Archive for the ‘Vegetarianismo/Veganismo’ Category
Considerações sobre o reality show da porca Esther
Publiquei ontem uma matéria sobre a porca Esther que vai ganhar um reality show. Algumas pessoas fizeram deboche em páginas que repercutiram o texto do meu blog, e sinceramente não entendi por que achar ridículo uma porca em um reality show.
Esther é uma porca que foi resgatada, ou seja, saiu do abandono para um lar onde recebeu carinho e teve sua vida transformada. Acho que não apenas seres humanos, mas outros animais também têm direito a isso.
Ela, com sua natureza singela, amorosa e benevolente, também vai espalhar uma mensagem positiva sobre o veganismo, além de conscientizar sobre a exploração animal. Ademais, vai mostrar como porcos são animais inteligentes e sensíveis. Isso é pouco? Não acho. E eu poderia listar outros pontos a se considerar.
O mundo está mudando, e quem não aceita o fato de que animais também estão ganhando espaço na TV, e justamente pelo fato de que até hoje não aprendemos a lidar corretamente com eles, reconhecer sua importância no mundo, vai ser obrigado a amargar a própria intransigência. Os animais têm muito a nos ensinar, e acho que não é preciso ser vegetariano, vegano ou defensor dos animais para atestar isso.
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Empédocles, um pré-socrático contra o derramamento de sangue dos animais
Em “Retórica”, Aristóteles escreveu que Empédocles era contra a matança de qualquer criatura
Sempre que se fala nos filósofos da Grécia Antiga, e na forma como eles influenciaram o vegetarianismo, surgem controvérsias. Alguns alegam que vários filósofos gregos apontados como vegetarianos somente se abstiveram da carne. Outros dizem que a defesa de uma dieta livre de ingredientes de origem animal normalmente tinha como motivação uma crença espiritual, principalmente a transmigração de almas; assim os julgando como antropocentristas.
Porém, mesmo que isso seja verdade, ainda é possível citar filósofos gregos que, de algum modo, contribuíram para a discussão sobre o vegetarianismo e os direitos animais, mesmo que sob viés polêmico. Ainda que, a princípio, suas ideias tenham sido pautadas a partir das consequências das ações humanas, e o que isso significaria propriamente à humanidade, o filósofo pré-socrático grego Empédocles (490-430 a.C), o pai da retórica, defendia que é preciso seguir o princípio do amor em relação a todas as espécies; portanto, abster-se de violência e derramamento de sangue, o que já figurava como uma defesa da compaixão e do direito dos animais à vida, de acordo com o livro “Animal Suffering: Philosophy and Culture”, da finlandesa Elisa Aaltola.
Rod Preece, autor do livro “Sins of the Flesh: A History of Ethical Vegetarian Thought”, segue pela mesma linha de raciocínio, e diz que, dos pitagóricos, Empédocles foi o que mais dispensou atenção à sensibilidade animal, mesmo que julgado, como ainda pode acontecer hoje, como um filósofo com uma percepção mística dos animais. “Ele era considerado um tipo de xamã em sua prática, e às vezes um extremista em suas visões. Mas podemos ver no mínimo um elemento de ética animal em suas expressões. Naturalmente, suas razões refletem seu ascetismo primário”, declara Preece.
Avesso às religiões tradicionais, Empédocles demonstrava uma forma singular de espiritualidade, até por influência de Pitágoras. O filósofo que tinha como motivação a busca pela verdade e pela virtude, abominava o sacrifício de animais. “Empédocles, como outros vegetarianos órficos-pitagóricos, lembra a Era de Ouro, em que o assassinato, a ira e a discórdia não reinavam, e em que o abate de animais, como particularmente um sacrifício aos deuses, era visto como uma ‘impureza’”, escreveram Kerry S. Walters e Lisa Portmess em “Religious Vegetarianism: From Hesiod to the Dalai Lama”.
Idealista, Empédocles dizia que não era tarde demais para os seres humanos deixarem a caverna em que se aprisionaram e, como Perséfone, conquistarem a oportunidade de experimentar o renascimento espiritual. Porém, a condição maior para essa mudança seria a recusa em continuar derramando sangue. E isso, naturalmente, e em parte, significaria um retorno à dieta vegetariana pacífica da perdida Era de Ouro.

O derramamento de sangue é o pecado de uma poluição que afasta os seres humanos da divindade (Arte: Wellcome Library, Londres)
Na observação feita por Walters e Portmess fica claro que, na defesa de Empédocles, ele apelava à espiritualidade humana e as consequências do consumo para quem via os animais como comida; talvez, não apenas por realmente acreditar nisso, mas também por entender que o ser humano não seria tocado simplesmente pela compaixão pelos animais.
“O derramamento de sangue, afirma ele, é o pecado de uma poluição que afasta os seres humanos da divindade e traz a retribuição do renascimento contínuo. A alma do assassino é forçada a uma cansada e desabrigada ronda de transmigrações. […] e o abate de animais é o que garante a continuidade da violência“, cita o livro “Religious Vegetarianism: From Hesiod to the Dalai Lama”, em referência a fragmentos de um manuscrito do poema “Purificações”, do filósofo grego.
