David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Vegetarianismo/Veganismo’ Category

Alex Greenwald: “Sou vegano e aprecio cada dia desse estilo de vida”

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Greenwald: “Se eu puder encorajar as pessoas, definitivamente farei isso. É o que tenho feito com meus amigos” (Foto: Reprodução)

Alex Greenwald, que ficou famoso como vocalista da banda de rock alternativo estadunidense Phantom Planet, é vegano e já participou de algumas campanhas da Peta, ONG que atua em defesa dos direitos animais. Nos tempos da faculdade, sua namorada o desafiou a parar de comer carne vermelha e ele a desafiou a parar de fumar.

Após vencer a aposta, Greenwald gostou tanto da experiência que decidiu não comer mais nenhum tipo carne. “Então um amigo me desafiou a me tornar vegano depois de me emprestar o livro ‘Fast Food Nation’ [de autoria de Eric Schlosser], o que abriu meus olhos para a crueldade contra os animais. Desde então, sou vegano e aprecio cada dia desse estilo de vida”, contou em entrevista ao Peta Kids em 2005.

Em abril de 2008, ele gravou um novo vídeo para a Peta dizendo que as pessoas devem se informar sobre as condições em que vivem as galinhas exploradas pela indústria alimentícia. “Tudo isso acontece atrás de portas fechadas, o que acaba por não chegar ao conhecimento de todos. São mantidas juntas em pequenos espaços ou têm seus bicos cortados. As pessoas precisam saber como as galinhas são animais adoráveis”, disse.

Para Greenwald, ser vegano é um ato de força, de boa vontade; significa defender o que acredita em relação aos direitos animais. “Se eu puder encorajar as pessoas, definitivamente farei isso. É o que tenho feito com meus amigos. Motivo eles a tornarem-se vegetarianos, veganos. Ou seja, a se conscientizarem sobre a forma como vivemos no mundo hoje. Não podemos viver da mesma forma que viviam as gerações anteriores, como nossos pais, nossos avós”, declarou.

Segundo o vocalista, que até hoje atua como voluntário da Peta, o vegetarianismo e o veganismo estão em ascensão. “É algo que as pessoas estão aderindo para serem mais saudáveis e contribuírem com o meio ambiente. E isso vai ser ótimo para seus descendentes”, avalia.

Saiba Mais

Alex Greenwald é guitarrista, baixista, tecladista e vocalista da banda de indie pop Phases, que já lançou dois álbuns. Em 2014, ele lançou “Yo”, o seu primeiro disco solo.

Referências

https://web.archive.org/web/20061213140447/http://www.petakids.com:80/grrr2-2005/truthordare.asp

 

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Heaven Shall Burn: “Comer carne significaria que não estou muito preocupado com o mundo”

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“Veganismo é muito mais importante para nós” (Foto: Heaven Shall Burn)

Em junho de 2010, o guitarrista Maik Weichert concedeu uma entrevista a Axl Rosenberg do portal Metal Sucks, falando sobre a filosofia da banda alemã Heaven Shall Burn, que faz uma fusão de metalcore com death metal melódico.

“Alguns de nós são straight edge, mas sempre temos um cara festeiro na banda, então straight edge não é uma filosofia da banda. Veganismo é muito mais importante para nós. Comer carne significaria que não estou muito preocupado com o mundo”, afirmou Weichert, em referência à exploração animal e ao impacto ambiental do consumo de carne.

A conscientização de Maik se sustenta no fato de que diariamente a população humana, que chegou a sete bilhões em 2011, consome 20 bilhões de litros de água e 9,5 bilhões de quilos de comida. Enquanto isso, 1,5 bilhão de bovinos, de um total de 70 bilhões de animais criados no mundo todo, consomem 170 bilhões de litros de água e 61 bilhões de quilos de comida.

Em abril de 2015, quem falou em nome do Heaven Shall Burn foi o ex-baterista e porta-voz da banda, Matthias Voigt, em entrevista ao portal Metal Made Fitness. Voight relatou que o HSB sempre foi formado por veganos e vegetarianos.

“Em algum ponto, todos os membros do HSB se tornaram veganos, mas não começamos dessa forma. Foi um processo. No começo, eu estava curioso se conseguiria sobreviver como vegetariano [risos]. Era 1994, e as pessoas diziam que eu morreria dentro de dois meses. Só depois percebi que eu também não queria dar suporte a essa indústria”, revelou.

