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Sobre a destruição da escultura de Abul ʿAla Al-Maʿarri
Esta é a escultura de Abul ʿAla Al-Maʿarri, poeta e filósofo sírio que viveu no século XI e tinha uma filosofia de vida que hoje seria qualificada como veganismo. A obra erigida em 1940 foi destruída em 2013 por fundamentalistas “islâmicos” da Al-Nusra, um dos braços da Al-Qaeda.
Al-Maʿarri, um crítico do islamismo, até hoje é considerado um dos maiores poetas da cultura árabe. No entanto, seus poemas, que ao longo de centenas de anos foram estudados nas escolas, hoje são proibidos em cidades dominadas pelo Estado Islâmico e por outros grupos extremistas.
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A escultura foi criada pelo artista plástico Fathi Muhammad em 1944.
Por que as pessoas suplementam vitamina B12?
Antigamente, o ser humano não precisava suplementar vitamina B12 porque a terra não era comprometida, havia grande disponibilidade de bactérias fornecedoras de B12

Deficiência de B12 é uma consequência dos maus hábitos contemporâneos, das chamadas novas técnicas de produção (Foto: Reprodução)
Antigamente, o ser humano não precisava suplementar vitamina B12 porque a terra não era comprometida, havia grande disponibilidade de bactérias fornecedoras de B12. Ademais, os alimentos eram muito mais ricos em nutrientes do que hoje. O que hipoteticamente pode explicar porque escritores do passado, que entraram para a história do vegetarianismo e do veganismo, não procuravam por suplementos de vitamina B12, e talvez não sofressem de carência vitamínica.
Essa deficiência é uma consequência dos maus hábitos contemporâneos, das chamadas novas técnicas de produção, muito mais motivadas pela ganância do que pela demanda. Sem dúvida, um sistema que todo mundo sabe que visa quantidade, não qualidade. A necessidade de suplementar B12 está associada principalmente ao fato dos alimentos não serem produzidos de forma natural.
A B12 que os seres humanos consomem hoje em dia, por meio de proteína animal, também pode não ser natural. Até porque os animais também estão sujeitos a sofrer com a parca produção de bactérias no intestino grosso, já que isso depende da qualidade do solo e de boa matéria disponível como alimento. Um exemplo comum a se considerar é a deficiência de cobalto, que reduz os níveis séricos de vitamina B12 dos animais. Por isso, a B12 que muitas pessoas alegam consumir através da proteína animal, pode não ter sido produzida naturalmente.
Por outro lado, veganos que conseguem se alimentar somente de alimentos orgânicos, por exemplo, nem sempre precisam suplementar. Pioneiro nesse tipo de pesquisa, o médico James A. Halsted, da Universidade Harvard, se surpreendeu quando conheceu nos anos 1980 o estilo de vida dos veganos iranianos. Halsted descobriu que eles não sofriam de deficiência de vitamina B12, mesmo sem suplementar.
O médico então produziu uma pesquisa sobre a relação entre a alimentação orgânica e a B12. Considerado revolucionário na época, o trabalho foi publicado em 1988 no American Journal of Clinical Nutrition. Em síntese, se suplementamos B12 é porque os gananciosos contribuíram para que nos afastássemos de nossa vocação natural.
Importante
É essencial a realização de exames para checar os níveis de vitamina B12, independente de ser vegetariano ou vegano. Embora haja variáveis, a análise ao soro sanguíneo é a mais comum para verificar os valores totais de vitamina B12 no sangue. Também são indicados os exames de holotranscobalamina, homocisteína e urinálise. Realizando esses quatro exames, é possível obter melhores resultados. E, se necessário, iniciar a suplementação sob supervisão médica.
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De acordo com a rede Dr. Schweikart GmbH, a vitamina B12 é imprescindível no equilíbrio da saúde. Sendo assim, a deficiência dessa vitamina pode acarretar sérias consequências, como depressão ou até mesmo psicose se ela afetar os neurotransmissores. Se mantida em níveis baixos por longo período, há o risco de surgimento de doenças como esclerose múltipla, demência e Mal de Parkinson. Tais agravantes surgem quando as membranas celulares são enfraquecidas e as células não são corretamente redistribuídas.
Referências
Halsted, A. James. American Journal of Clinical Nutrition. Páginas 852-858. Volume 48 (1988).
Wolfe, David. The Sunfood Diet Success System. Página 301 (1988).
