David Arioch – Jornalismo Cultural

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Joaquin Phoenix: “Quando somos tocados pelo sofrimento dos animais, aquele sentimento fala bem de nós”

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“Os animais passavam de uma criatura viva e vibrante, lutando pela vida, para uma morte violenta”

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Joaquin Phoenix é vegano desde os três anos (Foto: Getty Images/David Buchan)

O ator Joaquin Phoenix, indicado três vezes ao Oscar, e também muito conhecido como o narrador de um dos documentários mais controversos sobre a exploração animal – Earthlings (Terráqueos), tinha três anos quando se tornou vegano. Em entrevista publicada pela Cover Media em 28 de novembro de 2013, o ator contou que ele e sua família saíram para pescar quando ouviram um peixe se contorcendo e se chocando contra o barco.

“Isso era o que fazíamos para comê-los. Os animais passavam de uma criatura viva e vibrante, lutando pela vida, para uma morte violenta. Reconheci isso, assim como meus irmãos”, relatou em entrevista publicada pela Animal Liberation Front em 14 de novembro de 2006.

Naquele dia, Joaquin e seus irmãos disseram aos seus pais que nunca mais comeriam carne novamente, e foi o que fizeram. “Por que você não disse de onde veio a carne?”, questionou sua mãe à época. Sem saber o que dizer, ela começou a chorar. Com o passar do tempo, ele percebeu que muita gente achava que veganos eram pessoas que praticavam rituais bizarros e que tinham que seguir algumas regras e estilo de se vestir – como se fossem parte de uma seita.

Apesar da incompreensão das pessoas no passado, os direitos animais se tornaram parte de sua vida cotidiana, porque, segundo ele, quando você vive pelo exemplo, naturalmente se cria um certo nível de consciência. Prova disso é que até mesmo amigos com quem ele nunca discutiu sobre vegetarianismo acabaram por adotar uma dieta livre da exploração animal.

“Meu estilo de vida é parte de quem sou e, portanto, algo a se considerar em meu trabalho. Sempre discuto isso com os produtores, e eles são muito complacentes. Há tantas opções livres de crueldade. As pessoas seriam tolas de não aproveitar isso. Também é fácil trabalhar com computadores e animatronics em vez de animais, e isso faz a diferença também. A tecnologia nos permitiu recriar animais – como os tigres em ‘Gladiador’ [filme em que ele interpreta o vilão Cômodo]”, relatou à ALF.

Joaquin Phoenix se recordou que na metade da década de 1990 era estranho ser praticamente o único ator a contestar o uso de peles e a pedir alimentos veganos. “Hoje é diferente. Em todos os lugares onde vou, encontro bons pratos vegetarianos”, comemorou. Entre os seus alimentos preferidos estão tofu e tabule. Ele nunca se interessou em consumir imitações de carne. Também disse que durante muito tempo usou apenas tênis Converse All-Star Canvas porque era difícil encontrar calçados veganos. “Agora parece que a maioria dos sapatos são sintéticos”, comentou à Animal Liberation Front.

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Phoenix em campanha contra o uso de lã (Arte: Peta)

Em outra entrevista, publicada em 13 de novembro de 2014 na Playboy, Phoenix contou não é preciso mais pedir comida vegetariana nos sets de filmagem, porque isso já se tornou comum em praticamente todos os grandes estúdios. “Posso fazer um sanduíche, uma salada e macarrão, mas não sou um bom cozinheiro”, admitiu.

Em 2016, ele foi um dos grandes apoiadores da campanha Be Fair, Be Vegan (Seja Justo, Seja Vegano) e, explicou que a iniciativa teve como objetivo a conscientização sobre nossas atitudes especistas em relação aos animais, estimulando as pessoas a verem que nossas semelhanças com os animais não humanos são muito mais profundas do que julgamos. “Agora, mais do que nunca, o mundo precisa dessa mensagem”, enfatizou em declaração publicada em diversos veículos de comunicação dos Estados Unidos.

Entre as muitas campanhas que tiveram a participação voluntária do ator hollywoodiano, uma das mais recentes e que teve boa repercussão é “Joaquin Phoenix is drowning”, da organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta). No vídeo, ele aparece sob a água, e o espectador pode perceber o pânico e o terror em seus olhos –  o que representa a forma como os peixes se sentem antes de morrer. Além disso, a intenção é alertar sobre a morte de mais de um trilhão de peixes por ano, consequência da pesca indiscriminada, que além de gerar sofrimento aos animais, tem causado impactos ambientais.

“Os animais exóticos são em sua maioria desconhecidos por nós, assim como o seu sofrimento antes de serem transformados em cintos e bolsas. Todos os anos, milhões de répteis são abatidos para que bolsas, cintos e calçados sejam feitos de suas peles. O bem-estar dos animais não é uma preocupação para aqueles que caçam e comercializam suas peles”, criticou na campanha “Skin Horrors”, da Peta, lançada em 2013. No curta, ele pede que as celebridades parem de usar peles de animais, principalmente de jacarés, lagartos e cobras.

