David Arioch – Jornalismo Cultural

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Algumas verdades sobre o óleo de peixe e a indústria do ômega-3

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Segundo especialistas, suplementação de ômega-3 a partir do óleo de peixe não faz a menor diferença para a saúde

Muitas dessas dietas de modinha se tornam uma indústria. Há muito dinheiro a se ganhar fazendo produtos que atendam a essas dietas. Estou convencida de que é o caso do ômega-3. Bem, é o seguinte: há dois ácidos graxos essenciais – ômega-3 e ômega-6. Todo o resto, seu corpo sintetiza. Os meios essenciais devem vir da comida. Então encontramos ácidos graxos ômega-3 em peixes, nozes, sementes de linhaça alguns tipos de soja; e encontramos ácidos graxos ômega-6 em animais da terra, frango, porco, carne vermelha e em óleos vegetais poli-insaturados.

Você pode ver qual é o nosso problema. Comemos muitos ácidos graxos ômega-6. Na verdade, a proporção de ácidos graxos ômega-3 e 6 eram entre um para um e um para quatro. Sabe qual é hoje? Entre 1 para 25 e 1 para 30. Isso levou as pessoas a dizerem: “Minha nossa! Isso está muito errado! O ômega-6 está aqui em cima e o ômega-3 lá embaixo. Talvez devêssemos tomar cápsulas de ômega-3 de óleo de peixe e encorajar o consumo de peixe. Assim voltaremos àquela proporção a que estávamos acostumados enquanto população. Bem, não há provas de que isso funcione. Neste trecho em específico se fala do ômega-3 proveniente do óleo de peixe, mas no geral se defende diminuir a ingestão do ômega-6 em vez de suplementar ômega-3. É porque pelo menos nos Estados Unidos o ômega-3 se tornou praticamente sinônimo de óleo de peixe. Na verdade, em qualquer lugar, pouco se fala de ômega-3 de outra origem.

Na verdade, uma grande metanálise que verificou 89 estudos mostrou que não faz a menor diferença para a saúde. Mas, além disso, não seria melhor reduzir a quantidade de ômega-6 da dieta? Pare de comer todos esses animais e pare de consumir tanto óleo que a proporção voltará ao normal. Não vamos complementar com ômega-3. Vamos abaixar o ômega-6 e terminaremos onde precisamos estar. Não há dinheiro envolvido na redução do consumo de ômega-6. Mas há muito dinheiro nas vendas de cápsulas de ômega-3 para as pessoas, e para fazê-las comerem peixe.

Temos boas evidências agora de que quanto maior o consumo de ômega-3, maior o risco de diabetes do tipo 2. Há provas de que o índice de câncer aumenta também [além disso, há o fato de muitas espécies de peixe estarem contaminadas com mercúrio]. O ômega-3 faz exatamente o oposto do que as pessoas acham.

Antes havia dados sugerindo que poderia ser benéfico, mas agora a preponderância de provas é de que óleo de peixe é inútil. Há uma indústria bilionária que basicamente vende às pessoas óleo de peixe e lucra com isso.

Pamela Popper, doutora em nutrição e fundadora do Fórum Wellness.

T. Colin Campbell, bioquímico e doutor em nutrição que estudou as implicações do consumo de alimentos de origem animal por 20 anos. Em 2005, o seu trabalho foi transformado no livro “The China Study”.

Michael Greger, médico especialista em nutrição e fundador da NutritionFacts.org

Excertos de depoimentos do documentário “Food Choices”, de Michal Siewierski.

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“A ideia de que somos caçadores-coletores é verdadeira, somos caçadores-coletores, mas a maior parte do tempo sempre fomos coletores”

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McDougall: “Todas as grandes e bem-sucedidas populações da história da humanidade recebiam sua grande massa calórica do amido”

Todas as grandes e bem-sucedidas populações da história da humanidade recebiam sua grande massa calórica do amido: arroz, milho, batata e outros amidos; pães e assim por diante. Particularmente, quando se vive próximo à Linha do equador, ao se locomover para o norte e para o sul em latitude, você acaba comendo mais alimentos de origem animal. E se for bem ao norte, por exemplo na região dos esquimós inuits, você verá que eles se alimentam como carnívoros, porque é isso que está disponível para eles.

