David Arioch – Jornalismo Cultural

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Archive for the ‘Vegetarianismo/Veganismo’ Category

Veganismo na infância

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Foto: VegFest

VegKids, realizado dentro da VegFest na Inglaterra e na Escócia, e que tem inclusive apoio do governo. Lá, crianças, em companhia dos pais, são incentivadas e orientadas a tornarem-se veganas desde os primeiros anos de vida. A VegFest é um dos maiores eventos veganos do mundo.

Written by David Arioch

January 23rd, 2017 at 12:29 am

Pawel Kuczynski, um cartunista que desperta reflexões sobre a exploração animal

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“Nossa realidade é triste e, como consequência, meu senso de humor é mórbido”

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Kuczinsky: “A realidade é tão louca e absurda que é difícil competir com isso” (Foto: Reprodução)

O artista gráfico e cartunista Pawel Kuczynski vive em Police, uma cidade com pouco mais de 40 mil habitantes, situada na região da Pomerânia Ocidental, no Noroeste da Polônia. Lá, ele produz desenhos que despertam a atenção para temas como exploração animal, ecologia, política, pobreza, fome, ganância, novas tecnologias e vício em internet. Kuczynski une metáforas visuais, a estética do surrealismo, a sátira e o humor mórbido para fazer com o que o espectador reflita sobre questões bem atuais.

Muito popular em mídias sociais como Reddit, Pinterest, Instagram e Facebook, neste último ele tem mais de 528 mil seguidores, o artista polonês já produziu inúmeros desenhos em que propõe discussões sobre a forma como nos relacionamos com os animais. São trabalhos que permitem inúmeras releituras e colocam em evidência a hipocrisia humana no que diz respeito ao fato de considerar alguns animais como companheiros e outros simplesmente como comida. Exemplo disso é “Dinner”, uma de suas obras mais populares, em que um açougueiro acaricia a cabeça de um gato enquanto é assistido por animais não domésticos na entrada de um estábulo.

Alguns cartuns de Kuczynski, que trabalha com técnicas de lápis aquarelável, mostram como as pessoas fingem não ver que estão consumindo um ser que um dia teve vida, e talvez por tal motivo em alguns de seus trabalhos os animais estão vivos. Um exemplo é “Pig”, em que um porco aparece sorrindo inocentemente com uma toalha sobre o dorso, sem reconhecer que ele é a mesa e o prato principal de um banquete. Em “Coffin”, ele apresenta o funeral de um porquinho que tem como caixão um lanche, uma referência às tiras de bacon.

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Uma das imagens mais famosas do cartunista polonês

Em “Eggs”, há uma máquina que esmaga galinhas para a produção de ovos. Provavelmente, a intenção de Kuczynski é mostrar que ovos não são apenas ovos. Eles custam a vida das galinhas que são descartadas quando produzem pouco ou quando representam despesas. Outra de suas obras destaca um homem com aspecto morbígero, uma boca enorme e dentes pontiagudos, prestes a engolir a cabeça de um suíno, numa analogia à glutonaria humana.

Pawel Kuczynski também critica quem cria peixes em casa. Além desses animais viverem até sua morte em pequenos espaços para o deleite humano, as pessoas normalmente ignoram o quão paradoxal é criar um peixe ao mesmo tempo em que se come outro. Tal contradição é evocada no cartum em que aparece um peixe enlatado dentro de um pequeno aquário.

Em outro desenho, um boi tem um grande pasto como guardanapo amarrado ao pescoço, referência ao desmatamento e a superprodução de grãos para alimentar esses animais, o que vai muito além do que é investido na produção alimentícia voltada aos seres humanos.  elwu6vn-vert

Por esses e outros trabalhos, o polonês graduado na Academia de Belas Artes de Poznań, e com especialização em artes gráficas, já foi premiado nos Estados Unidos, Brasil, Bélgica, Itália, Espanha, Portugal, Rússia, Japão, China, Coréia do Sul, Colômbia, República Tcheca, Irã, Itália, Eslováquia, Turquia, Síria e Taiwan. Em 2005, ele recebeu o Eryk, prêmio da Associação Polonesa de Artistas, por ter conquistado um número recorde de premiações em competições internacionais. Só em 2010, Kuczynski ganhou 19 prêmios e distinções.

“Não sou o tipo de cartunista que trabalha com humor. Não é o tipo de sátira que as pessoas podem associar com piadas. São assuntos muito sérios. A realidade é tão louca e absurda que é difícil competir com isso. A realidade me inspira. Apenas tento ser honesto sobre as minhas observações em meus desenhos. Coloco uma informação em minha cabeça e espero pelos resultados. Se eu já tiver algo em minha mente, e for uma boa ideia, preciso de dois dias para fazer o desenho”, disse em entrevista à Fluster Magazine, da Itália, publicada em 10 de março de 2012.

Um observador do comportamento humano, Pawel Kuczynski considera surpreendente o fato de que vivemos há tanto tempo neste mundo e ainda assim seguimos cometendo os mesmos erros. ele cita como algumas das maiores incoerências humanas as guerras, a pobreza, a fome, a exploração animal e a destruição do meio ambiente. “Nossa realidade é triste e, como consequência, meu senso de humor é mórbido. Acho que talvez eu seja muito lírico e sentimental”, declarou.pawelk7-horz

O artista polonês sempre gostou de arte barroca, das obras de Caravaggio [Michelangelo Merisi]. Sua admiração o motivou desde cedo a usar a luz teatral como uma grande aliada, ou seja, aprendeu a manipular sabiamente o contraste entre o claro e o escuro. “É muito útil para organizar a composição narrativa em minhas obras”, justificou.

