David Arioch – Jornalismo Cultural

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Archive for the ‘Vegetarianismo/Veganismo’ Category

Visons, animais mortos por um capricho humano

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Fotos: Jo-Anne McArthur

Milhares de visons são criados em breeding facilities, onde suas peles são arrancadas e transformadas em casacos. Assim que esses animais alcançam o tamanho considerado ideal, eles são mortos por eletrocutamento e esfolados. Seus cadáveres são enviados para universidades que realizam dissecação nas aulas de anatomia.





Written by David Arioch

September 1st, 2017 at 1:52 pm

A triste realidade dos carneiros

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Fotos: Jo-Anne McArthur

Ao longo de um dia, a fotógrafa canadense Jo-Anne McArthur, idealizadora do projeto We Animals, testemunhou um leilão de animais na Austrália, onde foram vendidos 32 mil carneiros. A maior parte deles já tinha destino definido – a indústria da carne, inclusive brasileira, onde a oferta nacional é menor que a demanda. Não devemos desconsiderar também que a lã como subproduto torna o negócio ainda mais vantajoso para quem compra esses animais.

Segundo Jo-Anne, nos leilões de carneiros, o barulho nunca cessa. Seres humanos gritam pelos melhores preços, cães perseguem e coagem os carneiros, e os caminhões de transporte vêm e vão. Como consequência, os carneiros ficam extremamente estressados, e alguns quebram suas pernas e pescoços na tentativa de fuga.

“Muito além do estereótipo de animais estúpidos, a verdade é que os carneiros são animais com estruturas sociais altamente desenvolvidas”, declarou Jo-Anne. Eles são capazes de identificar uns aos outros. Também têm facilidade em reconhecer seres humanos, mesmo que não tenham visto o mesmo rosto por até dois anos.

Carneiros podem resolver quebra-cabeças, gostam de brincar e partilham das mesmas emoções que os seres humanos, incluindo tristeza, alegria, desgosto, tédio e raiva. De acordo com a fotógrafa que viaja o mundo registrando a realidade dos animais criados para consumo, carneiros são muito amigáveis, e quando recebem uma nova companhia, gostam de trocar carícias.

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Written by David Arioch

September 1st, 2017 at 1:48 pm

Laos, um dos maiores fornecedores de animais para laboratórios

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Foto: Jo-Anne McArthur

Conhece o Laos? É um país asiático localizado na Indochina. O país é um dos maiores fornecedores do mundo de animais para laboratórios, para servirem como vítimas de vivissecção e outros testes realizados pela indústria cosmética e alimentícia, além de instituições de ensino, entre outros. Esses animais são condicionados a procriarem em fazendas, nas chamadas breeding facilities. Acredite, nenhum desses animais leva uma vida feliz.

As fotos da canadense Jo-Anne McArthur registram exatamente isso. Pense a respeito quando for comprar aquele produto que antes de chegar às suas mãos foi testado em animais. Talvez você tenha parcela de culpa pelo trauma e temor registrados em fotos como esta, já que essas criaturas jamais seriam criadas se não consumíssemos produtos testados em animais, ou endossássemos a realização de pesquisas com esses seres vivos.





Só há dois tipos de pessoas que se irritam quando mostramos a exploração de animais reduzidos a alimentos

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Foto: Jo-Anne McArthur

Só há dois tipos de pessoas que se irritam quando mostramos a exploração de animais reduzidos a alimentos:

Pessoas que vivem da exploração animal e pessoas que se recusam a admitir que consideram o paladar mais importante do que a vida. Embora não seja o que considero o ideal, acho importante para a causa animal quando pessoas que não são veganas nem vegetarianas reconhecem que não há boa exploração, já que nenhuma exploração nesse contexto é positiva ou normalmente tem um final feliz para as vítimas.





Written by David Arioch

September 1st, 2017 at 11:32 am

“Sinto muito, mas não como cadáveres”

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Foto: Jo-Anne McArthur

Ontem, participando de uma reunião como conselheiro da área de audiovisual e artes visuais, testemunhei uma bela cena. Sugeriram João Henrique de Andrade, presidente do Conselho Municipal de Cultura, que ele realizasse um churrasco em comemoração por ter sido eleito o representante da macrorregião Noroeste do Paraná no Conselho Estadual de Cultura. Então ele comentou:

— Sinto muito, mas não como cadáveres.

Admito que gostei da reação.

Written by David Arioch

September 1st, 2017 at 11:26 am

Por que só reconhecemos a exploração animal quando envolve violência explícita?

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Foto: Jo-Anne McArthur

Basta um ser humano ser forçado a realizar um trabalho para que olhemos para sua situação com preocupação. Se uma pessoa é obrigada a algo, sem que ela assim o deseje, logo qualificamos isso como exploração ou escravidão. Não precisamos ver marcas de violência em seu corpo.

