindas até 1940, trabalhou em jornais, agências de viagens e também como modelo para um escultor. Após a sua libertação, ele viveu nos Estados Unidos até o início dos anos 1950. E depois, se mudou para a Sardenha. Decidiu viver definitivamente na Alemanha a partir de 1984. Ele faleceu em Stuttgart, na Alemanha, em 7 de julho de 1991.
A autenticidade de seus diários foi confirmada pelos agentes do Corpo de Contra-Inteligência (CIC), e também por testemunhas. Ele criou e distribuiu um questionário entre ex-prisioneiros, assim reunindo declarações sobre seu comportamento no acampamento e sobre sua confiabilidade. Os relatos nos diários de Edgar Kupfer, doados à Universidade de Chicago em 1º de abril de 1954, foram publicados de forma fragmentada pela primeira vez no semanário do parlamento alemão “Aus Politik und Zeitgeschichte”, sob o título “Als Häftling in Dachau”.
Saiba Mais
“Die Tierbrüder − eine Betrachtung zum ethischen Leben“, ou “Os Irmãos Animais – Uma Consideração da Vida Ética”, ensaio que ele escreveu sobre vegetarianismo, foi publicado na íntegra no livro “Radical Vegetarianism”, de Mark Mathew Braunstein, em 1981.
Referências
https://www.lib.uchicago.edu/e/scrc/findingaids/view.php?eadid=ICU.SPCL.KOBERWITZ
http://neveragain.org.il/articles/animals-my-brethren-edgar-kupfer-koberwitz/
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George Harrison: “A coisa que me repeliu em relação a comer carne foi a ideia de matar animais”
“A carne é uma das piores coisas que qualquer um pode comer”
Conhecido como “O Beatle Calado”, o britânico George Harrison, que fez história com os Beatles de 1960 a 1970, foi o primeiro dos Garotos de Liverpool a aderir ao vegetarianismo. Em 1965, depois de ler um livro que ganhou de um amigo, e que fala sobre a desumana indústria do abate de bezerros, Harrison decidiu começar banindo o consumo de qualquer tipo de carne da sua alimentação.
O que é inclusive uma grande revelação, levando em conta que muita gente achava e ainda acha que ele optou por não se alimentar de animais basicamente por um viés religioso, por ter se encontrado no hinduísmo. Essas informações estão na autobiografia “Wonderful Tonight”, de Pattie Boyd, lançada em 2008. Pattie, que também era vegetariana, foi casada com o guitarrista dos Beatles de 1966 a 1977.
Harrison se tornou tão contrário ao consumo de animais que, em hipótese alguma, permitia que alguém entrasse em sua casa com qualquer tipo de carne. Em entrevista a David Wigg, do Apple Offices, de Londres, em 8 de outubro de 1969, ele foi questionado sobre isso. “A carne é uma das piores coisas que qualquer um pode comer”, declarou e acrescentou que o vegetarianismo não era uma fase, mas sim algo em que ele realmente acreditava.
No Livro “The Beatles Anthology”, lançado em 2000, há citações em que George Harrison também fala da importância que o livro “The Complete Illustrated Book of Yoga”, de Swami Vishnu Devananda, publicado em 1959, teve em sua vida. Porém, ele deixa claro que o vegetarianismo surgiu em sua vida antes do hinduísmo. “Li seu livro depois que me tornei vegetariano. A coisa que me repeliu em relação a comer carne foi a ideia de matar animais”, revelou.
Harrison também comentou que todas as doenças humanas vêm de uma dieta não natural, o que segundo ele, inclui o consumo de alimentos de origem animal. De acordo com o artigo “Beatle George Harrison’s Formula for Spiritual Health”, de Joshua M. Greene, Harrison era vegetariano porque sentia que era contraditório honrar a vida em muitas formas e ainda contribuir com o abate de animais.
“Seu prato favorito era Dahl, uma sopa de lentilha que, quando misturada com arroz, forma uma proteína perfeita e um substituto ideal da carne”, escreveu. O vegetarianismo de Harrison era tanto moral quanto espiritual. E para além de uma vida de excessos se tratando do consumo de drogas como cocaína e LSD, ele também buscava ser uma pessoa realmente saudável, embora tivesse dificuldade em abandonar principalmente o álcool e o cigarro.
E foi a inclinação de George Harrison pelo vegetarianismo que o levou ao hinduísmo e mais tarde permitiu que ele estreitasse sua relação com músicos indianos como Ravi Shankar, e gurus como Maharishi Mahesh, fundador da meditação transcendental. Sendo assim, há quem atribua a Harrison o estreitamento das relações musicais entre Ocidente e Oriente, já que a partir daí muitos artistas se interessaram em fazer parceria com músicos indianos, popularizando o uso de sitar no Ocidente.
George Harrison, que teve uma carreira solo exemplar, com o lançamento de 12 álbuns entre os anos de 1968 e 2002, também é considerado o responsável pela popularização do Movimento Hare Krishna no Ocidente. Ao longo de sua vida, ele foi um dos grandes colaboradores da International Society for Krishna Consciousness, conforme informações da edição de 30 de novembro de 2002 do Daily Telegraph.
Saiba Mais
George Harrison nasceu em Liverpool em 25 de fevereiro de 1943 e faleceu em Los Angeles, nos Estados Unidos, em decorrência de câncer de pulmão em 29 de novembro de 2001. Em 2002, o seu filho Dhani, lançou o último álbum de George Harrison – “Brainwashed”.
O seu álbum “Wonderwall Music”, que faz parte da trilha sonora do filme “Wonderwall”, inspirou a banda Oasis a compor uma música homônima que se tornou um de seus maiores sucessos.
Referências
http://www.yogachicago.com/jan06/harrison.shtml
http://www.neatorama.com/2011/11/29/a-few-things-you-might-not-know-about-george-harrison/
http://www.beatlesinterviews.org/db1969.1008.beatles.html
http://surrealist.org/prayforpeace/harrison.html
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