David Arioch – Jornalismo Cultural

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Dio, the discovery of the little hawk      

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I was surprised to see in the yard a small hawk perched on the branch of a brazilian grape tree

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The little one loved living at home, going through every space he pleased or instigated his curiosity

I was eight or nine years old. I got home and I was surprised to see in the yard a small hawk perched on the branch of a brazilian grape tree. He was so young and my mother found him injured near a vacant lot. She took care of him and soon he recovered, but he didn’t want to leave.

The little one loved living at home, going through every space he pleased or instigated his curiosity. His plumbeous feathers contrasted with the clear sky on hot days. I said he was the lord of the rain because his plumes were gray as the misty sky. Whenever someone asked me why Diodon had orange feathers next to the right foot, I repeated the same story I made up:

“In a day of little clarity, he flew so high that the sun got angry and suddenly appeared just burning a small portion of his plumes. The shock was so big that even his blue eyes changed color – an endless memory of his stubbornness.”

Dio was quiet and silent, but he didn’t like to interact with other animals. He only watched them from a distance, as if from the branch where he rested, he observed the vassals of his kingdom. He had an inquiring look and at the same time simple and pure. He couldn’t hunt, so the responsibility fell on us to feed him with ground meat plus calcium carbonate powder.

The first time he went up on my finger, I felt a tickle. When I started to laugh, Dio opened his beak and screeched. I had the impression that he wanted to answer my laughter in his own way. As Diodon grew, my fingers became insufficient to safeguard him, and he decided to nest in my arm and shoulder, especially around the neck, where he learned to poke me subtly with his claws. Over my shoulder, Dio always called the attention of onlookers in the center of the town.

From time to time, he opened his wings like a fan, reaffirming its grandiosity. His popped eyes gave me the impression that his painstaking vision contemplated all around him, like his hearing. Nothing went unnoticed, not even a solitary leaf swept by the breeze into a manhole.

Occasionally, he cowered in the presence of strangers, hiding part of his body behind me. I was tickled and laughed when his grizzly beak poked my head. Then he moved his feet to the left, to touch my deltoid, and watched me carefully, since ignoring the visits that he regarded as intrusion. Despite the estrangement that lasted months, he no longer saw the poodles Happy and Chemmy as threats. By analyzing them, his behavior has changed considerably. I remember when I caught the fond Chemmy licking Diodon’s feathers. Silently, the little hawk was aiming the nozzle towards the indigo sky in contemplation.

At late afternoon, after the restless Happy came to lick his beak, Dio wasn’t positioned to peck the dog’s nose as usual. The truth is that he didn’t care. The little hawk may not have noticed what happened and continued admiring the celestial vastness, abstracted from the earth and released to the heavens where he floated under soft dreams as his feathers.

Happy thought that Diodon’s passivity was strange, and examined with exultant and ensnared expression. The poodles retreated when the little hawk flapped his wings and walked toward the brazilian grape tree in the backyard. Climbing from branch to branch, he reached the top and hesitated for nearly a minute before he jumped with open wings.

During the flight, Dio squealed with excitement that caught the attention of neighbors and strangers who passed through Arthur Bernard Street. He was happy and even the most inattentive person realized it. It was as if the cloudless sky gained a new owner, a young animal which discovered that the breath of life also exists in the concession.

Every day in the afternoon he flew at the same time. I was finding it curious and I started to time the duration of his flights. One, two, three, four hours. Each week that passed I noticed that Diodon spent less time at home. That’s when I realized that his home was no longer a place, but a space where his wings bobbed with the purity of a winged horse.

The last time I met him at home, he gently pecked my head. His feathers were more vibrant as well as their glittering eyes of citrine that conveyed me cunning and conviction. Diodon was no longer the small hawk who came home wounded, malnourished and with few feathers. Although he didn’t like hugs, he allowed me to involve him quickly between my arms, without even pointing his long, sharp claws. I let him, and he played the same way he winched the first time that he came up on my finger. Within minutes, Dio left and never returned.We didn’t try to seek him because there is nothing to find when the departure is motivated by the untimely desire to fly.

Written by David Arioch

September 25th, 2016 at 3:21 pm

O gato da Vila Paraná

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Foto: Reprodução

Querubim ouviu tiro de espingarda seguido de miado. Lá fora, na rua de terra arenosa, Ranulpho nem se mexia, estatelado sobre uma porção de folhas miúdas de sibipiruna. A boca continuava entreaberta, denunciando que a dor da morte não poupava nem os mais inocentes.

