David Arioch – Jornalismo Cultural

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O Velho do Saco que não assustava crianças

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A história de um andarilho que se sentia um fazendeiro mesmo morando dentro de um buraco

Seu Nelson ficou conhecido como o "Velho do Saco" a partir da década de 1980 (Foto: Amauri Martineli)

Seu Nelson ficou conhecido como o “Velho do Saco” a partir da década de 1980 (Foto: Amauri Martineli)

Ao longo de décadas, muitas crianças de Paranavaí, no Noroeste do Paraná, principalmente as que cresceram no Jardim Ouro Branco e em bairros próximos, ficavam intrigadas com a folclórica e enigmática figura de um andarilho. “Quando as crianças aprontavam alguma coisa, os pais diziam: ‘Olha, ali vem o Velho do Saco. Fica quieto senão vou mandar ele te levar”, conta o agricultor Arthur Justino da Silva que mora no Ouro Branco desde o início dos anos 1960.

Mas a verdade é que a fama do homem jamais refletiu a realidade. O “Velho do Saco”, como ficou mais conhecido a partir da década de 1980, se chamava Nelson. Era um senhor de 1,67m de altura e barba branca volumosa que se confundia com os cabelos igualmente alvos. Tinha uma postura inconfundível e um andar pausado e remansoso. Quando pegava algo do chão, surpreendia. Em vez de agachar, flexionava o corpo para a frente. Sem dobrar os joelhos, arqueava as costas e encostava as palmas das mãos no chão. “Chegava a dar inveja”, comenta o comerciante José Ferreira de Lima. De sobrenome desconhecido, assim como o número da casa onde viveu tantos anos na Rua Campo Largo, no Jardim Ouro Branco, o Velho do Saco era um sonhador vitimado por uma misteriosa desilusão.

“A casinha dele era normal, com água e energia elétrica. Tinha tudo. Lembro que antigamente ele vendia perfumes e usava uma roupa bem branquinha. Seguia naquela vidinha, lutando”, lembra José Ferreira que conheceu o “Seu Nelson” há mais de 30 anos, quando o vendedor tinha entre 45 e 50 anos. Também atuava como boticário, fabricando os perfumes que comercializava. De repente, desistiu de tudo e se tornou um andarilho. Começou a recolher papelão e outros materiais que jogava dentro de casa. “Só vendia latinhas e cobre. O restante, inclusive papelão e entulho, ele ia amontoando”, conta o pedreiro e vizinho Nélio Ramos Sabatini.

Aos poucos, a residência do Seu Nelson se tornou a morada do Velho do Saco. Sem água e energia elétrica, restando apenas uma casinha ofuscada por uma mata que cobria a fachada, o homem se transformou em outra pessoa. Anos mais tarde, quando o chão da casa abriu, formando uma cratera, Seu Nelson começou a viver dentro do buraco, cercado por toneladas de materiais, entre papelão, ferro e entulhos. No local, dividia o espaço com ratos, abelhas, escorpiões e outros animais. “Era tanta tranqueira que ele nem tinha mais onde guardar”, testemunha o aposentado Alcides Ramos Sabatini.

De vez em quando o Velho do Saco discutia com outro vizinho, sogro de José Ferreira. O motivo era quase sempre o mesmo. O andarilho queria que todos fossem embora do bairro, a sua “fazenda”. “Falava que tudo ali era dele, que a gente estava se apossando de seus bens”, relata o comerciante, acrescentando que apesar de tudo Seu Nelson sempre “fazia as pazes” com todos.

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O andarilho chamava a si mesmo de garimpeiro (Foto: Amauri Martineli)

Porém, em época de quaresma, os mais supersticiosos diziam que o Velho do Saco virava lobisomem, um mito que surgiu porque o andarilho chegava em casa muito tarde e passava horas no quintal antes de dormir. “Com o barulho, a cachorrada latia muito, então o povo espalhou essa besteira”, explica Alcides Sabatini.

Com um grande saco nas costas e outro sobre a cabeça, Seu Nelson, que tinha o hábito de comer carne crua, principalmente linguiça, circulava pelo Jardim Ouro Branco e evitava ir muito longe. Tinha uma mochilinha em que carregava pedras que recolhia das ruas. Chamava a si mesmo de garimpeiro, um desbravador que não se interessava mais em ir além da rotatória próxima ao Hospital Unimed, na Rua Luiz Spigolon. Quem sabe, porque Seu Nelson talvez acreditasse que sua “fazenda” terminasse naquele local.

