David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

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Somos acumuladores de versões

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Frei Jerônimo, alemão que sobreviveu à Segunda Guerra Mundial e à dominação soviética (Foto: David Arioch)

Enquanto eu entrevistava Frei Jerônimo sobre suas experiências na guerra e no pós-guerra, houve três ocasiões em que ele se esforçou para não chorar.

Naqueles momentos, não vi um homem de 80 anos, mas a criança de menos de dez anos que ele descreveu percorrendo escombros, testemunhando a alígera morte e sentindo fome.

Notei mais uma vez que a aparência nunca há de ser a essência. Um idoso, não é tão somente um idoso. Ele é ainda um bebê, uma criança, um adolescente e um adulto em todas as fases de sua vida. No fundo, somos isso, acumuladores de versões.

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A entrevista foi realizada no Seminário Imaculada Conceição, em Graciosa, distrito de Paranavaí.

Written by David Arioch

December 4th, 2016 at 4:10 pm

Eu e Roberto Persil

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Foto: Centro de Educação Infantil Santa Terezinha do Menino Jesus

Persil e eu no Centro de Educação Infantil Santa Terezinha do Menino Jesus em Paranavaí (Foto: Divulgação)

Me enviaram esta foto ontem. Parece que estou com cara de louco, mas na realidade é só a expressão de quem está admirando as esculturas do amigo Roberto Persil (ao meu lado), um dos maiores nomes das artes plásticas do Paraná. No mesmo dia, ele foi homenageado por crianças de um a cinco anos que fizeram desenhos e pinturas referenciando suas obras. O evento ocorreu no Centro de Educação Infantil Santa Terezinha do Menino Jesus

Written by David Arioch

December 2nd, 2016 at 11:52 pm

O exemplo do Centro de Educação Infantil Santa Terezinha do Menino Jesus

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Persil com alguns dos estudantes do Centro de Educação Infantil (Foto: David Arioch)

Estive ontem no Centro de Educação Infantil Santa Terezinha do Menino Jesus, em frente à Unipar, no Jardim Santos Dumont, em Paranavaí. Eles estão fazendo um lindo trabalho de despertar em crianças de um a cinco anos o interesse pela arte.

O projeto é baseado em pinturas, esculturas e desenhos do meu amigo e artista plástico Roberto Persil, referência em artes plásticas no Paraná, que inclusive tem acompanhado todo o processo e segue interagindo com as crianças. É incrível ver uma criança de dois anos falando sobre arte, empolgada e com os olhos brilhando. Isso me faz acreditar cada vez mais em um futuro melhor. Quantas crianças se preparando para se tornarem grandes seres humanos. Me anima ver essa educação pautada no ser humano, na interação humana.

 

A vaca e o bezerro

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Arte de Kimberly VanDenBerg

Na estrada, vi um bezerro brincando com uma vaca perto da mangueira. Desci do carro e observei os dois por alguns minutos. A forma como aquele animal observava com satisfação o seu filhote, em nada difere da ternura com que uma mãe humana observa o seu filho. E o bezerro, feliz em contato com a mãe, tentava dar pulinhos intervalados.





Written by David Arioch

November 29th, 2016 at 10:47 pm

Uma manhã com Frei Jerônimo

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Frei Jerônimo sobreviveu à Segunda Guerra Mundial e à dominação soviética (Foto: David Arioch)

Frei Jerônimo sobreviveu à Segunda Guerra Mundial e à dominação soviética (Foto: David Arioch)

Fiquei muito feliz de conhecer o alemão George Karl Brodka (Frei Jerônimo), que sobreviveu à Segunda Guerra Mundial e à dominação soviética. A conversa rendeu algumas horas e agora já penso em transformar isso não apenas em uma reportagem, mas algo muito maior. Inclusive me comprometi em retornar mais vezes. Logo abaixo, segue uma prévia do bate-papo com Frei Jerônimo que vive no Seminário Imaculada Conceição desde o início da década de 1960. (Na foto, ele está segurando o primeiro dicionário de alemão/português que comprou antes de se mudar para o Brasil)

Suas impressões da Segunda Guerra Mundial são narradas sob a ótica de uma criança, já que na época ele não tinha mais que dez anos. Brodka se emociona ao contar que seu pai, assim como muitos outros alemães, entraram para o exército porque suas famílias estavam passando fome, e era o único tipo de trabalho disponível na Alemanha nazista. “Participei de um encontro de oficiais da Alemanha na década de 1950, e meu pai chorou ao dizer que nunca matou ninguém e jamais deu alguma ordem de assassinato.”