Para Empédocles, se recusando a consumir animais, o ser humano evitaria ter sua alma aprisionada no corpo de um animal; alegando que os corpos dos animais que comemos se tornam, nas próximas vidas, moradas de almas punidas. Apesar dessa perspectiva considerada limitante no contexto do vegetarianismo, o filósofo grego também sugeria que todas as criaturas têm direito à justiça, segundo Gordon Lindsay Campbell no livro “The Oxford Handbook of Animals in Classical Thought and Life”.
Mesmo que citasse deuses e a transmigração de almas em sua defesa da abstenção de carne, e por isso muitos vejam uma relação próxima de Empédocles com o vegetarianismo de viés religioso, o professor Christian Wildberg, da Universidade de Princeton, que tem uma extensa pesquisa desenvolvida na área de filosofia antiga, argumenta que o vegetarianismo de Empédocles foi uma poderosa ferramenta de ataque à religião grega tradicional, condenando massivamente a realização de sacrifícios de animais.
Sendo assim, e também levando em conta que de toda a sua produção restaram apenas dois trabalhos parciais – os poemas “Purificações” e “Na Natureza”, não é possível dizer com certeza qual era a sua maior motivação no que diz respeito ao vegetarianismo; talvez estivessem além do que foi legado à humanidade.
Parafraseando John Rundis em “The Vegetarianism of Empedocles in Its Historical Context”, Stephen T. Newmyer, professor da Universidade Duquesne e pesquisador da questão animalista, argumenta que o vegetarianismo de Empédocles pode ser visto como uma declaração política que se opôs à identificação aristocrática do sacrifício animal. Isto porque o consumo de carne à época já era associado à barbárie e à glutonaria, já que os cidadãos de maior poder aquisitivo sempre “reivindicavam primeiro a maior porção de carne”.
Tal observação pode ser corroborada pelo estilo de vida idealista do filósofo grego. Embora não haja tantas informações sobre sua vida, sabe-se que o pai de Empédocles, Meto, foi um dos responsáveis pela derrubada do tirano Agrigento, que comandou Acragas, na região da Sicília, até por volta de 470 a.C.. Empédocles, deu continuidade à tradição familiar, sendo crucial na deposição de outros oligarcas. Dizem que, mais tarde, quando ofereceram-lhe o comando da cidade, ele recusou.

A questão de parentesco entre seres humanos e animais teve grande peso sobre a consciência do filósofo grego (Arte: Reprodução)
“Empédocles acreditava amplamente em princípios igualitários, era considerado um vegetariano e respeitava os direitos animais, acreditando que todos os seres vivos têm espíritos. Era um forte defensor da democracia. […] Desprezava abertamente a glorificação dos indivíduos e era conhecido por condenar o materialismo consumista e a gula dos cidadãos de Acragas”, escreveu Vincenzo Mormino em 2007 na revista “Best of Sicily”. Há estudiosos que afirmam que filosoficamente as ideias de Empedócles influenciaram o naturalista britânico Charles Darwin a escrever a teoria da seleção natural.
Em “Retórica”, Aristóteles escreveu que Empédocles era totalmente contra a matança de qualquer criatura, alegando que era injustificado e injusto os seres humanos matá-los. A questão de parentesco entre seres humanos e animais teve grande peso sobre a consciência do filósofo grego, segundo o livro “The Animal and the Human in Ancient and Modern Thought: The ‘Man Alone of Animals’ Concept”, de Stephen T. Newmyer. “Empédocles só falou em termos de uma lei universal [nomimon], a lei contra matar animais. É Aristóteles quem escreve a lei de Empédocles como [sendo] natural”, comenta Richard Sorabi em “Animal Minds and Human Morals: The Origin of the Western Debate”.
Saiba Mais
Empédocles é o nome mais importante da escola plurarista, que reconhecia a não existência de um princípio único que explique todo o universo. Ele estudou com Pitágoras e foi um dos primeiros cientistas a sugerir que a luz viaja a uma velocidade constante. Embora Empédocles viveu muitos antes de Arquimedes, os dois tinham muito em comum.
“Purificações” e “Na Natureza”, suas duas únicas obras remanescentes, tinham 5 mil linhas, mas restaram apenas 500; e acredita-se que na realidade “Purificações” seja uma introdução ao poema “Na Natureza”.
Ele afirmava que tudo que compõe a natureza é formado por terra, ar, água e fogo, misturados ou não.
Referências
Campbell, Gordon Lindsay. The Oxford Handbook of Animals in Classical Thought and Life. Oxford University Press (2014).
Cleary, John J. Gurtler, Proceedings of the Boston Area Colloquium in Ancient Philosophy, Volume 7. University Press of America (1992).
Preece, Rod. Sins of the Flesh: A history of Ethical Vegetarian Thought. Página 92. UBC Press (2009).
Walters, S. Kerry. Portmess, Lisa. Religious Vegetarianism: From Hesiod to the Dalai Lama. State University of New York Press (2001).
Aaltola, Elisa. Animal Suffering: Philosophy and Culture. Página 68 (2012).
Newmyer, Stephen. The Animal and the Human in Ancient and Modern Thought: The ‘Man Alone of Animals’ Concept. Routledge (2016).
