Archive for the ‘Vegetarianismo/Veganismo’ Category
Annie Besant: “Precisamos agir como guardiões e ajudantes dos animais, não como seus tiranos e opressores”
“Os animais também sentem terror e atração. Reconhecemos neles o poder de ter sensações muito próximas das nossas”

Besant: “Não temos nenhum direito de causar-lhes terror e sofrimento apenas para agradar ao nosso paladar, para acrescentar luxo às nossas vidas” (Foto: Reprodução)
A escritora, reformadora social e teosofista britânica Annie Besant se tornou famosa no século 20 por lutar pelos direitos das mulheres. No entanto, o que muita gente não sabe é que ela também foi uma importante defensora dos direitos animais. Vegetariana, Annie discursou para uma multidão no centro de Manchester, na Inglaterra, no dia 18 de outubro de 1897.
Naquele dia, ela afirmou que o ser humano só começa a se questionar sobre sua relação com os animais a partir do momento que ele se vê como parte de uma unidade que envolve todas as criaturas vivas. Ou seja, quando se afasta de uma concepção antropocêntrica. “Como podemos viver proporcionando menos prejuízo para as vidas que nos rodeiam? Como podemos evitar que nossas vidas gerem menos sofrimento no mundo em que vivemos?” perguntou aos espectadores.
Em seguida, começou a listar uma série de características que são partilhadas tanto pelos seres humanos quanto pelos animais. Os dois são capazes de sentir prazer e dor, de serem movidos pelo amor e pelo ódio. “Os animais também sentem terror e atração. Reconhecemos neles o poder de ter sensações muito próximas das nossas, e enquanto os transcendemos imensamente em intelecto, nossa natureza e a dos animais seguem interligadas. Sabemos quando eles estão aterrorizados, e que esse terror significa sofrimento”, disse.
Não apenas as feridas provocadas em um animal por mãos humanas são capazes de gerar dor, mas também as ameaças. Annie cita o fato de que muitos animais se encolhem de medo quando identificam a ausência de tratamento amistoso. “Todas as mentes pensantes e compassivas devem reconhecer que por sermos privilegiados precisamos agir como guardiões e ajudantes dos animais, não como seus tiranos e opressores. Não temos nenhum direito de causar-lhes terror e sofrimento apenas para agradar ao nosso paladar, para acrescentar luxo às nossas vidas”, declarou.
Annie Besant também discursou que à época as mulheres eram consideradas exemplos de refinamento, mansidão, compaixão, ternura e pureza. “Mas ninguém pode ter comido a carne de um animal abatido sem ter usado a mão de um homem como executor. Suponhamos que tivéssemos que matar por nós mesmas as criaturas cujos corpos estariam em nossas mesas. Há uma mulher em cem que iria ao matadouro para matar o novilho, o bezerro, a ovelha e o porco? Mas se não pudéssemos fazê-lo, nem o veríamos feito”, criticou.
Para Annie Besant, levando em conta que à época o açougueiro era também quem executava os animais, o suposto refinamento do ser humano é tão hipócrita e paradoxal que muitos evitam o contato com o açougueiro que fornece o suposto alimento, para evitarem associações entre morte e comida.
“Se achamos que eles são toscos pela repulsa que seus corpos despertam por estarem manchados de sangue; se reconhecemos a grosseria física que resulta de tal contato, como ousamos nos chamar de refinados, se compramos o nosso refinamento por meio da brutalização de outros, e exigimos que sejam brutais para que possamos comer os resultados dessa brutalidade? Não estamos livres dos resultados brutalizantes desse comércio só porque não participamos diretamente dele”, discorreu a defensora dos direitos animais em Manchester no dia 18 de outubro de 1897.
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Annie Besant nasceu em 1º de outubro de 1847 em Clapham, Londres, e faleceu em 20 de setembro de 1933 em Adyar (Tamil Nadu), Madras, na Índia.
