Archive for the ‘Vegetarianismo/Veganismo’ Category
James Cromwell: “Não temos o direito de usurpar o destino de qualquer ser senciente”
Para o ator e produtor, o veganismo é a melhor forma de ajudar os animais

“Fazer o filme ‘Babe’ abriu meus olhos para a inteligência e personalidade curiosa dos porcos” (Foto: Divulgação)
O ator e produtor James Cromwell, mais conhecido como o fazendeiro Arthur Hoggett, do filme “Babe”, que, a partir da história de um porquinho, fez muita gente se questionar sobre a forma como nos relacionamos com os animais, se tornou vegetariano em 1975 e vegano em 1995. Em entrevista ao TakePart em 27 de dezembro de 2011, ele explicou que a experiência ao trabalhar com muitos animais o levou a aderir ao veganismo.
“Fazer o filme ‘Babe’ abriu meus olhos para a inteligência e personalidade curiosa dos porcos. Eles possuem uma incrível capacidade de amar, sentir alegria e tristeza, o que os torna muito semelhantes aos nossos amigos caninos e felinos”, disse. Quando interpretou Hoggett, ele percebeu que estava interpretando um homem com a capacidade de ver os animais como seres sencientes, como se fosse o seu próprio destino tornar-se vegano. A aspiração do fazendeiro foi partilhada pelo próprio ator que teve a oportunidade de encarar de frente os fatos que o levaram a uma nova transição.
Em entrevista a Mike Pearl, da Vice, em 6 de agosto de 2015, ele contou que na última cena de ‘Babe’, quando ocorre uma competição de suínos, um porquinho foi colocado em um grande campo, e ficou lá observando o céu azul, a grama verde e o mar. Foi como se o suíno dissesse: “Não quero nada disso. Vou cair fora”, e saiu correndo. Um monte de homens o seguiu para capturá-lo. Como testemunha, James Cromwell riu e aprovou a ação do porquinho, não imaginada pela produção.
Para o ator veterano, que começou a carreira em 1974, “Babe” é um filme sobre o que fazemos com os outros para nos classificar, para colocar animais não humanos em categorias que assegurem nosso senso de direito, posição e poder. “O porquinho questiona isso e encontra uma consciência receptiva do fazendeiro Hoggett”, argumentou à Vice. Porém, nem todo mundo entendeu isso, tanto que ‘Babe’ acabou sendo banalizado como um filme para crianças, segundo Cromwell. De acordo com o ator, se você sente que as pessoas precisam entender o que existe de errado em relação à cultura em que estão inseridas, e isso desnecessariamente custa a vida dos animais, é preciso mostrar o que eles não querem ver, já que nem sempre as pessoas são tocadas por uma abordagem mais sutil.
No filme “Babe”, um dos momentos de revelação surge quando o fazendeiro Hoggett encontra suas ovelhas mortas. Sua reação instantânea é pegar a espingarda e se preparar para atirar em Babe. No entanto, como se já imaginasse que estivesse cometendo um equívoco, ele não atira, provavelmente porque já não vê mais o porquinho como antes, despertando para um novo princípio de empatia. “Ele tem a oportunidade de reajustar sua perspectiva e aprender alguma coisa. Se você se permitir, podemos chegar a mesma conclusão, porque não temos o direito de usurpar o destino de qualquer ser senciente para beneficiar nossas próprias necessidades e interesses”, declarou James Cromwell a Mike Pearl.

“Estamos aqui para tomar conta deles porque eles não podem tomar conta de si mesmos” (Foto: RE/Westcom/Starmaxinc)
A transição do ator para o vegetarianismo ocorreu em 1975, logo depois que ele percorreu o Texas de moto e observou como viviam os animais em confinamento. “Isso é realmente uma porcaria. Não posso fazer parte disso”, refletiu à época. Depois que retornou da Austrália, após a finalização de “Babe”, Cromwell se viu na obrigação de fazer algo pelos direitos animais. Então se envolveu com a organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) e iniciou uma jornada de campanhas em favor dos animais.
Ele atuou no resgate de muitos animais, narrou documentários sobre a exploração animal, incluindo “Farm to Fridge”, de 2011, e ajudou santuários. Na visão de Cromwell, negar a um animal o direito à vida e à autodeterminação é uma agressão contra o planeta e todos os seres sencientes. Para o ator, o veganismo é a melhor forma de ajudar os animais. Contudo, ele sugere que quem tem dificuldades ou receio em fazer a transição comece diminuindo os ingredientes de origem animal em uma refeição por dia, depois aumentando para um dia da semana. Mais tarde, uma semana, um mês…até adotar definitivamente essa filosofia de vida. ”Trabalhe seu caminho para não consumir animais e produtos animais, informe-se. É muito fácil. Esse processo começa com a sua consciência”, ponderou ao TakePart.
O ator estadunidense considera equivocado o uso de palavras como to own (possuir) e pet (animal de estimação) em referência aos animais que mais convivem com os humanos, porque, na sua perspectiva, ninguém pode possuir outra criatura. Ele justificou que esse conceito foi desenvolvido nos séculos 15 e 16 na Inglaterra, e provavelmente em outros lugares onde pessoas e animais foram expulsos de suas terras para que outros pudessem criar e normatizar uma estrutura de comércio e preços para tudo, inclusive vidas.
James Cromwell falou ao TakePart que qualificar os animais como simplesmente de estimação tem uma conotação de que somos superiores e que eles são inferiores, dando a ideia de que devem se submeter a nós. “Estamos aqui para tomar conta deles porque eles não podem tomar conta de si mesmos. São animais de companhia. Tenho usado o veganismo como uma maneira de tentar elevar o nível de conscientização sobre o sistema vigente. Temos fazendas industriais e bilhões de animais são mortos nesses lugares”, queixou-se. O que facilita a naturalização disso tudo é que é muito fácil consumir alimentos de origem animal de forma inconsciente, ou seja, quando não se tem contato com o sistema de produção.
Outra preocupação de Cromwell são os cavalos de corrida que são enviados aos matadouros do Canadá e do México quando não geram mais lucros aos seus “donos”. Por causa disso, o ator começou a se empenhar na criação de projetos de fundo de aposentadoria para esses animais que geraram tantos lucros aos seres humanos, o que permite que eles se aposentem e vivam seus últimos anos de vida em santuários, em vez de serem abatidos e reduzidos à carne de cavalo. “Fiz um filme chamado ‘Secretariat’, e uma das minhas queridas amigas do movimento animal, Karen Dawn, disse: ‘Você sabe alguma coisa sobre corrida de cavalos?’ Eu disse que não, e comecei a conversar com as pessoas, principalmente com jóqueis”, revelou.
Ao TakePart, James Cromwell relatou que uma corrida de cavalos tem 8, 10 ou 12 cavalos. E como não são todos os animais que vencem as corridas, muitos dos animais amargam uma triste realidade que envolve abusos, negligência e morte. “Além do fato de que corridas de cavalos são incrivelmente perigosas para cavalos e jóqueis. Há centenas e centenas de cavalos que são mortos. É preciso uma oportunidade para pegar esses cavalos que tenham cumprido seu papel e salvá-los do seu fim; dar a eles um lugar para viver”, defendeu.
Saiba Mais
James Cromwell, que já participou de mais de 200 produções entre teatro, cinema e TV, nasceu em Los Angeles, na Califórnia, em 27 de janeiro de 1940.
Referências
http://www.takepart.com/article/2011/12/27/james-cromwell-you-dont-own-another-creature
https://www.vice.com/en_us/article/babe-is-20-years-old-so-is-star-james-cromwells-animal-rights-crusade-382
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John Feldmann: “Os laticínios são os piores. Cheguei a preferir que as pessoas comessem um bife do que bebessem um copo de leite”
“Porque pelo menos a vaca logo estaria livre de sua vida miserável. Com o leite, a situação é outra”