Então por que quando falamos de outros animais não nos preocupamos em analisar a situação da mesma forma? Não seria justo? Por que só reconhecemos a exploração animal quando envolve violência explícita, tortura ou outros terríveis exemplos de crueldade?

É cômodo demais analisarmos a realidade dessa forma. Afinal, normalmente toda exploração é vista com um olhar rasteiro, de quem não vê nada de errado caso um animal não traga em seu corpo as piores consequências da violência.

Um animal não precisa ser violentado para demonstrar que está sendo condicionado a algo que não é de sua vontade. Ele traz a expressão do seu descontentamento. Mesmo que não trouxesse, isso não significaria nada, já que o condicionamento bem aplicado traveste até a maldade de bondade.

Basta pensarmos em pessoas que são capazes de escravizar outras e ainda assim fazer com que os escravizados se sintam agraciados. A realidade dos animais não humanos não é diferente quando eles são considerados explorados bem tratados.

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Sobre miséria e crueldade contra seres humanos e não humanos

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Ausência de empatia, um dos agravantes da violência contra os animais

Pobreza, miséria, corrupção, crueldade contra seres humanos e não humanos, tudo isso tem relação com ausência de empatia, que deveria ser praticada não de forma seletiva, especista, antropocêntrica ou etnocêntrica. Em síntese, elementos de legítima iniquidade que surgem como consequência do anseio pela superioridade. Penso que a ideia da supremacia sempre vem embutida de um tipo implícito e explícito de conveniência e maldade que nos distancia da nossa melhor face enquanto humanidade.





Práticas violentas contra os animais só existem porque sempre há plateia e consumidores

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Em uma sociedade civilizada, não deveria haver espaço para tais práticas

Não é tão raro encontrar pessoas falando mal de toureiros. Sem dúvida, concordo que não há nada de bom a se falar a respeito, até porque ninguém deveria se “profissionalizar” em fazer mal a um animal e chamar isso de arte.

Porém, a tauromaquia, assim como qualquer atividade considerada tradicional, e que cause mal a outros seres vivos sencientes, só existe porque há plateia e consumidores. Enfim, pessoas que não racionalizam a própria maldade, ou que não são capazes de externalizá-la, pagam para que os outros façam o que elas não conseguem. Assim, tornando-se voyeurs de anseios desasseados e perigosos.

Qualquer atividade que impinge dor a um animal, seja chamada de “espetáculo” ou “esporte”, não passa de truculência, de uma expressão equivocada da ignorância e da insensibilidade humana. Se alguém convida uma pessoa para participar de algo e essa pessoa recusa, como você chamaria o ato de obrigá-la a fazer parte de algo que não é de sua vontade?

Não tenho dúvida de que alguém testemunhando tal ato, se motivado por um princípio probo de justiça, há de intervir ou se manifestar de alguma forma, porque isso também é inerente à natureza humana. E por que quando se trata dos animais não humanos continuamos a legitimar e encarar a violência até mesmo com sorrisos? Porque pessoas gargalham ao ver um animal sendo ferido?

Você rir de um touro ferido na arena, de um boi caído durante a vaquejada, de um bezerro laçado e arremessado ao chão, de um animal golpeado na farra do boi, não é diferente de rir de um gato ou um cão espancado na rua e diante dos seus olhos. Violência é violência, não importando se concordamos ou não com isso. Afinal, a vítima traz consigo a expressão da própria realidade, da consequência de nossos atos, independente se você está imerso em ilusão, negação ou dissimulação.

Não deveríamos repensar nossas relações com os animais? Não seria isso no mínimo bizarro e incoerente de nossa parte? Afinal, animais não humanos também sentem dor, agonizam, sofrem à sua maneira. Somos tão ardilosos em alguns aspectos da vida em sociedade que usamos eufemismos capciosos tentando mimetizar o impacto de nossas ações, tentando maquiá-las com algo inexistente e deletério.

Estamos tão imersos em nossos mundos particulares, em satisfazer nossos anseios obsoletos e desnecessários, travestidos de necessidades, que muitas vezes neutralizamos qualquer possibilidade natural de ver algo como ilegítimo, cruel e impraticável.

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Sobre queijos preparados com um complexo de enzimas extraídas do estômago de bezerros mortos

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Com o surgimento de técnicas mais modernas, o estômago do bezerro passou a ser congelado, moído e colocado em uma solução de extração de enzimas

Você já pensou na possibilidade de estar consumindo ou já ter consumido algum queijo preparado com um complexo de enzimas extraídas do estômago de um bezerro morto? Pois é, isso pode parecer absurdo, mas não é e vou explicar o motivo baseando-me em três livros de referência sobre a produção de queijo.

Rennet ou coalho de origem animal é um complexo de enzimas produzidas no estômago de mamíferos ruminantes. É ele que facilita o processo de digestão dos bezerros durante a fase de amamentação. Há queijos industrializados que possuem essa enzima extraída da mucosa interna da quarta câmara de estômago (abomaso) dos bezerros após o desmame.

