David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Autoral’ Category

A morte da senhora vizinha

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O anúncio foi feito por dois cães mestiços (Pintura: Jonelle Summerfield)

Uma senhora que morava na minha rua morreu. O anúncio foi feito por dois cães mestiços que tentavam invadir a casa. Eles uivaram e deixaram marcas de garras na porta da cozinha. Em poucos minutos, esculpiram um emaranhado de riscos, sincretismo de tristeza e desespero. Sentiram sua ausência antes de testemunhá-la morta, caída na cozinha, vítima de AVC.

Juntos, cavaram um buraco no quintal, na ingênua tentativa de chegar até ela. Não se deixaram abater. Só abandonaram o buraco quando ouviram alguém abrindo o portão. Era o filho. “Mãe…mãe…cheguei!” Lorenzo e Matino se aproximaram do rapaz. Com os focinhos cheios de terra, latiram simultaneamente.

Desafinados pela estafa e pela desarticulação da surpresa, lamentaram como crianças órfãs, que ainda não aprenderam a falar. Lágrimas escorreram, assim como o uivo fragilizado e prolongado que, oscilante, se perdia como os fios de água que desciam incertos pelas bocas de lobo. O filho abriu a porta e os cães se adiantaram até a cozinha. Lamberam as mãos da mulher que já não existia.

O rapaz tapou a boca e gritou, reprimindo o som e engolindo o bafo quente como rajada de fogo. Enxugou as lágrimas na camiseta e chamou o Corpo de Bombeiros. “Não há mais o que ser feito.” Circulando o corpo, Lorenzo e Matino uivaram mais uma vez. Roufenho, o filho berrou: “Perdão, mãe! Perdão!” Sem fazer barulho, os cães se aproximaram e lamberam as mãos do rapaz.

Com a chegada dos funcionários da funerária, embalaram o corpo em um saco de PVC e partiram. O filho foi atrás, em seu carro, acompanhado por Lorenzo e Matino. Com a cabeça atravessando a janela, seguiram uivando para o nada, ou para o tudo, já que a vida celebra a morte tanto quanto a morte celebra a vida.

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Written by David Arioch

October 14th, 2016 at 11:49 pm

O burrinho sentado

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Achei melhor começar pelo aparelho de gêmeos (Foto: Reprodução)

Aconteceu um fato inusitado na academia quando eu estava terminando o treino. Enquanto eu desmontava o leg press, notei um senhor me olhando. Acredito que ele mirava especificamente meu rosto. Talvez a minha barba. Simplesmente fingi que não percebi. Tirei uma grande quantidade de anilhas do leg press e decidi treinar panturrilhas.

Achei melhor começar pelo aparelho de gêmeos. Como a última pessoa a usá-lo foi justamente aquele senhor, atravessei até o outro lado da academia, onde ele fazia abdominais num canto, para perguntar se já tinha terminado de usar o tal aparelho, também chamado carinhosamente de “burrinho sentado”.

Depois de uma série de abdominais, o homem continuou deitado, com as mãos na testa e mirando o teto. Então me aproximei e perguntei: “O senhor terminou de usar o aparelho para panturrilha?” Acho que a minha presença era tudo que ele não esperava naquele momento. Levou um susto tão grande que seu corpo chegou a ficar suspenso no ar por um segundo, não sei ao certo. Só lembro da resposta e das balançadas de cabeça: “Terminei sim! Sim! Terminei sim!” Agradeci e caminhei em direção ao “burrinho sentado”.

Written by David Arioch

October 13th, 2016 at 11:44 pm

Simplicidade e doçura

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Presente que recebi de uma aluna na saída

Presente que recebi de uma aluna na saída

Hoje, a convite da professora Rosana De Carvalho Martineli Dos Santos e da pedagoga Laiz Leite Ribeiro, passei a manhã no Colégio Estadual Flauzina Dias Viegas, falando sobre algumas histórias de Paranavaí que vão integrar o meu livro “Areia Branca”.

