David Arioch – Jornalismo Cultural

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The Outsiders

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A versão cinematográfica foi lançada em 1983 (Foto: Reprodução)

The Outsiders – Filme interessante como o livro que Susan E. Hinton escreveu ainda na adolescência, obra que li há muito tempo. Na versão cinematográfica, Francis Ford Coppola criou um clássico sobre jovens marginalizados que em alguns aspectos me lembra o inesquecível “Los Olvidados”, de Luis Buñuel.

Coppola provou que nem sempre a adaptação de uma obra literária está fadada ao fracasso, superficialidade ou desvirtuação. Além da história e da abordagem, a fotografia é outro destaque. É vivaz, intensa e incandescente, assim como os arroubos da adolescência. Recomendo o filme e o livro para quem gosta de obras que envolvem temas como juventude, segregação social, crise existencial e falta de estrutura familiar.

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O filme The Outsiders foi lançado em 1983, inspirado no livro publicado em 1967.

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Written by David Arioch

March 26th, 2016 at 11:29 pm

Mark Twain e sua relação com os gatos

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“Trate-o como um cavalheiro, sem quaisquer outros termos. Quando você não fizer isso, ele vai se afastar”

Para Twain, um gato pode ser seu amigo, se assim você quiser, desde que haja igualdade de condições (Foto: Twain Family)

Para Twain, um gato pode ser seu amigo, se assim você quiser, desde que haja igualdade de condições (Foto: Twain Family)

O escritor estadunidense Mark Twain, conhecido por clássicos como “The Adventures of Tom Sawyer”, lançado em 1876, e “Adventures of Huckleberry Finn”, de 1885, costumava dizer que ao conhecer alguém que amava gatos, não era necessária nenhuma apresentação para que ele logo se tornasse seu amigo e camarada.

Sour Mash, a gata que mais o inspirou a escrever, despertando-lhe um novo senso de observação, era vista por Twain como um exemplo para a humanidade – carinhosa, leal, corajosa e empreendedora. “Além de nobre, tinha uma característica digna dos felinos e que nenhum homem possui – a independência. Ela não dava a mínima para a opinião dos outros. Não tinha medo de cobras nem de cães. Exterminava gafanhotos que invadiam as plantações e saltava sobre cães”, declarou em sua autobiografia.

Na obra “The Refuge of the Derelicts”, publicada no jornal Harper’s Weekly em 15 de julho de 1905, o escritor argumenta que a autonomia dos gatos vem da sua ausência de disciplina. “Eles não vivem para ajudar ninguém. São simplesmente assim. Mas não é algo que deva ser visto como insubordinação. Conceitos como certo e justo não existem para os felinos. É a única criatura no Céu ou na Terra que está acima de pedidos e ordens. Não foram feitos para obedecer e estão além até dos anjos. Reis e divindades são mais obedientes do que gatos”, escreveu.

Para Twain, um gato pode ser seu amigo, se assim você quiser, desde que haja igualdade de condições, independente se você é um monarca ou um sapateiro. “Trate-o como um cavalheiro, sem quaisquer outros termos. Quando você não fizer isso, ele vai se afastar”, declarou em “The Refuge of the Derelicts”.

No livro Mark Twain’s Notebook, publicação póstuma de 1935, inspirada em anotações de 1894, o escritor comenta que de todas as criaturas de Deus só o gato não pode ser feito escravo do chicote. “Ele é sempre mais inteligente do que as pessoas imaginam”, justificou.

Outras obras de Twain que endossam as qualidades dos felinos a partir de suas experiências são “The Mysterious Stranger” e “A Connecticut Yankee in King Arthur’s Court”. “Se você abusar de um gato, mesmo que apenas uma vez, ele sempre vai manter uma digna reserva em relação a você. Será impossível reconquistar a confiança dele”, declarou no segundo volume de sua autobiografia, baseada em registros de 3 de setembro 1906 e publicada em 2013, mais de cem anos após sua morte.

