David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for March, 2017

Morrer como se jamais tivesse existido

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Mais do que um escritor, Borges foi um enigma literário 

O escritor argentino Jorge Luis Borges  dizia que, quando chegasse a sua hora, gostaria de morrer como se jamais tivesse existido, existe poesia nisso; claro, talvez não para todo mundo ou especialmente para aqueles que ignoram a finitude. Quando Borges falou isso, pensei na questão do desapego, da construção de legados, dos tributos e de tudo aquilo que fazemos para nós, não para os que se foram.

Muitos se incomodam com a ideia de pessoas que não vivem para construir nada pomposo ou tangível, a não ser elas mesmas e algo em torno daqueles com quem se comunicam no decorrer da vida. Ainda somos ignorantes a ponto de acharmos que todos querem viver como nós, que todos querem criar laços ou viver e morrer como se fossem muito maiores do que realmente eram.

Há quem se assuste com a ideia de pessoas que ao longo da vida se comunicam de forma profunda, mas fortuita e transitória com os outros, sem criar vínculos concretos, complexos ou objetivos. Apenas existem sem se preocupar em definir coisa alguma. O que não deveria ser visto como aberrante, já que não fomos feitos em série.

Nem todos querem deixar algum legado, assim como nem todos buscam fazer algo pelo que ser lembrado. Há aqueles que querem apenas viver para algo que parece mínimo a tanta gente, mas que dê algum sentido ao existir. Nem todo mundo quer fazer planos de curto, médio ou longo prazo. Tem gente que prefere cultivar apenas a própria consciência, uma consciência que também pode reverberar a possibilidade de que o fim pode ser hoje ou amanhã.

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Written by David Arioch

March 5th, 2017 at 7:56 pm

Sobre o comportamento na internet

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Foto: PMCV

Tem muita gente com quem mantenho contato pela internet e que conheço pessoalmente. Não é raro eu ver pessoas classificando algumas delas como agressivas ou como diferentes do que realmente são.

Isso acontece porque às vezes, ou mais do que isso, as pessoas podem ser muito passionais e veem na internet uma forma de expor suas insatisfações. Portanto, podem transmitir alguma impressão negativa, o que não significa que sejam basicamente isso.

Tem muita gente na internet que se expressa de uma maneira vista como visceral, dando margem para interpretações não tão boas ou acalentadoras, mas isso não significa que não sejam pessoas boas ou que não tenham qualidades. A forma como escrevemos algo diz muito, mas não tudo, só que é algo que pode clarear ou escurecer posicionamentos.

Em síntese, conheço pessoas de longa data que são gentis pessoalmente, mas que parecem outra coisa para quem as conhece somente pela internet.

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Written by David Arioch

March 5th, 2017 at 7:54 pm

James Cromwell: “Não temos o direito de usurpar o destino de qualquer ser senciente”

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Para o ator e produtor, o veganismo é a melhor forma de ajudar os animais

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“Fazer o filme ‘Babe’ abriu meus olhos para a inteligência e personalidade curiosa dos porcos” (Foto: Divulgação)

O ator e produtor James Cromwell, mais conhecido como o fazendeiro Arthur Hoggett, do filme “Babe”, que, a partir da história de um porquinho, fez muita gente se questionar sobre a forma como nos relacionamos com os animais, se tornou vegetariano em 1975 e vegano em 1995. Em entrevista ao TakePart em 27 de dezembro de 2011, ele explicou que a experiência ao trabalhar com muitos animais o levou a aderir ao veganismo.

“Fazer o filme ‘Babe’ abriu meus olhos para a inteligência e personalidade curiosa dos porcos. Eles possuem uma incrível capacidade de amar, sentir alegria e tristeza, o que os torna muito semelhantes aos nossos amigos caninos e felinos”, disse. Quando interpretou Hoggett, ele percebeu que estava interpretando um homem com a capacidade de ver os animais como seres sencientes, como se fosse o seu próprio destino tornar-se vegano. A aspiração do fazendeiro foi partilhada pelo próprio ator que teve a oportunidade de encarar de frente os fatos que o levaram a uma nova transição.

Em entrevista a Mike Pearl, da Vice, em 6 de agosto de 2015, ele contou que na última cena de ‘Babe’, quando ocorre uma competição de suínos, um porquinho foi colocado em um grande campo, e ficou lá observando o céu azul, a grama verde e o mar. Foi como se o suíno dissesse: “Não quero nada disso. Vou cair fora”, e saiu correndo. Um monte de homens o seguiu para capturá-lo. Como testemunha, James Cromwell riu e aprovou a ação do porquinho, não imaginada pela produção.

