David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for November, 2012

Grimm cria em Portland um universo moderno de seres fantásticos

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Série reúne fantasia, mistério e crimes (Foto: Reprodução)

Cada episódio da série é uma versão livre de uma história dos Irmãos Grimm

Desde a primeira temporada, acompanho a série Grimm, da NBC, e ouso dizer que é uma das produções televisivas mais intrigantes da atualidade; um mix de fantasia, mistério e crimes. Recomendo principalmente para quem na infância, adolescência ou qualquer outra fase da vida tenha lido as fábulas dos Irmãos Grimm, famosos por contos como “Chapeuzinho Vermelho”, “O Flautista de Hamelin” e “O Príncipe Sapo”, entre outros.

Na série que gira em torno do detetive Nick Burkhardt, um descendente dos Grimm, interpretado por David Giuntoli, cada episódio é uma versão livre de uma história dos alemães. A criatividade aliada a uma estética fria recria na moderna Portland, Oregon, um universo místico, onde personagens como Blutbad (Homem-Lobo Mau), Hexenbiest (Mulher-Bruxa), Jagerbar (Homem-Urso), Mellifer (Homem-Abelha), Ziegevolk (Homem-Bode), Reinigens (Homem-Rato) e Bauerschwein (Homem-Porco) assumem características tão peculiares quanto assustadoras.

Há tanta profundidade na construção do perfil físico e psicológico de cada personagem sobrenatural que nos leva até mesmo a questionar se os contos de Jacob e Wilhelm realmente eram apenas mágicas histórias infantis. Em um dos episódios, aqui cito o sexto da primeira temporada – “The Three Bad Wolves”, me surpreendi logo no início quando percebi que se tratava de uma livre releitura contemporânea do conto “Os Três Porquinhos”.

Nick Burkhardt e Monroe, personagens centrais de Grimm (Foto: Reprodução)

Dois Bauerschweins (Homem-Porco) são assassinados um ano antes por uma Blutbad (Mulher-Lobo Mau) e mais tarde surge a retaliação, pois o terceiro decide se vingar pela morte dos irmãos. A trama se desenrola a partir de uma inversão de papéis, destrói e reconstrói metáforas, anula estereótipos e se apoia na obliteração da figura do Lobo Mau diante do Porquinho.

É possível até enxergar pequenas referências aos pensadores Niccolò Machiavelli e Jean-Paul Sartre em algumas passagens. A vendetta do Bauerschwein diante do Blutbad é emblemática. Na série, o Lobo-Mau não sopra casas. Além disso, é suplantado pelo Porquinho que faz uma residência ir pelos ares sabotando o sistema de distribuição de gás. Noutra oportunidade, aniquila o inimigo com quatro tiros disparados de uma arma automática e silenciosa.

E o mais interessante de tudo é que aparentemente todos os seres da série são humanos, pois apenas os sobrenaturais se reconhecem como tais em momentos de grande carga emocional. Outros dois personagens de destaque da série são: o detetive Hank Griffin, interpretado por Russell Hornsby, parceiro de Burkhardt; e o blutbad Monroe, papel de Silas Weir Mitchell, amigo de Nick. Em suma, Grimm permite novas reflexões sobre as fábulas infantis.

60 Anos de Paranavaí

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Paranavaí, 14 de novembro de 2012.

60 anos de um município com uma história que ultrapassa cem (Foto: Amauri Martineli)

São 60 anos de um município com uma história que ultrapassa os cem. Paranavaí não seria o que é hoje se não fosse por centenas de peões que criaram uma estrada com mais de 110 quilômetros de extensão ligando a velha Fazenda Ivaí ao Porto São José; se não fosse por pessoas que resistiram a 40 dias e 40 noites de chuvas dormindo em um barracão de bicho da seda. Além disso, reconstruíram uma ponte e atravessaram a nado o Rio Paraná para conseguirem chegar à Vila Montoya. Nem a Revolução de 1930, que culminou em desemprego para toda uma população que teve de caminhar mais de 220 quilômetros, impediu a colônia de renascer novamente sob o signo do café.

