David Arioch – Jornalismo Cultural

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Os animais não matam por um prazer sádico

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Foto: Defenders.org

Um exemplo clássico da conduta humana cotidiana em minimizar o valor da vida animal é dizer que os piores assassinatos parecem trabalho de animais, pela ausência de piedade. Porém, os animais não fazem isso por um prazer sádico, ao contrário de quem comete um assassinato bárbaro.

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Written by David Arioch

June 3rd, 2017 at 8:54 pm

“Henry Ford, que ficou impressionado com a eficiência dos matadouros de Chicago, deu a sua contribuição para a matança de pessoas na Europa”

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Livro foi publicado em 2002 pela Lantern Books

Henry Ford, que ficou impressionado com a eficiência dos matadouros de Chicago, deu a sua contribuição especial para a matança de pessoas na Europa. Não só desenvolvendo o método de linha fabril que os alemães usaram para matar judeus, mas também lançando uma campanha antissemita que favorecia o holocausto.

O propósito da matança alemã centrava-se no extermínio de seres humanos. Operavam no largo contexto de sociedade de exploração e matança de animais, que eles imitaram. Os alemães não deixaram de matar animais quando começaram a exterminar pessoas.

Auschwitz, sob o comando de Rudolf Hess, era conhecido como o maior matadouro de pessoas que a história já viu; tinha o seu próprio matadouro. Os campos de morte mantinham o seu pessoal [nazistas] bem alimentado com carne.

Sobibor tinha currais de vacas, porcos, etc, que eram ao lado da entrada que levava os judeus à câmara de gás. Em Treblinka, tinham estábulo, e a pocilga junta ao campo das barracas dos auxiliares ucranianos.

Excertos de “Eternal Treblinka”, de Charles Patterson, publicado em 2002 pela Lantern Books.

 

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Paolo Troubetzkoy: “Se você compra [carne], você está autorizando a morte de animais”

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“Como não posso matar, não posso autorizar os outros a matarem”

Alexandra Tolstói: “O meu pai gostava muito dele. Era um doce e inocente ser humano com grandes dons” (Foto: Getty Images)

Considerado pelo escritor irlandês George Bernard Shaw como o escultor mais surpreendente dos tempos modernos, o escultor italiano de origem russa Paolo Troubetzkoy conquistou muita fama na Rússia nas primeiras décadas do século 20. Influenciado pelas obras de Auguste Rodin e Medardo Rosso, Troubetzkoy criou esculturas que se tornaram mundialmente famosas, como do imperador Alexandre III da Rússia, do pintor Isaac Levitan, do escritor Liev Tolstói, da princesa M.N. Gagarina com sua filha Marina e da grande duquesa Elizabeth Feodorovna.

Assim como Tolstói e Elizabeth, o escultor e pintor italiano de origem russa também era vegetariano. “O meu pai gostava muito dele. Era um doce e inocente ser humano com grandes dons. Ele praticamente não lia nada, falava pouco e passou toda a sua vida envolvido com esculturas”, declarou Alexandra Tolstói, a filha caçula de Liev Tolstói, reproduzindo memórias que seu pai preservou da amizade com Troubetzkoy, para quem posou de bom grado na criação de várias esculturas em sua homenagem. A citação pode ser encontrada no livro “Tolstoy: A Life of My Father”, publicado em 1953 e em 1972.

Troubetzkoy: “Não posso me alimentar de cadáveres” (Foto: Getty Images)

Quando o questionavam sobre o motivo dele não se alimentar de animais, Troubetzkoy quase sempre respondia com uma voz tranquila e parcimônia peculiar: “Não posso me alimentar de cadáveres.” Em seu estúdio em São Petersburgo, ele produziu muitas obras inspiradas na vida selvagem. Inúmeras de suas esculturas foram criadas visando captar a essência da importância da liberdade animal.

O escritor George Bernard Shaw dizia que ele era um humanitarista extraordinário, incapaz de se alimentar de um animal. Sua contrariedade em relação à matança de animais era tão grande que, mesmo tímido, ele jamais deixou de se manifestar em relação a isso.

Talvez essa insatisfação também tenha influenciado o estilo de Troubetzkoy, marcado por um intimismo e melancolia que deram origem a uma forma nervosa de impressionismo. Além de Bernard Shaw e Tolstói, outros nomes importantes de sua época e que viam uma qualidade rara em suas obras estavam o Barão de Rothschild, o conde Robert de Montesquiou, Gabriele D’Annunzio, Arturo Toscanini, Enrico Caruso e Giovanni Segantini.

O escultor russo lecionou na Academia Imperial de Belas Artes de Moscou e recebeu importantes prêmios – como o grande prêmio da Exposição de Paris em 1900. Além da Europa, suas obras também foram levadas para os Estados Unidos. “Como não posso matar, não posso autorizar os outros a matarem. Você entende? Se você compra [carne] de um açougueiro, você está autorizando a morte de animais – a morte de criaturas indefesas e inocentes, que nem eu nem você poderíamos matar”, declarou em entrevista registrada na página 22 da The Vegetarian Magazine em 1907.

Saiba Mais

Paolo Troubetzkoy nasceu na comuna italiana da Verbania em 15 de fevereiro de 1866 e faleceu na comuna de Novara, também na Itália, em 12 de fevereiro de 1938.

Referências

The Vegetarian Magazine, Volume 11, página 22 (1907).

Davis, Gail. Vegetarian Food for Thought. Página 69. New Sage Press (1999).

IVU World Vegetarian Congress Souvenir Book. Warriors for Vegetarianism  (1957).

Tolstoy, Alexandra. “Tolstoy: A Life of My Father”. Octagon Books (1972).

 

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Quando um cão morre…

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Kika, minha companheira por 12 anos (Foto: David Arioch)

Quando um cão morre, e me recordo de sua doçura e inocência, me pergunto se existe um céu para os cães, porque eles merecem o céu depois de uma vida de doação que começa após o nascimento. Não me importo que haja um céu para mim, mas me importo o suficiente para desejar que exista um para os cães, seres que vivem a plenitude da bondade.

Dizem que os cães já nascem amando, enquanto nós precisamos aprender a amar, e por isso vivem pouco. Para eles, que têm mais a ensinar do que a aprender, tudo é pleno e intenso porque as chamas de suas vidas são efêmeras, mas muito mais longas do que as nossas. Talvez, em sua invisibilidade, elas toquem o céu sem que percebamos, porque ainda somos humanos demais para enxergar o que somente uma natureza não humana pode semear.

Written by David Arioch

May 28th, 2017 at 10:27 pm

A humanidade provocou a extinção de 322 espécies de animais em 500 anos

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O o rinoceronte-negro do oeste foi declarado extinto em 2011 (Foto: Reprodução)

De acordo com um levantamento feito pelo jornal Science, a humanidade provocou a extinção de 322 espécies de animais nos últimos 500 anos. Dois terços dessas espécies desapareceram nos últimos dois séculos. Na foto, o rinoceronte-negro do oeste, animal que já não existe mais em decorrência da caça.





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April 29th, 2017 at 4:59 pm

Uma breve perspectiva da caça

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Família de leopardos (Foto: Reprodução)

Imagine, você de boa com sua família e, de repente, alguém, sem mais nem menos, manda um tiro nas suas costas. Você deita ali mesmo agonizando enquanto seus filhos tentam te socorrer – se não fugirem desesperados, dependendo da circunstância. Essa é a perspectiva da caça por parte de quem tem algum tipo de respeito e/ou sensibilidade pelos animais.





Written by David Arioch

April 29th, 2017 at 2:16 pm

Hemingway, entre o céu e o inferno

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Hemingway sorrindo ao final de uma de suas caçadas (Foto: Reprodução)

A literatura de Hemingway fez parte da minha vida. Por ora, me recordo principalmente de suas descrições em que revelava entusiasmo e surpresa com a crueldade humana no tratamento dispensado a seres não humanos.

Exemplo são suas narrativas das touradas – entre o céu e o inferno; de quando os gregos quebraram as pernas de seus burros e os empurraram ao mar para morrerem afogados durante a evacuação de Smyrna em 1922. Ademais, esse mesmo homem em conflito incessante, que amargaria depressão, paranoia e se suicidaria, foi um caçador e matou dezenas de animais.

Talvez haja até mesmo uma triste e trágica correlação nisso tudo. É possível que seus hábitos tenham destruído tanto os outros quanto ele mesmo, que falecia antes mesmo de se dar conta.

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Written by David Arioch

March 28th, 2017 at 7:37 pm

Vidas são importantes, até mesmo a do menor animal

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Não vejo razão para tentar menosprezar o valor dos animais ao comparar suas vidas com o valor da vida humana (Foto: Reprodução)

Vidas são importantes, até mesmo a do menor animal que você encontrar. Não vejo razão para tentar menosprezar o valor dos animais ao comparar suas vidas com o valor da vida humana. Dizer que a vida de um animal pouco vale me parece uma forma de tentar sopitar uma consciência intransigente ou barulhenta, ou de ignorar um simples fato – que animais não precisam morrer para que humanos possam viver.

Ademais, discussões sobre superioridade e inferioridade não ajudam em nada nesse sentido, muito pelo contrário, apenas atrapalham e reforçam o antropocentrismo e o especismo. A maioria dos animais não coloca a sua existência em risco, a não ser que você invada o habitat de seres selvagens.

A tentativa de inferiorizar a vida animal nada mais é do que um pretexto que tem se perpetuado para a humanidade continuar submetendo os animais ao seu jugo. Animais não vivem com motivações humanas; não têm os mesmos anseios que nós. Quem humaniza os animais são as pessoas, e não é isso que eles desejam ou precisam. Logo não há qualquer razão para subestimá-los, inferiorizá-los ou tratá-los até mesmo como se fossem inimigos.

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Written by David Arioch

March 28th, 2017 at 7:30 pm

Pesquisa aponta que alimentação vegetariana pode ser mais saudável para os cães

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Cães suscetíveis a problemas de pele e gastrointestinais apresentaram os resultados mais surpreendentes

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Se as pessoas podem se beneficiar com uma dieta vegetariana, por que não estender isso aos cães? Pensando nisso, a companhia canadense Dogg Canine Nutrition concluiu uma série de experiências com alimentação canina baseada em comida fresca e vegetariana. Para avaliar os benefícios da dieta, foram selecionados aleatoriamente 20 cães. Todos eles reagiram muito bem à nova alimentação servida ao longo de 12 semanas. Ou seja, não houve qualquer resistência.

Além da dieta atender todas as necessidades nutricionais dos animais, a equipe que realizou a pesquisa concluiu que os cães se tornaram mais saudáveis. A diferença foi percebida porque antes alguns deles já apresentavam problemas de saúde enquanto seguiam uma dieta onívora. Porém, por enquanto a companhia canadense prefere não fazer nenhum alarde sobre o assunto, resguardando o direito de apresentar todos os resultados ao final do programa.

No entanto, a primeira série de experiências já deixou claro que cães aparentam ter predisposição a se darem tão bem com a alimentação vegetariana quanto os seres humanos. “Estamos muito confiantes em nossa primeira formulação [que possui acompanhamento e certificação de um grupo de nutricionistas veterinários] devido aos primeiros resultados. Não há dúvida de que a dieta vegetariana é positiva para os cães”, declarou a fundadora da Dogg, Laura Simonson, ao Vegan News.

Cães que sofrem de hipersensibilidade, e que são mais suscetíveis a problemas de pele e gastrointestinais apresentaram os resultados mais surpreendentes, de acordo com o supervisor veterinário Gavin Myers. “Isso significa uma grande melhoria em muitos casos que vemos todos os dias. Portanto, ter uma ferramenta extra à nossa disposição para ajudar os animais é muito bem-vinda”, enfatizou Myers.c443ec_27029313fe344e1ea763cb2a45c0fc8a-mv2

Por outro lado, o resultado não surpreendeu todo mundo, isto porque cães também sofrem com doenças comuns aos seres humanos, e muitas são prevenidas e mesmo tratadas com a dieta vegetariana. Então a melhora no quadro de saúde dos caninos serve para reforçar o fato de que a dieta vegetariana também pode assegurar um futuro melhor para os cães, garantindo mais qualidade de vida e, quem sabe, maior expectativa de vida.

Depois que a Dogg Canine Nutrition concluir toda a pesquisa realizada com alimentação vegetariana para cães, eles vão publicar os resultados, a lista de ingredientes e todos os detalhes de preparação. Por enquanto, Laura Simonson sugere que quem quiser experimentar oferecer alimentação vegetariana aos caninos, pode obter informações no site balanceit.com, que oferece sugestões de refeições caseiras e vegetarianas para animais.

Você pode obter mais informações sobre o programa da Dogg Canine Nutrition no link abaixo:

http://www.joindogg.com/single-post/2016/08/29/Meet-Two-of-our-Feeding-Trial-Dogg-Stars

Referências

http://latestvegannews.com/new-research-suggests-dogs-can-thrive-plant-based-diet/

http://www.joindogg.com/

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Written by David Arioch

March 14th, 2017 at 5:36 pm

Sobre animais como entretenimento

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A bear rides a bicycleUm animal não humano usado como entretenimento é explorado a maior parte de sua vida saudável, mas principalmente na juventude, e quando deixa de gerar grandes lucros ao “dono” é descartado como se fosse lixo. Na realidade, muitos são mortos ou abatidos, caso a carne, os ossos e a pele tenham um valor considerado atrativo pelo dono”.

Então qual é o problema em exigir que alguém que explorou tanto uma vida não humana custeie os últimos anos de vida de um animal em um santuário? Tenho certeza que as despesas seriam pequenas se levarmos em conta o tanto que esses animais geraram de lucro ao longo da vida. Afinal, todo animal não humano naturalmente vive para sobreviver, diferentemente do ser humano quando motivado pela ganância.

Então é óbvio que seria justa a obrigatoriedade de fundos de aposentadoria para animais. Na realidade, acredito inclusive que seja vergonhoso defensores dos direitos animais terem que lutar por isso, já que esse tipo de iniciativa deveria partir espontaneamente de quem explorou esses animais.

Tem que ser muito traiçoeiro para acariciar a cabeça de um animal, explorá-lo por anos e depois relegá-lo à morte como se não fosse nada. Na minha opinião, isso é uma faceta vil, que revela uma grande falha de caráter.

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Written by David Arioch

March 5th, 2017 at 8:07 pm