David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for April, 2017

Moby-Dick: “Não resta dúvida de que o primeiro homem que matou um boi tenha sido considerado um assassino”

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“Vá ao mercado de carnes e veja as multidões de bípedes vivos de olhos vidrados nas longas filas de quadrúpedes mortos”

Melville foi influenciado por Thoreau e Emerson, escritores e filósofos que defendiam o respeito à natureza

Publicado em 1851, o romance “Moby-Dick; or, The Whale”, de Herman Melville, que se tornou um dos livros mais importantes da literatura dos Estados Unidos, conta a história de vingança de Ahab, o obsessivo capitão do baleeiro Pequod que, depois de ter a sua perna arrancada pela lendária baleia branca Moby-Dick, decide dedicar sua vida a persegui-la e destruí-la, ignorando o fato de que ele invadiu o habitat do animal e tentou matá-lo.

Quando escreveu a obra, Melville já havia sido influenciado pelas ideias e obras de Henry David Thoreau e Ralph Waldo Emerson, escritores e filósofos estadunidenses que defendiam o respeito à natureza, e que, por vezes, são classificados por alguns autores como vegetarianos, embora não haja registros tão precisos sobre seus hábitos alimentares, assim como os de Melville.

A inspiração para produzir “Moby-Dick” veio de aventuras fantásticas que o escritor vivenciou a partir de 1841, quando passou 18 meses no baleeiro Acushnet, um dos mais de 700 navios baleeiros dos Estados Unidos, de um total de 900 atuando na pesca comercial naquele ano.

Embora a experiência tenha sido muito rica, Herman Melville a qualificou como extremamente infeliz, porque a vida no mar era absolutamente miserável. E ele, assim como outros marinheiros, eram tratados como escravos e tinham que se submeter a todos os tipos de ordens de “homens vulgares e brutais”.

Até certo ponto, Melville compartilhou suas aventuras com o seu amigo Richard Tobias Green, com quem desembarcou em Nuku Hiva, a maior das Ilhas Marquesas da Polinésia Francesa. Um dia, Green desapareceu quando saiu para procurar ajuda para Melville que estava com uma séria lesão em uma das pernas.

Sozinho, o escritor foi capturado pelos typees, uma tribo canibal que em nenhum momento ameaçou sua vida. Muito pelo contrário, Herman Melville foi alimentado com refeições vegetarianas e saudáveis, baseadas em coco e fruta-pão, de acordo com o escritor R.L. Fisher, que assina a apresentação do livro “Moby-Dick; or, The Whale”, publicado pela editora Tor em 1996. O relato também é endossado por Hershel Parker em “Herman Melville: 1818-1851” e Steven Olsen-Smith em “Melville in His Own Time: A Biographical Chronicle of His Life, Drawn from…”.

Melville se sentiu tão bem entre os nativos, que tinham fama de bárbaros e hediondos, que definiu aqueles chamados canibais como muito superior aos civilizados americanos e europeus. Considerado transcendentalista por influência de Waldo Emerson, a natureza sempre foi um dos temas centrais na literatura de Melville, que jamais hesitou em deixar claro que quando o homem fere a natureza, ele deve se preparar para as consequências; e a maior prova disso é a entrega a uma forma odiosa de passionalidade do capitão Ahab, na sua sanha por matar a baleia Moby-Dick a qualquer preço.

Na Polinésia, Herman Melville foi alimentado pelos nativos com refeições vegetarianas e saudáveis

“Seus três botes afundavam à sua volta, e os remos e os homens giravam em redemoinhos; um capitão arrancou uma faca das cordas da proa arrebentada e arremessou-se contra a baleia – como um duelista do Arkansas contra seu adversário, tentando atingir às cegas, com uma lâmina de seis polegadas, a vida profunda da baleia. Esse capitão era Ahab. E foi então que, subitamente, passando por baixo dele com a foice de sua mandíbula inferior, Moby-Dick cortou a perna de Ahab, como faria uma ceifadeira com a grama no campo.

Nenhum turco de turbante, nenhum veneziano ou malaio mercenário o teria atingido com tamanha malícia. Havia poucos motivos para duvidar de que, desde aquele encontro quase fatal, Ahab nutrisse uma violenta sede de vingança contra a baleia, ainda mais terrível porque, em sua morbidez frenética, atribuíra a ela não apenas todos os seus infortúnios físicos, como também seus sofrimentos intelectuais e espirituais”, escreveu nas páginas 178 e 179.