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Jean Vigo, um dos cineastas que mais me emocionou
Jean Vigo, um dos cineastas que mais me emocionou, é praticamente desconhecido por quem não conhece o realismo poético, o cinema francês pré-nouvelle vague. Houve uma época da minha vida que fiquei tão imerso em suas obras que assisti tudo que ele produziu e comprei todos os livros de referência sobre a sua vida.
Lembro que me comprometi em escrever sobre ele, mas fiquei tão comovido que acabei fazendo justamente o oposto – nada. Até hoje, não escrevi nada sobre ele. Me senti mal mesmo pelo seu trágico final. Jean Vigo era um sonhador, morreu com 29 anos e não teve nenhum tipo de reconhecimento em vida.
Aquilo me surpreendeu sobremaneira. Quando terminei de assistir e de ler tudo que encontrei sobre ele, refleti: “Sim, Jean Vigo era um artista intenso, e por isso vocês não podem resumi-lo a quatro obras e dizer que aquilo era o que ele tinha a oferecer ao mundo. O cara estava apenas começando. Ele exalava vida, sublimidade, alegorias, simbologias, lirismo. Em seu tempo, era o mais genuíno dos poetas do cinema francês, Ademais, quem exala vida não poderia morrer dessa forma.”
Ele deixou trabalhos promissores, que provavelmente teriam revolucionado muito mais o cinema. Vigo faleceu depois de lançar “L’Atalante”. Este filme, que marcaria o princípio da sua carreira profissional, a sua própria estilística cinematográfica, foi eleito um dos melhores da história do cinema em algumas pesquisas.
O mais paradoxal disso tudo é que “L’ Atalante”, que narra uma história de amor e seus conflitos, passou por modificações, alterações que não foram feitas nem desejadas por ele. Logo é uma obra descaracterizada, não fidedigna. Sim, Vigo está ali, mas não puramente ou tão liricamente. Não se mexe em um poema audiovisual. Isso é obliteração.
Vigo influenciou outro de meus cineastas preferidos – François Truffaut, que eternizou uma das mais belas cenas do cinema – aquela em que os estudantes correm pelas ruas de Paris e são acompanhados pela câmera, num dos momentos mais bucólicos e eletrizantes de “Les 400 Coups”. Esta referência vem do primeiro filme ficcional de Vigo. intitulado “Zéro de conduite”.
O jovem Jean Vigo viveu intensamente, mas não colheu os frutos de seu trabalho. No leito de morte, foi tratado como um ninguém, um pária. Morreu da mesma forma que nasceu, como um rejeitado, um injustiçado indesejado em um mundo já conturbado e ensoberbado. Acabou vitimado por uma tuberculose que o perseguia desde a infância, gestada no seio das precárias condições de vida.
Apesar de tudo, é curioso reconhecer como somos capazes de mergulhar na vida de uma pessoa com quem nunca tivemos contato direto. É o poder da arte. O tempo passou, mas sinto como se Vigo ainda fosse muito real, e continuasse exalando vida, vivendo imaterialmente, mesmo que ele tenha partido em 5 de outubro de 1934.
Os riscos do maniqueísmo
Suspeito que a incompreensão, a segregação e a torpeza surgiram a partir do momento que decidimos deliberadamente definir quem representa o bem e quem representa o mal neste mundo. A tal da visão maniqueísta me parece ser sempre um dos principais perigos da humanidade. O maniqueísmo é temerário porque ele é versátil, ardiloso e obscuro. Pode transfigurar bem em mal e vice-versa.
Assim destrói-se o mal pelo bem e o bem pelo mal. A passionalidade também pode nos cegar e nos levar ao maniqueísmo. Somos maniqueístas até nas trivialidades cotidianas. Um exemplo? Sempre que condenamos alguém por uma atitude que não é do nosso agrado. Ademais, somos maniqueístas quando repensamos nossas amizades por meros desentendimentos. Nesse sentido, me refugio no livre pensamento.
Uma profunda relação com o cinema

“O Garoto”, lançado por Chaplin em 1921, foi o primeiro filme que me chamou a atenção (Foto: Reprodução)
Tenho uma profunda relação com o cinema desde os meus primeiros anos de vida. Aos cincos anos, eu estava diante da TV, ao lado do meu pai. Era um daqueles televisores com caixa de madeira. Fiquei hipnotizado assistindo uma criança correndo e atirando pedras em uma vidraça, acompanhada de um homem com um bigodinho. Aquele era o Carlitos, disse meu pai.
Então perguntei: “Por que ele tá tacando pedra no vidro? A mulher da casa não vai ficar triste? Será que ela vai ter dinheiro pra colocar outro?” Meu pai ficou rindo e disse pra eu prestar atenção também na motivação dos personagens e no cenário.
