Archive for November, 2012
The Wind that Shakes the Barley
The Wind that Shakes the Barley (No Brasil, Ventos da Liberdade) – Pra quem gosta de história, é um bom filme sobre as origens do Exército Republicano Irlandês (IRA) em 1920.
Muito válido pra quem quer entender um pouco sobre o domínio britânico na Irlanda e a posterior divisão em República da Irlanda e Irlanda do Norte. A obra de 2006 é dirigida pelo inglês Ken Loach, conhecido por uma extensa filmografia embasada na realidade da classe operária.
Copper e o contraste social da Nova York de 1870
Copper é uma série de mistério, a primeira produzida pela BBC America, sobre um introspectivo policial de origem irlandesa que patrulha as ruas de Nova Iorque em 1870.
O protagonista, Kevin Corcoran, interpretado pelo inglês Tom Weston-Jones, testemunhou situações nos campos de batalha da Guerra da Secessão que prefere não revelar. Na série, o policial vive um determinado dilema até o momento em que encontra a esposa desaparecida e descobre o verdadeiro motivo da morte da filha.
Muito interessante a forma como Copper apresenta o contraste social dos ricos moradores da Fifth Avenue e a classe operária do Harlem. A série tem um caráter histórico bem peculiar também, pois mostra como os afro-americanos migraram para Nova York, após deixarem as comunidades rurais.
M – Eine Stadt sucht einen Mörder
O expressionismo alemão como pioneiro em transpor para a tela o universo de um serial killer; nada mais intenso se tratando da figuração da distorção humana e dos aspectos sociais, políticos e econômicos da Alemanha de 1930. Depois de tanto tempo, M (que bem poderia ser de masterpiece) – Eine Stadt sucht einen Mörder ainda dialoga com o presente e instiga reflexões sobre a condição psicológica dos homens.
Poucos filmes sobre o tema conseguiram ser tão surpreendentes sem decair para o apelativo. É uma pena que ainda hoje muita gente não seja capaz de entender a profundidade dessa obra criada pelo gênio expressionista Fritz Lang, o homem que se recusou a trabalhar para Adolf Hitler. Embora à época o expressionismo alemão passasse por um momento difícil em função do crescimento do Nacional Socialismo, M, que foi relegado ao cinema cult, ultrapassou as barreiras do entretenimento para se consolidar como obra de arte.
Uma atração macabra em Bremen Township
Cemitério de Chicago ficou famoso por causa de estranhos fenômenos
Nos Estados Unidos, em Bremen Township, Chicago, no Estado de Illinois, uma das atrações mais macabras é o cemitério Bachelor’s Grove. Considerado o lugar mais assombrado de toda Chicago, se situa no subúrbio de Midlothian, ao lado de Rubio Woods. Há relatos de mais de cem estranhos acontecimentos e diferentes fenômenos. Alguns incluem sons inexplicáveis, visões, bolas de luzes e aparições, o que justifica porque o cemitério deixou de ser usado há um bom tempo.
O primeiro enterro em Bachelor’s Grove aconteceu em 1844 e o último há 22 anos. A área foi bastante ocupada entre os anos de 1844 e 1965. Em 1970, o lugar se tornou o lar de muitos ocultistas e ladrões de lápides. Algumas das aparições misteriosas incluem uma casa branca que aparece e desaparece diante da entrada do cemitério, ao longo de uma trilha de cascalho. Muitas pessoas a viram em vários lugares diferentes.
O muro que circunda Bachelor’s Grove é ladeado por uma lagoa, onde os gangsteres de Chicago desovavam centenas de cadáveres. Também há relatos da aparição de um monstro de duas cabeças, um fazendeiro guiando uma carroça, monges e um homem com um brilho amarelo por todo o corpo.
Quem visita o cemitério costuma ter algum tipo de experiência e dificilmente sai de lá calmo. Todas as fotos tiradas no local registram alguma atividade paranormal. O maior exemplo é a imagem da moça que ficou conhecida como “Dama Branca”, o fantasma de uma jovem mulher que foi enterrada ao lado do filho pequeno. Há quem diga que é um cemitério onde os mortos não descansam, mas vagueiam.
Referências
Bachelor’s Grove; “Graveyards of Chicago”.
Grove Cemetery; Kleen, Michael; “Legends of Lore of Illinois – Haunted Places”.
Bachelor’s Grove; Haunted Hamilton online.
