Archive for January, 2017
Considerações de Jello Biafra sobre o ativismo vegano
Li uma antiga entrevista do músico e ativista político estadunidense Jello Biafra que me fez refletir. Ele, como alguém que conhece o movimento vegano e dos direitos animais há décadas, declarou em uma entrevista publicada na revista Bad Subjects em fevereiro de 1997 que esses movimentos teriam muito mais resultados se não houvesse pessoas agindo de forma segregacionista.
Para Biafra, o problema é que pessoas com discurso fundamentalista trabalham contra o veganismo, o faz parecer como uma religião, e não o que realmente é. Entendo porque ele diz isso. Tenho pesquisado há um bom tempo sobre veganos e vegetarianos que poderiam influenciar muita gente, principalmente do meio musical, e vários disseram que preferem não se envolver com o ativismo, e isso me intrigou.
Então descobri que a justificativa de alguns é que nunca gostaram de ativismo, e a de outros a de que não concordam com a maneira como o ativismo é feito na atualidade, logo não querem ser associados a movimentos.
Penso que se uma pessoa é vegana, mas não vê o ativismo com bons olhos, algo poderia ser feito para melhorar isso. Pelo menos para mim, significa que há ações que poderiam ser repensadas. Sou bem tranquilo em relação a refletir sobre isso, até porque não são críticas destrutivas.
Referência
http://bad.eserver.org/issues/1997/30/grad.html
O pão quente e a barba
Por volta das 17h30, minha mãe me ligou, pedindo que eu fosse ao Cidade Canção comprar pão. Chegando lá, caminhei até a padaria e perguntei para a atendente se eu poderia ver como o pão é preparado. Atenciosa, me mostrou até a lista dos ingredientes usados no pão. Sim, o pão deles não tem nenhum ingrediente de origem animal. Satisfeito, caminhei em direção ao caixa.
Enquanto o pão quente soltava fumaça, ela sorriu e disse que talvez fosse melhor colocar o saco de pão dentro de uma sacola plástica. “Ah, é perigoso amassar”, justificou. Falei que não era necessário.
Após uma breve caminhada, assim que abri a porta do carro, me dei conta que a minha barba estava quente, defumada e com cheiro de pão. Mais de 30 minutos depois, ainda me sinto como se estivesse na padaria.
Contribuição
Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:
Em frente à Santa Casa
Hoje, caminhando em direção à recepção da Santa Casa, uma mulher olhou para mim e falou para a amiga: “Nossa! Que barba mais linda!” Pensando que poderia ser uma piada, segui meu caminho ao me lembrar da criança que ontem me entregou um prestobarba no mercado.
Como o veganismo muda nossa percepção das coisas
Incrível como o veganismo muda nossa percepção das coisas. Hoje, quando saí para caminhar no final da tarde, me recordei de uma matéria que escrevi em 2006 sobre um senhor que era dono de um restaurante bem antigo.
Naquele dia, ele me relatou que houve uma época em que ele era um dos poucos comerciantes do Brasil a servir os verdadeiros testículos de peru. Um dia, um cliente o desafiou a mostrar os testículos do animal. No final, todo mundo deu risada.
Hoje, quando me recordo dessa história, não consigo achar graça, porque logo imagino o que custou ao animal ter os testículos extraídos para servir como iguaria para quem buscava um “alimento” diferente.
O dilema da Galinha Pintadinha e da Peppa Pig
Há muitos pais que mostram a Galinha Pintadinha para os filhos e depois os condicionam a comerem frango no jantar. Colocam a criançada para assistir a Peppa Pig e mais tarde insistem que comam pernil ou bisteca. São os paradoxos semeados desde sempre. Não é muito coerente fazer as crianças se alimentarem daqueles que despertam nelas a simpatia pelos animais. É como dar uma mão e tirar a outra.
“Ô Dona Menina, como vai a senhora?”
Em uma época da minha infância, toda semana um senhor baixinho e barbudo passava em frente a nossa casa. Gritava sorrindo para a minha mãe: “Ô Dona Menina, como vai a senhora? Vai querer vassoura hoje?” O velhinho gostava de fazer barulho, de ser notado, de mostrar que estava na rua.
Quando faleceu, para a surpresa de sua pequena família, seu velório foi acompanhado por centenas de pessoas. Muitos não sabiam sua história e até mesmo seu nome, mas jamais esqueceram das muitas manhãs em que foram cumprimentados graciosamente pelo velhinho bonachão.
