Archive for the ‘Vegetarianismo/Veganismo’ Category
O que a Vegan Society diz sobre o veganismo
A Vegan Society é a entidade que criou o veganismo como filosofia de vida em 1944
A Vegan Society é a entidade que, por iniciativa do marceneiro inglês Donald Watson, criou o termo “vegan” em 1944 e definiu o veganismo como filosofia de vida. Atualmente há muitas controvérsias envolvendo o que faz parte ou não do veganismo, mas algumas delas surgem normalmente por interpretações equivocadas ou pessoais do que é ser vegano, e também pela tentativa ou interesse de vincular bandeiras ideológicas com as quais nem todos os veganos concordam.
Sendo assim, acho importante considerar o que a Vegan Society, pioneira e fundadora do veganismo como conhecemos hoje, diz sobre o que é ser vegano e o que é preciso ter em mente para adotar essa filosofia de vida. De acordo com a entidade, o veganismo é um estilo de vida que busca excluir, na medida do possível e praticável, todas as formas de exploração e crueldade contra os animais. Ou seja, veganos não são pessoas perfeitas, mas sim pessoas se empenhando em fazer alguma diferença.
A definição vai ao encontro da proposição feita por Leslie J. Cross em 1949. Ele sugeriu que a bandeira da Vegan Society deveria ser o princípio da emancipação dos animais subjugados pelos seres humanos. Ou seja, defender o fim do uso de animais como alimentos, commodities, atividades laborais, caça, vivissecção e as demais atividades que envolvem exploração animal.
Em 1979, a Vegan Society divulgou uma atualização dos objetivos do veganismo, citando que, além da alimentação e do vestuário livre da exploração animal, e da oposição aos produtos testados em animais, o veganismo também visa a promoção do desenvolvimento de alternativas que beneficiem humanos, animais e o meio ambiente – como vemos tantos veganos fazendo hoje em dia. A compaixão é apontada pela entidade como uma das principais razões pela escolha dessa filosofia de vida com viés moral e ético.
Outra informação a se considerar é que para a Vegan Society ninguém é mais ou menos vegano pelas suas preferências alimentares – seja “junk food” ou crudivorismo. O mais importante é não consumir alimentos de origem animal – todos os tipos de carnes (inclusive peixes, mariscos e insetos), além de laticínios, ovos e mel.

A compaixão é apontada pela entidade como uma das principais razões pela escolha dessa filosofia de vida (Foto: Animal Fair)
“Há uma versão de veganismo para todos os gostos”, declara a entidade. Além disso, a Vegan Society reconhece a alimentação vegana como dieta vegana, logo não é errado quando alguém fala em dieta vegana em vez de dieta vegetariana. O diferencial está no fato de que ser vegano não se resume à dieta. “Em termos dietéticos, denota a prática de dispensar todos os produtos derivados, total ou parcialmente, de animais”, registrou a entidade na seção de Memorandos e Artigos em 1979.
E embora alguém possa ver a exclusão de ingredientes de origem animal como um sacrifício, é importante ter mente que o veganismo abre um mundo de possibilidades alimentares. “Uma dieta vegana é rica em diversidade, e compreende todos os tipos de frutas, vegetais, castanhas, grãos, sementes, feijões e legumes – que podem ser preparados em infinitas combinações que assegurarão que você nunca fique entediado. Todos os seus alimentos, pizzas, bolos, podem ser adaptados para uma dieta vegana”, explica a Vegan Society.
Muitos acessórios, maquiagens e itens de limpeza e higiene pessoal costumam ser testados em animais, então a recomendação é que os veganos não comprem esses produtos. “Felizmente, hoje em dia existem alternativas acessíveis”, enfatiza a Vegan Society. Também é importante não dar suporte à exploração de animais em zoológicos, aquários e em corridas. Ou seja, não visite locais que usem animais como entretenimento. “Uma ótima alternativa é visitar e apoiar santuários que fornecem abrigo seguro e amoroso para animais resgatados”, sugere a entidade.
Outro assunto bastante discutido entre veganos diz respeito ao consumo de medicamentos. A Vegan Society não recomenda que ninguém evite remédios prescritos por médicos, argumentando que um vegano morto não é bom para ninguém: “O que você pode fazer é pedir ao seu médico ou farmacêutico para fornecer, se possível, um medicamento que não contenha produtos de origem animal como gelatina e lactose.”
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A Vegan Society foi fundada em Birmingham, na Inglaterra, em novembro de 1944.
Considerações
Há quem diga que o veganismo já existia antes da Vegan Society, mas nisso creio que existe um equívoco. Há centenas, e até milhares de anos, tivemos pessoas e grupos que realmente eram contrários à exploração animal e contribuíram bastante para a discussão em torno do vegetarianismo e do que viria a ser o veganismo. Porém, os direitos animais como conhecemos hoje só começou a ser defendido nos moldes atuais com a Vegan Society.
Referências
https://www.vegansociety.com/go-vegan/definition-veganism
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Otep: “Progredimos como sociedade e não precisamos comer carne para sobreviver”
“Esse animal é um ser senciente, eles entendem, têm consciência, não são um pacote de Doritos”

Otep: “Minha mudança na dieta foi um protesto pessoal contra a crueldade da indústria da carne” (Foto: Divulgação)
Otep Shamaya, vocalista da banda de metal alternativo Otep, que lançou sete álbuns entre os anos de 2002 e 2016, é conhecida por suas opiniões firmes e forte engajamento social. Em 2008, em entrevista para a organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta), ela falou sobre sua transição para o vegetarianismo. “Minha mudança na dieta foi um protesto pessoal contra a crueldade da indústria da carne”, disse.