Embora aceitasse comida apenas de José Ferreira, da mulher e cunhada do comerciante, o homem era visto com frequência nas imediações do Hipermercado Cidade Canção e da Praça dos Pioneiros, onde coletava e comia restos de lanches e salgados das lixeiras. Ocasionalmente, parava para descansar em bares e lanchonetes de conhecidos. “Ele passava um bom tempo aqui, mesmo sujo e com um odor bem forte. Sei que isso poderia afastar os clientes da minha lanchonete, mas nunca achei certo mandar ele ir embora”, pondera Ferreira que sempre guardava para o andarilho as latinhas descartadas pelos clientes.

O Velho do Saco também era um antigo freguês do comerciante Arthur Justino. “Ele começou a frequentar o meu bar em 1979. Estava sempre com dinheiro no bolso e pagava tudo certinho. Gostava de conversar. Era um homem com boa cultura”, avalia Justino. O problema era que às vezes exagerava na cachaça.

Um dia, Seu Nelson resistiu quando tentaram levá-lo para casa, achando que iriam matá-lo. O único que conseguiu se aproximar para carregá-lo foi José Ferreira. “Deu tudo certo. Chegando em casa, deitou e dormiu. Apesar disso, ele nunca atrapalhou ninguém. Muita gente gostava dele. Mesmo sem aposentadoria, jamais foi visto mendigando”, assegura Ferreira.

Após a morte do Velho do Saco, a casa foi demolida e todos os materiais foram recolhidos (Fotos: Nélio Sabatini)

Após a morte do Velho do Saco, a casa foi demolida e todos os materiais foram recolhidos (Fotos: Nélio Sabatini)

Na casa onde o andarilho vivia, um enorme pé de manga a cobria parcialmente. A cena que mais chamava a atenção dos vizinhos era a de alguns ratos subindo, comendo as frutas e descendo. Tudo indica que Seu Nelson tinha um mundo particular, distinto e alheio à realidade da maioria. “Uma vez, o homem ficou muito bravo e começou a me chamar de corno porque eu estava no meu quintal e sem querer o vi tomando banho pelado atrás de um pé de limão. Ele se lavava com duas garrafas pet cheias de água que pegava em um córrego. No lugar da bucha, esfregava o corpo com um pano velho e preto”, revela Alcides Sabatini às gargalhadas. O aposentado foi ignorado quando sugeriu ao Seu Nelson que seria mais cômodo se banhar no próprio córrego.

Nélio Sabatini perdeu as contas de quantas vezes o andarilho o chamou para lhe oferecer pedaços de restos de churrasco que encontrava na rua. “Ele falava assim: ‘Aqui ó, vim trazer pra você um pedaço dessa carne de lobisomem’. Eu aceitava. Nunca fiz desfeita. Só descartava quando ele ia embora’”, confidencia o vizinho. Quando preparava a comida em casa, Seu Nelson ajeitava uma pequena fogueira no quintal e cozinhava dentro de uma grande lata velha de ervilhas. Só entrava na casa para dormir. A maior parte do tempo era visto nas ruas ou no quintal. “Acho que quase não sobrou espaço pra ele lá dentro. Tinha muita coisa guardada”, assinala Nélio Sabatini.

A rotina do Velho do Saco só foi interrompida em 28 de dezembro de 2011. Na manhã daquele dia, Seu Nelson chegou à lanchonete de José Ferreira para conversar um pouco e beber pinga. Às 11h, partiu cambaleando. Mais tarde, preocupado, o comerciante pediu que um rapaz checasse o estado do andarilho. Era 14h e o Velho do Saco foi encontrado deitado, como se estivesse dormindo.

Às 15h, Nélio e Alcides foram verificar porque o homem continuava no quintal. Havia marcas de dedos na terra, de alguém que se esforçou para se levantar, mas não conseguiu e acabou desmaiando. “Fez um calor insuportável naquele dia e o sol bateu diretamente nele. Fizemos de tudo para acordá-lo e não conseguimos. Acho que não aguentou e teve um ataque cardíaco”, enfatiza Nélio Sabatini.

Intervenção dos vizinhos impediu que Seu Nelson fosse enterrado como indigente (Foto: David Arioch)

Intervenção dos vizinhos impediu que Seu Nelson fosse enterrado como indigente (Foto: David Arioch)

Às 18h, José Ferreira fechou a lanchonete quando a esposa o avisou que o Seu Nelson não acordava de jeito nenhum. Quando chegou lá, era tarde demais. Ninguém imaginava que aquele seria o último dia em que veriam o Velho do Saco com vida. Quem o conhecia ainda sente saudade da sua “mania de fazendeiro”, de seu olhar absorto e seus passos vagarosos e arrastados.

Como não apareceu nenhum familiar para sepultá-lo, o enterro do andarilho foi feito por vizinhos e conhecidos, pessoas que o estimavam. Também organizaram a limpeza da sede da sua fazenda imaginária, a casinha onde viveu por décadas. Do local, retiraram toneladas de materiais e entulhos armazenados desde os anos 1980. “Enchemos sete caminhões só de sujeira e coisas que não se aproveitava”, garante Nélio Sabatini. De luto, o comerciante José Ferreira decidiu nunca mais vender pinga, uma promessa mantida até hoje.