Referência
http://www.ivu.org/history/besant/text.html
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Rosa Parks: “Não é tão difícil ficar sem comer carne. [Me tornar vegetariana] Era algo que eu queria fazer”
Em 1º de dezembro de 1955, Rosa Parks se recusou a obedecer ao motorista James F. Blake, quando ele exigiu que ela cedesse o seu lugar a um passageiro branco e se sentasse na seção relegada aos negros no fundo do ônibus. Por tal feito, embora não tivesse sido a primeira, ela foi presa e depois tornou-se um símbolo de resistência contra a segregação racial nos Estados Unidos.
Considerada mais tarde a primeira dama dos direitos civis e a mãe do movimento pela liberdade, ela tornou-se colaboradora de importantes líderes, como Edgar Nixon e Martin Luther King Jr. Chegou a ser considerada pela revista Time como uma das 20 pessoas mais influentes do século 20. E para além dos direitos civis, também ajudou na divulgação do vegetarianismo enquanto estilo de vida. “Não é tão difícil ficar sem comer carne. [Me tornar vegetariana] era algo que eu queria fazer”, declarou, de acordo com a organização independente Vegetarians of Washington.
Rosa, que nasceu em 4 de fevereiro de 1913 em Tuskegee, Alabama, e faleceu em Detroit, Michigan, aos 92 anos, em 24 de outubro de 2005, gostava de comer principalmente brócolis, verduras, batata-doce e feijões. “Por mais de 40 anos, tenho sido vegetariana. Cresci em uma família pobre. Tive problemas de saúde muito cedo por causa da minha má alimentação. Por isso, me alimentar de forma saudável é uma prioridade para mim”, disse em entrevista à psiquiatra Judith Orloff, publicada em 2004 no livro “Positive Energy: 10 Extraordinary Prescriptions for Transforming Fatigue, Stress and Fear into Vibrance, Strength and Love”.
Rosa recebeu muitas homenagens ao longo da vida, e provavelmente as mais importantes foram o prêmio da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP) e a Congressional Gold Medal, concedida pelo Congresso dos Estados Unidos, e entregue pelo então presidente Bill Clinton em 15 de junho de 1999. “Rosa Parks ajudou a divulgar o vegetarianismo. Ela era conhecida por promover a paz e a justiça. E também atribuía o seu sucesso, saúde e estamina a sua alimentação vegetariana estrita”, informou.
Referências
https://vegofwa.org/tag/famous-vegetarians/
http://www.peta2.com/blog/rosa-parks-vegetarian/
http://www.peta.org/blog/8-famous-vegetarians-might-surprise/
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Coretta King via o veganismo como uma extensão lógica da luta pela não violência
Coretta se tornou vegana em 1995 e viveu assim até os seus últimos dias

“Eu viajei com a senhora King, uma vegana, para um centro de emagrecimento na Flórida. Ao longo de uma semana, não comemos nada além de vegetais crus”
Em 4 de fevereiro de 2006, a escritora e professora estadunidense Barbara A. Reynolds, publicou no jornal The Washington Post, um artigo sobre quem era realmente Coretta Scott King, muitas vezes definida somente como a esposa do ativista político Martin Luther King. Coretta foi muito mais do que isso.
Ela própria era uma ativista desde a adolescência, e em 1995 aderiu ao veganismo, filosofia de vida que ela considerava como a mais adequada para quem passou a vida toda lutando por igualdade.
“Viajei com a senhora King, uma vegana, para um centro de emagrecimento na Flórida. Ao longo de uma semana, não comemos nada além de vegetais crus. E por anos, ela jamais se esqueceu de me enviar um cartão de aniversário”, conta Barbara.
Segundo Erin Zimmer, especialista em veganismo do portal DCist, de Washington, Coretta King, assim como o filho Dexter King, acreditava que a luta pelos direitos animais era uma extensão lógica da luta pela não violência defendida pelo marido Martin Luther King.
Para Stephanie Ernst, do portal estadunidense All-Creatures, de defesa dos direitos animais, a mudança de Coretta foi muito natural, tratando-se de alguém que teve uma vida compassiva, apaixonada e extraordinária. “Ela não era extremista, fanática – apenas uma vegana”, declarou.
Após o assassinato de Martin Luther King Jr. em 4 de abril de 1968, Coretta se empenhou em preservar o legado do marido ao liderar a construção do King Center e lutar pela criação de um feriado nacional em homenagem a ele.
