David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Vegetarianismo/Veganismo’ Category

Camelo, um animal sensível que há mais de cinco mil anos é subjugado pela humanidade

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Camelo em situação de sofrimento e exploração (Fotos: Animalspirits222 e Veganism is the Future)

Camelo, um animal sensível que há mais de cinco mil anos é subjugado pela humanidade. Se você já passeou ou tem vontade de passear montado sobre esses animais, é importante entender que você também contribui com a exploração e o sofrimento deles.

“As pessoas devem ter renunciado, parece-me, toda a inteligência natural com o propósito de fazer com que os animais sejam vistos somente como máquinas. Parece-me, além disso, que [essas pessoas] nunca observaram com atenção o caráter dos animais, para não distinguir entre eles as diferentes vozes da necessidade, do sofrimento, da alegria, da dor, do amor, da raiva. E de todas as suas afeições. Seria muito estranho que eles expressassem tão bem o que não poderiam sentir.”

Voltaire no “Tratado Sobre a Tolerância”, publicado em 1763.

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Written by David Arioch

August 10th, 2017 at 9:17 pm

A prática de reduzir um animal a alimento abriu um precedente para a violência hedionda

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Foto de um festival em que porcos são mortos diante da plateia no Vietnã

O suíno é apenas uma das espécies animais subjugadas pela ignorância e pela crueldade humana. Se os animais não fossem vistos como comida ou objetos, evitaríamos cenas de violência extrema que ocorrem neste momento em todo o mundo, onde porcos são mortos como se não fossem nada. A prática de reduzir um animal a alimento abriu um precedente para a violência hedionda contra seres não humanos.





Written by David Arioch

August 10th, 2017 at 9:12 pm

Se você fuma, repense sua escolha, porque isso também causa um grande mal aos outros animais

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Animais usados nos testes de toxicidade dos cigarros

Se você fuma, repense sua escolha, porque isso também causa um grande mal aos outros animais, e não apenas a você. Em testes de toxicidade, as vítimas são obrigadas a inalar fumaça por até seis horas consecutivas e diariamente ao longo de três anos.

Como muitos animais tentam fugir desse tipo de prática, os ratos, por exemplo, são confinados em pequenos tubos e latas por onde a fumaça é bombeada. Durante muito tempo, animais como cachorros e macacos tiveram seus pescoços perfurados para que um tubo fosse penetrado e a fumaça forçada diretamente até seus pulmões.

Outra prática comum dos laboratórios que realizam testes em animais para a indútria do tabaco é a aplicação de alcatrão na pele nua dos camundongos, assim provocando pequenos tumores. Até mesmo macacas grávidas já passaram por testes de toxicidade de cigarros.

Nesses casos, um fluxo contínuo de nicotina foi mantido nos últimos quatro meses de gravidez para “estudar” que tipo de efeito a substância tem sobre seus bebês. Ao final dessas experiências, os filhotes eram mortos e dissecados para determinar os efeitos da exposição à nicotina.

Referência

https://www.peta.org/issues/animals-used-for-experimentation/animals-used-experimentation-factsheets/smoking-experiments-animals/

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Direitos animais não são apenas para cães e gatos

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Não são apenas cães e gatos que merecem o respeito humano

Se você pesquisar no Google por imagens de direitos animais, na maior parte delas aparece um cachorro ou gato. Isso é algo que já passou da hora de ser evitado, porque direitos animais não têm nada a ver com especismo, e quem faz esse tipo de vinculação provavelmente não tem noção de que está perpetuando uma ideia equivocada e totalmente rasa de direitos animais. Afinal, direitos animais também é sobre todas as criaturas que as pessoas comem e consideram normal.

 





Written by David Arioch

August 10th, 2017 at 8:55 pm

Você não sente muito ódio das pessoas por toda a violência que elas causam aos animais?

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Foto: Jo-Anne McArthur

— É muito triste, e até desanimador às vezes. Mas não chego a esse ponto, simplesmente porque se eu começar a sentir muito ódio, naturalmente vou perder o foco do meu trabalho. E emoção sem informação e conscientização infelizmente não garante compreensão nem razão, principalmente quando você fala com pessoas que não são realmente sensíveis ao sofrimento animal. É justamente por isso que não discuto com pessoas que fazem piadas sobre o sofrimento animal, ou que fazem provocações vazias, que não condizem com a realidade; porque elas simplesmente não sabem o que falam. Estão na superfície da coisa toda, e acredito que no fundo mais por ignorância do que por insensibilidade.