Para Matthias, hoje em dia é mais fácil ser vegetariano ou vegano, já que as pessoas têm acesso a muitas informações sobre o impacto que as indústrias da carne e de laticínios causam ao meio ambiente. “Claro que li panfletos e artigos sobre direitos animais, mas atualmente faço isso só porque preciso dar respostas quando as pessoas fazem perguntas. Nunca precisei disso para mim mesmo. Simplesmente cortei os produtos de origem animal e nunca mais olhei para trás”, enfatizou.

Uma das músicas mais emblemáticas do Heaven Shall Burn que aborda os direitos animais é “Hunters will be hunted”, do álbum “Veto”, de 2013. Em uma parte da música, o vocalista Marcus Bischoff grita: Você não fará nenhuma criatura sangrar, nunca mais, para todo o sempre/Sem recuar, direto, ações atingem você/Sem compromisso, sem ceder/Defendendo aqueles que não podem lutar/A justiça deve prevalecer.”

Saiba Mais

A banda Heaven Shall Burn foi fundada em Saalfeld, na Alemanha, em 1996.

Além dos direitos animais, suas letras também abordam questões como racismo e injustiças sociais.

A cultura straight edge defende a abstinência em relação às drogas lícitas e ilícitas, como tabaco, álcool e narcóticos.

Referências

https://metalmadefitness.com/2015/04/03/metal-made-musicians-german-metal-giants-heaven-shall-burn/

EXCLUSIVE INTERVIEW WITH HEAVEN SHALL BURN’S MAIK WEICHERT

Como a pecuária contribui com o aquecimento global

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Tolstói: “Já que se come carne, é preciso ver como se matam os bois”

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Tolstói: “A realidade teve mais impacto sobre mim do que a minha imaginação” (Foto: Reprodução)

Em uma sexta-feira, o escritor russo Liev Tolstói foi a Tula, ao sul de Moscou, encontrar um amigo que ele considerava bondoso e sensível. Durante a conversa, pediu que o acompanhasse até um matadouro. O homem concordou em conhecer as instalações, inclusive admitindo curiosidade, porém deixou claro que não entraria no local se os animais estivessem sendo abatidos. “E por que não? Precisamente, é isso que quero ver. Já que se come carne, é preciso ver como se matam os bois”, argumentou Tolstói.

O amigo, que também era caçador, logo um matador, declinou a proposta, mas acabou concordando. Quando chegaram ao matadouro, notaram um odor intenso e repugnante de putrefação. O mau cheiro aumentava conforme eles se aproximavam do edifício de tijolos vermelhos com cúpulas e longas chaminés.

“Entramos pela porta da garagem. À direita, há um grande pátio cercado, que tem uma área de um quarto de hectare. Ali é onde duas vezes por semana amontoam o gado vendido. A portaria fica na extremidade desse pátio. À esquerda, há dois prédios com portas ogivais. O pavimento é de asfalto, forma um duplo declive; e contém aparatos para pendurar os bois mortos”, informou o escritor russo.

Diante da portaria, eles viram seis açougueiros sentados. Estavam com os aventais ensanguentados e as mangas arregaçadas, exibindo braços musculosos. Como o expediente terminara há 30 minutos, eles descansavam. As portas abertas do matadouro ajudavam a amplificar o odor nauseante de sangue quente. Lá, viram um pavimento turvo e brilhante. Em suas valas, havia sangue coagulado.

“Um dos açougueiros nos explicou de que modo se mata, e nos mostrou o lugar em que acontece tal operação. Não a compreendi de todo, mas ao contrário do que eu pensava, a realidade teve mais impacto sobre mim do que a minha imaginação”, admitiu Liev Tolstói.

Referência

Tolstói, Liev. O Primeiro Passo (1892).

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Written by David Arioch

January 6th, 2017 at 5:39 pm

Jónsi: “Quando olho para a carne, o que vejo é o animal que a originou”

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Jónsi: “Acho que é fácil ser vegetariano. Você pode compra frutas e vegetais em qualquer lugar” (Foto: Julie Lavelle)

Jónsi, guitarrista e vocalista da banda islandesa Sigur Rós, uma das mais aclamadas do gênero pós-rock, se tornou vegetariano há mais de 16 anos. Foi algo que aconteceu gradualmente. Ele começou a comer cada vez menos carne até que seu corpo decidiu rejeitá-la completamente.

