David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Música’ Category

Kanis, uma boa surpresa

without comments

EP contém sete músicas na versão CD

EP contém sete músicas na versão CD

“Parceiros, Amigos, Amores” – Não tiro mais este CD do player do meu carro. Música da mais alta qualidade feita pelo brother Willian Mattos. Logo mais sai minha reportagem sobre o Kanis. Uma banda que merece ser ouvida e logo mais deve ocupar posição de destaque no cenário musical independente. Sem dúvida, uma boa surpresa paranaense.

Para quem quiser conhecer: https://www.youtube.com/watch?v=Jnd7eKuQWRk

Written by David Arioch

September 30th, 2016 at 1:43 pm

Posted in Música

Tagged with , ,

“Vamos fazer um CD juntos?”

without comments

13434898_907035259407447_2006481579175806289_n

João Henrique precisa arrecadar R$ 7 mil para produzir o primeiro disco (Foto: Acervo Pessoal)

O título da matéria é o nome do projeto criado pelo compositor e advogado João Henrique de Andrade, de Paranavaí, no site de financiamento coletivo Catarse. O objetivo do músico é arrecadar R$ 7 mil para realizar o sonho de gravar o seu primeiro disco, pautado em histórias de amor e amizade.

Muito conhecido na região de Paranavaí, onde desde a década de 1990 toca em barzinhos e eventos, João Henrique informa que o CD vai contar com sete músicas – “Normal”, “Ouvindo a Chuva na Varanda lá de Casa”, “Delírio e Ontem”, “Quasar”, “Pra Sempre Vou Te Amar”, “Mandela” e “Quarta-Feira Cinzenta”. Algumas das composições já foram premiadas no Festival de Música e Poesia de Paranavaí (Femup), um dos festivais mais antigos do Brasil, onde o músico está entre os mais prestigiados pelo público.

A qualidade musical do trabalho de João Henrique é tão evidente que ele foi convidado para abrir o show do cantor Zé Ramalho em Paranavaí no dia 27 de outubro. Além disso, o compositor, em parceria com a esposa Luzimar Andrade, também é conhecido por participar de muitos trabalhos voluntários e por realizar shows beneficentes em prol de enfermos ou de pessoas que enfrentam crises financeiras. Como palestrante, também ministra cursos de oratória com duração de 15 a 20 horas, além de oficinas de empregabilidade para jovens que estão em busca do primeiro emprego.

“É um trabalho que fazemos de graça e com muito prazer para entidades que não visam lucro”, afirma. Para contribuir com o músico que já ajudou tantas pessoas, acesse o link abaixo:

https://www.catarse.me/vamos_fazer_um_cd_juntos_c783

Contato

Para mais informações, ligue para (44) 9955-1325.

Written by David Arioch

August 24th, 2016 at 2:33 pm

Ralf Hütter, Kraftwerk e o vegetarianismo

without comments

Hütter: “Não gosto de matadouros. Isso é elementar”

17228262_500

Ralf Hütter se tornou vegetariano há mais de 35 anos (Foto: Divulgação)

Na reportagem “Kraftwerk: the elusive kings of digital pop”, publicada pelo The Times, de Londres, em setembro de 2009, Ralf Hütter, vocalista, compositor e fundador da banda alemã Kraftwerk, se apresentou como um vegetariano e amante dos animais. E sobre sua escolha, ele foi lacônico: “Não gosto de matadouros. Isso é elementar.” Hütter, que advoga o vegetarianismo há mais de 35 anos, também convenceu os outros membros a tornarem-se vegetarianos.

Kraftwerk é considerada a banda mais influente de todos os tempos no cenário da música eletrônica com ramificações na industrial music, synthpop e dance music. O grupo estimulou o surgimento de milhares de bandas que inspiradas na independência autoral dos precursores do Krautrock, movimento de música experimental alemã, começaram a interpretar a música e o mercado fonográfico sob uma perspectiva mais moderna, que não se abatia pelas restrições e sanções econômicas surgidas com a Guerra Fria.

De um pequeno estúdio em Colônia, na Renânia, Florian Schneider, Ralf Hütter, Wolfgang Flür e Karl Bartos extraíam composições que como cascatas de timbres alusivos à vida moderna versavam sobre a desconstrução humana no pós-guerra, a sujeição ao consumismo e a distorção de valores estéticos, como o kitsch, embora nem sempre atrelados à Indústria Cultural. Iam além e recriavam amores eletrônicos em belos universos desconexos com seus sintetizadores e outros equipamentos analógicos que a própria banda inventava ou personalizava.