Para o ator veterano, que começou a carreira em 1974, “Babe” é um filme sobre o que fazemos com os outros para nos classificar, para colocar animais não humanos em categorias que assegurem nosso senso de direito, posição e poder. “O porquinho questiona isso e encontra uma consciência receptiva do fazendeiro Hoggett”, argumentou à Vice. Porém, nem todo mundo entendeu isso, tanto que ‘Babe’ acabou sendo banalizado como um filme para crianças, segundo Cromwell. De acordo com o ator, se você sente que as pessoas precisam entender o que existe de errado em relação à cultura em que estão inseridas, e isso desnecessariamente custa a vida dos animais, é preciso mostrar o que eles não querem ver, já que nem sempre as pessoas são tocadas por uma abordagem mais sutil.

No filme “Babe”, um dos momentos de revelação surge quando o fazendeiro Hoggett encontra suas ovelhas mortas. Sua reação instantânea é pegar a espingarda e se preparar para atirar em Babe. No entanto, como se já imaginasse que estivesse cometendo um equívoco, ele não atira, provavelmente porque já não vê mais o porquinho como antes, despertando para um novo princípio de empatia. “Ele tem a oportunidade de reajustar sua perspectiva e aprender alguma coisa. Se você se permitir, podemos chegar a mesma conclusão, porque não temos o direito de usurpar o destino de qualquer ser senciente para beneficiar nossas próprias necessidades e interesses”, declarou James Cromwell a Mike Pearl.

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“Estamos aqui para tomar conta deles porque eles não podem tomar conta de si mesmos” (Foto: RE/Westcom/Starmaxinc)

A transição do ator para o vegetarianismo ocorreu em 1975, logo depois que ele percorreu o Texas de moto e observou como viviam os animais em confinamento. “Isso é realmente uma porcaria. Não posso fazer parte disso”, refletiu à época. Depois que retornou da Austrália, após a finalização de “Babe”, Cromwell se viu na obrigação de fazer algo pelos direitos animais. Então se envolveu com a organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) e iniciou uma jornada de campanhas em favor dos animais.

Ele atuou no resgate de muitos animais, narrou documentários sobre a exploração animal, incluindo “Farm to Fridge”, de 2011, e ajudou santuários. Na visão de Cromwell, negar a um animal o direito à vida e à autodeterminação é uma agressão contra o planeta e todos os seres sencientes. Para o ator, o veganismo é a melhor forma de ajudar os animais. Contudo, ele sugere que quem tem dificuldades ou receio em fazer a transição comece diminuindo os ingredientes de origem animal em uma refeição por dia, depois aumentando para um dia da semana. Mais tarde, uma semana, um mês…até adotar definitivamente essa filosofia de vida. ”Trabalhe seu caminho para não consumir animais e produtos animais, informe-se. É muito fácil. Esse processo começa com a sua consciência”, ponderou ao TakePart.

O ator estadunidense considera equivocado o uso de palavras como to own (possuir) e pet (animal de estimação) em referência aos animais que mais convivem com os humanos, porque, na sua perspectiva, ninguém pode possuir outra criatura. Ele justificou que esse conceito foi desenvolvido nos séculos 15 e 16 na Inglaterra, e provavelmente em outros lugares onde pessoas e animais foram expulsos de suas terras para que outros pudessem criar e normatizar uma estrutura de comércio e preços para tudo, inclusive vidas.

James Cromwell falou ao TakePart que qualificar os animais como simplesmente de estimação tem uma conotação de que somos superiores e que eles são inferiores, dando a ideia de que devem se submeter a nós. “Estamos aqui para tomar conta deles porque eles não podem tomar conta de si mesmos. São animais de companhia. Tenho usado o veganismo como uma maneira de tentar elevar o nível de conscientização sobre o sistema vigente. Temos fazendas industriais e bilhões de animais são mortos nesses lugares”, queixou-se. O que facilita a naturalização disso tudo é que é muito fácil consumir alimentos de origem animal de forma inconsciente, ou seja, quando não se tem contato com o sistema de produção.