Membro da Associação Polonesa de Artistas, ele prefere não enaltecer a sua própria história. Quando questionado sobre o motivo de divulgar sempre uma curta biografia, Kuczynski costuma responder que o mais importante não é ele, mas sim o seu trabalho. Sobre sua rotina, ele começa o dia praticando atividades físicas. “É a melhor forma de refrescar meus pensamentos. Ou a melhor forma de não pensar em desenhos”, enfatizou em entrevista veiculada no portal iraniano Tabriz Cartoons em 11 de setembro de 2016.

coffin-pawel-vertO cartunista normalmente prepara o projeto um dia antes de executá-lo, e seu período de maior produção costuma ser à tarde. “Trabalho como freelancer. É o que mais me convém, mas posso trabalhar em qualquer lugar onde eu tenha um canto para desenhar e acesso à internet. Tudo que tenho em Police [sua cidade natal] é um ambiente tranquilo, amigos e família. Não preciso de nada mais além disso”, contou a Tabriz Cartoons.

Pawel Kuczynski transparece não ter grandes ambições e ressalta que o mais importante é ter ideias e força para trabalhar. Se suas obras seguirem conquistando as pessoas e permitirem que ele continue vivendo do seu trabalho, isso o deixará satisfeito. “É o suficiente para mim. Como qualquer jovem estudante, eu fazia retratos em festas, imagens para decorar interior de apartamentos. Sou duro comigo e prefiro não admirar meu trabalho. Sempre acho que o próximo será melhor e me forço a ir além. Claro, como qualquer autor, fico feliz quando meu trabalho é notado e recompensado em competições”, ponderou.

Há pessoas que criticam alguns trabalhos de Kuczynski por interpretá-los como críticas intransigentes ao uso de tecnologias. Porém, embora não use smartphones, ele deixa claro que sua intenção nunca foi essa: “Não sou um inimigo das inovações técnicas. Estou ativamente usando e usufruindo delas. Mas, por outro lado, é por isso que tenho o direito de alertar sobre as armadilhas que estão sempre à nossa espreita.” Para o polonês, a melhor forma de manter a qualidade do seu trabalho é jamais negligenciar o próprio cérebro que, por ser um músculo, precisa sempre de bons estímulos.

Saiba Mais

Pawel Kuczynski começou a trabalhar com desenhos satíricos em 2004.

 Para comprar algum dos trabalhos do artista polonês, acesse:

http://www.pictorem.com/collectioncat.html?author=Pawel+Kuczynski

 Referências                    

http://pawelkuczynski.com/

Showcase: Pawel Kuczynski

http://tabrizcartoons.com/en/news/tcan/6196-interview-with-pawel-kuczy%C5%84ski-poland,2016.html

Francisco de Assis: “Todas as criaturas são nossos irmãos e irmãs”

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O frade italiano não via os animais como seres com menos direito à vida do que os humanos

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O amor dele por Deus se manifestava por meio do seu amor por todas as criaturas (Pintura: Hans Stubenrauch)

Independente de religião ou irreligião, é inegável o fato de que a história do jovem italiano que abandonou a riqueza, e mais tarde ficaria conhecido como Francisco de Assis, ao longo da história do cristianismo motivou muita gente a ter compaixão pelos animais em um contexto religioso predominantemente especista. Nascido em Assis, na Itália, em 1181 ou 1182, Francisco de Assis teve uma juventude conturbada e atuou brevemente como soldado, até que tornou-se frade e renunciou à riqueza de sua família para dedicar sua vida a cuidar dos pobres, dos doentes e dos animais.

“Todas as criaturas são nossos irmãos e irmãs”, dizia Francisco de Assis, que embora não haja confirmação de seus hábitos alimentares, afirmava não ver os animais como seres com menos direito à vida do que os humanos, tanto que ele compartilhava a mesma pregação com pessoas e animais. O amor dele por Deus se manifestava por meio do seu amor por criaturas humanas e não humanas.

As suas raras qualidades atraíram muitos seguidores, e em 1209 ele criou uma nova ordem religiosa, conhecida como Ordem dos Frades Menores ou Ordem de São Francisco. “São Francisco via a sacralidade até mesmo em um inseto”, disse o escritor e filósofo alemão Max Scheler. O frade cuidou de muitos leprosos e também tentou estabelecer a paz entre cristãos e muçulmanos no decorrer da Quinta Cruzada (1217-1221), embora sem êxito.

Considerado o protetor dos animais e da ecologia, um dia atravessou um vale em Spoleto e, perto de Bevagna, na região da Umbria, ele viu uma multidão de pássaros dos mais diferentes tipos reunidos. Sensibilizado com a cena, Francisco de Assis correu até eles e os cumprimentou como se compartilhassem da razão humana. Como os pássaros não fugiram, ele se aproximou de cada um e tocou suas cabeças e corpos com sua túnica, os abençoando.

Enquanto o frade falava, dizem que os pássaros se moviam à sua maneira, esticando o pescoço, abrindo as asas, o bico e o observando como se reagissem às suas palavras. A partir daquele dia, ele não parou mais de abençoar os animais ou tentar se comunicar com eles, além de socorrê-los quando necessário.

Em 4 de outubro de 1226, Francisco de Assis faleceu em sua cidade natal. Em 16 de julho de 1228, ele foi canonizado pelo Papa Gregório IX. Até hoje, milhões de pessoas peregrinam até seu túmulo, na Basílica de São Francisco de Assis, reconhecendo a importância de suas lições sobre o amor e respeito pelas mais diferentes formas de vida.

Em 1979, o Papa João Paulo II elevou o frade italiano a Padroeiro dos Ecologistas. Em um discurso posterior, encorajou os católicos a seguirem o exemplo de São Francisco, incentivando-os a verem os animais, humanos e não humanos, como membros de uma única família.

