David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Vegetarianismo/Veganismo’ Category

Como o veganismo muda nossa percepção das coisas

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Incrível como o veganismo muda nossa percepção das coisas. Hoje, quando saí para caminhar no final da tarde, me recordei de uma matéria que escrevi em 2006 sobre um senhor que era dono de um restaurante bem antigo.

Naquele dia, ele me relatou que houve uma época em que ele era um dos poucos comerciantes do Brasil a servir os verdadeiros testículos de peru. Um dia, um cliente o desafiou a mostrar os testículos do animal. No final, todo mundo deu risada.

Hoje, quando me recordo dessa história, não consigo achar graça, porque logo imagino o que custou ao animal ter os testículos extraídos para servir como iguaria para quem buscava um “alimento” diferente.

Written by David Arioch

January 16th, 2017 at 1:48 pm

Quando alguém fala que vegano tem que morar na floresta…

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Arte: Dana Ellyn

Quando alguém, em tom de deboche, fala que vegano tem que morar na floresta, distante de tudo, pode ser válido perguntar: Você sabia que veganismo é uma filosofia de vida, certo? E que preconiza o abolicionismo animal?

Agora me explique como a luta pelo abolicionismo animal poderia evoluir se todos os veganos se mudarem para florestas, já levando em conta que a maioria da humanidade não é vegana. Não é difícil entender que veganos precisam estar em contato com quem não é. Como você vai conscientizar alguém vivendo na floresta? Não somos uma tribo.

Equivocadamente, há críticos que dizem que para ser vegano é preciso viver na floresta e nunca interagir com tecnologia ou seres humanos que consomem qualquer produto de origem animal. O problema é que o nome disso não é veganismo, isso é uma definição particularista de misantropia. Uma coisa bem diferente.

Ser vegano é fazer o que está ao seu alcance para diminuir o impacto na vida dos animais, ou seja, fazer o possível para não tomar parte na exploração dos bichos e motivar os outros a fazerem o mesmo. Quanto mais pessoas aderindo ao veganismo, maior contrariedade à exploração animal. E com isso, consequentemente, teremos uma crescente redução nos mecanismos de produção que causam grande impacto sobre a vida animal.

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Written by David Arioch

January 16th, 2017 at 1:44 pm

Vegetarianos na filosofia

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Alguns dos maiores filósofos da humanidade, se não eram vegetarianos, pelo menos defendiam ou simpatizavam com o vegetarianismo. A mim, isso diz muito. Não que por terem sido vegetarianos eram superiores ou algo do tipo. Muito pelo contrário. Justamente porque não se viam como melhores que outras espécies que se debruçavam sobre importantes questões da existência que eram ignoradas por outros.

Written by David Arioch

January 16th, 2017 at 1:37 pm

Vegetarianos e veganos são sempre motivados pela emoção?

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O que há de tão racional em matar animais para se alimentar de seus cadáveres? (Foto: Reprodução)

Um sujeito, assim como muitos, creio, falou que vegetarianos e veganos são sempre motivados pela emoção e pelo sentimento, por isso estão errados. Bom, há equívocos substanciais nessa afirmação. Não seria racional se negar a se alimentar de um animal pelo simples fato de que ele é senciente? O que há de tão racional em matar animais para se alimentar de seus corpos? Por que eles não têm direito à vida?

Se temos uma grande variedade de alimentos à nossa disposição, por que comer partes de um ser vivo não humano? O que existe de racional na ideia de que um animal deve morrer para saciar o meu apetite, uma prática que simplesmente se perpetuou porque faz parte de uma herança cultural há muito questionável?

Se o vegetarianismo não é praticável ou recomendado, por que temos vegetarianos desde os tempos mais remotos da humanidade? E se o veganismo não é indicado, como Donald Watson, que fundou a Vegan Society em 1944, teve uma morte tranquila aos 95 anos? O antropocentrismo, pelo seu viés especista, foi a corrente filosófica que elevou o ser humano à condição de superior em detrimento de outros seres vivos – que mais do que nunca passaram a ser vistos como objetos ou meios para um fim, ignorando completamente seus interesses em não morrer. Ao mesmo tempo, contribuiu e muito para uma degradação ambiental sem precedentes.

O que existe de tão racional em se opor aos direitos das outras espécies como fazia o antropocentrismo no passado, ainda mais levando em conta que o ser humano é o principal responsável pela destruição da natureza? Ou pode me apontar algum animal não humano que tenha sido mais nocivo ao meio ambiente do que o ser humano?

Por outro lado, posso dizer também que me tornei vegano motivado, de fato, pela emoção e pelo sentimento. Na realidade, as coisas mais importantes da minha vida fiz motivado pelo coração. Não seria racional dar voz ao coração quando ele nos aproxima da nossa vocação natural? Quando ele faz de nós seres humanos mais conscientes e preocupados com a coexistência pacífica em um mundo cada vez mais violento?

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Written by David Arioch

January 16th, 2017 at 1:36 pm

Inglaterra, pioneira em vegetarianismo e veganismo no Ocidente

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Interessante saber que dos países do Ocidente, a Inglaterra em um passado longínquo já era apontada como a nação considerada mais avançada no que diz respeito à conscientização sobre os direitos animais, e que por tal motivo o vegetarianismo e o veganismo daquele país, enquanto movimentos articulados, tornaram-se referências para o mundo. Já anotei aqui que um dos meus compromissos é pesquisar sobre o contexto em que se deu essa valorização do vegetarianismo e depois do veganismo na Inglaterra.

