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Me parece que virou moda demonizar as redes sociais hoje em dia
Me parece que virou moda demonizar as redes sociais hoje em dia. Acredito que o problema não está em usar as redes sociais, mas sim em saber aproveitar o que elas têm de bom a oferecer. Ultimamente, tenho encontrado muitas pessoas falando de mídias sociais como se fossem o próprio demônio. Acho isso exagerado, até porque é uma importante ferramenta de divulgação do meu trabalho, e não tenho como não considerar isso positivo. Sejamos ponderados que tudo transcorre bem.
A caça
Um homem encontrou um caçador acompanhado do filho na mata. Eles arrastavam com dificuldade o cadáver de uma onça-pintada.
— Querem ajuda?
— Sim, por gentileza.
Depois de percorrerem mais de um quilômetro, pararam ao lado de uma caminhonete. O caçador pediu que o homem fotografasse ele e o filho com a onça inanimada.
— Não posso fazer isso.
— Por quê?
— Pelo mesmo motivo que esse animal jamais exibiria o seu filho aos dele como se fosse um troféu.
— Você é louco? Isso é uma onça, não uma pessoa.
— O senhor tem razão. É justamente por não ser uma pessoa que ela não faria isso. Não goza dessa estranha capacidade. A propósito, por que mataram esse animal e o que farão com ele?
— Matamos porque é matreira. Já nos avisaram que ela tem invadido chácaras, sítios e fazendas da região.
— Quem disse ao senhor?
— Um sujeito que mora naquele sítio a leste.
— Isso é intrigante.
— Por quê?
— Porque é lá que eu moro. O que pretende fazer com a onça?
— Curtir o couro, fazer um tapete, um churrasco. Dizem que carne de onça tem gosto de lombo de porco. Vamos experimentar.
— O senhor tem comida em casa?
— Sim…
— Fartura?
— Sim…
— Então por que comer a carne desse animal? O senhor já viu outro ser vivo arrancar o couro de alguém para servir apenas para limpar-lhe os pés?
— Então farei um casaco.
— Imagino que o senhor tenha blusas e jaquetas em casa…
— Farei um cobertor.
— O senhor tem passado frio atualmente?
— Não…
— Imagino.
— Amigo, farei o que eu quiser. Não me interessa sua opinião. Só aceitei ajuda para carregá-la.
— Tudo bem. Mas o que o senhor ensina ao seu filho fazendo isso?
— Ensino que é importante estar preparado pra tudo.
— Humm…
— E o senhor pensa em viver em uma área de mata fechada?
— Não…
— Então em qual circunstância seu filho teria que matar um animal desses?
— Não interessa.
— O que você aprendeu com seu pai hoje?
O menino ficou em silêncio.
— Chega dessa conversa. Vá cuidar de sua vida.
— Tudo bem, senhor.
Entre as ramagens, um filhote de onça-pintada ameaçava se aproximar.
— O senhor tem uma dívida. Se um dia aquele filhote lhe cobrar, o senhor não poderá reclamar.
O caçador riu, mas deixou a onça e partiu.
O preço do pernil
Tem três pés e muita dificuldade para andar. Não desiste. Entre passos e pequenos saltos, se aproxima de um homem comendo tranquilamente um sanduíche. À sombra da sibipiruna, o rapaz de bermuda leva um susto quando sente um focinho gelado tocando-lhe a panturrilha descoberta.
Solta um gemido doloroso e aponta o focinho para o próprio ferimento. Falta-lhe uma perna. O estranho continua sem entender o que aquilo significa. Entre mastigadas e desinteresse, se irrita quando o porquinho toca-lhe a mão com a cabeça.
— Pelo amor de Deus, né? Você quase derrubou meu lanche. Vá pra lá, tá me irritando.
Mais uma vez. Persistência. Entre duas fatias de pão, o último pedaço de pernil cai sobre um punhado de folhas. O rapaz se levanta. Sisudo, furibundo, esfaimado. Suor quente. A ameaça do chute não intimida. O pequeno o observa sem se mover. Ameaça. Sim, ameaça humana.
— Te mato, caramba! Mato mesmo!
O porquinho empurra o pequeno pedaço de carne. Faz um desenho com o focinho.
— O que você tá fazendo?
Continua arrastando o focinho pelo solo.
— Hã?
Um pernil, disforme, mas um pernil riscado na terra. No núcleo, um pedaço da carne suja.
O porquinho deita no chão. Ganha uma perna incapaz de mover. Pouca carne. Carne sem vida. Riscos. É o que resta.
— Você quer dizer que comi sua perna?
O porquinho se levanta, o observa e vai embora. Dor, passos curtos e incertos, pulinhos, pulinhos alternados.
A carne já não é carne. O rapaz cava um pequeno buraco com as mãos, enterra o pedaço de pernil e cobre com terra. Escreve no chão: “Que a minha busca pelo perdão triunfe sobre o prazer da gustação.”
Ácido lático pode ser tanto de origem animal quanto vegetal
O ácido lático usado na indústria alimentícia, e em outras indústrias, pode ser tanto de origem animal quanto vegetal. Há muito tempo o ácido lático passou a ser extraído também do bagaço da cana-de-açúcar, ou seja, é um produto que em muitos casos é 100% vegetal. Esse nome, que logo faz as pessoas associarem à lactose, surgiu porque o ácido lático foi descoberto originalmente no leite coalhado. A única forma de saber se realmente é de origem vegetal ou animal é pesquisando e entrando em contato com o fabricante.