“O respeito pela vida e pela dignidade da pessoa humana estende-se também às demais criaturas que são chamadas para juntarem-se ao homem […]. São Francisco convidou todos os animais, plantas, forças naturais, inclusive o irmão Sol e a irmã Lua, para honrar e louvar ao Senhor. O pobre de Assis nos dá um impressionante testemunho de que ao estarmos em paz com Deus somos muito mais capazes de edificar essa paz com toda a criação, que é inseparável da paz entre todos os povos”, declarou o papa em celebração do Dia Mundial da Paz em 1º de janeiro de 1990.

Saiba Mais

O Dia de Francisco de Assis é comemorado em 4 de outubro.

Em “Os Irmãos Karamázov”, de Dostoiévski, e em “Fausto”, de Goethe, há referências a Francisco de Assis.

Referências

The Humane Society of the United States. St. Francis of Assisi. A profile of the patron saint of animals and encology. (http://www.humanesociety.org/about/departments/faith/francis_files/st_francis_of_assisi.html)

La Santa Sede (Vatican). Message of his holiness Pope John Paul II For The Celebration of the World Day of Peace. (1º de janeiro de 1990). (https://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/en/messages/peace/documents/hf_jp-ii_mes_19891208_xxiii-world-day-for-peace.html)

Brady, Ignatius Charles. Saint Francis of Assisi. Encyclopædia Britannica Online. (https://global.britannica.com/biography/Saint-Francis-of-Assisi)

Robinson, P. St. Francis of Assisi. In The Catholic Encyclopedia. New York. Robert Appleton (2009).

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Morrissey: “A liberdade não é apenas para os seres humanos, mas para todos os animais”

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Desde que lançou “Meat is Murder” em 1985, Morrissey segue defendendo os direitos animais

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Morrissey: “Me tornei vegetariano com 11, 12 anos” (Foto: Reprodução)

Um dos artistas mais controversos em campanha contra o consumo de carne, o icônico Steven Patrick Morrissey tornou-se um dos porta-vozes do vegetarianismo e dos direitos animais nos anos 1980. Tudo começou em outubro de 1984, quando o vocalista e compositor da banda britânica de rock The Smiths escreveu a música “Meat is Murder”, ou seja, “Carne é Assassinato”, que faz parte do álbum homônimo lançado em 11 de fevereiro de 1985.

O disco ocupou posição de destaque nas paradas do Reino Unido, e ajudou a dar mais visibilidade ao vegetarianismo e a fazer com que os britânicos se questionassem sobre o quão nocivo é o consumo de carne. “Assim que decidimos que ‘Meat is Murder’ seria a faixa título, as manchetes dos jornais britânicos nos deram ampla atenção. O grande problema é que a música não ganhou qualquer espaço nos programas de rádio. O álbum entrou nas paradas, mas a nossa música nunca foi tocada”, disse em entrevista ao vice-presidente de campanhas de mídia da organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta).

Uma vez, quando o The Smiths estava tocando “Meat is Murder”, em Stokes, na Inglaterra, alguém da plateia arremessou um monte de salsichas em direção ao palco. Elas bateram no rosto de Morrissey e uma porção entrou em sua boca. “Tive que correr para fora do palco e vomitar”, relatou e qualificou o incidente como um caso isolado.

O cantor britânico já recebeu muitos e-mails de pessoas de todas as partes do mundo, informando que estão felizes por ter alguém que diz exatamente o que pensam. “Recebemos tremendas respostas principalmente de fãs dos Estados Unidos agradecendo e dizendo que se tornaram vegetarianos. Isso é maravilhoso! Quando tocamos em Madrid, fizemos um concerto ao ar livre para 350 mil pessoas, e foi televisionado para toda a Espanha. Durante ‘Meat is Murder’, eles traduziram a letra. Foi incrível, e na noite seguinte, tocamos em Barcelona e fizeram a mesma coisa”, narrou.

O disco “Meat is Murder” também teve boa repercussão no Canadá, onde ocupou a 40ª posição entre os melhores discos do ano, e nos Estados Unidos ficou em 110º lugar. Quatro dos álbuns do The Smiths estão entre os 500 melhores de todos os tempos, segundo a revista Rolling Stone. E toda essa popularidade foi usada por Morrissey como uma grande oportunidade para divulgar o vegetarianismo.

Embora o The Smiths tenha existido somente entre os anos de 1982 e 1987, Steven Patrick Morrissey seguiu adiante e fez da sua carreira solo um dos maiores exemplos de sucesso no mundo da música. Suas composições estiveram dez vezes no Top 10 da UK Singles Chart. Como alguém que leva muito a sério a promoção dos direitos animais, ele costuma pedir que os integrantes de sua banda não tirem fotos comendo carne. Além disso, sempre exigiu que os organizadores permitissem somente a comercialização de comida vegetariana nos locais de seus shows.

Em 2007, foi realizado no Reino Unido, Estados Unidos, Austrália, África do Sul, Japão, Alemanha, Brasil, China, Itália e Antártica uma série de shows que fizeram parte do “Live Earth”. O objetivo do evento criado por Al Gore e Kevin Wall, era conscientizar as pessoas sobre o aquecimento global e as crises climáticas. No local, eles comercializavam principalmente carnes e laticínios. Incomodado ao saber disso, Morrissey se recusou a se apresentar. O mesmo aconteceu na Islândia.

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“Acho que contribuímos muito com o movimento dos direitos animais” (Foto: Reprodução)

Em 2009, o músico britânico abandou o palco do festival Coachella, no interior da Califórnia, nos Estados Unidos, justificando que o cheiro de animais sendo queimados estava deixando ele doente. “Posso sentir o cheiro de carne queimando…”, reclamou.