“Percebi que eu precisava mudar de vida [tornar-se vegetariano]” (Foto: Fuse TV)
“Sou um cara muito ocupado e eu costumava comer muito fast-food. Percebi que eu precisava mudar de vida [tornar-se vegetariano]. Decidi fazer o que meu coração dizia. Hoje me sinto mais vivo espiritualmente e sei que estou fazendo a coisa certa. Para mim, se tornou difícil assistir as pessoas comendo carne”, disse em entrevista ao FamousVeggie.com.
Principal compositor da banda Goldfinger, fundada em Los Angeles em 1994, Feldmann defende que atualmente há muitas opções para veganos e vegetarianos, e a internet pode facilitar muito a pesquisa sobre o que comer ou onde comer. Entre as suas especialidades na cozinha estão tacos, torradas francesas e shakes veganos. “Mesmo tendo filhos, eu ainda tenho as mesmas crenças e tudo o mais”, garantiu a Alex Obert, do Journey of a Frontman, em entrevista publicada em 22 de agosto de 2014.
Desde que se tornou vegetariano aos 29 anos, Feldmann decidiu fazer dos direitos animais a sua principal bandeira. Ele é da opinião que, se alguém estiver disposto a ouvi-lo, ele é capaz de passar o dia todo falando sobre a importância dos direitos animais, justificando que a causa se tornou a coisa mais importante da sua vida.
“Mas eu não quero que um garoto pague para ver o nosso show e escute apenas as minhas opiniões. Sou um artista, não um político. É apenas uma questão de dizer: ‘É nisso que acredito. Talvez você possa conferir.’ Sinto que um ou dois minutos em um show de uma hora é tempo o suficiente”, afirmou em entrevista à revista Satya em maio de 2003.

“Naquele tempo, eu não tinha ideia das atrocidades nos matadouros” (Foto: Divulgação)
Algumas pessoas podem dizer que a realidade retratada no clipe “Free Me”, da banda Goldfinger não retrata a realidade de todos os matadouros, e que são casos isolados. Porém, para quem pensa assim, Feldmann tem uma mensagem: “A verdade é que isso acontece em todos os lugares e a todo momento. No final dos meus shows, pelo menos 20 jovens me dizem que vão se tornar vegetarianos ou veganos por causa desse vídeo [Free Me], ou da música, ou da nossa banda. Isso é a coisa mais poderosa de todas que conquistei em minha carreira”, declarou.
Questionado sobre o que o motivou a tornar-se vegetariano e mais tarde vegano, ele contou que a sua transformação começou quando, por meio de informações do Instituto Earth Island, de São Francisco, ele soube dos abusos sofridos pelos golfinhos. “Eu disse: ‘Isso é errado, o que posso fazer?’ Então parei de comer atum de empresas que usavam redes [responsáveis pela morte de golfinhos]. A partir daí, comecei a prestar atenção nos circos, de onde vem o couro, coisas assim”, informou em entrevista à Satya.
A mudança maior veio com “Babe”, de Chris Noonan, lançado em 1995. O filme levou John Feldmann a fazer a conexão entre os animais e a origem da comida. “Parei de comer porcos assim que vi o filme. Então todas as outras coisas, como pedaços crocantes de frango que eu mordia, fiquei como: ‘Por que estou comendo isso? O que estou fazendo?’ É tão errado! Naquele tempo, eu não tinha ideia das atrocidades nos matadouros”, justificou.
O impacto foi ainda maior quando descobriu que porcos são espertos como os cães. Depois, ele continuou pesquisando e encontrou muitas filmagens de matadouros. “Aquilo foi horrível. Quanto mais eu buscava, mais eu encontrava. Para mim, os laticínios são os piores. Cheguei a preferir que as pessoas comessem um bife do que bebessem um copo de leite, porque pelo menos a vaca logo estaria livre de sua vida miserável. Com o leite, a situação é outra [o sofrimento é prolongado, já que elas são abatidas somente quando param de produzir leite]”, lamentou à Satya.
Embora tenha sido lançado em 2002, até hoje o vídeo da música “Free Me”, ou “Me Liberte”, em que Feldmann reage contra a indústria da exploração animal ao dar voz aos animais, é considerado um dos hinos dos direitos animais, inclusive sendo usado até hoje por organizações e ativistas de todo o mundo.
Me Liberte
Eu não pedi pra você me tirar daqui
Eu não pedi para ser quebrado
Eu não pedi para acariciar o meu pelo
Você me trata como uma lembrança sem valor
Mas minha pele é densa
E minha mente é forte
Fui criado como meu pai
Não fiz nada de errado
Então me liberte
Eu só quero sentir o que a vida deveria ser
Eu só quero espaço suficiente para me virar
E enfrentar a realidade
Então me liberte
Quando você vai se dar conta de que
Você está errado
Você não consegue nem pensar por si mesmo
Você não consegue se decidir
Por isso, minha mente é uma jaula
Eu odeio toda a maldita raça humana
Que diabos você quer de mim?
Mate-me se você não sabe
Ou me liberte
Eu só quero sentir o que a vida deveria ser
Eu só quero espaço suficiente para me virar
Porque vocês estão todos ferrados
Algum dia talvez você me trate como a si mesmo.
Saiba Mais
John Feldmann nasceu em 29 de junho de 1967 e decidiu começar a tocar guitarra aos 16 anos, quando ouviu “Mommy’s Little Monster”, da banda Social Distortion, fundada pelo vegetariano Mike Ness.
Com o Goldfinger, entre os anos de 1996 e 2008, John Feldmann lançou os álbuns “Goldfinger”, “Hang-Ups”, “Stomping Ground”, “Open Your Eyes”, “Disconnection Notice” e “Hello Destiny”.
Referências
http://www.famousveggie.com/interviews/john_feldmann.aspx
https://journeyofafrontman.com/2014/08/22/on-the-line-with-john-feldmann-of-goldfinger/ –
http://www.satyamag.com/may03/feldman.html
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Tom Warrior: “Amo os animais e me tornei incapaz de justificar qualquer consumo de carne”
“A minha vida toda tenho tentado salvar animais em condições terríveis”