Com receio de parecer sentimental demais, o menino engoliu o choro. Fez tanto esforço que as quentes lágrimas que ameaçavam escorrer dos cantos dos olhos desapareceram. Nem conquistaram o princípio de liberdade. Encolerizado, Querubim observou Matias sobre o pé de manga, sorrindo e mirando a espingarda em sua direção. “Você quer também? Dou em você, trouxa!”, avisou o moleque. Querubim não disse nada. Só coçou a cabeça, sem se importar com a nuvem poeirenta que se formava ao redor de sua cabeça, como névoa alaranjada.

De costas para o assassino, o menino agachou e fez carícias na barriga do gato que já não sentia suas mãos sobre o pelo claro. Onde havia um par de olhos azuis, restaram pequenas massas disformes. Duas lágrimas caíram pejosas, umedecendo a boca seca do felino. Era tarde demais.

As horas passavam, e a natureza sepultava Ranulpho, cobrindo seu corpo com o solo arenoso, pouco a pouco transportado do bosque pelo vento sul. “Ô Querubim! Leva esse bicho daqui. Já vai começar a feder”, diziam. Ele só acenava com a cabeça em concordância, sem sequer mover as pernas alinhadas sobre o meio-fio.

Quando a terra arrastada pela aragem invadia a boca do gato, o menino se aproximava e a limpava usando uma toalhinha umedecida com água. No final da tarde, tentou enterrar Ranulpho no canteiro de plantas de sua mãe. Foi repreendido enquanto cavava a terra com a colher de pedreiro de seu avô. “Tá louco, menino! Aqui não é lugar de enterrar bicho!”, reclamou o avô.

O velho pegou o gato morto pelo couro do dorso e o lançou dentro de uma sacola grossa e escura. Parecia um saco para cadáver em PVC. A pendurou no guidão da bicicleta de aros tortos e pedalou até o lixão do bairro mais próximo. Retornou sem dizer palavra. Entrou na cozinha, tomou um gole de café amargo e deitou na rede.

Querubim assistia o velho, querendo saber o que ele fez com Ranulpho. Sem coragem de perguntar, lembrou de uma lei imposta na Vila Paraná na década de 1970, quando três cães de grande porte mataram dois bebês. “Ninguém mais pode entrar aqui com animais. E se alguém matar, não pode chorar nem enterrar, senão vai se ver comigo”, declarou Mandino Conselheiro, a quem a população recorria sempre que surgia algum problema no bairro.

Sob um pé de mamão, Querubim observou o avô até a hora em que o velho dormiu na rede. Chorou e gritou com a mão na boca. Também açoitou as próprias pernas e costas com os galhos do mamoeiro. Ninguém ouvia. Os vergões se multiplicavam. Ele não se importava. Deitou na terra e sentiu gosto acre na boca, misto de terra e sangue.

Amanheceu no seu colchão velho, enrolado num lençol branco encardido e cheio de furos. Pelo buraco no teto, o sol mirava pacotinho de ração ladeado por tampa com água. Querubim levantou e correu até a entrada do barraco onde vivia com a mãe e o avô. O casebre ameaçava cair há anos, porém resistia.

Sentou no chão e usou pedaço de graveto para desenhar Ranulpho. Quando terminou, cochilou com as costas escoradas na cerca de madeira e arame farpado. Em sonho, ouviu um ronronar que lhe arrepiou até os pelos que não possuía. Abriu os olhos e, sob sua mão esquerda, Ranulpho marcava território mais uma vez, esfregando o pelo sujo e macio.

O odor de lixo passou despercebido, não o miado de fome. Chorando, Querubim tomou o gato cego e derreado nos braços. O levou para dentro de casa e de lá não saiu mais naquele dia. A história de Ranulpho e Querubim mudou a Vila Paraná no final dos anos 1990: “Quem não vê amor num animal, não vê amor em si mesmo”, disse Neto Conselheiro, filho de Mandino.

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Written by David Arioch

September 24th, 2016 at 5:57 pm

The love and the pomegranate

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I never understood how love, so colorful symbolically, could have baleful constitution

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I continued visiting mister Ofer until 1993, when we lived in Progress Garden

Throughout life, many times I’ve heard someone saying that love, mistaken for passion, is overwhelming, as if made of sparks of foolishness. When it comes, makes you blind and averse to sense and reason of serene things. It consumes you unexpectedly, leaving your lips parched as dashed ground by severe drought. I’ve heard many stories in my town about suicide for love; people jumping from buildings, throwing their cars against trees, hanging themself, consuming strychnine and shooting themselves in the head. I never understood how love, so colorful symbolically, could have baleful constitution.