Também me perguntaram sobre os meus contos veganos e conversamos a respeito da minha relação de amor e respeito em relação os animais, iniciada na infância. Estive em três turmas diferentes – de 6ª e 7ª série.

Assim que deixei a última turma, por volta das 11h20, uma garotinha, com a mais tenra expressão de alegria, correu em minha direção na saída da sala e me entregou o presente que aparece na foto. Dei-lhe um abraço e ela voltou para a sala sorrindo. Simplicidade e doçura foram as palavras que me vieram à mente.

Written by David Arioch

October 11th, 2016 at 11:34 pm

Visit the dead

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How could it be gloomy if there are plants growing around the graves?

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I didn’t consider a graveyard as a dark place. Quite the opposite (Photo: Copy)

In my childhood, I liked to go to the cemetery. I didn’t go there very often, but the experience quite pleased me, because it gave me the impression that I was entering another world, where the living meets the dead. I didn’t consider a graveyard as a dark place. Quite the opposite. How could it be gloomy if there are plants growing around the graves? If dogs and cats frequent the place?

It wasn’t hard to understand why. The calm, the preeminent silence on most days, allowed the most attentive beings hear the sounds of the earth, besides harmony and dissonance of the species in their insightful relationships with nature. I still remember a couple of chalk-browed mockingbirds singing a short distance from the grave of my great-grandmother, a few steps from the necropolis entrance.

The soft chirping accompanied the solemn breeze that came as a breath. It protruded from the top of a tree, where cotton, grass and dry twigs were a nest-shaped basket. “Hmm … one will be born”, I thought. Suddenly, a thrush leaned next to the white wall, renovated with lime, and started scratching the ground in search of food. He watched me without worry and continued scratching the soil, perhaps confident in his shrewdness, as he was at home, where the stranger was me.

I turned away and walked to the left to read the inscriptions and epitaphs written extemporaneously in concrete or engraved on bronze plates. “Why are the graves so different? They couldn’t be equals?”, I asked my parents. They explained that the greatest normally belong to the rich. Some people believe that the bigger the grave, the higher the level of importance of the deceased. Based on this pharaonic belief, it is assumed that even strangers will be attracted by the mausoleums. The impressiveness always helped them stand out among the rest, as a flourish that naively romanticize the inevitable fate of all beings.

In my reflections, tombs, however different they were, reminded me of product packaging or gift packages. I mean, no matter how sumptuous the grave was, the truth is that they are regarded with the same matter. Some mausoleums I saw as strongholds created to protect or ensure the fragile human transience. Doors, windows and large rings made me suspect that perhaps the family believed in the possibility of a return of the deceased loved one. “Do they think that one day the dead will get up and walk out the door?”, I asked.

I also learned that sometimes a homeric tomb may reveal a material form of affection, or delayed compensation to the dead for some misunderstanding or meager participation in your life. I heard stories of people moved by flagellant remorse spent small fortunes in the construction of tombs. Some works cost more expensive than a house. The materials were brought from other parts of Brazil and other countries, thus ensuring the catacomb a sui generis privilege.

“Did you know that Orlando’s family hired a mannerist artist to create the project of the grave?” I heard this one morning. Perhaps there was an intrinsic relationship with the memorial or human absurdity before the finitude, an exercise in symbolic perpetuation. “Let’s create something so that he is never forgotten. For centuries after his death he is still remembered. Even though none of us live long, others, even strangers, will be here to see him”, someone thinks, refusing to believe that the death of our always changes something within us, but the world will continue following his natural course, confirming our smallness, regardless of our pain.

Looking around, and seeing both assortment of colors, types, sizes and decorations, I remembered a lesson from teacher Babeto. He showed us photos of a graveyard in France, where death reaffirms the indistinctness of humans. On the green lawn was just white crosses in concrete. Everything seemed so uniform, harmonious, fair and consistent. After all, there is nothing to be proved when life fades, as we are what we do in life.