Saiba Mais

Na certidão de óbito consta que o nome do Velho do Saco era supostamente Nelson Francelino de Oliveira. Sem documento, descobriram no dia de sua morte que ele transportava um papel com dados pessoais registrados à caneta. O homem foi sepultado na Gaveta 35 do Conjunto F da Quadra 10 do Cemitério Municipal de Paranavaí.

Vizinhos relatam que o homem virou andarilho porque foi abandonado pela esposa. O Velho do Saco vivia sozinho, mas conhecidos acreditam que ele ainda tem familiares em Paranavaí.

Após o falecimento, a casa do Velho do Saco foi demolida e se tornou moradia de uma pessoa sem vínculo familiar com Seu Nelson.

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Ruas de Paranavaí foram criadas para beneficiar o setor agrícola

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Planejamento urbano foi ofuscado pelo escoamento das produções

Zé do Bar: “Lembro de uma que ia até a fazenda do agricultor Domingos de Almeida. Só abriram ela por causa do café."

João Mariano: “Era desejo de alguns latifundiários que a cidade preservasse suas características de colônia” (Acervo: Fundação Cultural)

Como Paranavaí, no Noroeste do Paraná, foi fundada sob a égide da agricultura, as principais ruas e avenidas foram traçadas visando o escoamento das produções e não o desenvolvimento urbano. Prova de tal fato é que mesmo com o passar dos anos as vias foram asfaltadas, mas não redimensionadas para atender a demanda surgida com o progresso. Exemplos são as ruas e avenidas estreitas do centro da cidade.

As vias de alguns dos bairros mais tradicionais de Paranavaí, como o Jardim Ibirapuera, Jardim Iguaçu, Jardim Ouro Branco e região do Colégio Estadual de Paranavaí (CEP), também foram abertas para facilitar o transporte de café, arroz e outras culturas. “Paranavaí se ligava ao Porto São José, pra onde toda a produção era escoada até outros Estados [como Mato Grosso e São Paulo]”, revelou o agrimensor e pioneiro paranaense Ulisses Faria Bandeira em entrevista ao jornalista Saul Bogoni.

Vias estreitas do centro de Paranavaí refletem a falta de planejamento durante a colonização (Foto: Toshikazu Takahashi)

Ruas estreitas do centro de Paranavaí refletem a falta de planejamento durante a colonização (Foto: Toshikazu Takahashi)

Segundo o pioneiro mineiro José Alves de Oliveira, conhecido como Zé do Bar, todas as estradas eram criadas para beneficiar o setor agrícola. “Lembro de uma que ia até a fazenda do agricultor Domingos de Almeida. Abriram ela por causa do café”, garantiu Zé do Bar em depoimento concedido ao escritor Paulo Marcelo Soares Silva no livro “História de Paranavaí”, lançado em 1988. Apesar da cidade ter vivido às voltas com a agricultura naquele tempo, o ápice do setor foi relativamente curto e logo a pecuária conquistou grande espaço.

O pioneiro curitibano e advogado Aldo Silva, em entrevista ao jornalista Saul Bogoni, deixou claro que em Paranavaí muitas fortunas foram feitas sob a ilegalidade. “Teve gente que se deu bem porque fazia muitos requerimentos de terras no próprio nome e também em nome de terceiros. Não respeitava o limite de 200 alqueires por família, determinado por lei”, reclamou. O grande número de posses se refletiu em maior influência política.

Assim é justo dizer que o planejamento urbano foi prejudicado porque priorizaram os interesses individuais de algumas famílias abastadas que controlavam a economia local. “Não tenho dúvida alguma quanto a isso. Era desejo de alguns latifundiários que a cidade preservasse suas características de colônia”, comentou o pioneiro cearense João Mariano.

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Montoya tinha a estrutura de uma cidade

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População da colônia era de mais de seis mil habitantes

O contato com outras cidades do Paraná só era possível através da Sorocabana (Foto: Reprodução)

Em 1928, a Vila Montoya, atual Paranavaí, no Noroeste do Paraná, ganhou contornos de cidade. A colônia oferecia tudo que era necessário à sobrevivência dos mais de seis mil moradores. No entanto, o único acesso ao lugarejo era a estrada do Porto São José, na divisa com o atual Mato Grosso do Sul.

À época, todos que chegavam a Montoya usavam a mesma via que servia também para ligar a colônia ao Porto Ceará e a Presidente Prudente, no Oeste Paulista, de acordo com dados do livro “História de Paranavaí”, do escritor Paulo Marcelo Soares Silva. No passado, pela mesma estrada se chegava à Gleba-1 Ivaí, Piracema e Povoado de Cristo Rei.