Em 13 de novembro de 2011, em entrevista publicada pelo Along Your Path, ela contou que não perdeu o interesse pelo gosto da carne, mas o preço a se pagar pelo consumo de alimentos de origem animal é muito caro. “Essas corporações gigantes torturam esses animais antes deles serem mortos para que se tornem o alimento que comemos, digerimos e excretamos uma hora depois – me parece sem sentido”, argumentou.
Ela relatou que não se sente confortável dando sequer um dólar para que indústrias que produzem produtos de origem animal cresçam enquanto animais assustados são subjugados, condicionados a levarem uma vida que pode significar privação, sofrimento e morte. “Esse animal é um ser senciente, eles entendem, têm consciência, não são um pacote de Doritos; é a realidade deles. […] Progredimos como sociedade e não precisamos comer carne para sobreviver”, criticou.

“Essas corporações gigantes torturam esses animais antes deles serem mortos para que se tornem o alimento que comemos” (Foto: Divulgação)
Em 15 de abril de 2016, o Otep lançou o álbum “Generation Doom”, baseado em 12 composições, e que tem entre os destaques a música “Zero” que foi lançada como single. A letra começa com a frase: “I don’t give a fuck”, ou seja, “Eu não dou a mínima”, que faz uma referência ao fato dela não se importar com críticas em relação à sua defesa do meio ambiente e dos animais.
“Conheço muita gente que fica na defensiva quando você fala sobre essas coisas abertamente. Sou uma vegana por uma questão moral. Isso é engraçado porque recebo mais mensagens de ódio por ser uma vegana do que por ser uma lésbica, então os tempos certamente mudaram”, declarou ao Song Facts em 6 de abril de 2015.
Em um trecho de “Zero”, Otep Shamaya grita: “Você me quer para salvar o seu mundo, enquanto seus pulmões ficam pretos, e os oceanos fervem, e você alimenta e cria este reino de merda.” Ela também fala que enquanto o mundo está morrendo há pessoas reclamando sobre o que não podem comprar com dinheiro que não têm. “Então você vai vender sua alma para estar na última moda”, canta.
Em entrevista publicada no First Order Historians em 13 de novembro de 2015, Shamaya frisou que ela considera a mudança climática como a questão mais importante da humanidade na atualidade, ponderando que se no futuro não houver nenhum lugar habitável na Terra, não haverá espaço para discutir qualquer outra questão. A vocalista afirmou que devemos reconhecer o impacto esmagador que causamos ao nosso planeta e nos afastarmos dos combustíveis fósseis e de empresas destrutivas que lentamente nos envenenam.

““O simples ato de remover a carne da sua dieta não só salva vidas de animais, mas também vidas humanas” (Foto: Divulgação)
“Sei que algumas pessoas ainda lutam contra isso porque [a mudança climática] não está acontecendo apenas de uma vez ou o tempo todo, mas isso não significa que não esteja acontecendo. Há um velho adágio que diz que se você deixar cair uma rã em um pote de água fervente, ela pula imediatamente, mas se você aquecer lentamente a água, a rã permanecerá paralisada e ferverá até a morte. Você pode adivinhar em qual pote estamos?”, questionou.
Shamaya defende que uma dieta vegetariana ajudaria muito a retardar as mudanças climáticas. Segundo ela, teríamos água mais limpa, ar mais limpo, mais comida em regiões atingidas pela fome e menos fazendas industriais degradando o solo e os rios.
“O simples ato de remover a carne da sua dieta não só salva vidas de animais, mas também vidas humanas. Peço a todos que vejam os documentários ‘Cowspiracy’, ‘Racing Extinction’ e ‘Earthlings’. Você não verá o mundo do mesmo jeito, eu prometo”, garantiu em entrevista ao First Order Historians. A vocalista do Otep admitiu em entrevista ao Sonic Cathedral em 2 de maio de 2016, que gostaria de ver o fim da agricultura animal, justificando que isso significaria viver em um mundo mais justo e igualitário.
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Em 2014, Otep Shamaya foi uma das cinco artistas que fez a dublagem das criaturas do filme “Hobbit: Battle of the Five Armies”, de Peter Jackson.
Referências
https://alongyourpath.com/2011/07/02/interview-otep-shamaya/
http://www.soniccathedral.com/webzine/index.php?option=com_content&task=view&id=1309
http://www.songfacts.com/blog/interviews/otep_shamaya/
http://www.firstorderhistorians.com/2015/11/13/10-questions-with-otep-shamaya/
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Forças de Defesa de Israel oferecem refeições veganas a mais de 50 mil soldados
A preocupação em atender as necessidades dos soldados veganos começou em 2014
Depois que soldados veganos realizaram um protesto em Israel, alegando que não havia nada para eles comerem nos refeitórios – já que quase todos os pratos continham carne, ovos e laticínios, as Forças de Defesa de Israel decidiram oferecer refeições veganas.
Hoje, mais de 50 mil soldados têm a oportunidade de optar por uma refeição livre de ingredientes de origem animal – e tudo isso graças a uma demanda de pouco mais de 500 soldados. De acordo com nota divulgada pela FDI, Israel assumiu um sério compromisso de atender as necessidades individuais de cada combatente, tanto que dedicaram três anos de pesquisa para concluírem um cardápio considerado ideal – nutritivo e benéfico para todos.
A alimentação dos soldados veganos inclui húmus, tahine, feijão em molho de tomate, azeitonas verdes, ervilhas, cuscuz, hambúrgueres de lentilha, halva (um tipo de bolo muito popular no Oriente Médio) e frutas. A maior prioridade é oferecer boas quantidades de proteínas e ferro, o que segundo a FDI é determinante para garantir a força dos combatentes.
A preocupação em atender as necessidades dos soldados veganos começou em 2014, com a reivindicação de uniformes sem pele de animais e lã. Já as refeições veganas, começaram a ser incluídas timidamente no cardápio dos soldados em 2015. Hoje, qualquer um, vegano ou não, pode optar por uma alimentação livre de ingredientes de origem animal.