Já diziam na inesquecível Das Modell: “Ela é tão bela que por sua beleza teremos de pagar.” Kraftwerk fez muito sucesso pela genialidade em unir criatividade, até mesmo se tratando dos figurinos, perspectivas e prognósticos sobre o homem do futuro, deixando um legado musical que inclui obras-primas como Autobahn, de 1974, e a trilogia Radio-Activity, Trans-Europe Express e The Man Machine, de 1975, 1977 e 1978. Kraftwerk é um exemplo de que há mais profundidade na música industrial/eletrônica do que se imagina.

Contribuição

Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:





Written by David Arioch

August 23rd, 2016 at 11:10 am

Marcus Dotta: “Ainda sentimos o descrédito por sermos brasileiros”

without comments

Destaque nacional, baterista fala sobre a carreira e a experiência de tocar com o vocalista Warrel Dane

13435453_1097606536979693_6717682447941162756_n

“Para alguns, o fato de você ser do mesmo país ou não tocar no Angra ou Sepultura, não te torna digno de estar no palco” Foto: Renan Facciolo)

Em 2014, a produtora TC7, de São Paulo, convidou o vocalista estadunidense Warrel Dane, famoso por integrar conceituadas bandas de heavy metal como Sanctuary e Nevermore, para realizar alguns shows com músicos brasileiros. A iniciativa deu tão certo que a banda que acompanha o vocalista, formada por Marcus Dotta, Thiago Oliveira, Johnny Morais e Fábio Carito, continua excursionando com Dane dentro e fora do Brasil. E o mais interessante de tudo é que essa formação se provou a mais sólida da carreira do vocalista nos últimos anos.

Marcus Dotta, o último músico a ingressar na banda, conquistou a vaga de baterista após enviar um vídeo tocando Born, do álbum This Godless Endleavor, de 2005. Dotta, um baterista que se identifica essencialmente com rock e heavy metal, começou a tocar em 2000 e teve como principal inspiração o baterista alemão Uli Kusch que fez história na banda de power metal Helloween entre os anos de 1994 e 2000.

“Na minha opinião, ele gravou os melhores e mais técnicos discos da banda. De tanto ouvi-lo tocar, sei cada nota que ele executa. Também não tenho como fugir dos clássicos como Scott Travis [Racer X, Judas Priest e Thin Lizzy] e Gene Hoglan [Dark Angel, Death e Devin Townsend]. Aqui no Brasil, com certeza tive como maior influência o Aquiles Priester, com quem já trabalhei como roadie por um tempo. Somos muito amigos”, declara.

Sobre a experiência de trabalhar com um dos grandes vocalistas da história do heavy metal, Marcus Dotta lembra que em 2006 sua banda abriu um show do Nevermore em Curitiba. Como ele já era muito fã dos caras, fez questão de assistir tudo do backstage. “Hoje, toco as mesmas músicas que assisti ao vivo e com um dos principais membros da banda. Às vezes, parece surreal”, avalia.

Em março tive a oportunidade de assistir ao show da turnê Warrel Dane Brazilian Tour 2016 em Florianópolis, Santa Catarina, e posso dizer que a sintonia e a qualidade dos músicos justificou a casa cheia. Entre berros empolgados e refrãos perfeitamente cantados pelo público, um dos destaques daquela noite foi o baterista Marcus Dotta, com quem conversei sobre a sua carreira, experiência de tocar com Warrel Dane, turnê europeia, fatos inusitados, repertório e recepção do público, entre outros assuntos. Confira:

Marcus, sei que você já integrou e integra muitas bandas e projetos como Thram, This Grace Found, Seventh Seal, Hevilan, Skin Culture, Addicted To Pain, Hatematter e Tiago Della Vega, além de atuar como sideman. Quais desses trabalhos você considera mais enriquecedores para a sua formação profissional? Tem algum projeto que você qualifica como o seu preferido?

Todos eles contribuíram de alguma forma com a minha carreira. Basicamente, existem diferenças muito grandes em como você deve lidar com um trabalho próprio autoral e com um trabalho em que é contratado como sideman. No seu disco ou show, você pode agir de uma forma, no disco ou show de quem te contratou, você deve respeitar regras. São experiências que qualquer um que vive de música deve ter porque enriquece muito a nossa visão profissional. Em relação ao projeto preferido, atualmente é uma banda nova chamada Soulhost. Já estamos começando a lançar material. É uma mistura de estilos que se encaixam – eletrônico, metal e pop, um som diferente que nunca toquei antes. Tenho dois projetos autorais com músicas e clipes para serem lançados este ano – Soulhost e O.S.P.