Tom Warrior, fundador das lendárias bandas Hellhammer e Celtic Frost (Foto: Divulgação)
O músico suíço Thomas Gabriel Fischer, mais conhecido como Tom Warrior, fundador de duas das mais lendárias bandas de metal extremo da história – Celtic Frost e Hellhammer, concedeu uma entrevista ao portal alemão Voices From the Dark Side em setembro de 2012. Na ocasião, ele falou sobre vegetarianismo e direitos animais.
“É da minha opinião que enquanto os seres humanos existirem neste planeta, haverá violência, crueldade, injustiça e ganância. Embora eu deseje o oposto, é claro. Mas a verdade é que temos agido como insaciáveis, parasitas egoísticos, desde que deixamos as cavernas”, lamentou.
Apesar disso, Tom Warrior disse que com o passar dos anos as pessoas estão se tornando mais conscientes sobre o estilo de vida saudável, e estão aderindo ao vegetarianismo por considerá-lo mais respeitoso em relação aos animais. “É mais fácil obter informações importantes do que antes. E também é um sinal positivo vermos tantas pessoas públicas engajadas, como músicos, seguindo esse estilo de vida [vegetarianismo]. No entanto, ainda há uma enorme montanha a superar”, afirmou em entrevista ao portal dinamarquês.
Com um estilo de vida simples, qualificado como espartano, Warrior, que está envolvido no cenário do heavy metal desde 1982, explicou que nunca sente necessidade de comprar alimentos caros. O que ele mais gosta de comer pode ser encontrado em muitos lugares. Sua única preferência é por mercados que comercializam comida saudável.
“Não é realmente um problema ser vegetariano hoje em dia, mesmo em turnê. Há tantos vegetarianos em tantas bandas. A maioria dos festivais bem organizados, oferecem pratos vegetarianos mesmo que as bandas não peçam. Dito isso, há sempre uma estranha e ignorante exceção. Porém, é algo que reflete mais sobre eles do que sobre nós”, declarou.

“Se alguém decide ir por esse caminho [veganismo], eu apoio sua decisão” (Foto: Divulgação)
Para Tom Warrior, o veganismo merece apoio porque é uma filosofia de vida que reprova o extermínio de animais. E para além do discurso, o suíço já participou de muitas ações de organizações em defesa dos animais. “Além do meu envolvimento em organizações, a minha vida toda tenho tentado salvar animais em condições terríveis. Os cães que eu tutelo, por exemplo, foram resgatados de situações abusivas”, assinalou em entrevista ao especial vegano “Welcome to Health”, do Voices From the Dark Side.
Tom qualificou tudo isso como natural, levando em conta que foi criado em uma casa cheia de animais, o que permitiu que mais tarde ele entendesse que os seres não humanos também têm direito à vida e devem ser respeitados: “Amo os animais e me tornei incapaz de justificar qualquer consumo de carne, comparando os fatos e a realidade da indústria que massacra os animais. Detesto o egoísmo e a ilimitada cobiça que os seres humanos ostentam neste planeta compartilhado por todos”
Embora viva como um straight edge, Tom Warrior nunca deu a si mesmo tal título. Simplesmente tenta levar uma vida que ele considera a mais justa possível para si mesmo. “Não bebo, não fumo, não uso drogas, não sou tatuado e nunca tive um carro; são decisões pessoais. O único remédio que tomo é para ajudar a regular os efeitos da minha diabetes”, frisou.