Newmyer, Stephen. Animals, Rights and Reason in Plutarch and Modern Ethics. Routledge; 1 edition (2005).
http://www.bestofsicily.com/mag/art242.htm
http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus%3Atext%3A1999.01.0258%3Abook%3D8%3Achapter%3D2
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Reality show vegano vai mostrar a vida da porca Esther em um santuário
Em 2014, Steve Jenkins e Derek Walter resgataram uma porquinha e a levaram para casa, em Ontário, no Canadá. Mas o que eles não imaginavam é que não demoraria para Esther chegar a pesar pouco mais de 294 quilos. Mesmo percebendo que ela estava crescendo e ganhando peso muito rápido, eles decidiram criá-la.
Em pouco tempo, Jenkins e Walter começaram a refletir sobre os seus próprios hábitos alimentares. Ou seja, concluíram que animais como Esther pouco viviam porque faziam parte de sua alimentação. Essa conexão fez com que eles tomassem a decisão de não consumir mais nada de origem animal. Depois de se tornarem veganos, escreveram e publicaram um livro sobre a vida de Esther, visando sensibilizar as pessoas sobre a importância de não se alimentar de animais.
Emocionaram os leitores ao mostrarem como a vida de um ser não humano também é importante. Publicado em 2016, o livro intitulada “Esther the Wonder Pig: Changing the World One Heart at a Time” é norteado pela compaixão aos animais e também reforça o que pesquisadores defendem há muito tempo – que porcos são animais realmente inteligentes e de personalidades distintas.
Com o dinheiro arrecadado, Steve Jenkins e Derek Walter têm mantido o santuário Happily Ever Esther e ampliado o número de animais resgatados, tanto em situação de abandono quanto de abusos, além de educar o público sobre a verdadeira natureza dos animais de criação.
Em 12 de dezembro de 2016, eles publicaram um vídeo de Esther com um chapéu de inverno, contemplando a neve. O registro já teve mais de seis milhões de visualizações no Facebook e continua despertando compaixão.
O próximo passo dos canadenses é o lançamento de um reality show vegano nominado “Estherville”, que tem como protagonista a amável porca Esther em seu cotidiano no Happily Ever Esther, em Campbellville, em Ontário. Enquanto o reality show não começa, os vídeos de Esther podem ser vistos em sua página no Facebook.
Referências
https://www.happilyeveresther.ca/
http://www.estherthewonderpig.com/
http://vegnews.com/articles/page.do?pageId=9235&catId=1
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Steve-O, um “jackass” que se tornou ativista dos direitos animais
“Levantar a bunda e ajudar os animais realmente faz a diferença”
Stephen Gilchrist Glover, mais conhecido como Steve-O, conquistou popularidade internacional como um dos protagonistas da série de TV “Jackass”, em que sempre se destacava por fazer as mais improváveis estripulias. A oportunidade de fazer parte da equipe surgiu em 2000, mas o que permitiu que ele ingressasse na série foram os vídeos que enviou para a Big Brother Magazine, editada por Jeff Tramaine, diretor de “Jackass”.
Nos vídeos, Steve-O, um dublê graduado em artes circenses pela Ringling Bros. and Barnum & Bailey Clown College, aparece fazendo acrobacias e arte clown. Sua performance foi aprovada e ele foi selecionado para a série que lhe trouxe fama e muito dinheiro. Com o tempo, Steve-O começou a apresentar problemas com drogas, chegando a entrar em depressão e pensar em suicídio.
“Enquanto eu estava usando cocaína e [óxido] nitroso por dias, comecei a escutar vozes me dizendo que eu teria que responder por minhas ações cruéis em algum momento no futuro. [Depois] Ouvi um cara de conscientização Krishna em um vídeo no YouTube questionando: “Como você espera ser salvo se você come carne?” Fiquei aterrorizado de ter que responder por todo o sofrimento que eu estava causando aos animais e imediatamente parei de comer carne”, publicou Steve-O em sua página pessoal. O homem citado por ele disse que é muito difícil para os ocidentais encontrarem a paz e a salvação porque eles tratam a vida na Terra de forma desrespeitosa.
A experiência trouxe à tona lembranças da juventude, de quando Steve-O trabalhou em um circo em 1997 e testemunhou a infelicidade dos animais confinados em jaulas, de acordo com um vídeo gravado em novembro de 2011 para a organização norueugesa NOAH – For Animal Rights. “Se alguém perguntar alguma coisa sobre abuso de animais, você não tem opinião, você não diz nada. Você é um palhaço, cale a boca..”, confidenciou, citando as ordens dos proprietários do circo.
À época, isso o fez refletir, mas depois ele seguiu sua vida. Essas memórias seriam resgatadas mais tarde, após Steve-O anunciar em agosto de 2009 que se tornou vegano.

Em campanha bem-humorada contra o uso de peles de animais: “Prefiro ir nu do que usar pele” (Foto: Peta)
“Cheguei à conclusão que sou muito mais feliz por praticar a compaixão. Quando me tornei vegano, eu estava limpo e sóbrio por um ano e cinco meses, e livre de cigarros por um ano. […] Desde então, tenho aprendido que uma dieta baseada na exploração animal é responsável pela esmagadora maioria dos casos de câncer, diabetes, obesidade, esclerose múltipla e outros tipos de problemas”, declarou.