Joaquin Phoenix estrelou outra campanha da Peta no final de 2016, depois de assistir filmagens que mostram a realidade das ovelhas nas fazendas de produção de lã. No vídeo, ele alerta sobre o fato de que não existe uma forma humana de extrair lã. “A única opção é não usar lã”, ponderou.

O curta foi estrategicamente lançado após a denúncia de que trabalhadores da indústria de lã australiana estavam dando socos e chutes em ovelhas, além de feri-las com cortadores elétricos. O que também é apontado como agravante dessa violência é o fato de que os trabalhadores desse ramo recebem por volume de corte, não por hora de serviço.

Na campanha intitulada “Walmart Cruelty”, Joaquin Phoenix aparece em um vídeo mostrando a origem da carne de porco comercializada pela rede Walmart. “Porcas grávidas são confinadas em caixas imundas de metal, são pouco maiores do que seus próprios corpos, e cada momento é como o inferno na Terra”, lamentou.

Em 2005, o diretor Shaun Monson conseguiu convencer Phoenix a narrar o documentário Earthlings porque, segundo ele, o ator era a pessoa ideal para a função. “Nós chegamos como senhores da terra, com estranhos poderes de terror e misericórdia. O ser humano devia amar os animais como o experiente ama o inocente, e como o forte ama o vulnerável. E quando somos tocados pelo sofrimento dos animais, aquele sentimento fala bem de nós, mesmo se o ignoramos. E aqueles que dispensam o amor pelas outras criaturas, como o puro sentimentalismo, ignoram uma parte importante e boa da humanidade. Mas nenhum humano vai perder nada ao ser gentil com um animal. E, na verdade, faz parte de nosso propósito dar-lhes uma vida feliz e longa”, narra Joaquin Phoenix no final de Earthlings.

Saiba Mais

Nascido em San Juan, Porto Rico, em 28 de outubro de 1974, Joaquin Phoenix é irmão dos atores River Phoenix (falecido em 1993), Rain Phoenix, Summer Phoenix e Liberty Phoenix.

Referências

https://sg.news.yahoo.com/joaquin-phoenix-recalls-vegan-choice-003000101.html

http://www.animalliberationfront.com/Saints/Interviews/JoaquinPhoenix.htm

http://www.playboy.com/articles/playboy-interview-joaquin-phoenix

http://www.alternet.org/food/be-fair-be-vegan-most-ambitious-animal-justice-campaign-ever-launched-new-york

http://www.peta.org.uk/blog/watch-joaquin-phoenix-reacts-petas-wool-expose/

http://features.peta.org/joaquin-phoenix-is-drowning/

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Written by David Arioch

March 14th, 2017 at 9:00 pm

Peter Cushing, do cinema de terror para a Sociedade Vegetariana

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“Amo os animais, e quando estou no país [Inglaterra], sou um dedicado observador de pássaros”

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Peter Cushing na franquia “Frankenstein” (Foto: Reprodução)

O ator britânico Peter Cushing foi um dos maiores nomes do cinema de terror, além de um dos artistas mais celebrados da Hammer Films, produtora que lançou clássicos como “Dracula”, “The Mummy” e a franquia Frankenstein, iniciada com “The Revenge of Frankenstein”.

Cushing sempre contracenava com outros nomes de peso da arte cinematográfica, como Christopher Lee e Vincent Price. Embora interpretasse muitos personagens incomuns, enigmáticos e assustadores, Cushing era um sujeito bastante agradável, educado e que gostava tanto de animais que abdicou do consumo de carne na juventude.

“As pessoas olham para mim como se eu fosse algum tipo de monstro, mas não consigo entender o porquê. Em meus filmes macabros, fui um criador de monstros ou um destruidor de monstros, mas nunca um monstro. Na realidade, sou um camarada gentil. Nunca prejudiquei uma mosca. Amo os animais e, quando estou no campo, sou um dedicado observador de pássaros”, disse em entrevista publicada na ABC Film Review em novembro de 1964.

De acordo com informações do livro “Living Without Cruelty”, de Lorraine Kay, entre as comidas preferidas do ator britânico estavam torradas de pão integral com Olde English Marmalade. Em 1965, ele interpretou o inesquecível Dr. Who em “The Dr. Who and the  Daleks”. Em 1977, viveu o personagem Grand Moff Tarkin, comandante da “Estrela da Morte” no filme “Star Wars Episode IV: A New Hope”.