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Written by David Arioch

August 10th, 2017 at 8:40 pm

Para ser vegano, não é preciso amar os animais, basta respeitá-los

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Arte: Alok Appadurai

Um amigo — Cara, eu até acho legal quem é vegano, mas a verdade é que não amo animais. Para ser honesto, nem gosto muito de animais. O negócio é eles lá e eu aqui. Como isso poderia funcionar? Não vejo como.

Eu — Não há problema nenhum nisso. Você não precisa gostar de animais, tutelar animais, resgatar animais ou algo do tipo. Basicamente, você não precisa querer conviver com animais. Claro, muitos veganos fazem isso, mas não é uma regra ou algo do tipo. Para ser vegano, você precisa apenas ter a consciência de que os animais não humanos merecem viver, não morrer.

Para ser mais preciso, não merecem ser explorados. Então o seu papel como vegano seria esse, se empenhar em não contribuir com a exploração animal.  A questão é você entender, reconhecer isso e colocar em prática. O amor pelos animais realmente é uma coisa nobre e bonita, mas a consciência sobre justiça nesse contexto é imprescindível, logo mais importante. Isto porque ela tem forte apelo junto ao discernimento moral e ético em uma sociedade construída sobre valores equivocados que levaram ao antropocentrismo e consequentemente ao especismo.

Independente de alguém se reconhecer ou não como superior a outras formas de vida, o que é preciso entender em relação a isso é que não interessa qual animal é mais inteligente, qual é mais amável ou qual é mais sensível. O entendimento que se deve ter é de que o direito à vida deve ser assegurado e que não cabe a nós decidirmos quais animais devem viver ou morrer levando em conta nossas pretensas necessidades ou preferências. Eles são conscientes, sencientes e merecem viver à sua maneira.

Nossa interferência deve ocorrer apenas quando eles precisam de nós, sem subjugação. Se esforçar para não impactar negativamente na vida dos animais é uma forma de aperfeiçoamento civilizatório, porque se você é capaz de respeitar honestamente a vida de um animal que não é capaz de falar, isso te conduz a respeitar mais a vida em geral. Gostar ou amar animais é uma questão de pessoalidade. Você pode desenvolver isso ou não, e sem que isso prejudique ninguém. Por outro lado, é a falta de entendimento de que os animais não existem para nos servir que tem perpetuado práticas desnecessárias que anualmente custam a vida de bilhões de animais.

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Written by David Arioch

August 10th, 2017 at 8:11 pm

Jaime de Magalhães Lima e “O Vegetarismo e a Moralidade das Raças”

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Livro está à venda na Livraria Saraiva e na Amazon.com em versão digital

Sêneca, o intelectual romano a quem o escritor português Jaime de Magalhães Lima admirava, dizia, inspirado em Focion, que o homem precisa reconhecer a sua capacidade de encontrar alimentos sem o derramamento de sangue. Do contrário, a crueldade há de ser mantida como hábito, já que a prática da carnificina passa a ser primeiramente associada ao prazer do apetite.

“Acrescentava ele que é nosso dever limitar os materiais da luxúria. Que, todavia, a variedade de alimentos é nociva à saúde e não é natural ao nosso corpo. Se estas máximas [da escola de Pitágoras] são verdadeiras, então nos abstermos da carne dos animais é animar e promover a inocência; se mal fundadas, ensinam-nos ao menos a frugalidade e a simplicidade da vida. E que perdeis vós perdendo a nossa crueldade? Apenas vos privo do alimento dos leões e dos abutres”, cita Magalhães Lima. Depois de mais de um ano de abstinência de alimentos de origem animal, Sêneca disse que não apenas era fácil ser vegetariano, como delicioso. Alegou também que as faculdades do seu espírito se tornaram mais ativas.

É acostumar-nos a derramar o sangue humano degolar animais inocentes e ouvirmos sem piedade seus tristes gemidos. É desumanidade não nos comovermos com a morte do cabrito, cujos gritos tanto se assemelham aos das crianças, e comermos as aves a que tantas vezes demos de comer. Ah! quão pouco dista d’um enorme crime!, transcreve Magalhães Lima, fazendo menção a Ovídio.

Outro argumento que reforça o posicionamento do português em relação à abstenção de carne é o fato de que para ganhar sabor é preciso submetê-la a um processo de transformação. “Qualquer dama de mãos mimosas que trinca com delícia uma costeleta coberta de pão e embalsamada em louro, em cravo, em salsa, em cebola, pimenta e limão, empalidece de náusea sentindo o cheiro do açougue, considera imundície um pedaço de carne crua nos seus vestidos, e foge mais depressa da praça do peixe do que da montureira que aduba a horta”, critica.