Written by David Arioch

January 16th, 2017 at 1:28 pm

Por que evitamos ver os animais para além da comida?

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Para não nos sentirmos mal, colocamos em nossas mentes que precisamos da carne para sobreviver (Foto: Reprodução)

Quando crescemos, em algum momento de nossas vidas, temos alguma ideia de como a carne chega aos nossos pratos, mas acaba por ser mais conveniente não pensar a respeito e ignorar o sofrimento envolvido naquele pedaço de carne.

Para não nos sentirmos mal, colocamos em nossas mentes que precisamos da carne para sobreviver, e os animais não humanos podem sofrer, porque estão fazendo algo bonito, que é sanar uma dita importante necessidade da humanidade. Um “belo destino” para seres vistos como inferiores, que muitos preferem acreditar que existem simplesmente para nos servir.

Evitamos ver os animais para além da comida porque não queremos nos responsabilizar pelo fato de que somos culpados por suas vidas tão curtas, por seu sofrimento e privação. Preferimos ignorá-los, observá-los à distância e com altivez, por nos considerarmos melhores.

Há quem use o pretexto da saúde, quando, de um modo ou de outro, sabemos que a única justificativa para comer carne é o paladar. Sim, não há nada que motive mais o ser humano a seguir por esse caminho do que o paladar. Quando ele refuta isso, é porque não admite ser visto como alguém que é motivado pelo efêmero prazer da gustação.

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Written by David Arioch

January 16th, 2017 at 1:26 pm

Há sempre mais motivos para não comer carne

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Arte: Sue Coe

Há sempre mais motivos para não comer carne do que para comê-la, e isso por si só já é mais que suficiente. Quem come carne e não abre mão, diz que é importante fonte de proteína, que é gostosa e que faz bem. Ou seja, são argumentos que, independente da veracidade, se voltam para a individualidade.

Já os argumentos para não comer carne hoje em dia são: não temos direito de matar para beneficiar nosso paladar e não precisamos de carne para sobreviver. Há profissionais que também argumentam que o consumo de carne não é saudável nem sustentável.

O consumo de carne também é apontado como um dos maiores responsáveis pelo desmatamento e pelo aquecimento global. Quais argumentos se voltam menos para a individualidade e mais para os benefícios coletivos?





É importante adotar o veganismo pelos motivos certos

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Foto: We Animals/Jo-Anne McArthur

Não digo que é fácil abandonar todos os hábitos alimentares que envolvem ingredientes de origem animal, porque de fato sei que pode não ser tão simples. Mas querer mudar é o mais importante. Veganismo, por exemplo, ao contrário do que muita gente pensa, pelo menos tratando-se de alimentos, não se resume a não consumir carnes, ovos, leite e mel.

Uma vez, há muito tempo, fui ao mercado com minha mãe, e ela me mostrou uma nova barra de chocolate Hershey’s com 70% de cacau. Dei uma olhada e vi que tinha gordura anidra de leite na composição, logo não era um chocolate livre de ingredientes de origem animal. Além disso, naturalmente associei aquele chocolate à denúncia de que a Hershey compra cacau oriundo da exploração de mão de obra escrava, humana e não humana, na Costa do Marfim.

Então creio que é importante adotar o veganismo pelos motivos certos e entender o que isso representa de verdade, porque não se trata simplesmente de não comer carnes, leite e ovos, mas sim de evitar consumir qualquer produto que envolva algum tipo de exploração animal.

Acredito que o veganismo é um constante aprendizado. Por outro lado, também é surpreendente reconhecer como um novo mundo de possibilidades se abre para nós quando optamos por mudar. Acredite, algo substancial muda dentro de você.





Written by David Arioch

January 16th, 2017 at 1:14 pm

Veganismo, exploração e conscientização

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Arte: Austen Mikulka

Não acredito que o veganismo nos isenta de tomarmos parte em todos os tipos de exploração, até porque isso ainda é impossível. A maior diferença subsiste no fato de que reconhecemos que a exploração animal existe e nos empenhamos em fazer algo para evitar contribuir com isso.

De um modo ou de outro, estamos sempre nos submetendo a um sistema exploratório. É inegável, mas a possibilidade de mudança só surge a partir do momento que o problema é combatido por um número cada vez mais crescente de pessoas. Não sou purista, nunca fui, e tenho plena consciência de minhas limitações.





Written by David Arioch

January 16th, 2017 at 1:11 pm

Boas notícias sobre o meu trabalho

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Arnaldo Baptista e Vegetarirango compartilharam o meu trabalho nos últimos dias

Muito gratificante saber que o músico e compositor Arnaldo Baptista, um dos fundador da banda Os Mutantes, uma das mais importantes da história do rock brasileiro, compartilhou meu artigo sobre como o baixista Geezer Butler, do Black Sabbath, se tornou vegano.

Também fiquei feliz ao saber que o idealizador do canal Vegetarirango, que tem mais de 228 mil seguidores no Facebook, compartilhou a minha reportagem sobre o físico vegetariano Brian Greene, considerado um dos mais importantes da atualidade. Quanto mais repercussão, melhor.