Na página 209, Melville discorre sobre a natureza humana, partindo, a princípio, da perspectiva de um homem duro, embrutecido pelo meio e pela própria ignorância: “A condição permanente do homem tal como é fabricado, pensava Ahab, é a sordidez. Pressupondo que a Baleia Branca incite os corações dessa minha feroz tripulação, e imaginando que sua ferocidade até produza neles uma espécie de brio generoso, todavia, enquanto dão caça a Moby-Dick por prazer, é necessário alimentar também seus apetites comuns e rotineiros.”

Ele prossegue a narrativa declarando que mesmo os enlevados e cavalheirescos Cruzados de outrora não se contentavam em atravessar duas mil milhas de terra para lutar por seu Santo Sepulcro sem pilhar, roubar e obter outras pias vantagens pelo caminho: “Tivessem eles se limitado a seu único objetivo último e romântico – daquele objetivo último e romântico, muitos teriam desistido por desgosto. Não tirarei desses homens, pensou Ahab, a esperança do dinheiro – sim, dinheiro. Poderiam menosprezar o pagamento agora; mas deixasse passar alguns meses, sem nenhuma promessa em perspectiva de paga, e então esse mesmo capital se amotinaria todo de uma vez dentro deles e decapitaria Ahab.”

Melville faz referência a um fato já comum à época – de que o homem do mar, que tinha como principal fonte de renda a frequente morte de seres vivos não humanos, poderia se transformar, chegando a não pensar duas vezes se tivesse que matar um semelhante para lucrar ou mesmo se vingar.

Na página 289 de “Moby-Dick”, Ishmael, alter ego de Herman Melville, narra que não resta dúvida de que o primeiro homem que matou um boi tenha sido considerado um assassino; talvez tenha sido enforcado; e, se o tivessem levado a julgamento por causa disso, certamente teria merecido a sua sentença. E naturalmente, são os compradores e consumidores que perpetuaram tal negócio que ainda nos dias de hoje parece distante do fim.

“Moby-Dick” também é um livro que desvela a ferocidade do antropocentrismo

“Num sábado à noite, vá ao mercado de carnes e veja as multidões de bípedes vivos de olhos vidrados nas longas filas de quadrúpedes mortos. Esse espetáculo não tira um dos dentes do maxilar dos canibais? Canibais? Quem não é um canibal? Garanto a você que o Juízo Final será mais tolerante com um providente Fijiano que salgou um missionário magro em sua adega para se prevenir contra a fome do que contigo, gourmand civilizado e esclarecido, que prendes os gansos no chão e te refestelas com seus fígados dilatados em teu patê de foie gras”, criticou.

Melville era um autor muito à frente do seu tempo, e a maior prova disso é que o seu romance mais famoso – “Moby-Dick; or, The Whale”, dedicado a Nathaniel Hawthorne, não obteve qualquer prestígio após o lançamento. Quando faleceu em 28 de setembro de 1891, seu livro já não era mais encontrado à venda em lugar algum.

A rejeição ao seu trabalho pode ter sido facilitada pelas críticas que fez ao comportamento dos ocidentais de seu tempo, imersos em hipocrisia, egolatria, preconceitos, superficialidades e pouco respeito à natureza. Em suma, “Moby-Dick” também é um livro que desvela a ferocidade do antropocentrismo, embora, por vezes, também transpareça, mesmo que minimamente, antropocêntrico; provavelmente por influência da época.

O escritor estadunidense William Faulkner, um dos mais importantes dos Estados Unidos do século 20, declarou que gostaria de ter escrito “Moby-Dick”. O inglês D.H. Lawrence, outro autor igualmente relevante, definiu o romance da baleia branca como um dos mais estranhos e maravilhosos livros do mundo.

“Mas Stubb, ele come a baleia à luz de seu próprio óleo, não? E isso é somar insulto à injúria, não é? Olhe para o cabo de sua faca, meu caro gourmand civilizado e esclarecido a comer um rosbife, do que é feito o cabo? – do quê, senão dos ossos do irmão do mesmo boi que você está comendo? E com o que você palita os dentes, depois de devorar aquele ganso gordo? Com uma pena da mesma ave. E com que pena o Secretário da Sociedade de Supressão de Crueldade aos Gansos escreve suas circulares? Há apenas um ou dois meses essa sociedade tomou a decisão de patrocinar somente penas de aço”, escreveu Herman Melville na página 289 de “Moby-Dick; or, The Whale”, romance publicado em 1851.