O fato de haver uma consistente demanda vegana nas Forças de Defesa não surpreende tanto quem avalia o cenário israelense atual. Em meio a uma população de pouco mais de oito milhões de habitantes, já é possível encontrar mais de 400 restaurantes em Israel com opções para veganos, de acordo com a revista The Tower. Esse crescimento se deve ao fato de que atualmente Israel tem cerca de 300 mil veganos, sendo considerado o país onde o veganismo mais cresce, segundo a Jewish Telegraphic Agency.
Referências
http://www.npr.org/sections/thesalt/2015/12/10/459212839/why-so-many-israeli-soldiers-are-going-vegan
https://www.israel21c.org/israel-has-most-vegans-per-capita-and-the-trend-is-growing/
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Vydūnas: “Não é uma coisa terrível matar um animal e comer a sua carne?”
“Às vezes, os animais podem demonstrar mais consciência do que os seres humanos”
O filósofo e poeta lituano Vydūnas é pouco conhecido no Ocidente, tanto que seus livros normalmente são encontrados apenas em lituano. Por um lado, porque suas obras sempre se voltaram mais para o povo lituano, embora ele, como um pensador humanista, tivesse uma grande capacidade de universalização de suas ideias. Por outro, porque seu trabalho foi proibido pelos nazistas em 1933; e depois pelos socialistas, quando os soviéticos anexaram a pequena Lituânia à URSS, após um pacto feito com os alemães.
Vydūnas era visto como uma ameaça pagã por tentar preservar a cultura lituana, enaltecer a natureza e o respeito a todos os animais. Em 1932, ele publicou o livro “Sieben Hundert Jahren Deutsch-Litauischer Beziehung” – sobre os 700 anos de relacionamento germânico-lituano, que fala sobre a interação dos povos, e como a cultura lituana foi afetada pela alemã, o que desagradou os nazistas.
Em 11 de março de 1938, o filósofo foi preso em Tilsit, que até hoje pertence à Rússia, e acabou libertado dois meses depois graças a um protesto liderado pela Sociedade Lituana de Escritores, que conseguiu apoio de pessoas de muitos países. Com a chegada dos soviéticos em 1940, o tratamento não foi diferente.
Vydūnas, que era um professor questionador, e tinha fama de livre pensador, despertou desconfiança e se tornou alvo de constantes perseguições. Em 2 de outubro de 1944, após um bombardeamento, ele se mudou para Provarbiai, perto de Konigsberg, na Alemanha, onde encontrou como abrigo um campo de refugiados. Depois de algumas semanas, se mudou para Detmold, no estado da Renânia do Norte-Vestfália.
Em “Sąmonė”, que significa “Consciência”, uma de suas obras mais famosas – lançada em 1936, ele fala que apenas por meio da consciência a humanidade é capaz de encontrar uma visão verdadeiramente expressa da realidade. Para Vydūnas, a partir do encontro com essa realidade os seres humanos podem se voltar para uma condição que, mesmo partindo de uma perspectiva individual, tenha o papel de unir, não segregar. Ele também ganhou fama de místico por promover o renascimento da cultura pagã e ressaltar suas semelhanças com a tradição hindu.
Ainda muito jovem, Vydūnas voltou naturalmente a sua atenção para os animais não humanos. Em 1912, revelou que fazia mais de 20 anos que não consumia carne, de acordo com informações da página 16 da revista “Jaunimas”, ou “Juventude”, publicada em março de 1912. “Não é uma coisa terrível matar um animal e comer sua carne?”, questionou. De acordo com o livro “1939: The Year that Changed Everything in Lithuania’s History”, de Šarūnas Liekis, Vydūnas se alimentava basicamente de comida vegetariana. E se manteve assim até os seus últimos dias de vida.

Vydūnas, que era um professor questionador, e tinha fama de livre pensador, despertou desconfiança e se tornou alvo de constantes perseguições (Foto: Reprodução)
Na obra póstuma “Raštai II Tomas”, ou “Registros – Volume II”, publicada em 1991, há mais provas de que Vydūnas defendia o direito dos animais à vida por uma questão moral e ética. Segundo o filósofo, às vezes, os animais podem demonstrar mais consciência do que os seres humanos, e porque são criaturas da natureza que trazem uma sabedoria geralmente refletida e, não raramente, facilmente aprendida. Pela sua sensibilidade, nível de consciência e influência moral, o pensador lituano chegou a ser comparado a Mahatma Gandhi e Rabindranath Tagore.
“Provavelmente todo mundo [os lituanos] já ouviu falar sobre Vydūnas (Vilius Storostas) e uma dieta vegetariana? Vydūnas continua a ser o mais famoso vegetariano lituano”, diz o artigo Vegetarizmas ir veganizmas Lietuvoje: XX a. pirmoji pusė”, publicado pela Vegan.LT, e que discorre sobre o vegetarianismo e o veganismo lituano no século 20.
Mesmo que mais tarde tenha sido considerado um exemplo enquanto pensador e ser humano, durante o domínio soviético, que chegou ao fim somente em 1991, Vydūnas foi obrigado a passar os seus últimos anos de vida longe da sua amada Lituânia. Ele faleceu em 20 de fevereiro de 1953 em Detmold, na Alemanha Ocidental.
“Ele não considerou como o mais importante objetivo de suas atividades o desenvolvimento de suas próprias teorias filosóficas ou o esclarecimento intelectual de seus compatriotas, mas sim [o ato] de estimular as pessoas a aspirarem por um ideal mais humano”, escreveu Jurate Baranova na página 89 do livro “Lithuanian Philosophy: Persons and Ideas”, lançado em 2000.