Em 1966, o ator britânico revelou novamente o seu incômodo em ser confundido com seus personagens, o que na realidade era uma consequência dele ter participado de muitos filmes de terror: “Fico terrivelmente cansado com as crianças do bairro dizendo: ‘Minha mãe diz que ela não gostaria de encontrá-lo em um beco escuro.’”

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Cushing como o professor Van Helsing (Foto: Reprodução)

Em 1971, Peter Cushing perdeu sua esposa Violet Helene Beck, o que provavelmente foi a maior perda de sua vida, deixando-o inconsolável. Em 1982, foi diagnosticado com câncer de próstata, mas optou por não fazer nenhum tratamento agressivo. Em 1987, o ator recebeu um convite para assumir a função de patrono da Vegetarian Society (Sociedade Vegetariana), sediada em Manchester, na Inglaterra. Assumiu o cargo orgulhosamente até 11 de agosto de 1994, quando faleceu aos 81 anos.

“Um vegetariano apaixonado a maior parte de sua vida. Peter Cushing será lembrado como um homem de fala mansa e gentil. Ele amava os animais selvagens e era um dedicado ornitologista. Quando sua esposa faleceu em 1971, ele sentiu que sua vida também acabou. Sua autobiografia, publicada somente 15 anos depois, não faz menção à sua vida após a morte de Helena. Em 11 de agosto de 1994, depois de uma longa doença que ele carregou com característica dignidade, ele se juntou a ela. Seus amigos vão sentir falta de seu deslumbrante intelecto e sagacidade. Sua vida, pela qual damos graça, é um bom testemunho do vegetarianismo. Estamos orgulhosos de ter Peter Cushing como nosso patrono”, publicou a Vegetarian Society no jornal “The Vegetarian” em 1994.

Saiba Mais

Peter Cushing nasceu em 26 de maio de 1913 em Kenley, Surrey, na Inglaterra.

Em 2016, 22 anos após sua morte, Cushing apareceu em “Rogue One: A Star Wars Story”, novamente como Grand Moff Tarkin, por meio do uso de CGI.

Sua carreira como ator começou em 1939 e terminou em 1986.

A Vegetarian Society é a entidade vegetariana mais antiga ainda em atividade. Ela foi fundada em 30 de setembro de 1847.

Referências

Gullo, Christopher. In All Sincerity, Peter Cushing. XLIBRIS (2004).

Kay, Lorraine. Living Without Cruelty. Sidgwick & Jackson Ltd; 1st edition (1990).

http://web.archive.org/web/19981205075607/www.vegsoc.org/HQdata/cushing.html

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James Cromwell: “Não temos o direito de usurpar o destino de qualquer ser senciente”

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Para o ator e produtor, o veganismo é a melhor forma de ajudar os animais

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“Fazer o filme ‘Babe’ abriu meus olhos para a inteligência e personalidade curiosa dos porcos” (Foto: Divulgação)

O ator e produtor James Cromwell, mais conhecido como o fazendeiro Arthur Hoggett, do filme “Babe”, que, a partir da história de um porquinho, fez muita gente se questionar sobre a forma como nos relacionamos com os animais, se tornou vegetariano em 1975 e vegano em 1995. Em entrevista ao TakePart em 27 de dezembro de 2011, ele explicou que a experiência ao trabalhar com muitos animais o levou a aderir ao veganismo.

“Fazer o filme ‘Babe’ abriu meus olhos para a inteligência e personalidade curiosa dos porcos. Eles possuem uma incrível capacidade de amar, sentir alegria e tristeza, o que os torna muito semelhantes aos nossos amigos caninos e felinos”, disse. Quando interpretou Hoggett, ele percebeu que estava interpretando um homem com a capacidade de ver os animais como seres sencientes, como se fosse o seu próprio destino tornar-se vegano. A aspiração do fazendeiro foi partilhada pelo próprio ator que teve a oportunidade de encarar de frente os fatos que o levaram a uma nova transição.

Em entrevista a Mike Pearl, da Vice, em 6 de agosto de 2015, ele contou que na última cena de ‘Babe’, quando ocorre uma competição de suínos, um porquinho foi colocado em um grande campo, e ficou lá observando o céu azul, a grama verde e o mar. Foi como se o suíno dissesse: “Não quero nada disso. Vou cair fora”, e saiu correndo. Um monte de homens o seguiu para capturá-lo. Como testemunha, James Cromwell riu e aprovou a ação do porquinho, não imaginada pela produção.

Para o ator veterano, que começou a carreira em 1974, “Babe” é um filme sobre o que fazemos com os outros para nos classificar, para colocar animais não humanos em categorias que assegurem nosso senso de direito, posição e poder. “O porquinho questiona isso e encontra uma consciência receptiva do fazendeiro Hoggett”, argumentou à Vice. Porém, nem todo mundo entendeu isso, tanto que ‘Babe’ acabou sendo banalizado como um filme para crianças, segundo Cromwell. De acordo com o ator, se você sente que as pessoas precisam entender o que existe de errado em relação à cultura em que estão inseridas, e isso desnecessariamente custa a vida dos animais, é preciso mostrar o que eles não querem ver, já que nem sempre as pessoas são tocadas por uma abordagem mais sutil.