Love should not be like mourning, a sorrow manifest. Neither deserves to be related to death if it embraces in essence the fearlessness of light. The heart that loves in abnegation only darkens when it stops beating, irremediable fact of our epilogue. But while living is colorful and robust as a mango harvested in march. It is beyond good and evil. Love is beautiful in literalness, in the purity of its semantics. Not so unilaterally or less distorted and depreciated by clumsiness, confabulations and deconstructions of sense.

Not that there is no pain in love, after all it is inherent to life and sends us iterated signals that suffering also dignifies the existence; teaches that we are defectives, fragile and ephemeral as all beings that inhabit the Earth. However, a feeling becomes harmful only if we allow it to. At least that’s what my life shows me since I started to recognize its entanglement and depth.

When I was seven years old, I lived with my parents in an old house on Pernambuco Street. At the time, a part of the population of my town still had the custom to hold funerals in the own residence hall. One day, across the street, just over 50 meters from home, walking and moving the fingers of the right hand by the wall painted with lime, I stopped in front of a gate where I saw and heard people in a shy crying, talking and scratching their eyes.

They were around a glossy black coffin that looked like a newly unmeasured greased shoe. The room was small and the people, depending on the height, almost rubbed the navel and chest at the deceased’s head to get to the bathroom.  Because of the distance, I could not see her face covered by a snowy cloth that more resembled a bridal veil. I knew she was a woman because I remember when someone said that the deceased was mistress Stela. “Hey, they will bury her with that party cloth?”, I asked myself in a burst of spontaneity and simplicity.

The next morning, when I went out to buy bread, I found mister Ofer, the husband of mistress Stela, walking slowly, laughing alone, and without pointing eyes to anything that surrounded him near a bakery at the Federal Avenue. It seemed like a solemn trance and perhaps meaningless in the strangers conception. I approached, greeted him, and in a typically thoughtless act of a child, I asked: “Mister Ofer, your wife died yesterday, so why are you laughing?”

So he kept quiet for three or four seconds as he watched me and straightened the last button of his flowered shirt, such that retirees use when they go on vacation to a tropical paradise. His complexion and his eyes sparkled so much that I could see my little reflection distorted in his almond-shaped velvety pupils.

“Look, David, you’re still too young, I don’t know if you will understand, but I will reveal to you a secret. I’m not happy, but I committed to rediscover a new direction in my life. Before Stela died, she knew how much I was dependent on her. She was my first and only companion for more than 40 years, since we were teenagers. So you know what she did when she became ill and they told her she wouldn’t live long? She was not lamented. She took a notebook from inside the nightstand, picked up a pen and planned my life, day by day for the next five years. She always knew that I am a mess. She said it was for me to follow straight, so I wouldn’t feel lost. If I started a new life, I could leave the notebook. Otherwise, I just needed to restart the tasks. The first day is today. Take a look!”

I took the notebook with both hands and there were the first suggestions. “Dear Ofer, my great love, get up tomorrow, take a good bath, wear the flowered shirt that is on the first hanger, put on the beige shorts in the second drawer and the almond sandals that are in the first row of the shoe rack. Walk slowly to the bakery and smile. Remember the first time we met, when we got married and when Laura was born. Be sure to smile, even if the people judge you. Ignore all the negativity. Sooner or later this exercise will brighten your heart, turning pain into a new form of love. ”

I returned the notebook and walked to the bakery. There, he bought me a snack and a soda. He preserved the smile most of the time, even when he reported the difficulties in the 1950s. “Our house was practically a shack. We had no fridge, so I only could buy food that did not spoil quickly. We were young, very young, but we were happy in a little place in the woods, “he said, already teary eyed.

On the way back, I noticed that while he was walking, mister Ofer fondly massaged his wedding ring on his left hand. There was a warm and stuffy silence like a diving suit that blended the sounds of motorcycles, cars and trucks crossing the Federal Avenue. Suddenly the uncomfortable smell was overshadowed by a uniform and subtle scent of a blue lily bouquet transported on foot by a young employee of a flower shop. “It is her favorite. Stella called it a Blue Darling”, commented mister Ofer in a laconic laughter.

In front of his house we said goodbye. When I was leaving, he yelled my name and asked me to await. Soon he returned with pomegranates in his hands, picked from his backyard. “That never miss love in your home as never lacked in mine,” he said with a candid smile. I continued visiting mister Ofer until 1993, when we lived in Progress Garden. Over time, my routine changed and his too, then we lost contact.

One day in 2002, I received a letter signed by his daughter Laura, who lived in Curitiba for more than 15 years. I thought the correspondence was sent by mistake because I no longer remembered her. When I opened the envelope, I found pomegranate seeds, brought from Palestine, and a small letter. “My dear and good friend David, all that dies today reborns tomorrow, if the heart accepts it. Never forget that even the Dead Sea couldn’t overshadow the scent of pomegranates that radiated to Jericho”, wrote mister Ofer.

