Archive for the ‘Vegetarianismo/Veganismo’ Category
Casal de criadores de gado transforma fazenda em um santuário de animais no Texas
“As mães chorando por uma semana, e a ausência de suas almas no pasto, me assombravam”

“Chorei tantas vezes que ele [Tommy] tentou esconder o fato de estar fazendo isso, mas eu sempre soube por causa do lamento das vacas quando perdem seus bebês e não conseguem encontrá-los” (Foto: Rowdy Girl Sanctuary)
Em 2009, Renée King-Sonnen se mudou para uma propriedade rural em Angleton, no Texas, com o marido Tommy Sonnen, da quarta geração de uma família de criadores de gado. Fascinada pelos animais, Renée começou a passar muito tempo com eles, desenvolvendo empatia e analisando suas personalidades e individualidades. Logo ela percebeu que rapidamente as vacas criam laços profundos com os bezerros – o que a fez associar com a relação de uma mãe com o seu filho humano.
Por outro lado, para além desse cenário de amor animal que inspira reflexão, Renée conheceu outra faceta da realidade ao testemunhar como os bezerros eram separados das vacas, enviados para leilões e encaminhados para os matadouros. A certeza de que nesse meio o laço familiar é rompido precocemente, e as vidas dos animais são tão curtas em decorrência da exploração, a chocou.
“A experiência de vê-los partir, as mães chorando por uma semana, e a ausência de suas almas no pasto, me assombravam. Chorei tantas vezes que ele [Tommy] tentou esconder o fato de estar fazendo isso, mas eu sempre soube por causa do lamento das vacas quando perdem seus bebês e não conseguem encontrá-los”, enfatizou.
Deprimida, em outubro de 2014, Renée falou para o marido que não queria mais contribuir com a morte de animais vulneráveis, que a cada dia a ensinavam uma nova lição. O amor dos animais pela liberdade, por exemplo, ela descobriu na figura de Houdini, um bezerro que sempre que tinha alguma oportunidade tentava fugir da propriedade. Renée King então passou a considerar insuficiente poupar apenas alguns animais da morte.
Buscando uma mudança mais substancial, ela conheceu o veganismo e decidiu correr atrás de um sonho – transformar a fazenda em um santuário de animais. Renée fez contato com pessoas do movimento vegano que foram determinantes nesse processo de transformação de uma fazenda de gado em um santuário. O marido concordou, e não apenas os bovinos foram poupados, mas também os porcos, frangos, galinhas e outros animais que viviam no local.
Hoje o casal vegano que administra o Rowdy Girl Sanctuary, no mesmo local de onde os bovinos partiam rumo à morte, recebe visitas e abriga um número cada vez mais crescente de animais livrados da morte precoce nos matadouros. Segundo René King-Sonnen, um sonho, de fato, concretizado.
Referências
Capps, Ashley. Former Meat and Dairy Farmers Who Became Vegan Activists (4 de novembro de 2014).
Rowdy Girl Sanctury. Renee King-Sonnen – Founder (7 de abril de 2016)
Jess Strathdee, a mulher que se tornou vegana depois de trabalhar em uma fazenda de produção de leite
“Vi mães que deram à luz na neve ou durante tempestades e foram privadas de seus bebês”

“Depois de romper essa barreira de condicionamento social do consumo de carne, você acorda em um mundo de horror” (Acervo: Now To Love)
No início de 2013, quando Jess Strathdee e seu parceiro Andrew decidiram trabalhar em uma fazenda de gado leiteiro em Canterbury, na Nova Zelândia, eles acharam que tinham encontrado o estilo de vida rural perfeito. Juntos por mais de uma década, o casal aceitou recomeçar uma vida baseada em longas horas de trabalho fisicamente exaustivo; isto porque era uma oportunidade de passarem mais tempo juntos, sentindo o ar fresco do campo, sem o deslocamento diário.
Porém, depois de conviver com vacas e bezerros por quase quatro anos Jess, que, tinha uma típica dieta onívora – rica em carnes e laticínios, deu uma guinada em sua vida – tornando-se vegana e ativista dos direitos animais. “Depois de romper essa barreira de condicionamento social do consumo de carne, você acorda em um mundo de horror”, relatou a Carmen Lichi, do “Now To Love”, da Nova Zelândia.
Segundo Jess Strathdee, que nunca tinha sido uma amante dos animais, e só havia convivido diariamente com um cão em sua infância, quando você se torna vegano, você percebe que esteve cego diante do holocausto que acontece ao seu redor. A princípio, quando começou a trabalhar na fazenda que contava com um rebanho de 600 vacas, ela teve um sentimento de “orgulho e solidariedade em relação às vacas” – e exatamente por causa da perspectiva romântica que as pessoas têm a respeito da produção leiteira.
Contudo, a realidade descortinou essa ilusão assim que ela testemunhou a primeira temporada de nascimento de bezerros. “A sensação de horror foi imediata. Vi mães que deram à luz na neve ou durante tempestades e foram imediatamente privadas de seus bebês – elas nem sequer conseguiram limpá-los primeiro. Os menores bezerros eram alimentados por sonda duas vezes ao dia durante quatro dias; um litro de colostro derramado de uma só vez”, afirmou ao “Now To Love”.
Jess sabia que as vacas precisam gerar vidas para produzirem leite, mas não tinha ideia de que os bezerros poderiam ser afastados das mães tão rapidamente: “Naquela primeira manhã, eu sabia que nunca mais tomaria leite e chorei todos os dias por duas semanas.”
Porém, Jess ficou grávida, e ela e o marido decidiram continuar na fazenda. Em julho de 2016, em sua quarta temporada de nascimento de bezerros, Jess sofreu com uma grave depressão: “Nunca me senti suicida antes, mas quase perdi a cabeça. Ser mãe intensificou tudo o que eu sentia pelas vacas e seus bebês. Acordei e percebi exatamente o que eu estava fazendo para pagar as minhas contas”, declarou.
O local onde os bezerros nasciam não era distante da janela de Jess, e ela podia ouvir as dores das vacas a noite toda. Elas observavam seus filhos afetuosamente e os limpavam, até que Andrew chegava com um trator e uma gaiola para levar os bebês para os currais.
Jess, que não era afeiçoada às redes sociais, um dia entrou no Facebook e encontrou muitos veganos e grupos dos direitos animais; o que a motivou. Conversando com um ativista vegano chamado Carl Scott, de Dunedin, que já foi funcionário de um matadouro, ela percebeu que definitivamente precisava mudar de vida.
Jess Strathdee garantiu que seria capaz de deixar o marido se ele não concordasse em partir. “Eu tive que sair. Eu certamente estava perdendo a cabeça”, justificou. Para a sua surpresa, Andrew disse que também estava infeliz na fazenda e não suportaria outra temporada de nascimentos de bezerros. Atualmente, o casal reside em uma pequena cidade costeira de Canterbury, onde criam o filho Mac como vegano: “As coisas não são fáceis, porque vivemos com pouco, mas estamos felizes.”
Referência
Lichi, Carmen. Former dairy farmer tells how the job turned her vegan (16 de agosto de 2017).
Nos condicionamos a crer que precisamos de carne para sobreviver
Alguém diz: “Veganos costumam propagar muitas mentiras sobre a indústria de carnes, ovos e laticínos”
Alguém diz: “Veganos costumam propagar muitas mentiras sobre a indústria de carnes, ovos e laticínos.” Bom, se isso fosse verdade, muitos teriam sido acusados e responsabilizados legalmente, e, claro, notícias sobre isso pululariam à exaustão. Sabemos que se isso não acontece com frequência significa que tudo que é dito, escrito ou veiculado, em menor ou maior proporção, é verdade.
Ademais, inverdade, no meu entendimento, é o trabalho de dissimulação factual e estética praticado pela indústria de carne, ovos, laticínios, entre outros alimentos e produtos de origem animal. Quero dizer, tem algo mais paradoxal do que a permissividade legal a uma publicidade e propaganda que apresenta bois, vacas, porcos, galinhas, frangos e perus como mascotes? Eles matam esses animais e criam mascotes felizes dessas criaturas como um mecanismo reforçador de anuência – como um afago na consciência do consumidor. Então, ponderando isso, quem será que está, de fato, mentindo?
Por que o veganismo é um imperativo moral?
Se é imperativo, é impositivo? Então o veganismo é uma imposição?

