David Arioch – Jornalismo Cultural

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Doações transformam residência de casal na Vila Alta

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Antes e depois na casa do Seu Juvenal e da Dona Neide (Fotos: David Arioch)

Hoje de manhã, fui até a casa do Seu Juvenal e da Dona Neide, o casal de idosos da Vila Alta, na periferia de Paranavaí, que vivia em uma residência com telhado deteriorado e sem forro, por onde a água entrava sempre que chovia, molhando inclusive móveis e outros pertences.

Depois de receber doações de medicamentos, cestas básicas e um telhado novo, dentre outras contribuições, esta semana foi concluída a última etapa – a instalação do forro. Mais uma vez e com humildade singular, Seu Juvenal e Dona Neide demonstraram muita gratidão.

“Nem parece mais a nossa antiga casa. Ficou muito diferente. Até hoje a gente se emociona quando lembra como as pessoas se uniram para nos ajudar. É um grande presente. E alguns continuam nos visitando. Ontem choveu e pela primeira vez a gente nem escutou o barulho da chuva que caiu sobre o telhado. Antes dava muito medo”, declararam.

Aproveito também para agradecer a equipe da J & M Decorações que fez a instalação do forro e foi muito colaborativa em todo o processo, inclusive reorganizou o quarto do Seu Juvenal e da Dona Neide. Ou seja, os funcionários foram além da função deles. “Uma equipe maravilhosa!”, enfatizaram.

Criança com doença rara precisa de ajuda no Conjunto Geraldo Felippe

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“O problema é que a área não tem piso e ele se machuca com facilidade, chegando a se cortar”

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Gustavo tem quatro anos e sofre de mucopolissacaridose (Foto: David Arioch)

Gustavo é um garotinho de quatro anos que mora no Conjunto Habitacional Geraldo Felippe, na saída de Paranavaí para Tamboara. Quando ele tinha dois anos, os pais Ana Paula Marques e Reginaldo Felix descobriram que ele sofre de mucopolissacaridose, uma rara doença provocada por disfunções metabólicas que causam o mau funcionamento de enzimas responsáveis por importantes reações químicas do corpo humano.

Como consequência da doença, Gustavo tem as pernas atrofiadas e não consegue andar. Também sofre com problemas no fígado, baço e coração. “O cérebro dele também é atrofiado. Toda semana o levo a Curitiba, onde ele recebe enzimas que o organismo dele não produz”, explica a mãe Ana Paula que se dedica ao filho em tempo integral por causa de suas necessidades especiais. Como o atendimento é realizado sempre na quarta-feira, eles saem de Paranavaí na terça-feira à noite.

Como a casa não tem piso na entrada, o garotinho já se machucou brincando (Foto: David Arioch)

Como a casa não tem piso na entrada, o garotinho já se machucou brincando (Foto: David Arioch)

As viagens entraram para a rotina da família há um ano e três meses, quando Gustavo iniciou o tratamento. “Ele está com um cateter há dois meses. É através dele que meu filho recebe as enzimas. Às vezes ele fica nervoso porque não gosta de ficar longe de casa”, relata a mãe.

Apesar das muitas limitações, a maior alegria de Gustavo é se arrastar e brincar ao lado da casa, de onde ele gosta de observar a rua e a movimentação de pessoas e animais. “O problema é que a área não tem piso e ele se machuca com facilidade, chegando a se cortar”, explica Ana Paula, acrescentando que o garotinho tem a pele dos pés muito fina.

Por isso Ana Paula pede ajuda para custear a compra de 34 metros de piso emborrachado ou outro tipo de piso antiderrapante, cinco sacos de cimento, oito sacos de argamassa e meio metro de areia média. Quem quiser contribuir pode ligar para (44) 9909-2513.

Serviço

Gustavo mora na casa 28 da quadra 6 do Conjunto Habitacional Geraldo Felippe. A residência é a décima a partir da entrada e fica ao lado de um ponto comercial.