“Antes de eu ser uma King, eu era uma Scott. Éramos proprietários de terras e pensadores independentes. Se eu fosse uma mulher fraca e temerosa, Martin teria sido forçado a recuar em suas campanhas. Eu trouxe não apenas o espírito de discernimento de minha mãe para o nosso casamento, mas também a força que herdei de meu pai”, argumentou em entrevista a Barbara Reynolds.
Na década de 1950, Coretta usou seu talento como cantora e realizou concertos para arrecadar fundos para as campanhas do marido. “Talvez muita gente não saiba que eu era uma ativista porque a mídia não estava me assistindo”, justificou.
Em 1942, quando ainda era uma criança, ela viu a própria casa ser incendiada por um grupo de brancos no Dia de Ação de Graças. Apesar disso, seu pai, assim como seu avô, jamais sentiu ódio ou tentou se insurgir contra os agressores. “Seu exemplo de perdão ampliou minha compreensão de que devemos ter o compromisso de usar o amor para triunfar sobre o ódio”, ponderou.
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Coretta King nasceu em 27 de abril de 1927 em Heiberger, Alabama, e faleceu em 30 de janeiro de 2006 em Rosarito Beach, no México.
Referências
http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2006/02/03/AR2006020302512.html
http://www.all-creatures.org/articles/ar-celebrating.html
http://dcist.com/2006/01/mlk_day_vegan_s.php
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Mahler acreditava que o vegetarianismo é o caminho para a regeneração da humanidade
“Os efeitos morais desse estilo de vida são imensos. Você pode julgar por si mesmo…”

Mahler adotou o vegetarianismo por influência do compositor alemão Richard Wagner (Foto: Reprodução)
Símbolo do pós-romantismo e considerado um dos mais importantes compositores de todos os tempos, o austríaco Gustav Mahler se tornou vegetariano por influência das teorias de regeneração do compositor alemão Richard Wagner. Em carta escrita a Emil Freund em 1º de novembro de 1880, ele se queixou que precisava de algum tipo de conforto porque via miséria em todos os lugares e das mais diferentes formas.
“Se você conhece uma pessoa nesta terra que seja realmente feliz, diga-me seu nome rapidamente, antes que eu perca os últimos vestígios de coragem que resistem em mim. Qualquer um que tenha observado uma natureza verdadeiramente nobre e profunda lutando contra a mesquinhíssima mesquinhez, e que por isso perece, dificilmente ignora o próprio estremecimento, quando este considera em primeiro lugar a chance de salvar a sua própria e pobre pele”, escreveu Mahler.
Na carta, o compositor diz que no Dia de Todos-os-Santos ele colocaria flores no túmulo de uma amiga que cometera suicídio, uma jovem que ele conheceu aos 18 anos em Seelau, na casa dos pais de Freund, a algumas horas de distância de Jihlava, sua cidade natal. Os dois tinham grande afeto um pelo outro, e ela era fascinada pelo talento de Mahler ao piano. E foi pela fragilidade do seu estado de espírito ao saber da morte da amiga que ele teve contato com as teorias de Wagner e decidiu mudar de vida. Um mês depois de tornar-se vegetariano, ele anotou suas impressões e as enviou para Emil:
“Os efeitos morais desse estilo de vida são imensos. Você pode julgar por si mesmo o quão convencido estou, quando lhe digo que não espero menos do que a regeneração da humanidade”, declarou em referência ao vegetarianismo. Também sugeriu ao amigo que adotasse um estilo de vida mais natural, com nutrição adequada, alegando que logo ele sentiria os benefícios, de acordo com informações das páginas 165 e 166 do livro “Gustav Mahler: New Insights into His Life, Times and Work”, de Alfred Mathis-Rosenzweig.
À época, em transição para o vegetarianismo, mas ainda amargando tristeza recente, ele concluiu a famosa cantata Das Klagende Lied (A Canção da Lamentação) que, embora inspirada em um conto dos Irmãos Grimm, revela o seu próprio estado de espírito. “Minha peça está terminada. Um verdadeiro lamento de criança que me tomou alguns anos de trabalho, mas que acabou por valer a pena. O meu próximo passo é usar todos os recursos disponíveis para executá-la”, revelou em correspondência a Freund.