Outra preocupação de Cromwell são os cavalos de corrida que são enviados aos matadouros do Canadá e do México quando não geram mais lucros aos seus “donos”. Por causa disso, o ator começou a se empenhar na criação de projetos de fundo de aposentadoria para esses animais que geraram tantos lucros aos seres humanos, o que permite que eles se aposentem e vivam seus últimos anos de vida em santuários, em vez de serem abatidos e reduzidos à carne de cavalo. “Fiz um filme chamado ‘Secretariat’, e uma das minhas queridas amigas do movimento animal, Karen Dawn, disse: ‘Você sabe alguma coisa sobre corrida de cavalos?’ Eu disse que não, e comecei a conversar com as pessoas, principalmente com jóqueis”, revelou.

Ao TakePart, James Cromwell relatou que uma corrida de cavalos tem 8, 10 ou 12 cavalos. E como não são todos os animais que vencem as corridas, muitos dos animais amargam uma triste realidade que envolve abusos, negligência e morte. “Além do fato de que corridas de cavalos são incrivelmente perigosas para cavalos e jóqueis. Há centenas e centenas de cavalos que são mortos. É preciso uma oportunidade para pegar esses cavalos que tenham cumprido seu papel e salvá-los do seu fim; dar a eles um lugar para viver”, defendeu.

 Saiba Mais

James Cromwell, que já participou de mais de 200 produções entre teatro, cinema e TV, nasceu em Los Angeles, na Califórnia, em 27 de janeiro de 1940.

Referências

http://www.takepart.com/article/2011/12/27/james-cromwell-you-dont-own-another-creature

https://www.vice.com/en_us/article/babe-is-20-years-old-so-is-star-james-cromwells-animal-rights-crusade-382

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Written by David Arioch

March 4th, 2017 at 8:57 pm

Um bom pedido

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Ontem, quando eu estava saindo de casa, um garoto, morador da Vila Alta, na periferia de Paranavaí, gritou meu nome e veio correndo em minha direção. Ele estava fazendo um “bico”, ajudando outro rapaz em um frete.

Nos cumprimentamos, e ele me disse que ainda não foi para a escola desde que as aulas começaram porque não tem nem caderno, e perguntou se eu não poderia conseguir pra ele os materiais exigidos pela escola.

Respondi que sim, que posso dar um jeito, e pedi para ele deixar a lista na Oficina do Tio Lu que passo lá no sábado para buscar. Esse garoto não tem estrutura familiar, foi abandonado pelos pais, testemunhou o assassinato do avô em um bar no ano passado e ainda convive com um tio que é viciado em crack.

Apesar de tudo, tenta se afastar dessa realidade, pedindo apenas uma porção de materiais escolares. Tem gente que mesmo diante das piores adversidades ainda sonha ou luta pelo menos para sobreviver, desde que alguém dê alguma oportunidade ou acredite neles.

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Written by David Arioch

March 3rd, 2017 at 11:48 pm

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John Feldmann: “Os laticínios são os piores. Cheguei a preferir que as pessoas comessem um bife do que bebessem um copo de leite”

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“Porque pelo menos a vaca logo estaria livre de sua vida miserável. Com o leite, a situação é outra”

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“Percebi que eu precisava mudar de vida [tornar-se vegetariano]” (Foto: Fuse TV)

Vocalista e guitarrista da banda de punk rock/ska Goldfinger, o vegano John Feldmann, que já vendeu mais de 34 milhões de discos, é conhecido por usar a música como forma de ativismo em defesa dos direitos animais. Um grande exemplo é a composição “Free Me”, ou seja, “Me Liberte”, que faz parte do álbum “Open Your Eyes”, de 2002. Na composição, ele mostra imagens registradas em matadouros e critica o tratamento dado aos animais explorados pela indústria alimentícia.

“Sou um cara muito ocupado e eu costumava comer muito fast-food. Percebi que eu precisava mudar de vida [tornar-se vegetariano]. Decidi fazer o que meu coração dizia. Hoje me sinto mais vivo espiritualmente e sei que estou fazendo a coisa certa. Para mim, se tornou difícil assistir as pessoas comendo carne”, disse em entrevista ao FamousVeggie.com.

Principal compositor da banda Goldfinger, fundada em Los Angeles em 1994, Feldmann defende que atualmente há muitas opções para veganos e vegetarianos, e a internet pode facilitar muito a pesquisa sobre o que comer ou onde comer. Entre as suas especialidades na cozinha estão tacos, torradas francesas e shakes veganos. “Mesmo tendo filhos, eu ainda tenho as mesmas crenças e tudo o mais”, garantiu a Alex Obert, do Journey of a Frontman, em entrevista publicada em 22 de agosto de 2014.