No filme “Babe”, um dos momentos de revelação surge quando o fazendeiro Hoggett encontra suas ovelhas mortas. Sua reação instantânea é pegar a espingarda e se preparar para atirar em Babe. No entanto, como se já imaginasse que estivesse cometendo um equívoco, ele não atira, provavelmente porque já não vê mais o porquinho como antes, despertando para um novo princípio de empatia. “Ele tem a oportunidade de reajustar sua perspectiva e aprender alguma coisa. Se você se permitir, podemos chegar a mesma conclusão, porque não temos o direito de usurpar o destino de qualquer ser senciente para beneficiar nossas próprias necessidades e interesses”, declarou James Cromwell a Mike Pearl.

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“Estamos aqui para tomar conta deles porque eles não podem tomar conta de si mesmos” (Foto: RE/Westcom/Starmaxinc)

A transição do ator para o vegetarianismo ocorreu em 1975, logo depois que ele percorreu o Texas de moto e observou como viviam os animais em confinamento. “Isso é realmente uma porcaria. Não posso fazer parte disso”, refletiu à época. Depois que retornou da Austrália, após a finalização de “Babe”, Cromwell se viu na obrigação de fazer algo pelos direitos animais. Então se envolveu com a organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) e iniciou uma jornada de campanhas em favor dos animais.

Ele atuou no resgate de muitos animais, narrou documentários sobre a exploração animal, incluindo “Farm to Fridge”, de 2011, e ajudou santuários. Na visão de Cromwell, negar a um animal o direito à vida e à autodeterminação é uma agressão contra o planeta e todos os seres sencientes. Para o ator, o veganismo é a melhor forma de ajudar os animais. Contudo, ele sugere que quem tem dificuldades ou receio em fazer a transição comece diminuindo os ingredientes de origem animal em uma refeição por dia, depois aumentando para um dia da semana. Mais tarde, uma semana, um mês…até adotar definitivamente essa filosofia de vida. ”Trabalhe seu caminho para não consumir animais e produtos animais, informe-se. É muito fácil. Esse processo começa com a sua consciência”, ponderou ao TakePart.

O ator estadunidense considera equivocado o uso de palavras como to own (possuir) e pet (animal de estimação) em referência aos animais que mais convivem com os humanos, porque, na sua perspectiva, ninguém pode possuir outra criatura. Ele justificou que esse conceito foi desenvolvido nos séculos 15 e 16 na Inglaterra, e provavelmente em outros lugares onde pessoas e animais foram expulsos de suas terras para que outros pudessem criar e normatizar uma estrutura de comércio e preços para tudo, inclusive vidas.

James Cromwell falou ao TakePart que qualificar os animais como simplesmente de estimação tem uma conotação de que somos superiores e que eles são inferiores, dando a ideia de que devem se submeter a nós. “Estamos aqui para tomar conta deles porque eles não podem tomar conta de si mesmos. São animais de companhia. Tenho usado o veganismo como uma maneira de tentar elevar o nível de conscientização sobre o sistema vigente. Temos fazendas industriais e bilhões de animais são mortos nesses lugares”, queixou-se. O que facilita a naturalização disso tudo é que é muito fácil consumir alimentos de origem animal de forma inconsciente, ou seja, quando não se tem contato com o sistema de produção.

Outra preocupação de Cromwell são os cavalos de corrida que são enviados aos matadouros do Canadá e do México quando não geram mais lucros aos seus “donos”. Por causa disso, o ator começou a se empenhar na criação de projetos de fundo de aposentadoria para esses animais que geraram tantos lucros aos seres humanos, o que permite que eles se aposentem e vivam seus últimos anos de vida em santuários, em vez de serem abatidos e reduzidos à carne de cavalo. “Fiz um filme chamado ‘Secretariat’, e uma das minhas queridas amigas do movimento animal, Karen Dawn, disse: ‘Você sabe alguma coisa sobre corrida de cavalos?’ Eu disse que não, e comecei a conversar com as pessoas, principalmente com jóqueis”, revelou.

Ao TakePart, James Cromwell relatou que uma corrida de cavalos tem 8, 10 ou 12 cavalos. E como não são todos os animais que vencem as corridas, muitos dos animais amargam uma triste realidade que envolve abusos, negligência e morte. “Além do fato de que corridas de cavalos são incrivelmente perigosas para cavalos e jóqueis. Há centenas e centenas de cavalos que são mortos. É preciso uma oportunidade para pegar esses cavalos que tenham cumprido seu papel e salvá-los do seu fim; dar a eles um lugar para viver”, defendeu.