Nem mesmo uma série de incêndios criminosos que atingiu os cafezais e centenas de moradias em 1931 inviabilizou a sobrevivência do povoado. Paranavaí também não seria o que é hoje se não fosse a iniciativa do interventor federal Manoel Ribas para que o engenheiro Francisco Natel de Camargo diminuísse a influência paulista, abrindo novas estradas e ampliando a relação da Velha Brasileira com o restante do Paraná. Paranavaí tem uma extensa história de obstáculos, até mesmo por parte do poder público que só voltou a se preocupar com a localidade em 1935.

Infelizmente, muitos personagens importantes são praticamente desconhecidos da população. Falo do marceneiro Hugo Doubek, o curitibano que se tornou o primeiro administrador de Paranavaí. Doubek não apenas administrava a colônia, mas cuidava de toda a população. Quando houve um surto de leishmaniose em Paranavaí, passou dias na selva tentando encontrar ervas que pudessem lhe auxiliar na cura dos enfermos.

Não dormiu por semanas, prestando atendimento numa época em que a colônia não tinha médicos. Evitou a morte de muita gente, desde crianças a idosos. Fez muito mais; impediu assassinatos envolvendo brigas por terras. Como era um mestre marceneiro, até construiu casas para os moradores de Paranavaí. Em 1944, Hugo Doubek e Ulisses Faria Bandeira demarcaram toda a área da colônia a pé. Percorreram centenas de quilômetros até as fronteiras com São Paulo e Mato Grosso.

O ex-vereador Otacílio Egger é outra figura de destaque que todo paranavaiense deveria saber quem foi. O primeiro político eleito pela colônia, Egger fazia questão de participar de todas as sessões da Câmara Municipal de Mandaguari em 1948. À época, não se importava em sair de Paranavaí a pé num dia para estar em Mandaguari no outro para defender os interesses da população. Temos muitos personagens ainda anônimos, mas esses são alguns que faço questão de enaltecer neste dia em que comemoramos mais um aniversário.

Amo Paranavaí porque a conheço, e acho que não há nada mais incompleto que amar no desconhecimento.

The Bang Bang Club, barbárie na África do Sul pós-Apartheid

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Livro e filme contam as experiências de quatro jovens em meio ao caos da Guerra Civil Africana

Filme se passa na África do Sul de 1990 a 1994 (Foto: Reprodução)

O filme The Bang Bang Club, do canadense Steven Silver e lançado em 2010, conta a trajetória de quatro jovens caucasianos: Greg Marinovich, João Silva, Ken Oosterbroek e Kevin Carter, fotógrafos criados nos bairros de classe média de Joanesburgo, na África do Sul, que trabalhavam para o jornal The Star. Entre os anos de 1990 e 1994, registraram muitos momentos profundos e simbólicos da guerra civil que custou a vida de milhares de membros do Congresso Nacional Africano (CNA), de Nelson Mandela, e do grupo separatista de origem zulu Inkatha, formado por moradores da área rural. A história se desenrola em paralelo a um dos momentos mais importantes da política sul-africana, quando um referendo nacional estabelece o fim do Apartheid e oferece a toda a população a oportunidade de votar.

Em 2004, li o livro The Bang Bang Club que desperta questionamentos e reflexões existenciais sobre a banalização da vida, crueldade e barbárie com as quais o ser humano é capaz de conviver como se fosse algo tão natural quanto tomar um copo d’água. O filme homônimo também é pesado, agressivo e carregado de uma carga psicológica tão extenuante que reflete a própria condição da realidade sul-africana da época, transmitida com esmero estético por uma direção de fotografia que privilegia a perspectiva panorâmica dos fotógrafos em ação. A obra levanta questões que até hoje são discutidas em todo o mundo, quando se trata de fotografia de guerra ou testemunhal.