Em 2013, o cantor cancelou sua participação no “Jimmy Kimmel Live!” depois de ficar sabendo que a equipe do reality Show “Duck Dinasty” também participaria. O programa gira em torno da Família Robertson, que enriqueceu criando produtos para caçadores de patos. “No que diz respeito à minha reputação, não posso correr o risco de estar ao lado de pessoas que, de fato, são como assassinos em série de animais”, declarou.

Em 2014, durante show em Denver, no Colorado, também nos Estados Unidos, Morrissey falou ao público que a liberdade não é apenas para os seres humanos, mas para todos os animais. “Passei pelo Zoológico de Denver que possui mais de quatro mil animais de todo o mundo, mas suponho que eles deveriam dizer que são animais capturados em armadilhas, infelizes, suicidas, prisioneiros. E passei por Greeley que é a capital do assassinato no Colorado. Se você não acredita, pergunte a uma vaca”, satirizou. Em Manchester, onde surgiu a banda The Smiths, seu pedido jamais foi desrespeitado.

Outra ação de Morrissey que chamou muita atenção ocorreu em 21 de novembro de 2016, quando ele escreveu uma carta para a CEO da General Motors, Mary T. Barra, depois de sua apresentação no Royal Oak Music Theatre, em Michigan.

“A GM é citada na nova pesquisa da Peta em que animais têm suas caras marcadas, são eletrocutados e espancados antes de serem abatidos e usados na fabricação de interiores de couro para empresas de automóveis”, reclamou e pediu que a General Motors fabricasse automóveis com bancos de couro vegano.

Para endossar a sua insatisfação, durante o show em Royal Oak, no subúrbio de Detroit, onde fica a sede da GM, ele mostrou um vídeo da Peta, denunciando como os fornecedores de couro dos fabricantes de automóveis maltratam os animais. Colaborador da Peta há muito tempo, Morrissey sempre incentivou seus companheiros de banda a usarem camisetas da organização. A parceria culminou na gravação de um filme de animação sobre a triste realidade de galinhas criadas em unidades industriais. O vídeo foi exibido em cada um de seus shows em 2014.

Considerado um ativista até os “ossos”, o britânico é a favor do fim de todos os zoológicos e circos que usam animais. Ele defende que todos os animais deveriam ter os mesmos direitos básicos dos seres humanos. “Eu gostaria de perguntar a quem come carne por que eles acreditam que os animais não podem ter nenhum direito de viver suas vidas, enquanto os seres humanos reivindicam um direito dado por Deus de viver como desejam…”, queixou-se em resposta a uma pergunta feita pela fã Amber Derby no “True To You – A Morrissey Zine” em janeiro de 2014.

Divulgando um estilo de vida livre de carne desde a década de 1980, Morrissey tem como principal inspiração a própria mãe, que era vegetariana e o motivou a seguir pelo mesmo caminho. “Me tornei vegetariano com 11, 12 anos. Éramos muito pobres e pensei que carne era uma boa fonte de nutrição. Acho que você pode dizer que me arrependi daqueles anos consumindo carne. Minha mãe é muito ativa. Frequentemente participa de campanhas anti-caça no Reino Unido. Me influenciou muito”, admitiu a Dan Matthews, da Peta.

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“Todo mundo começa como vegetariano porque mergulhar diretamente [no veganismo] é muito difícil para a  maioria das pessoas” (Foto: Reprodução)

Uma das atividades que mais dão prazer ao cantor e compositor é a realização de shows beneficentes em prol dos animais. Porém, mais tarde surgiram ressalvas, já que ele recebe muitos pedidos, assim gerando conflitos entre os grupos. “Se você fizer um show para um grupo, você acaba tendo problemas com os outros. Acho que contribuímos muito com o movimento dos direitos animais, uma vez que é o principal tema das nossas músicas. Realmente temos um monte de pessoas pensando e falando sobre isso, e ajuda a manter a discussão em torno do problema”, enfatiza.

Preocupado em contextualizar as letras de suas músicas, um dia quando concederam entrevista a um programa de TV na Escócia, Morrissey pediu filmagens de matadouros e as usou em um show realizado propositadamente no horário do jantar, para que as pessoas refletissem sobre o que estão comendo. Ao final da exibição, o cantor lançou uma pergunta: “Qual é a sua desculpa agora?”

Entre os vídeos que ele costuma indicar aos fãs está “The Video the Meat Industry Doesn’t Want You To See”, disponível no YouTube. Segundo ele, a obra resume a sua perspectiva em relação à exploração animal. “Se isso não for suficiente para trazer pessoas para o vegetarianismo, então provavelmente são pessoas feitas de pedra”, comentou com o fã Matthew Preston em diálogo no “True To You – A Morrissey Zine” em janeiro de 2014.

Sobre a transição para o veganismo, Morrissey disse em 20 de agosto de 2015, em entrevista ao apresentador estadunidense Larry King, que foi algo gradual. “Todo mundo começa como vegetariano porque mergulhar diretamente [no veganismo] é muito difícil para a maioria das pessoas”, argumentou.

O músico britânico também tem ajudado a levar o ativismo pelos direitos animais para o mundo dos jogos. Em 2016, ele aprovou o lançamento de “This Beautiful Creature Must Die”, baseado em um dos trechos da música “Meat is Murder”, que responde pela trilha sonora em versão arcade. No game, o jogador deve proteger animais fracos e indefesos da violência humana, principalmente em matadouros. “É melhor do que Pokémon Go”, brincou Morrissey no site da Peta.

Meat is Murder (Carne é Assassinato)

O lamento do bezerro poderia ser um choro humano

A faca gritante se aproxima cada vez mais

Esta linda criatura deve morrer

Esta linda criatura deve morrer

Uma morte sem razão

E morte sem razão é assassinato

 

E a carne que você frita distraidamente

Não é suculenta, saborosa ou bondosa

É morte sem razão

E morte sem razão é assassinato

 

E o vitelo que você destrincha com um sorriso

É assassinato

E o peru que você fatia festivamente

É assassinato

Você sabe como os animais morrem?

