David Arioch – Jornalismo Cultural

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Amílcar de Sousa: “A carne não é o alimento do homem”

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“A maior parte da gente […] se visse morrer os animais, não se banquetearia com tão grande gáudio…”

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Amílcar de Sousa fundou a Sociedade Vegetariana de Portugal em 1908 (Foto: Reprodução)

Foi em 1908 que o médico Amílcar Augusto Queirós de Sousa, defensor do vegetarianismo, fundou na Avenida Rodrigues de Freitas, na cidade do Porto, a Sociedade Vegetariana de Portugal. No ano seguinte, Sousa inaugurou a revista “O Vegetariano”, periódico mensal que circulou até 1918 e teve boa repercussão na Europa e no Brasil.

Especialista em dietética e nutrição, Amílcar escreveu que da velha confusão de teorias médicas, da grande época obscura do empirismo, como um dogma da ciência de então, uma forma errónea e cheia de preconceito, como se fora um mandado religioso e por isso mesmo eivado de má fé, surgiu com esta frase perturbante: o homem é omnívoro. Como à boca se pode levar tudo que queira, daí resultou essa monstruosidade deturpante da humanidade. Tal reflexão consta na página 45 da 4ª edição da revista “O Vegetariano”, publicada em 1912.  À época, Sousa já realizava conferências e palestras em defesa do vegetarianismo.

No livro “As Hortaliças na Medicina Natural”, lançado em 1992, Alfons Balbach e Daniel S.F. Boarim narram que Amílcar de Sousa foi um grande apologista do regime frugívoro: não só ele, como toda a família, só se alimentavam de frutas. “Na sua revista intitulada ‘O Vegetarianismo’ tem feito propaganda das mais inteligentes e proveitosas em favor deste regime, e o número de adeptos que conseguiu converter ao regime frugívoro orça por muitas centenas em tempo relativamente curto”, registraram.

Na obra “O Livro Negro do Açúcar – Algumas Verdades Sobre a Indústria da Doença”, de 2006, Fernando Carvalho observa que Amílcar de Sousa, um médico do século XIX, estava melhor informado do que seus colegas da atualidade. “Desde a forma dos dentes à capacidade do estômago e às dimensões do intestino, como dados anatómicos em referência à comparação da série animal de que o homem é primaz – tudo demonstra que o gênero humano não é omnívoro. A dentadura é semelhante à dos símios antropoides que se alimentam de frutos; e se os obrigarmos a serem carnívoros, imediatamente estigmas de degenerescência se notam, doenças de pele, a queda dos pelos, o reumático e outras manifestações de artritismo”, argumenta Sousa no artigo “O Homem é Frugívoro”, de 1912.

Em setembro do mesmo ano, o médico publicou “O Caldo de Carne”. No artigo da revista “O Vegetariano”, ele afirma que a carne não é o alimento do homem. Se fosse, o ser humano deveria ter condições de matar os animais com mãos e garras, triturando os ossos ou lacerando os músculos ainda quentes com os dentes, assim como faz a hiena. “Desprovido de armas cortantes e do artifício da culinária, o homem não pode utilizar-se da carne nem do peixe”, justifica.

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Periódico em que Sousa divulgava suas ideias e descobertas em relação ao vegetarianismo (Foto: Reprodução)

Segundo o médico português, para uma consciência límpida e um espírito moral, ver morrer um boi é um espetáculo canibalesco e incompatível com a humanidade. “Assistir ao assassinato dum cordeiro é, sem dúvida, barbaridade infame. Queremos acreditar que a maior parte da gente que bebe às colheres a sopa, ou corta com a faca um pedaço de vaca, se visse morrer os animais, não se banquetearia com tão grande gáudio…”, defendeu no artigo “Caldo de Carne”.

Um homem revolucionário, Amílcar de Sousa é considerado pela Associação Vegetariana Portuguesa (AVP) o maior impulsionador do vegetarianismo e do naturismo em Portugal. “Ele conseguiu mobilizar outros médicos e personalidades da burguesia para o estilo de vida natural e saudável”, reconhecem Gabriela Oliveira e Nuno Metello no artigo “Vegetarianos há mais de um século”, publicado no semanário português SOL em 2011.

Em 1923, Sousa publicou a novela naturista “Redenção”, que aborda a importância da proximidade do ser humano com a natureza. Na obra, ele defende uma consciência ética universal, em que os animais têm assegurado o direito de não serem mortos simplesmente para atender maus hábitos culturais e alimentares da humanidade.