“Não bebo, não fumo, não uso drogas, não sou tatuado e nunca tive um carro” (Foto: Divulgação)
O músico suíço acha ridículo quando fãs ou músicos de heavy metal associam o uso de couro com a virilidade. “Nunca senti o couro aumentando minha masculinidade. Estou tão feliz com roupas feitas de outros materiais”, ponderou. Muito influente no cenário do metal extremo, Tom Warrior é apontado como um dos pioneiros do vocal gutural. Em 2008, ele fundou a banda Triptykon, com quem lançou os álbuns “Eparistera Daimones” e “Melana Chasmata” em 2010 e 2014, além do EP “Shatter”, de 2010; e do single “Breathing”, de 2014.
No entanto, o que lhe proporcionou reconhecimento no cenário mundial do heavy metal foi o EP “Apocalyptic Raids”, lançado em 1984 com a banda Hellhammer, considerado um dos melhores registros da história do metal extremo. Mais tarde, o seu prestígio aumentou ainda mais quando ele lançou os álbuns “Morbid Tales”, de 1984; “To Mega Therion”, de 1985; e “Into the Pandemonium”, de 1987, com a sua banda Celtic Frost, também lendária.
“Milhões de animais estão sendo mortos todos os dias para satisfazer as necessidades daqueles que comem carne. Estamos nos chamando de ‘civilizados’ e, no entanto, ser civilizado implica humildade, modéstia, compreensão do contexto ambiental global e respeito pelas necessidades e direitos dos outros habitantes deste planeta, que estão aqui há mais tempo do que nós”, criticou.
Referência
http://www.voicesfromthedarkside.de/Specials/WELCOME-TO-HEALTH-A-VEGETARIAN-VEGAN-SPECIAL–7789.html
http://www.metal-archives.com/artists/Tom_G._Warrior/6497
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O veganismo não é elitista…
Do ponto de vista econômico, o veganismo não é elitista, o que pode ser elitista é o consumismo excludente criado em torno do veganismo, fazendo com que as pessoas vejam o supérfluo como essencial, enxergando barreiras que nada mais são do que vícios já cultivados anteriormente.
Se uma pessoa não vegana é consumista, por exemplo, ela terá forte tendência a pesar os contras do veganismo levando em conta uma percepção de acesso ao desnecessário, e isso é algo inerente ao consumismo, que tem uma forte tendência a expandir nossas falsas necessidades.
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Al Ma’arri e a crítica à exploração animal
O poeta sírio e cego Al Ma’arri, que hoje provavelmente seria considerado vegano, viveu no século XI e dedicou parte de sua produção a criticar a exploração animal, inclusive de abelhas.
Ele se recusava a produzir panegíricos, odes aos ricos patronos que patrocinavam os artistas da época. Al Ma’arri considerava isso vergonhoso.
Mesmo vivendo em situação muito próxima da miséria, ele se negava a se alimentar de animais. Sua alimentação era baseada principalmente em feijões.
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Ildjarn: “Penso que o meu isolamento se deve em grande parte ao desrespeito dos seres humanos em relação aos animais”
“Nunca toquei nada com leite, carne, peixe ou seja lá o que for [de origem animal]”

Ildjarn sempre se identificou mais com a natureza do que com a civilização (Foto: Divulgação)
Vidar Vaaer, mais conhecido como Ildjarn, é um músico norueguês e vegano que sempre se identificou mais com a natureza do que com a civilização. Preferindo o ostracismo à vida em sociedade, ele concedeu poucas entrevistas desde que começou a compor em 1992. Considerado uma figura enigmática da música underground norueguesa, Ildjarn aderiu ao veganismo quando tinha 17 anos.
“Nunca toquei nada com leite, carne, peixe ou seja lá o que for [de origem animal]. Respeito os animais e os considero seres dignos da vida. Penso que o meu isolamento se deve em grande parte ao desrespeito dos seres humanos em relação aos animais. Os animais estão no inferno. De qualquer forma, sigo minha consciência que é a minha estrela guia através da vida e, eventualmente, da morte”, declarou em entrevista publicada em 16 de junho de 2012 no portal Death Metal Underground.
Minimalista, intenso e primitivista, Vaaer, que embora muitas vezes foi classificado como um sujeito antissocial, também é definido como alguém bastante amigável. Por alguns anos, ele esteve envolvido com a questão dos direitos animais na Noruega. “Animais são merecedores da natureza”, disse em entrevista ao Mirgilus Siculorum em maio de 2003, e acrescentou que daria a própria vida para que os animais pudessem novamente vagar pela Terra sem ter medo dos seres humanos.
Para Ildjarn, os maiores problemas do mundo e da humanidade se devem ao fato de que os seres humanos não são leais a si mesmos, e por isso estão destruindo o planeta. Como alguém que desde criança observa a natureza, ele vê com desgosto as transformações do meio ambiente como consequência da intervenção humana. E foi essa sensibilidade aguçada que o motivou a compor em homenagem àquilo que sempre existiu independente do homem – a natureza.
No álbum de música ambiente “Hardangervidda”, lançado em 2002 em parceria com seu amigo de infância Nidhogg, ele criou uma paisagem sonora do homônimo planalto montanhoso situado no centro-sul da Noruega, cobrindo parte dos condados de Buskerud, Hordaland e Telemark, um dos lugares mais belos da Escandinávia. O registro também remete à história dos dois músicos com o local frequentado por eles desde a infância, onde muitas vezes praticaram trekking juntos e sozinhos, hábito preservado até hoje.
Quando passeia pelas montanhas, Ildjarn espera não encontrar pessoas, mas somente animais, por quem ele garantiu ter incondicional respeito e admiração. “Tenho esse sentimento pujante em relação à natureza norueguesa, e eu quis capturar alguns desses sentimentos. Acho que as pessoas podem começar a entender o significado que a natureza tem para mim ao ouvirem o CD ‘Hardangervidda’ [que teve uma segunda parte lançada em forma de EP no mesmo ano]. É apenas um fluxo de paisagens em forma musical, criado ao longo de anos passando algum tempo na natureza. Não tem ideologia, é uma fuga de tudo que se relaciona ao homem [civilização]”, afirmou em entrevista ao Mirgilus Siculorum e ao Death Metal Underground em 2003 e 2012.