Vydūnas chegou a ser indicado como candidato ao Prêmio Nobel da Paz em 1940, mas por causa da conturbada situação política da Lituânia a sua candidatura foi revogada. Porém, mesmo diante de tantas adversidades ao longo da vida, ele jamais cogitou a possibilidade de não lutar.
“Apesar de ter feito muito e contribuído significativamente para a cultura nacional, durante muito tempo ele permaneceu no quase total esquecimento. Diz-se que o melhor teste de valores é o tempo; que somente os valores verdadeiros permanecem vivos, enquanto aqueles que não resistem às provações do tempo caem no estoque passivo do passado”, escreveu Baranova sobre Vydūnas.
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Wilhelm Storost nasceu em uma aldeia em Jonaten, perto de Heydekrug, em 22 de março de 1868. Ele adotou o nome Vydūnas com cerca de 40 anos.
Considerado um dos maiores líderes culturais da Lituânia Menor (ou prussiana) dos séculos 19 e 20, Vydūnas também fez um profundo trabalho sobre músicas folclóricas e tradições rurais. Também compôs canções e escreveu peças de teatro.
Além de lecionar filosofia, ele deu aulas de lituano, alemão, francês e inglês. Mais tarde, deu continuidade aos seus estudos filosóficos na Alemanha – em Greifswald, Haille, Leipzig e Berlim.
O seu túmulo pode ser visitado no Cemitério de Bitėnai, uma aldeia a 11 quilômetros de Pagegiai.
Referências
Liekis, Šarūnas. 1939: The Year that Changed Everything in Lithuania’s History. Rodopi Páginas 67-71 (2009).
Strmiska, Michael. Modern Paganism in World Cultures: Comparative Perspectives. ABC-CLIO. Página 361 (2005).
Baranova, Jurate. Lithuanian Philosophy: Persons and Ideas. Council for Research in Values, Página 89 (2001).
Vydūnas. Raštai II Tomas. (1991). Disponível em http://www.sarmatas.lt/wp-content/files/pdf/Vydunas-Rastai-II-tomas.pdf
http://vegan.lt/resursai/istorija/lt/
http://animalrights.lt/pasisakymai-vydunas
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Alissa White-Gluz: “Você não tem que ser parte do sistema e parte da crueldade [contra os animais]”
“Sou vegana porque sei que é possível ter uma vida totalmente feliz e saudável sem prejudicar ninguém”
Vocalista da banda sueca de death metal Arch Enemy, a canadense Alissa White-Gluz é vegetariana desde que nasceu, o que significa que ela jamais consumiu qualquer tipo de carne. A justificativa é que ela foi educada desde muito cedo a respeito do fato de que produtos de origem animal significam a exploração e a morte de seres vivos sencientes. “Sempre fui vegetariana, e ser vegana foi o próximo passo lógico [em 1999]. E no que diz respeito a ser straight edge, bem, se eu me importo o suficiente com a minha vida em geral, por que eu iria querer envenenar o próprio veículo que me permitiu viver – meu corpo?”, disse em entrevista ao Metal Horizons em abril de 2013.
Em junho de 2014, ela participou de um vídeo da organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) em que ela foi questionada se era difícil ser vegana. “Absolutamente, não. Seria difícil não ser vegana”, respondeu e acrescentou que a razão pela qual ela é tão apaixonada pelo veganismo é porque é uma filosofia de vida que beneficia os animais, o meio ambiente, os seres humanos em várias partes do mundo e a sua própria saúde. “Fico feliz em ajudar qualquer pessoa interessada nesse estilo de vida”, declarou.
Para quem tem dificuldade em perceber o que existe de positivo em ser vegano, a vocalista do Arch Enemy e ex-vocalista do The Agonist (2004-2014) pede que as pessoas façam uma pesquisa na internet quando tiverem algum tempo disponível. “Os fatos estão lá, é apenas uma questão de aceitar a realidade e ser parte da solução em vez do problema, afirmou à Peta.
Na definição de Alissa, o veganismo é um estilo de vida que envolve fazer um esforço consciente para se certificar de não comprar produtos como alimentos, vestuário e cosméticos – entre outros que envolvam privação, sofrimento e morte de animais. “Sou vegana porque sei que é possível para mim ter uma vida totalmente feliz e saudável sem prejudicar ninguém”, justificou em entrevista publicada pela Revolver Mag em 31 de dezembro de 2014.
Ela também qualifica o veganismo como o grande motivador de tudo que ela faz em sua vida; um catalisador para a sua paixão pela música e por escrever letras. Ter alcançado um certo nível de notoriedade é visto por Alissa como um grande presente, porque dessa forma ela pode compartilhar informações com o seu público que não são divulgadas pela grande mídia.
“Tenho grande interesse em direitos animais, então compartilho o que é do meu interesse. Não espero que todos se tornem veganos durante a noite, e não espero que ninguém seja perfeito. Mas se for possível despertar um pouquinho de consciência, mesmo algo tão simples como alguém evitando carne uma vez por semana ou não comprando cosméticos testados em animais mais, ou optando por peles falsas em vez de peles de verdade…isso seria uma grande vitória para mim”, enfatizou em entrevista publicada pelo Brave Words em 25 de março de 2013.

““Tenho grande interesse em direitos animais, então compartilho o que é do meu interesse” (Foto: Divulgação)
Alissa White-Gluz diz que todos estamos presos em um estado coletivo de condicionamento, mas que se abrirmos os nossos olhos para a realidade, como aquela que envolve a exploração animal, imediatamente começaremos a nossa fuga. É justamente por isso que Alissa e os outros membros da banda de death metal canadense The Agonist, chamavam seus fãs de “Prisoners” ou “Prisioneiros” – porque somos pessoas em necessidade de despertar. “Você não tem que ser parte do sistema e parte da crueldade [contra os animais]. Você pode trabalhar contra isso”, recomendou em entrevista ao Brave Words.