O verdadeiro Clube do Bangue Bangue (Foto: Reprodução)

Até que ponto um fotógrafo deve ou não interferir no cenário? Tanto no livro quanto no filme, Kevin Carter, um dos vencedores do Prêmio Pulitzer, um dos mais importantes do jornalismo mundial, é questionado muitas vezes. Perguntam-lhe por que não salvou a garotinha que estava sendo espreitada por um abutre na área rural do Sudão. Carter não sabia o que dizer, ficava confuso, e tantos questionamentos o afetaram de tal maneira que em 1994 cometeu suicídio dentro do próprio carro. Inalou através de uma mangueira a fumaça que saía do escapamento, chegando ao interior de automóvel com os vidros fechados. O homem que teve sua foto estampada na capa do New York Times morreu pobre e endividado.

Imagem que garantiu a Kevin Carter o Prêmio Pulitzer

Já Ken Oosterbroek foi morto a tiros pelo próprio exército sul-africano durante um conflito armado em que a turma do Clube do Bangue Bangue saiu para registrar uma incursão. Marinovich foi alvejado no mesmo episódio, mas sobreviveu. Greg também ganhou o Prêmio Pulitzer pela autoria de uma foto em que um suposto Inkatha é espancado, depois o banham em álcool e ateiam fogo com um palito de fósforo.

Enquanto o homem corre desesperadamente em chamas, e com o sol ao fundo, tornando a cena mais vívida, um membro do CNA vai até ele e desfere-lhe um golpe de facão. Greg Marinovich registrou o momento preciso, como diria o mestre Henri Cartier-Bresson. Porém, antes disso, o fotógrafo interpelou um dos agressores: “Como você sabe que ele é um Inkatha?” O homem respondeu: “Não sabemos, mas aqui fica uma lição aos outros.” Tal frase é mais que uma simbologia do caos vivido na África do Sul até 1994. Era mais importante surpreender o inimigo mostrando-lhe do que era capaz, mesmo que isso custasse a vida de um não-membro.

Foto premiada de Greg Marinovich

O filme é bom e fiel ao livro, mas a profundidade do original impresso é ainda mais reflexiva. Alguns momentos não foram para as telas, até porque a riqueza de detalhes de João Silva e Greg Marinovich demandaria uma série, não apenas um filme. Uma prática muito comum citada no livro é o necklace que não aparece na adaptação para cinema. O agressor selecionava a vitima, colocava em seu pescoço um pneu com as bordas embebidas em álcool e ateava fogo. Ainda me recordo também que a guerra entre os Inkatha e a CNA custou a vida até mesmo de bebês, mortos de forma extremamente violenta.

Em suma, fica claro que os maiores “vitoriosos” da guerra civil sul-africana foram os africâneres, principalmente os bôeres, que colocaram os nativos africanos para matarem uns aos outros, o que era bem quisto pelos segregacionistas, racistas brancos e dominantes que sempre representaram a minoria continental. The Bang Bang Club  e War Photographer – que conta com exímio realismo a história de um dos maiores fotógrafos de guerra do mundo, James Nachtwey (que inclusive tem uma curta participação no livro e no filme The Bang Bang Club), são duas recomendações para quem gosta do tema fotografia de guerra.

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украинцев: uma neve vermelha no deserto siberiano

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Grupo de ucranianos viveu um episódio de terror no deserto siberiano (Foto: Reprodução)

Em 1941, os ucranianos Mikhail e Karen Kudha Ludovitch, à época com 89 anos, estavam dormindo em uma casa de repouso em Leningrado, no noroeste russo, quando foram acordados durante a madrugada por cinco soldados soviéticos. O casal foi colocado junto de mais 49 pessoas dentro de um velho caminhão usado no transporte de animais. O destino era a Sibéria. Morreram por inanição e hipotermia depois de serem abandonados a centenas de quilômetros de Omsk, no deserto siberiano.

Dos passageiros, apenas cinco foram encontrados vivos, segundo Mykola Dramenko, um sobrevivente ucraniano de ascendência cossaca que fugiu para a Espanha. O ato foi “justificado” como represália às manifestações separatistas. O neto de Mikhail e Karen, Nikolai Ludovitch, após saber do incidente por intermédio de uma rádio clandestina, localizou Dramenko. O sobrevivente revelou que só não morreu porque decidiram praticar antropofagia. A preferência era por cadáveres que exalavam odor mais tênue. Muitas milícias ligadas ao governo soviético eram contratadas para promover limpeza étnica, incluindo desde crianças a idosos, de acordo com Mykola.