Dotta: "Hoje, toco as mesmas músicas que assisti ao vivo e com um dos principais membros do Nevermore" (Foto: Renan Facciolo)

Dotta: “Hoje, toco as mesmas músicas que assisti ao vivo e com um dos principais membros do Nevermore” (Foto: Renan Facciolo)

Você chegou a ter algum receio ou apreensão ao tocar com o Warrel Dane? Foi um desafio na sua carreira?

Eu não diria receio, até porque nos preparamos muito antes do primeiro ensaio. Afinal, ele já tinha tocado com alguns dos melhores músicos do mundo dentro do estilo. Mas já no primeiro ensaio descobrimos que ele é uma pessoa muito simples e fácil de trabalhar, então o desafio maior foi executar bem as músicas para agradar aos fãs. E algumas dessas músicas não são nada fáceis.

A formação atual com o Warrel Dane é composta pelo próprio, você, Thiago Oliveira, Johnny Morais e Fábio Carito. Você já tinha trabalhado com todos esses músicos?

Eu tinha gravado algumas músicas para um projeto chamado Addicted to Pain com o Fábio. Porém, só tinha ensaiado e feito shows com o Warrel Dane mesmo.

Da turnê de 2014, An Evening with Warrel Dane, você destaca quais momentos como os mais inesquecíveis? Como foi a receptividade do público? Surgiu alguma situação desconfortável ou inesperada?

Acontece de tudo em turnê, desde imprevistos técnicos, como estourar corda ou pele e termos que nos virar para continuar tocando até o roadie trocar, até momentos de nudez repentina do Johnny [Morais] em situações inapropriadas [risos]. E, claro, o Warrel nos obrigando a ver pérolas da internet como a Vomit Pool Party.

Na Grécia, um jamaicano tentou te dar um golpe? Como foi essa história?

10609635_1030256157048065_5296257113082934272_n

“Tenho dois projetos autorais com músicas e clipes para serem lançados esse ano – Soulhost e O.S.P” (Foto: Evandro Camellini)

Como você soube disso? [risos] Lá eles sacam quem é turista e colocam uma pulseira artesanal de “presente” em você, sem obviamente pedir. Também tentam arrancar alguns euros se fazendo de vítima enquanto outro vem e “bate” sua carteira sem você perceber. Não dei dinheiro nenhum e ele retirou do meu pulso o “presente” que me deu [risos].

Como tem sido a turnê Warrel Dane Brazilian Tour 2016?

Nos apresentamos em algumas cidades de São Paulo e também em lugares que nunca tocamos, como Florianópolis e Brasília. Este ano não temos como prever por quantas cidades ainda vamos passar porque o Warrel está sempre voltando para os Estados Unidos para dar continuidade à produção do novo disco dele. Então os shows ocorrem nos intervalos de produção. Em setembro, devemos voltar para a Europa e fazer uma turnê bem longa por lá, tentando cobrir o maior número possível de países. Ano que vem talvez tenhamos alguns shows nos EUA. Nesse período, acredito que o Warrel também fará alguns shows com o Sanctuary. Eles também pretendem gravar um novo disco.

Vocês foram muito bem recebidos na Europa no ano passado. No Brasil a receptividade também tem sido a mesma?

Realmente fizemos muitos amigos e conquistamos fãs em todo o lugar, mas ainda sentimos o descrédito por sermos brasileiros. Para alguns, o fato de você ser do mesmo país ou não tocar no Angra ou Sepultura, não te torna digno de estar no palco com alguém como o Warrel, independente se você faz um bom trabalho. Infelizmente isso é cultural.

O repertório tem passado por mudanças significativas de um show para outro?

Se já tocamos em uma cidade antes, sempre mudamos o repertório quando voltamos. O tema do show também costuma mudar. No ano passado, tocamos o álbum Dead Heart In a Dead World na íntegra. Já em 2016, misturamos o Dead Heart com o Dreaming Neon Black.

Show em Floripa, um dos melhores da turnê de 2016 (Foto: Carla Galdeano Candiotti)

Show em Floripa, um dos melhores da turnê de 2016 (Foto: Carla Galdeano Candiotti)

Como é a convivência com o Warrel Dane?

Muito boa, conversamos sobre absolutamente tudo. Hoje, vemos ele mais como um amigo bem próximo mesmo, mas às vezes ainda temos um brainstorm ao lembrarmos o que ele representa.

Existe alguma possibilidade de vocês gravarem novo material em estúdio com o Warrel Dane?