Mas esta é uma pequena população de pessoas que vivem nos extremos do meio ambiente. São a exceção, não a regra. A ideia de que somos caçadores-coletores é verdadeira, somos caçadores-coletores, mas a maior parte do tempo sempre fomos coletores. Um dos problemas tem a ver com sexismo. Tem a ver com o fato de que os coletores eram mulheres, avós e crianças. Os caçadores eram os homens, e eles ficavam com a glória. As pessoas que realmente proviam o grande volume de calorias necessárias à sobrevivência, ao longo de toda a história humana de que temos conhecimento, foram e são mulheres, crianças e avós.”

John McDougall, médico especialista em nutrição e autor do livro “The Starch Solution”, no documentário “Food Choices”, de Michal Siewierski.





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July 25th, 2017 at 6:06 pm

Um relato sobre a importância da boa alimentação

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Um sistema imunológico afetado não vai se recuperar sozinho com deficiência na ingestão de macro e micronutrientes

Desde a minha adolescência, nas poucas vezes em que adoeci, sempre me alimentei normalmente. Nunca deixei de comer bem, porque sei que um sistema imunológico afetado não vai se recuperar sozinho com deficiência na ingestão de macro e micronutrientes.

Me lembro que a última vez que adoeci foi há três anos, quando contraí dengue. Mesmo com dengue, continuei trabalhando e me exercitando. Quantas pessoas você conhece que têm força e disposição para praticar musculação mesmo com dengue? Pode parecer estranho pra muita gente, mas isso foi bom pra mim.

E por que acho que isso não me trouxe nenhuma consequência negativa? Não apenas porque sempre tive uma boa capacidade de recuperação, mas porque dificilmente deixo de me alimentar adequadamente. Mesmo sem fome, não deixo de ingerir o que preciso. Não tenho dúvida de que qualquer recuperação é mais rápida quando uma pessoa não tem uma alimentação deficiente.

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July 24th, 2017 at 4:14 pm

Sobre a indústria do tratamento de câncer

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Para entender um pouco mais sobre isso, assista ao documentário “Food Matters”, disponível na Netflix

Sejamos honestos, se o câncer desaparecesse amanhã, milhões de pessoas ficariam desempregadas, teriam que receber um novo tipo de treinamento. A indústria do tratamento de câncer movimenta 200 bilhões de dólares por ano [só nos Estados Unidos], e ela seria desmontada se a verdade a respeito do que realmente precisamos fazer viesse à tona. Na maioria dos países é ilegal o tratamento de pacientes com câncer com terapia nutricional.

Fonte: Food Matters, lançado em 2008.

 





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July 24th, 2017 at 2:42 pm

O médico que não prescrevia remédios

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Ele me ajudou com a minha rinite alérgica sugerindo mudança nos hábitos alimentares

Na minha infância, me consultei com um otorrinolaringologista que não acreditava muito na indústria farmacêutica. Todo o trabalho dele era voltado para a nutrição. As pessoas o achavam esquisito porque em vez da sua clínica ser um ambiente branco, como a maioria das clínicas, era colorida. E havia plantas por todos os lados.

Na porta do seu consultório tinha uma frase de Hipócrates: “Que o seu alimento seja o seu remédio, e que o seu remédio seja o seu alimento.” Me recordo que muita gente falava mal dele. Eu era criança, então não entendia o motivo disso, mas o achava incrível.

Soube que ele teve bastante contato com a medicina oriental e estudava mais sobre a medicina antiga do que a contemporânea. Ele nem mesmo usava roupa branca. O chamavam de louco, charlatão, mas foi ele que me ensinou a lidar com a minha rinite alérgica quando eu era criança, depois de passar por cinco médicos da área.