 Saiba Mais

James Cromwell, que já participou de mais de 200 produções entre teatro, cinema e TV, nasceu em Los Angeles, na Califórnia, em 27 de janeiro de 1940.

Referências

http://www.takepart.com/article/2011/12/27/james-cromwell-you-dont-own-another-creature

https://www.vice.com/en_us/article/babe-is-20-years-old-so-is-star-james-cromwells-animal-rights-crusade-382

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Written by David Arioch

March 4th, 2017 at 8:57 pm

Brigitte Bardot: “Os animais são nossos amigos, e nós não comemos nossos amigos”

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“O que mais me frustra é que não há direitos animais. Os animais não têm direitos”

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Em 1973, no auge da carreira, a famosa atriz francesa Brigitte Bardot, que estrelou 47 filmes, anunciou a sua aposentadoria do cinema. E foi assim, aos 39 anos, que ela iniciou uma nova vida como ativista dos direitos animais.

Em entrevista ao jornal britânico The Guardian em 10 de julho de 2015, ela contou que quando descobriu a verdade sobre a realidade da exploração animal, tornou-se evidentemente óbvio para ela, e até mesmo indispensável, colocar um fim em sua carreira. “Que era somente brilho e vaidade, para que eu pudesse me dedicar a esta causa urgente”, justificou.

Em entrevista publicada pelo tabloide Daily Mail em 2 de novembro de 2014, Brigitte relatou que a fama não a satisfazia mais, e que seu amor pelos animais deveria ser expressado oficialmente. “Jamais olhei para trás. Nasci com o amor pelos animais. Não tive nenhum perto de mim na minha infância porque estávamos em guerra, e a vida em Paris era muito difícil”, declarou. A experiência a marcou tanto que ela jamais suportou o som de fogos de artifícios ou trovões, porque remetem às lembranças dos bombardeios.

O que Brigitte Bardot nunca deixou de destacar como realmente positivo em relação à sua fama é o fato de ter condições de conseguir ajuda de pessoas do mundo todo. Em 1986, ela leiloou seus bens para criar a Fondation Brigitte Bardot, para o bem-estar e proteção dos animais. “Resgatei cães e gatos de rua durante toda a minha vida, mas quando comecei a fundação, minha intenção já era fazer muito mais do que isso. Meu objetivo é proteger todos os animais selvagens ou de estimação da França e do exterior. Comecei pequena. Tive que aprender tudo sobre proteção dos animais – as leis, a organização de instituições de caridade, a gestão, e as obrigações de saúde e segurança”, enfatizou ao Daily Mail.

Ao longo da trajetória como defensora dos animais, ela encontrou muitos obstáculos, principalmente porque, segundo ela, há um grande número de pessoas insensíveis ao sofrimento dos animais, pelos quais elas têm profundo desprezo. “Elas os consideram objetos de lucro ou carne sobre pernas”, queixou-se à jornalista Liz Jones, do Daily Mail.

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Bardot é vegana, assim como seu marido Bernard d’Ormale, e seus amigos mais próximos. Para a ativista, comer a carne dos animais é semelhante ao canibalismo. “Passamos a proteger uma espécie somente quando ela está quase extinta, o elefante africano e o rinoceronte, por exemplo. Há uma necessidade urgente de protegê-los porque os rebanhos estão sendo massacrados. Mas [como sempre] soamos o alarme apenas quando é muito tarde”, lamentou.

Muitas vezes acusada de incitar ódio racial por causa de seus comentários sobre abate ritual de animais, ela nunca se arrependeu de nada que tenha dito ou escrito sobre o assunto. “Já fui ameaçada muitas vezes por caçadores, açougueiros que vendem carne de cavalo e assassinos de focas. Mas ainda estou viva!”, revelou a Liz Jones.

Brigitte Bardot tem entre suas mais importantes bandeiras, a luta pelo fim do abate halal (islâmico) e kosher (judaico) de bovinos, além do banimento do consumo de carne de cavalo. “Depois de 30 anos, minha fundação ganhou muitas batalhas pequenas, mas ainda estamos esperando pelas grandes vitórias que dependem do governo, e ele não nos concederá, infelizmente”, lamentou em entrevista à ativista Lauren Kearney, do site Respect and Connect, publicada no Huffington Post em 26 de abril de 2016.

Para alcançar seus objetivos, Brigitte passa o dia escrevendo cartas para ministros de governo, chefes de estado estrangeiros, prefeitos e altos funcionários públicos. “Também cuido dos meus animais – tenho quase 50 cavalos, burros, pôneis, cabras, ovelhas e porcos – todos salvos de abatedouros”, confidenciou. Ela também é responsável por gatos, galinhas, gansos, patos e cães resgatados.