Casal de idosos recebe uma grande ajuda na Vila Alta

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Esse tipo de sensibilidade é cativante e faz todo e qualquer esforço valer a pena

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Dona Neide e Seu Juvenal com algumas das doações (Foto: David Arioch)

Hoje passei algumas horas na Vila Alta, na periferia de Paranavaí, e visitei o Seu Juvenal e a Dona Neide, o casal que se tornou tema de uma matéria minha porque precisavam de ajuda para a substituição de um precário telhado. Devo dizer que o resultado tem sido muito melhor do que eu esperava.

Além de conseguirmos todas as telhas graças à doação do senhor Carlos Gomes, uma excelente pessoa que ainda se ofereceu para custear as despesas com mão de obra, recebemos contribuições muito boas em dinheiro da dona Sueli Takahashi, do Ministério do Trabalho, uma senhora extremamente atenciosa e carinhosa; e também do meu amigo Sobhi Abdallah, um grande parceiro de longa data – e sem dúvida uma das melhores pessoas que já conheci em Paranavaí.

Outra pessoa que ajudou muito e por quem tenho grande estima é o Gugu Ditzel, da Vida Farma, que foi até a casa do Seu Juvenal e da Dona Neide entregar medicamentos e deixar claro que eles nunca mais vão precisar comprar remédio. Gugu também levou cesta básica, pagou as faturas de energia elétrica e água do casal e se dispôs a continuar pagando.

Agora a meta é comprar o forro e tenho certeza que nos próximos dias essa parte também vai ser concluída. Outras pessoas têm me ligado para contribuir e acredito que boas novas cheguem até a semana que vem. Também destaco o interesse do meu amigo Felipe Figueira que sensibilizado tem acompanhado a situação do casal e já deixou claro que sua doação está garantida na aquisição do forro.

Sei que todos que ajudaram não fazem questão nenhuma de aparecer, mas acho importante e justo citá-los porque não é fácil encontrar pessoas dispostas a ajudar hoje em dia. Esse tipo de sensibilidade é cativante e faz todo e qualquer esforço valer a pena. Outro presente foi ver a expressão de felicidade no rosto do Seu Juvenal e da Dona Neide, pessoas humildes e batalhadoras que não merecem passar por tantas dificuldades numa fase da vida em que deveriam estar descansando confortavelmente.

Dona Neide me confidenciou que mal tem conseguido dormir. “Nunca esperava que um dia a gente fosse receber tanta ajuda assim de repente”, comentou emocionada. Só tenho a agradecer a todos esses ótimos seres humanos que conheço e aqueles que conheci através desse episódio. Se não fosse por essas pessoas, meu trabalho não valeria a pena, seria isento de valor, e talvez não existisse.

Conheça a história do casal

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Casal de idosos precisa de ajuda para comprar um novo telhado

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Há aberturas por onde a chuva invade molhando quase todos os cômodos da casa

Casal não tem condições financeiras para resolver o problema (Foto: David Arioch)

Casal não tem condições financeiras para resolver o problema (Foto: David Arioch)

No sábado passei uma parte da tarde conversando com o aposentado Juvenal Ferreira e sua esposa Dona Neide, moradores da Vila Alta, em Paranavaí. O conheço já tem alguns anos, desde que ele aceitou participar de dois dos meus documentários sobre a realidade da periferia.

Mais uma vez fui muito bem recebido. Seu Juvenal que sofre de uma infecção cutânea grave chamada erisipela fez questão que eu registrasse que ele não tem queixas a fazer sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e Programa Saúde da Família (PSF). Confidenciou que duas vezes por semana recebe visitas de três gentis enfermeiras, além do atendimento humanizado de uma médica.