Steve-O sentiu-se tão motivado pelo veganismo que começou a participar de campanhas contra a dissecação de sapos em salas de aula e o uso de animais em circos. Também fez campanhas contra maus-tratos de animais em zoológicos e contra o uso de pele animal. Espontâneo, gerou controvérsia ao abandonar um jantar de arrecadação de fundos para diabéticos que trazia carne no menu.
Ele também narrou um vídeo para o Farm Sanctuary, uma organização estadunidense que resgata animais descartados por pecuaristas e pela indústria. “Estou contente de ter feito [o vídeo]. [Porém, aqui fora] Não saio por aí dizendo que as pessoas não deveriam comer carne, porque não acho que seja realmente eficaz. Tento explicar como estou me beneficiando com esse estilo de vida vegano. Mas as pessoas trabalham duro para continuarem ignorantes. Se assistissem a esse vídeo que narrei, acho que muitas parariam de comer carne”, declarou à revista Rolling Stone em 1º de fevereiro de 2013 – em referência ao filme “What Came Before”.

Steve-O também é voluntário em abrigos que realizam resgate de animais abandonados (Foto: Reprodução)
Em um vídeo publicado pelo Change.Org no YouTube em 25 e abril de 2016, Steve-O declarou, logo após comer um veggie burger, que se tem uma coisa que ele aprendeu é que “levantar a bunda e ajudar os animais realmente faz a diferença”.
Em outubro de 2015, ele foi preso por escalar um enorme guindaste em um protesto contra o parque SeaWorld, que realiza espetáculos com orcas criadas em cativeiro. Além de soltar fogos de artifício quando chegou ao topo, ele ergueu um balão gigante com a frase: “SeaWorld Sucks!”, algo como “SeaWorld é uma droga!” Mais tarde, Steve-O disse que o único ponto negativo da sua ação foi a mobilização da polícia e dos bombeiros, mas que, excetuando isso, ele fez o que era certo.
A ação teve repercussão mundial e, embora não seja possível dizer se Steve-O teve alguma influência nessa decisão, em março de 2016 o SeaWorld anunciou que não iria mais criar orcas em cativeiro. “Outra coisa que me preocupa é a conscientização sobre o resgate animal, o trabalho voluntário em abrigos. Na minha primeira vez, eu trouxe um gato para casa. E na segunda vez, eu trouxe um segundo gato, o que enriqueceu minha vida”, revelou em um vídeo gravado e publicado no YouTube pela organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) em 29 de agosto de 2016.
Saiba Mais
Steve-O nasceu em 13 de junho de 1974 em Londres, na Inglaterra.
Referências
https://www.steveo.com/
http://www.whosay.com/status/steveo/61057
http://www.rollingstone.com/culture/news/q-a-steve-o-talks-jackass-veganism-and-quitting-drugs-20130201
https://www.farmsanctuary.org/media/2012-releases/steve-o-seeks-to-end-pain/
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Vidas são importantes, até mesmo a do menor animal

Não vejo razão para tentar menosprezar o valor dos animais ao comparar suas vidas com o valor da vida humana (Foto: Reprodução)
Vidas são importantes, até mesmo a do menor animal que você encontrar. Não vejo razão para tentar menosprezar o valor dos animais ao comparar suas vidas com o valor da vida humana. Dizer que a vida de um animal pouco vale me parece uma forma de tentar sopitar uma consciência intransigente ou barulhenta, ou de ignorar um simples fato – que animais não precisam morrer para que humanos possam viver.
Ademais, discussões sobre superioridade e inferioridade não ajudam em nada nesse sentido, muito pelo contrário, apenas atrapalham e reforçam o antropocentrismo e o especismo. A maioria dos animais não coloca a sua existência em risco, a não ser que você invada o habitat de seres selvagens.
A tentativa de inferiorizar a vida animal nada mais é do que um pretexto que tem se perpetuado para a humanidade continuar submetendo os animais ao seu jugo. Animais não vivem com motivações humanas; não têm os mesmos anseios que nós. Quem humaniza os animais são as pessoas, e não é isso que eles desejam ou precisam. Logo não há qualquer razão para subestimá-los, inferiorizá-los ou tratá-los até mesmo como se fossem inimigos.
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Pizzaria inaugura bar vegano com temática heavy metal em Toronto
A pizzaria vegana Apiecalypse Now!, em Toronto, no Canadá, anunciou na semana passada a inauguração do FuBar – um bar vegano com temática heavy metal que oferece cerveja, comida e coquetéis – tudo sem qualquer ingrediente de origem animal.
Famosa por oferecer pizzas como a “Pig Destroyer Destroyer”, baseada em cinco tipos de carne falsa e dois tipos de queijo vegetal, e com direito a um pentagrama feito com molho picante, a Apiecalypse Now! decidiu levar a combinação veganismo e heavy metal a outro nível com a abertura do FuBar.
Levando em conta que a popularidade e prestígio da pizzaria cresce a cada ano, a novidade já agradou. Em 2016, a Apiecalypse Now! foi eleita a melhor pizzaria de Toronto pelos leitores da revista Now, deixando para trás pizzarias tradicionais que não são veganas nem vegetarianas.
Sem dúvida, uma conquista que motivou ainda mais a expansão dos negócios, e a abertura do FuBar. A proposta da Apiecalypse Now! é ampliar o cardápio de acordo com a demanda e, claro, cativar cada vez mais quem vê o veganismo e o heavy metal como uma boa combinação.