Written by David Arioch

September 23rd, 2016 at 11:17 pm

A barba luminosa

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Na fila de um mercado em Nova Esperança, um senhor sendo atendido pelo caixa gesticulava, falava e sorria. Daí notei o caixa, o empacotador e outro homem também sorrindo. A princípio, não entendi o que estava acontecendo. Parecia-me até um tipo de conferência – com os quatro formando um semicírculo . “Quando eu era jovem tive uma barba grande e luminosa igual a daquele rapaz ali. Qualquer dia trago a foto pra vocês darem uma olhada”, disse o cliente na faixa dos 60 anos. Em seguida, mais gente virou o rosto e seguiu o dedo do homem, apontando para o portador da tal barba luminosa – eu.

Written by David Arioch

September 22nd, 2016 at 12:04 am

O fura-fila

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O homem tinha pressa em comprar quatro pães (Foto: Reprodução)

Voltando para casa, entrei em Nova Esperança e passei em um supermercado. Caminhei até o fundo e vi uma fila modesta em frente à padaria. Algumas pessoas conversavam e outras mantinham-se em silêncio. De repente, um senhor ficou ao lado de uma mulher que aguardava alguns pães. Ele furou a fila.

Quando olhou para mim, mantendo o corpo recôndito pela senhora que nos separava, ele sabia que eu sabia o que ele estava fazendo. Então desviou o olhar algumas vezes e sorrateiramente voltou a me observar. “Me vê quatro pães”, pediu à atendente com voz em tom baixo e tapando parcialmente a boca com a mão direita, como se quisesse impedir que eu o ouvisse.

Continuei assistindo aquele senhor. Arreliado e claudicante, ele desviava a cabeça, coçava os parcos cabelos brancos e esfregava o par de sandálias no piso esmerado. Seus olhos iam de caroço de azeitona à caroço de abacate em segundos. Quando a atendente entregou os quatro pães, foi como se ele se sentisse livre do meu olhar que talvez espelhasse uma confissão, revelando mais do que ele gostaria de ponderar – ou talvez não, vai saber.

Written by David Arioch

September 22nd, 2016 at 12:03 am

Diante do banheiro

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Experiências diante do banheiro de uma clínica de mastologia (Foto: Reprodução)

De manhã, fui ao mastologista entregar alguns exames que fiz nos últimos meses. Antes de ser atendido, senti muita vontade de urinar. Atravessei a clínica e, diante do banheiro, girei a maçaneta – a porta estava trancada. Havia uma pessoa lá dentro. Tudo bem! Me afastei e aguardei a minha vez.

Nesse ínterim, chegou uma mulher grávida acompanhada do marido. Me observaram suspeitosamente. Assim que um homem saiu do banheiro, ela se adiantou e, sem perguntar nada, entrou e trancou a porta. Não vi problema algum nisso, mesmo ansiando por usá-lo. Afinal, era uma mulher grávida. Eu poderia continuar esperando, mesmo intranquilo.

Em menos de minuto, o marido da grávida se afastou e continuou me analisando. Não movimentei minha cabeça ou olhos para retribuir a dúvida, curiosidade ou suspeita. Enquanto simulava minha atenção em ponto fixo, notei o marido se aproximando, retirando uma toalha de papel de um balcão a centímetros de mim e se afastando. Por poucos segundos, o vi caminhando em direção à sala de espera.

Continuei ali, imóvel, com semblante imperscrutável, sentindo-me tão fleumático que por pouco não me tornei uma extensão do balcão. Sem demora, o homem retornou. Ainda me observava. Não conseguia fingir que não o fazia. Fortuitamente se esforçava para fazer algum tipo de oposição a si mesmo. Talvez estivesse em conflito. Então sua esposa saiu do banheiro. Ela direcionou os olhos pra mim, sem que eu precisasse fazer o mesmo. Percebi sem qualquer esforço que eles me assistiam à direita e à esquerda. Ok!

Tive a impressão de que tentavam me comprimir com os olhos. Sem me comunicar, ignorei. Entrei no banheiro sem olhar para trás, e pareceu-me que havia algum tipo de surpresa nisso, pelo menos por parte deles que demonstravam não entender o que eu fazia ali. Enquanto urinava, senti o corpo mais leve, principalmente minha cabeça que parecia carregar o peso de olhos que não eram meus. Lavei as mãos, tirei minha blusa, ajeitei a barba e os cabelos. Atravessei o corredor e a segunda sala de espera sem mirar coisa alguma.