Seu Juvenal sofre em decorrência de uma grave infecção cutânea (Foto: David Arioch)

Seu Juvenal sofre em decorrência de uma grave infecção cutânea (Foto: David Arioch)

“Se não fosse por elas talvez eu já tivesse perdido pelo menos uma perna. Não tenho do que reclamar do serviço público de saúde. Teve até uma época que me visitavam todos os dias”, comenta Seu Juvenal que não consegue mais andar porque seus pés e pernas incharam demais desde que contraiu a doença há alguns anos.

Ainda assim ele se esforça para fazer “bicos” na pequena oficina contígua à residência, onde conserta panelas e outros utensílios domésticos, trabalho que desempenha em parceria com a esposa também aposentada. Vivendo com salário mínimo, os dois têm enfrentado muitas dificuldades porque as despesas aumentam a cada dia. “Só uma das pomadas que preciso comprar pra passar nas pernas dele está custando de R$ 20 a R$ 30. E depois de três passadas o tubo já acaba”, garante Dona Neide.

Sem dinheiro, o casal está enfrentando mais um problema. A casinha onde vivem na Rua das Ameixas, construída em 2011, está com o telhado comprometido e, além dos buracos, há aberturas por onde a chuva invade molhando quase todos os cômodos da residência.

“Se conseguíssemos mil reais já seria de grande ajuda pra comprar um telhado novo”, garante Dona Neide. No entanto para a substituição integral são necessários quase R$ 2 mil. Outro problema que percebi é que não existe forro em nenhum dos cômodos da casa. Quem quiser ajudar o casal pode ligar para (44) 9909-2513.

Jovem precisa de ajuda para publicar livro de fantasia épica

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Há guerreiros, magos, bruxos, dragões e outras criaturas místicas em “A Cruzada dos Cegos”

Grégori Gabriel quer provar que brasileiros também têm potencial para disputar o mercado literário de obras de fantasia épica (Foto: Arquivo Pessoal)

Grégori Gabriel quer provar que brasileiros também têm potencial para produzir boas obras de fantasia épica (Foto: Arquivo Pessoal)

De Paranavaí, no Noroeste do Paraná, o jovem Grégori Gabriel, de 21 anos, recentemente terminou de escrever o livro “A Cruzada dos Cegos”, da saga “Dragonium”, uma história de fantasia épica inspirada na mitologia nórdica e que soma 55 capítulos na sua obra de estreia.

“Há guerreiros, magos, bruxos, dragões e outras criaturas místicas no livro que tem a mecânica dos jogos de RPG. Ele pode ser definido como uma fusão de ‘O Senhor dos Anéis’ [do escritor britânico J.R.R. Tolkien] com ‘Game of Thrones’ [do estadunidense George R.R. Martin]”, explica Grégori que indica o livro principalmente para quem gosta de aventura, ação, suspense e mistério.

De acordo com o autor, quem lê “A Cruzada dos Cegos” percebe que se trata de uma obra em continuidade. “Estou apenas começando. A minha intenção é publicar sete volumes. Enviei o primeiro para algumas editoras e duas o aprovaram e elogiaram. Porém, existe um valor a ser pago pela publicação. Ou seja, preciso de R$ 6.215 para realizar esse sonho. O dinheiro vai ser usado para custear revisão e ilustração, entre outras coisas”, informa.

Capa improvisada por Grégori, mas que deve ser reformulada antes do lançamento (Foto: Divulgação)

Capa improvisada por Grégori, mas que deve ser reformulada antes do lançamento (Foto: Divulgação)

Como Grégori Gabriel não possui o valor cobrado pela editora, ele decidiu criar uma campanha no site de financiamento coletivo Catarse. E agora o jovem tem até o dia 13 de junho para angariar os recursos necessários para a realização do seu sonho. “Por isso decidi pedir ajuda. É o único jeito. Toda e qualquer contribuição é muito bem-vinda, até mesmo na divulgação da campanha, caso a pessoa não tenha condições de fazer uma doação a partir de R$ 35”, justifica. Em contrapartida, Grégori se compromete a recompensar os patrocinadores com exemplares autografados e marcadores de páginas.