Local que inspirou Ildjarn a compor “Hardangervidda” em parceria com Nidhogg em 2002 (Foto: Divulgação)
Ildjarn qualificou o álbum como um grande hino à natureza, com composições musicais que não têm nada a ver com o amor no sentido comum. “É importante entender que tudo [que faço] é sobre a natureza. Nunca usei drogas e álcool porque quero manter minha mente pura até o dia que eu morrer. Tenho tantas visões e pensamentos que não pertencem a este mundo que não preciso dessas coisas”, justificou.
Ao longo de sua trajetória musical iniciada em 1991, Ildjarn, que nunca se importou muito com visibilidade ou fama, desapareceu várias vezes. E cada hiato sempre gerou inúmeras especulações. Mesmo assim, o seu acervo baseado em composições criadas principalmente até a metade dos anos 1990, que vão do black metal à música ambiente, inclui muitos lançamentos autorais.
“Unknown Truths” e “Seven Harmonies of Unknown”, de 1992; “Ildjarn”, de 1993; “Minnesjord”, de 1994; “Ildjarn”, de 1995; “Det frysende nordariket”, de 1995; “Landscapes”, “Strengh and Anger” e “Forest Poetry”, de 1996; “Son of the Northstar”, de 2001; “1992-1995”, de 2002; “Minnesjord – The Dark Soil”, de 2004; “Nocturnal Visions”, de 2004; “Ildjarn 93”, de 2005; “Ildjarn is Dead”, de 2005; “Rarities”, de 2012; e “Those Once Mighty Fallen”, de 2013, completam sua discografia.
Saiba Mais
O nome Ildjarn é uma referência há um lugar na Noruega, onde Vidar Vaaer afirmou que é possível captar alguns dos sentimentos pagãos noruegueses.
Os primeiros anos do projeto Ildjarn, fundado em Telemark, no sudoeste do país, foram baseados em composições que remetem a uma combinação de metal extremo e hardcore punk.
Em 1992, Ildjarn tocou baixo na lendária banda norueguesa de death metal Thou Shalt Suffer com Samoth e Ihsahn, do Emperor. Ihsahn gravou os vocais de algumas músicas da compilação “Det Frysende Nordariket”, lançada por Vidar Vaaer em 1995.
Referências
http://www.deathmetal.org/interview/vidar-vaaer-ildjarn/
http://www.old.mirgilus.com/interviews/ildjarn.html –
http://www.deathmetal.org/interview/interview-nidhogg/
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Merzbow: A Terra não pertence apenas ao homem. É necessária uma simbiose com as outras espécies”
Masami Akita: “Comecei a ler livros e a pesquisar na internet sobre direitos animais”

Merzbow participando de protesto contra a exploração animal no Japão (Foto: Divulgação)
Em 2002, o compositor japonês Masami Akita, mais conhecido como Merzbow, uma das mais importantes referências em noise music, decidiu criar quatro pequenas galinhas ornamentais. A experiência o estimulou a ver os animais de outra forma, e a buscar informações que transformariam sua vida. “Comecei a ler livros e a pesquisar na internet sobre direitos animais, e isso desencadeou uma consciência do mal que a humanidade tem feito. Foi assim que me tornei vegano”, enfatizou em entrevista a Andre Pluskwa da revista Kochen Ohne Knochen em janeiro de 2011.
Em 2005, ele publicou um livro chamado Watashi no Saishokuseikatsu (Vida Sem Crueldade), em que discorre sobre a sua história com o veganismo, o seu relacionamento com os animais e o seu trabalho como músico, iniciado em 1979. “Também falo sobre a história da proibição do consumo de carne no Japão”, disse.
De acordo com Masami Akita, nos tempos antigos, e influenciados pelo budismo, sucessivos imperadores japoneses eram vegetarianos. Desde o século VII, os imperadores proibiam o consumo de carne, argumentando que isso ia contra os ensinamentos do budismo. “Não coma carne de animal”, diziam. Desde então, segundo Merzbow, a dieta japonesa tem sido baseada principalmente em arroz.
O consumo de carne era inclusive odiado pelos japoneses, até que os estadunidenses desembarcaram com a intenção de ‘abrir o país’ no século XIX. “Eles finalmente começaram a forçar as pessoas a adquirirem os hábitos de consumo de carne e, consequentemente, até mesmo o imperador aceitou isso e se tornou um comedor de carne. Comer carne se tornou cada vez mais comum com a ocidentalização do Japão”, criticou Akita.
O músico já participou de ações e manifestações realizados pela organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) Sea Shepherd e pelo Animal Rights Center (ARC), um grupo de direitos animais atuante no Japão. Bastante engajado, Merzbow costuma incluir folhetos sobre direitos animais em seus lançamentos. Muito populares também são os adesivos colados em seus equipamentos.
Em entrevista a Lara Garnermann, do Jame World, publicada em 7 de novembro de 2010, Masami Akita declarou que a sua música se tornou um meio de transmitir um pouco da mensagem dos direitos animais e do veganismo. “Claro, música é arte abstrata, mas acho que ela reflete as ideias do criador. Quero promover não apenas o bem-estar dos animais, mas os direitos animais. Bem-estar animal visa reduzir o sofrimento, a matança e a eutanásia dos animais. Direitos animais não é a mesma coisa. É a perspectiva de que os animais devem estar livres de qualquer abuso e assassinato”, assinalou.