Desde que se tornou vegetariano aos 29 anos, Feldmann decidiu fazer dos direitos animais a sua principal bandeira. Ele é da opinião que, se alguém estiver disposto a ouvi-lo, ele é capaz de passar o dia todo falando sobre a importância dos direitos animais, justificando que a causa se tornou a coisa mais importante da sua vida.

“Mas eu não quero que um garoto pague para ver o nosso show e escute apenas as minhas opiniões. Sou um artista, não um político. É apenas uma questão de dizer: ‘É nisso que acredito. Talvez você possa conferir.’ Sinto que um ou dois minutos em um show de uma hora é tempo o suficiente”, afirmou em entrevista à revista Satya em maio de 2003.

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“Naquele tempo, eu não tinha ideia das atrocidades nos matadouros” (Foto: Divulgação)

Algumas pessoas podem dizer que a realidade retratada no clipe “Free Me”, da banda Goldfinger não retrata a realidade de todos os matadouros, e que são casos isolados. Porém, para quem pensa assim, Feldmann tem uma mensagem: “A verdade é que isso acontece em todos os lugares e a todo momento. No final dos meus shows, pelo menos 20 jovens me dizem que vão se tornar vegetarianos ou veganos por causa desse vídeo [Free Me], ou da música, ou da nossa banda. Isso é a coisa mais poderosa de todas que conquistei em minha carreira”, declarou.

Questionado sobre o que o motivou a tornar-se vegetariano e mais tarde vegano, ele contou que a sua transformação começou quando, por meio de informações do Instituto Earth Island, de São Francisco, ele soube dos abusos sofridos pelos golfinhos. “Eu disse: ‘Isso é errado, o que posso fazer?’ Então parei de comer atum de empresas que usavam redes [responsáveis pela morte de golfinhos]. A partir daí, comecei a prestar atenção nos circos, de onde vem o couro, coisas assim”, informou em entrevista à Satya.

A mudança maior veio com “Babe”, de Chris Noonan, lançado em 1995. O filme levou John Feldmann a fazer a conexão entre os animais e a origem da comida. “Parei de comer porcos assim que vi o filme. Então todas as outras coisas, como pedaços crocantes de frango que eu mordia, fiquei como: ‘Por que estou comendo isso? O que estou fazendo?’ É tão errado! Naquele tempo, eu não tinha ideia das atrocidades nos matadouros”, justificou.

O impacto foi ainda maior quando descobriu que porcos são espertos como os cães. Depois, ele continuou pesquisando e encontrou muitas filmagens de matadouros. “Aquilo foi horrível. Quanto mais eu buscava, mais eu encontrava. Para mim, os laticínios são os piores. Cheguei a preferir que as pessoas comessem um bife do que bebessem um copo de leite, porque pelo menos a vaca logo estaria livre de sua vida miserável. Com o leite, a situação é outra [o sofrimento é prolongado, já que elas são abatidas somente quando param de produzir leite]”, lamentou à Satya.

Embora tenha sido lançado em 2002, até hoje o vídeo da música “Free Me”, ou “Me Liberte”, em que Feldmann reage contra a indústria da exploração animal ao dar voz aos animais, é considerado um dos hinos dos direitos animais, inclusive sendo usado até hoje por organizações e ativistas de todo o mundo.

Me Liberte

Eu não pedi pra você me tirar daqui
Eu não pedi para ser quebrado
Eu não pedi para acariciar o meu pelo
Você me trata como uma lembrança sem valor

Mas minha pele é densa
E minha mente é forte
Fui criado como meu pai
Não fiz nada de errado

Então me liberte
Eu só quero sentir o que a vida deveria ser
Eu só quero espaço suficiente para me virar
E enfrentar a realidade
Então me liberte

Quando você vai se dar conta de que
Você está errado
Você não consegue nem pensar por si mesmo
Você não consegue se decidir
Por isso, minha mente é uma jaula
Eu odeio toda a maldita raça humana
Que diabos você quer de mim?
Mate-me se você não sabe
Ou me liberte

Eu só quero sentir o que a vida deveria ser
Eu só quero espaço suficiente para me virar
Porque vocês estão todos ferrados
Algum dia talvez você me trate como a si mesmo.

Saiba Mais

John Feldmann nasceu em 29 de junho de 1967 e decidiu começar a tocar guitarra aos 16 anos, quando ouviu “Mommy’s Little Monster”, da banda Social Distortion, fundada pelo vegetariano Mike Ness.