Com o lançamento do livro, Gabriel tem esperança de provar que os autores brasileiros também têm potencial para produzir boas obras de fantasia épica. “Um baixo rugido saiu de sua boca, alertando que ele não tinha boas intenções. Ouviu-se então o barulho de algo pousando no chão e de asas batendo. Olharam para os lados e notaram que estavam cercados por cinco dragões nativos que formavam o perímetro de um triângulo”, escreveu Grégori Gabriel em “A Cruzada dos Cegos”.

Para ajudar o autor de “A Cruzada dos Cegos”, acesse o link: https://www.catarse.me/dragonium_a_cruzada_dos_cegos

O triste fim de quem não quer ser ajudado

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Apesar de tudo, quem ajuda por solidariedade ou empatia não espera nada em troca

Na última terça-feira, dia 26 de janeiro de 2015, fiquei sabendo de um fato que me deixou chocado. No ano passado, eu e mais alguns amigos nos mobilizamos para ajudar um casal que estava passando por uma situação extremamente crítica – aparentemente de miséria, já que viviam em um barraco. Com o tempo, estreitamos o contato com eles e descobrimos que eles não foram tão sinceros conosco. Ainda assim ajudamos do mesmo jeito. Afinal, o que custa fazer o bem a alguém?

Quem ajuda por solidariedade ou empatia não espera nada em troca. Porém, ficamos sabendo mais tarde que essas pessoas, mesmo depois de receber até mais do que tínhamos prometido, começaram a espalhar boatos sobre o nosso trabalho. Supostamente dando a entender que tínhamos arrecadado muito dinheiro e não repassamos a eles, o que por sinal, não fazia o menor sentido, já que investimos até tempo e dinheiro do nosso próprio bolso. Afinal, iríamos roubar nos mesmos? Mas até aí tudo bem.

Os dois eram alcoólatras e se recusavam a mudar de vida, apesar dos nossos conselhos. Inclusive nos recebiam em sua casa embriagados. Na realidade, em algumas situações chegavam a rir e quase cair diante de nossos pés. Um dia, liguei para eles e foram surpreendentemente agressivos. Então amenizei a situação dizendo que ajudaríamos mais um pouco, mas não iríamos mais visitá-los, já que eles poderiam seguir em frente tranquilamente.

Na última conversa, a mulher chegou a fazer algumas acusações, dizendo que eu tinha conseguido o que queria. Eu, como jornalista, não recebo e nunca recebi nada por registrar a realidade da periferia. É um trabalho que faço porque gosto, me interesso, me identifico com tudo isso e acho que vale a pena ser partilhado com outras pessoas e divulgado. Na realidade, se vocês entrevistarem jornalistas, acredito que pelo menos uma boa parte vai dizer que os trabalhos mais gratificantes foram aqueles que menos lhe trouxeram retorno financeiro.

Bom, mas continuando. Fui acusado pela mulher de ter me dado bem ao contar a história deles – só não entendi como isso seria possível. Respondi tranquilamente que ela estava equivocada e tentei me justificar. Mas sua malícia desconsiderou todos os meus argumentos. Fui insultado pela mulher, só que ainda a ajudei mais uma vez. E aquele foi nosso último contato. Nunca mais tive notícias deles.

Então ontem fiquei abismado e até triste ao saber que ela faleceu há 15 dias em decorrência de cirrose hepática. A mulher tinha cerca de 40 anos. E o seu marido teve outro AVC e agora está quase em estado vegetativo. Para cuidar dele, não restou ninguém. Sobrou apenas as visitas esporádicas de filhos e enteados viciados em crack que normalmente os visitavam para buscar dinheiro e alimentos. Os amigos de boteco também desapareceram.