Ele usa a música como forma de transmitir um pouco da mensagem dos direitos animais (Foto: Divulgação)
Lançado em 2007, o seu álbum “Peace for Animals” é inteiramente dedicado aos animais, e traz uma música de pouco mais de 33 minutos intitulada “No More Exploitation of Animals”, ou seja, “Sem Mais Exploração de Animais“. “A música tem o significado, não é só a mensagem”, explicou Akita em entrevista a Gary Steel, do Witchdoctor, publicada em 9 de novembro de 2013. Ele também publicou um livro intitulado “My Vegan Life”, que ainda não tem tradução em inglês.
Segundo o músico, não é tão fácil encontrar restaurantes veganos no Japão, com exceção de Tóquio. “Desde que eu cozinhe para mim, não há nenhum problema”, garantiu. Nascido em 19 de dezembro de 1956, Masami Akita estudou belas artes na Universidade Tamagawa, onde se interessou principalmente pelo dadaísmo, corrente literária que o influenciou a criar o nome Merzbow, uma referência à obra arquitetônica baseada em sucata Merzbau (Casa Merz), do artista plástico alemão Kurt Schwitters.
Embora sua música seja definida como japanoise, o compositor japonês, que começou a fazer os primeiros shows em 1981, se tornou uma importante influência para músicos de todas as partes do mundo e dos mais diferentes gêneros musicais, mas principalmente do cenário underground. “Comecei gravando em fita, registrando ruídos da vida cotidiana”, revelou a Lara Garnermann, do Jame World. Ele também promove campanhas antitabagismo em locais onde participa e realiza concertos ao ar livre.
Entre os animais sob tutela de Masami Akita estão garnisé, pombo-da-cauda-de-leque, galinhas sedosas e patos. São animais que, em sua maioria, foram levados até ele por meio de ativistas e clínicas veterinárias. “São parte da minha família. Quando estou em turnê, minha família cuida deles”, informou a Andre Pluskwa da revista vegana kochen ohne knochen em janeiro de 2011.
Embora o vegetarianismo sob os aspectos de cultura alimentar e saúde seja bem divulgado no Japão, Merzbow lamenta que não há relação com os direitos animais, mas sim com um conceito reimportado da macrobiótica, originalmente popularizado fora do Japão por George Ohsawa e Michio Kushi.
Para Masami Akita, infelizmente o Japão não pode ser considerado um exemplo na relação entre seres humanos e animais. Porém, depois de tantas denúncias ao longo dos anos, inclusive reforçadas por documentários como ‘The Cove’, de Louie Psihoyos, que aborda a crueldade da caça aos golfinhos no Japão, o governo japonês foi apontado como negligente e tem sido obrigado a tomar atitudes em relação a essa prática. “Eles [o governo] não discutem o problema da caça do ponto de vista dos direitos animais. Em outras palavras, a questão baleeira tem sido encarada como uma questão de nacionalismo”, queixou-se Masami Akita.
O músico crê que há muito trabalho a ser feito para que os animais sejam vistos como seres com direito à vida e que merecem ser respeitados. No que depender dele, o Merzbow vai continuar sendo um veículo em defesa dos direitos animais. “A Terra não pertence apenas ao homem. É necessária uma simbiose com outras espécies”, afirmou.
Referências
http://merzbow.proboards.com/thread/15/new-interview-merzbow
http://www.jame-world.com/au/articles-69174-interview-with-akita-masami-of-merzbow.html
http://witchdoctor.co.nz/index.php/2013/11/merzbow-japanese-noise-guru/
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Josh Middleton: “Acho que, como a maioria das pessoas, eu não tinha ideia do que acontece na indústria de laticínios”
“Acho que, como a maioria das pessoas, eu não tinha ideia do que acontece na indústria de laticínios”

Middleton se tornou vegano quando estava compondo para o álbum “Monolith” (Foto: Divulgação)
Um dos fundadores da banda britânica de metal Sylosis, o vocalista e guitarrista Josh Middleton decidiu se tornar vegano enquanto estava compondo para o álbum “Monolith”, lançado em 2012. A mudança de estilo de vida foi motivada por um vídeo em que alguns japoneses apareciam decapitando golfinhos vivos.
“Não compro carne de golfinho, ninguém que eu conheço compra, mas comecei a dar uma olhada em informações sobre direitos animais e bem-estar animal. Te leva a questões ambientais, como os oceanos e os habitats naturais sendo destruídos. E isso vai mais longe, porque envolve corporações e grandes companhias como McDonalds, que demandam enormes quantidades de terra e derrubam florestas tropicais para a criação de gado”, ponderou Middleton a Luís Alves da Against Magazine em entrevista publicada em 22 de janeiro de 2015.
O músico britânico admite que o veganismo fez com que se tornasse mais consciente em relação a tudo. Para ele, cada faceta de sua vida depende das decisões que você toma, e como isso pode afetar alguém. Também te conduz a refletir sobre o destino do seu dinheiro nesse sistema. O veganismo realmente abriu os olhos de Middleton para o impacto do padrão de vida do ser humano na hipermodernidade, e o levou a repensar sua própria vida. Influenciado por sua namorada, ele começou a se interessar por meditação, segundo entrevista a Nathan Harlow, do Pure Grain Audio, veiculada em 6 de janeiro de 2015.

“O vídeo da indústria de peles em ‘Earthlings’ foi provavelmente a coisa mais horrível que já vi”
“Acho que, como a maioria das pessoas, eu não tinha ideia do que acontece na indústria de laticínios. Quando eu comia carne, eu sempre entendia as razões das pessoas em não comer, mas eu pensava que os veganos eram um pouco estranhos. Ainda assim, desisti de comer carne para me tornar vegano. Preciso dizer que o vídeo da indústria de peles em ‘Earthlings’ [Terráqueos – documentário sobe a realidade da exploração animal] foi provavelmente a coisa mais horrível que já vi”, confidenciou à organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) em 31 de janeiro de 2013.
Josh Middleton recomenda que as pessoas pesquisem sobre a realidade dos animais explorados pela indústria, e não acredite nos argumentos tendenciosos de quem lucra às custas desse tipo de exploração. “Se prepare para lidar com qualquer um que comece a agir como um especialista em nutrição, dizendo que você não está se alimentando direito. Se você remover coisas de sua dieta, certifique-se de incluir novos alimentos e preste um pouco mais atenção nas fontes de suas vitaminas e nutrientes durante o período de transição. Há um grande equívoco em afirmar que veganos são magros e desnutridos. Se você não prestar atenção ao que come, isso pode acontecer, mas não é difícil fazer boas escolhas”, garantiu à Peta.
Quando o Sylosis está em turnê, Middleton e os outros integrantes da banda evitam comer muito fast food. Excursionando com o Lamb of God, dos Estados Unidos, Josh Middleton relata que eles preparavam grandes saladas na maioria das noites de shows. “[O veganismo] Isso faz você pensar sobre o que coloca em seu corpo”, disse em entrevista ao Cryptic Rock publicada em 28 de julho de 2015.
Entre os alimentos preferidos do músico britânico está o seitan, a carne de glúten, embora ele não coma com frequência porque reconhece que não tem boas habilidades de preparo. “Sendo vegetariano, você começa a cozinhar para você mesmo e consome menos alimentos processados, o que é um bônus. Gosto de feijão, burritos e chili de grão-de-bico”, enfatizou.
Formação do Sylosis
Josh Middleton – Vocal e Guitarra
Carl Parnell – Baixo
Alex Bailey – Guitarra
Ali Richardson – Bateria
Saiba Mais
Entre os anos de 2008 e 2016, Josh Middleton lançou com o Sylosis os álbuns “Conclusion of an Age”, “Edge of the Earth”, “Monolith” e “Dormant Heart”.
A sonoridade do Sylosis, formado por Josh Middleton e Carl Parnell, é uma combinação de thrash metal e death metal melódico.
Referências
http://againstmagazine.com/sylosis-interview-w-josh-middleton-2/
http://crypticrock.com/interview-josh-middelton-of-sylosis/
http://www.peta2.com/blog/band-spotlight-sylosis/
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Dirk Verbeuren: “Sou vegetariano porque não gosto da forma como os animais são tratados”
“Eu não poderia continuar fazendo parte disso. Cada criatura viva tem o direito de ser tratada eticamente”