Notei alguns pares de olhos e caminhei até a primeira sala de espera, onde deixei os resultados dos meus exames sobre uma das poltronas. Depois que fui atendido pelo mastologista, pedi a recepcionista que me entregasse a guia original da solicitação de exames porque eu precisava apresentá-la no laboratório. Logo o casal dantes se aproximou. Quando o marido viu que eu estava me preparando para sair, apoiou o capacete em um dos braços e cordialmente sorriu, abrindo a porta do consultório para que eu partisse.

Written by David Arioch

September 21st, 2016 at 11:56 pm

John Harvey Kellogg, o médico que enfrentou a indústria da carne

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Kellogg é o criador do mais famoso cereal matinal, além da manteiga de amendoim e da granola

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John Harvey viajava ministrando palestras sobre os benefícios da dieta vegetariana (Foto: Reprodução)

Administrador do lendário Sanatório Battle Creek, em Michigan, nos Estados Unidos, e famoso pela criação do cereal matinal de milho Kellogg’s, desenvolvido em parceria com a esposa Ella e o irmão Will Keith, o médico John Harvey Kellogg se tornou um defensor da alimentação sem carne a partir do século XIX.

Há diversas pesquisas realizadas pelo médico em que ele associa o consumo de carne com a redução do estímulo sexual a longo prazo. Dr. Kellogg, como era mais conhecido, foi o responsável pela criação da manteiga de amendoim e da granola. Ou seja, dois alimentos que a princípio surgiram como opções para os vegetarianos. O médico acreditava que as oleaginosas iriam salvar a humanidade quando houvesse grande diminuição da oferta de alimentos. Porém, enquanto existisse boa diversidade, ele defendia o consumo de grãos integrais, verduras, legumes e frutas, combinação que representa a dieta natural humana, segundo John Harvey.

Um distinto cirurgião, Dr. Kellogg viajava pelos Estados Unidos ministrando palestras sobre os benefícios da dieta vegetariana. Também publicava suas pesquisas sobre o assunto na sua popular revista Good Health. Seus esforços contra a indústria da carne, principalmente contra a campanha baseada no slogan “Coma Mais Carne”, ajudaram a ampliar o interesse pelo movimento vegetariano. Em 1876, o médico se tornou superintendente do Sanatório Battle Creek, que tinha seu irmão Will Keith como tesoureiro. Administrado pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, o sanatório seguia os preceitos da própria instituição religiosa, ou seja, o incentivo à dieta livre de carne e à abstinência de álcool e tabaco. Para além disso, Kellogg estimulava a prática de atividades físicas e exercícios respiratórios.

Sob o comando de John Harvey, o Sanatório Battle Creek, que tinha características de resort e spa holístico, se tornou referência nacional e internacional. Sua popularidade cresceu muito antes da Grande Depressão que assolou os Estados Unidos em 1929. Fundado em 1866 pela Igreja Adventista de Sétimo Dia, sob o nome de Western Health Reform Institute, o sanatório foi batizado com o nome de Battle Creek pelo Dr. Kellogg porque ele achou mais adequado homenagear a cidade que o abrigava.

Foi no mesmo local que John Harvey, sua esposa Ella e seu irmão Will Keith criaram no início do século XX aquele se tornaria o mais famoso cereal matinal à base de milho. Em 1906, Will Keith fundou a Battle Creek Toasted Corn Flake Company, que recebeu o nome de Kellogg’s Toasted Corn Flakes em 1922, quando mudaram o nome da empresa para Kellogg Company. O cereal foi criado como uma reação ao café tipicamente estadunidense, que sempre incluía algum tipo de carne.

Kellogg teve a ideia de substitui-lo por uma opção saudável quando conheceu o cereal preparado por James Caleb Jackson, do Sanatório Dansville, de Nova York. A diferença é que o alimento que serviu de inspiração precisava ser embebido por uma noite antes de consumido, ao contrário do cereal Kellogg que podia ser servido imediatamente. O superintendente do Sanatório Battle Creek e sua esposa Ella criaram vários alimentos para ajudar os pacientes a continuarem se alimentando de acordo com o programa alimentar do sanatório quando retornassem para casa.

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“A carne, o cigarro e o álcool são venenos para o intestino. E todos os males começam no intestino” (Foto: Reprodução)

À época, eles contrataram cozinheiros e nutricionistas para desenvolver produtos saudáveis que pudessem ser entregues em domicílio por meio do serviço postal. Uma das especialistas em nutrição que trabalhou para o Dr. Kellogg era Lenna Cooper, fundadora da Associação Dietética Americana (ADA), principal referência em nutrição nos Estados Unidos. No Battle Creek, John Harvey e sua esposa ensinaram donas de casa a prepararem corretamente os alimentos. Até mesmo os visitantes podiam participar de sessões de exercícios de respiração e treinamentos nutricionais sobre combinação de alimentos que garantissem melhor digestão ao longo do dia. Banhos de sol também eram recomendados.

