David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

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Você já viu galinha sendo ensacada em granja?

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Foto: Animal Liberation Israel

Você já viu galinha sendo ensacada em granja? Eu já, e posso te dizer que deve ser uma das experiências mais terríveis de sufocamento. O que muitas pessoas parecem desconhecer é o fato de que granjas não apenas se voltam para a produção de ovos, mas também comercializam galinhas no atacado e no varejo. Sim, para serem mortas. E se for uma granja de pequeno e médio porte, você pode comprá-las vivas (caso queira matá-las com as próprias mãos) e levá-las para casa dentro de um saco, sim, enquanto elas sufocam. Sem problema algum – mediante nossa realidade homocêntrica. Não estou falando isso baseado em algo que li, mas sim em minhas próprias experiências visitando granjas.

 

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August 26th, 2017 at 11:15 pm

Talvez olhássemos com outros olhos se fôssemos nós no lugar deles

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Foto: Jo-Anne McArthur

Segundo algumas pessoas, os textos que publico sobre os animais são exagerados. Sem dúvida, tudo que não diz respeito a nós mesmos, que no nosso limitado senso de percepção não nos atinge, é visto como exagerado. Talvez olhássemos com outros olhos se fôssemos nós no lugar deles.

 





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August 26th, 2017 at 11:12 pm

McDia Feliz 2017 pela cura do câncer infantojuvenil é como a JBS criando uma megacampanha contra o desmatamento

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Arte: Michaela Thompson

McDia Feliz 2017 pela cura do câncer infantojuvenil é como a JBS criando uma megacampanha contra o desmatamento; a Coca-Cola comercializando refrigerante e prometendo reverter uma parcela dos lucros para o Instituto da Criança com Diabetes. Ou a Nestlé, a Kraft e a Hershey Company fazendo propaganda contra o trabalho escravo.





Written by David Arioch

August 26th, 2017 at 11:04 pm

“Não é necessário que alguém entre em um matadouro para ver e entender o que acontece lá dentro”

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Arte: Sue Coe

Questionada sobre como faz para conseguir entrar em matadouros onde nenhum jornalista entrou antes, a artista vegana Sue Coe explicou que tudo depende da abordagem e das ferramentas que você carrega. “Levo apenas papel e lápis, e as pessoas podem ver o que estou fazendo. Não estou roubando nada. Não vou tirar nada. Se eles querem meus desenhos, eles podem tê-los. Contanto que eu não retrate trabalhadores como monstros, o que nunca faço de qualquer maneira, embora algumas vezes fiz isso, tenho de admitir”, revelou em entrevista a Caryn Hartglass no podcast “It’s All About Food” em 20 de junho de 2012.

Sue Coe prefere visitar matadouros menores, porque esses são os que menos dificultam suas visitas. Mesmo assim, ela sempre se depara com uma mesma situação – funcionários de matadouros com receio de ficarem desempregados. “Eles não querem ser atacados por ativistas dos direitos animais. Então eles me veem e simplesmente conversamos sobre qualquer assunto que eles queiram. Muitos deles são falantes de espanhol. Então dou-lhes um desenho, e eles podem olhar e dizer se devo mudar alguma coisa. Eles apenas olham e dizem: ‘Ah, isso é bom! Você poderia ser estenógrafa’”, narrou.

Sue perdeu as contas de quantos matadouros visitou ao longo de décadas. Só no livro “Cruel: Bearing Witness to Animal Exploitation”, de 2012, ela traz ilustrações de experiências em 35 a 40 matadouros. “É muito mais fácil entrar em matadouros halal [islâmico] ou kosher [judaico] porque eles são pequenos, de propriedade familiar. Os maiores são da IBP [International Pork and Beef]. Entrei [em matadouro deles também], mas foi muito difícil. Costumo chegar dizendo: ‘Sou uma artista. Gostaria de desenhar.’ Eles dizem sim ou não”, resumiu.

Quando permitem que Sue Coe visite um matadouro, ela é revistada e em seguida entregam-lhe um uniforme. “Não é necessário que alguém entre em um matadouro para ver e entender o que acontece lá dentro. Você esquece muito rapidamente, pessoas esquecem, mas eu nunca esquecerei. Vou fazer isso até morrer, porque é minha responsabilidade com os rostos que vi. Esse é o meu trabalho. Essa era a vida deles. Eu os vi. Eles olharam em meus olhos, e eles me viram”, garantiu a ilustradora a Sunaura Taylor, da Bomb Magazine.