Montoya ficava na Fazenda Brasileira, de Geraldo Rocha (Acervo: História de Barreiras)

Quem precisava viajar para outras cidades do Paraná era obrigado a atravessar a divisa com São Paulo, embarcar em um trem que percorria a antiga Estrada de Ferro Sorocabana até Ourinhos, e de lá partir para Tibagi, no Centro Oriental Paranaense, a quem Montoya pertencia. “Depois a pessoa ia pra onde quisesse, mas não tinha outro jeito. O peão tinha que dar toda essa volta”, afirmou o pioneiro catarinense José Matias Alencar.

Naquele tempo, a colônia tinha 1,2 milhão de cafeeiros, aproximadamente 60 mil ficavam em área onde se situa o Colégio Estadual de Paranavaí (CEP), Cemitério Municipal e Fazenda Experimental do Estado. A colônia ainda contava com uma frota de 25 caminhões, 60 mulas-cargueiras, máquinas de beneficiar arroz, farmácia, serraria com motor a vapor de 50 HP e uma caldeira, armazém, Cartório de Paz e Registro Civil, além de mil casas cobertas de zinco situadas no Jardim Ouro Branco, Fazenda Carneiro Ribas e outras localidades, conforme informações dos livros “História de Paranavaí”, do escritor Paulo Marcelo, e “Pequena História de Paranavaí”, do juiz de direito Sinval Reis.

A Companhia Brasileira de Viação e Comércio (Braviaco), que tinha o direito de concessão da área, investia ao máximo no povoado para evitar que os trabalhadores deixassem o distrito, pois como as viagens eram longas o colono podia perder dias de serviço ou nem mesmo voltar, caso estivesse insatisfeito. Montoya fazia parte da Fazenda Brasileira, de propriedade do jornalista Geraldo Rocha que, além de proprietário de importantes veículos de comunicação situados no Rio de Janeiro – Rádio Nacional e jornais “A Noite” e “O Mundo”, era dono da Braviaco, responsável pela administração de uma área total de 317 mil alqueires no Sudoeste, Oeste e Norte do Paraná.

Trabalho da Braviaco em Montoya era comandado por Landulpho Alves (Foto: Reprodução)

Quem cuidava dos negócios de Rocha na colônia e em toda a região era o vice-diretor da Braviaco, o engenheiro agrônomo Landulpho Alves de Almeida – que se tornaria senador e interventor federal da Bahia – cargo que equivalia ao de governador, Humberto Alves de Almeida e Joaquim da Rocha Medeiros. Humberto Alves, irmão de Landulpho Alves – sócio da Companhia Brasileira, era o responsável pelos serviços de transporte da fazenda e tinha como empregado de confiança o pioneiro pernambucano Frutuoso Joaquim de Salles, considerado o primeiro cidadão de Paranavaí.

Concessão das terras da colônia foi repassada a Lindolfo Collor (Foto: Reprodução)

Salles chefiava um grupo de peões, ajudava a ensacar o café e cuidava para que o produto fosse transportado de forma segura. A Vila Montoya tinha uma população de centenas de famílias que somavam mais de seis mil moradores. A maior parte prestava serviços a Braviaco e aos empreiteiros Gonzaga, João Gomes e Coronel João Antônio. Foram muitos os peões que se casaram em Montoya, alguns até registraram os filhos no distrito, segundo o juiz de direito Sinval Reis.

O responsável por impor a ordem na colônia era o Cabo Simão que trabalhava em parceria com dois soldados da Polícia Militar do Paraná. É importante destacar que Montoya se desenvolveu muito bem até a chegada da Revolução de 1930, quando o Governo Provisório rompeu todos os negócios com a Braviaco. Mais tarde, Getúlio Vargas repassou a concessão das terras da região ao político gaúcho Lindolfo Collor, avô do ex-presidente Fernando Collor de Mello.

Joaquim Medeiros conheceu a região em 1923

A Vila Montoya fazia parte da Gleba Pirapó que somava 100 mil alqueires, cerca de 108 quilômetros de extensão. Começava no Rio Paranapanema e ia até a margem direita do Rio Ivaí. A Gleba fazia divisa ao leste com as propriedades da Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP), de capital inglês, e a oeste com uma área destinada a Brazil Railway Company, de origem estadunidense.

“Em 1923, abri um picadão com dez metros de largura por sessenta quilômetros de extensão que começava na Fazenda Laranjeira e ia até o Rio Paranapanema. A estrada ficava a duzentos metros da propriedade de Adão Medeiros”, disse o engenheiro agrônomo Joaquim da Rocha Medeiros em entrevista à Prefeitura de Paranavaí em 5 de julho de 1975.