Questionada por Liz Jones, do Daily Mail, se é mais difícil envelhecer quando se foi um grande exemplo de beleza na juventude, ela explicou que não tem tempo nem desejo de olhar para o próprio umbigo. Maior reflexo disso é que Brigitte Bardot não tem hora para almoçar. “Apenas como um pedaço de chocolate ou alguma fruta. O almoço me faz perder tempo”, argumenta.brigitte-bardot-with-seal

Embora dedique muito tempo à fundação, ela não vê com bons olhos a questão dos direitos animais. “O que mais me frustra é que não há direitos animais. Os animais não têm direitos”, desabafou à Lauren Kearney, do Respect and Connect. Apesar de tudo, Brigitte segue tentando pressionar governos do mundo todo a criarem leis mais compassivas em defesa dos animais.

Durante a entrevista, Lauren pediu que Bardot enviasse uma mensagem ao mundo. Em uma frase curta, que lembra muito o que foi dito pelo escritor irlandês e vegetariano George Bernard Shaw, ela disse: “Os animais são nossos amigos, e nós não comemos nossos amigos.”

Uma de suas lutas mais antigas é contra a indústria de peles, considerada por Brigitte como uma indústria da morte e do sofrimento. “Diante dessa normalização da crueldade, devemos reagir. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, publicada em 10 de julho de 2015, perguntaram o que ela diria ao conceituado designer de moda alemão Karl Lagerfeld, radicado em Paris e conhecido por defender o uso de animais na indústria da moda, alegando que eles também são explorados para consumo.

“Duvido muito que Karl Lagerfeld come muitos visons, raposas ou chinchilas. É importante não misturar as coisas. Cada batalha deve ser travada em seu próprio direito. A criação de animais para a extração de sua pele é absolutamente terrível”, ponderou. Acusada de já ter usado as roupas de Lagerfeld, Brigitte Bardot rebateu que leva a vida de uma pessoa do campo, então não vê como seria possível que ela usasse algo da grife do alemão enquanto alimenta as cabras sob sua tutela.anotherbb

“Tenho respeito por Lagerfeld enquanto homem, mas teria muito mais se ele, por sua vez, respeitasse os animais. Não vivemos no mesmo mundo. Ele se inclina para o seu gato, mas não se importa com todos os animais que são sacrificados para suas coleções, pela mais fútil e vulgar das modas. Pele não é luxo. É uma indústria de morte e sofrimento. Devemos boicotar casacos de pele, assim como todos os acessórios [feitos com material de origem animal]. É inacreditável que temos que lutar por algo que deveria ser óbvio para todos”, protestou ao The Guardian.

A sua batalha para proteger as focas abatidas pela indústria da pele é considerada uma das mais simbólicas da luta pelos direitos animais na Europa. “Igualmente, conseguimos obter sucesso na proibição de venda de pele de gato e de cachorro na Europa. No entanto, essa proibição deve ser estendida a todas as espécies. Pele é somente para o uso do animal que a possui. Orgulho, estupidez ou simplesmente ignorância permitiram que essa tendência sobre a exploração leal de peles de animais florescesse mais uma vez”, criticou em entrevista ao The Guardian.

Indagada pela jornalista Liz Jones, do Daily Mail, sobre o motivo do ser humano ter tão pouca compaixão pelos animais, ela respondeu: “O homem não evoluiu. Ele permanece fundamentalmente cruel e bárbaro, mesmo quando ele pensa que mudou.”

Saiba Mais

Brigitte Bardot nasceu em Paris em 28 de setembro de 1934 e começou a conquistar fama internacional em 1957 com o filme “E Deus Criou a Mulher”, do cineasta francês Roger Vadim. Na sequência, vieram “Amar é a Minha Profissão”, “A Verdade”, “O Desprezo” e “Viva Maria!”. Os cinco são considerados os filmes mais importantes da sua carreira artística.

Segundo a revista Time, a ex-atriz é uma das cem pessoas mais influentes da história da moda.

Referências

https://www.theguardian.com/fashion/2015/jul/10/brigitte-bardot-i-couldnt-wear-lagerfeld-while-feeding-my-goats

http://www.dailymail.co.uk/home/you/article-2815676/Brigitte-Bardot-ve-victim-image.html

http://www.huffingtonpost.com/lauren-kearney/interview-with-brigitte-b_b_9771702.html

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Written by David Arioch

February 5th, 2017 at 10:28 pm

Argento: “Sou vegetariano porque não quero que ninguém morra para que eu possa me alimentar”

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1999: DARIO ARGENTO, FILM DIRECTOR

Dario Argento: “Há muitos insetos que estão desaparecendo, sendo extintos” (Foto: Reprodução)