Protestando com frutas e vegetais ou compras à brasileira
Como parte do meu estilo de vida, vou ao mercado com frequência. E nessas minhas idas, sempre reparei que algumas histórias se repetem, embora com personagens diferentes. As mais inusitadas acontecem no setor de hortifruti. Certo dia, eu estava lá tranquilamente escolhendo algumas laranjas (priorizo as de casca mais lisa e as mais pesadas por ter aprendido empiricamente na infância que são as que contêm mais suco), quando escuto um homem chamando a atenção de um desconhecido e apontando para o preço da alface. “Nossa! Esses dias paguei 50 centavos mais barato. Isso é um absurdo! Não vou levar!”, alardeou com orgulho o homem, levantando o queixo e batendo as mãos sobre o apoio do carrinho. Parecia que tentava chamar atenção de outros clientes para um protesto em prol de uma alface alguns centavos mais barata.
Um ou dois minutos depois, o homem deu mais alguns passos, aproximou os olhos de uma bancada e lamentou enquanto limpava as espessas lentes dos óculos na gola da camisa. Dessa vez, a vítima era a fileira de brócolis com preço unitário de R$ 4,99. “Isso é o cúmulo! Consigo direto do produtor por cerca de R$ 2,50!”, falou em voz alta, num tom tão desafiador que parecia querer fazer murchar o firme pedúnculo floral do pobre vegetal.
Alguns dos repositores, preocupados em serem interrogados, tentavam desviar os olhos, fingir que não viam nada, mas nem todos escaparam ao olhar reprovador do homem. De vez em quando, o sujeito, talvez um aposentado, girava o corpo em 360 graus procurando uma motivação para continuar a investigação. Numa das arrastadas de sandálias, flagrou, talvez por um segundo, um repositor o observando. O rapaz estava terminando de alinhar uma modesta carga de caixinhas de morangos. Inquisidor, o homem olhou e sorriu com ironia. Sabia que por ser uma fruta de inverno, o morango o satisfaria em sua gana de se rebelar mais um pouco.
Quando se aproximou, uma das rodas do carrinho que empurrava travou. Tentou forçar mais um pouco e nada. Foi a salvação do repositor que se afastou e caminhou até o setor de frios. Até o imaginei fazendo o sinal da cruz pela satisfação em se livrar do temido cliente. Irritadiço, o homem deu um chute colocado na rodinha que logo voltou a circular, desalinhada e rangendo com sofreguidão. Já diante das caixinhas de morango, segurou uma e disse: “Cadê o resto dos morangos? Porque aqui dentro não deve ter nem dez!”, satirizou. Foi recompensado com alguns sorrisos tímidos da plateia que rodeava as bancas de verduras, legumes e frutas.
Acompanhei parte do trajeto do homem pelo setor. Lembro ainda que enquanto eu selecionava um pé de brócolis, o sujeito se revoltou contra o maracujá que para ele tinha um preço mais azedo que o sabor. “Meu Deus, onde vamos parar desse jeito? Maracujá é uma fruta que se acha até em quintal! É o fim da picada!”, protestou, referindo-se ao preço de pouco mais de R$ 6. Tentou dialogar com uma idosa que portava um aparelho de surdez e selecionava alguns limões, mas foi em vão. Ela não entendeu o que ele disse.
Quando saí daquele setor, não vi mais o homem por um bom tempo, até que depois o encontrei logo atrás de mim em uma fila do caixa. Percebi que realmente fez valer o seu protesto. No interior do carrinho do sujeito não havia nenhuma fruta, legume ou verdura, mas sim caixas de cerveja em lata, algumas garrafas de destilados e quantidades surpreendentes de salame, bacon e toucinho. Ah! Antes que me esqueça! Quando fui até o setor de produtos de limpeza, cortei caminho pelo departamento de bebidas e o vi silencioso e contido. Sem olhar preços, simplesmente posicionou os produtos no interior do carrinho.
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Harold Lloyd, uma carreira sem dublês
O estadunidense Harold Lloyd é, sem dúvida, um dos melhores atores da Era do Cinema Mudo. Quando criança tive a oportunidade de conhecer um de seus filmes mais conceituados: Safety Last!, de 1923. Mais tarde, fiquei sabendo que o cara dispensava dublês.
Uma de suas cenas mais antológicas é aquela em que Lloyd aparece pendurado no ponteiro de um relógio, dando a entender que ele está no topo do Bolton Building, em Los Angeles, onde foi usado um truque de perspectiva. Mesmo com status de celebridade, se submeteu a uma cena de explosão em um de seus filmes e acabou perdendo um dos dedos da mão. Ainda assim deu continuidade a carreira sem usar dublês.
Sobre H.P. Lovecraft
O escritor estadunidense H.P. Lovecraft é uma das minhas principais referências da literatura do horror, assim como Edgar Allan Poe. Sem dúvida, o gênero deve muito a ele. O próprio cinema de terror não seria o que é hoje se não fosse pela criatividade de Lovecraft, o Mestre Cthulhu reverenciado até mesmo por uma infinidade de bandas espalhadas pelo mundo.