Na perspectiva de Magalhães Lima, na cozinha vegetariana ocorre o oposto. O esmero e a perfeição consiste em conservar inalterável o sabor próprio de cada alimento. “Muitos e muitos [crianças] que seriam incapazes de roubar de qualquer salgadeira um grama de toucinho, não resistem à tentação de se aproveitarem do primeiro cacho de uvas que lhes esteja à mão. Os assaltos às hortas e pomares são frequentes, e de tal forma isso parece estar na ordem natural que grande número dos homens rudes não lhes associe nem de longe a noção do crime. Longos séculos de corrupção da dieta não conseguiram atrofiar essas tentações de uma antiguidade bíblica, as mesmas que desgraçaram Adão e Eva”, compara.

Para conhecer melhor o trabalho do escritor português Jaime de Magalhães Lima, recomendo que leiam o livro “O Vegetarismo e a Moralidade das Raças”, publicado originalmente em 1912, reeditado no Brasil em 2015, e disponível em versão digital na Livraria Cultura por R$ 5,90 e na Amazon.com por R$ 3,90.

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August 10th, 2017 at 8:03 pm

Será que os animais que matamos são capazes de nos ver como demônios?

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Foto: Saint Louis Today/Associated Press

Será que os animais que matamos são capazes de nos ver como demônios no instante final? Não sei, porque até nisso existe uma certa nobreza por parte dos animais não humanos mais comumente explorados.

Nobreza? E qual seria a nobreza? O fato de que é possível que os animais reduzidos a alimentos e produtos nem saibam o que são demônios.

Não duvido que sejamos os únicos seres vivos capazes de ver, idealizar ou conceituar demônios. Os outros não são como nós, e principalmente aqueles que morrem subjugados pela malícia e pelo desconhecimento da própria força aliada à inocência, talvez morram nos observando e quem sabe apenas se perguntando:

“Por que não posso viver? Por que terminei assim?” Ou não. Quem sabe, desvanecem simplesmente sem saber quem são e quem somos. Morrem confusos, como é natural da vida curta que finda.

 

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Written by David Arioch

August 9th, 2017 at 9:00 pm

Sobre a realidade dos animais usados como cobaias

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” Em muitos casos, uma porção do cérebro do animal é cortada e descartada”

Há experiências com animais que fazem parte da categoria comportamento e aprendizado. Nesse caso, animais usados como cobaias são submetidos a isolamento social, alimentar, desidratação severa e privação de sono que podem durar dias, semanas, meses ou anos. As pesquisas com animais que visam avaliar o comportamento e o aprendizado não humano normalmente são baseadas na abertura do crânio do animal ainda consciente e na instalação de elétrodos no cérebro.

Nesse ínterim, o cérebro da vítima é manipulado como um brinquedo. Em muitos casos, uma porção do cérebro do animal é cortada e descartada; e ele é obrigado a encontrar alguma saída em um labirinto, por exemplo, mesmo incapaz de reagir naturalmente. Também é mantido sobre plataformas por dias, mas como sempre há água embaixo, o animal evita dormir com medo de cair e morrer afogado. Somente depois de muitos episódios de vivissecção que culminam em traumas extremos, ele entra em estado vegetativo. Como já não responde satisfatoriamente aos estudos, é descartado como lixo.

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Até uma pessoa se tornar vegana, dificilmente ela vai entender a perspectiva de um vegano

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Afirmo isso porque eu mesmo quando era vegetariano não tinha a consciência de um vegano

Até uma pessoa se tornar vegana, dificilmente ela vai entender em essência a perspectiva de um vegano. Isso não é preconceito, é um fato. Afirmo isso porque eu mesmo quando era vegetariano não tinha a consciência de um vegano. Você pode se esforçar para entender algo, e isso é louvável, mas há coisas que você só é capaz de entender em profundidade se experienciar honestamente. Falo isso porque é o que acontece naturalmente com todo mundo que se torna vegano. Uma pessoa pode se esforçar para entender como um vegano pensa em relação à exploração animal e todo o resto, mas ainda assim não terá o mesmo entendimento se não partilhar da mesma consciência e sensibilidade. Conheço muita gente que diz entender o veganismo, mas ao mesmo tempo reproduz discursos claramente antropocêntricos e especistas.

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Written by David Arioch

August 8th, 2017 at 4:33 pm