Foi quando entendi porque o cinema mudo era mudo e porque a estética faz tanta diferença, principalmente no cinema de arte. Ele não era mudo apenas por limitações tecnológicas, mas porque instigava no ser humano a capacidade de buscar respostas que não poderiam ser dadas com palavras. Crianças da minha idade adoravam desenhos e filmes infantis, eu também. Mas não somente isso. Eu amava os filmes de Charles Chaplin, Harold Lloyd, Buster Keaton, e Stan Laurel e Oliver Hardy.
Diante deles, a ausência de diálogos inexistia diante da minha mente ruidosa de criança. Os sons pululavam dentro de mim. Os filmes não tinham cor, talvez para os outros, não pra mim que sempre via luz no céu, na terra e até na escuridão dos personagens. “Isso aí não tem cor, vamos assistir Caverna do Dragão”, disse meu amigo Fabiano um dia. Respondi: “Tem sim! Mas ela só existe se você quiser que ela exista.” Naquele dia, dormimos depois de assistir “Luzes da Cidade” duas vezes.
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Sempre que as pessoas veem a minha caligrafia
Sempre que as pessoas veem a minha caligrafia, surge uma das grandes dúvidas da humanidade: “Como é ser jornalista e ao mesmo tempo trabalhar com criptografia?”
Um dia, em uma mostra de arte contemporânea, deixei cair uma das folhas do meu caderno. Quando voltei para buscar, encontrei meia dúzia de pessoas em volta, discutindo a qualidade da “obra” e perguntando se estava à venda.
“Desde o Cabaret Voltaire, eu não via algo tão avassalador. Quanto ímpeto e niilismo nessas formas. Traduz os inexistentes caminhos sinuosos da vida”, disse um senhor, equilibrando os óculos sobre a ponta do nariz. Me ofereceram R$ 500, mas eu disse não porque precisava do papel com urgência para redigir uma matéria.
Tem hora que é triste reconhecer como somos atrasados
Tem hora que é triste reconhecer como somos atrasados. Em alguns países, enquanto oferta-se a oportunidade para escritores amadores ganharem espaço, por meio de máquinas que imprimem poemas e contos em estações de trem e metrô, no Brasil há escritores renomados que viajam dizendo quem deve ou não escrever. Que visão pequena.
Sou da opinião de que quanto mais pessoas escrevendo, melhor. Escrever é um dos maiores exercícios de sensibilidade e senso crítico da história da humanidade. Claro que é preciso evoluir sempre, mas quem somos para dizer o que deve ou não ser escrito, o que deve ou não ser publicado? A maior prova disso são os autores do passado e que hoje são celebrados.
Vários desses escritores não teriam entrado para a história da literatura se não tivessem publicado de forma independente seus próprios trabalhos. Vivemos na era da democratização da escrita, e quem não concorda com isso não está preparado para o que vem pela frente. Admiro escritores que vão na contramão disso, que mesmo com tanto prestígio seguem estimulando quem gosta de escrever.
O belo nunca vai ser simplesmente belo
O belo nunca vai ser simplesmente belo porque a beleza é uma forma completa de cognição, não apenas uma palavra vazia atribuída de um valor físico que reflete, partindo do senso comum, a jovialidade humana suscetível ao definhamento.
A beleza ou preservação dela envolve fatores de atração e abstração. É no belo também que desde sempre o homem se inspira para criar mitos e lendas que se perpetuam no imaginário das pessoas.
Acreditar na beleza como superficial é uma perspectiva canhestra ou equivocada. Quantas obras de arte, das mais diversas ramificações, foram produzidas inspiradas no que a beleza humana é capaz de despertar? Sem contar com a elevação à posteridade…
Antes de morrer, em 7 de outubro de 1849, o escritor Edgar Allan Poe escreveu que beleza de qualquer tipo, em seu desenvolvimento supremo, invariavelmente excita a alma sensível às lágrimas, o que justifica por que o belo surpreende sem ser tipificado.
Beleza na finitude singela
Por mais que tenhamos receio do fim, admito ver beleza na finitude singela de quem chegou a um ponto da vida em que vaidade, ganância e antagonismo tornaram-se palavras vazias porque já não representavam mais nada.
Sobre ser mais jovem ou mais velho
Não raramente encontro pessoas falando que gostariam de ser mais jovens ou mais velhas. Eu não gostaria de ser mais jovem, assim como não gostaria de ser mais velho. De ser mais jovem, porque a minha consciência de hoje não é a mesma de ontem. De ser mais velho, porque isso significaria anular etapas da construção da minha própria identidade humana.