“Mas por que é que estas ideias [do vegetarianismo] não as tem defendido a classe médica? É simples a resposta. É que não há pílulas de sol, nem injecções de exercício, nem tão pouco vacinas de ar… e é preciso viver dos doentes. O médico do futuro é só aquele que nada receitar. Ensinem os doentes a viverem conforme a natureza e os sãos a não se desviarem dela. O medicamento fez já as suas provas. São negativas”, declarou na revista “O Vegetariano” em abril de 1912.

Segundo Amílcar de Souza, o melhor que os pais podem deixar aos filhos é a saúde. Portanto, para que os filhos não tenham doenças, o ideal é ensiná-los a seguir um regime natural, valorizar a vida ao ar livre e praticar exercícios regulares. “A alimentação humana tem sido desvirtuada pelo preconceito. [O leite] não é alimento do homem, mas sim dos filhos das vacas, dos cabritos, dos jumentos etc., antes de terem dentes para comer as ervas dos montes e prados! […] A velha fábula de Prometeu que roubou o fogo do céu para comer os cadáveres dos animais cozinhados, eis a base em que assenta toda a errónea conduta da humanidade”, enfatizou em publicação da revista “O Vegetariano” de 5 de julho de 1912.

O pioneiro do vegetarianismo português

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Maria Feio: “[Amílcar de Sousa] Dispõe de uma resistência hercúlea. Caminha dezenas de quilómetros a pé sem a menor fadiga” (Foto: Reprodução)

Amílcar Augusto Queirós de Sousa nasceu em Cheires, Alijó, em 1876. Graduou-se em medicina pela Universidade de Coimbra. Mais tarde, em Paris, estudou a relação entre a nutrição e as doenças. Considerado o pioneiro do vegetarianismo português, correspondeu-se com outras personalidades que advogavam em defesa do vegetarianismo. Entre os quais, o famoso médico estadunidense John Harvey Kellogg, o naturalista alemão Ernst Haeckel e o médico francês Paul Carton. Pacifista, também criticou Primeira Guerra Mundial. “Dispõe de uma resistência hercúlea. Caminha dezenas de quilómetros a pé sem a menor fadiga”, escreveu Maria Feio sobre Amílcar de Sousa.

Obras publicadas por Amílcar de Sousa

“O Naturismo”, “A Saúde pelo Naturismo”, “A Cura da Prisão do Ventre”, “A Redenção”, “Arte de Viver”, “Banhos de Sol” e “O Naturismo em Vinte Lições”.

Saiba Mais

Amílcar de Sousa era amigo do poeta brasileiro e também defensor do vegetarianismo Carlos Dias Fernandes, com quem se correspondia frequentemente.

Adepto do pedestrianismo, o médico chegou a viajar de Lisboa a Sines a pé, percorrendo mais de 160 quilômetros. Além disso, gostava de caminhar descalço. Faleceu na cidade do Porto em 1940.

Sousa considerava Pitágoras o maior filósofo da história da humanidade. Para ele, Jean-Jacques Rousseau, que defendia a importância do contato das crianças com a natureza, era o melhor educador.

Referências

O Vegetariano: Mensário Naturista Ilustrado – Volumes I a IV. Sociedade Vegetariana de Portugal (1912).

Boarim, Daniel S.F.; Balbach, Alfons. As Hortaliças na Medicina Natural (1992).

Oliveira, Gabriela; Metello, Nuno. Vegetarianos há mais de um século. Semanário SOL. Páginas 40 e 41 (30 de setembro de 2011). Disponível em http://www.avp.org.pt/notiacutecias/vegetarianos-h-mais-de-um-sculo

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Editorial Enciclopédia. Volume 29. Página 761.

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A ética e a “ética”

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Leandro Karnal veio a Paranavaí ministrar palestra sobre ética (Foto: Reprodução)

Ontem, assisti uma palestra sobre ÉTICA, ministrada pelo professor Leandro Karnal na Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Paranavaí. Lá fora, encontrei carros estacionados em fila dupla. E mais adiante, no primeiro semáforo, quando eu dirigia de volta para casa, mantive meu carro na fila à esquerda, a única correta para um veículo que seguiria reto.

Um sujeito, que também estava na palestra do Karnal, não quis aguardar na fila à esquerda (porque ele seria o oitavo da fila). Então ele ultrapassou todos os carros pela direita e seguiu reto, mesmo ciente de que a faixa da direita é destinada a quem vai virar à direita. Chamo isso de a “arte” de assistir uma palestra e ainda assim não aprender nada.