 

Os aromas da cozinha não são familiares

Não são confortáveis, acolhedores ou generosos

É o sangue sendo frito e o profano fedor

De assassinato

Não é natural, normal ou generoso

 

A carne que você majestosamente frita

A carne em sua boca

É você saboreando o gosto do assassinato

Não, não é outra coisa, é assassinato

Quem ouve quando os animais choram?

Saiba Mais

Morrissey já inspirou milhões de pessoas ao redor do mundo.

Ele também faz campanhas contra o comércio de peles e a superpopulação de animais, incentivando a castração.

Em 11 de outubro do ano passado, os cozinheiros Joshua Ploeg e Automne Zingg lançaram o livro “Defensive Eating with Morrissey: Vegan Recipes from the One You Left Behind”, baseado em mais de 100 receitas aprovadas pelo cantor britânico.

Com o The Smiths, o vocalista e compositor lançou os álbuns “The Smiths”, “Meat is Murder”, “The Queen is Dead” e “Strangways, Here We Come”.

Em carreira solo, lançou entre os anos de 1988 e 2014 os álbuns “Viva Hate”, “Kill Uncle”, “Your Arsenal”, “Vauxhail And I”, “Southpaw Grammar”, “Maladjusted”, “You Are the Quarry”, “Ringleader of the Tormentors”, “Years of Refusal” e “World Peace is None of Your Business”.

Referências

http://www.vegan.com/morrissey/

http://www.yourdailyvegan.com/2014/05/is-morrissey-vegan-yet/

http://pitchfork.com/news/70003-morrissey-calls-on-general-motors-to-offer-vegan-leather/

http://www.huffingtonpost.com/2014/01/07/morrissey-meat-eating-pedophilia_n_4554667.html

http://true-to-you.net/morrissey_news_140102_01

http://www.ora.tv/larrykingnow/2015/8/19/morrisseys-first-in-person-interview-in-nearly-10-years

http://www.peta.org/features/morrissey-spay-neuter/

http://www.peta.org/features/morrissey-opening-act/

http://www.nme.com/news/music/morrissey-86-1213092

 

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John Joseph: “Se uma dieta baseada em vegetais funcionou para mim, ela funciona para qualquer um”

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Como o vocalista da lendária banda nova-iorquina Cro-Mags tornou-se um atleta vegano

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Mudança de atitude de John Joseph foi uma consequência da sua dieta vegetariana estrita (Foto: Vice)

Vocalista da lendária banda de crossover Cro-Mags, pioneira na fusão do hardcore punk com o thrash metal, e uma das mais importantes da história do cenário hardcore de Nova York, John Joseph publicou em 2014 o livro “Meat is for Pussies: A How-To Guide for Dudes Who Want to Get Fit, Kick Ass…”. Embora o título possa parecer bobo, cômico ou provocativo, o conteúdo merece muita atenção.

“É um olhar sobre a perspectiva de que o homem ‘precisa’ de carne para ser varonil e forte”, explica o também escritor e atleta vegano. Na primeira parte do livro, John Joseph apresenta fatos e faz críticas aos horrores envolvendo a exploração animal e os processos de produção de carne.

Depois de falar das fazendas industriais, ele guia o leitor a um capítulo em que discorre sobre um estilo de vida mais feliz, saudável e muito mais humano. Ou seja, um estilo de vida vegano. Na obra, ele dá dicas sobre culinária livre de crueldade contra animais. Em síntese, “Meat is for Pussies”, ignorem o título jocoso, é uma obra em que Joseph desafia positivamente os leitores a mudarem de vida.

“Muitos dos caras que perguntam de onde consigo minhas proteínas estão acima do peso, precisam de pílulas para ereção e levam uma hora no banheiro para se livrarem das carcaças podres que estão em seus cólons”, diz.

Uma das figuras mais famosas do cenário hardcore punk dos Estados Unidos, John Joseph tem usado a sua popularidade para atrair pessoas para o veganismo, divulgando principalmente os benefícios de uma alimentação vegetariana aliada a um bom condicionamento.

“Aprendi sobre a PMA [atitude mental positiva] quando a banda punk rastafári Bad Brains me deu um trabalho como roadie deles em 1981. A primeira parte do processo era abandonar carnes, ovos, laticínios, comida processada e drogas”, confidenciou em entrevista à Deni Kirkova, do tabloide britânico Metro em 21 de agosto de 2015.

Segundo Joseph, a sua mudança de atitude foi uma consequência da sua dieta vegetariana estrita, um catalizador em sua vida. “As cortinas caíram, por assim dizer. Absorvi o conhecimento como se eu fosse uma esponja. Fiquei sóbrio, comecei a praticar ioga, meditação, artes marciais, ciclismo, natação de águas abertas e corrida”, revelou.

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Joseph: “Se você me dissesse em 1980 que um dia eu seguiria uma dieta vegetariana, eu daria risada em sua cara”

O novo estilo de vida também garantiu mais energia para tocar com o Cro-Mags e um bom desempenho no Ironman Triathlon, competição de resistência que exige que os atletas completem quase quatro quilômetros de natação, 180 quilômetros de pedaladas e mais de 42 quilômetros de corrida. E tudo isso exige muito treinamento e uma boa dieta. Em 25 de setembro de 2015, a Vice publicou uma matéria baseada na rotina de John Joseph em sua preparação para o Ironman, e se surpreendeu com a força de um homem que só consome alimentos de origem vegetal.