Com o Goldfinger, entre os anos de 1996 e 2008, John Feldmann lançou os álbuns “Goldfinger”, “Hang-Ups”, “Stomping Ground”, “Open Your Eyes”, “Disconnection Notice” e “Hello Destiny”.

 Referências

Home

http://www.famousveggie.com/interviews/john_feldmann.aspx

https://journeyofafrontman.com/2014/08/22/on-the-line-with-john-feldmann-of-goldfinger/ –

http://www.satyamag.com/may03/feldman.html

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Written by David Arioch

March 3rd, 2017 at 8:43 pm

Tom Warrior: “Amo os animais e me tornei incapaz de justificar qualquer consumo de carne”

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“A minha vida toda tenho tentado salvar animais em condições terríveis”

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Tom Warrior, fundador das lendárias bandas Hellhammer e Celtic Frost (Foto: Divulgação)

O músico suíço Thomas Gabriel Fischer, mais conhecido como Tom Warrior, fundador de duas das mais lendárias bandas de metal extremo da história – Celtic Frost e Hellhammer, concedeu uma entrevista ao portal alemão Voices From the Dark Side em setembro de 2012. Na ocasião, ele falou sobre vegetarianismo e direitos animais.

“É da minha opinião que enquanto os seres humanos existirem neste planeta, haverá violência, crueldade, injustiça e ganância. Embora eu deseje o oposto, é claro. Mas a verdade é que temos agido como insaciáveis, parasitas egoísticos, desde que deixamos as cavernas”, lamentou.

Apesar disso, Tom Warrior disse que com o passar dos anos as pessoas estão se tornando mais conscientes sobre o estilo de vida saudável, e estão aderindo ao vegetarianismo por considerá-lo mais respeitoso em relação aos animais. “É mais fácil obter informações importantes do que antes. E também é um sinal positivo vermos tantas pessoas públicas engajadas, como músicos, seguindo esse estilo de vida [vegetarianismo]. No entanto, ainda há uma enorme montanha a superar”, afirmou em entrevista ao portal dinamarquês.

Com um estilo de vida simples, qualificado como espartano, Warrior, que está envolvido no cenário do heavy metal desde 1982, explicou que nunca sente necessidade de comprar alimentos caros. O que ele mais gosta de comer pode ser encontrado em muitos lugares. Sua única preferência é por mercados que comercializam comida saudável.

“Não é realmente um problema ser vegetariano hoje em dia, mesmo em turnê. Há tantos vegetarianos em tantas bandas. A maioria dos festivais bem organizados, oferecem pratos vegetarianos mesmo que as bandas não peçam. Dito isso, há sempre uma estranha e ignorante exceção. Porém, é algo que reflete mais sobre eles do que sobre nós”, declarou.

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“Se alguém decide ir por esse caminho [veganismo], eu apoio sua decisão” (Foto: Divulgação)

Se alguma pessoa conversa com o músico suíço e faz questão de falar que não aprova seu estilo de vida, ele simplesmente a ignora e segue sua vida, sem perder tempo com conflitos desnecessários. “Tornar-se vegano é uma decisão individual e privada de cada indivíduo. Se alguém decide ir por esse caminho, eu apoio sua decisão”, acrescentou.

Para Tom Warrior, o veganismo merece apoio porque é uma filosofia de vida que reprova o extermínio de animais. E para além do discurso, o suíço já participou de muitas ações de organizações em defesa dos animais. “Além do meu envolvimento em organizações, a minha vida toda tenho tentado salvar animais em condições terríveis. Os cães que eu tutelo, por exemplo, foram resgatados de situações abusivas”, assinalou em entrevista ao especial vegano “Welcome to Health”, do Voices From the Dark Side.

Tom qualificou tudo isso como natural, levando em conta que foi criado em uma casa cheia de animais, o que permitiu que mais tarde ele entendesse que os seres não humanos também têm direito à vida e devem ser respeitados: “Amo os animais e me tornei incapaz de justificar qualquer consumo de carne, comparando os fatos e a realidade da indústria que massacra os animais. Detesto o egoísmo e a ilimitada cobiça que os seres humanos ostentam neste planeta compartilhado por todos”

Embora viva como um straight edge, Tom Warrior nunca deu a si mesmo tal título. Simplesmente tenta levar uma vida que ele considera a mais justa possível para si mesmo. “Não bebo, não fumo, não uso drogas, não sou tatuado e nunca tive um carro; são decisões pessoais. O único remédio que tomo é para ajudar a regular os efeitos da minha diabetes”, frisou.