Ela também vê como positivo o crescimento do veganismo no cenário do heavy metal. Cita como exemplo o fato de estar se tornando difícil encontrar uma banda de metal que não tenha pelo menos um vegetariano ou vegano.
“Tenho sido vegana desde antes de fazer metal. Então isso é 100% do que sou e está 100% gravado na minha personalidade. Sou uma ativista dos direitos animais e dos direitos humanos, mas, você sabe, eu também sou uma música. Então, quando se trata de letras, é claro, me expresso sobre isso. Mas é um campo diferente. Música é arte, e eu acho legal incluir uma mensagem dentro da arte, mas não é a única coisa em que penso quando estou interpretando ou escrevendo”, revelou ao Metal Inside em entrevista publicada em 29 de maio de 2014.
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Alissa White-Gluz, que é vegana desde 1999, nasceu em 31 de julho de 1985 em Montreal, no Canadá.
Ela é membro-fundadora da banda canadense The Agonist, com quem gravou os álbuns “Once Only Imagined, de 2007; “Lullabies for the Dormant Mind”, de 2009; e “Prisoners”, de 2012.
Com o Arch Enemy, Alissa gravou o álbum “War Eternal”, de 2014; e o EP “Stolen Life”, de 2015.
Foi ela que incentivou o namorado Doyle Wolfgang Von Frankenstein, icônico guitarrista do Misfits, a tornar-se vegano.
Referências
http://www.metalhorizons.com/2013/04/interview-time-with-alissa-white-gluz.html
http://www.metalinside.de/interview/arch-enemy-alissa-white-gluz-about-war-eternal-linup-changes-and-psychedelic-dreams
http://www.revolvermag.com/news/arch-enemys-alissa-white-gluz-on-veganism-and-how-to-sing-with-a-broken-rib.html
http://bravewords.com/news/the-agonist-vocalist-alissa-white-gluz-veganism-is-what-drives-me-to-do-everything-in-life
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Doyle von Frankenstein, o guitarrista do Misfits que se tornou vegano por respeito aos animais
“Gosto de animais, então foi difícil assistir isso. Sou muito mais saudável [agora]. Sinto que é ético. Não é apenas por razões de saúde”
Lendário guitarrista do Misfits, uma das bandas que criou e moldou o horror punk, Doyle Wolfgang von Frankenstein ingressou no mundo da música em 1980, por influência do seu irmão, o baixista Jerry Only, e do vocalista Glenn Danzig, que o ensinaram a tocar guitarra. De lá para cá, ele gravou álbuns que se tornaram clássicos, como “Walk Among Us” e “Evilive” de 1982; “Earth A.D./Wolfs Blood, de 1983; e “American Psycho”, de 1997.
Ao longo dos anos, Doyle se tornou uma das faces do Misfits, e não apenas por causa do estilo macambúzio que remete aos clássicos filmes de terror, mas também por sua personalidade irreverente e pelo bom condicionamento físico preservado mesmo depois de décadas.
Acostumado a consumir muita proteína de origem animal, no dia 1º de janeiro de 2014 o icônico guitarrista do Misfits, que segue em carreira solo desde 2007, decidiu tornar-se vegano, o que surpreendeu muita gente, principalmente quem conhecia o seu trabalho, mas acreditava que veganismo e ganho ou manutenção de massa muscular não é uma boa combinação.
A transição dele foi incentivada pela namorada Alissa White-Gluz, vocalista da banda
sueca de death metal Arch Enemy, que já era vegana há muito tempo e jamais consumiu carne, de acordo com uma entrevista feita com Doyle pelo The Vintage Vegans e publicada em 25 de maio de 2016.
Antes de se tornar vegano, sempre que o guitarrista saía com Alissa, eles iam a algum restaurante vegano, e aos poucos ele foi conhecendo um novo universo de possibilidades alimentares. Quando experimentava algo novo, Doyle se surpreendia com o sabor.
“Então ela me mostrou o que eles fazem com os animais, e todas essas malditas fábricas, e como somos uns fodidos para eles [os animais]. Gosto de animais, então foi difícil assistir isso. Sou muito mais saudável [agora]. Sinto que é ético. Não é apenas por razões de saúde”, afirmou em entrevista ao Village Voice em 4 de maio de 2015.
Ele também comentou que desde então não quer deixar “uma trilha de morte e destruição” – em referência ao consumo de produtos que envolvem exploração animal. Um dos alimentos preferidos de Doyle é o seitan, inclusive é uma das suas mais importantes e preferidas fontes de proteínas. ‘Sou um adorador de seitan. Alissa e eu o preparamos muitas vezes em casa. É feito de glúten de trigo vital, muito rico em proteínas. Também tomo suplemento proteico”, revelou ao Vintage Vegans.
Quando está excursionando com sua banda solo, Doyle usa um aplicativo chamado Happy Cow para localizar restaurantes veganos ou que ofereçam pratos vegetarianos. “Costumo dizer que os veganos é que são os caçadores”, comentou em tom bem-humorado ao Vintage Vegans. O guitarrista garante que o veganismo já faz parte de todos os aspectos de sua vida, tanto que, segundo ele, até mesmo a maquiagem usada no palco é vegana – clown White, da marca Mehron.
Em entrevista à News Noise Magazine em 13 de março de 2017, Doyle von Frankenstein deixou claro que por enquanto não pretende abordar o veganismo em suas músicas, mas nem por isso deixa de motivar os mais jovens a seguirem por esse caminho. Na entrevista à News Noise, Gen Handley brincou com o guitarrista, perguntando se homens de verdade comem carne. Com a sua típica irreverência, ele respondeu: “Não…homens de verdade são veganos, obviamente.”