“Se você me dissesse em 1980 que um dia eu seguiria uma dieta vegetariana, e mandaria ver no IronMan, eu provavelmente daria risada em sua cara. Meu passado em Nova York foi duro, realmente duro”, explicou a Deni Kirkova. Mesmo quando sua rotina ficou atribulada por causa das turnês com bandas como Motörhead, Bad Brains, Megadeth e GBH, Joseph continuou cumprindo seu papel como vegano, sem qualquer deslize. Com o Cro-Mags, ele gravou entre os anos de 1986 e 1993 os álbuns “Age of Quarrel”, considerado um dos discos mais influentes da história do hardcore punk, “Alpha Omega” e “Near Death Experience”.

O escritor e atleta vegano já recebeu milhares de e-mails, mensagens no Facebook, Instagram e Twitter de pessoas dizendo que leram seu livro e mudaram de vida por causa do conteúdo e do seu estilo de escrever. “Eles gostam porque dizem que foi escrito na linguagem deles”, justifica.

Quem não conhece a história de John Joseph, jamais imaginaria que ele foi um sem teto viciado em álcool e drogas. Em 1969, aos sete anos, ele foi obrigado a abandonar um lar violento. Viveu em vários orfanatos e em mais lares abusivos. Sem perspectiva de futuro, passou o ano de 1988 consumindo crack.

Na mesma época, levou um tiro, foi esfaqueado e chegou a ser preso. Hoje, com 54 anos, ele continua atuando como vocalista e tornou-se um atleta vegano com desempenho exemplar em cinco edições do Ironman. E ele atribui a sua história de superação ao seu estilo de vida vegano, que não admite a exploração de animais e considera prejudicial à saúde o consumo de alimentos de origem animal.

“As pessoas são bombardeadas por comerciais de fast food barato, e ingerem comidas que não só causam estragos ao seu sistema como ao planeta por causa do abate de animais”, lamentou em entrevista ao jornal The Examiner, da Austrália, e repercutida pelo Exclaim, do Canadá, em 7 de outubro de 2009.

Saiba Mais

John Joseph, que nasceu em Nova York em 3 de outubro de 1962, se tornou vegetariano há mais de 30 anos.

Referências

Vegan rockstar and athlete John Joseph on why ‘meat is for pussies’

https://munchies.vice.com/en/videos/fuel-the-vegan-ironman-diet-of-cro-mags-john-joseph

http://exclaim.ca/music/article/cro-mags_john_joseph_declares_meat_is_for_pussies_with_new_book_begins_work_on_reality_show

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Mito sobre a carne orgânica

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Excerto da matéria publicada no Diário do Noroeste

Saiu hoje, dia 17 de janeiro de 2017, uma matéria intitulada “Mitos e verdades da carne orgânica” na página 6 do Diário do Noroeste. Em especial, uma passagem me chamou a atenção e decidi compartilhar:

“2. É proibido utilizar o sistema de confinamento. MITO. Pode ser realizada a terminação no sistema de confinamento somente 90 dias antes do abate.”

Tal afirmação não foi feita por nenhum defensor dos direitos animais, mas sim pelo consultor de agropecuária José Carlos Ribeiro, da Boi Saúde – Pecuária Inteligente, que atende pecuaristas de todo o Brasil.

Ou seja, isso deixa claro que não existe gado criado sem passar por algum tipo de privação. É de conhecimento geral que nenhum animal é feliz em regime de confinamento.

Bryan Adams: “Se você ama os animais, não os coma”

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“Me oponho ao uso de peles de animais e a qualquer outro tipo de produto que use animais”

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Bryan Adams: “Não como eles, e não me visto com eles” (Foto: Reprodução)

Considerado um dos artistas mais bem-sucedidos da história da música, o canadense Bryan Adams, que emplacou sucessos internacionais como “Everything I Do”, “Summer of 69″, Heaven” e “Please Forgive Me”, abandonou o consumo de carne em 1988, depois de comer um grande bife e sentir-se muito mal. “Aquele foi o fim para mim. Nunca mais”, contou em entrevista à June Bird, da organização Animal Liberation Front (ALF) em abril de 2000.

A partir daquele dia, Adams se afastou cada vez mais dos velhos hábitos alimentares. “Se você ama os animais, não os coma. Me oponho ao uso de peles de animais e a qualquer outro tipo de produto que use animais. Não como eles, e não me visto com eles”, declarou em entrevista à Peta.

O compositor, que também é guitarrista, produtor e fotógrafo, tornou-se um ativista pelos direitos animais quando abdicou do consumo de carne. A primeira grande campanha de sucesso que contou com a sua participação foi a construção de um santuário de baleias na Antártica na década de 1990. “Distribuímos 500 mil cartões postais pedindo que as pessoas escrevessem a favor do santuário e encaminhassem cada cartão para diferentes líderes governamentais para votarem a nosso favor. E isso funcionou”, contou à ALF.

A aproximação de Bryan Adams com ações em defesa dos animais sempre lhe trouxe lembranças dos seus companheiros caninos na juventude. “Eles se tornaram parte da família. Ajudaram a moldar a minha compaixão. Também amo cavalos, então não é difícil apreciar a beleza e inteligência das outras criaturas. Eu nunca tinha analisado a crueldade animal na totalidade quando eu era jovem. Mas a partir do momento que comecei a entender o que ocorre na nossa relação com os animais, fui para um caminho fez com que eu me tornasse vegano”, informou.

O músico perdeu as contas de quantas pessoas influenciou a tornarem-se vegetarianas e veganas ao longo dos anos. “Consegui com muita calma convencer a minha mãe, meu irmão e minha banda. Todos eles se tornaram vegetarianos. Veganos têm muitas opções, que incluem massas, sopas, assados, pizzas, saladas e batatas. São infinitas as opções”, enfatizou.