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July 23rd, 2017 at 9:11 pm

“Recebemos uma comida tóxica e deficiente em nutrientes”

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“Quando o solo é deficiente, as plantas também são deficientes e fracas”

O tão falado fertilizante é feito de três principais minerais – nitrogênio, fósforo e potássio. Isso é bom. Mas o problema é que o solo necessita de aproximadamente 52 minerais diferentes. Então onde está o cálcio, o magnésio, o manganês, o zinco, o ferro e todas as outras coisas que não mencionei? Estão faltando. Quando o solo é deficiente, as plantas também são deficientes e fracas, e elas perdem os seus defensivos. E as pragas surgem e as atacam.

Charlotte Gerson: “Quando o solo é deficiente, as plantas também são deficientes e fracas”E o fungo e outras doenças surgem e as atacam também. Então os agricultores vão chorando até as companhias químicas e dizem: “Nossas plantas estão morrendo, e elas não crescem e temos pragas.” E claro que as companhias químicas ficam incrivelmente felizes em vender pesticidas, fungicidas e estimulantes químicos de crescimento para eles, além de outras coisas.Então o que estamos recebendo quando comemos? Recebemos uma comida tóxica e deficiente em nutrientes, porque com todos esses pesticidas e químicos, a comida não é verdadeiramente saudável. Ela é deficiente. Então, nos alimentando dessa forma, não podemos evitar que sejamos deficientes em nutrientes.

Charlotte Gerson, de 95 anos, em “Food Matters”, de 2008. Ela é defensora da alimentação orgânica e fundadora do Gerson Institute, fundado em San Diego, na Califórnia, instituição que aplica a Terapia de Gerson, um tratamento de combate ao câncer baseado em uma dieta orgânica e vegetariana.

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July 23rd, 2017 at 9:00 pm

106 mil pessoas morrem anualmente em decorrência dos efeitos colaterais dos remédios nos EUA

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Food Matters é um documentário que discute a importância da boa alimentação

O The Journal of the American Medical Association publicou dados que indicam que aproximadamente 106 mil pessoas morrem anualmente nos Estados Unidos em decorrência do consumo de drogas farmacêuticas. São drogas que são prescritas por médicos, não são resultados de erros médicos. E esses efeitos colaterais são normalmente esperados, e essas pessoas tomam esses medicamentos exatamente como indicado. Não são casos de overdose ou engano.

Então, se 106 mil pessoas morrem em decorrência de esperados efeitos colaterais dessas drogas apenas nos Estados Unidos, e apenas em um ano, em 23 anos isso representaria uma quantidade enorme de pessoas mortas. Estamos falando de milhões [2.438 milhões] de pessoas mortas por causa de drogas farmacêuticas. E em 23 anos, alegadamente, apenas dez pessoas morreram em consequência do consumo de suplementos de vitaminas. Claramente, temos problemas muito mais sérios em relação à prescrição nutricional. Como Roger Williams disse uma vez, o inventor do ácido pantotênico, em caso de dúvida, use a nutrição primeiro, não remédios.

A indústria farmacêutica está nesse negócio não para fazer drogas farmacêuticas; está nesse negócio para fazer dinheiro. O que acho totalmente razoável, já que há grandes corporações internacionais, e elas têm um dever com seus acionistas; e isso é o que corporações fazem, elas fazem dinheiro. Vivemos em uma sociedade capitalista e não acho que isso seja ruim. Acho que o capitalismo tem grandes vantagens, e acho que é preciso ponderar sobre os dois lados. O problema é a forma como a indústria farmacêutica é regulada. Por um lado, acredito que temos bons reguladores, mas por outro lado péssimos reguladores.

A indústria farmacêutica paga aos reguladores que deveriam inspecionar as drogas, paga os pesquisadores acadêmicos que deveriam realizar pesquisas com essas drogas, e frequentemente remunera os profissionais que vão realizar testes com essas drogas. Eles também colocam publicidade nos jornais de medicina, e muitos dos jornais de medicina recebem dinheiro da indústria farmacêutica.