O som dos colonos capinando nas imediações era tão alto que se ouvia mesmo de longe, segundo Medeiros. Encerrada a etapa de abertura do picadão até a divisa com o Paraná, o engenheiro agrônomo embarcou em uma canoa e atravessou o Rio Paranapanema. Já no extremo Norte do Paraná, Medeiros coordenou a derrubada de um alqueire para a construção de um rancho que recebeu o nome de Porto Itaparica que ficava numa área de 20 mil alqueires da Companhia Alves de Almeida. A iniciativa visava facilitar o escoamento do café para o Mato Grosso e Argentina.

Curiosidades

Os migrantes trazidos à Vila Montoya pela Braviaco eram de Minas Gerais, Piauí, Ceará, Alagoas, Sergipe, Pernambuco e Bahia. Porém, é bem provável que pessoas de outros estados e países também já viviam no povoado.

A intenção da Braviaco era explorar o café da Fazenda Brasileira por 20 anos e depois migrar para a pecuária.

Saiba Mais

Antônio Geraldo Rocha nasceu em Barra, Bahia, em 14 de julho de 1881 e faleceu aos 78 anos em 19 de junho de 1959. Em 1931, deixou de representar os interesses da empresa norte-americana Brazil Railway Company e foi obrigado a hipotecar parte dos bens. Rocha é autor do livro “O Rio São Francisco: fator precípuo da existência do Brasil” que contribuiu para a implantação da Comissão do Vale do São Francisco (CVSF).

Landulpho Alves de Almeida nasceu em Santo Antônio de Jesus, Bahia, em 4 de setembro de 1893 e faleceu no Rio de Janeiro, capital, em 15 de outubro de 1954. Como político, Landulpho Alves é sempre lembrado como defensor da estatização do petróleo e relator da lei N 2.004, de 1953, que deu origem a criação da Petrobrás.

Lindolfo Leopoldo Boeckel Collor nasceu em São Leopoldo, Rio Grande do Sul, em 4 de fevereiro de 1890 e faleceu em 21 de setembro de 1942, no Rio de Janeiro, capital. Apesar de ter sido correligionário de Getúlio Vargas durante o Governo Provisório que sucedeu a Revolução de 1930, Collor se tornou um combatente da política ditatorial do Governo Vargas, chegando a ir para o exílio. Tornou explícito o desprezo pela ditadura em muitos jornais do Brasil, inclusive no semanário “Diretrizes”, do jornalista Samuel Wainer.

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A proibição de bebidas alcoólicas em 1927

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Quando o álcool foi banido de Paranavaí pela Braviaco

Braviaco pertencia a Geraldo Rocha e Landulpho Alves (Foto: Reprodução)

Em 1927, a entrada de bebidas alcoólicas foi proibida na Vila Montoya, atual Paranavaí, no Noroeste do Paraná, medida que foi mantida até 1930, ano em que a concessão da Companhia Brasileira de Viação e Comércio (Braviaco), subsidiária da Brazil Railway Company, foi revogada pelo presidente Getúlio Vargas.

Quando a Braviaco começou a construção de 110 quilômetros de estrada em 1926,  ligando as imediações dos rios Pirapó e Paranapanema à fazenda que receberia o nome de Vila Montoya, os diretores da Braviaco, Geraldo Rocha e Landulfo Alves, foram informados que muitos de seus trabalhadores tinham o costume de consumir bebidas alcoólicas todos os dias. Por isso, tomaram a decisão de impor uma lei baseada na palavra para impedir a entrada de álcool na região de Paranavaí. Quem fosse flagrado bebendo era despejado e mandado embora.

A iniciativa foi colocada em prática em 1927, quando cerca de seis mil pessoas, somando centenas de famílias, viviam na colônia, em áreas que hoje pertencem ao Jardim Ipê, Jardim Iguaçu e Jardim Ouro Branco. A medida que tinha um caráter de “diplomacia rural” não foi bem recebida por todos os migrantes, inclusive alguns optaram por deixar o povoado afirmando que não valia a pena trabalhar em um lugar sem poder pelo menos tomar uma dose de cachaça no fim do dia.

Como havia dezenas de capangas na fazenda, ninguém é capaz de afirmar se aqueles que abandonaram a Vila Montoya chegaram aos seus destinos. “A proibição da entrada de bebidas alcoólicas na região foi uma providência salutar”, disse o engenheiro agrônomo Joaquim da Rocha Medeiros em entrevista à Prefeitura de Paranavaí décadas atrás. Medeiros era funcionário da Braviavo e coordenava o trabalho da companhia na região.

“O veto não atrapalhou muito, mas teve gente que partiu para outras cidades do Paraná e do interior de São Paulo. Penso que a ideia de proibir o álcool era pra evitar todos os tipos de problemas. Depois de umas pingas, o peão ficava agitado, com o sangue quente e, como a vida já era difícil, qualquer coisinha era motivo pra coçar a mão e arrancar a faca da cintura”, avaliou o pioneiro cearense João Mariano.