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“Não bebo, não fumo, não uso drogas, não sou tatuado e nunca tive um carro” (Foto: Divulgação)

O músico suíço acha ridículo quando fãs ou músicos de heavy metal associam o uso de couro com a virilidade. “Nunca senti o couro aumentando minha masculinidade. Estou tão feliz com roupas feitas de outros materiais”, ponderou. Muito influente no cenário do metal extremo, Tom Warrior é apontado como um dos pioneiros do vocal gutural. Em 2008, ele fundou a banda Triptykon, com quem lançou os álbuns “Eparistera Daimones” e “Melana Chasmata” em 2010 e 2014, além do EP “Shatter”, de 2010; e do single “Breathing”, de 2014.

No entanto, o que lhe proporcionou reconhecimento no cenário mundial do heavy metal foi o EP “Apocalyptic Raids”, lançado em 1984 com a banda Hellhammer, considerado um dos melhores registros da história do metal extremo. Mais tarde, o seu prestígio aumentou ainda mais quando ele lançou os álbuns “Morbid Tales”, de 1984; “To Mega Therion”, de 1985; e “Into the Pandemonium”, de 1987, com a sua banda Celtic Frost, também lendária.

“Milhões de animais estão sendo mortos todos os dias para satisfazer as necessidades daqueles que comem carne. Estamos nos chamando de ‘civilizados’ e, no entanto, ser civilizado implica humildade, modéstia, compreensão do contexto ambiental global e respeito pelas necessidades e direitos dos outros habitantes deste planeta, que estão aqui há mais tempo do que nós”, criticou.

Referência

http://www.voicesfromthedarkside.de/Specials/WELCOME-TO-HEALTH-A-VEGETARIAN-VEGAN-SPECIAL–7789.html

http://www.metal-archives.com/artists/Tom_G._Warrior/6497

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Breve reflexão sobre a exploração

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Arte: Joker Syndicate

Mesmo analisando superficialmente a vida e o mundo, não é difícil perceber que quase tudo envolve algum tipo de exploração. E se comento sobre isso com as pessoas, muitos dirão que “a vida é assim e que devemos aceitar isso”. Não vejo como pode ser saudável ou justo aceitar tantas mazelas usando o pretexto de que são coisas que estão fora do nosso controle.

A impressão que esse tipo de raciocínio me transmite é que para “vivermos bem”, na concepção de muita gente, devemos ignorar as desgraças do mundo e nos limitarmos a nós mesmos. Ou seja, devemos ser individualistas, buscarmos o melhor somente para nós, e fecharmos os olhos para a realidade, cultivando uma ilusão que nada mais é do que um microcosmo da nossa própria ignorância.

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Written by David Arioch

March 1st, 2017 at 11:51 pm

O veganismo não é elitista…

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6359694852626068601142965521_1441827802612Do ponto de vista econômico, o veganismo não é elitista, o que pode ser elitista é o consumismo excludente criado em torno do veganismo, fazendo com que as pessoas vejam o supérfluo como essencial, enxergando barreiras que nada mais são do que vícios já cultivados anteriormente.

Se uma pessoa não vegana é consumista, por exemplo, ela terá forte tendência a pesar os contras do veganismo levando em conta uma percepção de acesso ao desnecessário, e isso é algo inerente ao consumismo, que tem uma forte tendência a expandir nossas falsas necessidades.

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March 1st, 2017 at 11:48 pm

Al Ma’arri e a crítica à exploração animal

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Ele se recusava a produzir panegíricos, odes aos ricos patronos que patrocinavam os artistas da época. Al Ma’arri considerava isso vergonhoso.

Mesmo vivendo em situação muito próxima da miséria, ele se negava a se alimentar de animais. Sua alimentação era baseada principalmente em feijões.

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Written by David Arioch

March 1st, 2017 at 11:45 pm

Um resgate incidental

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17021465_1354973091260749_1752600405138776377_nSaí para correr, e na volta, perto do posto da polícia rodoviária federal, ouvi um gatinho miando, correndo atrás de mim. Parei, ele ficou me olhando e continuei, então ele veio atrás. Peguei ele e voltei correndo. E as pessoas olhando um barbudo musculoso correndo com um gatinho miando e cheirando à manga. Provavelmente foi jogado num descampado.

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Written by David Arioch

March 1st, 2017 at 11:39 pm

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