Written by David Arioch

October 1st, 2016 at 12:32 am

A short christmas story

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The more I walked inside the shop, the more I felt like walking through Nell Trent’s grandfather’s antique shop

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I walked to the back of the shop and showed her an old small brown wooden chest (Photo: David Arioch)

It happened in my town when I was 14 years old. As I walked down the street on Christmas Eve, the rain was thin on the busy downtown. I looked at the turbid sky and didn’t understand how the water that touched my body could be warm while it dampened my head in a solemn short cold interval.

I was intrigued and I saw a purpose. The drops that crashed against my scalp and my forehead, dripping between my eyes, sliding down my nose, and making the contours of my mouth before jumping from my chin to my chest, reduced my drowsiness and sent me warning signs, it demanded my attention where I walked.

Until then, I walked like a peculiar kind of incorrigible sleepwalker. I had slept less than five hours and I felt my eyes warm, tired and flushed. My reflection in the shop window revealed a tangled and abstract aspect. I heard acute, mild, severe and oscillating voices on all sides, but I couldn’t identify words. “Are they really speaking English?” This question protruded from my consciousness.

Mixed with rain, sometimes violent, sometimes calm, falling from the branches of trees that shaded the narrow sidewalk, the unexpected smell of wet earth in Mine Street inebriated me. The fairy lights colored the drops that returned to natural transparency when it released from its plastic and glass hosts. The truth is that I noticed just what glittered or amplified my senses.

People talked to me. I didn’t know who they were or what they said. Confused, I limited myself to smile as much as possible, without showing too many teeth. I felt very tired and my bleary eyes didn’t help me deal properly with human interaction that morning.

After a long walk, I scratched my eyes and stopped in front of a mirror of an antique shop. “Hmm, now I’m getting better. Soon I’ll feel 100%”, I concluded. A nice lady invited me to visit the place. The entrance was narrow, but the interior space was big and seemed so inviting and mysterious, that I had a sudden urge to spend hours there.

Fragrances of cloves, vanilla, amber, sandalwood and musk, distributed in various antiquarian points, leading the visitor to feel like part of a divided reality into fragments, with perfumes that enriched objects, the shop owner asked if I would like to see something special. I said no, and she left me at ease. Previously, she told me that she devoted many years of her life buying and collecting objects from 1910 to 1970.

“My father passed away over 30 years ago. He was a collector of things that people considered obsolete or of little value. ‘How something that marked a period and demanded days and even months of effort, may someday be seen as insignificant? There is nothing in the world that deserves such depreciation”, he told this to Martha, the owner of the antique shop before leaving to meet a client who was looking for a music box.

The more I walked inside the shop, the more I felt like walking through Nell Trent’s grandfather’s antique shop, immortalized by Charles Dickens. For a moment, it also reminded me of the movie “It’s a Wonderful Life” by Frank Capra. Well, in my case and at that time, happiness could be purchased.  However, the reality was a destroyers desire. I opened my grizzly and battered wallet, counted the notes and coins which bobbed into my pocket, and I quickly made sure that nothing there fit in my budget.

The sadness hit me hard. It made me perspire, moistening my hands and the few notes of low value that I looked crestfallen. The coins have lost their luster, as if they were powerless, destroyed by circumstance. By far, Martha noticed the moment I quickly cringed to put money in my pocket and left the antiquarian.

She interrupted me and asked if I appreciated anything. I said yes. “Ok, then why won’t you take anything?” I hesitated for a few seconds. I felt trapped, like a helpless animal. Seeing in her face a comforting expression of benevolence, I just told her that I didn’t have money to buy anything in her shop.

“Why not? How much do you have?” Reluctantly, my hands were shaking when I took the notes and coins from my pocket. Marta smiled and asked me to show her which object pleased me most.

I walked to the back of the shop and showed her an old small brown wooden chest that cost more than double of my savings. “Who will you give it to? It’s a nice Christmas present! You have good taste!”, commented Martha, making me blush. I explained that it would be for my mother. Then she asked if there was something in my pocket. I took a piece of white paper that carried a little poem of mine called “Faience Child”.

Martha read it carefully, smiled and, to my surprise, declared that “my work” covered the rest of the amount. Before leaving, she asked me to autograph the poem and to help her put it in a golden frame of baroque inspiration . “Now we have a valuable framework,” she emphasized.

We said goodbye and she accompanied me to the shop’s entrance, where I saw her smiling graciously until the time that I disappeared from her sight. Excited, I walked through Vargas Street and I returned home watching the sun clearing the cloudy morning, drying the asphalt and illuminating the scene, vehicles, people and animals which were covered by the same warm and lilting mantle.