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Bukowski, um velho safado apaixonado por gatos

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“Eles farão você se sentir melhor. Eles sabem tudo sobre a vida, tal como ela é”

"“Eu poderia dormir por 20 horas, ficar sentado e lamber minha própria bunda, esperando apenas para ser alimentado" (Acervo: Charles Bukowski)

“Eu poderia dormir por 20 horas, ficar sentado e lamber minha própria bunda, esperando para ser alimentado” (Acervo: Charles Bukowski)

Nos últimos anos, vi diversas fotos do escritor estadunidense Charles Bukowski segurando gatos ou rodeado por eles enquanto trabalhava. No entanto, foi somente no início de 2016 que tive certeza do quanto o mais famoso dirty old man da história da literatura norte-americana era apaixonado por gatos.

A confirmação veio com o lançamento da obra póstuma On Cats, um livro de 128 páginas, publicado nos Estados Unidos pela Editora Ecco Press em dezembro de 2015, que reúne as mais profundas impressões poéticas e reflexões de Bukowski sobre gatos e o mundo dos felinos.

Uma perspectiva áspera e transversalmente bucólica e terna sobre a relação entre humanos e gatos é o que os leitores vão encontrar no livro. Para Charles Bukowski, nenhum outro animal é tão inescrutável quanto um gato com sua essência elementar e augusta. Forças únicas da natureza, emissários evasivos da beleza do amor, interpretava o último escritor maldito da literatura norte-americana.

É justo dizer que On Cats é uma viagem pela resistência e resiliência felina; uma obra que apresenta os gatos como combatentes, caçadores e sobreviventes divididos entre o temor e o respeito. Os felinos de Bukowski eram ferozes e exigentes, chegando a se esfregarem, ensandecidos, por suas páginas datilografadas. Não se importavam em acordá-lo roçando garras em seu rosto e isso era mais um alento do que um quezilento. Também eram afetuosos, maviosos e muitas vezes o ajudaram a reencontrar inspiração.

O jornalista e biógrafo britânico Howard Sounes, estudioso do trabalho do escritor estadunidense, revela que Charles Bukowski ficou mais emotivo na velhice. “Os gatos realmente foram os únicos que conseguiram torná-lo um homem sentimental. Quando ele conseguiu um bom dinheiro, começou a levar uma vida suburbana com sua esposa Linda Lee e um monte de gatos”, confidenciou.

"A verdade é que é sempre bom ter um bando de gatos ao meu redor” (Acervo: Charles Bukowski)

“A verdade é que é sempre bom ter um bando de gastos ao meu redor” (Acervo: Charles Bukowski)

Segundo Bukowski, gatos são inigualáveis porque respondem somente a si mesmos, seres sui generis que não se deixam levar. Cômico e enternecedor, pungente e isento de pieguices, o livro é um retrato iluminado sobre a perspectiva do homem que considerava seus gatos como seus grandes professores nos seus últimos anos. O que também justifica porque o escritor dizia tanto que na próxima vida não queria ser nada além de um gato.

“Eu poderia dormir por 20 horas, ficar sentado e lamber minha própria bunda, esperando para ser alimentado. A verdade é que é sempre bom ter um bando de gatos ao meu redor”, repetia Bukowski à exaustão até o dia 9 de março de 1994, quando faleceu aos 73 anos, deixando um legado de seis romances, mais de 50 coleções de poemas e muitos contos e crônicas.

“Quando estiver se sentindo mal, observe os gatos. Eles farão você se sentir melhor. Eles sabem tudo sobre a vida, tal como ela é. Eles apenas sabem, são salvadores. Quanto mais gatos você tem, mais você vive. Se você tiver uma centena de gatos, acredite, você vai viver dez vezes mais do que se tivesse dez. Algum dia as pessoas vão descobrir isso e teremos um mundo com pessoas criando milhares de gatos. Elas viverão para sempre e isso será ridículo”, escreveu, sem deixar de satirizar, uma de suas características mais proeminentes.

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O livro “On Cats” pode ser comprado no site Amazon.com.

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Written by David Arioch

February 26th, 2016 at 11:19 pm

Gratidão, um belo gesto

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Conheçam o trabalho do bluesman Justin Johnson (Arte: Divulgação)

Hoje à tarde, publiquei um vídeo do bluesman Justin Johnson, de Nashville, Tennessee, na minha página no Facebook porque realmente acho o trabalho dele incrível. Assistindo novamente a performance do músico, notei que o cara fez questão de vir até a minha página curtir a postagem. Mais de 44 mil pessoas compartilharam o vídeo dele e ainda assim ele fez questão de reconhecer o meu ato. Que belo e raro gesto de gratidão.