Dirk Verbeuren é vegetariano e defende os direitos animais (Foto: Peta)
O belga Dirk Verbeuren, que foi baterista da banda sueca de death metal melódico Soilwork, com quem gravou cinco álbuns e um EP entre os anos de 2005 e 2015, ingressou na banda Megadeth em 2016, a convite do vocalista e guitarrista Dave Mustaine. Embora seja bem conhecido no cenário do heavy metal, muita gente não sabe que Verbeuren é vegetariano, defende os direitos animais e tem uma banda em que aborda o tema.
Em entrevista a Tarja Virmakari, do Metal Shock Finland, o baterista contou que decidiu fundar o projeto de grindcore Bent Sea em 2011 como um veículo de divulgação de suas ideias sociopolíticas, incluindo os direitos animais. Sua iniciativa foi influenciada por bandas que o marcaram na adolescência, como Napalm Death, D.R.I. e Extreme Noise Terror.
“Sou vegetariano porque não gosto da forma como a carne é produzida, e como a maioria dos animais são tratados neste planeta. É uma causa em que acredito e é disso que falo na música ‘Dead Meat’ [que faz parte do EP Nostalgia, de 2011]. Todo mundo pode comer o que bem entender, mas talvez eu possa inspirar algumas pessoas a pensarem sobre algumas dessas questões”, justificou. O EP é baseado em críticas contundentes, principalmente no que diz respeito ao comprometimento do meio ambiente.
Logo no início, o Bent Sea contou com a participação do vocalista belga Sven de Caluwe, da banda Aborted, e do multi-instrumentista canadense Devin Townsend. Depois o lendário baixista britânico Shane Embury, do Napalm Death, também ingressou no projeto de grindcore. Colaborador da organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta), Verbeuren gravou com o Bent Sea os splits “Double Penetration”, com o Torture Division em 2013; “Animalist”, com o Usurpress em 2014; e “Ascend”, com o To Dust em 2014.

Verbeuren é baterista do Megadeth desde 2016 (Foto: Divulgação)
Em entrevista publicada em 6 de março de 2013, Dirk Verbeuren afirmou a Dane Prokofiev, da New Noise Magazine, que os oceanos estão mais ameaçados do que nunca pela poluição e pela pesca excessiva, e lamentou que aqueles que estão no poder não estão tomando as medidas necessárias para preservar o equilíbrio dos oceanos. Ingenuamente, o músico acreditava que havia regulamentações e leis para proteger o mar aberto.
Por isso, ele sugere que as pessoas assistam ao filme “Shark Water”, do canadense Rob Stewart, lançado em 2006. A obra mostra o quão visceralmente diferente e deprimente é a realidade dos oceanos e de espécies marinhas como os tubarões – afetados diretamente pela ganância humana. “O oceano é um lugar onde as pessoas pegam tudo que querem sem assumir qualquer responsabilidade. É muito fácil fechar os olhos para algo que não faz parte de nossas vidas diárias. Mas todos podemos dar pequenos passos para fazer uma enorme diferença. Por exemplo, boicotando as empresas envolvidas nisso”, recomenda.
Fatos como esse tiveram tanto impacto na consciência de Verbeuren e dos outros integrantes da banda sueca Soilwork que em 2013 eles lançaram o álbum “The Living Infinite”, que aborda a importância da vida marinha. “Ele ecoa a vastidão e a riqueza da nossa principal fonte de inspiração – o oceano”, declarou a Alexandra Furnea, do Maximum Rock em entrevista publicada em 4 de março de 2013. O músico belga admite que se sente na obrigação de conscientizar as pessoas sobre a importância de se proteger os oceanos, um mundo subaquático ainda pouco conhecido pela humanidade.
“Felizmente as pessoas estão percebendo que se o frágil equilíbrio dos ecossistemas subaquáticos for destruído, a vida humana na Terra se tornará impossível”, disse ao Maximum Rock. Em entrevista a Susan do Metal Storm em 7 de abril de 2013, Dirk Verbeuren, que vive em Los Angeles, nos Estados Unidos, confidenciou que para ele é muito fácil encontrar comida vegetariana hoje em dia.
“Em Los Angeles há toneladas de comida vegetariana. Amo comida tailandesa, coisas com arroz, talharim e muitos vegetais. Amo o sabor tailandês com coco. Também aprendi a apreciar a comida mexicana vivendo na Califórnia”, revelou.
Em um vídeo lançado pela Peta em 8 de agosto de 2013, Verbeuren aparece sorrindo e empolgado ao falar do seu estilo de vida vegetariano. “Eu provavelmente tinha quatro ou cinco anos, e acidentalmente matei uma mosca e comecei a chorar. Fiquei muito triste por tê-la matado, então acredito que sempre tive compaixão pelos animais. Não acho que qualquer animal deva ser tratado da forma como eles são tratados pela indústria. Então eu não poderia continuar fazendo parte disso. Cada criatura viva tem o direito de ser tratada eticamente”, argumentou.
Referências
http://newnoisemagazine.com/interview-w-soilwork-by-dane-prokofiev/
http://www.metalstorm.net/pub/interview.php?interview_id=672
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Earth Crisis: “Não posso pensar em nada mais importante do que salvar vidas, e esta é a principal razão pela qual me tornei vegano”
Scott Crouse: “Há muitos produtos lá fora para quem quer evitar causar sofrimento aos animais”

