Archive for November, 2017
Livro de culinária vegetariana publicado na Rússia em 1913 tem 1,5 mil receitas
Em 1913, Olga Konstantinovna Zelenkova publicou o primeiro livro de culinária vegetariana da história da Rússia. Intitulado “Я никого не ем” ou “Eu Não Como Ninguém”, o livro é dividido em 350 categorias e conta com um total de 1500 receitas.
Mil pessoas viviam em comunidade vegetariana na Sibéria em 1932
Em 1932, havia uma comunidade vegetariana russa em Kuzneck, na Sibéria. No local, viviam mil vegetarianos pacifistas numa área de três mil hectares. O governo chegou a persegui-los e cogitou bani-los da União Soviética. Mudou de ideia com a chegada da Fome Soviética no mesmo ano. À época, foi a comunidade vegetariana que impediu que a população da região morresse de inanição. Eles produziam alimentos e dividiam com os necessitados.
Crianças e adolescentes de São Petersburgo criados como vegetarianos em 1904
Em 1904, a revista “Вегетарианский вестник” ou “O Mensageiro Vegetariano”, publicou fotos de crianças e adolescentes de São Peterbusrgo, na Rússia, criados como vegetarianos desde o nascimento. O objetivo era incentivar outras famílias a seguirem o mesmo caminho, mostrando como o vegetarianismo é uma filosofia de vida que não compromete o desenvolvimento, muito pelo contrário.
Tolstói falando sobre vegetarianismo para os netos em 1909
Encontro de vegetarianos em Nizhny Novgorod em 1904
Encontro de vegetarianos em Nizhny Novgorod, na Rússia, em 1904. Na foto, Maxim Gorky, M.F. Andreeva, L. Yakovleva, V.V. Stasov, Ilya Repin e N.B. Nordman-Severova.
Contato com Ivan Pavlov fez Sergei Esenin abandonar o consumo de carne
Sergei Esenin foi um dos poetas russos mais influenciados por Tolstói. Mas foi o seu contato com o fisiologista Ivan Pavlov que fez com que ele abdicasse do consumo de todos os tipos de carne, além do tabaco. Em carta ao amigo Grigory Panfilov, ele informou também que deixou de consumir açúcar. Em diversos poemas, Esenin revela o seu amor e compaixão por cães velhos, vacas e cavalos.
Vegetariano, Gorky se alimentava como um camponês
Maxim Gorky ao lado de Tolstói em Yasnaya Polyana em 1900. Vegetariano, Gorky se alimentou como um camponês a maior parte de sua vida. Gostava de vegetais em salmoura ou vinagre, além de sopas e aveia com frutas.
Nikolai Leskov e o vegetarianismo
Nikolai Leskov se tornou vegetariano sob influência de Tolstói. Mais tarde, publicou duas histórias com personagens vegetarianos – “Фигура (персонаж)” ou “A Figura” e “Polunoshchniki” ou “As Parteiras”.
“A Figura”, publicada pela primeira vez na revista Труд (Trud) em 1889, se tornou a primeira história da literatura russa protagonizada por um vegetariano.
O personagem principal é um homem que vive em Kurenyovka, no subúrbio de Kiev, e leva uma vida simples, cultivando o seu jardim e os seus vegetais comercializados em Podol, no Bazar de Zhitnem.Ele vive com a jovem Nastya Khoshlushka e sua filha de três anos. Nenhum deles se alimenta de nada que “tenha uma consciência de vida”. Em carta a Tolstói, Leskov relevou que a história do personagem vegetariano foi inspirada em uma figura histórica ucraniana.
Vegetariano, Tolstói não fazia concessões
Vegetariano, o escritor russo Liev Tolstói não fazia concessões, independente dos hábitos alimentares de seus visitantes. Normalmente às 18h era oferecido um jantar:
Serviam uma sopa com bolinhos de massa e raízes, suflê de cenoura, arroz com ervilhas, sopa de couve-flor e salada de batata com beterraba, além de um purê de maçã com ameixas secas.
Dick Gregory: “Galinhas, peixes, porcos e vacas sentem dor, assim como eu e você. Por favor, ajude a acabar com essa injustiça”

Gregory: “Animais e seres humanos sofrem igualmente. A violência causa a mesma dor, o mesmo derramamento de sangue, o mesmo fedor de morte, a mesma arrogante, cruel e brutal usurpação da vida”
Comediante e ativista pelos direitos civis e pelos direitos animais, Dick Gregory começou a ganhar fama nos Estados Unidos no início dos anos 1960 com o seu stand-up livre de tabus. Protestou contra a Guerra do Vietnã e participou de todas as manifestações lideradas pelo reverendo Martin Luther King Jr, incluindo a Marcha Sobre Washington e as Marchas de Selma a Montgomery. Sempre que considerava necessário, Gregory fazia greve de fome para chamar a atenção para alguma causa. Também foi preso inúmeras vezes em protestos.