Assim como Mario Bava, o cineasta e escritor italiano Dario Argento é um dos expoentes do gênero literário e cinematográfico giallo. Para ter uma ideia da importância do trabalho dele, gêneros como slasher, popularizado por filmes como “A Hora do Pesadelo”, “Halloween”, “Sexta-Feira 13” e “O Massacre da Serra Elétrica” foram inspirados em suas obras. Mas o que pouca gente sabe é que Dario Argento é vegetariano desde a juventude:

“Phenomena foi inspirado em algo que ouvi sobre insetos serem usados para resolver crimes, e como insetos sempre me fascinaram, comecei a criar uma história em torno dessa ideia. Você sabe, é uma coisa terrível, mas há muitos insetos que estão desaparecendo, sendo extintos. Mas a maioria das pessoas querem matá-los. Acredite, insetos também têm almas.

Eles são telepatas extraordinários. Pessoas pensam em salvar baleias e golfinhos, mas ninguém quer salvar os insetos. Penso diferente. Sou vegetariano porque não quero que ninguém morra para que eu possa me alimentar.”

Excertos do livro “Dario Argento: The Man, The Myths & The Magic”, de Alan Jones, publicado em 2015 pela editora FAB Press.

Para quem quiser conhecer o trabalho de Dario Argento, sugiro que comece por um de seus maiores clássicos – Suspiria, de 1977.

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A deep relationship with cinema

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The Kid, American silent film comedy-drama, released in 1921 (Photo: Copy)

I have had a deep relationship with cinemas since my earliest years. When I was five years old, I was in front of the TV, next to my father. It was one of those TVs with a wooden box. I was mesmerized watching a child running and throwing stones at a windowpane, accompanied by a man with a mustache. “That was The Tramp”, my father said.

Then, I asked him: “Why is he throwing stones at the glass? The woman in the house is going to be sad. Will she have money to buy another glass? “My dad just kept laughing and told me to pay attention to the characters’ motivation and the scenario.

That’s when I understood why silent movies were silent, and why the aesthetics make so much difference, especially in art film. He was not mute only because of technological limitations, but because he instilled in the human being the ability to seek answers that could not be given in words. Children of my age loved kid movies and cartoons, me too. But not only that. I loved the films of Charles Chaplin, Harold Lloyd, Buster Keaton, and Stan Laurel and Oliver Hardy.

In front of them, the absence of dialogues did not exist in my noisy child mind. The sounds swirled inside me. The movies had no color, perhaps, for others, not for me who always saw light in the sky, on the ground, and even in the darkness of the characters. “There’s no color there, let’s watch Dungeons and Dragons,” my friend Fabiano said one day. I answered: “Yes, it does! But it only exists if you want it to exist. “That day we slept after watching “City Lights”, twice.

Written by David Arioch

December 19th, 2016 at 11:08 am

Palestra sobre o papel do negro no cinema

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Fui convidado pelo Sesc para dar uma palestra para professores hoje à tarde no Seminário Multidisciplinar – Diversidade Étnico Racial, Indígena e Cigana no Núcleo Regional de Educação de Paranavaí. Fazia mais de dois anos que eu não dava uma palestra sobre cinema, e hoje fui até lá para falar sobre o papel do negro no cinema brasileiro ao longo da história. Foi uma experiência muito rica e interessante. Me trouxe muitas lembranças dos cinco anos em que ajudei a coordenar o Projeto Mais Cinema. Uma vez por semana, após a exibição dos filmes, eu fazia uma análise e discutia a obra com o público.

Written by David Arioch

December 6th, 2016 at 12:53 am

Jean Vigo, um dos cineastas que mais me emocionou

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Jean Vigo faleceu com apenas 29 anos em decorrência de tuberculose (Foto: Reprodução)

Jean Vigo, um dos cineastas que mais me emocionou, é praticamente desconhecido por quem não conhece o realismo poético, o cinema francês pré-nouvelle vague. Houve uma época da minha vida que fiquei tão imerso em suas obras que assisti tudo que ele produziu e comprei todos os livros de referência sobre a sua vida.

Lembro que me comprometi em escrever sobre ele, mas fiquei tão comovido que acabei fazendo justamente o oposto – nada. Até hoje, não escrevi nada sobre ele. Me senti mal mesmo pelo seu trágico final. Jean Vigo era um sonhador, morreu com 29 anos e não teve nenhum tipo de reconhecimento em vida.

Aquilo me surpreendeu sobremaneira. Quando terminei de assistir e de ler tudo que encontrei sobre ele, refleti: “Sim, Jean Vigo era um artista intenso, e por isso vocês não podem resumi-lo a quatro obras e dizer que aquilo era o que ele tinha a oferecer ao mundo. O cara estava apenas começando. Ele exalava vida, sublimidade, alegorias, simbologias, lirismo. Em seu tempo, era o mais genuíno dos poetas do cinema francês, Ademais, quem exala vida não poderia morrer dessa forma.”