A proibição de bebidas alcoólicas em Montoya durou cerca de três anos. Ainda assim, alguns tinham acesso ao álcool. “Como era um produto proibido, saía mais caro, mas a gente sabe que até os jagunços da fazenda davam um jeito de arrumar a bebida para a ‘peãozada’. Claro que não era todo mundo que bebia, mas alguns nem que fosse de vez em quando conseguiam uma pinguinha sim”, enfatizou.

Sede da Vila Montoya na década de 1920 (Foto: Reprodução)

“Quando se aproximou, viu um cadáver apodrecendo”

Como não havia autoridades policiais o suficiente para cuidarem dos seis mil moradores do Distrito de Montoya, a Braviaco costumava intervir, pensando em ações que evitassem conflitos entre os colonos. Nem sempre dava certo, tanto que em 1927, o álcool já havia trazido como consequências muitos desentendimentos e brigas entre os trabalhadores.

“Tinha peão que ia trabalhar alcoolizado, assim arrumava confusão com extrema facilidade. São problemas que já existiam. Para a Braviaco, não era uma questão humana. A maior preocupação era que caso alguns se matassem, isso poderia afetar a produção de café, exigindo novos colonos para substituir os que morriam. É claro que eles não iriam se queixar disso, mas quem viveu aquela época sabia que o que importava pra eles era o lucro”, desabafou Mariano.

Havia três policiais para garantir a segurança dos moradores da Vila Montoya. Eram profissionais que nem sempre iam até as áreas de conflito, mesmo após alguns crimes. De acordo com João Mariano, não foram poucas as mortes em meio aos cafezais. “Tive um compadre que uma vez estava cruzando a roça e sentiu um mau cheiro perto de um pé de café. Quando se aproximou, viu um cadáver apodrecendo embaixo de um monte de folhas e galhos pequenos”, revelou. O homem ficou com medo e não contou nada a ninguém. No dia seguinte, a “consciência pesou” e ele voltou ao mesmo lugar. Para a surpresa do colono, já tinham removido o corpo.

“Como havia uns rastros de sangue no chão, meu compadre foi pedir informação pra polícia, só que como quem não quer nada. Falaram que fazia tempo que não acontecia nenhum crime por essas bandas”, confidenciou o pioneiro João Mariano, denunciando que os policiais contribuíam na ocultação de crimes para não comprometer a imagem da companhia. É importante lembrar que as bebidas alcoólicas foram banidas até 1930, quando a Braviaco teve de se retirar do distrito, sob ordem do presidente Getúlio Vargas que revogou a concessão de terras em represália ao apoio prestado ao  político Júlio Prestes.

Saiba Mais

A Vila Montoya pertencia ao município de Tibagi, no Centro Oriental Paranaense.

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O agrimensor que se elegeu prefeito

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Ulisses Faria Bandeira venceu a eleição municipal de 1956

Bandeira se mudou para Paranavaí em 1944 (Foto: Reprodução)

O agrimensor Ulisses Faria Bandeira conheceu Paranavaí, no Noroeste do Paraná, em 1939, mas fixou residência alguns anos depois. Foi o primeiro morador a se casar na colônia. Em 1956, se elegeu prefeito e viveu em Paranavaí até os últimos dias de vida.

Ulisses Faria, que nasceu em São Mateus do Sul, no Sudeste Paranaense, se mudou para Londrina aos 17 anos, em 1938, após aceitar um convite do tio Francisco de Almeida Faria para trabalhar na 4ª Inspetoria de Terras do Estado do Paraná.

Bandeira se dedicou muito ao trabalho e logo se tornou o braço direito de Francisco de Almeida, diretor da inspetoria. O ofício, Ulisses aprendeu rápido, e em 1939 foi um dos ilustres convidados a participar da viagem de inauguração da linha Londrina-Fazenda Brasileira, da Viação Garcia.

Em 1942, aos 21 anos, Bandeira retornou à Brasileira, encarregado de demarcar algumas vias. Ao final do trabalho, o agrimensor voltou para Londrina. A oportunidade para fixar residência na futura Paranavaí surgiu em 1944, quando Ulisses Faria assumiu o cargo de diretor da Inspetoria de Terras do Estado, escritório regional de Paranavaí.

Bandeira definitivamente adotou a Brasileira como lar, tanto que em 11 de maio de 1949 se casou com uma moradora local, Balbina Guilherme de Aguiar. Foi o primeiro casamento de Paranavaí. “Naquele tempo, uma das maiores colônias que havia na Brasileira era a Colônia Nº 2, onde é hoje o Jardim Ouro Branco”, relatou Ulisses Faria ao jornalista Saul Bogoni há algumas décadas.