Kellogg defendia que muitas das doenças que acometem a humanidade poderiam ser amenizadas através de mudanças na flora intestinal. Ele argumentava que as bactérias do intestino poderiam produzir toxinas patogênicas durante a digestão das proteínas, assim envenenando o sangue. Por isso, o médico recomendava uma dieta livre de carnes, com moderada quantidade de proteínas, laxativa, e com alimentos ricos em fibras. Um dos cirurgiões mais habilidosos de seu tempo, Kellogg atendia gratuitamente muitos pacientes em sua clínica. Ele era contra a realização de cirurgias desnecessárias no tratamento de doenças, um problema que via como recorrente na medicina.

Defensor da circuncisão, prática que qualificava como higiênica e benéfica para a saúde do homem, John Harvey teve muitos pacientes notáveis que viam a dieta livre de carne como a alimentação do futuro. Entre eles estavam o ex-presidente William Howard Taft, o escritor irlandês e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura George Bernard Shaw, Henry Ford (fundador da Ford), a famosa aviadora Amelia Earhart e o economista Irving Fisher. Dr. Kellogg criou o conceito “Biologic Living”, uma forma moderna de medicina preventiva.

Ele sempre dizia que a medicina deveria se voltar mais para a prevenção de doenças. Além de alimentos de origem animal, o médico recomendava abstinência de álcool, tabaco, café, chá e chocolate. Repouso adequado, atividades ao ar livre e vestuário confortável também faziam parte de sua cartilha para uma vida saudável. Mesmo acreditando na importância do descanso, quando estava com pouco mais de 60 anos, o médico dormia apenas quatro horas por noite. Com 80 anos, decidiu reduzir a própria jornada de trabalho de 15 horas para 12 horas. “A carne, o cigarro e o álcool são venenos para o intestino. E todos os males começam no intestino”, declarava copiosamente.

John Harvey Kellogg tinha argumentos para os mais diferentes públicos quando questionado sobre o motivo de reprovar o consumo de carne. Aos religiosos, ele citava referências da Bíblia. Para os darwinistas, o médico contava histórias sobre os grandes macacos, animais biologicamente próximos do ser humano e que não consumiam carne. E aos moralistas, ele dissertava sobre o fato de que ao homem jamais foi concedido o direito de matar animais – qualificando tal ato como imoral. O Sanatório Battle Creek chamava atenção de personalidades que estavam no topo da hierarquia social e financeira. Entre seus hóspedes estavam também Clarence W. Barron, presidente da financeira Dow Jones, S.S. Kresge, proprietário de uma das maiores empresas de varejo do século XX, e Harvey Firestone, fundador da fabricante de pneus que leva seu sobrenome.

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Com mais de 80 anos, Dr. Kellogg ainda andava de bicicleta (Foto: Reprodução)

Na celebração do Ano Novo de 1930, o Dr. Kellogg ofereceu aos hóspedes do Battle Creek um jantar baseado em torta de batata, berinjelas, cogumelos e geleia de groselha. Embora hoje não seja tão lembrado, John Harvey foi o responsável pela popularização e conscientização da população dos Estados Unidos no que diz respeito à importância de se comer frutas e vegetais. Somente no Sanatório Battle Creek, e valendo-se da dieta sem carne, o médico obteve êxito no tratamento de milhares de pessoas. “Tenho a cura para o câncer, úlceras, diabetes, esquizofrenia, transtorno bipolar, acne, anemia, astenia, enxaqueca e velhice prematura”, afirmava.

Entre os tipos de sementes que Kellogg considerava as mais promissoras para a saúde humana estavam gergelim e psyllium, extraído de uma planta do gênero plantago, rica em óleos, fibras solúveis, insolúveis e mucilagem. Ao médico é atribuída à introdução do psyllium na alimentação dos norte-americanos, além da descoberta do potencial do uso de grãos de soja como alimento. De acordo com a pesquisadora Amy South, do The Vegetarian Resource Group, dos Estados Unidos, John Harvey Kellogg possuía tanta energia aos 77 anos que abriu uma filial do Sanatório Battle Creek em Miami, na Flórida. Aos 78 anos, participou de uma bateria de exames de saúde, obtendo pontuação superior a de muitos jovens examinados.