“Na estalagem, onde os cantores se encontravam à noite, ele era visto como ridículo por consumir água em vez de cerveja ou vinho. Recusando carne, pedia por maçãs e espinafre, e declarou sua lealdade aos princípios vegetarianos de Richard wagner. Os cidadãos desta pequena cidade concordaram que ele era um espécime muito estranho”, registrou o especialista em sociologia da música Kurt Blaukopf em referência à estadia de Gustav Mahler em Olomouc, na República Tcheca, entre os dias 11 e 17 de março de 1883.
Em 1894, Mahler decidiu se aprofundar no trabalho de Schopenhauer quando descobriu que ele foi a principal influência de Wagner no que diz respeito ao vegetarianismo. Para Rosenzweig, o interesse de Mahler se justificou pelo fato de que ele, assim como outros vegetarianos e entusiastas da época, buscava motivações menos místicas sobre o vegetarianismo.
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Gustav Mahler nasceu em Kalischt, na Boêmia, atual República Tcheca, em 7 de julho de 1860 e faleceu em 18 de maio de 1911 em decorrência de endocardite bacteriana.
Referências
Blaukopf, Kurt. Mahler: His Life, Work and World. Thames & Hudson (2000).
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Brian Greene: “Vegetarianos são pessoas dispostas a sacrificar os próprios prazeres em busca do que acreditam que seja certo”
Brian Greene, considerado um gênio da física, parou de consumir carne aos nove anos

Greene: “Fiquei horrorizado e declarei que nunca mais comeria carne novamente. E nunca mais comi. Mais tarde, me tornei vegano” (Foto: Kurt Raschke)
Especialista da teoria das cordas e professor da Universidade de Columbia, em Nova York, além de chairman e cofundador do World Science Festival, aos nove anos o estadunidense Brian Greene, considerado um gênio da física, já era capaz de multiplicar números de 30 dígitos em sua cabeça. Com a mesma idade, decidiu tornar-se vegetariano quando soube que as costelas preparadas por sua mãe eram provenientes de um animal.
“Fiquei horrorizado e declarei que nunca mais comeria carne novamente. E nunca mais comi. Mais tarde, me tornei vegano. Visitei um santuário de animais em Nova York e aprendi muito sobre a indústria de laticínios, e foi tão perturbador que percebi que eu não poderia continuar dando suporte a isso. Em dias, desisti completamente dos derivados de leite”, declarou na “Interview with Brian Greene”, publicada pelo Supreme Master Ching Hai News em 2011.
Questionado sobre o motivo pelo qual tantos gênios tornaram-se vegetarianos, respondeu que levando em conta sua “limitada experiência”, ele acredita que vegetarianos desafiam o status quo, a ordem atual das coisas. “São pessoas dispostas a sacrificar os seus próprios prazeres em busca do que acreditam que seja certo. Essas mesmas qualidades frequentemente são necessárias para conquistarmos grandes avanços nas artes e nas ciências”, pondera.
Sobre o fato de haver cientistas que não são vegetarianos, Greene declara que, assim como a maioria das pessoas, há cientistas que não se questionam sobre a prática de comer carne, já que ela sempre esteve ao alcance deles. “Muitas dessas pessoas se preocupam com os animais e o meio ambiente, alguns até profundamente. Mas por alguma razão, força do hábito, normas culturais, resistência às mudanças, há uma substancial desconexão em relação a esses sentimentos, o que acaba não se traduzindo em mudanças comportamentais”, avalia.
Brian Greene é hoje um dos físicos em maior evidência no mundo da ciência. Ele defende a teoria das cordas como uma teoria realmente unificada, com condições de descrever tudo que diz respeito ao universo físico. Por isso, ela também é considerada uma possível teoria de tudo.