Ex-prefeito era jogador do Atlético Clube Paranavaí (ACP) (Foto: Reprodução)

Quando questionado sobre os primeiros pioneiros de Paranavaí, o agrimensor sempre citava a Família Fabrício, José Firmino, Frutuoso Joaquim de Salles, João Clariano e Telmo Ribeiro. “Todos esses eram da época da [Companhia Brasileira de Viação e Comércio] Braviaco”, garantiu o pioneiro.

O prestígio do inspetor de terras junto à população era tão grande que Bandeira foi estimulado a disputar as eleições municipais de 18 de novembro de 1956, concorrendo ao cargo de prefeito. Obteve 4071 votos contra 4029 de Herculano Rubim Toledo. “Foi uma campanha pesada e acirrada”, admitiu.

O agrimensor foi o segundo prefeito de Paranavaí, sucedendo o médico José Vaz de Carvalho. Naquele ano, assumiram como vereadores Aldo Silva, Francisco Rodrigues Ruiz, Gustavo Marques de Oliveira, José Vaz de Carvalho, José de Souza Leite, José Vendolino Schueroff, Minoru Imoto, Nelson Busato dos Santos, Osvaldo Madalozzo e Vivaldo Oliveira. Aldo, Gustavo, José de Souza e Vivaldo já ocupavam cargo na Câmara Municipal, pois foram eleitos em 1952.

Ulisses Faria Bandeira conquistou muita popularidade pelo hábito de interagir com os moradores, principalmente nos finais de semana quando participava de partidas de futebol no antigo Estádio Natal Francisco, localizado onde é hoje a Praça dos Pioneiros. “Joguei de ponta-direita no Atlético Clube Paranavaí (ACP). Eu não era um bom jogador, apenas razoável”, revelou Bandeira que viveu em Paranavaí até os últimos dias de vida.

Saiba Mais

Ulisses Faria Bandeira nasceu em 24 de março de 1921.

A “Enchente de Arroz”

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Paranavaí ganhou destaque na produção de cereais em 1955

Arroz irrigado garantiu boa visibilidade à região de Paranavaí (Foto: Reprodução)

Em 1955, Paranavaí chamou a atenção de todo o Paraná ao alcançar um recorde na produção de cereais. A época ficou conhecida como “Enchente de Arroz”, quando cada produtor colheu de seis a pouco mais de oito mil sacas do produto.

Até a metade da década de 1950, muitos migrantes que se mudaram para Paranavaí não acreditavam no progresso da cidade. “Eu achava que isso aqui era de pouco futuro, que não ia dar em nada. Pensava que nem chegaria a ser como Pirajuí [cidade do interior paulista com menos de 25 mil habitantes]”, disse o pioneiro paulista João da Silva Franco em entrevista à Prefeitura de Paranavaí décadas atrás.

A afirmação teve respaldo numa dura realidade vivida no início da década de 1950, quando milhões de pés de café foram dizimados pelas geadas. “Em 1955, eu estava acabado. Perdi os 80 mil pés que restaram”, lamentou o pioneiro paulista Salatiel Loureiro em entrevista à prefeitura há algumas décadas.

Enquanto os produtores que investiram tudo na cafeicultura lamentavam as grandes perdas, aqueles que antes deixaram a monocultura cafeeira para investir em cereais alcançaram o auge no mesmo ano. O período conhecido como “Enchente de Arroz” proporcionou riqueza para muitos produtores rurais de Paranavaí. “Os fazendeiros colhiam pelo menos seis mil sacas de arroz, principalmente na região que hoje pertence a Amaporã, antiga Jurema”, relatou João Franco.

O agricultor Lázaro Vieira que tinha uma propriedade que atualmente se situa em Nova Aliança do Ivaí foi um dos que mais chamou atenção em todo o Paraná depois de colher pouco mais de oito mil sacas. “Foi uma fartura imensa”, sintetizou. A “Enchente de Arroz” trouxe benefícios a Paranavaí e região, mas não foi algo que se estendeu a toda população. “Quem se deu bem foram os migrantes paulistas que já tinham experiência no plantio de arroz”, comentou o pioneiro gaúcho Severino Colombelli em entrevista à prefeitura.

Com a fortuna também cresceram as desigualdades. Enquanto alguns enriqueciam, uma legião começava a viver às margens da sociedade. Muitos migrantes que trabalhavam nas colheitas nem sempre recebiam o salário combinado previamente. Na lavoura, se ganhava cerca de 20 mil cruzeiros por mês, uma quantia insuficiente para manter a família. “O jeito era levar todo mundo pra roça, até as crianças”, ressaltou o pioneiro cearense João Mariano, acrescentando que muitas vezes viu trabalhadores serem expulsos do campo sem receber pelos serviços prestados.

