Archive for April, 2018
Nova pesquisa publicada pela Associação Americana do Coração associa consumo de alimentos de origem animal à morte prematura

O estudo identificou que os participantes que consumiam gorduras monoinsaturadas de fontes animais tiveram um risco de morte ampliado em 21% (Fotos: Shutterstock/Divulgação)
Uma nova pesquisa da Associação Americana do Coração concluiu que embora o consumo de gorduras monoinsaturadas de origem vegetal seja benéfico, o consumo de gorduras monoinsaturadas de origem animal aumenta em 21% o risco de morte por doenças cardíacas.
O novo estudo apresentado no mês passado nas Sessões Científicas de Epidemiologia e Prevenção, Estilo de Vida e Saúde Cardiometabólica da Associação Americana do Coração concluiu que o consumo de gorduras monoinsaturadas de origem animal, particularmente proveniente de carne vermelha, laticínios, aves, ovos e até mesmo peixes, aumenta o risco de morte prematura. Os pesquisadores estudaram ao longo de 22 anos os hábitos alimentares de 63.412 mulheres do Nurses’ Health Study e 29.966 homens do Health Professionals Follow-Up Study, e registraram 20.672 mortes entre os participantes. Desse total, 4.588 morreram em decorrência de doenças cardíacas.
O estudo identificou que os participantes que consumiam gorduras monoinsaturadas de fontes animais tiveram um risco de morte ampliado em 21%, enquanto aqueles que consumiram a maior quantidade de gorduras monoinsaturadas de fontes vegetais tiveram um risco de morte 16% menor. Os pesquisadores descobriram que a substituição de gorduras animais pelas derivadas de plantas reduziu o risco de morte prematura em 10 a 15%. “Nossos resultados enfatizam a importância da fonte e da quantidade de ácidos graxos monoinsaturados na dieta”, disse a PhD Marta Guasch-Ferré, uma das principais autoras do estudo.
Segundo Marta, devemos consumir mais ácidos graxos monoinsaturados de fontes vegetais e menos ácidos graxos monoinsaturado de fontes animais. No ano passado, um estudo publicado no jornal da Associação Americana do Coração informou que fontes de proteína vegetal melhoraram os três principais marcadores de colesterol para a prevenção de doenças cardíacas. O mais recente estudo da American Heart Association foi publicado no site da revista Science Daily no dia 21 de março.
Referência
Avenida Paulista recebe Festival de Gastronomia Vegana

Festival vegano vai oferecer opções para todos os gostos no domingo (Acervo: Rayanne Monstans Galavotti/Divulgação)
No domingo, dia 8, das 12h às 20h, o Festival de Gastronomia Vegana JMA J’adore mes amis vai oferecer no Club Homs, no número 735 da Avenida Paulista, próximo ao Metrô Brigadeiro, em São Paulo, um circuito gastronômico com falafel, samosa, cheesecake, bolos, comida árabe, do Congo, da Índia, do Japão e de tantos outros locais – além dos quitutes brasileiros como a coxinha de jaca verde, sorvetes com frutas tropicais, sucos diversos e até alimentos para animais. De acordo com a organização do evento, são muitas as iguarias para provar sem dor na consciência, ou seja, sem exploração animal.
Além da alimentação para consumo imediato no local ou para viagem – como leites, manteigas e queijos, todos de origem vegetal, haverá expositores de outros setores como cosmético, higiene, artesanato, decoração, vestuário, calçados, acessórios e itens para pets. Será um evento para toda a família, com abertura antecipada às 10h para yoga e meditação com Cláudio Duarte; das 14h às 15h30 a nutricionista vegana Andressa Roehrig Volpe palestra sobre “Os benefícios da dieta 100% vegetariana”; e para as crianças haverá às 17h narração de histórias com o tema “O Casarão das Gatas” com Marcya Harco, vegana idealizadora e organizadora do projeto PAZ.
Em 2018, o Encontro Vegano JMA completa quatro anos. Aberto gratuitamente ao público, já recebeu cerca de 80 mil visitantes e contou com mais de 500 empreendedores, tornando-se referência no veganismo em acessibilidade. No festival, o público tem uma prova de que é possível um estilo de vida baseado na ética e respeito aos animais, aos humanos e ao planeta.
Acompanhando o crescimento do veganismo no Brasil e no mundo, o evento reúne na curadoria expositores qualificados em bens e serviços veganos, ou seja, baseados em ingredientes e matéria-prima sem origem animal e também não testados em animais. O espaço sempre conta com abertura antecipada para a atividade de yoga e meditação, e presença de ONGs e protetores de animais independentes que recebem doações de ração, medicamentos, fraldas, jornais, tapetes higiênicos, cobertores e outros itens para ajudá-los nos resgates.
Saiba Mais
Entrada franca com atividades gratuitas
Acessibilidade com elevador
A maioria dos expositores aceita cartão
Página do evento: www.facebook.com/events/356043328138658
Vidas não valem nada
Vidas não valem nada, concluí quando saí do matadouro após uma visita no mês passado. O magarefe posicionou a pistola contra a cabeça de um boi dócil e disparou. Um tiro absterso e silente. O dardo penetrou o crânio do animal e o fez deitar no chão. Barulho intenso. Tive a impressão de que algo estava explodindo. E não estava? O mundo de um animal que naquela tarde não imaginava que não veria a noite ou um novo dia. Não chorava feito criança, embora corpulento e desgracioso tremia como um recém-nascido – (in)voluntariamente, batendo de um lado para o outro dentro de uma caixa de tijolos. Morto? Sim ou não, depende de quem vê. O magarefe não viu os olhos embaciados do boi. Não, aquilo era perigoso. Limpou a pistola, sem prestar atenção no bicho e ajeitou os fones de ouvido por baixo do abafador:
Historicamente, a luta pelos direitos animais sempre foi feita por pessoas sensíveis e racionais
Historicamente, a luta pelos direitos animais sempre foi feita por pessoas sensíveis e racionais; e com uma compreensão da realidade muito além do seu tempo. Não interessa em que período. A história está cheia desses exemplos. Na realidade, antes mesmo da concepção moderna dos direitos animais fundamentada no trabalho de Henry Salt, da Liga Humanitária inglesa, esses ideais de respeito à vida independente de espécie já vinham sendo moldados ao longo dos séculos.
Antes da era cristã e da formatação do antropocentrismo, já encontrávamos pessoas indo na contramão dessa displicência em torno da objetificação animal que ganhou proporções piramidais após a Revolução Industrial. Encaro essas pessoas como observadores e visionários dos desdobramentos de uma nociva realidade concreta. Hoje temos o privilégio de ter um bom número, claro que embora não o suficiente, de pessoas com quem podemos compartilhar francamente nossas ideias.
Agora imagine a realidade dessas pessoas no tempo em que viveram. Menos do que loucos e tolos não eram considerados ostensivamente por muitos. Não são raros os exemplos daqueles que foram desrespeitados e sofreram perseguições exaustivamente, sendo empurrados à marginalização; ainda assim não desistiram. Valeu a pena? Não tenho dúvida, porque os exemplos e os ideais contemporâneos não se fizeram sozinhos.