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“Não compactuo com o assassinato de qualquer criatura, sejam focas, vacas, cães, qualquer animal” (Foto: Reprodução)

Outro ponto positivo é que Bryan Adams conseguiu se livrar de muitas alergias, como eczema, que o acompanharam por muitos anos. Dentro de duas semanas consumindo frutas pela manhã, e nada mais, elas desapareceram. “Achei que essas alergias me acompanhariam por toda a minha vida. Isso nunca mais retornou. Outra coisa brilhante é que por causa desse estilo de vida nunca mais tive problema de peso, e definitivamente tenho mais energia do que a maioria das pessoas que conheço”, assegurou à June Bird.

O músico também tem ojeriza por circos que usam animais e odeia fazendas industriais, o fato de que bovinos, suínos e aves são confinados para sanarem um prazer efêmero humano, que é o consumo de carne. “As pessoas contraem tantas doenças comendo carne, principalmente câncer no intestino. Na Grã-Bretanha eles alimentavam os animais com excrementos, e foi assim que a doença da vaca louca começou”, lamentou à Animal Liberation Front.

Segundo Bryan Adams, é muito fácil para as pessoas irem ao mercado, comprarem um hambúrguer e simplesmente virarem as costas para a realidade em torno daquele pedaço de carne. “Um dia, aquilo fez parte de uma vaca viva. As pessoas não assimilam as duas coisas. Não compactuo com o assassinato de qualquer criatura, sejam focas, vacas, cães, qualquer animal. Sou totalmente contra”, ponderou.

Adams também se recordou que no passado as pessoas duvidaram que ele conseguiria ser vegano por muito tempo. E muitas dessas pessoas tornaram-se vegetarianas e veganas mais tarde. “Preciso de uma boa recomendação de restaurante vegano ou vegetariano. Sem molho de ostra para mim. Obrigado!”, disse à revista Time Out, de Hong Kong, quando estava em turnê em 16 de dezembro de 2016.

Saiba Mais

Bryan Adams nasceu em Kingston, Ontário, no Canadá, em 5 de novembro de 1959.

Lançou 14 álbuns entre os anos de 1980 e 2015. O disco “Reckless”, lançado em 1984, e que ficou em primeiro lugar na Billboard, é considerado um dos seus melhores trabalhos.

Ele também atua como fotógrafo da Peta.

Referências

http://www.animalliberationfront.com/Saints/Interviews/Interview%20with%20Bryan%20Adams.htm

http://www.peta.org/features/bryan-adams-animal-rights-vegan/

https://www.timeout.com/hong-kong/music/interview-bryan-adams-on-his-get-up-tour-and-returning-to-hong-kong

 

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Cattle Decapitation: “No fim do dia, os animais não têm direitos”

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Travis Ryan: “Em vez de ajudá-los, criamos coisas como fazendas industriais”

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Travis Ryan: “Por sermos a espécie mais inteligente do planeta, tudo isso é ignorado” (Foto: Reprodução)

Fundada em San Diego, na Califórnia, em 1996, a banda de deathgrind Cattle Decapitation, uma das maiores do gênero, surgiu com a proposta de abordar questões como a exploração de animais, a destruição do meio ambiente e outros problemas gerados pela humanidade na sanha por dinheiro e poder.

Em 6 de julho de 2012, o vocalista Travis Ryan concedeu uma entrevista ao portal Metal Sucks defendendo que os animais deveriam ter cada um dos direitos garantidos aos seres humanos. “No fim do dia, os animais não têm direitos. É um tema tocante. Por sermos a espécie mais inteligente do planeta, tudo isso é ignorado. Em vez de ajudá-los, criamos coisas como fazendas industriais”, lamentou.

Entre os problemas apontados por Ryan também está o descontrole na tutela de animais. Ele acredita que seria importante emitir licenças para que as pessoas provem que têm condições de garantir qualidade de vida aos animais domésticos. “Deveria haver leis mais rigorosas a respeito disso. Tenho uma ligação forte com os direitos animais. Somos aquilo que tocamos desde os nossos primeiros registros no final dos anos 1990 [em referência ao EP “Human Jerky”, que traz 18 músicas]”, disse.

O vocalista desabafou que é sempre desconfortável se deparar com pessoas que não se esforçam em entender a proposta da banda. “O que posso fazer é reiterar o que sinto, o que realmente somos. E há pessoas que continuam entendendo errado o nosso trabalho. Em uma entrevista, seja em papel ou online, tudo começa com ‘Os guerreiros veganos do grind Cattle Decapitation’ rá rá rá [risadas]. E eu fico: ‘Será que tem alguém ouvindo o que estou dizendo?’ É hipócrita pensar sobre essas coisas e não querer falar sobre isso. A maneira como você é provocado, não faz sentido. Mas essa é a única forma de combater a ignorância”, argumentou.

Travis Ryan contou que uma de suas prioridades é falar sobre como os seres humanos têm prejudicado seres vivos não humanos. “Convido as pessoas e lerem nossas letras antes de considerarem o julgamento que os outros fazem de nós. Há mitos e rumores que se perpetuam. A mídia fala de nós como se fôssemos veganos extremistas, e não é nada disso, o que inclusive acabou prejudicando nossa relação com nossos fãs”, queixou-se ao The Moshville Times, do Reino Unido, em 22 de julho de 2015.

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Ryan: “Tenho uma ligação forte com os direitos animais” (Foto: Reprodução)

Em entrevista à revista Guitar World em maio de 2012, Ryan declarou que as pessoas têm uma tendência a ter uma visão visceral do que é uma banda vegetariana que defende os direitos animais. “Por ser um tema polêmica, há polarização por parte das pessoas e da mídia. Eles preferem exagerar as coisas”, enfatizou.