No artigo “The Circus: “Its Modern Slavery”, de 1998, que faz críticas contundentes à exploração animal, Gregory conta que quando trabalhou com Luther King Jr., ele percebeu que o melhor caminho para se alcançar a justiça é por meios pacíficos: “Sob liderança do Dr. King, me tornei totalmente comprometido com a não violência, e fui convencido que a não violência vai na contramão de qualquer tipo de morte. Acredito que o mandamento ‘Não Matarás’, não diz respeito apenas aos seres humanos em relação à guerra, linchamento, assassinato, mas também aos animais que matamos por comida e esporte. Há passos simples que cada um de nós pode seguir para ajudar a acabar com a exploração de outros seres.”
Nascido em St. Louis, no Missouri, em 12 de outubro de 1932, e falecido em 19 de agosto de 2017 em Washington D.C., Gregory foi um artista muito respeitado no cenário da comédia dos Estados Unidos, chegando a influenciar comediantes como Richard Pryor e Eddie Murphy. Nos anos 1950, quando se apresentava em clubes de comédia de Chicago, ele já se esforçava para tentar diminuir o preconceito e a segregação racial por meio de seus shows.
Em 20 de agosto de 2017, um dia após a sua morte, a Peta publicou um artigo intitulado “Dick Gregory: Animals and humans suffer and die alike”, que fala sobre o empenho do comediante em conscientizar as pessoas sobre a realidade da exploração animal. “Galinhas, peixes, porcos e vacas sentem dor, assim como eu e você. Por favor, ajude a acabar com essa injustiça”, declarou Gregory em uma das citações.
Em uma das campanhas da Peta criticando a KFC, o comediante fala sobre o sofrimento dos animais mortos para rechearem os baldes de frango da rede de fast food. Suas críticas envolvendo exploração animal incluíam desde a debicagem de aves até o desmame forçado estimulado pela indústria de laticínios. “Animais e seres humanos sofrem igualmente. A violência causa a mesma dor, o mesmo derramamento de sangue, o mesmo fedor de morte, a mesma arrogante, cruel e brutal usurpação da vida. Não precisamos fazer parte disso”, defendeu no artigo “The Circus: It’s Modern slavery”, publicado no Marin Independent Journal em 28 de abril de 1998.
No artigo, Dick Gregory também declarou que quando via os animais cativos em circos, logo pensava na escravidão, levando em conta que são enjaulados, presos a grilhões e forçados a trabalharem sob a ordem de um chefe. “Eles nunca têm o gosto da liberdade. Vão da jaula ao picadeiro, e do picadeiro à jaula. Viajam milhares de milhas a cada temporada, o que significa longas horas em vagões ou trailers, sem espaço para se esticar e menos ainda para correr. Não importa o que digam, não há como persuadir um elefante a dançar e um tigre a saltar através de aros sem qualquer tipo de punição ou violência: “Instrutores carregam chicotes, ferramentas afiadas usadas para atingir pontos sensíveis.”
O comediante se recordou da morte de dois animais que excursionavam com o Ringling Bros. and Barnum & Bailey Circus nos Estados Unidos. Um bebê elefante de três anos chamado Kenny, mesmo doente, foi forçado a fazer três shows em um dia. Ao final da terceira apresentação, ele deitou e morreu: “Ele viveria com sua mãe na natureza selvagem por pelo menos 15 anos. Em outra situação, usaram um tigre em uma foto publicitária do Ringling Brothers. Quando o animal atacou um dos treinadores, o outro treinador entrou em cena, o devolveu à jaula, pegou uma arma de fogo e o matou a tiros”, relatou Gregory chocado com a crueldade do homem. Os dois episódios seriam facilmente evitados se os animais não tivessem sido privados de seu habitat.
No artigo “Dick Gregory, 50 years a vegan activist dies at 84”, publicado no Animals 24-7 em 25 de agosto de 2017, Merritt Clifton conta que Dick Gregory abandonou o consumo de carne em 1965 e se tornou um frutariano em 1967. “A sua participação no movimento dos direitos civis extinguiu o apetite de Gregory por carne. Ele começou a reconhecer a relação entre a violência contra seres humanos e a violência contra animais não humanos”, escreveu. Mais tarde, o comediante acabou influenciando Dexter Scott King, o segundo filho de Martin Luther King, a tornar-se vegano, e consequentemente Dexter teve influência sobre a mãe Coretta Scott King que viveu os seus últimos 12 anos de vida como vegana.
Em 1973, Gregory publicou o livro “Natural Diets for Folks Who Like to Eat: Cookin’ With Mother Nature”, que de forma bem-humorada apresenta os benefícios da alimentação vegetariana. A obra foi relançada várias vezes e se tornou um best-seller em sua categoria. Outra curiosidade é que em 1975 o comediante participou do 23º Congresso Vegetariano Mundial, realizado pela Organização Vegetariana Internacional (IVU).
“Comediante, ativista dos direitos animais, pacifista, vegetariano e defensor da alimentação natural, Dick Gregory deu aos participantes um testemunho de seu ponto de vista em todos esses campos de atividades”, segundo informações da IVU. Naquele ano, Dick Gregory ajudou a angariar recursos para combater a fome nas Ilhas Britânicas com comida vegetariana.
Referências
https://www.peta.org/living/entertainment/dick-gregory-circuses/
https://www.peta.org/blog/dick-gregory-animals-humans-suffer-die-alike/
https://ivu.org/congress/wvc75/gregory.html
http://www.newsweek.com/dick-gregory-heres-what-you-need-know-about-pioneering-comedian-and-civil-652431