Sim, já estamos produzindo seu novo disco solo. Queremos terminar as composições ainda este ano. Não dá para adiantar muito agora, mas o que podemos dizer é que ele vai se chamar Shadow Work.

Atualmente você se sente mais seguro quando sobe no palco? Já chegou a ficar ansioso ou nervoso?

Nunca tive problema com nervosismo para subir no palco, até porque é a melhor parte do trabalho. Como tenho o instrumento mais complexo de transportar e montar, sempre fico nervoso com a logística que envolve tudo [risos].

O que vocês acharam da experiência de tocar em Floripa?

Florianópolis foi de longe um dos nossos melhores públicos! Unanimidade entre todos da banda. Fizemos muitos amigos. O show foi animal! A cidade realmente faz jus à fama de ser muito bonita.

Uma curiosidade, por que o Warrel Dane tem tomado chá durante os shows?

Chá e uma dose de Jack Daniels são itens obrigatórios para ele no camarim. Não me pergunte o motivo [risos]. Na verdade, em relação ao Jack Daniels, dá para entender, porque temos um ritual de virar uma dose generosa de whisky antes de subir no palco, como sinal de boa sorte. Coisa do patrão também [risos].

Marcus, você tem algum episódio cômico para relatar dessas turnês?

Temos boas histórias de groupies stalkers [risos], mas essas quem quiser saber tem que perguntar pessoalmente para a gente nos nossos próximos shows.

Quem quiser comprar a nova camiseta da banda Warrel Dane, basta acessar: http://warreldane.net/item/dead-heart-in-dead-world-15th-anniversary-tour/

Quatro mulheres e uma banda

with one comment

Roqueiras da Red Velvet planejam lançar primeiro EP este ano

Quatro mulheres e uma banda

Banda foi influenciada por Guns N’ Roses, Led Zeppelin, AC/DC, Deep Purple, Rival Sons e Janis Joplin (Foto: Red Velvet)

Formada por Débora Louize, Luana Maran, Priscila Louzano e Luana Santana, a banda Red Velvet surgiu em Paranavaí no final de 2014. Desde o início a intenção já era fundar uma banda feminina de rock. “Eu e uma amiga começamos a tocar e tivemos essa ideia. Mas ela se mudou daqui e decidi procurar outras meninas em escolas de música e cidades próximas”, conta Luana Maran.

Embora a história das mulheres no rock seja antiga, e tenha como exemplo nomes como Janis Joplin, Joan Baez, Joan Jett, Lita Ford, Rita Lee, Debbie Harry, Chrissie Hynde e muitas outras, ainda tem gente que se surpreende ao ver uma banda formada por garotas. “Há pessoas que encaram como novidade algo que não é. Em relação a ser uma banda de mulheres, nos sentimos indiferentes a isso, mas infelizmente há pessoas que ainda nos veem de forma estranha. Tem quem acredite que uma banda de mulheres é ‘menos capaz”, lamenta Luana.

Quatro mulheres e uma banda

“Vivemos um bom momento, com convites para tocar até fora do Paraná” (Foto: Red Velvet)

A Red Velvet tem conquistado boa popularidade no Noroeste do Paraná, com shows marcantes em Paranavaí, Altônia, Umuarama e Maringá. Nós tocamos bastante covers. Não seguimos exatamente um estilo. A gente toca o que gosta, levando em conta que temos formações bem diferentes”, comenta a guitarrista. Entre as principais influências da banda estão Guns N’ Roses, Led Zeppelin, AC/DC, Deep Purple, Rival Sons e Janis Joplin.

Desde o ano passado a Red Velvet tem se apresentado em várias regiões do Paraná, o que tem ajudado a alavancar ainda mais o trabalho da banda que se me vê mais próxima de gravar o primeiro EP. “Já temos algumas músicas autorais prontas. Queremos lançar nosso disco ainda este ano e temos certeza que o resultado vai ser animal. Vivemos um bom momento, com convites para tocar até fora do Paraná”, comemora Luana.

Até hoje a receptividade foi muito positiva em todas as cidades por onde a banda passou levando um repertório que vai do rock clássico ao heavy metal. “Tratam a gente super bem. É gratificante ver o carinho que recebemos desde o momento em que subimos no palco até a hora de ir embora”, enfatiza a guitarrista. Quem quiser contribuir com a Red Velvet ou contratar a banda para shows pode ligar para (44) 9716-9390.