Quando alguém fala que vegano tem que morar na floresta…
Quando alguém, em tom de deboche, fala que vegano tem que morar na floresta, distante de tudo, pode ser válido perguntar: Você sabia que veganismo é uma filosofia de vida, certo? E que preconiza o abolicionismo animal?
Agora me explique como a luta pelo abolicionismo animal poderia evoluir se todos os veganos se mudarem para florestas, já levando em conta que a maioria da humanidade não é vegana. Não é difícil entender que veganos precisam estar em contato com quem não é. Como você vai conscientizar alguém vivendo na floresta? Não somos uma tribo.
Equivocadamente, há críticos que dizem que para ser vegano é preciso viver na floresta e nunca interagir com tecnologia ou seres humanos que consomem qualquer produto de origem animal. O problema é que o nome disso não é veganismo, isso é uma definição particularista de misantropia. Uma coisa bem diferente.
Ser vegano é fazer o que está ao seu alcance para diminuir o impacto na vida dos animais, ou seja, fazer o possível para não tomar parte na exploração dos bichos e motivar os outros a fazerem o mesmo. Quanto mais pessoas aderindo ao veganismo, maior contrariedade à exploração animal. E com isso, consequentemente, teremos uma crescente redução nos mecanismos de produção que causam grande impacto sobre a vida animal.
Contribuição
Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:
Uma noite no quintal
Dormi no quintal na noite passada, sentindo a aragem amena e observando as estrelas enquanto gatos saltavam sobre o telhado, tentando alcançá-las. Cães assistiam tudo como estátua de porcelana, daquelas que movem somente os olhos. Quando os felinos cansaram, desistiram das estrelas e miraram a lua anilada, até que dormiram sob o céu desanuviado.
Vegetarianos na filosofia
Alguns dos maiores filósofos da humanidade, se não eram vegetarianos, pelo menos defendiam ou simpatizavam com o vegetarianismo. A mim, isso diz muito. Não que por terem sido vegetarianos eram superiores ou algo do tipo. Muito pelo contrário. Justamente porque não se viam como melhores que outras espécies que se debruçavam sobre importantes questões da existência que eram ignoradas por outros.
Vegetarianos e veganos são sempre motivados pela emoção?
Um sujeito, assim como muitos, creio, falou que vegetarianos e veganos são sempre motivados pela emoção e pelo sentimento, por isso estão errados. Bom, há equívocos substanciais nessa afirmação. Não seria racional se negar a se alimentar de um animal pelo simples fato de que ele é senciente? O que há de tão racional em matar animais para se alimentar de seus corpos? Por que eles não têm direito à vida?
Se temos uma grande variedade de alimentos à nossa disposição, por que comer partes de um ser vivo não humano? O que existe de racional na ideia de que um animal deve morrer para saciar o meu apetite, uma prática que simplesmente se perpetuou porque faz parte de uma herança cultural há muito questionável?
Se o vegetarianismo não é praticável ou recomendado, por que temos vegetarianos desde os tempos mais remotos da humanidade? E se o veganismo não é indicado, como Donald Watson, que fundou a Vegan Society em 1944, teve uma morte tranquila aos 95 anos? O antropocentrismo, pelo seu viés especista, foi a corrente filosófica que elevou o ser humano à condição de superior em detrimento de outros seres vivos – que mais do que nunca passaram a ser vistos como objetos ou meios para um fim, ignorando completamente seus interesses em não morrer. Ao mesmo tempo, contribuiu e muito para uma degradação ambiental sem precedentes.
O que existe de tão racional em se opor aos direitos das outras espécies como fazia o antropocentrismo no passado, ainda mais levando em conta que o ser humano é o principal responsável pela destruição da natureza? Ou pode me apontar algum animal não humano que tenha sido mais nocivo ao meio ambiente do que o ser humano?
Por outro lado, posso dizer também que me tornei vegano motivado, de fato, pela emoção e pelo sentimento. Na realidade, as coisas mais importantes da minha vida fiz motivado pelo coração. Não seria racional dar voz ao coração quando ele nos aproxima da nossa vocação natural? Quando ele faz de nós seres humanos mais conscientes e preocupados com a coexistência pacífica em um mundo cada vez mais violento?
Contribuição
Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:



