Archive for August, 2017
Uma boa forma de ajudar a impedir o avanço do desmatamento na Amazônia é deixando de consumir carne e laticínios
Uma boa forma de ajudar a impedir o avanço do desmatamento na Amazônia é deixando de consumir carne e laticínios. Afinal, a pecuária ocupa 2/3 de uma área de 750 mil quilômetros quadrados de desmatamento.
Esse desflorestamento é uma consequência natural da demanda por carne e laticínios, o que exige inclusive quantidade absurdas de produção de alimentos, principalmente soja, para nutrir esses animais. Parece pouco? Estou falando de uma área equivalente ao tamanho da Espanha. Saiba que 38% da carne consumida no Brasil é proveniente de áreas de desmatamento da Amazônia.
Então em vez de fazer apelos na internet em defesa da Amazônia, que tal começar reduzindo o consumo de carne e laticínios até, quem sabe, abandonar completamente esses hábitos que não são essenciais à manutenção da vida? Não seria um belo gesto em defesa da Amazônia?
Quando falamos de desmatamento, ficar no discurso é totalmente improdutivo se nossas ações provam que na realidade estamos preocupados apenas com nós mesmos, com o nosso paladar. Seria o mesmo que dizer algo como: “As próximas gerações e os animais nativos que se virem. Vou simplesmente aproveitar o máximo que posso, do jeito que eu quiser. É isso aí!”
Temos que assumir nossas responsabilidades. Ninguém desmata uma área por nada. Se isso acontece é porque há muita gente comprando o que é produzido nessas áreas de desflorestamento. Ou seja, sejamos conscientes. Devemos parar com essa mania de atribuição de responsabilidades que parecem não ter nada a ver conosco, quando somos responsáveis diretos por muito do que acontece com o meio ambiente e com os animais.
Para mais informações, assista:
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Você já viu galinha sendo ensacada em granja?
Você já viu galinha sendo ensacada em granja? Eu já, e posso te dizer que deve ser uma das experiências mais terríveis de sufocamento. O que muitas pessoas parecem desconhecer é o fato de que granjas não apenas se voltam para a produção de ovos, mas também comercializam galinhas no atacado e no varejo. Sim, para serem mortas. E se for uma granja de pequeno e médio porte, você pode comprá-las vivas (caso queira matá-las com as próprias mãos) e levá-las para casa dentro de um saco, sim, enquanto elas sufocam. Sem problema algum – mediante nossa realidade homocêntrica. Não estou falando isso baseado em algo que li, mas sim em minhas próprias experiências visitando granjas.
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Talvez olhássemos com outros olhos se fôssemos nós no lugar deles
Segundo algumas pessoas, os textos que publico sobre os animais são exagerados. Sem dúvida, tudo que não diz respeito a nós mesmos, que no nosso limitado senso de percepção não nos atinge, é visto como exagerado. Talvez olhássemos com outros olhos se fôssemos nós no lugar deles.
McDia Feliz 2017 pela cura do câncer infantojuvenil é como a JBS criando uma megacampanha contra o desmatamento
McDia Feliz 2017 pela cura do câncer infantojuvenil é como a JBS criando uma megacampanha contra o desmatamento; a Coca-Cola comercializando refrigerante e prometendo reverter uma parcela dos lucros para o Instituto da Criança com Diabetes. Ou a Nestlé, a Kraft e a Hershey Company fazendo propaganda contra o trabalho escravo.
“Não é necessário que alguém entre em um matadouro para ver e entender o que acontece lá dentro”
Questionada sobre como faz para conseguir entrar em matadouros onde nenhum jornalista entrou antes, a artista vegana Sue Coe explicou que tudo depende da abordagem e das ferramentas que você carrega. “Levo apenas papel e lápis, e as pessoas podem ver o que estou fazendo. Não estou roubando nada. Não vou tirar nada. Se eles querem meus desenhos, eles podem tê-los. Contanto que eu não retrate trabalhadores como monstros, o que nunca faço de qualquer maneira, embora algumas vezes fiz isso, tenho de admitir”, revelou em entrevista a Caryn Hartglass no podcast “It’s All About Food” em 20 de junho de 2012.
Sue Coe prefere visitar matadouros menores, porque esses são os que menos dificultam suas visitas. Mesmo assim, ela sempre se depara com uma mesma situação – funcionários de matadouros com receio de ficarem desempregados. “Eles não querem ser atacados por ativistas dos direitos animais. Então eles me veem e simplesmente conversamos sobre qualquer assunto que eles queiram. Muitos deles são falantes de espanhol. Então dou-lhes um desenho, e eles podem olhar e dizer se devo mudar alguma coisa. Eles apenas olham e dizem: ‘Ah, isso é bom! Você poderia ser estenógrafa’”, narrou.
Sue perdeu as contas de quantos matadouros visitou ao longo de décadas. Só no livro “Cruel: Bearing Witness to Animal Exploitation”, de 2012, ela traz ilustrações de experiências em 35 a 40 matadouros. “É muito mais fácil entrar em matadouros halal [islâmico] ou kosher [judaico] porque eles são pequenos, de propriedade familiar. Os maiores são da IBP [International Pork and Beef]. Entrei [em matadouro deles também], mas foi muito difícil. Costumo chegar dizendo: ‘Sou uma artista. Gostaria de desenhar.’ Eles dizem sim ou não”, resumiu.
Quando permitem que Sue Coe visite um matadouro, ela é revistada e em seguida entregam-lhe um uniforme. “Não é necessário que alguém entre em um matadouro para ver e entender o que acontece lá dentro. Você esquece muito rapidamente, pessoas esquecem, mas eu nunca esquecerei. Vou fazer isso até morrer, porque é minha responsabilidade com os rostos que vi. Esse é o meu trabalho. Essa era a vida deles. Eu os vi. Eles olharam em meus olhos, e eles me viram”, garantiu a ilustradora a Sunaura Taylor, da Bomb Magazine.
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Espero que chegue o dia em que bilhões de pessoas fiquem chocadas com o fato de ter existido um tempo em que explorávamos animais
Provavelmente, não estarei vivo, mas espero que chegue o dia em que bilhões de pessoas se surpreendam e fiquem chocadas com o fato de ter existido um tempo em que explorávamos, matávamos e consumíamos animais. Afinal, não existe justiça quando um animal é criado para ser explorado.
Uma tragédia que custou a vida de mais de 67 mil ovelhas
Em 23 de agosto de 1996, o navio de carga Uniceb deixou Fremantle, na Austrália, em uma viagem com duração de 16 dias até Aqba, na Jordânia. A 245 milhas a leste de Seychelles, um incêndio na sala de máquinas se espalhou até as acomodações da tripulação.
Então os tripulantes abandonaram o navio, deixando para trás mais de 67 mil ovelhas. Mais tarde, a artista vegana Sue Coe criou uma obra em homenagem aos animais mortos em um dos maiores incêndios com ovelhas já registrado na história da Austrália.
Sobre o episódio, ela escreveu: “Havia 67.050 almas a bordo.” Para se ter uma ideia de como a Austrália investe na exploração desses animais, o país tem pouco mais de 24 milhões de habitantes e cria mais de 100 milhões de ovelhas, que serão mortas para extração de lã e carne.
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A matança legitimada de búfalos
No livro “Dead Meat”, lançado em 1995, a artista vegana Sue Coe apresenta a obra “Lo Cholesterol”, em que milhares de búfalos são guiados para dentro de um grande matadouro. O desenho foi inspirado em um local que ela visitou nos Estados Unidos à época, onde a matança de búfalos já acontecia durante as 24 horas do dia.
Roland Straller e a inversão de papéis entre animais humanos e não humanos
Roland Straller é um artista vegano alemão que gosta de abordar a inversão de papéis na relação entre animais humanos e não humanos. Na série “Got Milk?”, ele convida os consumidores de leite a passarem um dia na pele das vacas leiteiras exploradas em regime industrial. Straller é satírico e suas obras de caráter quase sempre sepulcral destacam a perversidade semeada pela indiferença e pela legitimação de um caos que parece invisível aos olhos da maioria.
Não há alimentos de origem animal sem privação ou morte
Claro que não fico feliz pelo fato das pessoas consumirem produtos de origem animal, porque logo associo à exploração animal. Porém o que me incomoda mais são as situações em que as pessoas se negam a reconhecer que isso é uma forma de exploração que impõe privação e morte aos animais. Um animal criado para consumo é condicionado desde que nasce. Ou seja, afastado de sua vocação natural, ele já está em um estado de privação em algum nível.
A sua morte antecipada é apenas uma questão de tempo. Se uma pessoa se alimenta de animais ou trabalha nessa área, é importante que ela seja honesta e não propague discursos que não condizem com a realidade, que são os mesmos propagados pela indústria. E quando se faz críticas a esse posicionamento, às vezes, alguém diz: você não sabe o que fala, você não trabalha com gado de corte, gado leiteiro, criação de aves, suínos, etc. Claro que não trabalho com isso. Se eu trabalhasse, eu não seria vegano, não é mesmo?