Uma lição de ódio

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Documentário mostra como o racismo sobrevive na África do Sul (Foto: Reprodução)

“Afrikaner Blood” está entre os melhores documentários da atualidade. Produzido pelas neerlandesas Elles van Gelder e Ilvy Njiokiktjien, a obra mostra como o racismo sobrevive na África do Sul. Jovens brancos bôeres são obrigatoriamente enviados a um acampamento onde participam de um curso ministrado pelo grupo de extrema direita Kommandokorps que visa ampliar o preconceito racial, gerando uma animosidade que promova mudanças drásticas no futuro do país.

Antes de começar o curso, um dos participantes, Riian, de 18 anos, diz: “A África do Sul é uma nação arco-íris porque há grupos étnicos diferentes neste país.” Ao final do treinamento, faz um comentário diferente: “Tenho sangue africâner nas minhas veias. Não quero ser sul-africano. Não quero ser associado à nação arco-íris”, em crítica ao multiculturalismo do país.

Book of Beards

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“Barbudo profissional” que integra o Book of Beards (Foto: Justin James Muir)

Uma das imagens do livro “Book of Beards”, do fotógrafo estadunidense Justin James Muir. A obra reúne fotos de 86 “barbudos profissionais”, ou seja, pessoas que realmente tratam a barba como uma extensão do próprio corpo. Todos os personagens do livro são moradores de West Chester, na Pensilvânia, onde o culto à barba tem relação com a identidade cultural do município e dos moradores. Não é à toa que a cidade abriga as maiores competições de barba dos EUA.

Written by David Arioch

November 13th, 2012 at 10:04 am

Pedro López, o serial killer que matou mais de 300 garotas

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Psicopata atuou principalmente no Equador, Peru e Colômbia

Pedro López ainda continua foragido (Foto: Reprodução)

Conhecido como o “Monstro dos Andes”, o colombiano Pedro Alonso López, é considerado o serial killer que praticou o maior número de homicídios da História. Ao psicopata, é atribuído o estupro e assassinato de mais de 300 garotas do Equador, Peru e Colômbia.

Filho de uma prostituta, López vivia com doze irmãos em Santa Isabel, no departamento colombiano de Tolima, até que em 1957, aos oito anos, foi expulso de casa pela mãe que o entregou a um homem que o sodomizava diariamente. Aos 12 anos, uma família estadunidense o levou e o matriculou em uma escola para órfãos. Novamente, Pedro Alonso foi vítima de abuso sexual. Dessa vez, por parte de um professor.

Aos 18, após ser preso por pequenos delitos, foi estuprado por dois homens que mais tarde assassinou na prisão.Quando foi libertado, iniciou sua jornada de crimes no Peru. Em 1978, López já havia matado pelo menos cem garotas, até que foi capturado por uma tribo nativa. Quando se preparavam para executá-lo, um missionário estadunidense interveio e os convenceu a entregá-lo à Polícia Estadual.

Serial killer sofreu abuso sexual aos oito anos (Foto: Reprodução)

Por falta de provas dos crimes cometidos por López tiveram de liberá-lo. Entre Peru, Colômbia e Equador, Pedro Alonso manteve uma média de três mortes por semana. Em 1980, López foi detido em uma tentativa de sequestro malsucedida. À época, confessou a autoria de mais de 300 homicídios. Só começaram a crer no colombiano quando encontraram no Equador a primeira vala de corpos com 53 vítimas entre nove e doze anos. Anos depois, em 1994, o Governo Federal do Equador o libertou e o deportou para a Colômbia, onde viveu na ala psiquiátrica de um hospital de Bogotá.

Em 1998, foi declarado são e ganhou a liberdade após pagar uma fiança de 50 dólares. Em uma entrevista à BBC de Londres, Pedro Alonso López definiu a si mesmo como “O Homem do Século”. Em 2002, a Interpol encontrou uma nova vítima do colombiano que até hoje continua desaparecido.