Se ele for extraído de bezerros mais velhos, que normalmente são alimentados apenas com pasto e grãos, naturalmente o Rennet terá pouca ou nada de quimosina. O que significa níveis elevados de pepsina, assim sendo destinado somente ao preparo de queijos e leites especiais. De acordo com o livro “Traditional Cheesemaking Manual”, de Charles O’Connor, como cada ruminante produz um tipo especial de coalho para digerir o leite de sua própria espécie, isso significa que o rennet de cabra é introduzido no leite de cabra e o rennet de cordeiro no leite de ovelha.

E de que forma o coalho de origem animal é extraído? Bom, no método mais clássico, defendidos principalmente por produtores mais tradicionais de queijo, os estômagos limpos dos bezerros são cortados em pedaços pequenos e imersos em água salgada ou soro de leite, juntamente com uma porção de vinagre ou vinho para reduzir o pH da solução. Após a filtragem, o rennet é usado para coagular o leite. Cerca de um grama de coagulante extraído de um pedaço do estômago de um bezerro serve no método tradicional para coagular dois a quatro litros de leite.

Com o surgimento de técnicas mais modernas, o estômago do bezerro passou a ser congelado, moído e colocado em uma solução de extração de enzimas. É importante entender que as enzimas no estômago do bezerro são produzidas de forma inativa. Por isso, só são ativadas através da acidez estomacal. Quando o ácido é neutralizado, o extrato de coalho é filtrado em vários estágios até atingir uma potência específica. Neste caso, um grama de extrato de rennet pode coagular até 15 quilos de leite.

Hoje em dia, é difícil dizer qual queijo possui ou não coalho de origem animal porque a indústria de laticínios demanda muito mais coagulantes do que a indústria de vitela poderia fornecer. Sendo assim, criou-se alternativas a partir de fungos, micróbios e plantas – como folhas secas de alcaparra, cardo e cynara, usados principalmente em países mediterrâneos, segundo informações do livro “Technology of Cheesemaking”, de Barry Law.

Porém, como o uso de vegetais e micróbios com finalidades coagulantes não é uma unanimidade no mercado de laticínios, há fabricantes que ainda fazem uso de coagulantes de origem animal. Sendo assim, o uso de enzimas extraídas do estômago de bezerros não é uma prática obsoleta, segundo informações do livro “Cheese: Chemistry, Physics, and Microbiology, Volume 1”, de Patrick F. Fox, Paul L.H. McSweeney, Timothy M. Cogan e Timothy P. Guinee, lançado em 2004. De qualquer modo, saiba que rennet ou coalho de origem animal está disponível à venda em qualquer site que comercialize produtos para a fabricação de queijo, inclusive no Ebay e Mercado Livre.

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Sobre ser visto como um inimigo por ser contra a exploração animal

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Você, de repente, é visto como um inimigo, e simplesmente porque não concorda com a morte desnecessária dos animais

Sou um cara pacífico, quem me conhece sabe disso. Tenho uma aparência que muitas vezes é interpretada pelas pessoas de forma totalmente equivocada, claro, porque até hoje as pessoas insistem em relacionar músculos e força com violência. Porém, a minha vida toda jamais bati em alguém. Sou avesso à violência, sempre fui.

Então pra mim é uma coisa surreal quando o fato de alguém defender os direitos dos animais à vida desperta algum tipo de cólera em outras pessoas. Há quem fique violento quando alguém manifesta abertamente a sua reprovação em relação à morte de seres vivos sencientes. É como se isso fosse algo execrável.

Você, de repente, é visto como um inimigo, e simplesmente porque não concorda com a morte desnecessária dos animais, e luta para que mais pessoas tenham essa consciência. Vivemos em um mundo estranho, onde a violência é tão naturalizada e romantizada que até intenções que visam reduzir a violência contra criaturas que não podem se defender são vistas com deboche, ódio e desprezo.

Quando me deparo com pessoas achando graça ou fazendo troça de certos discursos no contexto do veganismo, por exemplo, aqueles que criticam o consumo de peixes, “frutos do mar”, laticínios e ovos, logo penso que esses sujeitos estão tão imersos nesse universo de legitimação da exploração e da violência que qualquer sugestão de caminho em direção a uma relação mais pacífica e harmoniosa entre animais humanos e não humanos é encarada como ridícula.

Há momentos e situações em que sinto tristeza e frustração como qualquer ser humano. Mas uma coisa que não faço é usar isso como pretexto para agredir as pessoas. Essas emoções e sentimentos eu levo para a musculação. Afinal, halteres e barras não são seres vivos, e não vão se incomodar em me ajudar a direcionar essa negatividade para algo mais útil.

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Written by David Arioch

August 29th, 2017 at 1:39 am