The following month, I took my mother to the antiquarian. When we got there, there was nothing, only a rent board. “A glimpse of passing faces caught by the light of a street-lamp or a shop window is often better for my purpose than their full revelation in the daylight”, wrote Charles Dickens in “The Old Curiosity Shop”.

Por que os muçulmanos usam barba

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Segundo a lei islâmica, a barba só pode ser aparada quando atingir o tamanho de uma mão fechada

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Segundo Abu Darba, o profeta Maomé diz não ter nenhuma ligação com aquele que não tem barba (Foto: Reprodução)

No mundo todo, é grande o número de pessoas que não sabem o motivo pelo qual os muçulmanos usam barba. Foi pensando nisso que o Mufti Afzal Hoosen Elias, jurisconsulto e intérprete do Alcorão, escreveu o folhetim “Sobre o Comprimento da Barba”.

Nele, Elias explica que o uso da barba é uma forma dos homens sentirem-se mais próximos dos ensinamentos do profeta Rasulullah (Maomé). “Para aqueles que veem a barba como algo trivial, que Alá possa guiá-los. Mas para aqueles que desejam aprender e praticar o que é certo, tenho provas suficientes da importância da barba. E elas foram extraídas do Hadith, do Alcorão”, escreveu o Mufti Elias.

Nas palavras registradas por Abu Darda no Hadith 501, do Alcorão, o profeta Maomé diz não ter nenhuma ligação com aquele que não tem barba. Segundo os ensinamentos de Hadhrat Ammar Bin Yaasir, Abdullah Ibn Umar, Sayyidina Umar, Abu Hurairah e Jaabir, a barba deve ser cultivada longa. Somente durante o Haji ou Umrah, quando os muçulmanos peregrinam até a Meca, que eles aparam suas barbas, mas sem deixá-las menores do que o tamanho de um punho.

“Aqueles que imitam os descrentes e morrem nesse estado, se juntarão a eles no Dia do Qiyamat (juízo final]”, escreveu Hadhrat Abdullah Ibn Umar em referência aos que abandonam, por exemplo, a barba. Em relato de Ibn Umar, no Hadith 498, Rasulullah recomenda que os homens mantenham o bigode curto, mas deixem a barba crescer. Recomendação parecida aparece no Hadith 500.

Maomé diz também que nenhum homem sem barba tem direito ao perdão de Alá, de acordo com transcrição de Ibn Abbas. Além disso, a recomendação de Al-Tirmidhi, registrada por Ibn Umar, é de que a barba seja aparada somente quando ela atingir o tamanho de uma mão fechada.

No contexto do islamismo fazer a barba se enquadra como haraam, ou seja, um ato proibido pela fé islâmica. O Muwatta, uma das primeiras coleções do Hadith, escrito por Imam Malik, o primeiro sheik do Islã, diz que os únicos que não usam barba são os hermafroditas, ou seja, pessoas que possuem tanto o órgão sexual masculino quanto o feminino.

Para a Hanbali, uma das quatro escolas sunitas ortodoxas, referência em jurisprudência islâmica, o crescimento da barba é fundamental e cortá-la é pecado. Tal defesa pode ser encontrada em livros como “Sharahul Muntahaa” e “Sharr Manzoomatul Aadaab”.

“Um homem sem barba é um sujeito injusto e legalmente falando jamais seria concedido a ele o direito de ser um imã [um estudioso do Islã]”, consta na página 523 do primeiro volume do livro islâmico “Shami”. Para os fundamentalistas, muçulmanos sem barba não devem ter o direito de votar ou de se candidatar a algum cargo no contexto da Charia. “A chave para a felicidade total encontra-se em seguir a Sunnah e imitar a vida de Rasulullah no que diz respeito a tudo, incluindo sua maneira de comer, dormir e falar”, escreveu o Imã Ghazzali.

“Santo é o ser rodeado de homens com barba e mulheres com tranças”, consta na página 331 do terceiro volume de “Takmela e Bahr al Raiw.”

 Saiba Mais

Abu Darda era um dos companheiros do profeta Maomé.

O Hadith é o registro dos preceitos de Maomé.

Após o Alcorão, a Sunnah é a segunda fonte mais importante das leis islâmicas.

Referências

Elias, Agzal Mufti. From The Shari Length of the Beard.

http://www.islam.tc/beard/beard.html

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Written by David Arioch

September 30th, 2016 at 10:45 pm

Kanis, uma boa surpresa

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EP contém sete músicas na versão CD

EP contém sete músicas na versão CD

“Parceiros, Amigos, Amores” – Não tiro mais este CD do player do meu carro. Música da mais alta qualidade feita pelo brother Willian Mattos. Logo mais sai minha reportagem sobre o Kanis. Uma banda que merece ser ouvida e logo mais deve ocupar posição de destaque no cenário musical independente. Sem dúvida, uma boa surpresa paranaense.