Saiba Mais

Herman Melville nasceu em Nova York em 1º de agosto de 1859 e faleceu na obscuridade e na pobreza. Seu túmulo pode ser visitado no Cemitério de Woodlawn.

Outra obra de grande prestígio de Melville é “Billy Budd”, publicada pela primeira vez em 1924, editada por Raymond M. Weaver, da Universidade Columbia.

Referências

Melville, Herman. Moby-Dick or The Wale (1851). Tor Classics (1996).

Melville, Herman. Moby Dick. Cosac Naify (2008).

Parker, Hershel. Herman Melville: 1818-1851.  Johns Hopkins University Press; First edition (2005).

Olsen-Smith, Steven. Melville in His Own Time: A Biographical Chronicle of His Life, Drawn from… University Of Iowa Press; 1st edition (2015).

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A consciência de José

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“Lendo os ingredientes para ver se não encontra nada de origem animal, não é mesmo?”

Arte: Shawn Sheperd

No mercado, enquanto eu olhava os produtos na seção de cereais, um camarada, a quem vou chamar de José, passou por mim, me cumprimentou e disse: “Checando se não encontra nada de origem animal entre os ingredientes, não é mesmo?” Balancei a cabeça em concordância e sorri.

Ele continuou: “Cara, aqueles seus textos sobre veganismo mexem com a cabeça da gente. Tenho que reconhecer.” Gostei de saber disso e comentei que a ideia é justamente essa. José deu um sorriso amarelecido e partiu empurrando seu carrinho de rodinhas tortas que dificultavam uma movimentação mais rápida.

Depois de 10 a 15 minutos, na seção de farináceos, o vi na fila do açougue. Provavelmente ele estava aguardando a vez desde que trocamos algumas palavras. Assim que me viu, desviou os olhos. Empunhando uma longa faca recém-usada para fatiar parte de algum animal, o açougueiro ajeitou o boné branco com uma mão enluvada e perguntou o que ele desejava. Mesmo à distância, ouvi sua resposta: “Não desejo nada, meu senhor, nada! Muito obrigado! Tenha um bom dia!”, e se afastou, esfregando a mão sobre o topo da cabeça e empurrando o carrinho em sentido oposto.

Continuando as compras, na seção de hortifruti, fiquei feliz por encontrar brócolis e couve-flor orgânicos a preços acessíveis. Peguei dois de cada, coloquei no carrinho e olhei à minha direita. José, como se carregasse bebês nos braços, deitou duas bandejas de iogurte grego e uma garrafa de bebida láctea dentro do carrinho quando notou minha presença.

Ele corou e tirou todos os laticínios do carrinho, recolocando-os no expositor. Testemunhando a cena, uma idosa baixinha segurando uma caixinha de leite de arroz com as duas mãos falou: “Você fez bem, filho! Leite de bicho faz mal. Olhe como você está vermelho!” Só ouvi um não sonoro e desajeitado que afastou a boa senhora, mas não sem antes fazê-la agigantar os olhos e levar as duas mãos ao coração, sem entender o que aconteceu.

Quando me recordei que em casa não havia mais alho, me apressei até a banca e, coincidência ou não, vi José segurando duas bandejas de ovos de galinha. Ele parecia preocupado em ser visto por alguém, e movia a cabeça de um lado para o outro. Não notou que havia uma plaquinha amarela avisando que o piso estava escorregadio. Gritei seu nome em vão. José não ouviu e foi ao chão, caindo sentado e resfriando o traseiro. Não restou um ovo inteiro.

A raiva era tanta que ele grunhiu: “Nunca mais como ovo na minha vida! Nunca mais! Para os diabos com os ovos!” Sorte ou não, nenhum o atingiu. Me aproximei para ajudá-lo a levantar, só que ele recusou: “Estou bem, David. Me deixe, estou bem!” As pessoas o observavam sem entender o que se passava com José. Preocupado com as horas, caminhei até as seções de produtos de limpeza e higiene, o que me tomou um tempinho considerável.