Saiba Mais
O FuBar fica na Bloor Street West, número 735.
Referência
http://www.apiecalypsenow.com/
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Mille Petrozza, um vegano no cenário mundial do thrash metal
“Há um movimento veggie no metal hoje em dia e está ficando maior”

“Piadas idiotas, sexismo, bifes e barbecue – o tratamento completo. Tento evitar esse tipo de companhia” (Foto: Reprodução)
Vocalista e guitarrista de uma das maiores bandas de thrash metal da Europa, o alemão Mille Petrozza leva uma vida pacata e caseira quando não está excursionando com o Kreator. Ele fala com orgulho do dia em que preparou um seitan schnitzel para os seus pais. Eles aprovaram e admitiram que não perceberam que não havia carne no prato. “Acho que sou um cozinheiro razoável. Pelo menos foi o que ouvi”, contou em tom de modéstia.
Vegano há anos, Petrozza vê com bons olhos o crescimento do movimento vegetariano/vegano no cenário do metal. “Piadas idiotas, sexismo, bifes e barbecue – o tratamento completo. Tento evitar esse tipo de companhia, mas para a minha sorte a maioria é pelo menos respeitável [em relação ao fato de ser vegano]. Há um movimento veggie no metal hoje em dia e está ficando maior”, declarou na entrevista “Welcome to Health – A Vegetarian/Vegan Special”, publicada pelo Voices From the Dark Side.
Para o alemão, há uma série de motivos para alguém ser vegano – direitos animais, meio ambiente e até mesmo a saúde, que acaba por ser um bônus. “Está tudo conectado”, comentou. Praticamente distante do álcool, que ele há muito tempo só consome ocasionalmente, o vocalista e guitarrista explicou que não compra nem usa nada feito a partir de couro animal. “Só tomo algum tipo de medicamento [farmacêutico] em último caso”, garantiu ao Voices From the Dark Side.
Mille Petrozza disse que evita “forçar” seu posicionamento sobre os outros, mesmo quando eles falam da “teoria da vaca feliz” – animais que são criados “felizes” até o dia de serem mortos e reduzidos à comida. Mas há situações em que ele admite que é difícil ficar calado. “Já ouvi muitas piadas estúpidas sobre veganos. Se pelo menos fossem engraçadas, eu riria delas. Tento não fazer disso um problema, mas às vezes uma discussão acaba sendo inevitável”, confidenciou.
Além de já ter participado de campanhas da Peta2, em defesa dos direitos animais, ele e sua esposa escrevem para a revista vegana alemã “Kochen ohne Knochen”, que significa “Cozinhando sem Ossos”. “O cara que a dirige é meu amigo, dono da Ox Magazine, a principal revista de hardcore da Alemanha. Também foi um dos primeiros a publicar livros de receitas vegetarianas. Eu meio que o inspirei a se tornar vegano, o que é uma coisa boa, então Kochen ohne Knochen agora é vegana ao invés de vegetariana. Uma grande revista, se você puder ler em alemão”, garantiu em entrevista a Noisey – publicada em 25 de janeiro de 2017.
Questionado se é muito difícil conseguir comida vegana quando está em turnê, Petrozza explicou que normalmente isso não é um problema. “Há uma lista bem detalhada, inclusive com sugestões para aqueles que nunca ouviram falar sobre veganismo antes. 95% das vezes, os organizadores tomam conta de tudo. Mas em uma turnê com quatro bandas e 30 pessoas, às vezes eu sou o único vegano, o que não torna as coisas muito fáceis”, revelou na entrevista “Welcome to Health – A Vegetarian/Vegan Special”.

Petrozza: “Já ouvi muitas piadas estúpidas sobre veganos. Se pelo menos fossem engraçadas, eu riria delas” (Foto: Reprodução)
Mas, se algo der errado, o alemão come nozes, ou simplesmente sai para comprar a sua própria comida, tendo como auxílio o aplicativo Happy Cow, que o ajuda a encontrar locais que preparam pratos vegetarianos. Outra preocupação do músico é a qualidade dos alimentos. “Eu costumava ter o meu próprio pedaço de terra em uma fazenda orgânica. Hoje, faço compras na Vegan Wonderland, que é uma loja de vendas online”, frisou.
Fã de comida indiana, ele criticou que muitas pessoas ainda são vítimas da propaganda da indústria da carne e da indústria farmacêutica. E essas mesmas pessoas já o criticaram por ser vegano, alegando que é loucura não comer carne e outros alimentos de origem animal. “Faça o seu trabalho de casa antes de vir me falar alguma coisa. O engraçado é que a maioria que faz isso não sabe nada sobre comida em geral”, desabafou.
De acordo com o músico, há muita gente ignorante em relação à alimentação. Por isso, quando se sentem mal, dificilmente relacionam isso com seus maus hábitos alimentares. “A comida errada pode causar doenças muito sérias, você pode se tornar diabético. O que você coloca dentro do seu corpo causa isso. Quando estou em turnê, boa comida vegana é a chave para me manter feliz, nivelado e ter energia para dar o meu melhor no palco”, afirmou a Mark Kadzielawa, do 69 Faces of Rock, em outubro de 2012.