Perhaps some are too passionate to accept that their loved ones were also overcome by passing, like so many others. So, I don’t doubt that for some, the grave is now seen as an address, where the end is to be postponed until the time that the last brick or marble was wrapping the coffin.

Anyway, I never felt as intrigued by mausoleums, like how I felt for old graves, helpless, relegated to ostracism – which rarely receive visits from family and friends of the deceased. Curious and inquisitive, I found vaults abandoned for decades, built by families that no longer exist, with stories and surnames lost in time – obsolete and extinct as rare specimens. Some graves have vanished because they were not perpetual, mostly of peasants or humble people.

In the 1990s, for example, I visited the grave of two little girls that were ten years old, childhood friends of my mother. On a rainy day in the 1960s, they were struck by lightning while they washed dishes in the back of the house. They died in agony on a dirt floor that darkened the light hair that covered their faces.

The tragedy touched many ranchers who walked on foot for long distances to pray for the children, helpless, in the most allegorical of weaknesses, surrounded by coffee plantations that soon would cease to bloom and bear fruit. Mistress Mary visited her daughter and niece until the day that no perpetual tomb was destroyed to make way for another deceased child, who did not run the risk of having his remains relocated because they paid enough for that privilege. I received that news three years ago, after searching the vault in vain.

I have memories of how small the two tombs were. No bronze plates, photos, names or any information. Over time, and without fanfare, they continued to exist for a few to the full and figured fading material. “They were good girls. But the cycle of them in this place is over. Maybe it was better that way. The mother suffered too much”, said an old lady with a plaintive smile.

I walked to another grave, watching this old lady who introduced herself as Tania. Her glittering and vernal eyes contrasted with her skin and slender face pied by the action of the time. She had a sweet voice, from who accepts what life offers, and no matter how small the gift, she still grateful. Tania visited her husband once a month since 1957, which is when he died as a result of malaria.

He worked building roads in my town, until one day he became ill and could not get up anymore. He did not receive the last two months of work. “I went to the boss’s house to get the unpaid wages. Hence the man shouted: ‘I have nothing for you, woman! My business was with your husband. Get out of here!’ I was not angry because of it. I just left”, she told me. Years later, Tania learned that the man was shot to death because he sold a farm with two houses, and he tried to bring down one of those to resell the wood.

After her husband’s death, Tania never had another relationship with men. She still wears on her finger the wedding ring purchased in 1951. When I asked if she did not feel very alone, Tania argued that loneliness does not live in a heart in communion with the life. Also, I questioned why she kept visiting her husband after so long.

While she cleaned the grave with a piece of flannel, one of the simple ones of the graveyard, dedusting as if making caresses, she watched me with a candid smile and replied: “The human being who is not faithful to his promises can not be true to yourself. So how I do every month, I am here fulfilling my promise, not out of obligation, but because it invigorates my heart. Life is everywhere, in the earth entrails and in the uncertainties of the sky, and the cemetery is no different. I also see here the east, as well as the west. “

Written by David Arioch

October 11th, 2016 at 12:01 am

Direção e fome

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Parece que a fome é capaz de deixar as pessoas um pouco mais agressivas. Por volta das 11h50, trafegando pela Avenida Parigot de Souza, vi logo mais a frente um senhor com a porta do carro aberta, então reduzi a velocidade até dar tempo dele fechá-la. Um motorista abespinhado passou do meu lado em alta velocidade, quase rasurando a lataria do meu carro. Sentindo-se o dono da razão, seguiu buzinando, como se eu tivesse feito algo de errado. Não é um relato incomum. É rotina numa cidade fleumática de motoristas famintos.