Formação

Débora Louize – Vocal

Luana Maran – Guitarra

Priscila Louzano – Contrabaixo

Luana Santana – Bateria

Acompanhe

Facebook: https://www.facebook.com/RedVelvet80

Instagram: @redvelvetrock

Twitter: @RedVelvet_Rock

Um bom projeto chamado The Last Shadow Puppets

without comments

Last-Shadow-Puppets-1

Projeto foi fundado em 2007 por Miles Kane e Alex Turner (Foto: Divulgação)

Gosto do projeto do Alex Turner em parceria com Miles Kane. Eu já apreciava o trabalho do Turner com o Arctic Monkeys e o do Kane no The Rascals, mas preciso dizer que realmente fiquei surpreso quando conheci o The Last Shadow Puppets há poucos anos.

Interpreto esse projeto como uma trilha sonora que ultrapassa as barreiras do tempo, que constrói a própria identidade em um eterno flerte entre passado e presente. Aos mais velhos, a nostalgia de outras épocas. Aos mais jovens, o sonho ocasional de ter a alma sublimada através de um universo imemorial, mas senciente. Um exemplo que reafirma a minha concepção é a música “Meeting Place”.

Written by David Arioch

May 7th, 2016 at 1:01 am

Vanusa X Black Sabbath

without comments

Está circulando uma matéria na internet sobre as semelhanças entre a famosa “Sabbath Bloody Sabbath”, da banda britânica de heavy metal Black Sabbath, que faz parte do álbum homônimo, lançado em dezembro de 1973, e a pouco conhecida “What To Do”, da cantora Vanusa, que lançou o seu disco meses antes do Black Sabbath. Independente da controvérsia que estão criando sem o aval da cantora, que disse não ter interesse algum em processar o Black Sabbath porque considera isso apenas uma coincidência musical, só tenho uma coisa a destacar: “Que música boa!”

 

Written by David Arioch

April 30th, 2016 at 6:48 pm

Insane Clown Posse e a mitologia da violência nos guetos

without comments

“Criamos o Dark Carnival para que as pessoas entendam o peso de suas ações”

icp

Shaggy 2 Dope e Violent J, criadores da mitologia Dark Carnival (Foto: Divulgação)

Fundado em 1989 por Violent J (Joseph Bruce) e Shaggy 2 Dope (Joseph Utsler), o duo de horrorcore Insane Clown Posse, de Detroit, nos Estados Unidos, se popularizou nos anos 1990 por misturar rock e hip-hop, criando um estilo autoral que influenciou músicos e bandas de vários gêneros dentro e fora dos EUA. O que mais chama atenção no trabalho do ICP é que eles são praticamente os únicos a difundirem o horrorcore além do cenário alternativo norte-americano.

icp-fbi

O Insane Clown Posse já lançou 13 álbuns ao longo da carreira (Foto: Divulgação)

A maior parte das músicas do Insane Clown Posse têm relação com o Dark Carnival, uma curiosa mitologia autoral que se baseia na ideia de que as almas das pessoas são enviadas ao limbo, onde aguardam seu destino: céu ou inferno. Para onde cada um vai é determinado pelas suas ações individuais. Entre as músicas apontadas como as mais clássicas do duo estão “The Great Milenko”, “Hokus Pokus”, “The Neden Game”, “Halls of Illusions”, “Boogie Woogie Wu”, “What is a Juggalo?” e “Tilt-A-Whirl”.

Em 2000, quando Violent J estava viajando de Cleveland para Detroit, ele parou em um posto de combustíveis e comprou uma fita K7 com a música “Let’s Go All the Way”, do duo de new wave Sly Fox, de Miami, na Flórida. Joseph Bruce gostou tanto do som que quis regravá-lo. E o resultado foi que a nova versão entrou para a lista de melhores do Insane Clown Posse. Disponibilizada no YouTube em 2007, ultrapassou mais de quatro milhões de visualizações e agradou até quem não simpatizava com o trabalho do ICP.

Ao longo da carreira, o duo já lançou 13 álbuns. O primeiro e que marcou a criação do Dark Carnival foi o “Carnival of Carnage” que usa a mitologia como uma representação da violência dentro dos guetos dos Estados Unidos. E não somente isso. A partir de satíricas críticas sociais, o duo criou um cenário de carnaval itinerante onde a brutal realidade da periferia também é levada para os bairros de classe alta, como desdobramento da miséria e da indiligência. Sendo assim, nas letras do ICP, a violência se desenvolve como prognóstico de um caos mais do que iminente e financiado pelas esferas mais altas do poder.