Algumas frases do Serial Killer Pedro López:

“Eu gosto das meninas do Equador. Elas são mais gentis e inocentes. Elas não são tão desconfiadas com estranhos como as meninas da Colômbia”.

“Eu perdi minha inocência aos oito anos, então eu decidi que faria o mesmo com o maior número de meninas que eu pudesse seduzir”.

“Eu sou o homem do século. Ninguém nunca vai me esquecer”.

Referências

https://web.archive.org/web/20071021224003/http://users.erols.com/mwhite28/lopez_ap.htm

http://www.biography.com/people/pedro-alonso-lopez-12103226

https://web.archive.org/web/20150216093053/http://www.guinnessworldrecords.com/world-records/most-prolific-serial-killer
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Elia Kazan, genialidade e macartismo

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Elia Kazan morreu aos 94 anos em 2003 (Foto: Reprodução)

Elia Kazan, um genial e polêmico artista, sempre lembrado pelas suas obras, emblemas do realismo socialista norte-americano. Foi acusado de entregar colegas de trabalho no período negro do macartismo. Quando morreu, aos 94 anos, já não gozava do prestígio do auge da carreira eternizada por películas inesquecíveis como A Streetcar Named Desire (Uma Rua Chamada Pecado), joia de 1951.

Nos anos 1990, Kazan, um turco de origem grega que adotou os Estados Unidos como lar, foi alvo de críticas severas de atores conceituados como Sean Penn, Ed Harris, Richard Dreyfuss, Holly Hunter e Nick Nolte pelo que fez no passado. Até hoje há controvérsias sobre a contribuição de Kazan à lista negra do Comitê de Investigação de Atividades Anti-Americanas do Senado dos Estados Unidos. Partiu, mas deixou um legado que influenciou o cinema de Francis Ford Coppola, John Cassavetes e Martin Scorsese.

Para muitos, um ótimo cineasta, para outros, um traidor; pra mim, também um bom escritor, autor de “America, America”, um livro tornado filme que conheci acidentalmente em um sebo.

There is a fifth dimension…

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Rod Serling faleceu em 1975 (Foto: Reprodução)

Em 1975, uma das pessoas mais criativas da TV partiu. Me refiro ao roteirista, produtor e novelista Rod Serling, criador de séries que até hoje figuram entre as melhores dos gêneros fantasia e ficção científica. Para mim, duas das maiores criações de Serling: Twilight Zone e Night Gallery que no Brasil ficaram conhecidas como Além da Imaginação e Galeria do Terror. Nem Steven Spielberg nega as influências do Grande Rod em Amazing Stories.

É impossível enumerar quantas séries se espelharam na criatividade do roteirista, mas posso citar duas bem conhecidas: The Outer Limits (Quinta Dimensão) e Night Visions. Uma curiosidade que poucos sabem sobre Serling é que ele foi o roteirista do filme Planet of the Apes (Planeta dos Macacos), de 1968.

“Há uma quinta dimensão para além do que é conhecido pelo homem … uma dimensão tão vasta quanto o espaço e tão eterna quanto o infinito. É o meio termo entre a luz e a sombra, entre a ciência e a superstição, e que se situa entre o poço de medos do homem e o cume dos seus conhecimentos. Esta é a dimensão da imaginação”, já dizia Rod Serling.

Quando a ficção de Poe se tornou realidade

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O bote do Mignonette colocado em exposição anos depois (Foto: Reprodução)

Há uma curiosidade pouco conhecida sobre o livro ficcional “A Narrativa de Arthur Gordon Pym de Nantucket”, do grande Edgar Allan Poe, escrito em 1838. A história é baseada em quatro sobreviventes de um naufrágio que sem comida decidem matar e comer o aprendiz de marinheiro Richard Parker.

A ficção se tornou realidade em 1884, quando um barco de nome Mignonette naufragou com quatro pessoas em Southampton, na Inglaterra. Navegando por dias e sem comida, os três tripulantes decidiram comer o grumete que mais tarde foi identificado como Richard Parker.