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Doyle Wolfgang von Frankenstein nasceu em 15 de setembro de 1964 em Lodi, New Jersey.
Em 2005, Doyle fundou o Gorgeous Frankenstein, que lançou um disco homônimo em 2007. Mais tarde, ele mudou o nome da banda para Doyle, e lançou o álbum “Abominator” em 2013. Este ano, ele vai lançar o álbum “As We Die”.
Em 1990, ele, Jerry Only, The Murp, Jeff Scott Soto e Dave Sabo gravaram o EP “Deliver Us From Evil”, sob o nome Kryst the Conqueror – projeto fundado por Jerry e Doyle.
Referências
http://www.villagevoice.com/music/sex-knives-and-veganism-ten-things-you-didnt-know-about-doyle-from-the-misfits-6630114
http://www.thevintagevegans.com/interview-with-doyle-of-the-misfits/
http://newnoisemagazine.com/interview-doyle-real-men-dont-eat-meat/#
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Os 30 anos do disco “Animal Liberation”, produzido em prol dos animais
Mote do disco: “Os animais não são nossos para comermos, usarmos e fazermos experimentações”
No dia 21 de abril, “Animal Liberation”, o primeiro disco inteiramente dedicado aos direitos animais, completou 30 anos. Quando foi lançado em 1987, o disco produzido por Al Jourgensen, da lendária banda de metal industrial Ministry, chamou a atenção pela proposta diferenciada. Até então, registros fonográficos com caráter beneficente eram feitos apenas em prol de causas humanitárias. Um clássico e grande exemplo é a música “We Are the World”, escrita por Michael Jackson e Lionel Richie em 1985.
Depois de refletir sobre isso, Dan Mathews, então diretor de divulgação da organização Pessoas Pelo Tratamento Étnico dos Animais (Peta), conheceu Al Jourgensen, que já era diretor da Wax Trax! Records, e pediu sua opinião sobre a ideia de um disco dedicado à causa animal: “Vá em frente!”, disse Jourgensen que se ofereceu para produzi-lo, de acordo com matéria de Tom Popson, publicada no Chicago Tribune em 7 de novembro de 1986.
A inspiração para “Animal Liberation” veio com a música “Skin”, lançada em 1980 pela banda britânica Siouxsie & the Banshees. A composição fala sobre a realidade da indústria de peles. “Pensei: ‘Isso é efetivo!’”, declarou Mathews. Depois de um ano de contato com bandas e artistas em carreira solo, o trabalho ganhou corpo com uma forte proposta baseada no mote: “Os animais não são nossos para comermos, usarmos e fazermos experimentações”.

Disco foi produzido por Al Jourgensen, da lendária banda de metal industrial Ministry (Foto: Allan Amato)
Segundo Dan Mathews, muitos artistas e grupos entraram em contato querendo contribuir de alguma forma, porém, muitos queriam doar músicas com outra temática. “Como suas músicas não falavam diretamente dos direitos animais, realmente não podíamos aceitá-las”, justificou e acrescentou que a Peta visava tanto o aspecto financeiro quanto educacional.
Criticando a vivissecção, indústria de peles, indústria da carne e também a caça, Nina Hagen, Lene Lovich, Attrition, Chris & Cosey, Colour Field, Luc Van Acker, Shriekback, Captain Sensible e Howard Jones doaram não apenas tempo e criatividade, mas também disponibilizaram seus próprios estúdios de gravação para a realização do projeto. Enquanto “Hunter”, de Van Acker critica a caça, Hagen e Lovich abordam os testes em animais e a redução de animais à comida.
O que agradou bastante em relação ao disco é que houve uma preocupação em não parecer hostil nas letras e na temática, o que permitiu que “Animal Liberation” conquistasse bastante aceitação entre pessoas que não eram vegetarianas. “Nina e Lene têm uma canção muito otimista, muito vigorosa. Acho que é a música mais pop que elas fizeram. E não é algo que pareça como uma lição de moral. […] As pessoas podem tirar suas próprias conclusões”, declarou Mathews ao Chicago Tribune.
Embora Al Jourgensen, do Ministry, não toque no disco, ele fez as transições entre as músicas, além de ter criado os clipes de notícias e incluído citações que instigam o ouvinte à reflexão. O trabalho teve a contribuição de Bill Rieflin, Ion Barker e Roland Barker. O disco também foi lançado com uma música bônus e ao vivo – “The Meat is Murder”, do The Smiths. Todo o dinheiro arrecadado com a venda dos discos foi usado na produção e circulação de material para conscientização sobre os direitos animais.
Faixas do disco “Animal Liberation”
Al Jourgensen – “International Introduction” (1:36)
Nina Hagen / Lene Lovich – “Don’t Kill The Animals” (Rescue Version) (6:36)
Al Jourgensen – “Civil Disobedience Is Civil Defence” (0:58)
Attrition – “Monkey In A Bin” (2:26)
Chris & Cosey – “Silent Cry” (3:27)
Al Jourgensen – “Lab Dialogue” (0:24)
Lene Lovich – “Supernature” (5:40)
Al Jourgensen – “Life Community” (0:49)
Colour Field – “Cruel Circus” (3:58)
Luc Van Acker – “Hunter” (3:31)
Shriekback – “Hanging Fire” (3:00)
Captain Sensible – “Wot? No Meat!” (3:11)
Al Jourgensen – “Meat Farmer” (0:28)
Howard Jones – “Assault And Battery” (4:50)
Bônus – The Smiths – “Meat is Murder” (5:53)
Referências
http://articles.chicagotribune.com/1986-11-07/entertainment/8603230771_1_benefit-animals-songs-peta
http://waxtraxchicago.bigcartel.com/product/various-animal-liberation-cd-rare-out-of-print
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Reflexões sobre vegetarianismo, veganismo e ponderação
Eu falando por alguns minutos sobre vegetarianismo, veganismo e ponderação. É um vídeo simples, sem edição, baseado apenas em reflexões espontâneas.