Duo criou um cenário de carnaval itinerante onde a brutal realidade da periferia também é levada para os bairros de classe alta (Foto: Divulgação)

Duo criou um cenário de carnaval itinerante onde a brutal realidade da periferia também é levada para os bairros de classe alta (Foto: Divulgação)

No início da década de 1990, Violent J e Shaggy 2 Dope desenvolveram um conceito intitulado “Joker’s Cards” que abrange os álbuns “Carnival of Carnage”, de 1992; “The Ringmaster”, de 1994; “The Riddle Box”, de 1995; “The Great Milenko”, de 1997; “The Amazing Jeckel Brothers”, de 1999; “Bang! Pow! Boom!”, de 2009; “The Mighty Death Pop!”, de 2012; e “The Marvelous Missing Link: Lost”, de 2015.

As cartas do Coringa (Joker’s Cards) são enviadas como aviso pelo Insane Clown Posse aos representantes das classes mais altas e também aos políticos que ignoram os apelos das classes baixas. “Nós a entregamos a quem ignora os gritos das cidades. Cada uma das nossas cartas têm um papel específico dentro do Dark Carnival. Falamos da maldade cotidiana para que as pessoas entendam a importância de salvar a alma humana”, explicam Bruce e Utsler.

O conteúdo pesado das letras já chamou a atenção de muitos jornalistas e críticos que apontaram o duo como um paradoxo em essência, já que o ICP tenta ser espiritualista ao mesmo tempo que aborda a violência sem ressalvas. “Sobre isso, só posso dizer que o mais importante é falar a língua das ruas. Tentamos soar interessante para o público, nos aproximando da realidade deles e ganhando sua confiança. Se você é uma pessoa das ruas, é claro que você tem que trilhar esse caminho. Criamos o Dark Carnival para que as pessoas entendam o peso de suas ações”, argumentam.

Conhecidos como juggalos, os fãs do Insane Clown Posse possuem expressões, gírias e costumes bem próprios, tanto na forma de agir quanto de se vestir, como se fizessem parte de uma tribo. E todos os anos milhares de fãs se reúnem no The Gathering, inicialmente sediado em Cave-In-Rock, Illinois, e atualmente em Thornville, Ohio. O evento realizado pelo duo através da Psychopathic Records tem o apoio de astros do rap e do cinema como Ice Cube, Coolio, Vanilla Ice, MC Hammer, Busta Rhymes e Charlie Sheen, além de bandas como Cypress Hill, Drowning Pool, Gwar, Fear Factory, Cannibal Corpse, Andrew W.K., Soulfly e Mushroomhead.

Cover que rendeu mais popularidade ao duo:

 

Contribuição

Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:





O Bardo e o Banjo, a força do bluegrass à brasileira

without comments

“Não foi uma formação planejada, mas sim uma união de bêbados que deu muito certo”

As primeiras releituras de O Bardo e o Banjo foram de bandas como Lynyrd Skynyrd, The Beatles e Johnny Cash (Foto: Divulgação)

O Bardo e o Banjo começou fazendo releituras de Lynyrd Skynyrd, The Beatles e Johnny Cash (Foto: Divulgação)

Em 2012, quando o multi-instrumentista e compositor Wagner Creoruska Junior se apresentava nas ruas mais movimentadas de São Paulo, divulgando a cultura bluegrass como um homem-orquestra, ele conheceu o violinista Antonio de Souza. “A ideia de criar uma banda veio daí. E logo sugiram convites para participarmos de shows e festivais. Então pensamos na entrada do Marcus Zambelo como vocalista, visando preencher mais o som que fazíamos. Ele tocava em uma banda cover do Rush”, narra Wagner em referência ao início da banda O Bardo e o Banjo, de bluegrass e folk, criada no mesmo ano.

Com a popularidade do grupo, Maurício Pilczuk, que já integrava outras bandas e era professor de música, foi convidado a ingressar como baixista, dando mais corpo aos shows. “Todos acabamos nos conhecendo enquanto tocávamos por aí. É interessante porque não foi uma formação planejada, mas sim uma união de bêbados que deu muito certo”, conta Creoruska rindo.

As primeiras releituras de O Bardo e o Banjo foram de bandas como Lynyrd Skynyrd, The Beatles e Johnny Cash, com o diferencial de uma peculiar roupagem bluegrass, o que Wagner admite não ser uma novidade, já que nos anos 1970 o grupo Old and in the Way, de San Francisco, na Califórnia, fazia covers do The Rolling Stones.