Para quem quiser conhecer: https://www.youtube.com/watch?v=Jnd7eKuQWRk

Written by David Arioch

September 30th, 2016 at 1:43 pm

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Who’s the patient?

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It was 7:50 a.m., and the sun lit up the room with an intensity that relegated the lamps lit to uselessness

After having my chest pressed several times and in several positions, I left the examination room (Photo: Copy)

After having my chest pressed several times and in several positions, I left the examination room (Photo: Copy)

Today, I went to a clinic for an examination. Once there, I gave the health plan request to the receptionist and she asked: “Who’s the patient? Where is your wife?” I answered that I was the patient. Embarrassed, the girl apologized. For a moment, I wanted to laugh as I remembered her saying: “Where is your wife”, but I didn’t want to leave her embarrassed. Once she confirmed my data and handed me a pink badge written MAMMOGRAPHY, I understood why she asked “Who’s the patient? Where is your wife?”

With the identification of the examination in my hand, I walked to a quiet waiting room. It was 7:50 a.m., and the sun lit up the room with an intensity that relegated the lamps lit to uselessness. When they saw me, three women could not take their eyes off of my badge written MAMMOGRAPHY. And I was thinking, inert in a veiled smile and wordlessly: “Yes! I’m a man and I will do mammography. That’s it! Draw your conclusions. I can also have fun interpreting your thoughts.”

My pink badge sparkled even more with the warm incidence of the sun. It was aiming more strongly where I sat. No problem! It did not take too much time for the three women to be called to an exam room. Alone, I changed my place, because there was sunlight everywhere, warming my back, arms and face. I felt better when I could hide myself under a white wall.

I was standing there with my badge while the TV showed stories of corruption and cheating. I watched a guy saying that the electricity theft in Brazil corresponds to the energy consumed in the state of Paraná. OK! At that moment, everything seemed to revolve around energy, including the sun that was still sneaking in the window.

Soon the room began to fill, and no one avoided looking at my badge. “It’s all right! It’s all right! That’s right! I will do MAMMOGRAPHY”, I thought again. In the meantime, a friend, Rafael, saw me and came to congratulate me for my texts, which pleased me because it helped distract me from all the inquisitive looks.

I was at least 40 minutes waiting for my turn, which was unusual, since I saw people who arrived after me were being attended to before me. I got up, I went to the reception and I asked if it would take a long time for me to be attended. All around me, more people looked at my pink badge. In another waiting room, I saw someone pointing at me and commenting: “That boy will do mammography. That’s weird!”

They pronounced my name: “Davi”, not David, wich I hadn’t been called since I was a baby. I walked to the technical assistant in mammography and she apologized. She told me that the examination, in the way requested by the mastologist, required adjustments on the machine, explaining the delay. “Someone with breast cancer in the family?” I said no. I was there to make bilateral mammography with the intention to evaluate the disappearance of a mild gynecomastia.

After having my chest pressed several times and in several positions, I left the examination room feeling my marked chest and I walked to the exit. Before entering the streets, I heard a whispering woman close to the door: “I didn’t know men can also get breast cancer.” Without bothering to explain the reason for my visit to the clinic, I replied: “Well, lady, tell you husband and your sons to be very careful. The greatest danger comes when milk suddenly drips from the nipple. “Startled, she cowered in a corner with glazed eyes.

Written by David Arioch

September 29th, 2016 at 4:18 pm

De mãe para filho

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Foto: Arquivo Familiar

Foto: Guimarães Junior

Todo ano, minha mãe escreve uma carta que recebo somente no dia do meu aniversário. É uma tradição. Assim como tenho feito nos últimos anos, faço questão de compartilhar o conteúdo, afinal trata-se de um dos melhores presentes que um filho pode receber:

Sou mãe de três filhos maravilhosos. Já passamos por muitos momentos tristes. Perdemos muitas pessoas queridas, então me apeguei com Deus e meus filhos. Devo dizer que minha força vem da nossa união familiar. Aprendemos a ter gratidão por tudo, mas principalmente por aqueles que estendem a mão, semeando de alguma forma a felicidade.