Quando a Brasileira entrou em decadência

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Na década de 1930, o progresso de Paranavaí foi comprometido pelo esvaziamento populacional

Tourinho retomou áreas da Brasileira para o Estado (Foto: Reprodução)

Decreto criado pelo Governo do Paraná em 1931, limitando a quantidade de terras a 200 hectares por pessoa ou família, desestimulou colonizadores a ficarem na Fazenda Brasileira, atual Paranavaí, no Noroeste do Paraná. Alguns deixaram o povoado quando souberam que a colonização seria supervisionada pelo governo estadual. Para os oportunistas, era algo que poderia comprometer a exploração da mão de obra barata. Por isso, vários contratantes convenceram muitos colonos a partirem. A consequência foi o esvaziamento populacional.

Em 8 de abril de 1931, o interventor e general Mário Tourinho, ciente da onda de crimes na Fazenda Brasileira, assinou decreto retomando as terras da localidade para o Estado e autorizando o início dos loteamentos da então futura Paranavaí. Por essa atitude há quem responsabilize Tourinho pelo início da decadência da Brasileira, já que as terras sob controle do governo estadual trouxeram a Paranavaí uma enorme burocracia. Pioneiros afirmam que a morosidade para se conseguir um terreno fez muitos moradores irem embora para outros povoados, locais onde o acesso à terra era mais fácil.

Outros defendem que o decreto afastou muitos colonizadores porque estes viviam da exploração dos colonos nordestinos, vistos como mão de obra barata pelos pioneiros do Sul e Sudeste. “A informação de que o governo acompanharia de perto tudo que acontecia na colônia intimidou muita gente”, relata o pioneiro cearense João Mariano. Alguns proprietários rurais tentaram convencer os colonos a irem embora com eles, fazendo promessas de melhor remuneração e também de boas condições de trabalho.

A situação era tão ruim que muitos colonos trabalhavam apenas para comer e ainda assim ficavam endividados. “Quando o sujeito ia até a venda acertar as contas era informado que estava em débito, então além de não ter condições de viver com dignidade, ele não podia ir embora porque corria risco, já que estava devendo. O patrão sempre dava um jeito de endividar o empregado”, relata Mariano.

Manoel Ribas (ao centro) veio para a Brasileira em 1933

Em 1933, o interventor Manoel Ribas visitou a Fazenda Brasileira. Naquele tempo, o acesso ao povoado só era possível por uma estrada que findava no Rio Paranapanema. Para facilitar o contato com as outras colônias e cidades do Paraná, além de diminuir a influência paulista na localidade, Ribas pediu que o engenheiro Francisco Natel de Camargo iniciasse a abertura de uma nova estrada que começava em Arapongas, no Norte Central Paranaense.

Mesmo assim, nada impediu que a Brasileira sofresse um esvaziamento populacional, o que também comprometeu o progresso local. De um total de aproximadamente seis mil habitantes que viviam aqui em 1930, não restaram nem 500 para dar conta dos mil alqueires de pés de café.

Período obscuro perdurou até 1944

A falta de mão de obra estimulou outros a irem embora, e logo parte do cafezal foi coberto pelo mato. Aqueles que continuaram aqui aproveitavam para colher o que podiam. Transportavam até Presidente Prudente, onde o produto era comercializado. Muitos cafeeiros foram plantados onde estão localizados o Cemitério Municipal (ao lado do Colégio Unidade Polo), Colégio Estadual de Paranavaí (CEP) e Jardim Ipê.

À época, havia centenas de casas no Jardim Ouro Branco, mas muitas foram abandonadas com o passar dos anos. A situação piorou com o início da Segunda Guerra Mundial e as sanções que o Governo do Paraná impôs às colônias, inclusive com relação ao transporte de pessoas, cargas e animais.

Estrada Boiadeira ligava o povoado ao resto do Paraná

Em 1939, o capitão Telmo Ribeiro, que chegou ao povoado por intermédio do interventor Manoel Ribas, tentou atrair migrantes para a Fazenda Brasileira. A estratégia do capitão foi ordenar a manutenção da estrada aberta por Camargo. O resultado não foi o esperado. Apesar disso, o caminho se tornou atrativo para moradores de Guarapuava e Campo Mourão que percorriam longas distâncias a procura de gado abandonado.

Aqui foram arrebanhados centenas de animais, o que justifica o nome “Estrada Boiadeira”. Tudo isso aconteceu quando Paranavaí contava com mais de 300 alqueires só de pastagens, por onde o gado circulava com total liberdade. Em 1943, dez anos depois do Estado assumir a Inspetoria de Terras, não havia mais que 80 casas na Brasileira e o total de habitantes mal chegava a 500. Foi um período obscuro e de pouca produtividade que perdurou até 1944.