A primeira música autoral do grupo foi "Sweetums", lançada no final de 2012 (Foto: Divulgação)

A primeira música autoral do grupo foi “Sweetums”, lançada no final de 2012 (Foto: Divulgação)

“O Hayseed Dixie também ficou muito conhecido fazendo isso. Adaptar arranjos é sempre um exercício de desconstrução e reconstrução musical. Para nós é legal porque tocamos do nosso jeito as músicas que adoramos, soando menos ‘agressivas’. É engraçado, por exemplo, tocar ‘Ace of Spades’, do Motörhead, e ver as crianças dançando como se fosse o show daquela galinha azul”, comenta às gargalhadas. Outro ponto positivo é que covers bem executados atraem bom público. Por isso a banda gosta de mesclar músicas autorais e releituras, tornando o show bastante interativo.

Influenciado pela música irlandesa e norte-americana desde a infância, Wagner ainda se recorda das tardes ouvindo os discos de Willie Nelson que pertenciam ao seu tio. “Ouvia também Beatles, Creedence e Rick Wakeman. Mas diria que todos viemos do rock e do metal, embora nossas maiores inspirações sejam Heyseed Dixie, Greensky Bluegrass, Old and in the Way e Bill Monroe, entre outros. Como o bluegrass é um tipo de música folclórica com raízes nas fiddle tunes irlandesas, no country e no blues, nos definimos com bluegrass e folk. Buscamos muito essa linguagem mais tradicional”, destaca.

A primeira música autoral do grupo foi “Sweetums”, lançada no final de 2012. Desde então a boa aceitação estimulou O Bardo e o Banjo a seguir em frente. “Não parei mais de compor e hoje temos cerca de 30 composições, incluindo gravadas e não gravadas”, revela Creoruska. Entre os temas das letras estão o cotidiano, relacionamentos, histórias fictícias e divagações.

De 2012 para cá, O Bardo e o Banjo passou por apenas uma mudança na formação (Foto: Divulgação)

De 2012 para cá, passaram por apenas uma mudança na formação (Foto: Divulgação)

Em 2013, a banda lançou o EP Sinergy, seguido pelo EP Lakeside, de 2014. No mesmo ano lançaram também o álbum Homepath e o CD ao vivo Folk n’ Roll que traz covers de Motörhead, Del and Dawg, Black Sababth, Lynyrd Skynyrd, Dire Straits, The Beatles, Ozzy Osbourne, Old Truck Revival, Johnny Cash e ZZ Top.

“O Homepath teve uma divulgação bem legal desde que foi lançado. Através dele conseguimos matérias em jornais e demos entrevistas para a TV. Inclusive tivemos uma das faixas tocadas em um episódio da novela ‘I Love Paraisópolis’, da Rede Globo”, explica Creoruska. Em síntese, o álbum se tornou uma ótima porta de entrada para os outros trabalhos da banda, também servindo como convite para que mais pessoas conheçam e se aventurem pelo universo do bluegrass.

De 2012 para cá, O Bardo e o Banjo passou por apenas uma mudança na formação. Em 2015, o violinista Antonio de Souza deixou a banda e foi substituído por Peter Harris. “Também fizemos alguns shows com o baixista Beto Grangeia que chegou a tocar baixo no clipe de ‘Homepath’. Tivemos ainda a participação do violinista Rik Dias em alguns shows antes da entrada do Peter”, enfatiza.

Em 2014, a banda lançou o álbum Homepath (Foto: Divulgação)

A banda lançou o álbum Homepath em 2014 (Foto: Divulgação)

O que também chama muita atenção no trabalho da banda é a qualidade dos vídeos, acima da média nacional. De acordo com Wagner, os clipes são sempre produzidos em parceria com produtoras e filmmakers aptos a captarem a essência de cada música. “Fizemos muitos vídeos a convite de produtoras com um portfólio incrível. E todos eles estão disponíveis no YouTube”, avisa.

Atualmente os integrantes estão trabalhando na produção do segundo álbum. Tudo indica que as gravações vão ser iniciadas nos próximos meses. “Quanto a instrumentos novos, estamos experimentando outros timbres. Por exemplo, um banjo feito de lata que uso em algumas músicas novas”, informa Creoruska.

O Bardo e o Banjo já fez shows em nove estados do Brasil. Ainda assim há muitas cidades onde a banda pretende se apresentar até o final do ano. “Agora vamos fazer uma pequena turnê pelo estado de São Paulo. Serão 15 shows em duas semanas. Possivelmente passaremos por Brasília no final de julho e também pela região Sul em agosto e setembro. Em novembro voltaremos a Maringá para participar da Virada Cultural”, anuncia.