Só que hoje quero falar de você, David. Hoje é seu aniversário e eu não poderia deixar de escrever uma nova carta. Hoje fiquei lembrando do dia em que o médico o mostrou para mim, tão pequenino e com dois olhos grandes que mais pareciam duas jabuticabas. Um cabelo tão preto que cintilava como se fosse veludo. E o mais incrível é que nasceu com cabelo comprido! Sim, cabeludo de verdade!

Antes de completar um ano já observava tudo ao seu redor e tentava contar histórias. Quando aprendeu a falar, todo dia narrava uma história diferente. Inventava a partir das coisas que via na rua quando saía para brincar ou passear. Já dava sinais de que seria jornalista e um dia escreveria livros.

Obrigado por ser esse filho maravilhoso, meu amigo e meu confidente. Por ser esse ser humano realmente HUMANO e generoso, sempre preocupado com os outros. Sei que se alguém te pedir um tênis na rua, e você tiver somente um par naquele momento, é capaz de você tirá-lo do pé e entregá-lo a quem pediu.

Também se preocupa com os animais como ninguém, e é assim desde criança. Tem um desapego muito grande de coisas materiais. É apaixonado pela profissão de jornalista, por história, literatura, cinema…Sempre falo que você tem o dom da palavra, da escrita. É um devorador de livros.

Está sempre disposto a escrever matérias para ajudar quem precisa. Transformou isso numa ferramenta capaz de transformar vidas. Tenho muito orgulho de você. Sou sua fã. Sou testemunha do quanto você batalha para realizar seus sonhos. Você já é um vencedor e vai conseguir tudo que você merece. Você é uma pessoa do bem. Eu sei que quando se é honesto tudo é muito difícil, mas não impossível para quem crê.

Te amo muito, meu filho.

De sua mãe, Má.

28 de setembro de 2016.

Written by David Arioch

September 29th, 2016 at 12:04 pm

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Um exemplo do nível da nossa política atual

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Foto: David Arioch

Foto: David Arioch

Fui ontem na Vila Alta, bairro da periferia de Paranavaí, conversar com um amigo, o artista plástico Luiz Carlos Prates de Lima. Na ocasião, ele e outros moradores me relataram que nas últimas duas semanas apareceram vários candidatos a vereador, que até então nunca foram ao bairro, alegando serem os responsáveis pelo asfalto que existe naquele lugar desde o ano passado.

Na realidade, toda a malha viária da Vila Alta foi feita através de uma reivindicação dos próprios moradores, e com recursos do PAC. Ou seja, tais candidatos são basicamente mentirosos e picaretas querendo levar vantagem sobre os mais humildes.

Vão a bairros pobres para tentar enganar os moradores. Depois me perguntam porque é desanimador votar hoje em dia. É esse tipo de gente que mais briga para ocupar um cargo eletivo na atualidade.

Written by David Arioch

September 28th, 2016 at 1:18 pm

The soot storm

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She was an artist and a work of art, a platter author who has learned to be guided by the wind

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Dark and tiny, she seemed free to do whatever she wanted in her current world

On a mild climate day I got home late in the afternoon. I saw the garage and the clothes on the clothesline covered with soot from the burning of sugarcane. The way she moved through the air gave me the impression that I was in front of the remains of a tortuous and dirty storm.

The soot moved by air in a mocking way. When I tried to touch her, she dodged nimbly and fixed on something that I naively struggled to protect. There was dirt everywhere. Without constriction, the soot smeared all along the way.

She was an artist and a work of art, a platter author who has learned to be guided by the wind. It could be touched in its thoroughness, but never possessed, because after that it was born to nobody else. Dark and tiny, she seemed free to do whatever she wanted in her current world.

My white and clean car was blackened when he met her. Unable to move, he witnessed the specious wind carrying so much soot that made the sun disappear behind the massed shadows of filth. The brightness of the bodywork was gone, misted by sovereignty of false plumbago.

I rubbed my finger on the hood and I noticed a mishmash of ash and low-quality graphite faded under my right forefinger. To my surprise, she still preserved the smell of burnt sugarcane.

Resting in a dry place, and when she was clinging to damp or wet, the soot dissolved, creating designs not always incomprehensible or empty in meaning. In the center of a white shirt that brandished on the clothesline, I saw the hooked shape of a tiny, striated hand. She had bitten nails, and some were more grimy than others.

Maybe it was the most derogatory Phoenix, since she was reborn from the ashes and almost like ashes without the right to turn into something beautiful, good and fruitful that people could enjoy watching or aspirate. Bud of sugarcane straw,  she was born ugly and without existential motivation.