Referência
http://www.godsdirectcontact.org/eng/news/160/vg5.htm
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Tolstói: “Sentia desejos de visitar os matadouros, para assegurar-me por mim mesmo da essência do problema de que se fala quando se trata do vegetarianismo”

Tolstói: “Sentia desejos de visitar os matadouros, para assegurar-me por mim mesmo da essência do problema de que se fala quando se trata do vegetarianismo” (Foto: Reprodução)
No ensaio “O primeiro Passo“, o escritor russo Liev Tolstói, autor de clássicos como “Guerra e Paz” e “Anna Karenina”, fala de sua simpatia pelo vegetarianismo enquanto uma filosofia de vida de viés moral. Inclusive narra algumas histórias que o motivaram a tornar-se vegetariano.
Na obra, ele conta que decidiu visitar Tula, ao sul de Moscou, quando falaram-lhe que os matadouros da localidade, seguindo o exemplo das grandes cidades, colocaram em prática um novo sistema, em que os animais sofriam o mínimo possível antes de serem mortos.
À época, o que o motivou a entender como funciona a indústria da exploração animal foi o livro “Ethics of Diet“, do britânico Howard Williams, publicado em 1883.
“Sentia desejos de visitar os matadouros, para assegurar-me por mim mesmo da essência do problema de que se fala quando se trata do vegetarianismo; mas me ocorria algo parecido a o que se nota quando se sabe que se vai experimentar um sofrimento agudo que ninguém pode impedir. Adiava sempre minha visita.
Mas recentemente encontrei no caminho um abatedor que ia a Tula. Era um trabalhador pouco hábil e sua tarefa consistia em amarrar os animais. Perguntei-lhe se não lhe davam pena os bovinos.
— O que obteria com isso? De qualquer forma, tenho que matá-los.
Mas quando lhe disse que não é necessário comer carne, a qual constitui um alimento de luxo, concordou comigo que verdadeiramente era de sentir.
— Mas o que fazer? É preciso ganhar a vida. Antes, temia matar: meu pai não matou jamais nem uma galinha.
De fato, à maioria dos russos lhes repugna matar, sentem piedade, e expressam tal sentimento pela palavra “temor”. Ele também temia, mas deixou de temer, e me explicou que a sexta-feira era o dia de mais trabalho.
Tive recentemente uma conversa com um soldado, açougueiro, que também se admirou ao dizer-lhe eu que era uma lástima matar. Contestou-me que é um costume necessário; mas finalmente, concordou que dá pena, e acrescentou:
— Sobretudo quando o boi se encontra resignado e manso, quando vai ao abate com toda confiança. Sim, inspira muita piedade.
É horrível! Horríveis são, de fato, não os sofrimentos e a morte dos bovinos, mas o fato de que o homem, sem nenhuma necessidade, cale seu sentimento elevado de simpatia por seres vivos como ele, e seja cruel vencendo sua repugnância. Quão profunda é no coração do homem a proibição de matar a um ser vivo!”
“O primeiro Passo” foi escrito originalmente em 1892.
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Van Gogh: “Desde que visitei os matadouros do sul da França, parei de comer carne”

Van Gogh: “Para um ser humano, a vida física deve ser um detalhe miserável; comida vegetal é o suficiente, todo o resto é luxo” (Arte: Van Gogh)
No Livro “The Letters of Vincent Van Gogh”, o pesquisador e historiador de arte Ronald de Leeuw, ex-diretor do Museu Van Gogh, apresenta fatos pouco conhecidos sobre a vida do neerlandês Vincent Van Gogh, expoente do pós-impressionismo e considerado um dos maiores pintores de todos os tempos.
Entre as revelações, estão citações de cartas que Vincent enviou ao irmão caçula Theodorus. “Desde que visitei os matadouros do sul da França, parei de comer carne”, confidenciou Van Gogh.
Em 2000, o escritor e crítico Steven G. Kellman publicou no Volume 69, número 4, da revista American Scholar, um artigo intitulado “Fish, Flesh and Foul”, relatando que a experiência foi tão traumatizante para o pintor que ele decidiu adotar o vegetarianismo, o que vai ao encontro do que foi publicado em 1990 na página 55 do livro “Vincent Van Gogh: A Life”.
Na obra, o autor Philip Callow narra que em 1877, no período em que o pintor esteve em Dordrecht, na Holanda do Sul, Vincent Van Gogh nunca consumia carne ou molho de carne, embora não haja informações precisas sobre até que ponto ou até quando ele se manteve vegetariano.