Mille Petrozza, que não descarta a possibilidade de um dia criar um hino vegano do Kreator, já levou a questão dos direitos animais para o cenário do heavy metal. Em 2001, a banda lançou o álbum “Violent Revolution”, que traz uma música homônima que ganhou um clipe bem produzido criticando a exploração de animais. No vídeo, eles apresentam uma inversão de papéis, em que seres humanos se tornam vítimas de vivissecção, são enviados para o abate e embalados – numa analogia às bandejas de carne disponíveis em mercados e açougues.
“[O vídeo] foi uma ideia do diretor, mas se encaixa perfeitamente. Filmamos em uma fábrica em Döner-Kebab, e o cheiro era muito desagradável. Ainda é um dos meus vídeos favoritos”, disse ao Voices from the Dark Side. Entre os veganos e vegetarianos que conheceu em turnê com o Kreator, Petrozza cita todos os integrantes do Heaven Shall Burn, alguns do Caliban, John Joseph, do Cro-Mags, e Barney Greenway, do Napalm Death.
Entre as músicas que têm os direitos animais como temática, Petrozza qualificou “Murder”, da banda inglesa de grindcore Extreme Noise Terror como um clássico. A música que faz parte do álbum “A Holocaust in Your Head”, de 1989, fala que 450 milhões de animais eram assassinados a cada ano na Grã-Bretanha, e tudo isso para descer pela garganta e sair pela bunda das pessoas.
Em entrevista publicada pela Noisey em 25 de janeiro de 2017, perguntaram ao vocalista do Kreator o que ele achou da declaração de Donald Trump, alegando que a crise climática, que segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) tem como agravante a agropecuária, é uma farsa.
“Pessoas estão morrendo por causa do aquecimento global, há provas científicas. É outra das coisas estranhas que Trump diz, uma daquelas coisas que não fazem sentido no mundo real. Talvez faça sentido no mundo de Trump. Mas no mundo real, isso é um problema concreto”, respondeu.
Mille Petrozza acredita que o número de pessoas aderindo ao veganismo cresce a cada dia, o que é algo extremamente positivo, embora ele seja cético sobre a possibilidade de ter a chance de viver em um mundo vegano.
Saiba Mais
Mille Petrozza nasceu em 18 de dezembro de 1967 em Essen, na Alemanha.
O Kreator foi fundado em Essen em 1982. Entre os anos de 1985 e 2017, a banda lançou 14 álbuns.
Referências
http://www.voicesfromthedarkside.de/Specials/WELCOME-TO-HEALTH-A-VEGETARIAN-VEGAN-SPECIAL–7789.html
https://noisey.vice.com/en_ca/article/kreators-mille-petrozza-is-still-the-angriest-vegan-in-metal
http://www.blabbermouth.net/news/kreator-frontman-we-always-try-to-re-invent-ourselves-on-every-record/
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O mundo é tão grande quanto a compaixão humana poderia ser
Vivemos em um mundo onde tudo é possível, até mesmo o fim da crueldade contra os animais. O mundo é tão grande quanto a compaixão humana poderia ser. Nascemos para crescer, evoluir, transpor barreiras, e reconhecer o direito à vida daqueles que nos parecem reles simplesmente por não se comunicarem como nós.
Ignoramos que abstraímos vidas que não geramos, e acreditamos que isso é parte natural da nossa existência. Fechamos os olhos para o fato de que aquilo que corrói o outro também nos corrói – mas de maneira que não enxergamos objetivamente porque estamos preocupados demais com nossas individualidades e peculiaridades estritamente humanas.
Dizemos que amamos a vida e o outro, mas o outro são poucos; apenas aqueles com quem simpatizamos e julgamos merecedores da existência, sob uma perspectiva que é sempre mais homogênea do que heretóclita. Penso que um mundo livre da crueldade animal só vai ser possível quando a consciência da maioria apontar, quem sabe, e mesmo que infelizmente e inconsequentemente, até por força de tragédias inesperadas e pouco imaginadas, que a salvação da humanidade depende também da forma como tratamos aqueles que são inferiorizados.
Enquanto um simples animal pacato e silencioso for maltratado ou desprezado por não ter voz análoga à nossa, dificilmente sairemos do abismo moral que criamos para defender o que chamamos de direito e necessidade de sobrevivência, mesmo que o tempo há muito tenha mostrado que o que fazemos é simplesmente tentar perpetuar aquilo que relativiza nosso valor existencial – nosso desejo de provocar o fim ansiando pelo festim.
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Vaca, bezerro e laticínios

Como os seres humanos, uma vaca e seu bezerro compartilham um vínculo forte e especial (Foto: Animal Australia)
Como os seres humanos, uma vaca e seu bezerro compartilham um vínculo forte e especial – um que se forma poucos minutos após o nascimento. Quando as vacas e seus bezerros podem levar uma vida natural, o bezerro chega a mamar por até um ano. Porém, isso é o que menos acontece. Uma pesquisa da Animal Australia mostrou que as vacas são profundamente afetadas pela dor emocional de serem separadas dos bezerros, uma prática padrão da indústria de laticínios. Será que vale a pena consumir leite e derivados?