Brodka diz se envergonhar e não entender como na infância ele e muitas outras crianças tiveram coragem de andar sobre os cadáveres dos soldados mortos, retirando distintivos para compor suas coleções. Crente de que o filho de 14 anos não teria futuro na Alemanha Oriental, o pai de George Karl forjou documentos para que ele pudesse atravessar a fronteira. “Tive que percorrer uma grande selva, e depois acabei preso. Fui preso duas vezes na minha vida”, narra.

Outro relato surpreendente é o do dia em que os tchecos amarraram sua mãe com uma corda no capô de um jipe e percorreram toda a cidade fazendo piadas e a exibindo como um troféu. “Eles também nos obrigavam a comer borra de café e depois faziam piadas dos nossos dentes pretos. Eles odiavam os alemães”, declara. Seu tio, um pregador, foi capturado pelos poloneses e enforcado em uma árvore diante de uma plateia porque transportava uma bíblia. “Em algumas regiões a circulação da bíblia era proibida”, enfatiza.

Brodka conta que pelo fato de ter vivido muitos anos na Alemanha Oriental, quando ele decidiu se tornar carmelita sofreu muito preconceito. “Na Alemanha Ocidental, na própria Ordem do Carmo, não me chamavam pelo nome, mas apenas de comunista. Até mesmo quando cheguei em Paranavaí, e os outros padres ficavam sabendo que vivi na Alemanha Oriental, sempre se referiam a mim como ‘o comunista’. Era muito triste”, lamenta.

Algumas frases ditas por Frei Jerônimo e que ainda continuam ecoando na minha mente:

“Um dia, na Alemanha, um Bernardino, um cachorro que ajuda a encontrar pessoas perdidas nas montanhas, escapou do seu tutor e correu em minha direção. Quando ele se aproximou de mim, coloquei as mãos nas costas, abaixei a cabeça e conversei com ele. Depois veio o tutor dele correndo e disse que o cachorro era bravo. Eu falei que não, que ele não era bravo. Então olhei pro cachorro e expliquei: ‘Não vou bater em você e você não vai me morder.” O homem achou que eu estava louco: ‘Como?’ Expliquei que falei com o cachorro e ele entendeu. Sempre me entendi muito bem com cachorros.”

“Não gosto de gente que bate em cachorro. Não gosto de gente que não aceita cachorro. Dá pra desconfiar de gente assim…”

“Uma coisa que acho estranha em brasileiro é que brasileiro gosta de dizer que é descendente de italiano, alemão, português…que é descendente disso ou daquilo. Por que não apenas gostar de ser brasileiro?”

Frei Jerônimo é o fundador do Grupo Escoteiro Guy de Larigaudie, de Paranavaí, que este ano completou 50 anos.

Um exemplo a ser seguido

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Mesmo com alguns problemas de saúde, ele segue labutando e investindo no seu sonho de ver a horta crescer (Fotos: David Arioch)

Esta semana, eu e minha mãe visitamos a horta orgânica do senhor Gabriel Esperidião Yousseff. Mesmo com alguns problemas de saúde, ele segue labutando e investindo no seu sonho de ver a horta crescer. Muito legal ver que ainda há pessoas que priorizam a qualidade em vez da quantidade. Gabriel é um exemplo de pessoa que não se deixa abater pelas próprias limitações.

Written by David Arioch

November 27th, 2016 at 4:33 pm

Élisée Reclus :“Não é um equívoco relacionar os horrores da guerra com o massacre do gado”

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“A porca chorava sem cessar, e de vez em quando soltava gemidos tão desesperadores que parecia simular a fala humana”

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Reclus: “Ainda me recordo desse lúgubre quintal onde homens assustadores andavam de um lado para o outro com grandes facas” (Foto: Reprodução)

Considerado um dos maiores geógrafos do século 19, o francês Élisée Reclus é o autor da obra-prima “Nova Geografia Universal: a Terra e os Homens”. Composto em 19 volumes, o trabalho exigiu quase 20 anos de dedicação. Embora sua principal contribuição tenha sido na área da geopolítica, Reclus foi um ativista vegetariano que em 1901 publicou “À propos du végétarisme”, um ensaio impactante sobre o vegetarianismo e os direitos animais.

Modesto, Élisée Reclus diz que escreveu o ensaio para transmitir suas impressões pessoais que, de algum modo, coincidem com a de muitos vegetarianos. “Me moverei dentro do círculo de minhas próprias experiências, parando aqui e ali para fazer alguma observação sugerida pelos pequenos incidentes da vida”, informa.

Quando o francês ainda era um garotinho, ele foi enviado para buscar um pedaço de carne no açougue da aldeia. Com toda sua inocência, procurou alegremente fazer o que lhe pediram. “Entrei no pátio onde estavam os matadouros. Ainda me recordo desse lúgubre quintal onde homens assustadores andavam de um lado para o outro com grandes facas. Eles enxugavam o sangue em suas próprias blusas. Pendurada sob um alpendre, uma enorme carcaça me parecia ocupar um espaço extraordinário. De sua carne branca, um líquido avermelhado escorria pelas sarjetas”, conta.