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August 26th, 2017 at 7:16 pm

Espero que chegue o dia em que bilhões de pessoas fiquem chocadas com o fato de ter existido um tempo em que explorávamos animais

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Arte: Sue Coe

Provavelmente, não estarei vivo, mas espero que chegue o dia em que bilhões de pessoas se surpreendam e fiquem chocadas com o fato de ter existido um tempo em que explorávamos, matávamos e consumíamos animais. Afinal, não existe justiça quando um animal é criado para ser explorado.





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August 26th, 2017 at 7:12 pm

Uma tragédia que custou a vida de mais de 67 mil ovelhas

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Arte: Sue Coe

Em 23 de agosto de 1996, o navio de carga Uniceb deixou Fremantle, na Austrália, em uma viagem com duração de 16 dias até Aqba, na Jordânia. A 245 milhas a leste de Seychelles, um incêndio na sala de máquinas se espalhou até as acomodações da tripulação.

Então os tripulantes abandonaram o navio, deixando para trás mais de 67 mil ovelhas. Mais tarde, a artista vegana Sue Coe criou uma obra em homenagem aos animais mortos em um dos maiores incêndios com ovelhas já registrado na história da Austrália.

Sobre o episódio, ela escreveu: “Havia 67.050 almas a bordo.” Para se ter uma ideia de como a Austrália investe na exploração desses animais, o país tem pouco mais de 24 milhões de habitantes e cria mais de 100 milhões de ovelhas, que serão mortas para extração de lã e carne.

 
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August 26th, 2017 at 6:46 pm

A matança legitimada de búfalos

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Arte: Sue Coe, Cruel

No livro “Dead Meat”, lançado em 1995, a artista vegana Sue Coe apresenta a obra “Lo Cholesterol”, em que milhares de búfalos são guiados para dentro de um grande matadouro. O desenho foi inspirado em um local que ela visitou nos Estados Unidos à época, onde a matança de búfalos já acontecia durante as 24 horas do dia.





Roland Straller e a inversão de papéis entre animais humanos e não humanos

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Mulheres no lugar de vacas leiteiras, na perspectiva de Straller

Roland Straller é um artista vegano alemão que gosta de abordar a inversão de papéis na relação entre animais humanos e não humanos. Na série “Got Milk?”, ele convida os consumidores de leite a passarem um dia na pele das vacas leiteiras exploradas em regime industrial. Straller é satírico e suas obras de caráter quase sempre sepulcral destacam a perversidade semeada pela indiferença e pela legitimação de um caos que parece invisível aos olhos da maioria.





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August 26th, 2017 at 6:12 pm

Não há alimentos de origem animal sem privação ou morte

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Arte: Sue Coe

Claro que não fico feliz pelo fato das pessoas consumirem produtos de origem animal, porque logo associo à exploração animal. Porém o que me incomoda mais são as situações em que as pessoas se negam a reconhecer que isso é uma forma de exploração que impõe privação e morte aos animais. Um animal criado para consumo é condicionado desde que nasce. Ou seja, afastado de sua vocação natural, ele já está em um estado de privação em algum nível.

A sua morte antecipada é apenas uma questão de tempo. Se uma pessoa se alimenta de animais ou trabalha nessa área, é importante que ela seja honesta e não propague discursos que não condizem com a realidade, que são os mesmos propagados pela indústria. E quando se faz críticas a esse posicionamento, às vezes, alguém diz: você não sabe o que fala, você não trabalha com gado de corte, gado leiteiro, criação de aves, suínos, etc. Claro que não trabalho com isso. Se eu trabalhasse, eu não seria vegano, não é mesmo?





Written by David Arioch

August 26th, 2017 at 6:02 pm

“Devido ao desgaste constante em seu sistema, as galinhas desenvolvem fígados aumentados, órgãos vitais alargados e tumores”

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A pressão dos órgãos aumentados e a acumulação de líquido impede que seu trato digestivo funcione e ela acaba por morrer literalmente de fome

“Devido ao desgaste constante em seu sistema, as galinhas desenvolvem fígados aumentados, órgãos vitais alargados e tumores. Muitas vezes, o oviduto, um tubo pelo qual os ovos passam através do ovário, se desintegra e o material do ovo se rompe na cavidade do corpo e apodrece [o que chamamos de peritonite do ovo], envenenando lentamente a galinha. A pressão dos órgãos aumentados e a acumulação de líquido impede que seu trato digestivo funcione e ela acaba por morrer literalmente de fome. É uma morte horrível.”

Excerto de “Chickens Need Homes, Not Jobs”, de Mary Britton Clouse, especialista em aves e fundadora da Chicken Run Rescue.





Written by David Arioch

August 26th, 2017 at 5:56 pm