Colega de quarto de Van Gogh em Dordrecht, PC Görlitz registrou em correspondência enviada ao psiquiatra e escritor Frederik van Eeden, que o ajudaria a preparar um artigo sobre a vida de Vincent, publicado em 1º de dezembro de 1890, que em uma tarde, enquanto estavam diante da mesa, três deles se alimentaram com o apetite de lobos famintos:
“Não ele [Van Gogh]. Ele não comeria carne. […] Quatro batatas com uma suspeita de molho e um bocado de legumes constituiu todo o seu jantar. Diante de nossa insistência de que um jantar saudável depende de carne, ele respondeu:
‘Para um ser humano, a vida física deve ser um detalhe miserável; comida vegetal é o suficiente, todo o resto é luxo.’” Declarações como esta endossam que se Van Gogh não era realmente vegetariano, ele foi pelo menos um simpatizante ou defensor do vegetarianismo. Mais informações sobre o estilo de vida de Van Gogh podem ser encontradas também no livro “Van Gogh, Gauguin and the Impressionist Circle”, de Mark W. Roskill, publicado pela New York Graphic Society em 1961.
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Vincent Van Gogh nasceu em 30 de março de 1853 em Zunderst, nos Países Baixos, e faleceu em 29 de julho de 1890 em Auvers-sur-Oise, na França.
Algumas de suas obras mais importantes são: “Os Comedores de Batatas”, de 1885; “Quarto em Arles”, de 1888; “Doze Girassóis Numa Jarra”, de 1889; “Auto-Retratos, de 1886 a 1890; “Noite Estrelada”, de 1889; e “Retrato do Dr. Gachet”, de 1890.
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Ray Cappo: “Recebi um chamado para me tornar vegetariano”
“Sempre me interessei pela espiritualidade e pela busca da verdade. Recebi um chamado para me tornar vegetariano. Então comecei a me empenhar em oferecer ao mundo o que tenho de melhor.
Sou muito cuidadoso em relação ao que como e sempre me questionei se isso afetaria ou não outros seres.” Uma vez, Cappo fez uma declaração pública sobre o seu estilo de vida como vegetariano e isso se tornou parte do estilo de vida straight edge.
Citações de The Raw Interviews with Ray Cappo part IV (NYHC 1980 -1990), concedida ao fanzine Double Cross em março de 2015.
Ray Cappo é um dos fundadores do krishnacore, um subgênero nascido da fusão da cultura punk com o movimento Hare Krishna. Ele é mais conhecido como vocalista e compositor das bandas Shelter, Youth of Today e Better Than a Thousand. No cenário punk/hardcore dos Estados Unidos, Cappo foi uma das figuras centrais na divulgação do veganismo.
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Por que não somos carnívoros?
Em seu livro “The 80/10/10/ Diet”, o escritor Douglas N. Graham explica por que não somos carnívoros

Graham discorre sobre características que vão desde as fórmulas dentárias à tolerância à gordura (Foto: Reprodução)
Em 2006, o escritor estadunidense Douglas N. Graham publicou a primeira edição do livro “The 80/10/10 Diet”, lançado no Brasil com o título “A Dieta 80/10/10: Balanceando sua saúde, seu peso e sua vida, a cada doce mordida”. Em um dos capítulos, ele apresenta argumentos que explicam por que é um grande engano muitas pessoas acreditarem que são carnívoras. Para endossar seu posicionamento, Graham, ex-atleta e defensor do crudivorismo, discorre sobre características que vão desde as fórmulas dentárias à tolerância à gordura:
Fórmulas dentárias: Há um sistema chamado de “fórmula dentária” para descrever a disposição dos dentes em cada quadrante da mandíbula da boca de um animal. Isso se refere ao número de incisivos, caninos e molares em cada um dos quatro quadrantes. Começando do centro e movendo-se para fora, nossa fórmula é a da maioria dos antropoides – 2/1/5. A fórmula dentária carnívora é 3/1/5 a 8.
Dentes: Os molares de um carnívoro são pontudos e afiados. Os nossos são primariamente retos, para triturar os alimentos. Nossos dentes caninos não espelham nenhuma semelhança com verdadeiras presas. Nem temos uma boca cheia deles, como um verdadeiro carnívoro tem.