O Earth Crisis é conhecido por abordar os direitos animais em suas letras (Foto: Divulgação)
Fundada em Syracuse, Nova York, em 1989, a banda de metalcore/hardcore punk Earth Crisis é conhecida principalmente por abordar os direitos animais, dar suporte a grupos como Animal Liberation Front (ALF) e ajudar a promover o veganismo e o estilo de vida straight edge.
Em entrevista a Max Deneau, do Exclaim!, do Canadá, e publicada em 15 de abril de 2009, o guitarrista Scott Crouse contou que originalmente o vocalista Karl Buechner tocava baixo, e que desde o início todos os integrantes já eram veganos e seguiam um estilo de vida livre de álcool e outras drogas lícitas e ilícitas.
“Não posso pensar em nada mais importante do que salvar vidas, e esta é a principal razão pela qual me tornei vegano. Quero apoiar as empresas que estão oferecendo alternativas livres de crueldade. Não quero dar dinheiro para pessoas que são responsáveis por tanto sofrimento em lugares como matadouros, fazendas de peles e laboratórios de vivissecção”, disse o vocalista Karl Buechner em entrevista ao zine Value Of Strength #4 e publicada no Punk Interviews em 2006.
Para Buechner o veganismo, que ele aderiu aos 16 anos, reverencia as vidas inocentes e preconiza a construção de um sistema mais pacífico e justo. Uma das coisas que mais o deixa feliz é quando alguém lhe procura para tirar dúvidas sobre direitos animais. “Significa que estão interessados em saber mais sobre a libertação animal. Há muitos rumores a nosso respeito, na tentativa de fazer as pessoas não ouvirem o que estamos falando, mas vejo como uma reação positiva quando alguém nos procura ou faz uma entrevista com a gente”, comenta.
Por outro lado, o vocalista do Earth Crisis reclama que no cenário punk há muitas pessoas desinteressadas em saber o que acontece nos matadouros. “Eles não querem ouvir sobre isso porque é algo que desafia a forma como eles vivem. Bom, obviamente você pode ver como é o corpo humano. Nós não temos garras enormes. Nosso sistema digestivo é muito longo e o sistema digestivo dos carnívoros é curto. É por isso que a carne apodrece dentro do corpo humano, e é por isso que os seres humanos têm tantos problemas de saúde”, critica.

Crouse: “Para que o mundo mude, a perspectiva tem que mudar” (Foto: Divulgação)
Por causa de suas temáticas em torno do abolicionismo animal e também por defender ações diretas em benefício dos animais, o Earth Crisis está há anos sob vigilância nos Estados Unidos. “Muitos dos nossos amigos também”, garante Karl Buechner.
Em entrevista a Andrew Bansal, do Metal Assault, publicada em 17 de março de 2014, o guitarrista Scott Crouse disse que o mundo mudou desde que ele se tornou vegetariano em 1990. “Há muitos produtos lá fora para quem quer evitar causar sofrimento aos animais e danos ao meio ambiente. Há muitos substitutos de carnes e laticínios, e há mais produtos não testados em animais do que nunca. Acho que é ótimo porque significa que hoje existe muito mais consciência”, avalia.
Porém, as espécies ameaçadas de extinção continuam desaparecendo, e isto porque, segundo Crouse, a humanidade sempre olhou primeiro para si mesma. Lá trás, alguém pensou que o ser humano deveria assumir o controle do mundo e fazer o que quisesse com as outras espécies. “Para que o mundo mude, a perspectiva tem que mudar. Temos que olhar para nós não como se estivéssemos acima das outras criaturas, mas como alguém que pode trabalhar em harmonia com elas. Ainda podemos ter nossas casas e nossos carros, só que podemos fazer isso com responsabilidade, sem destruir o habitat das outras criaturas. Acho que teremos problemas até começarmos a nutrir a vida, não tirá-la”, lamenta.
A Dane Prokofiev, do News Noise Magazine, Scott Crouse relatou que o único aspecto negativo em ser vegano e straight edge é que consumir álcool e comer carne são duas coisas que as pessoas fazem socialmente. “Você se afasta da sociedade, o que em minha opinião não é tão ruim. Quero dizer, prefiro isso, mas é mais difícil para pessoas que gostam de estar com outras pessoas, porque elas percebem que já não se encaixam”, enfatiza. Muitas das músicas do Earth Crisis falam de direitos animais. Alguns exemplos são “New Ethic”, do álbum “Destroy The Machines”, de 1995, e “To The Death”, do álbum homônimo de 2009.
Nova Ética
Esta é a nova ética
Animais têm suas próprias vidas e devem ser respeitados
Rejeite o antropocentrismo
Falsidade que mantém a hierarquia opressiva da humanidade sobre os animais
É hora de libertá-los. A vida deles reduzidas à condição de máquinas em fábricas, fazendas e laboratórios
Laticínios, ovos, peles, camurça, lã, couro são o fim
Produtos de tortura, confinamento e assassinato
Eu abjuro seu uso em reverência a toda vida inocente
É um direito dos selvagens viverem em paz em seu ambiente natural
Sem a interferência, que já não deve ser negada, desta civilização
Para fazer uma civilização digna da palavra civilizado a crueldade deve terminar
Começando pelas suas próprias vidas
Rejeite a falsidade antropocêntrica que mantém a hierarquia opressiva da humanidade sobre os animais
É hora de libertá-los
O veganismo é a essência da compaixão e da convivência pacífica
Os animais não são nossos para abusar ou dominar
Eu abjuro seu uso em reverência…
Eu abjuro seu uso em reverência…
Eu abjuro seu uso em reverência a toda vida inocente
Formação Atual
Karl Buechner – vocal
Scott Crouse – guitarra
Ian “Bulldog” Edwards – baixo
Dennis Merrick – bateria
Erick Edwards – guitarra
Saiba Mais
Entre os anos de 1995 e 2014, o Earth Crisis lançou os álbuns “Destroy The Machines”, “Gomorrah’s Season Ends”, “Breed the Killers”, “Slither”, “Last of the Sane”, “To The Death”, “Neutralize the Threat” e “Salvation of Innocents”.
Referências
http://exclaim.ca/music/article/scott_crouse_of_earth_crisis
http://www.punkinterviews.com/2006/punk-rock-interviews/earth-crisis-2/
http://newnoisemagazine.com/interview-earth-crisis-talk-comic-book-album/
https://www.youtube.com/watch?v=uGa-YZiK4aI
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