H.P. é um autor que faz parte de todas as fases da minha vida: infância, pré-adolescência, adolescência e fase adulta. Sem Lovecraft, não teríamos uma infinidade de obras literárias, filmes e músicas que fazem referência ao intrigante Necronomicon, O Livro dos Mortos, além de outras criações fantásticas. O preciosismo e realismo de suas obras, embora fantasiosas, há quase 90 anos estimulam pessoas de todas as partes a procurarem o Necronomicon de Abdul Alhazred, escrito em 730 d.C, de acordo com o conto “The Hound”. É uma pena que H.P. Lovecraft tenha morrido com apenas 46 anos.
12 anos sem Vittorio Gassman
Faz 12 anos que o ator italiano Vittorio Gassman se foi. O grande Il Mattatore que atuou em mais de 120 filmes, entre os quais C’eravamo Tanto Amati, Profumo di Donna, L’Armata Brancaleone, I Mostri, La Grande Guerra e Il Sorpasso.
Fez ótimas parcerias com o mestre do neorrealismo italiano Luchino Visconti e alguns dos maiores expoentes da Commedia all’italiana: Mario Monicelli, Dino Risi e Ettore Scola. Gassman está entre os melhores atores italianos de todos os tempos.
“Em cada real ator há uma necessidade de se sentir como o centro do mundo durante algumas horas. Egocentrismo, é o que dizemos em italiano.”
Vittorio Gassman.
O cão que foi promovido a sargento
Stubby participou de 17 batalhas na Primeira Guerra Mundial
O estadunidense Stubby, nascido em 1916 e falecido em 16 de março de 1926, foi o cão de guerra mais condecorado na Primeira Guerra Mundial, inclusive o único promovido a sargento. Encontrado no campus da Universidade Yale em 1917 pelo soldado John Robert Conroy, Stubby era de raça desconhecida. Alguns diziam que era uma mistura de Boston Terrier e Pit Bull. Já outras fontes afirmavam que era um puro Olde Boston Bulldog.
Em seu obituário consta “Bull Dog”, o que nos EUA significava o mesmo que Bull Terrier Americano ou Pit Bull Terrier. Quando a unidade de Conroy foi enviada à França, Stubby foi junto a bordo do navio SS Minnesota. O cão serviu na Infantaria 102, Divisão Yankee 26, nas trincheiras francesas ao longo de 18 meses. Participou de quatro ofensivas e 17 batalhas. Entrou em combate pela primeira vez no dia 5 de fevereiro de 1918 em Chemin des Dames, ao norte de Soissons. Por mais de um mês, esteve sob fogo constante, dia e noite. Stubby foi atingido pela primeira vez em abril de 1918, quando estilhaços de uma granada arremessada pelos alemães lhe feriram o antebraço.
Assim que se recuperou, voltou às trincheiras. Stubby aprendeu a avisar as unidades de ataque sobre a presença de gás venenoso, além de localizar soldados feridos nas terras de ninguém. Ouvia o som de entrada de cada artilharia inimiga antes de qualquer soldado. Stubby foi o responsável pela captura de um espião alemão na Floresta de Argonne. Quando os estadunidenses retomaram a área de Château-Thierry, as mulheres da cidade o agradeceram confeccionando um casaco de camurça adornado por medalhas. Dizem que o cão chegou a evitar que um garoto fosse atropelado por um carro em Paris.
Ao final da guerra, quando retornaram para casa, Stubby se tornou uma celebridade e marchou em muitos desfiles por todo o país. Se reuniu com presidentes como Woodrow Wilson, Calvin Coolidge e Warren G. Harding. Em 1921, Conroy foi para a Georgetown University Law Center e Stubby se tornou o mascote do time de futebol Georgetown Hoyas. Divertiu muitos torcedores empurrando a bola ao redor do campo.
O cão faleceu nos braços de John Robert Conroy em 1926. Após 80 anos, em 11 de novembro de 2006, Stubby foi homenageado com um tijolo na Calçada da Honra do Liberty Memorial, em Kansas City, onde há o maior monumento em lembrança aos heróis da Primeira Guerra Mundial.
Fontes: History Wired. Stubby, World War I Canine Hero 1921. Smithsonian Institution.
The Price of Freedom: Americans at War – Stubby. Smithsonian Institution.
Stubby the Military Dog. Connecticut Military Department. July 16, 2003.
Quando não havia sorvete
Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, toda a Europa foi obrigada a tomar sérias medidas quanto ao racionamento de alimentos, principalmente de bacon, manteiga e açúcar.
À época, um fotógrafo inglês de guerra conhecido como Ashwood fez questão de registrar um momento que destoava de todo aquele cenário genocida. Na foto, carregada de beleza e inocência, três crianças comem cenouras em palitos imaginando que estão saboreando sorvetes, produto que só voltou a ser comercializado normalmente na Europa após o fim da guerra.