Gestated in ember, soot went through dozens of miles to reach their destination – urban area homes, including people who do not know she existed. That was her fate, the short life of those who emerged stubborn by fire. I don’t blame her for indiscipline. It must be horrible to wake up feeling something hot forcing you to leave.

I dove into my mind and watched her first flight, shy and languorous. Sent away, obeying without question the order of things. After all, she felt the remaining freshness of green that was extinguished ten meters from the ground. The soot struggled to cry, seeing herself as blurred, uniform and insignificant. She writhed in the air, but it had no effect. Relegated to a sterile existence, she was drier than the most tenacious droughts.

Angered by not having any rights, and aware that she would have no more than hours, and with lucky a few days, she rebelled against her fate. She made a deal with the wind, promising to revere him as a god if he would help her go as far as possible in your rumpus. He agreed.

After turning into storm, the wind carried her. With his nimia and ruling force, he condensed all the soot of the cane fields, creating a small and blurred replica of the moon. In dozens of kilometers of route, the ball fell apart and fragments followed by the most different directions – through pastures, fields, villages, districts and cities around my hometown.

On that day, the soot invaded John Kennedy Street, crossed the sky of my house and left hundreds of unwanted traces, accompanied by a gurgling sound that mimicked the clink of knives. The sugarcane smell still lingered. While I decided what to do, soot got into my nose and I inhaled. Later I felt a burning in the chest. I had the impression that something unusual was alive inside me and moving.

I went to the doctor the next day and in the same week I made some tests. He showed me that there was a strange stain that distended on one of my lungs. I don’t deny I felt a mixture of worry, anger and sadness. “I’m pretty sure are traces of nitrogen monoxide, nitrogen dioxide, carbon dioxide and ammonia. We need to take care of it, because otherwise it can quickly turn into asthma, lung cancer or even penile cancer”, warned the pulmonologist.

“I felt death smash up against my head, as if a meteor had fallen from space and just chose my skull as a airfield,” wrote Campos de Carvalho in “The Moon comes from Asia.” In the second and third battery of tests, carried out in the next month, showed me there was nothing left in my lungs. Then I remembered that 15 days before a prolonged sneezing gave me an odd sense of relief. What came out of my nose was not clear as water, but cloudy as the void of nonexistence.

Arriving home, I lay in bed and, looking through the window, I realized that on the other side of the wall there was a new soot stain. It looked like a burning bush. I fell asleep, thinking only of another passage of Campos de Carvalho. “At night the moon comes from Asia, but can not come, which shows that not everything in this world is perfect.”

Written by David Arioch

September 27th, 2016 at 5:30 pm

Renato Frata, entre contos e crônicas

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“Arrisquei fazer os primeiros textos poéticos. Gostei, continuei e senti vontade de escrever textos corridos”

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Renato Frata com seus 16 livros publicados ao longo de décadas (Foto: David Arioch)

Foi na puberdade, quando se apaixonou pela primeira vez, que o escritor e advogado Renato Benvindo Frata, de Paranavaí, no Noroeste do Paraná, rascunhou alguns versos. Influenciado pelo pai e pelo irmão, assíduos leitores, ele descobriu na leitura um dos maiores prazeres da vida. “Então arrisquei fazer os primeiros textos poéticos. Gostei, continuei e senti vontade de escrever textos corridos”, relata.

O primeiro conto, “Pá de Polenta”, foi premiado na década de 1990 no Festival de Música e Poesia de Paranavaí (Femup), 20 anos depois de escrito. “Produzi uma extensão maior desse conto e o transformei em um livro que retrata parte da minha infância. Depois vieram outros. ‘Reflexão dos Cinquenta’, por exemplo, foi a primeira obra de um escritor de Paranavaí a ser publicada por um projeto da Secretaria de Cultura do Estado do Paraná”, conta.

Em 1999, Frata escreveu o conto infantil “O Sapo Chorão”, lançado pelo projeto Aluno Especial, da Secretaria da Educação de Paranavaí. “Fiz o texto e ele foi ilustrado por alunos de classes especiais. Fiquei muito satisfeito porque uma garotinha de Graciosa [distrito de Paranavaí], que tinha dificuldade de memorização, conseguiu captar a intenção do conto e o ilustrou de forma bastante singela, limpa. A obra foi editada com os desenhos dela”, informa.

Em 2009, o escritor lançou o livro “O Cavalariço e a Rainha Roxa”, que recebeu o Prêmio Clarice Lispector no 7º Concurso Literário Internacional da União Brasileira de Escritores (UBE), no Rio de Janeiro. Na história, há um confronto entre a cultura e a condição financeira dos personagens. “Ela era uma rainha triste e ele era um cavalariço sonhador. E através de sua capacidade intelectual, ele consegue conquistá-la. “Fiquei muito feliz com esse prêmio porque a UBE é um expoente literário e trabalha em parceria com a Academia Brasileira de Letras”, comenta.