Tremendo, Reclus notou que o pátio estava repleto de sangue. Se viu incapaz de seguir adiante ou de fugir. Mais tarde, soube apenas que desmaiou e um açougueiro o levou até sua casa. O francês narra que ele não pesava mais do que um dos cordeiros que o homem abatia todas as manhãs. As cenas vividas no matadouro jamais foram esquecidas, assim como as lembranças dos porcos criados pelos camponeses que atuavam como açougueiros amadores. Segundo Reclus, eles conseguiam ser mais cruéis que os açougueiros profissionais. “Lembro-me de um deles sangrando o animal lentamente, de modo que o sangue escorria gota a gota, pois para fazer pudins negros, eles dizem que é preciso que o animal tenha sofrido bastante. A porca chorava sem cessar, e de vez em quando soltava gemidos tão desesperadores que parecia simular a fala humana. Era como ouvir uma criança”, relata.

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“Mimado, o porco cresce gordo e retribui com afeição sincera todo o cuidado dispensado a ele”

Élisée Reclus não conseguia evitar de enxergar o ser humano como um animal traiçoeiro na sua relação com os animais. Cita como exemplo os porcos criados como membros de família por um ano ou um pouco mais antes de serem enviados para o abate. “Mimado, ele cresce gordo e retribui com afeição sincera todo o cuidado dispensado a ele. Mal sabe que sua criação tem apenas um objetivo – muitos centímetros de tiras de bacon.[…] Quando o afeto é retribuído pela boa mulher que cuida do porco, acariciando-o, e conversando carinhosamente com ele, ela é considerada ridícula, como se fosse absurdo e até degradante amarmos um animal que nos ama”, reclama.

O francês dizia que não era necessário ir longe para contemplar os horrores dos massacres que constituem a diária alimentação humana. Segundo o geógrafo vegetariano, especialmente quem viveu em cidades provincianas, teve a oportunidade de ver esses atos bárbaros cometidos em nome do consumo de carne. Se a princípio são imagens que chocam na tenra idade, com o tempo tal sentimento desaparece. As pessoas cedem diante da infeliz influência da educação diária, que tende a conduzir o indivíduo a reconhecer como normal algo que não deveria ser.

“Isso tira tudo o que se destina à formação de uma personalidade original. Os pais, professores, oficiais, médicos, amigos, para não falar do poderoso indivíduo que chamamos de ‘todos’, trabalham juntos para endurecer o caráter da criança com respeito a este alimento de quatro patas que, no entanto, ama como nós, sente como nós e, sob nossa influência, progride ou regride como nós”, defende.

Os animais reduzidos à carne estão tão distantes de sua vocação natural que muitos deles talvez nem se reconheçam como parte genuína de uma espécie. Para corroborar essa reflexão, Reclus faz referência ao bovinos que, com muitas dificuldades de locomoção, habitam os pastos do mundo: “Eles foram transformados pelos criadores de gado em massas ambulantes de formas geométricas, como se projetados de antemão para a faca do açougueiro. É para a produção de tais ‘monstruosidades’ que aplicamos o termo ‘reprodução’. É assim que o homem cumpre a sua missão como educador, em relação aos seus irmãos, os animais.”

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“A dieta dos indivíduos corresponde precisamente às suas maneiras. O sangue exige sangue”

Observando e estudando o comportamento animal, o geógrafo francês chegou à conclusão de que para a manutenção do nosso hábito de comer carne, até mesmo a inteligência animal é visceralmente degradada. É inevitável por causa do estilo de vida antinatural imposto a eles. Ademais, Reclus via uma grande contradição estética nos açougues. Em tempos de festas, era comum se deparar com carcaças desarticuladas e pedaços de carne decorados com guirlandas rosas.

“Não é um equívoco relacionar os horrores da guerra com o massacre do gado e os banquetes de carne. A dieta dos indivíduos corresponde precisamente às suas maneiras. O sangue exige sangue”, declara Élisée Reclus, referindo-se à ferocidade humana e a irreflexão na hora de suplantar o inimigo. Traçando um paralelo, ele faz menção ao fato de que na guerra é muito comum os feridos serem mortos e os prisioneiros serem obrigados a cavarem suas próprias sepulturas antes de serem alvejados a tiros.

“Quem são esses espantosos assassinos? São homens como nós, que estudam e leem como nós, que têm irmãos, amigos, esposa ou namorada. Mais cedo ou mais tarde, corremos o risco de encontrá-los, de tomá-los pela mão sem ver nenhum vestígio de sangue nela. Mas não há alguma relação direta de causa e efeito entre os alimentos desses carrascos que se chamam de agentes da civilização?”, questiona.