Com 80 anos, ele andava de bicicleta, dava palestras e atendia pacientes regularmente. Aos 88 anos, completou 22 mil cirurgias realizadas. Quando chegou aos 90 anos, viajou para Washington em busca de subsídios para a construção de um novo prédio para o Sanatório Battle Creek. Em decorrência da Segunda Guerra Mundial, tentaram convencê-lo a desistir da ideia. Ele foi persistente e conseguiu alcançar seu objetivo. Sentindo-se em paz, John Harvey Kellogg faleceu aos 91 anos, mas não sem antes atribuir sua longevidade à dieta sem carne e ao conceito “Biologic Living”.

Na década de 1960, o vegetarianismo ganhou força nos Estados Unidos. No entanto, com mínimas referências, os vegetarianos acabaram recorrendo à literatura da Inglaterra, onde havia um movimento vegetariano bastante organizado. Nesse mesmo período, o que eles encontraram de mais valioso nos Estados Unidos foi a literatura deixada pelo Dr. Kellogg. Ou seja, seus livros, assim como de outros escritores que, inspirados no médico que criticava o consumo de carne, abordavam nutrição e saúde. O trabalho do superintendente do Sanatório Battle Creek serviu e continua servindo para derrubar o mito de que uma pessoa sem carne pode sentir-se fraca ou adoecer. Curiosamente, muito do que é dito hoje como se fosse novidade em relação à dieta vegetariana, já era difundido por John Harvey Kellogg. A verdade é que o mundo demorou para dar atenção às suas descobertas.

Quando os frigoríficos tentaram intimidar o Dr. Kellogg

Há mais de cem anos, os donos de frigoríficos dos Estados Unidos se uniram e, através de uma campanha lobista, convenceram o Departamento de Agricultura a permitir que eles espalhassem cartazes por todo o país, mostrando a carne como algo extremamente desejável e saudável. À época, o médico John Harvey Kellogg, que mais tarde criaria os Sucrilhos Kellogg’s em parceria com o irmão, ficou sabendo da ação e decidiu protestar.

Com dinheiro do próprio bolso, ele criou cartazes para serem fixados ao lado daqueles divulgados pela indústria frigorífica. Seus cartazes listavam todos os motivos pelos quais as pessoas não deveriam consumir carne, assim fazendo um contraponto. Sentindo-se ameaçados, os proprietários de frigoríficos entraram com uma queixa junto à Comissão Federal de Comércio, em Washington, tentando proibir que os cartazes que condenavam o consumo de carne fossem distribuídos.

O protesto gerou tanta comoção que um advogado foi enviado ao Sanatório Battle Creek, administrado por John Harvey Kellogg, para investigar suas ações. Depois de passar um tempo com o médico, e tomando conhecimento de seus argumentos, o conselheiro da Comissão Federal de Comércio decidiu que ele não merecia nenhum tipo de penalização. Algum tempo depois, o advogado reencontrou Kellog e disse: “Sabe, doutor, não como carne desde o dia em que estive em Battle Creek.”

Saiba Mais

John Harvey Kellogg nasceu em 26 de fevereiro de 1852 em Tyrone, Michigan, e faleceu em 14 de dezembro de 1943 em Battle Creek, Michigan.

Muitas de suas teorias sobre os benefícios da dieta sem carne foram baseadas em estudos que ele realizou com povos orientais que não consumiam alimentos de origem animal.

Em 1913, o 4º Congresso da União Vegetariana Internacional, realizado na Holanda, discutiu pesquisas feitas pelo Dr. Kellogg.

O médico reclamava que os seres humanos consumiam sal demais. Também foi um dos primeiros profissionais a perceber que o fumo se tornaria no futuro a principal causa do câncer de pulmão. À época, poucos deram ouvidos à sua declaração.

Referências

Schwarz, Richard. John Harvey Kellogg, M.D.: Pioneering Health Reformer (Adventist Pioneer). Review & Herald Publishing (2006).

Carson, Gerald. Cornflake Crusade. Rinehart (1957).

Berry, Rynn. Famous Vegetarians. Pythagorean Publishers (2003).

Money, John. The Destroying Angel: Sex, Fitness & Food in the Legacy of Degeneracy Theory, Graham Crackers, Kellogg’s Corn Flakes & American Health History. Prometheus Books (1985).

Kellogg, John Harvey. Plain Facts of Old & Young. I.F. Segner (1882).

South, Amy. Dr. John Harvey Kellogg. Vegan Handbook. The Vegetarian Resource Group. Disponível em http://www.vrg.org/

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Sobre a 35ª Semana Literária do Sesc em Paranavaí

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Nos últimos cinco anos, mediei bate-papo com mais de 20 escritores de renome nacional e internacional na 35ª Semana Literária do Sesc e no projeto Autores e Ideias, também do Sesc. Aprendi muito e pretendo escrever sobre a experiência, mas sobre ontem, com a escritora Luci Collin e o escritor João Carrascoza, preciso dizer agora: uma das melhores experiências da minha vida.