Ele deixou trabalhos promissores, que provavelmente teriam revolucionado muito mais o cinema. Vigo faleceu depois de lançar “L’Atalante”. Este filme, que marcaria o princípio da sua carreira profissional, a sua própria estilística cinematográfica, foi eleito um dos melhores da história do cinema em algumas pesquisas.

O mais paradoxal disso tudo é que “L’ Atalante”, que narra uma história de amor e seus conflitos, passou por modificações, alterações que não foram feitas nem desejadas por ele. Logo é uma obra descaracterizada, não fidedigna. Sim, Vigo está ali, mas não puramente ou tão liricamente. Não se mexe em um poema audiovisual. Isso é obliteração.

Vigo influenciou outro de meus cineastas preferidos – François Truffaut, que eternizou uma das mais belas cenas do cinema – aquela em que os estudantes correm pelas ruas de Paris e são acompanhados pela câmera, num dos momentos mais bucólicos e eletrizantes de “Les 400 Coups”. Esta referência vem do primeiro filme ficcional de Vigo. intitulado “Zéro de conduite”.

O jovem Jean Vigo viveu intensamente, mas não colheu os frutos de seu trabalho. No leito de morte, foi tratado como um ninguém, um pária. Morreu da mesma forma que nasceu, como um rejeitado, um injustiçado indesejado em um mundo já conturbado e ensoberbado. Acabou vitimado por uma tuberculose que o perseguia desde a infância, gestada no seio das precárias condições de vida.

Apesar de tudo, é curioso reconhecer como somos capazes de mergulhar na vida de uma pessoa com quem nunca tivemos contato direto. É o poder da arte. O tempo passou, mas sinto como se Vigo ainda fosse muito real, e continuasse exalando vida, vivendo imaterialmente, mesmo que ele tenha partido em 5 de outubro de 1934.

Written by David Arioch

December 4th, 2016 at 4:45 pm

Uma profunda relação com o cinema

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"O Garoto", lançado por Chaplin em 1921, foi o primeiro filme que me chamou a atenção (Foto: Reprodução)

“O Garoto”, lançado por Chaplin em 1921, foi o primeiro filme que me chamou a atenção (Foto: Reprodução)

Tenho uma profunda relação com o cinema desde os meus primeiros anos de vida. Aos cincos anos, eu estava diante da TV, ao lado do meu pai. Era um daqueles televisores com caixa de madeira. Fiquei hipnotizado assistindo uma criança correndo e atirando pedras em uma vidraça, acompanhada de um homem com um bigodinho. Aquele era o Carlitos, disse meu pai.

Então perguntei: “Por que ele tá tacando pedra no vidro? A mulher da casa não vai ficar triste? Será que ela vai ter dinheiro pra colocar outro?” Meu pai ficou rindo e disse pra eu prestar atenção também na motivação dos personagens e no cenário.

Foi quando entendi porque o cinema mudo era mudo e porque a estética faz tanta diferença, principalmente no cinema de arte. Ele não era mudo apenas por limitações tecnológicas, mas porque instigava no ser humano a capacidade de buscar respostas que não poderiam ser dadas com palavras. Crianças da minha idade adoravam desenhos e filmes infantis, eu também. Mas não somente isso. Eu amava os filmes de Charles Chaplin, Harold Lloyd, Buster Keaton, e Stan Laurel e Oliver Hardy.

Diante deles, a ausência de diálogos inexistia diante da minha mente ruidosa de criança. Os sons pululavam dentro de mim. Os filmes não tinham cor, talvez para os outros, não pra mim que sempre via luz no céu, na terra e até na escuridão dos personagens. “Isso aí não tem cor, vamos assistir Caverna do Dragão”, disse meu amigo Fabiano um dia. Respondi: “Tem sim! Mas ela só existe se você quiser que ela exista.” Naquele dia, dormimos depois de assistir “Luzes da Cidade” duas vezes.

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Written by David Arioch

December 4th, 2016 at 4:33 pm

Quando Antunes Filho chocou o Brasil

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compasso

Zózimo Bulbul, o primeiro homem negro a beijar uma mulher branca no cinema nacional (Foto: Reprodução)

Antunes Filho chocou o Brasil em 1969 quando deu ao ator Zózimo Bulbul um grande papel no filme “Compasso de Espera”. Na obra, Zózimo beija uma mulher branca. Aquela foi a primeira vez que os brasileiros viram um homem negro beijando uma mulher branca em um filme nacional. A obra gerou tanta comoção que descortinou a propaganda do Brasil como um país onde supostamente se vivia a democracia racial.

Written by David Arioch

November 24th, 2016 at 10:35 pm