“Passei a sentir nojo de carne. E hoje, quando olho para a carne, o que vejo é o animal que a originou”, disse. Cada vez mais preocupado com a exploração animal, Jónsi decidiu se tornar vegano, até que mais tarde se interessou por uma alimentação baseada em alimentos crus.

O islandês se identificou tanto com o crudivorismo que começou a estudar sobre o tema, inclusive escreveu um livro com receitas crudívoras, embora a princípio tenha distribuído o conteúdo somente entre alguns poucos amigos.

“Isso faz de você um marginalizado socialmente, definitivamente, mas gosto disso. Gosto de ser diferente. Mas também gosto muito de alimentos crus. É maravilhoso, saboroso. Quem quer um hambúrguer horrível quando pode ter o seu próprio queijo? Faço o meu queijo com macadâmia. Você precisar experimentar”, enfatizou.

Em 2010, quando o jornalista irlandês Jason Killingsworth, da Paste Magazine, acompanhou Jónsi até Shoreditch, um distrito do borough londrino de Hackney, ele conheceu o Saf, o restaurante vegano favorito do compositor islandês. “Acho que é fácil ser vegetariano. Você pode compra frutas e vegetais em qualquer lugar. Se pessoas vão a um restaurante, logo perguntam que tipo de carne eles servem, e nunca entendem porque eu escolho uma salada. Mas salada é algo tão lindo”, justificou.

Questionado pela jornalista britânica Fiona Gailbraith, da Viva! Activists, se ele sairia para um encontro com uma pessoa que come carne, ele riu e comentou que isso seria bem difícil. “Simplesmente amo os animais e não quero matá-los, cozinhá-los ou comê-los, de modo que seria difícil assistir alguém fazendo isso”, argumentou. Antes de se despedir de Fiona, Jónsi agradeceu a todos aqueles que fazem algo em prol dos animais.

Saiba Mais

O guitarrista e vocalista Jón Þór “Jónsi” Birgisson fundou o Sigur Rós em Reykjavík em janeiro de 1994 em parceria com o baixista Georg Hólm e o baterista Ágúst Ævar Gunnarsson.

Quem quiser conhecer algumas das receitas veganas criadas por Jónsi, acesse: https://jonsiandalex.com/recipes

Referências

Duerden, Nick. Jon Thor Birgisson: ‘I like being a social outcast’. The Independent. 13 de março de 2010.

Killingsworth, Jason. The Unbearable Lightness of Being Jónsi. Paste Magazine. 6 de abril de 2010.

Galbraith, Fiona. Tonight, I sing for the animals. Viva! Activists. 8 de novembro de 2010.

http://www.vivaactivists.org.uk/celebrities/j%C3%B3nsi-birgisson-sigur-ros

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Written by David Arioch

January 5th, 2017 at 10:48 pm

Romain Rolland: “Concedendo aos animais um raio de razão, imagine o quanto o mundo pode ser um pesadelo terrível para eles”

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Rolland: "Podia-se ouvir ao longe os guinchos de um porco sangrando até a morte" (Foto:

Rolland: “Podia-se ouvir ao longe os guinchos de um porco sangrando até a morte” (Foto:

“Ele não podia mais suportar ver uma das cenas mais ordinárias que testemunhara centenas de vezes – um bezerro chorando em uma cesta de vime, com seus grandes olhos salientes, seus tufos brancos encaracolados sobre a testa, seu focinho roxo e suas pernas dobradas.

Havia um cordeiro com as quatro pernas amarradas sendo transportado por um camponês. Pendurado de cabeça para baixo, ele tentava elevar a própria fronte, gemendo como uma criança, balindo e pendendo a língua cinza. Havia aves amontoadas em uma cesta e podia-se ouvir ao longe os guinchos de um porco sangrando até a morte, além de um peixe a ser limpo em uma cozinha.

As torturas inomináveis que os seres humanos infligem a essas criaturas inocentes fez seu coração doer. Concedendo aos animais um raio de razão, imagine o quanto o mundo pode ser um pesadelo terrível para eles: um sonho com homens de sangue frio, cegos e surdos cortando suas gargantas, abrindo-as, eviscerando-os, fatiando-os, cozinhando-os vivos e às vezes rindo da forma como eles se contorcem de agonia. Existe algo mais atroz entre os canibais da África?”