Written by David Arioch

January 28th, 2016 at 9:44 am

Haitianos pedem ajuda

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Sem dúvida, haitianos são confiáveis, honestos e trabalhadores

Haitianos são confiáveis, honestos e trabalhadores

Ultimamente tenho encontrado nos maiores mercados de Paranavaí, no Noroeste do Paraná, alguns haitianos pedindo o mesmo favor. Eles se oferecem para pagar sua compra com os cartões deles e em troca pedem que você entregue a eles a quantia equivalente em dinheiro.

Se você for pagar a compra em dinheiro ou com cartão (mas tiver dinheiro), peço que não hesite em ajudá-los. Eles fazem isso porque precisam arcar com despesas que só podem ser pagas em dinheiro – e muitas vezes a cobrança surge antes do dia do pagamento. Podem confiar, são pessoas honestas e trabalhadoras.

Written by David Arioch

January 10th, 2016 at 2:01 pm

Uma atitude que pode fazer a diferença na vida de alguém

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Tenho certeza que a pessoa vai reconhecer esse seu gesto de boa vontade (Foto: Reprodução)

Tenho certeza que a pessoa vai reconhecer esse seu gesto de boa vontade (Foto: Reprodução)

Ontem, minha mãe foi ao Super Muffato, de Paranavaí, no Noroeste do Paraná, e testemunhou uma situação que tenho certeza que todo mundo já presenciou – o que muda são apenas os personagens.

Uma senhorinha de aproximadamente 60 anos foi comprar alguns alimentos com três netinhas. Na hora de passar no caixa, ela não tinha dinheiro para pagar pelos pacotinhos de suco (e dos mais baratos) que as crianças pegaram. Constrangida, ela acabou devolvendo os produtos.

Com base nesse exemplo, que tal se sempre que encontrássemos alguém nessa situação nos oferecêssemos para pagar pelos produtos? Quem passa por esse tipo de situação normalmente precisa de pouco dinheiro para não deixar nada para trás. E se você não puder arcar com todo o restante, pode se oferecer para pagar por pelo menos um dos produtos. Tenho certeza que a pessoa vai reconhecer esse seu gesto de boa vontade.

Written by David Arioch

January 6th, 2016 at 10:09 pm

Casal tenta sobreviver com R$ 280 por mês

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Ivan e Rose moram em um dos poucos barracos que ainda restam na Vila Alta

A entrada do casebre é coberta por materiais recicláveis (Foto: David Arioch

A entrada do casebre é coberta por materiais recicláveis (Foto: David Arioch)

Nos anos 1970 e 1980, quem visitava a Vila do Sossego, atual Vila Alta, em Paranavaí, no Noroeste do Paraná, se surpreendia com a quantidade de barracos de lona. Cada um, em média, abrigava quatro pessoas. Quando chovia, o desespero tomava conta. Todos tinham de passar a noite acordados e apoiados nas extremidades do barraco para evitar que ficassem descampados.

Com o tempo, o cenário mudou, e hoje o bairro tem poucas pessoas vivendo em situação de pobreza extrema, embora muitos ainda não ganhem o suficiente para viver com dignidade. “Antes a gente reclamava porque não tinha onde morar. Agora cada um pelo menos tem a sua casinha, mesmo que não seja boa”, diz a dona de casa Cristiane Santos França.

Circulando pelo bairro e conversando com os moradores, logo você é informado que muitas moradias só existem porque a comunidade se uniu para construí-las. Ainda assim, é um privilégio que não chegou a todos que vivem no bairro. O casal de catadores de recicláveis Rose Maria Santos e Ivan Cardoso Martins representa bem essa realidade.

Rose Santos: “É difícil porque a casa molha, né? E molha tudo” (Foto: David Arioch)

Rose Santos: “É difícil porque a casa molha, né? E molha tudo” (Foto: David Arioch)

Quem chega em frente ao terreno onde eles moram, nem imagina que ali existe uma “casa” de dois cômodos, com um banheiro improvisado no quintal. A entrada é coberta por materiais recicláveis, o único meio de subsistência de Rose e Ivan que dividem o espaço com cães e gatos, animais que recebem o mesmo tratamento de um filho.