Written by David Arioch

October 10th, 2016 at 11:19 pm

Um dia e duas escapadas da morte

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Escapei da morte duas vezes hoje. Fui para a casa do meu irmão em Cianorte hoje de manhã, conhecer a minha terceira sobrinha que nasceu esta semana. No caminho, perto de Rondon, uma caminhonete ultrapassou em local proibido e veio em minha direção. Só consegui evitar o choque porque joguei meu carro fora da pista, num descampado. E depois disso, o motorista seguiu seu caminho, sem se importar com o acidente que poderia ter custado a morte de várias pessoas.

Há pouco, na volta para casa, perto de Paraíso do Norte, eu dirigia tranquilamente, quando de repente um cachorro grande e preto invadiu a pista. Desviei e o carro começou a ziguezaguear pelo asfalto. Não consegui deixar de pensar no pior. No mínimo, eu me chocaria contra uma árvore ou capotaria em direção ao acostamento.

Ainda bem que meu carro é estável. E enquanto eu tentava recuperar o controle dele, só pensei na possibilidade de algum veículo vir na mão contrária, onde fui parar depois de segundos de terror. Repentinamente, o carro parou no meio da pista, esfumaçando e cheirando a pneu queimado. Fiquei tão atordoado que só quando desci do veículo me dei conta de que eu estava no centro da rodovia. O cachorro preto já tinha desaparecido. Não sei pra onde.

Depois dirigi até o acostamento, saí do carro e fiquei observando as inúmeras marcas na pista. Um motorista que vinha logo atrás veio conversar comigo, para saber se estava tudo bem. Realmente gente boa. Quem passar pelo mesmo local amanhã cedo, provavelmente pode suspeitar que alguém morreu naquele ontem, ou seja, hoje.

Written by David Arioch

October 9th, 2016 at 11:38 pm

Leandro Karnal e a analogia aos esteroides anabolizantes

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Em uma das palestras do Leandro Karnal, vi algo que me chamou a atenção. Ele fez uma analogia aos esteroides anabolizantes para citar um exemplo de conduta antiética. Ele exibiu para centenas de pessoas a foto de um rapaz como sendo a de um usuário de AEs, quando na realidade ele estava mostrando a imagem de um usuário de vitamina ADE, produto de uso veterinário.

Sim, ADE é um exemplo de trapaça quando usada por seres humanos que querem induzir algo enganoso, Porém, não é esteroide anabolizante, é um óleo de aplicação local que independe de atividade física e boa alimentação. Basta aplicar e ganhar uma bolsa de líquidos, já que ele não gera músculos, apenas amplia o volume do braço.

Sendo assim, penso que é preocupante confundir coisas de funções e ações distintas. E não se pode também generalizar AE como sendo fármaco de uso recreativo ou competitivo, ainda mais levando em conta sua aplicabilidade em pacientes com doenças graves como o câncer. Independente da minha opinião sobre o assunto, há documentários que tratam especificamente da recuperação de massa magra em pacientes com tumores malignos. Exemplos disso estão no documentário “Bigger, Stronger, Faster”, de Chris Bell.

Acredito que seja sempre perigoso quando tentamos abordar um tema entrando em outras áreas que não dominamos, ou pelo menos sobre as quais não temos conhecimento que vá além das armadilhas midiáticas. Ao final da palestra, Leandro Karnal não abriu espaço para perguntas, então fui embora com a esperança de que ele tivesse adquirido os direitos de uso de imagem do rapaz com o braço deformado e das outras pessoas que apareceram na projeção durante a palestra. Do contrário, isso também não seria antiético? A propósito, gosto do trabalho dele. São apenas questionamentos que considero válidos.

Written by David Arioch

October 8th, 2016 at 9:20 pm

Na fila do caixa

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“Compre um saco de quarenta quilos de sal grosso e chupe uma pedrinha bem minúscula por dia”

Na fila do caixa do mercado havia um senhor na faixa dos 80 anos, desinibido e conversador. De repente, percebi ele conversando com minha mãe e sorrindo. Curioso, me aproximei e ele comentou: “Que filho mais bonito que a senhora tem! Olhem pra esse rapaz!” Sem falar nada, até porque sou tímido, fiquei sorrindo que nem cachorro de porcelana na estante.