Tamanho do fígado: Carnívoros têm fígados maiores proporcionalmente ao seu tamanho corporal comparados aos humanos.
Andar: Nós temos duas mãos e pés e andamos eretos. Todos os carnívoros têm quatro patas e fazem sua locomoção usando as quatro.
Língua: Apenas os verdadeiros animais carnívoros têm línguas grossas (ásperas). Todas as outras criaturas têm línguas suaves.
Garras: Nossa falta de garras para rasgar a pele e a carne torna esta tarefa extremamente difícil. Possuímos unhas retas e muito mais fracas ao invés das garras.
Polegares Opostos: Nossos polegares opostos nos fazem extremamente equipados para coletar uma refeição de frutas em questão de poucos segundos. A maioria das pessoas faz o processo sem esforço algum. Tudo o que temos a fazer é pegar. As garras dos carnívoros permitem que eles peguem nas suas presas em questões de segundos também. Não podemos pegar ou rasgar a pele ou carne de um veado ou de um urso, mais do que um leão poderia pegar mangas ou bananas.
Nascimento: Humanos dão à luz a uma criança de cada vez. Carnívoros normalmente dão à luz a ninhadas.
Formação do Cólon: Nossos cólons enrolados são bem diferentes em formação se comparado aos suaves cólons dos animais carnívoros.
Glândulas mamárias: as tetas múltiplas no abdômen dos carnívoros não coincidem com o par de glândulas mamárias no peito dos humanos.
Trato intestinal: nossos tratos intestinais medem aproximadamente doze vezes o comprimento de nossos torsos (em torno de nove metros). Isso permite a absorção de açucares e outros nutrientes que provêm da água das frutas. Em oposição, o trato digestivo dos carnívoros é apenas três vezes o comprimento do seu torso. Isso é necessário para evitar o apodrecimento e decomposição da carne dentro do animal. O carnívoro depende de secreções altamente ácidas para facilitar a rápida digestão e absorção em seu tubo bem curto. Ainda assim, a putrefação de proteínas e as gorduras rançosas são evidentes em suas fezes.
Tolerância a micróbios: A maioria dos carnívoros pode digerir micróbios que seriam mortais para os humanos, tais como os que causam botulismo.
Sono: Humanos passam em média dois terços de cada ciclo de 24 horas acordados. Carnívoros tipicamente dormem e descansam de 18 a 20 horas por dia e algumas vezes mais.
Perspiração: Humanos suam através dos poros pelo corpo inteiro. Carnívoros suam através das suas línguas apenas.
Visão: Nosso sentido da visão responde a todo o espectro de cores, tornando assim possível nossa distinção entre frutas maduras e não maduras à distância. Carnívoros tipicamente não veem todos os aspectos de cores.
Tamanho da refeição: Frutas são do tamanho certo da nossa necessidade alimentícia. Cabem na nossa mão. Uma porção de fruta é o suficiente para uma refeição, não causando desperdício. Carnívoros normalmente comem o animal inteiro quando eles o matam.
Bebendo: Se precisamos beber água, podemos sugar com nossos lábios, mas não podemos empurrá-la para dentro. As línguas dos carnívoros são protuberantes para fora a fim de poderem jogá-la para dentro, quando precisam beber.
Placenta: Temos uma placenta em forma de disco, enquanto os carnívoros têm uma placenta zonária.
Vitamina C: Carnívoros produzem a sua própria vitamina C, enquanto para nós a vitamina C é um nutriente essencial que precisamos obter por meio da nossa própria comida.
Movimento da mandíbula: Nossa habilidade de moer nossos alimentos é exclusiva dos herbívoros. Carnívoros não possuem o movimento lateral de suas mandíbulas.
Tolerância à gordura: Nós não conseguimos lidar com mais do que pequenas quantidades de gordura também. Carnívoros prosperam em uma dieta hiperlipídica.
Saliva e pH da urina: Todas as criaturas que se alimentam de vegetais (incluindo humanos saudáveis) mantêm a saliva e a urina alcalina a maior parte do tempo. A saliva e a urina dos animais carnívoros, entretanto, é ácida.