Para entrar no casebre feito à base de materiais descartados na rua, preciso me abaixar para não bater a cabeça no batente fora de medida. O ambiente é escuro e pouco arejado. A luz entra somente por uma pequena janela que dependendo do horário do dia pode ser confundida com uma fresta. No interior do barraco, Rose sorri com timidez e me convida para sentar em uma poltrona bastante judiada, retirada próxima de uma sarjeta.

Nos cumprimentamos e ela me conta que é muito difícil viver nessa situação. Em uma olhadela, percebo que ali não existe nada que algum dia tenham comprado em uma loja. Está tudo muito desgastado. “É difícil porque a casa molha, né? E molha tudo. A gente não tem condições de fazer outra. Molha cozinha, quarto, pinga por tudo”, confidencia Rose visivelmente gripada e enxugando o rosto com um pedaço de pano.

Ivan Martins: “Quando a crise vem, parece que vou morrer. E pode ser que da próxima vez aconteça mesmo” (Foto: David Arioch)

Ivan Martins: “Quando a crise vem, parece que vou morrer. E pode ser que da próxima vez aconteça mesmo” (Foto: David Arioch)

Os móveis, que jamais seriam aproveitados por uma família de classe média, sofrem com a ação da chuva, se deteriorando rapidamente. Quando chove demais, a água arrasta a lama para dentro do casebre. A história se repete há 15 anos, desde que Rose e Ivan fizeram o barraco. “Tudo aqui foi feito por conta própria, juntando aos poucos”, enfatiza a catadora de recicláveis. Enquanto conversamos, escuto um gemido no quarto, cômodo que fica ao lado da sala-cozinha.

Lá, em meio a roupas velhas e objetos antigos, repousa o “Seu Ivan”, como é mais conhecido. Vítima de mal de Parkinson, passa por crises tão severas que há dias em que não consegue andar. Se obriga sempre a se apoiar em algo para evitar a queda, seja uma muleta, um andador ou o próprio carrinho de recicláveis.

Quando percebe a minha presença, Ivan se levanta de um colchão velho, sem roupa de cama, e com muito esforço consegue chegar até nós. Me cumprimenta, sorri e senta ao lado da mulher. Inicia a conversa informando que só não chove em cima do colchão porque conseguiram cobrir parte do casebre com um pedaço de lona doada. “Aí tem cada buracão de pedra que caiu. O madeiramento tá tudo budocando [embodocando]”, afirma.

Os itens no interior do barraco foram encontrados nas ruas de Paranavaí (Foto: David Arioch)

Os itens no interior do barraco foram encontrados nas ruas de Paranavaí (Foto: David Arioch)

“De vez em quando me dá uma tremedeira que nada segura. Não consigo manter nem o copo na mão”, declara com um olhar miúdo e um tom de voz calmo e pausado. Para minimizar o problema, o medicamento não pode faltar. Cardoso também sofre de hipertensão e tem enfisema pulmonar.

Com 61 anos, o homem foi castigado pelas precárias condições de vida. Quem o vê de perto, pensa que é bem mais velho. Mesmo doente, Ivan, assim como Rose, não pode parar de trabalhar. Juntos, eles saem todos os dias pouco antes das 8h e retornam só depois das 20h. São mais de 12 horas diárias de trabalho para lucrar 70 reais por semana, ou seja, 280 reais por mês.

“É o que a gente consegue quando não perde nenhum dia. Agora se ele ficar muito ruim, o ganho é menor”, garante Rose Santos. Entre uma tosse e outra, lembra que o marido sofreu dois infartos nos últimos oito anos. Nas ruas, nem todos respeitam o trabalho dos catadores de materiais recicláveis. Enquanto alguns contribuem, inclusive separando o material para o casal transportar, outros exigem que para recolhê-los é preciso levar também o lixo.