Se checarmos a literatura médica dos últimos 65, 75 anos, há milhares de provas de que grandes quantidades de bons nutrientes curam doenças. Você não tem como ter acesso a muitos desses artigos, porque eles dizem que a United States Library of Medicine se recusa a indexá-los. Isso não é interessante? Então isso significa que há jornais lá fora que estão em uma espécie de lista negra por dizerem a verdade.

Tudo que foi publicado no Jornal de Medicina Ortomolecular, do qual sou editor-assistente, ao longo de 41 anos, e isso significa centenas de artigos, nada disso foi indexado pela United States Library of Medicine, que se autointitula a maior biblioteca de medicina da Terra. Então, o que parece puramente científico e acadêmico, como jornais, publicações, e toda essa edificação da ciência, atualmente foi transformado em uma extensão do departamento de marketing da indústria farmacêutica.

Depoimentos

Dan Rogers, médico especialista em medicina integrativa.

Ian Brighthope, professor de medicina nutricional.

Phillip Day, jornalista investigativo.

Jerome Burne, jornalista com especialização em saúde e medicina.

Andrew W. Saul, doutor em nutrição terapêutica e editor-assistente do Jornal de Medicina Ortomolecular dos Estados Unidos.

Fonte: Food Matters, de James Colquhoun e Carlo Ledesma, lançado em 2008.

 

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Written by David Arioch

July 23rd, 2017 at 8:57 pm

O quanto é velha a sua comida?

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“Se você tiver sorte, talvez você esteja recebendo 40% do que você precisa” (Foto: Arquivo Pessoal)

“O quanto é velha é a sua comida? Se você pensar sobre isso, a sua comida, no melhor dos cenários, tem viajado por mil e quinhentas a duas mil milhas antes de você adquiri-la, e ela já tem pelo menos uma semana de idade. O que nos leva à próxima questão, qual é a quantidade de nutrientes que você está recebendo a partir dessa comida que já tem pelo menos cinco dias? Se você tiver sorte, talvez você esteja recebendo 40% do que você precisa.”

Victor Zeines, nutricionista, em “Food Matters”.





Written by David Arioch

July 23rd, 2017 at 4:02 am

A dieta vegana é benéfica ao longo de todo o ciclo da vida

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Matt Ruscigno: “Podemos consumir tudo que precisamos em uma dieta vegana” (Foto: Arquivo Pessoal)

“Podemos consumir tudo que precisamos em uma dieta vegana. Ela é benéfica ao longo de todo o ciclo da vida. Ou seja, desde a gravidez, passando pela lactação, infância, adolescência e toda a fase adulta. Uma dieta vegana bem planejada é totalmente adequada. Acho que o veganismo é muito saudável. Se olharmos para as organizações de saúde nos Estados Unidos, veremos que elas estão promovendo dietas vegetarianas. Elas dizem que devemos comer mais frutas, mais vegetais, mais grãos integrais, mais feijões, mais oleaginosas, mais sementes. Elas não estão dizendo que devemos ser ideologicamente veganos. Mas a diferença entre isso e o veganismo [enquanto filosofia de vida] é de apenas mais alguns passos.”

Matt Ruscigno, nutricionista e ex-presidente da Academia de Nutrição e Dietética dos Estados Unidos, em “Live and Let Live”.





Written by David Arioch

July 22nd, 2017 at 12:50 am

Associação Dietética Americana reconhece os benefícios da dieta vegana

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Foto: David Arioch

A posição da Associação Dietética Americana é de que as dietas vegetarianas, incluindo a dieta vegetariana estrita ou a dieta vegana, são saudáveis, nutricionalmente adequadas e oferecem benefícios para a saúde na prevenção e tratamento de certas doenças.

Esse posicionamento da ADA foi publicado na US National Library of Medicine e pode ser conferido neste link:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19562864