Àquela altura, enquanto muita gente me observava, o senhor emendou: “Quantos filhos a senhora tem?” Minha mãe respondeu três e ele interpelou: “Tudo bonito que nem esse?” Sem dar trégua, o homem chamou a atenção da moça do caixa e disse: “Olhe pra esse rapaz! E essa barba preta, como pode? Nunca vi uma barba preta como essa na minha vida. E como é bonito! Parece um galã!”, repetia. Calado, eu continuava sorrindo e balançando a cabeça, sem saber pra onde, também lembrando aqueles animaizinhos que os taxistas colocam no painel do carro.

“Não case, meu filho, não faça essa besteira. Compre um saco de quarenta quilos de sal grosso e chupe uma pedrinha bem minúscula por dia. Quando acabar o sal, daí sim você pode pensar em se casar”, recomendou. Depois o homem apontou para um senhor ao seu lado e declarou: “Esse aqui é meu filho, já tá feio, coitado! Engordou e nem tem mais cabelo.”

A vítima, conhecendo o pai que tem, só riu, sem esculpir expressão de desconforto. Antes de pagar a moça do caixa e partir, o senhor mais velho sentiu o cheiro de pão quente saindo de um pacote nas mãos de minha mãe. “É pão quente? Posso pegar?” Minha mãe consentiu, abriu o saco, o homem tirou um pão, agradeceu e começou a comer tranquilamente.

Sem demora, caminhou até a saída dando um tapinha amistoso nas costas do filho, que retribuiu o gesto encostando a mão no ombro do pai. Em menos de minuto, desapareceram na escuridão solene, e por assim dizer transparente, da primavera.

Written by David Arioch

October 6th, 2016 at 12:09 am

Um convite no semáforo

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Sem tempo de entender nada, senti uma luz esverdeada em minha direção

Sem tempo de entender nada, senti uma luz esverdeada em minha direção

Saindo do mercado, parei em um semáforo na Avenida Rio Grande do Norte. De repente, um sujeito encostou o seu carro bem próximo do meu. Havia bastante espaço, mas ele preferiu ficar bem perto de mim. Ok! Não me preocupei. Continuei ouvindo música.

Para minha surpresa, o rapaz começou a acelerar sucessivas vezes enquanto o sinal continuava vermelho. Ele estava me desafiando, me convidando para um racha. Como o vidro do meu carro tem uma película bem escura, à noite é quase impossível ver quem está dentro.

Então pensei que talvez fosse uma boa ideia abaixar o vidro e fazer um aceno de mão cordial, mas desinteressado. Assim que o vidro desceu, o sujeito pareceu amedrontado e se desculpou. Sem tempo de entender nada, senti uma luz esverdeada em minha direção – o sinal abriu. Segui meu caminho ouvindo “Sistem te laže”, do Beogradiski Sindikat. Pelo retrovisor, notei que o rapaz continuava no mesmo lugar.

Written by David Arioch

October 2nd, 2016 at 1:51 pm

A ética e a “ética”

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Leandro Karnal veio a Paranavaí ministrar palestra sobre ética (Foto: Reprodução)

Ontem, assisti uma palestra sobre ÉTICA, ministrada pelo professor Leandro Karnal na Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Paranavaí. Lá fora, encontrei carros estacionados em fila dupla. E mais adiante, no primeiro semáforo, quando eu dirigia de volta para casa, mantive meu carro na fila à esquerda, a única correta para um veículo que seguiria reto.

Um sujeito, que também estava na palestra do Karnal, não quis aguardar na fila à esquerda (porque ele seria o oitavo da fila). Então ele ultrapassou todos os carros pela direita e seguiu reto, mesmo ciente de que a faixa da direita é destinada a quem vai virar à direita. Chamo isso de a “arte” de assistir uma palestra e ainda assim não aprender nada.

Written by David Arioch

October 1st, 2016 at 12:32 am