PH da dieta: Carnívoros prosperam em uma dieta de alimentos acidificantes, enquanto tal dieta para humanos seria mortal, abrindo o caminho para uma grande variedade de doenças. Nossos alimentos prediletos são alcalinizantes.
PH ácido do estômago: O nível do pH dos ácidos clorídricos que os humanos produzem no estômago geralmente varia entre 3 a 4 vezes ou mais, mas pode chegar a 2 (0 = mais ácido, 7 = neutro, 14 = mais alcalino). O nível do ácido estomacal de gatos e outros carnívoros pode chegar a 1, mas normalmente fica em 2. Por causa da escala do pH ser logarítmica, isso significa que o ácido estomacal de um carnívoro pode ser 10 vezes mais forte do que o de um humano e pode chegar a ser 100 vezes ou até mesmo 1000 vezes mais forte.
Uricase: Carnívoros verdadeiros secretam uma enzima chamada uricase para metabolizar o ácido úrico da carne. Não secretamos essa substância e precisamos neutralizar esse forte ácido com nossos minerais alcalinos, primeiramente o cálcio. O resultado deste cálcio forma pedras nos rins e é um dos muitos patogênicos do consumo de carne, nesse caso criando ou contribuindo para a gota, artrite, reumatismo e bursite.
Enzimas digestivas: Nossas enzimas digestivas são feitas para facilitar principalmente a digestão de alimentos vegetais. Produzimos a amilase pancreática – também conhecida como “amilase salivar” – para iniciar a digestão de frutas. Animais comedores de carne não produzem esta enzima e tem níveis de enzimas digestivas completamente diferentes das nossas.
Metabolismo do açúcar: A glucose e a frutose nas frutas abastecem nossas células sem forçar nosso pâncreas (a não ser que comêssemos uma dieta hiperlipídica). Carnívoros não lidam com açucares facilmente. Eles são propensos a diabetes, se comerem uma dieta predominante de frutas.
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O vegetarianismo na vida de John Coltrane
“Dick Bock me contou que John tinha abandonado a carne para se tornar vegetariano”
No final dos anos 1950, John Coltrane, um dos maiores compositores e saxofonistas de jazz da história, passou por uma conversão espiritual e também se tornou vegetariano. Sobre o assunto, o famoso compositor indiano Ravi Shankar escreveu em seu livro “Raga Mala”, publicado em 1997, que John Coltrane era muito diferente de seus contemporâneos:
“Tão limpo, com boas maneiras e humilde. Seis meses antes, ele havia se livrado das drogas e da bebida.” Coltrane foi influenciado pelo compositor de jazz Sun Ra, que o motivou a mudar de vida, aderir ao vegetarianismo e ouvir as composições de Ravi Shankar.
Em seu site oficial, Shankar escreveu que conheceu muitos compositores de jazz, e que a maioria deles tinha algum tipo de vício, mas John Coltrane era uma pessoa diferente. “Dick Bock [Richard Bock, da Pacific Jazz Records] havia me contado que John tinha abandonado a carne para se tornar vegetariano, e estava lendo os livros de Shri Ramakrishna e praticando ioga.”
Nicholas L. Baham III, professor da Universidade Estadual da Califórnia e autor do livro “The Coltrane Church: apostles of Sound, Agents of Social Justice”, escreveu que quando Coltrane se tornou vegetariano, o vegetarianismo se tornou parte dele e de suas crenças, o que refletiu muito bem em sua música. Àquela altura, o compositor também já se posicionava como pacifista.
“A Love Supreme”, lançado em 1965, e considerado um dos maiores discos da história do jazz, manifesta a sua grande transformação de viés espiritual. “Coltrane sentiu que nós temos que fazer um esforço consciente para efetuar mudanças positivas no mundo, e sua música é um instrumento para a criação de padrões de pensamentos positivos na mente das pessoas”, de acordo com o site johncoltrane.com.
Embora tenha sentido os efeitos positivos da filosofia de vida adotada no final dos anos 1950, John Coltrane faleceu precocemente aos 40 anos, vítima de um câncer de fígado. A doença surgiu em decorrência do abuso de álcool e heroína até o início da década de 1950.
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