Já no caixa, logo à minha frente, encontrei José esvaziando o carrinho e colocando as compras sobre o balcão. No fundo, restavam três bandejas de embutidos, um saquinho com carne moída e outro saquinho com bifes. Ele os posicionou sobre o balcão, mas quando me viu logo atrás, levou um susto e sorriu. Retribuí o sorriso e José chamou a atenção da moça do caixa: “Olhe, alguém deve ter colocado por engano esses embutidos e essas carnes no meu carrinho. Isso aqui não é meu. Vou deixar aqui do lado.”

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April 25th, 2017 at 1:35 pm

Sobre críticas ao meu trabalho

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Man at Work, de Clio Lloyd-Jacob

Se eu for dar atenção a todas as críticas que as pessoas fazem ao meu trabalho, além das problemáticas desnecessárias que são criadas, eu terei que parar de trabalhar. Sendo assim, vale mais a pena produzir do que dedicar tempo discutindo desnecessariamente sobre algo. Sou da seguinte opinião: “O que eu posso fazer durante o tempo que posso perder?”





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April 25th, 2017 at 1:07 am

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Não me incomoda saber que há pessoas que não gostam de mim

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Aceito esse fato como parte de uma realidade diversa em que cada um tem suas preferências 

A Man And His Dog, de Rebecca King Tirrell

Não me incomoda saber que há pessoas que não gostam de mim. Não vejo nada de errado nisso. Aceito esse fato como parte de uma realidade diversa em que cada um tem suas preferências e naturalmente acaba por pautar sua vida a partir daí.

Isso é normal, e não me sinto realmente desconfortável em reconhecer que sempre vai existir gente que não simpatiza comigo. Não se pode abraçar o mundo e, se você tenta, provavelmente você se machuca desnecessariamente.

Esse tipo de reflexão me traz lembranças do jardim de infância, quando uma criança chorava porque algum coleguinha não queria brincar com ela porque não gostava dela. Talvez houvesse algum ruído, problema de comunicação, e logo a professora tomava a decisão de intervir para tentar aproximá-los.

Então ela pegava a mão de um coleguinha e o levava até o outro para que apertassem as mãos e se abraçassem. E selava a “união” com algo como: “Agora vocês são amiguinhos!” Funcionava? Sim, mas não todas as vezes. Desde sempre, e por um condicionamento social, acreditamos que se alguém não gosta de nós ou se não gostamos de alguém temos que fazer o possível e o impossível para tentar mudar isso.

Claro que se o problema de gostar ou não gostar envolve ações equivocadas, extemporâneas ou mal-entendidos, é possível fazer algo a respeito. Mas e quando não há? E se uma pessoa simplesmente não gosta de você? Da sua personalidade?

Fomos criados de uma forma a crer que quando uma pessoa não gosta de nós precisamos corrigir isso, descobrir quem está errado. É como se sempre houvesse alguém certo e alguém errado. Então devemos nos esforçar e apresentar motivos para que gostem da gente, nos respeitem e nos amem. Podemos tentar, claro. Mas e se não funcionar?

Devemos seguir em frente, até porque acredito que mais importante do que gostar é respeitar. Isso sim faz uma grande diferença em nossas vidas como seres sociáveis. Afinal, você pode não gostar de uma pessoa, mas deve respeitá-la, porque isso é uma premissa do bom convívio e ninguém sai perdendo.

O mundo pode parecer um lugar estranho, sombrio e realmente duro se você se sentir exaustivamente incomodado toda vez que souber que alguém não gosta de você. Mas a verdade é que ninguém é pior ou melhor que ninguém por não ser apreciado ou por não simpatizar com o outro.

Somos seres complexos, com interesses bem diversos, e usamos isso como referência para nos aproximar ou nos afastar das pessoas em algum nível. Tendo isso em mente, creio que temos que ser cuidadosos para não nos anularmos e também não anularmos os outros nessa tentativa de ser aceito e conquistar a apreciação de alguém.

Ademais, não tenho nenhum problema em apertar a mão e tratar bem quem não gosta de mim, até porque não vejo motivo para agir de outra forma. Acredito que a cordialidade tem importante papel na manutenção da vida. E não existe falsidade nisso, mas apenas a preponderância do respeito que deve ser maior do que nossas antipatias.

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April 23rd, 2017 at 8:33 pm

Um acumulador de versões

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Evolution, de Nancy Wait

Sou um acumulador de versões. Então é natural que eu não seja a mesma pessoa do ano passado, do mês passado, da semana passada ou até mesmo de ontem. Temos uma tendência a achar que pessoas que mudam são basicamente pessoas volúveis. Sim, podem ser, mas se for para o bem delas, seu crescimento, prefiro chamar isso de evolução.