Segue o link do vídeo: https://www.facebook.com/569569176439979/videos/1052142201516005/

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February 12th, 2016 at 1:53 am

Living Colour e o culto da personalidade

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Em 1988, o Living Colour chegou ao auge após o lançamento do álbum Vivid (Foto: Divulgação)

Em 1988, o Living Colour chegou ao auge após o lançamento do álbum Vivid (Foto: Divulgação)

Contexto – Estados Unidos da América em 1988. Quatro jovens com boa formação cultural e influências que iam do funk ao hard rock, passando pelo punk e chegando ao heavy metal, lançam o disco Vivid, até hoje aclamado como um dos melhores discos lançados nos anos 1980.

Um dos destaques do álbum é a música “Cult of Personality” que se baseia na propaganda da exaltação de virtudes com facetas políticas, religiosas e comportamentais. Mick Jagger, dos Rolling Stones descobriu a banda à época, tornando-se um dos maiores fãs dos caras, inclusive foi um dos responsáveis por alavancar o sucesso do Living Colour.

Outros clássicos do álbum são “Middle Man”, “Funny Vibe”, “Glamour Boys” e “Open Letter (to a Landlord)”. Até hoje, Vivid figura em listas do mundo todo de álbuns que marcaram a história do rock. Em 2013, o Living Colour veio ao Brasil se apresentar no Rock In Rio com a sua formação mais clássica. Quem é fã da banda, se surpreendeu com as performances eletrizantes de Vernon Reid, Corey Glover, William Calhoun e Doug Wimbish que se juntou ao Living Colour em 1992, substituindo Muzz Skillings.

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February 11th, 2016 at 11:43 pm

Viza, viajando através da música

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Viza é uma banda de gypsy punk que vale a pena conhecer (Foto: Divulgação)

Viza é uma banda de gypgy punk dos Estados Unidos que conheci em 2013, mas não somente gyspy punk, vai muito além disso. Tanto que daqui algum tempo penso em escrever sobre o trabalho desses caras. Talvez até para poder reavaliar com mais profundidade minhas impressões e também entender como eles analisam o próprio trabalho.

Tenho os cinco discos do Viza, além de alguns EPs, e digo com tranquilidade que é o tipo de música que nunca tiro do carro. Para quem gosta de subgêneros do rock não convencional, e que flertam com a música world ou multiculturalista, é uma boa banda para se conhecer.

Suas composições nos convidam a uma viagem por todos os continentes. Eles conseguem facilmente reunir num único álbum todas as emoções humanas sintetizadas em música. Só acho uma pena que gypsy punk seja um gênero pouco difundido no Brasil, onde a diversidade musical é predominante.

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February 4th, 2016 at 10:48 pm

As duas realidades de Mark Britten

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Depois de sofrer um acidente, Britten acorda e acredita que está vivendo em duas realidades distintas (Foto: Divulgação)

Em 2012, a série dramática Awake – Two Dreams, One Reality estreou nos Estados Unidos como uma grande promessa da rede NBC. Infelizmente foi mais um programa que não ultrapassou a primeira temporada, inclusive com cancelamento conturbado e final inconclusivo. Apesar disso, é uma série que vale a pena ser conhecida.

Ao longo de 13 episódios, o espectador é convidado a se aprofundar na história e no cotidiano do detetive Mark Britten (Jason Isaacs). Depois de sofrer um acidente, Britten acorda e acredita que está vivendo em duas realidades distintas. A verdade é que ele não é capaz de identificar quando está acordado ou sonhando devido ao trauma. Em uma das supostas realidades, a tragédia custou a vida de seu filho Rex. Na outra, quem está morta é sua esposa Hannah, o que o deixa mais confuso, o levando ao cume da culpabilidade e da crise existencial.

Outra surpresa é que em cada aparente realidade o detetive tem parceiros diferentes. Na história em que sua esposa faleceu, ele trabalha com o detetive Efrem Vega, um jovem com pouca experiência, mas muito sociável. Já no segmento marcado pela ausência de Rex, Mark Britten atua com Isaiah “Bird” Freeman, um detetive veterano – homem cínico e irônico. É interessante perceber logo no primeiro episódio como os mais diversos aspectos da série são permeados pela dualidade, uma constante que inunda o universo de Britten até o episódio final.