Patrik Baboumian: “A força deve construir, não destruir. Minha força não precisa de vítimas. Minha força é a minha compaixão”
“Eu reprimia também o fato de que o meu próprio comportamento enquanto consumidor levava ao sofrimento animal”

Patrik Baboumian: “Desde a infância, sempre me senti compassivo em relação aos animais” (Foto: Divulgação)
Nascido em Abadan, no Irã, em 1º de julho de 1979, o atleta de strongman Patrik Baboumian, de origem armênia, se mudou com sua mãe e sua avó para a Alemanha quando ele tinha apenas sete anos. “Sempre tive fé em meus planos de construir uma carreira nos esportes de força, mas inicialmente eu era o único que acreditava nisso. Minha mãe era o meu maior obstáculo quando decidi ingressar em uma academia aos 15 anos. Ela estava preocupada que eu pudesse ter más influências. Agora ela está muito feliz por eu ter resistido a ela e corrido atrás do que acabou sendo o meu destino”, informou em entrevista a Lilly Torosyan, do Armenian Weekly, em 29 de agosto de 2012.
O que despertou em Baboumian o sonho de se tornar um atleta de força foi uma experiência que teve com seu falecido pai – assistir a série “O Incrível Hulk”, protagonizada pelo fisiculturista Lou Ferrigno. A ideia de um homem verde e forte rasgando a camiseta transmitiu a ele uma poderosa ideia de força. “Quando o bombardeio está acontecendo, você vê muitas pessoas gritando ao seu redor, e você não pode fazer nada porque você é pequeno. Então você só quer fugir disso e ser forte”, disse a Jessica McDiarmid, do The Star, em 8 de setembro de 2013, se referindo às consequências da Revolução Iraniana.
Depois de construir uma carreira sólida como atleta de força, um dia, Patrik Baboumian começou a refletir sobre o consumo de carne e concluiu que ingerir proteína animal era incompatível com a sua compaixão pelos animais. Ele não chegou a ser influenciado por fatores externos, nem mesmo pesquisou sobre o assunto. “O que percebi, depois de pensar sobre a minha vida, é que desde a infância sempre me senti compassivo em relação aos animais. Isso foi expresso em minha necessidade de ajudar os animais que estavam em perigo ou sofrendo”, contou ao Vegetarian Bodybuilding.
Em uma ocasião, o atleta cuidou de um pássaro ferido e o abrigou em sua casa durante todo o inverno. Também forneceu refúgio a um pequeno ouriço no outono. “Quando vejo um pássaro, tenho o desejo de ajudá-lo. Isso é incoerente comigo indo ao supermercado no mesmo dia para comprar peito de frango. Entendi que em um caso eu via o sofrimento diante dos meus olhos, e no outro não era visível para mim. Eu reprimia também o fato de que o meu próprio comportamento enquanto consumidor levava ao sofrimento animal, assim como a maior parte da nossa sociedade faz todos os dias”, lamentou.
Diante dessas reflexões, Patrik Baboumian viu apenas duas opções: continuar consumindo proteína animal e ignorar o sofrimento animal ou seguir sua compaixão e mudar de vida. Em 2005, ele tomou a decisão de banir todos os tipos de carne da sua alimentação. “Talvez não seja o suficiente você apenas parar de comer animais. Talvez você devesse boicotar toda a indústria animal, porque…não é o que você, como um ser compassivo, iria querer [financiar]. Então você deveria dar um passo à frente e se tornar vegano”, argumentou em entrevista ao The Star.
Em 2011, quando conquistou o título de homem mais forte da Alemanha, o atleta parou de consumir ovos e laticínios, e foi mais além – abraçou o veganismo. Mesmo sem saber se isso iria afetar o seu desempenho como atleta e o seu grande volume muscular, Baboumian não pensou duas vezes.
“Eu sofria de azia constante ao consumir produtos lácteos. É importante saber que proteína de origem animal contém quantidades especialmente elevadas de aminoácidos contendo enxofre. Isso leva a uma excessiva acidificação do corpo. Se torna evidente quando se tem azia, e a coisa diabólica sobre essa situação é que, a princípio, beber leite ajuda. O estômago tem algo a fazer nesse momento, e o ácido fica equilibrado. Eu não percebia que a azia era causada em primeiro lugar pelos laticínios”, declarou ao Vegetarian Bodybuilding.
A transição para o veganismo foi mais fácil do que Patrik Baboumian imaginava. Duas semanas depois que ele se tornou vegano, o desejo por produtos lácteos, que ele consumia em grande quantidade, desapareceu. “Quando você é viciado em algo e fica em abstinência por muito tempo, o desejo desaparece”, explicou e acrescentou que o seu desempenho atlético se manteve estável, e depois melhorou em longo prazo. Segundo Baboumian, o veganismo o ajudou a se tornar mais forte, acelerou a sua recuperação após o treinamento e ampliou a sua sensação de bem-estar.

” Talvez você devesse boicotar toda a indústria animal, porque…não é o que você, como um ser compassivo, iria querer [financiar]” (Foto: Divulgação)
Também foi em 2013 que Patrik bateu o recorde mundial de yoke walk, carregando 550 quilos por mais de dez metros durante o Toronto’s Vegetarian Food Festival. Ao final, soltou um rugido e berrou: “Vegan power!” Em 2014, ele voltou a sua atenção para a publicação de um livro sobre nutrição esportiva intitulado “VRebellion”, em que responde perguntas frequentes sobre nutrição vegana e como ganhar peso, força e músculos.