Seu Ivan se emociona quando se recorda da época em que carregava mais de 100 quilos no carrinho (Foto: David Arioch)

Seu Ivan se emociona quando se recorda da época em que carregava mais de 100 quilos no carrinho (Foto: David Arioch)

“Pegamos papelão, plástico, latinha, mas latinha rende pouco, né? Ferro também. O preço é de 10 centavos por quilo. Então tem que conseguir pelo menos 100 pra ganhar um dinheirinho”, explica Rose. Seu Ivan se emociona quando se recorda da época em que carregava mais de 100 quilos no carrinho. “Agora se você me chamar pra ir até o portão pegar dez quilos, não aguento porque não consigo levantar esse peso. Se colocar na cabeça, caio para o outro lado”, lamenta sem esconder a tristeza e o constrangimento. Com olhos marejados, revela que toma banho sentado ou com a ajuda de Rose.

Ivan Cardoso Martins trabalha desde a infância e até hoje não conseguiu se aposentar, seja por tempo de serviço ou pelas limitações impostas pela doença. Sem dia certo para aparecer, as crises podem acontecer com intervalo de dois dias ou até uma semana. “Quando vem, parece que vou morrer. E pode ser que da próxima vez aconteça mesmo”, comenta.

Ivan e Rose, que são facilmente vistos circulando pelas ruas centrais de Paranavaí, sonham em comprar materiais para construir dois ou três cômodos em frente ao barraco. “Se alguém pudesse ajudar, a gente ficaria muito feliz”, admite Ivan em declaração partilhada por Rose. Sem saneamento básico e energia elétrica, o casal parece alheio à realidade dos vizinhos e principalmente dos moradores do bairro ao lado, a Vila Operária.

O catador de recicláveis sofre de mal de Parkinson, enfisema pulmonar e hipertensão (Foto: David Arioch)

O catador de recicláveis também sofre de enfisema pulmonar e hipertensão (Foto: David Arioch)

Assim que agradeço a cordialidade e me despeço, Seu Ivan faz questão de me acompanhar até a entrada, se apoiando com muito esforço em um andador feito e doado pelo artista plástico Luiz Carlos Prates Lima. Apesar da vida de penúria e da invisibilidade social, o homem ainda preserva a sua fé e se despede com um gesto verbal de benevolência: “Muito obrigado pela visita. Vá com Deus, meu filho.”

Contribuição

Quem quiser contribuir com o casal, pode ligar para a Fundação Cultural de Paranavaí: (44) 3902-1128 ou (44) 9865-1391 e falar com Luiz Carlos.

Um atleta motivado por um sonho

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Leonardo Fellipe Mariani sonha em se tornar campeão mundial de powerlifting

Luiz Fellipe: "Comecei a treinar pra valer em outubro de 2012"

“Comecei a treinar pra valer em outubro de 2012”

Em um certo dia de 2010, Leonardo Fellipe Mariani, de Siderópolis, Santa Catarina, estava em casa assistindo alguns vídeos de campeonatos de powerlifting no YouTube. Ficou tão impressionado com a força, técnica e vigor físico dos competidores que decidiu se tornar um atleta da modalidade. Sem saber exatamente como proceder, Mariani buscou informações na internet e procurou pessoas envolvidas com o esporte para instruí-lo.

“Foi amor à primeira vista, mas infelizmente esbarrei nas limitações da minha antiga academia. Por causa disso, comecei a treinar pra valer em outubro de 2012. Só que desde então não parei mais e tenho dado tudo de mim”, afirma. O que levou o catarinense de 25 anos a procurar vídeos de powerlifting na internet foi o apreço pela musculação, atividade que pratica desde 2009, quando se matriculou em uma academia com o objetivo de perder peso.