Excertos da página 328 de “Jean-Christophe”, romance de dez volumes produzido entre os anos de 1904 e 1912 pelo escritor francês vegetariano Romain Rolland, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1915.

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January 5th, 2017 at 8:32 pm

Oliver Sykes: “Quando vi como os animais são torturados, percebi que eu não poderia continuar fazendo parte disso”

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Sykes: “Vegetarianos são mais atraentes do que quem come carne” (Foto: Forte Photography UK)

“Quando vi como os animais são torturados nas fazendas industriais, percebi que não poderia continuar fazendo parte disso. Então pensei: ‘E se fosse eu no lugar daqueles animais?’ Imediatamente, concluí: ‘É isso! Vou me tornar vegetariano!”

Excerto da entrevista que Oliver Sykes, vocalista da banda britânica de metalcore Bring Me The Horizon concedeu em julho de 2013 à Peta. Sykes decidiu parar de comer carne depois de assistir a um vídeo sobre crueldade animal divulgado pela Peta. “Além disso, vegetarianos são mais atraentes do que quem come carne”, alfinetou.

Em outubro de 2015, de acordo com a revista Alternative Press, de Cleveland, Ohio, quando o Bring Me The Horizon excursionou pela Grécia, Sykes adotou uma cadela chamada Luna que foi abandonada em um abrigo em condições precárias em Santorini. Ele também ajudou a angariar fundos para a manutenção do local.

Assim como My Chemical Romance, Fall Out Boy, UnderOath e Anti-Flag, Bring Me The Horizon é apontado pela Peta como mais uma banda que tem contagiado jovens a se tornarem veganos ou vegetarianos.

Referência   

http://www.peta.org.uk/media/news-releases/bring-me-the-horizon-slams-kfc-with-original-art-peta2-giveaway/

https://www.altpress.com/news/entry/oli_sykes_urges_fans_to_help_animal_shelters

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Written by David Arioch

January 5th, 2017 at 8:16 pm

Mogwai: “Uma forma muito fácil de ajudar os animais é ser vegetariano”

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Braithwaite: "Ela me disse que os porcos choram quando sabem que vão morrer" (Foto: Peter Mcnally)

Braithwaite: “Ela me disse que os porcos choram quando sabem que vão morrer” (Foto: Peter Mcnally)

Um dos fundadores e principal compositor da banda escocesa de pós-rock Mogwai, uma das mais famosas do gênero, Stuart Braithwaite se tornou vegetariano depois de uma conversa que teve com sua mãe.

“Ela me disse que os porcos choram quando sabem que vão morrer. Então percebi que eu não poderia mais compactuar com esse processo. Uma forma muito fácil de ajudar os animais é ser vegetariano, já que você deixa de contribuir para que eles morram para se tornarem comida”, argumenta.

Em um vídeo gravado pela Peta em 2014, Braithwaite comenta que tem sido cada vez mais fácil ser vegano ou vegetariano, já que as opções sem ingredientes de origem animal crescem a cada dia. Além disso, ele defende que uma dieta livre de carne oferece inúmeros benefícios para a saúde.

“Antes mesmo de eu me tornar vegetariano, me contaram sobre os malefícios causados pelo consumo de carne processada e, de um ponto de vista saudável, isso não é bom para você”, enfatiza.

Saiba Mais

O multi-instrumentista Stuart Braithwaite e o baixista Dominic Aitchinson fundaram o Mogwai em 1995.

Referência

http://www.peta.org.uk/blog/mogwais-stuart-braithwaite-vegetarian-interview/

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Written by David Arioch

January 5th, 2017 at 7:44 pm

Mark Greenway: “Me tornei vegetariano e nunca mais olhei para trás”

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Barney é o vocalista da banda de metal extremo Napalm Death, pioneira do subgênero grindcore

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Greenway: “Vi um vídeo na escola sobre um matadouro. Daquele dia em diante, nunca mais consegui comer carne” (Foto: Mathieu Drouet)

Vegetariano desde os 14 anos, o inglês Mark “Barney” Greenway é o vocalista da banda de metal extremo Napalm Death, pioneira do grindcore. Ainda muito jovem, Greenway já era um ativista em favor dos direitos animais, inclusive discursando contra o consumo de couro e contra a fabricação de produtos que usam animais como cobaias.