Frata publicou também “Quarto de Solteiro”, que traz 60 crônicas da época em que saiu de casa para sedimentar a vida profissional,  além de outras 40 crônicas sobre o cotidiano. É uma obra que o marcou muito, com histórias que remetem às décadas de 1960 e 1970. Na sequência, vieram “O Ipê Amarelo”, conto que garantiu outro prêmio no Femup, e “O Azarinho e o Caga Fogo”, premiado em Paranavaí e em Curitiba. “O trabalho com a literatura infantil é complicado porque a cabeça da criança é muito diferente da nossa. Não é fácil”, argumenta.

Escritor ladeado por alguns de seus certificados de premiação (Foto: David Arioch)

Escritor ladeado por alguns de seus certificados de premiação (Foto: David Arioch)

De literatura infantil, Frata cita ainda os livros “O Sapo Chorão”, publicado em duas versões, “Coração Alegria” e “Gato Tiziu”, escrito em parceria com o neto. Na semana passada, o escritor lançou “200 Microcontos…e mais alguns” na 3ª Festa Literária Internacional de Maringá (Flim). “Um verdadeiro desafio. Eu nunca tinha feito isso. Foi um exercício estafante porque o livro saiu em menos de dois meses. Mas fiquei contente pela receptividade. Algumas professoras de Maringá me convidaram para ministrar oficinas para alunos do ensino fundamental. Sei que há coisas a se considerar, mas parece-me que saiu um livro gostoso de se ler”, avalia, em referência à obra em que cada microconto tem cerca de 140 caracteres.

Depois de 16 livros lançados, o escritor mantém-se animado. Confidencia que está editando mais dois livros de contos e crônicas. “Vamos fazendo por diletantismo. A minha motivação é a vida e uma família que, graças a Deus, segue inteira, sem nenhuma cisão. Sou casado há mais de 46 anos e minha esposa Helena me ajuda muito nesse processo”, pondera o escritor que possui sete Barrigudas, troféu-símbolo do Festival de Música e Poesia de Paranavaí, além de premiações em Maringá, Cornélio Procópio, São Paulo e Rio de Janeiro.

Frata recebeu o Prêmio Clarice Lispector, concedido pela União Brasileira de Escritores (UBE), no Rio de Janeiro (Foto: David Arioch)

Frata recebeu o Prêmio Clarice Lispector, concedido pela União Brasileira de Escritores (UBE), no Rio de Janeiro (Foto: David Arioch)

Sobre a inspiração para escrever, Renato Frata esclarece que suas obras surgem a partir de suas memórias ou relatos de amigos e conhecidos. “Tudo vem de um intercâmbio de ideias. Eu gostaria de editar todos os meus trabalhos. Tenho uma quantidade razoável de obras que rendem pelo menos mais dois ou três livros de contos e crônicas”, revela.

O escritor qualifica como muito gratificante as ocasiões em que é reconhecido pelos seus textos literários. Um dia, visitando o túmulo de seus pais, um senhor o abordou e disse que era seu fã. “Falou que guardava todas as minhas crônicas que saíam em jornais e revistas. Uma experiência que faz o trabalho de um escritor valer a pena. Para quem escreve, leitores sempre serão mais importantes do que qualquer prêmio”, enfatiza.

No dia 27, o livro “200 Microcontos…e mais alguns”, de Renato Frata, vai ser lançado às 20h no 1º Sarau da Academia de Letras e Artes de Paranavaí no Lions Clube. “Na mesma noite, serão premiados os vencedores do concurso de microcontos e poemas que versam sobre a doação de órgãos. Recebemos mais de 600 trabalhos. Foi uma experiência muito interessante”, declara Frata que é presidente de honra da academia, atualmente presidida por José Cauneto.

Microconto “Infância”

À beira da calçada, o copo com água e sabão e a haste de arame envergado faziam sonhos, felicidade, magia. Todos assoprados nas bolhas de sabão. (Página 3)

Saiba Mais

Renato Frata já publicou 16 livros de contos e crônicas. O escritor nascido no interior de São Paulo se mudou para o Paraná com apenas cinco anos, então se considera paranaense e paranavaiense.

Frase do escritor Renato Frata

“Simpatizo muito com trovas, porém não tenho o hábito de fazer. Acredito que me dou melhor com a crônica.”