Valendo-se de suas pesquisas, o geógrafo vegetariano argumenta que aqueles que incentivavam as guerras tinham o hábito de elogiar a carne que sangra, a considerando geradora de saúde, força e inteligência. Essas mesmas pessoas entravam nos matadouros, onde o pavimento era sempre vermelho e escorregadio, sem sentir qualquer repugnância. Lá, respiravam o doentio e doce odor do sangue.

“Existe então tanta diferença entre o cadáver de um novilho e o cadáver de um homem? Os membros amputados, as entranhas que se misturam umas às outras, são muito parecidos. A matança do primeiro facilita o assassinato do segundo, especialmente quando a ordem de um líder soa, de longe, como as palavras de um mestre coroado: ‘Seja impiedoso!’”, enfatiza Reclus.

No ensaio “À propos du végétarisme”, quando discorre sobre a violência nas guerras, o geógrafo compara o racismo com o especismo. Usa como referência as invasões ocidentais no oriente, principalmente na Ásia, onde a vida de um oriental não tinha o mesmo valor que a vida de um homem branco, na perspectiva predominantemente europeia. “Não é nossa moralidade, como aplicada aos animais, igualmente elástica? Ouvir cães rasgando uma raposa ensina ao cavalheiro como fazer seus homens perseguirem um fugitivo chinês. Os dois tipos de caça pertencem a um mesmo ‘esporte’”, lamenta.

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Élisée Reclus nasceu em 15 de março de 1830 em Sante-Foy-la-Grande, no Departamento de Gironde, e faleceu em Torhout, na Bélgica, em 4 de julho de 1905 em decorrência de uma doença cardiovascular.

Referências

Reclus, Elisée. À propos du végétarisme (1901). Mazeto Square (2016).

Cornuault, Joël. Élisée Reclus, géographe et poète. Eglise-Neuve d’Issac (1995).

Chisholm, Hugh. Reclus, Jean Jacques Elisée. Encyclopædia Britannica. Cambridge University Press (1911).

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O menino que matava porcos

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“Mato mesmo!”, confirmou o menino rindo e ouvindo o comentário do sobrinho do meu avô (Foto: Reprodução)

Quando eu tinha oito anos, viajamos para Batayporã, no Mato Grosso do Sul. Lá, conheci outros familiares do meu avô. Mas naquela viagem só uma pessoa me chamou a atenção – um primo de terceiro grau. Ele tinha sete anos e olhos avermelhados.

Na fazenda, o vi de longe, expulsando alguns animais que circulavam pela casa principal. Me falaram que ele matava porcos desde os cinco anos, e que gostava de eviscerá-los com um punhal resguardado por gerações. “Mato mesmo!”, confirmou o menino rindo e ouvindo o comentário do sobrinho do meu avô.

Caminhando pela fazenda, eu evitava ficar sozinho, e sempre olhava ao meu redor, na tentativa de saber se o menino de olhos avermelhados estava por perto. Criança, eu nunca tinha visto ou ouvido falar de alguém que tivesse matado um porco.

Com o cair da tarde, e o sol despontando baixo e avermelhado no horizonte, assim como os olhos do menino, fiquei sabendo que meus pais pretendiam passar a noite na fazenda. Me aproximei de minha mãe e a questionei, garantindo a nossa partida: “Não quero dormir aqui. Se esse menino mata porco, um bicho que não fez nada pra ele, quem garante que ele não é capaz de fazer o mesmo comigo de madrugada?”

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Written by David Arioch

November 25th, 2016 at 1:02 pm

Há coisas na vida que independem de conhecimento

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Às vezes, me pergunto de que adianta alguém ter tanto conhecimento e ao mesmo tempo ser raso em sensibilidade. Posso estar equivocado, mas não vejo vantagem em ter tanta cultura e ao mesmo tempo não ter a sensibilidade de mergulhar na essência humana, na essência das coisas. Soa inócuo demais, como uma forma infinita de incompletude. Há coisas na vida que independem de conhecimento, mas sim de sensações, emoções.

Written by David Arioch

November 24th, 2016 at 10:54 pm

Quando Antunes Filho chocou o Brasil

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Zózimo Bulbul, o primeiro homem negro a beijar uma mulher branca no cinema nacional (Foto: Reprodução)

Antunes Filho chocou o Brasil em 1969 quando deu ao ator Zózimo Bulbul um grande papel no filme “Compasso de Espera”. Na obra, Zózimo beija uma mulher branca. Aquela foi a primeira vez que os brasileiros viram um homem negro beijando uma mulher branca em um filme nacional. A obra gerou tanta comoção que descortinou a propaganda do Brasil como um país onde supostamente se vivia a democracia racial.

Written by David Arioch

November 24th, 2016 at 10:35 pm