“Vi um vídeo na escola sobre um matadouro. Daquele dia em diante, não consegui mais comer carne. Me tornei vegetariano e nunca mais olhei para trás. Eu tinha 100% de certeza de que eu seria vegetariano a minha vida toda. Mesmo depois de muitos anos, vejo que a realidade ainda não mudou”, informa.

Greenway, que mais tarde se tornou vegano, cita o fato de que vacas ainda são abatidas com captive bolt pistols, tiros de pistolas que penetram parafusos em suas cabeças. Imagens como essa o chocaram e o motivaram a abandonar o consumo de carne. “Faz muitos e muitos anos que não uso nenhum tipo de produto testado em animais. Sou um membro da Peta desde os meus primeiros dias [como vegetariano], e eu recebo muitas informações deles, e isso sempre foi muito útil para mim”, diz.

Em 1997, o Napalm Death lançou o EP “In Tongues We Speak” em parceria com a banda de metalcore estadunidense Coalesce. Das quatro composições, “Food Chains” se destaca por falar sobre os direitos animais a partir da perspectiva de que aquilo que as pessoas chamam de “comida”, era antes de tudo um animal que foi subjugado, preso contra a sua própria vontade. Em uma das passagens, Barney berra: “Tão sem conhecimento em seu anonimato/Porque quando você está marcado para a morte/Os ouvidos se apagam aos gritos.”

Quando escreve sobre os direitos animais, Barney gosta de criar jogos de palavras, recurso que ele considera mais eficaz para atingir o ouvinte. “Minha intenção é fazer com que o ser humano se coloque no lugar do animal. Talvez quando uma vaca acordar pela manhã, ele veja um parafuso em sua cabeça. Uma galinha de aviário passa a vida toda em uma gaiola. É uma vida miserável”, lamenta.

Greenway admite que adoraria se todas as pessoas do mundo se tornassem vegetarianas, porém acrescenta que não seria um prospecto realista, pelo menos da noite para o dia. Ainda assim, Barney crê que não há outro caminho que não seja a abolição das fazendas industriais. “As fazendas industriais são brutais. Os animais que nascem lá não têm a sua qualidade de vida diminuída. Na realidade, eles não têm qualquer tipo de qualidade de vida”, reclama.

Mesmo crente de que o mundo seria melhor se todos fossem vegetarianos, o vocalista inglês deixa claro que não se exalta diante de quem não é vegetariano. Por outro lado, acredita que as pessoas devem ser educadas em todos os níveis. “Eles precisam saber de onde vem sua comida”, justifica. Barney perdeu as contas de quantos fãs do Napalm Death se tornaram vegetarianos depois de ouvir suas músicas. “O que é absolutamente fantástico. É por isso que a música é uma ferramenta tão poderosa”, avalia.

Saiba Mais

Mark “Barney” Greenway nasceu em Great Barr, Birmingham, na Inglaterra, em 13 de julho de 1969.  É conhecido por apoiar muitas causas em defesa dos direitos animais.

Referências

http://www.peta2.com/heroes/napalm-death/

http://www.blabbermouth.net/news/napalm-death-frontman-talks-new-album-animal-rights-and-illegal-music-downloading/

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O vegetarianismo de Sadegh Hedayat, expoente da literatura moderna persa

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“Até quando vamos fechar os olhos diante de tanta barbárie?”

Foto: The Sadegh Hedayat Foundation

Hedayat: “Mesmo que matar pareça ‘útil’ para os seres humanos, que alegria poderia haver em torturá-los?” Foto: The Sadegh Hedayat Foundation

Em 1924, o escritor iraniano Sadegh Hedayat, expoente da literatura moderna persa, publicou o livro Ensān o ḥaywān (Homens e Animais), em que faz críticas ao comportamento especista humano. Três anos depois, lançou o livro Fawāyed-e giāh-ḵᵛāri (Os Benefícios do Vegetarianismo).

A obra que discute os direitos animais teve grande repercussão, inclusive na Europa, logo depois de sair em versão alemã e inglesa. O que levou o escritor iraniano a tornar-se vegetariano e a abordar o tema em sua literatura foi o fato dele ter testemunhado o brutal abate de um camelo.