Pessoas que escrevem, por exemplo, são pessoas curiosas, interminavelmente curiosas, eu diria. Então é natural que não passem a vida toda escrevendo sobre as mesmas coisas ou abordando sempre os mesmos assuntos. Escrever é desbravar-se primeiro para então desbravar aquilo que está diante dos seus olhos e reverberando em sua mente.

Ademais, escrita, na minha opinião, trata-se de fidelidade. Ser fiel a si mesmo, seja no campo ficcional ou não. Quem não é fiel a si mesmo dificilmente faz um bom trabalho nesse sentido.

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April 23rd, 2017 at 8:15 pm

Quando tentam me agredir

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Obra de Guy Denning

Normalmente, quando alguém tenta me ofender ou me agredir de alguma forma, tenho vontade de sorrir. Na realidade, não só tenho, como realmente acabo por sorrir, mesmo sem dizer nada, porque não é difícil perceber que a fragilidade do outro em me agredir é muito maior do que a minha em retribuir.





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April 23rd, 2017 at 8:11 pm

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Sobre a idealização humana

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Anger, de Robyn Nevison

Dizemos que as pessoas mudaram para pior quando elas não agem como gostaríamos, e falamos que mudaram para melhor quando elas são exatamente o que queríamos. Ou seja, a baliza para avaliar se as pessoas nos agradam ou não é a idealização que fazemos delas.





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April 23rd, 2017 at 8:06 pm

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Avocado e abacate

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Foto: David Arioch

Avocado, que muita gente pensa que é a mesma coisa que abacate. O avocado é menor, menos calórico, tem polpa mais amarelada e casca mais escura. Além disso, é superior ao abacate em valores nutricionais. Abacate ainda tem um custo/benefício melhor no Brasil, até pela dificuldade na produção do avocado, mas o avocado é muito bom também, principalmente em receitas.





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April 23rd, 2017 at 7:43 pm

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Dos males, o menor?

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Arte: Pawel Kuczynski

Dos males, o menor? Não quando se trata de política. Acredito que tal reflexão quando se fala em política e políticos é algo que acaba por soar como um tipo de anuência em relação às atrocidades que são cometidas em nome da politicagem e da ânsia por poder.

Muitas das desgraças que testemunhamos hoje no mundo têm relação com o raciocínio de conivência baseado na conveniência. “O cara comete excessos, mas é linha dura. Ninguém faria melhor” ou “Ele é ladrão, mas tem lá suas qualidades.” Esse tipo de conformismo tem lesado não somente a humanidade, mas obviamente outras espécies.





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April 22nd, 2017 at 7:51 pm

Sobre campos de concentração para homossexuais na Tchetchênia

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Ramzan Kadyrov (ao centro) leva uma vida de ostentação na Tchetchênia (Foto: Reprodução)

Tem circulado na internet uma petição contra campos de concentração para homossexuais na Tchetchênia. Esses campos são antigos e não foram construídos pelos tchechenos, mas simplesmente por quem há muito tempo está no controle da Tchetchênia, e que por sinal é pró-Rússia. É importante não confundir tchechenos com governo tchetcheno.

Filho de Akhmad Kadyrov, considerado um dos maiores criminosos de guerra da história da Tchetchênia, o atual presidente da Tchechênia, Ramzan Kadyrov, que há anos é acusado de violar direitos humanos, comanda um exército privado conhecido como Kadyrovtsy, que opera uma rede de prisões secretas. De acordo com a Federação Internacional de Helsinki para Direitos Humanos, o exército que Kadyrov herdou de seu pai é responsável por 75% dos crimes de guerra cometidos contra os tchetchenos.

Outro ponto a se considerar é que se esses crimes contra homossexuais realmente são cometidos, em algum nível o presidente russo Vladimir Putin tem alguma responsabilidade, já que foi ele quem colocou Ramzan Kadyrov na presidência. Sendo assim, acho importante assinar petições, até porque naturalmente repercutem. Mas também é importante saber quem é que está no controle dessas ações, até para evitarmos a desinformação e a generalização.

Leitura sugerida:

Independência e sangue

 

 

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April 22nd, 2017 at 5:41 pm