“Tocar na rua é uma experiência única”

unspecified

Wagner Creoruska: “Fico bastante impressionado com a aceitação do público em geral” (Foto: Divulgação)

O fundador da banda O Bardo e o Banjo, Wagner Creoruska Junior conta que quando começou a tocar sozinho pelas ruas de São Paulo jamais imaginou que um dia as pessoas iriam se interessar tanto por bluegrass e folk. “Fico bastante impressionado com a aceitação do público em geral. Hoje temos muitas bandas de folk, muitos artistas tocando e começando pelas ruas. Acho incrível e apoio todos eles. Tocar na rua é uma experiência única”, admite.

E foi justamente a boa repercussão do trabalho que motivou Creoruska a fundar o projeto Redneck Murder que recentemente disponibilizou o EP No Road is Too Long no site SoundCloud. “É um som mais puxado para o rock e southern rock. Fica o convite para todos ouvirem!”, recomenda o multi-instrumentista que vê a internet como aliada e a considera fundamental na divulgação de sessions, vídeos e matérias sobre o trabalho da banda – publicadas principalmente em blogs. No entanto, defende que o contato com o público nas ruas é de suma importância e nunca deve ser subestimado. “O contato visual real, a música ao vivo ali na sua frente, causa um impacto muito maior do que um vídeo ou áudio na internet”, avalia.

Wagner Creoruska também reconhece o potencial dos sites de financiamento coletivo, ferramenta que tem ajudado a transformar boas ideias em realidade. “Para quem precisa de dinheiro para gravar um álbum ou clipe, o financiamento é uma grande solução. Porém, tem que ser bem pensado e estruturado para que você consiga convencer as pessoas a participarem do projeto”, argumenta.

“Agradecemos sempre aos nossos fãs. Eles são nossos principais parceiros e patrocinadores. Realmente, o Bardo e o Banjo não estaria onde está não fosse por eles” – Wagner Creoruska Junior.  

Formação Atual

Wagner Creoruska Junior – vocal, banjo e percussão

Marcus Zambelo – vocal, bandolim, percussão e sapateado

Maurício Pilcsuk – vocal e baixo acústico

Peter Harris – violino

Saiba Mais

 O Bardo e o Banjo continua aberto a convites de shows. Para entrar em contato, ligue para (11) 98863-2373 ou envie mensagem por WhatsApp. O e-mail da banda é obardoeobanjo@gmail.com. A agenda pode ser acompanhada pelo site www.obardoeobanjo.com

 O CD Homepath, camisetas, bonés e posters podem ser comprados na loja virtual da banda: http://www.obardoeobanjo.lojaintegrada.com.br

Powerviolence, música de cunho social e politizado

without comments

Show do Capitalist Casualties nos Estados Unidos (Foto: Divulgação)

Show do Capitalist Casualties nos Estados Unidos (Foto: Divulgação)

Importante subgênero da cultura punk, o powerviolence jamais se popularizou no Brasil, ao contrário de países como Estados Unidos, Canadá e Japão, além do continente europeu. Acredito que um dos grandes diferenciais do powerviolence é o fato de ser um dos estilos musicais com maior número de pessoas politizadas ou engajadas em causas sociais – claro que numa avaliação de proporcionalidade. Algumas bandeiras do subgênero nascido nos Estados Unidos são a defesa dos direitos dos animais, humanitarismo e denúncias de problemas urbanos.

Não é música por música ou simplesmente música pela arte. É música pela transformação, pela necessidade de fazer algo. Inclusive o som pancada, que tem um conceito tão literal quanto metafórico, ultrarrápido e conciso é justamente uma referência à necessidade de despertar, refletir por si mesmo – ter uma opinião fundamentada e agir. A ideia é instigar o ouvinte, como se estivesse ao seu lado gritando em seu ouvido.

Do subgênero, uma das bandas mais emblemáticas é o Capitalist Casualties, grupo de Santa Rosa, na Califórnia, que pratica um som cru, breve, alígero e dissonante desde 1986. Na década de 1990 e início dos anos 2000 o powerviolence conquistou boa visibilidade. O que contribuiu muito foi a expansão de fanzines, webzines, gravadoras e revistas independentes. A situação mudou mais tarde com a extinção de festivais e outras iniciativas que ajudavam na divulgação do estilo. Há quem diga que o powerviolence perdeu espaço porque hoje em dia ainda é muito difícil ser autossuficiente no cenário underground.

Contribuição

Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:





Written by David Arioch

April 4th, 2016 at 11:59 pm