Poucas vezes encontrei tanta simplicidade e simpatia em pessoas com tanto conhecimento literário e sabedoria sobre a vida. Eles mereciam um público de no mínimo milhares de pessoas. Definitivamente há escritores que te emocionam ao mostrar que são tão bons autores quanto seres humanos. Em poucas horas, e graças a eles, adquiri um conhecimento equivalente a anos de vida. Eu já conhecia algumas obras dos dois, mas agora quero ler tudo que produziram.

Por outro lado, me entristece reconhecer o desinteresse de tanta gente em participar de eventos culturais como a Semana Literária do Sesc. Inacreditável como professores, professoras, pessoas que se dizem leitoras assíduas, pouco se importam em participar de um intercâmbio cultural tão rico e raro como o de ontem, que trouxe a Paranavaí a Luci Collin e o João Carrascoza. A verdade é que as universidades e faculdades locais pouco se importam em prestigiar e contribuir de alguma forma. E na mesma esteira, muitos de seus profissionais e alunos.

O mais curioso é que há muitas pessoas que não participam desses eventos, mas se queixam do desinteresse pela leitura no Brasil, da falta de incentivo à circulação da literatura. Bom, mas não tenho dúvida alguma de que o azar é deles. E ainda bem que podemos contar com pessoas conscientes, incentivadoras e exemplares como a professora Rose Freire que levou um bom público para a Semana Literária na segunda-feira e ontem.

Written by David Arioch

September 17th, 2016 at 8:06 pm

Vida saudável, disciplina e abstinência

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Nunca é tarde demais para mudar (Foto: Reprodução)

Acredito que uma vida saudável deve envolver disciplina e abstinência de uma série de coisas, até porque vivemos rodeados de armadilhas. Muitas pessoas não se importam com isso porque ainda não sofreram as consequências de suas “escolhas”.

Porém, conversando com idosos enfermos nos últimos sete, oito meses, me surpreendi ao perceber como há um padrão de reflexão. Quase todos disseram que acreditam que não estariam em situação tão penosa se não tivessem cometido tantos excessos na vida. Alguns chegaram até a se emocionar e desejar a própria morte.

Written by David Arioch

September 17th, 2016 at 8:04 pm

Bate-papo com Luci Collin e João Carrascoza na Semana Literária do Sesc

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Luci Collin e João Carrascoza são os convidados do último bate-papo da Semana Literária do Sesc em Paranavaí (Fotos: Divulgação)

Luci Collin e João Carrascoza são os convidados do último bate-papo da Semana Literária do Sesc em Paranavaí (Fotos: Divulgação)

Hoje, às 20h, vou mediar mais um bate-papo da Semana Literária do Sesc em Paranavaí, no Noroeste do Paraná. Desta vez, com a escritora curitibana Luci Collin e o escritor paulista João Carrascoza. Luci, que é professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), tem pós-doutorado em literatura irlandesa. Já publicou 16 livros entre poesia e prosa de ficção.

Carrascoza, que é publicitário e professor da Universidade de São Paulo (USP), tem pós-doutorado sobre a interface literatura e publicidade. Já recebeu os prêmios Jabuti, Guimarães Rosa (concedido pela Rádio França Internacional) e Fundação Biblioteca Nacional. Além de suas obras, vamos conversar sobre a multiplicidade da literatura brasileira. Apareçam por lá! É tudo de graça!

Saiba mais sobre Luci Collin

Luci Collin é graduada no curso superior de piano da Escola de Música e Belas Artes do Paraná, no curso de letras português/inglês, da Universidade Federal do Paraná e no curso superior de percussão clássica, também da Belas Artes do Paraná. Concluiu o mestrado em literatura de língua inglesa na Universidade Federal do Paraná e o doutorado em estudos linguísticos e literários em inglês na Universidade de São Paulo. É professora do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da UFPR, onde leciona atualmente. Também tem experiência como tradutora literária.

Saiba mais sobre João Carrascoza

João Carrascoza foi premiado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil e Associação Paulista dos Críticos de Arte. Desde que saiu de Cravinhos, sua cidade natal, o escritor escreve livros de contos, romances e novelas infanto-juvenis, com os quais recebeu importantes prêmios. Algumas de suas histórias foram traduzidas para inglês, francês, italiano, sueco e espanhol, participou ainda de programas internacionais de escritores residentes, como a Ledig House (EUA) e o Château Lavigny (Suíça). Atualmente, dedica-se à docência na Universidade de São Paulo (USP) e na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

Written by David Arioch

September 16th, 2016 at 1:57 pm