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Propagandhi: “De alguma forma, todo mundo que come carne sabe que existe algum dano nisso”
“Não tenho nenhuma necessidade de machucar os animais para o meu próprio prazer ou conforto”
Fundada no Canadá em 1986, a banda Propagandhi, importante nome do cenário punk rock da América do Norte, tem se destacado desde os anos 1990 por ter como bandeira a defesa dos direitos animais e o veganismo. Em uma de suas músicas, “Nailing Descartes To The Wall/(Liquid) Meat is Still Murder”, que faz parte do álbum “Less Talk, More Rock”, lançado em 1996, eles cantam:
“Pare de consumir animais…da carnificina espalhada pelos pátios, fábricas e fazendas. […] Mas você não pode negar que carne ainda é assassinato, e laticínios ainda são estupro. Eu ainda sou tão estúpido quanto qualquer um, mas sei dos meus erros. Reconheci uma forma de opressão. Agora reconheço o resto. A vida é muito curta para tornar a dos outros mais curta.”
E, desde o princípio, se alguém tentasse criticá-los, alegando que jovens de uma banda de punk rock dificilmente conhecem a verdadeira realidade das fazendas e dos matadouros, era preciso estar preparado. De acordo com o vocalista e guitarrista Chris Hannah, o Propagandhi veio de uma área área rural, de uma cidadezinha chamada Portage La Prairie, de pouco mais de 13 mil habitantes. Então os integrantes da banda viram e tiveram contato com vacas, fazendas, laticínios e matadouros enquanto cresciam.
“Nós somos desse meio. Sabemos o que acontece. Nós vimos isso. E sou meio que feliz por ter esse tipo de munição que me trouxe um desafio. Isso é outra coisa sobre ser do campo no Canadá, você sabe quando as pessoas estão falando merda”, disse Hannah em entrevista a Ian Phillips em 18 de dezembro de 2007, em referência às pessoas que tentam desqualificar as letras da banda, alegando que são “sensacionalistas” ou “apelativas”.
Segundo o baixista e vocalista Todd Kowalski, o Propagandhi é um grupo vegano em essência. “É importante para nós que todos [da banda] acreditem no que estamos dizendo e praticando, senão isso não seria sincero. Definitivamente, usamos a banda para promover o veganismo através da música, entrevistas, artigos, etc. Na minha vida, tento deixar um exemplo, ser a minha mensagem para as pessoas ao meu redor. E funciona. Muitos dos meus amigos, assim como meu irmão, se tornaram vegetarianos depois de ver como é fácil”, declarou em entrevista à revista T.O.F.U.

“É importante para nós que todos [da banda] acreditem no que estamos dizendo e praticando, senão isso não seria sincero” (Foto: Reprodução)
Em entrevista a Noisey publicada em 23 de junho de 2015, Todd disse que o Propagandhi já tinha abraçado o veganismo “antes que se tornasse algo legal”, talvez citando a tendência de pessoas que se tornam veganas por acharem “divertido”, e não pelos motivos certos. “Agora há muitos livros de receita e outros materiais, mas, de volta aos anos 1980, se você quisesse fazer algo como hambúrgueres, você tinha que comprar um saco de grãos em pó e misturá-lo com água”, contou em tom bem-humorado.
Por outro lado, a popularidade do veganismo tem agradado bastante aos integrantes do Propagandhi. Todd Kowalski enfatizou que ficou muito mais fácil encontrar comida vegana durante as turn~es. Quando não vão a restaurantes veganos, eles optam pelos tailandeses, que também têm ótimos pratos sem ingredientes de origem animal. “Em casa, normalmente preparo minha comida, e de vez em quando vou ao Merkato, o meu restaurante etíope favorito em Winnipeg”, revelou ao VegNews.
Para os caras do Propagandhi, é razoável, natural e lógico que uma pessoa se torne vegana se ela estiver interessada em provar que defende a justiça para todos os seres vivos. “Não tenho nenhuma necessidade de machucar os animais para o meu próprio prazer ou conforto. Não quero contribuir com as indústrias que estão poluindo o mundo, matando e ferindo animais. Ser vegano é fácil, saudável e muito mais prazeroso do que sofrer de dor depois de comer uma bratwurst [salsicha alemã]”, declarou Kowalski rindo em entrevista à revista T.O.F.U.
Todd reclamou também que não consegue entender como as pessoas são capazes de substituir a compaixão e a justiça por um copo de leite ou um pedaço de queijo, levando em conta que isso significa a exploração das vacas por toda a vida. Ele frisou que as pessoas podem mudar facilmente se elas tiverem vontade o suficiente. “De alguma forma, todo mundo que come carne sabe que existe algum dano nisso. Sinto em algum lugar de mim um pouco de ressentimento por isso. Me pergunto como eles podem continuar contribuindo com isso se eles se consideram justos?”, questionou.

“Me pergunto como eles podem continuar contribuindo com isso se eles se consideram justos?” (Foto: Reprodução)
Entretanto, Kowalski ponderou que é muito fácil generalizar que todas as pessoas do mundo que consomem alimentos de origem animal não têm compaixão. De acordo com o baixista e vocalista do Propagandhi, há certas culturas em que, devido às circunstâncias, as pessoas nem sabem ou cogitam o que seja o vegetarianismo, até por fortes fatores culturais e educacionais.
“Não culpo essas pessoas fortemente. [Mas] nós, na América do Norte, temos a informação e a história cultural para agir de maneira diferente, especialmente considerando que a maioria da ‘nossa carne’ é produzida em revoltantes fazendas industriais. Com isso em mente, carne de animais criados livres [também] não é um substituto justificável”, argumentou e acrescentou que sua reprovação se estende a todos os países onde o consumo de produtos de origem animal foi naturalizado pela indústria.