Written by David Arioch

February 2nd, 2016 at 11:01 pm

O inesquecível Delorean DMC-12

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De vez em quando aparece algum Delorean circulando pelas ruas do Brasil (Foto: Reprodução)

De vez em quando aparece algum Delorean circulando pelas ruas do Brasil (Foto: Reprodução)

É impossível esquecer do DeLorean DMC-12, automóvel que foi eternizado pela trilogia De Volta Para o Futuro (Back To The Future), de Steven Spielberg. Criado em 1980, até hoje é produzido de forma artesanal com muitas de suas peças baseadas em inox.

No início da década de 1980, o carro demorava tanto para ser fabricado, sem qualquer possibilidade de atender a demanda, que o John DeLorean decidiu contrabandear cocaína direto da Colômbia para ampliar o investimento. Quantos “DeLoreans” tão sonhados por crianças e adolescentes nos anos 1980 e 1990 será que foram produzidos com o dinheiro do pó branco?

A empresa foi fechada quando o escândalo veio à tona, então outro empresário reassumiu o negócio anos depois. O DeLorean DMC-12 é comercializado no site do próprio fabricante. É possível até fazer pedidos de personalização. No Brasil, é raro ver o DeLorean, mas de vez em quando, com muita sorte, ele aparece.

Acesse: www.delorean.com

Written by David Arioch

February 2nd, 2016 at 10:20 pm

Um simples relógio pode fazer você parecer um terrorista

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Casio modelo F-91W, considerado artigo de terrorista (Foto: Reprodução)

Casio modelo F-91W, considerado artigo de terrorista (Foto: Reprodução)

Em 1992, meu pai trouxe pra mim de East Lansing, Michigan, um relógio Casio modelo F-91W que eu achava o máximo, afinal, não conhecia ninguém com menos de dez anos que tivesse um relógio parecido. Em 2012, me surpreendi quando fiquei sabendo que o mesmo relógio, que um dia foi muito popular nos Estados Unidos, é considerado até hoje um artigo de terrorista porque supostamente nos últimos 14 anos a Al-Qaeda começou a usá-lo em cursos de fabricação de artefatos explosivos improvisados, o tal do IEDs. Dei uma rápida pesquisada no Google e vi que em algumas fotos Osama Bin Laden aparece usando o mesmo modelo.

Written by David Arioch

January 27th, 2016 at 10:37 pm

Alcatraz, uma série subestimada que acabou cancelada

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Série traz nomes conhecidos como Sam Neill, Sarah Jones e Jorge Garcia (Foto: Divulgação)

Série traz nomes conhecidos como Sam Neill, Sarah Jones e Jorge Garcia (Foto: Divulgação)

Em 2012, acompanhei a série Alcatraz, exibida pela Fox e produzida por J.J. Abrams, o mesmo produtor de Lost. Infelizmente a série foi tão subestimada que acabou cancelada. Ainda assim, recomendo a qualquer um que goste de séries de drama e mistério que assistam a primeira e única temporada de Alcatraz. O enredo gira em torno dos 302 presos que desapareceram da Ilha de Alcatraz, a prisão de segurança máxima mais famosa dos Estados Unidos, sem deixar pistas numa noite de 1963.

O mais interessante é que a série se passa na atualidade e, aparentemente, cada um dos detentos retorna em um episódio. Reaparecem e cometem crimes a mando de quem os livrou da prisão à época. O mais intrigante é que os presos voltam com a mesma aparência, como se tivesse passado apenas mais um dia e não 48 anos.

A série tem um caráter crítico bem curioso, tanto é que Jack Sylvane, veterano da Segunda Guerra Mundial e o primeiro fugitivo a ressurgir na atualidade, foi confinado em Alcatraz porque roubou uma mercearia que vendia selos, ou seja, por ironia, um crime federal. No elenco, estão alguns nomes bem conhecidos como Sam Neill, Sarah Jones e Jorge Garcia.

Written by David Arioch

January 27th, 2016 at 10:24 pm