Em 1936, Hedayat publicou Boof-e koor (A Coruja Cega), considerada sua grande obra-prima. No livro, lançado originalmente em Bombaim, na Índia, ele faz referências ao budismo e ao hinduísmo, o que gerou muitas controvérsias no Irã. No entanto, o aspecto mais intrigante do livro é a morte enquanto tema. Na história, o protagonista faz confissões às sombras que imitam as formas de uma coruja em uma parede.

“A presença da morte aniquila tudo que é imaginário. Somos a prole da morte e a morte nos livra das atrações tentadoras e fraudulentas da vida. É a morte que nos acena das profundezas da vida. Se às vezes chegamos a uma parada, o fazemos para ouvir o chamado da morte. Ao longo de nossas vidas, o dedo da morte aponta para nós”, escreveu em A Coruja Cega.

No conto persa Sag-e Velgard (O Cão de Rua), publicado em 1942, Hedayat, considerado o pai do vegetarianismo moderno no Irã, apresenta uma versão ficcional do livro ensaístico Homens e Animais. Na obra, faz críticas contundentes à crueldade humana e a naturalização da violência:

“No Irã, o burro nasce para trabalhar e ser torturado. O cachorro é assassinado em nome de Deus. O gato é lançado dentro de um poço e o rato é enterrado vivo nas vias públicas. Mesmo que matar pareça ‘útil’ para os seres humanos, que alegria poderia haver em torturá-los? Até quando vamos fechar os olhos diante de tanta barbárie?

Em frente à padaria, o assistente de padeiro batia no cachorro. Em frente aos açougueiros, o jovem ajudante arremessava tijolos. Tentando se esconder debaixo de um automóvel, o animal foi saudado pelas pesadas botas do motorista.

E quando todos os outros se cansaram de machucá-lo, foi a vez do garoto que vendia pudim de arroz feri-lo com especial satisfação. Ele continuava lançando tijolos em suas costas e, conforme o cãozinho gemia, ele ria em voz alta e gritava: ‘Seu pequeno bastardo!’ Todos eles espancaram o cachorro em nome de Deus.”

Referências

Encyclopaedia Iranica. Hedayat, Sadeq i. Life and Work (2003).

Hedayat, Sadeq. The Blind Owl. l-Aleph (2011).

Hedayat, Sadeq. Sag-e Vilgard. Negah; 2nd edition (2004).

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Liv kristine: “Passamos pelo enorme pátio de um matadouro. Só havia terror, brutalidade e morte. Desde então, sem mais carne”

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Liv kristine: “Sempre que posso visitar minha família na Noruega, gosto de estar em contato com a natureza e com a cozinha vegetariana/vegana”

Conhecida principalmente por ter sido vocalista de bandas de metal como Theatre of Tragedy e Leave’s Eyes, a cantora soprano norueguesa Liv kristine disse em entrevista ao kenta Press & Agency, da Venezuela, em 19 de dezembro de 2014, que ela nunca encontrou grandes obstáculos por ser vegetariana.

“Sempre que posso visitar minha família na Noruega, gosto de estar em contato com a natureza e com a cozinha vegetariana/vegana”, contou em entrevista à Screamer Magazine, de Los Angeles, em novembro de 2014.

Anos antes, em setembro de 2009, a cantora informou ao portal Blabbermouth, de Pasadena, na Califórnia, que ela tinha se tornado vegetariana há muitos anos, e que sua prioridade era uma alimentação mais diversa e baseada em alimentos frescos.

Porém, ela nunca tentou impor nada ao filho, até que em fevereiro de 2014, Leon acabou na sala de emergência de um hospital em Chicago depois de comer um pedaço de carne. “Nesse mesmo dia, passamos pelo enorme pátio de um matadouro no meio do deserto, onde vacas estavam de pé, rodeadas por carcaças e morte. Havia um rio vermelho de sangue…E eu não quero dizer isso. Não havia um campo ou grama verde nos arredores. Só terror, brutalidade e morte. Desde então, sem mais carne.”

Referências   

https://kentapress.wordpress.com/2014/12/19/a-biographical-interview-with-liv-kristine-ex-theatre-of-tragedy-leaves-eyes-special-article-part-ii/

http://www.blabbermouth.net/news/leaves-eyes-liv-kristine-the-voice-of-the-north-on-sporty-paths/

LIV KRISTINE – …Burns Like Hell

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