Sobre as experiências como vegetariano em turnê ao longo dos anos, Travis Ryan relatou que muitas vezes as pessoas oferecem alimentos que eles não têm como ter certeza se há ovos ou leite na composição:

“Não temos o luxo de ir a um Whole Foods às três da manhã depois de um show. À essa altura, vamos a algum Taco Bell ou outro lugar nojento. É triste porque você viaja queimando combustíveis fósseis, e seu veículo fica coberto de carcaças de insetos. Às vezes, até de pássaros e outros animais. É por isso que posso dizer que hoje sou vegetariano, mas não vegano. Vivo minha vida com tanta compaixão quanto posso em relação aos animais e ao meio ambiente. Mas quando estou em casa, é muito mais fácil.”

Em “Manufactured Extinct”, do álbum “The Anthropocene Extinction”, lançado pelo Cattle Decapitation em 2015, Travis Ryan, que tem um vocal gutural singular, canta sobre como o homem do período antropoceno tem esmagado a biodiversidade, alterado e acelerado as condições climáticas por razões egocêntricas:

“Máquinas para construir máquinas/Forjando o fim de todas as coisas vivas/Sacrificando toda a moralidade, os fins justificam os meios/Tecnologia define as eras/Nossa história humana queima suas próprias páginas.”

Em outro trecho da música, Ryan reclama que espécies inteiras são exterminadas em decorrência da inconsequência humana. “Milhões de hectares desfigurados/Não renováveis. Foda-se esta carne/Curadoria da aflição/A real natureza emergiu/Debaixo do sol e na planície/Uma tragédia foi articulada/Por mãos de culturas entrelaçadas em ganância e formas cruéis de vida”, berra em “Manufactured Extinct”.

Formação

Travis Ryan – Vocalista

Josh Elmore – Guitarrista

Derek Engemann – Baixista

Dave Mcgraw – Baterista

Saiba Mais

Cattle Decapitation significa decapitação do gado.

A banda lançou sete álbuns de estúdio entre os anos de 2000 e 2015.

Deathgrind é uma combinação de death metal e grindcore.

Referências

CATTLE DECAPITATION’S TRAVIS RYAN: THE METALSUCKS INTERVIEW

Interview: Travis Ryan of Cattle Decapitation

http://www.guitarworld.com/interview-cattle-decapitation-vocalist-travis-ryan-discusses-new-album-monolith-inhumanity

Cattle Decapitation – “We don’t like headlining.” (An interview with Travis Ryan)

http://www.metalunderground.com/interviews/details.cfm?newsid=82043

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Como nos relacionamos de forma equivocada com os animais

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Não se pode se limitar a usar referências de conduta, emoções e intenções humanas para avaliar o comportamento animal (Foto: Reprodução)

Muitas vezes o ser humano se relaciona de forma equivocada com os animais por causa da sua incapacidade em reconhecer que os animais não humanos não são iguais a nós em importantes aspectos.

Não se pode se limitar a usar referências de conduta, emoções e intenções humanas para avaliar o comportamento animal. Não se diz como um animal não humano deve se portar como se ele fosse uma pessoa. Eles são indivíduos, sujeitos morais que têm suas próprias particularidades, e ainda pouco compreendidas.

Por nos julgarmos erroneamente como melhores que eles, nos colocamos em condição de puni-los quando eles agem distante daquilo que consideramos o comportamento adequado ou ideal. E esse comportamento ideal nada mais é do que a tentativa de humanização da condição animal.

Pune-se os animais com violência quando eles não fazem o que queremos, ou seja, quando eles não agem como se fossem humanos obedientes. Precisamos evitar cobrar dos animais uma consciência humana, porque isso me parece que tem sido um dos males que envolve a violência contra seres não humanos.

Aplaude-se o animal que parece “mais humano” e despreza-se o animal que tem comportamento avesso ao nosso. Quando penso sobre isso, vejo que ainda estamos distantes de aceitar que os animais não são nós, mas exigimos deles algo parecido com o que desejamos nas pessoas.

Para citar um exemplo, um homem espancou um animal por não obedecê-lo. E qual a referência que esse homem tem de obediência quando violenta o animal? A mesma que ele tem em relação a seres humanos, talvez um filho, quem sabe. E essa conduta cesarista diz muito sobre quem somos, e mais sobre aquilo que não sabemos do que aquilo que sabemos.

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Written by David Arioch

January 16th, 2017 at 2:47 pm

Considerações de Jello Biafra sobre o ativismo vegano

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Biafra disse que veganos precisam evitar discurso segregacionista (Foto: Reprodução)

Li uma antiga entrevista do músico e ativista político estadunidense Jello Biafra que me fez refletir. Ele, como alguém que conhece o movimento vegano e dos direitos animais há décadas, declarou em uma entrevista publicada na revista Bad Subjects em fevereiro de 1997 que esses movimentos teriam muito mais resultados se não houvesse pessoas agindo de forma segregacionista.

Para Biafra, o problema é que pessoas com discurso fundamentalista trabalham contra o veganismo, o faz parecer como uma religião, e não o que realmente é. Entendo porque ele diz isso. Tenho pesquisado há um bom tempo sobre veganos e vegetarianos que poderiam influenciar muita gente, principalmente do meio musical, e vários disseram que preferem não se envolver com o ativismo, e isso me intrigou.

Então descobri que a justificativa de alguns é que nunca gostaram de ativismo, e a de outros a de que não concordam com a maneira como o ativismo é feito na atualidade, logo não querem ser associados a movimentos.

Penso que se uma pessoa é vegana, mas não vê o ativismo com bons olhos, algo poderia ser feito para melhorar isso. Pelo menos para mim, significa que há ações que poderiam ser repensadas. Sou bem tranquilo em relação a refletir sobre isso, até porque não são críticas destrutivas.

Referência

http://bad.eserver.org/issues/1997/30/grad.html

Written by David Arioch

January 16th, 2017 at 2:06 pm