Sendo assim, as pessoas compram carne diretamente de açougues e mercados, financiando não apenas a morte e o sofrimento animal, mas também a ganância daqueles que veem os animais apenas como um meio de obter lucro. Contudo, Todd Kowalski explicou que se tivesse nascido em Dinka, no Sudão, ou em algum lugar onde comer carne fosse a espinha dorsal de sua vida, provavelmente ele não teria chegado a se tornar vegetariano.
“Porém, se eu mudasse para o Canadá ou Estados Unidos, eu poderia ter me revoltado com isso e me tornado vegetariano. Claro que a sociedade dita como será sua vida e suas escolhas. No entanto, branco ou aborígine, comprando ‘sua carne’ das fazendas industriais é completamente injusto e decididamente contra a natureza e, ao meu entender, contra a cultura aborígine. Não é sustentável, lógico, necessário, justo ou espiritual”, criticou o baixista do Propagandhi em entrevista à revista T.O.F.U..
Formação
Chris Hannah – Vocal e guitarra
Todd Kowalski – Baixo e vocal
Jord Samolesky – Bateria e vocal
David Guillas – Guitarra e vocal
Saiba Mais
O Propagandhi é colaborador de organizações que atuam em defesa dos direitos animais, como Peta e Sea Sheperd, além de outras.
Entre os anos de 1993 e 2012, o Propagandhi lançou os álbuns “How to Clean everything”, “Less Talk, More Rock”, “Today’s Empires, Tomorrow’s Ashes”, “Potemkin City Limits”, “Supporting Castle” e “Failed States”.
Referências
https://noisey.vice.com/en_us/article/propagandhi-winnipeg-interview-2015
http://vegnews.com/articles/page.do?pageId=381&catId=5
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O cardiologista de 102 anos que se tornou vegano há 52 anos
“Quando eu estava praticando a medicina, eu dizia aos pacientes que a dieta baseada em vegetais é o caminho mais saudável”
Aos 102 anos, o cardiologista Ellsworth Wareham dorme de oito a nove horas por noite, acorda às cinco da manhã e inicia o dia comendo cereais integrais com leite de amêndoas. Mais tarde, faz exercícios, cuida do jardim e passa o resto do dia com a família.
Essa tem sido a rotina do médico que se aposentou aos 95 anos. E como ele ainda consegue ser tão ativo e saudável? “Não consumo nada de origem animal” – é a resposta de Ellsworth Wareham que mora em uma pequena cidade onde as pessoas vivem mais do que a maioria da população ocidental.
Em Loma Linda, na Califórnia, não é difícil encontrar vegetarianos, inclusive, o maior mercado da cidade não comercializa nenhum tipo de carne. Além disso, também baniram o fumo, e o índice de comercialização e consumo anual de álcool está entre os mais baixos dos Estados Unidos.
É nesse cenário com uma população predominantemente adventista que podemos encontrar o vegano centenário Wareham, que vive em uma casa de dois andares, onde não demonstra nenhuma dificuldade em subir a escada. Também é o médico aposentado que cuida do próprio jardim, um exercício que o permite se sentir mais próximo da natureza.
Com boa saúde e clareza mental exemplar, ele credita todos esses benefícios a uma decisão que tomou há quase 53 anos – banir todos os alimentos de origem animal da sua alimentação. À época, Ellsworth Wareham teve contato com uma pesquisa científica realizada pela Cleveland Clinic, revelando como o consumo de proteínas de origem animal elevam o colesterol e ajudam a aumentar o risco de se contrair doenças cardíacas. A solução segundo a pesquisa, seria a adoção de uma dieta vegetariana estrita e com baixo teor de gordura.
“Quando eu estava praticando a medicina, eu dizia aos pacientes que a dieta baseada em vegetais é o caminho mais saudável. Sugeri manterem-se afastados de produtos de origem animal o tanto quanto possível. Você pode falar sobre exercícios de relaxamento, atitude mental positiva e as pessoas vão aceitar. Mas se você falar sobre o que estão comendo, elas se mostram muito sensíveis sobre isso. Se um indivíduo estiver disposto a ouvir, tentarei explicar com base científica o que acho melhor para ele”, declara.
O nível de colesterol de Wareham há muito tempo se estabilizou em 117, o que significa que ele está muito bem. “Não me preocuparia nem em fazer um eletrocardiograma se eu tivesse uma dor no peito. Se o seu colesterol for inferior a 150, sua chance de sofrer um ataque cardíaco é muito baixa”, afirma.
Por outro lado, a sua realidade não é tão comum quanto deveria. Segundo o médico, um terço da população dos Estados Unidos vai morrer em decorrência de doença coronariana, e tendo como agravante o consumo excessivo de alimentos de origem animal. “Se você puder evitar isso, vale a pena”, sugere com a experiência de quem trabalhou no Loma Linda University Medical Center, considerado um dos melhores hospitais de tratamento de doenças cardíacas dos EUA.
Saiba Mais
Nascido em 3 de outubro de 1914, o médico Ellsworth Wareham, que também é ex-veterano de guerra, realizou uma das primeiras cirurgias de coração aberto dos Estados Unidos.
Ele orientou residentes da Universidade Loma Linda até os 95 anos.
Referências
http://www.collective-evolution.com/2015/05/04/100-year-old-vegan-heart-surgeon-retired-at-95-heres-why-hes-been-a-vegan-for-50-years/
http://www.foxnews.com/health/2014/12/16/100-year-old-surgeon-wwii-vet-who-retired-at-age-5-shares-secrets-to-longevity.html
This 100-year-old Retired Surgeon Says ‘Vegan Diet’ is Key to Longevity
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