Retrato da triste realidade
Realmente, é triste, mas ao mesmo tempo a foto ilustra a realidade de bilhões de animais ao redor do mundo, reduzidos a alimentos e outros produtos. Falo de criaturas que muitos chamam de “animais comuns”, que recebem do especismo o “aval” para morrerem quando não somos capazes de vê-los como realmente são, ou seja, seres com ânsia pela vida.
Quando alguém parecer agressivo com você na internet…
Quando alguém parecer agressivo com você na internet, talvez um exercício interessante seja fazer uma ou duas perguntas neutras e analisar as respostas. Se o discurso ainda parecer agressivo, provavelmente a pessoa está exaltada. “Por que eu faria isso?” Bom, porque muitas vezes as pessoas podem transmitir uma mensagem de forma equivocada, ou seja, transparecendo algo que não é o objetivo do emissor.
Sorrindo na rua
Esses dias, andando pelo centro, decidi sorrir, sorrir sem parar. Comecei a pensar em algumas coisas que me ajudaram a manter o sorriso o tempo todo. Eu sorria e olhava diretamente para os transeuntes. Algumas pessoas gostaram, tanto mulheres quanto homens das mais diferentes faixas etárias. Outras pessoas simplesmente me observavam com expressão de estranhamento, talvez achando que eu tivesse algum problema. Ninguém me ofendeu. Isso é bom.
Por que o pai matou a galinha?
Com cinco anos, Hugo testemunhou seu pai matando uma galinha no quintal. Nunca tinha visto aquele animal com vida. Achava que galinhas já nasciam mortas. Chorou quando viu a pequena ceder com o pescoço destroncado. O pai olhou para o menino. Não disse nada. Entrou em casa e pediu para que a esposa limpasse a galinha e preparasse o jantar.
Hugo correu até o quintal, juntou as penas da galinha que voaram pelo chão de terra e as guardou dentro do bolso. Enquanto a mãe temperava a galinha, o menino tomou coragem e se aproximou.
— Por que o pai matou a galinha?
— Pra gente comer, filho.
— Mas ela queria morrer?
Silêncio.
— A vida é assim, Hugo.
— Por quê?
Silêncio.
— Depois a gente conversa. Agora preciso fazer a janta.
Hugo entrou no quarto. Ficou lá mais de hora e retornou. Desenhou uma galinha, tirou as penas do bolso e as colou na ave tristonha. Depois foi até a cozinha e entregou o desenho para a mãe.
— Olhe, mãe, eu disse que ela não queria morrer.
A mulher observou a expressão lacrimosa do animal. As lágrimas da mãe desceram junto com as lágrimas da galinha, pinguinhos escuros de lápis.
Quando publico fotos de animais…
Quando publico fotos de animais, a parte mais triste é saber que muitos desses animais existem apenas como retrato uno e paradoxalmente sequente de um momento de grande sensibilidade, um momento que se foi. Muitos deles transmitem inocência, incredulidade, medo, desespero, terror ou ânsia pela vida. Há súplica em seus olhos.
O que vemos nas fotos são criaturas já falecidas, que sequer foram enterradas. Algumas de suas partes foram ingeridas e digeridas; outras se tornaram insumos de produtos que as pessoas usam no cotidiano, sem refletirem ou se preocuparem com o fato de que “aquilo” um dia pertenceu a um ser que assim como nós também se deslocava, se comunicava, sentia fome, sede.
Há também aquelas partes que foram descartadas como lixo, assim como fazemos com restos de alimentos, com coisas pequenas e insignificantes. Eles morreram, não tiveram uma segunda chance. Vidas curtas interrompidas pela elação. Cumpriram um objetivo que não era o deles, subjugados pela desconsideração e intransigência humana.
A perspectiva de Sócrates sobre a coisificação dos animais não humanos
A coisificação dos animais não humanos é apontada por Sócrates e Glauco como algo capaz de impedir a humanidade de alcançar a felicidade. “E, se seguirmos esse modo de vida, não teremos de visitar o médico com mais frequência?”, questiona o filósofo, que recebe a confirmação de Glauco: “Teríamos tal necessidade.” Sócrates prevê ainda que o hábito de comer animais e criá-los com a finalidade de vendê-los transformaria o ser humano em alguém não somente ambicioso, mas ganancioso a ponto de espoliar propriedades vizinhas para ampliar suas pastagens:
“Se nosso vizinho seguir um caminho semelhante, não teremos que ir à guerra contra o nosso próximo para garantir maiores pastagens? Porque as nossas não serão mais suficientes para o nosso sustento, e nosso vizinho terá a mesma necessidade e entrará em guerra conosco?” Glauco corrobora o receio do ateniense ao confirmar que sim, deixando subentendido que a humanidade se tornaria mais suscetível à decadência e às tentações de uma sociedade imersa em desigualdades. Para Sócrates, a redução dos animais à comida seria um gatilho para minar as condições de construção de uma sociedade mais justa – e um distanciamento cada vez mais crescente da forma mais genuína de felicidade.
Essas reflexões de Sócrates envolvendo a exploração animal e o consumo de carne vão ao encontro do estudo da virtude. Ele dizia que é mais importante a busca do desenvolvimento humano do que a busca pela riqueza material – um dos principais motivos da exploração de animais enquanto produtos. Sócrates acreditava tanto nisso que nem mesmo quando foi sentenciado à morte por questões políticas, segundo as obras “Apologia” e “Críton”, de Platão; e pessoais, de acordo com Xenofonte, optou por curvar-se ao júri ou fugir em vez de enfrentar a injusta condenação. Nascido em 470 a.C., Sócrates, que preferiu à morte ao exílio, faleceu em 399 a.C, depois de ser obrigado a ingerir cicuta após 30 dias preso.