Mariani: “Os meus exercícios preferidos são o agachamento livre e o levantamento terra”

“Os meus exercícios preferidos são o agachamento livre e o levantamento terra”

Atualmente o atleta treina cinco vezes por semana e cada treino tem duração de duas horas. “Os meus exercícios preferidos são o agachamento livre e o levantamento terra”, conta. Incluído o supino, os três formam a base que consagrou o esporte. Embora motivado por uma paixão, hoje, Mariani vive o dilema de não ter patrocínio, o que dificulta a participação nos principais campeonatos.

“Preciso de apoio financeiro para competir no Campeonato Catarinense que será realizado em Blumenau [Santa Catarina] no dia 23 de março. Quem puder ajudar, me comprometo a divulgar a marca patrocinadora através de sites, fotos, vídeos e entrevistas”, declara. As dificuldades de Leonardo Fellipe refletem também o preconceito contra o esporte no Brasil, uma consequência do desinteresse da iniciativa pública e privada.

“Preciso de apoio financeiro para competir no Catarinense que será realizado em Blumenau no dia 23 de março"

“Preciso de apoio financeiro para competir no Catarinense que será realizado em Blumenau no dia 23 de março”

Tudo isso somado ao descaso da imprensa ofusca o brilho de um esporte que requer muita força de vontade, dedicação e disciplina. A situação preocupa porque inviabiliza uma maior aceitação do powerlifting em território nacional, modalidade já tradicional e que na versão moderna começou a se popularizar nos EUA e Reino Unido nos anos 1950.

O amor pelo levantamento de peso há muito tempo constrói irmandades por todo o Brasil. Mariani é um exemplo de atleta que fez muitas amizades por meio do powerlifting. A interação social é inevitável, inclusive estimulada, já que o apoio em cada competição assegura ao atleta uma dose a mais de motivação para vencer. “Espero um dia ter a chance de abrir um centro de treinamento para crianças e adolescentes carentes”, revela.

“Espero um dia ter a chance de abrir um centro de treinamento para crianças e adolescentes carentes”

“Espero um dia ter a chance de abrir um centro de treinamento para crianças e adolescentes carentes”

Sem investimentos e com recursos limitados, muitos powerlifters convocados para representar o Brasil no exterior são obrigados a recorrer ao crowdfunding (financiamento coletivo), uma alternativa que nem sempre tem um final feliz. Já houve inúmeros casos de esportistas que desistiram da competição porque receberam um número pífio de doações. Embora alguns tenham uma legião de seguidores, isso não garante sólidas contribuições. “É um esporte caro. É preciso investir muito em dieta, viagens e hospedagens. Um atleta não gasta menos de R$ 1,7 mil”, comenta Leonardo Fellipe que compete na categoria até 125kg e tem como principal inspiração o gigante russo Andrey Malanichev.

Além de evoluir como atleta de alta performance, Mariani quer construir um corpo mais forte e definido. E claro, sonha em se tornar um campeão mundial de powerlifting. O anseio de chegar ao topo já garantiu importantes premiações. “Espero me tornar uma das promessas do powerlifting brasileiro. Estou lutando para chegar lá”, avisa.

Títulos

Campeão da 1° Copa Rafa Crestani de Powerlifting, da World Association of Benchers and Deadlifters (WABDL), em Veranópolis (RS) em 2012.

Segundo lugar no Campeonato Brasileiro de Levantamento Terra, da International Powerlifting Federation (IPF), em São Paulo (SP) em 2012.

Campeão do 11º Campeonato Catarinense de Powerlifting, da International Powerlifting Federation (IPF), em São Bento do Sul (SC) em 2013.

Terceiro lugar no Campeonato Brasileiro de Powerlifting, da World Powerlifting Congress (WPC), em São Paulo (SP) em 2013.

Segundo lugar no Campeonato Brasileiro de Powerlifting, da International Powerlifting League (IPL), em São Paulo (SP) em 2013.

Serviço

Para entrar em contato com Leonardo Fellipe Mariani, basta ligar para (48) 9925-5200 ou enviar um e-mail para leonardofellipemariani@hotmail.com.