Não há alimentos ou produtos de origem animal se não nos apropriarmos do que pertence a seres de outras espécies (Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals)
Porque onde não há veganismo há exploração e morte – isso é apenas uma questão de tempo. O veganismo é um imperativo moral sob a perspectiva da imprescindibilidade e da incontestabilidade, não da arbitrariedade. Até porque quem impõe algo somos nós ao decidirmos quando e como as outras espécies devem nos servir.
Se as pessoas não concordam em se abster de encarar animais como fontes de produtos, então elas concordam com a exploração e com a matança de animais, já que os dois elementos estão associados. Não matar seres humanos também é um imperativo moral, já que sabemos quais são as implicações disso, e não falo sob uma perspectiva legal, mas sim de estado de senciência e consciência, além do construto social.
Se posso não causar dor por que causá-la? Se posso não interferir negativamente na vida de alguém, humano ou não, por que fazê-lo? Se você entende que isso é desnecessário e errado, você compreende essa premissa como um imperativo moral, porque você considera inadmissível “escolher comer algo” que custa condicionamento, privação, sofrimento e/ou morte.
Não há alimentos ou produtos de origem animal se não nos apropriarmos do que pertence a seres de outras espécies. E nessa apropriação nos colocamos em posição de discricionariedade. Afinal, passamos a estimular e a financiar a geração de vidas de outras espécies somente para atender interesses pautados em nossos gostos e vontades.
O que significa que os interesses dos animais não fazem a menor diferença quando o que queremos é usufruir daquilo que não é essencialmente produzido por nós, mas que gostamos de dizer que sim, já que temos os instrumentos necessários para favorecer tal produção. Mas se o que produzimos não é mormente gerado por nós como podemos dizer que somos, de fato, produtores?
Acredito que o veganismo é um imperativo moral porque não cabe suscetibilidade e relaxamento. Afinal, sob a perspectiva vegana, você não acorda e diz: “Hoje comerei algo que custou a vida de um animal que não queria morrer.”
Será que vale a pena consumir leite e derivados?
Imagine carregar um bebê no ventre por nove meses, sentindo que existe outra vida dentro de você, e assim que ele nascer, ser retirado do seu convívio. Esse tipo de privação é a realidade comum da indústria de laticínios. Reflita sobre o nível de estresse da vaca e do bezerro nessa situação. No sistema industrial não é incomum os bezerros mamarem somente uma vez (ou nem isso) se não forem considerados “interessantes” como matéria-prima.
Caso haja o interesse de comercializar carne de vitela, eles normalmente passam dois dias com a mãe para serem amamentados com o colostro, o que previne doenças e evita que a carne do bezerro seja desqualificada comercialmente. Depois são separados definitivamente e confinados em gaiolas, baias ou qualquer outro espaço reduzido – onde são alimentados com um leite artificial pobre em ferro e outros nutrientes que ajudam a tornar a carne “mais clara, tenra e macia”.
A carne classificada como ideal é obtida após a morte de um bezerro com idade entre três e seis meses. Para produtores que não têm interesse nesse tipo de mercado, o que é muito comum no setor nacional de laticínios, a morte do bezerro pode ser decretada logo após o nascimento; já que ele é considerado descartável – ou simplesmente um efeito colateral de um processo. De fato, suas necessidades como ser senciente não são ponderadas, e a sua curta existência é apenas uma forma de assegurar a manutenção da produção leiteira.
Afinal, uma vaca precisa gerar vidas para entrar no período de lactação – seja de curta, média ou longa duração. Sendo assim, isso nos leva a uma óbvia conclusão. Se uma vaca produz leite, mesmo que geneticamente modificada e condicionada a produzir volumes incomuns, ela não o faz para alimentar seres humanos, mas sim por um dom natural que é alimentar seus filhos, assim como faziam seus ancestrais antes da intervenção humana.
Como a realidade do “gado leiteiro” pode ser pior do que a realidade do “gado de corte”?

Há ainda a inevitável morte do bezerro – que pode ou não ser reduzido a pedaços de carne (Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals)
Na produção de carne, você engorda um animal e o mata precocemente. De fato, sua expectativa de vida não é considerada porque isso significa custos e desvalorização de matéria-prima. Sim, isso é muito ruim. Por outro lado, na produção de leite, há o custo da exploração da vaca até a exaustão, ou seja, até o momento em que ela deixa de atingir níveis aceitáveis de volume leiteiro.
Assim, claro, em decorrência disso, e sob a perspectiva de mercado, ela passa a ser considerada inútil e descartável. Consequentemente, seu destino comum é o matadouro e mais tarde o setor de frios dos mercados – onde não raramente pode ser encontrada em forma de pedaços de hambúrguer. E para além disso, há ainda a inevitável morte do bezerro – que pode ou não ser reduzido a pedaços de carne, dependendo do contexto e do país.
Não está tudo bem em consumir leite

Há muitas pessoas que nem imaginam que pode haver até mais sangue na produção de um copo de leite do que de um pedaço de carne (Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals)
Quem acha que está tudo bem em consumir leite porque ele é apenas extraído dos úberes da vaca realmente não tem a mínima ideia de como funciona esse sistema. Como diz o Gary Francione, há muitas pessoas que nem imaginam que pode haver até mais sangue na produção de um copo de leite do que de um pedaço de carne.
Como os humanos, a vaca e o bezerro compartilham um vínculo especial

As vacas são profundamente afetadas pela dor emocional de serem separadas dos bezerros (Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals)
Como os seres humanos, uma vaca e seu bezerro compartilham um vínculo forte e especial – um que se forma poucos minutos após o nascimento. Quando as vacas e seus bezerros podem levar uma vida natural, o bezerro chega a mamar por até um ano. Porém, isso é o que menos acontece. Uma pesquisa da Animal Australia mostrou que as vacas são profundamente afetadas pela dor emocional de serem separadas dos bezerros, uma prática padrão da indústria de laticínios. Será que vale a pena consumir leite e derivados?
Waldemar Guimarães defende veganos e vegetarianos
Waldemar Guimarães, um dos caras mais respeitados da musculação e do fisiculturismo brasileiro, publicou recentemente um texto no Instagram defendendo veganos e vegetarianos, e explicando que ele mesmo está indo pelo caminho da abstenção do consumo de animais. Para falar sobre isso em um meio onde as pessoas comem toneladas de carne, ovos e laticínios tem que ser realmente guerreiro. Minha admiração pelo cara aumentou instantaneamente. Tipicamente, os marombeiros e atletas que defendem que “não existe musculação e fisiculturismo sem o consumo de carne” fizeram chacota de seu posicionamento. O clássico e clichê “te respeito até o momento que concordo com você”.