“Quis fornecer uma pequena visão sobre as particularidades da minha dieta, porque simplesmente acho que faço certas coisas de forma diferente. Talvez eu possa dar uma ou duas dicas úteis para pessoas interessadas no estilo de vida vegano”, declarou ao Vegetarian Bodybuilding. Patrik Baboumian também encarou a publicação do livro como uma oportunidade de dizer o que muitos veganos gostariam – que muitas pessoas que consomem carne, já consomem muitos alimentos de origem vegetal, logo não há sentido em olhar com tanta estranheza para a alimentação de um vegano.
“Você deve pensar sobre o fato de que uma dieta vegana não consiste apenas de saladas e legumes. Batatas, aveia, arroz ou macarrão de sêmola de trigo durum – há uma abundância de incríveis fontes de energia para o corpo. Amendoins, por exemplo, são uma maravilhosa fonte de proteínas e gorduras vegetais”, enfatizou. Baboumian também citou feijões, lentilhas e ervilhas como boas fontes proteicas.
Desde que se tornou vegano, suas principais fontes de proteínas são leite de soja, proteína isolada de soja, tofu, nozes e feijões, e fez um alerta: “Se seu corpo é muito ácido, ele não pode digerir proteínas em ótimos níveis e, para um atleta de força preocupado com uma oferta suficiente de proteínas, isso é um pesadelo.”

Para obter energia, ele recorre a carboidratos como arroz, batata, aveia e frutas, além de verduras e legumes (Foto: Divulgação)
Para obter energia, ele recorre a carboidratos como arroz, batata, aveia e frutas, além de verduras e legumes. “Uso shakes e smoothies para obter muitas calorias em forma líquida, porque para mim é difícil comer tudo que preciso para ganhar peso e manter o desenvolvimento de força”, confidenciou.
Em 2015, ele bateu o seu próprio recorde de yoke walk, ao carregar 560 quilos durante 28 segundos. De acordo com Baboumian, a sua vantagem em relação aos outros atletas é que ele prioriza tanto o seu aspecto físico quanto mental.
“Como sou muito pequeno para competir na divisão de pesos pesados, minha única chance de superar a desvantagem física é ser mentalmente mais forte. Um fato é que eu nunca desisto. Ganhei o título de homem mais forte da Alemanha três semanas depois de uma lesão muscular em minha panturrilha esquerda. Eu mal conseguia andar três dias antes da competição. Fiz tudo que estava ao meu alcance para me recuperar o mais rápido possível”, destacou.
Os três exercícios mais importantes para Patrik Baboumian são multiarticulares – agachamento livre, levantamento terra e levantamento de tronco. A justificativa é que para ele são os mais eficazes quando se trata de construir massa muscular e força. “Como um atleta vegano lutando contra os estereótipos comuns de veganos como magros e fracos, me considero mais um guerreiro com propósito de atleta”, frisou.
Após se tornar vegano em 2011, outra mudança é que Baboumian parou de usar muitos suplementos que ele superestimava, reduzindo a lista à creatina, beta-alanina, levedura nutricional, vitamina B12, fenacho, canela-do-ceilão (como antioxidante) e glutamina. “Nunca me senti tão bem em toda a minha vida. Desde que escolhi esse estilo de vida por razões éticas, vou cumpri-lo independentemente da minha carreira. […] A força deve construir, não destruir. Minha força não precisa de vítimas. Minha força é a minha compaixão”, justificou.
À noite, Patrik Baboumian, que mora na área rural de Berlim, gosta de fazer longas caminhadas para relaxar e refletir, e normalmente acompanhado de um cão. “Adoro estar na natureza enquanto todo mundo dorme. Aprecio a atmosfera tranquila, sem o ruído da vida humana que é onipresente durante o dia”, narrou ao Vegetarian Bodybuilding.
Questionado se teria alguma sugestão a dar para quem está cogitando o vegetarianismo ou o veganismo, ele recomendou que as pessoas não deem ouvidos aos supostos gurus da nutrição e da indústria de suplementos que dizem que precisamos de carne, ovos e laticínios para conseguir proteínas o suficiente. “Há uma abundância de fontes de proteínas vegetais, e seu corpo vai agradecer por você parar de alimentá-lo com alimento morto. Go vegan and feel the power!”, sugeriu no Toronto’s Vegetarian Food Festival em 2013.
Saiba Mais
Desde que se tornou vegano, Patrik Baboumian tem participado de campanhas em favor dos direitos animais e do veganismo.
Em 2009, ele bateu o recorde mundial de levantamento de tronco, erguendo 165 quilos. Desde então, o atleta tem vencido o Campeonato Alemão de Levantamento de Tronco.
Referências
https://www.thestar.com/news/gta/2013/09/08/vegan_strongman_shoulders_550_kg_a_record_perhaps_at_vegetarian_food_fest.html
Big Armenian Heart: An Interview with the ‘Strongest Man of Germany’
http://www.theallanimalvegan.com/vegan-celebrity-news/patrik-baboumian/
https://www.vegetarianbodybuilding.com/vegan-badass-patrik-baboumiam/
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