David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for August, 2017

“Devido ao desgaste constante em seu sistema, as galinhas desenvolvem fígados aumentados, órgãos vitais alargados e tumores”

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A pressão dos órgãos aumentados e a acumulação de líquido impede que seu trato digestivo funcione e ela acaba por morrer literalmente de fome

“Devido ao desgaste constante em seu sistema, as galinhas desenvolvem fígados aumentados, órgãos vitais alargados e tumores. Muitas vezes, o oviduto, um tubo pelo qual os ovos passam através do ovário, se desintegra e o material do ovo se rompe na cavidade do corpo e apodrece [o que chamamos de peritonite do ovo], envenenando lentamente a galinha. A pressão dos órgãos aumentados e a acumulação de líquido impede que seu trato digestivo funcione e ela acaba por morrer literalmente de fome. É uma morte horrível.”

Excerto de “Chickens Need Homes, Not Jobs”, de Mary Britton Clouse, especialista em aves e fundadora da Chicken Run Rescue.





Written by David Arioch

August 26th, 2017 at 5:56 pm

Se você fosse um animal explorado para benefício humano, com certeza você concordaria que a ética abolicionista é a melhor

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Arte: Sue Coe

Não raramente alguém diz que a ética abolicionista é uma ética sim, mas não significa que seja a melhor. Se você for um ser humano, pode ser que não seja vista como a melhor, realmente. Mas se você for um animal explorado para benefício humano, pode ter certeza que é a melhor sim. Afinal, nem mesmo o ato de ser abraçado ou beijado reduz o peso da morte antecipada de um animal, sendo este o destino final. Além disso, toda ética de conveniência é uma ética muleta, porque, não sendo realmente honesta, induz os mais incautos a acreditarem que meias medidas são o suficiente. Mas suficientes para quem? Talvez para quem se beneficie dessa exiguidade. Por isso que a única ética animal verdadeiramente benéfica para os animais é aquela que rejeita a objetificação, que não endossa nenhum engodo nebuloso no que tange à exploração.

 

 





E se fosse você a vítima de vivissecção?

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Inversão de papéis de Derek Chatwood

E se, em vez dos animais, fosse você a vítima de vivissecção? Ou de testes de substâncias, ingredientes e produtos? Se você não gostaria de estar no lugar de um animal usado em laboratório, saiba que ele também não gostaria de ser explorado dessa forma.





75% da população mundial sofre de alguma disfunção no processo de digestão de laticínios

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Dados foram divulgados pelo Comitê Médico Para Medicina Responsável dos EUA

De acordo com o Comitê Médico para Medicina Responsável dos Estados Unidos (PCRM), 75% da população mundial sofre de alguma disfunção no processo de digestão de laticínios. Ou seja, alactasia (não possui enzimas lactase), diminuição enzimática secundária ou diminuição gradativa de lactase. O que significa que esse é o percentual de pessoas do mundo todo que têm dificuldade de digerir corretamente e naturalmente, logo sem o uso de enzimas artificiais, o leite e outros produtos baseados em laticínios.

Para mais informações, acesse o site do Physicians Committee for Responsible Medicine.


Written by David Arioch

August 26th, 2017 at 12:41 pm

“Você fala com uma vaca, assim como se falasse com um porco, um gato ou um cachorro. Não vejo diferença”

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Jan Gerdes: “Antes, eu negava que eu gostava deles”

“Antes, eu negava que eu gostava deles. Não havia outra maneira. Eu queria ganhar a vida. E agora eles são como meus camaradas. Você está feliz, você fala, você fala com eles. Você fala com uma vaca, assim como se falasse com um porco, um gato ou um cachorro. Não vejo diferença. Todos eles têm suas qualidades e ficam felizes quando falo com eles.”

Jan Gerdes, ex-criador de gado de corte e leiteiro que se tornou vegano e defensor dos direitos animais na Alemanha. Para conhecer um pouco mais da história de Gerdes, assista ao documentário “Live and Let Live”, lançado por Marc Pierschel em 2014 e disponível na Netflix.

 

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Quando uma pessoa compartilha algo meu, ela está compartilhando em algum nível um fragmento de mim

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Arte: David Szauder

Quando uma pessoa compartilha algo meu, ela está compartilhando em algum nível um fragmento de mim, do meu trabalho, da minha consciência. E esse fragmento pode chegar a pessoas que, de repente, veem algo de bom ou de útil no que escrevi. Já encontrei publicações minhas sendo compartilhadas algumas vezes de forma desdenhosa, e ainda assim, mesmo diante de uma má intenção, notei pessoas não endossando essa reação, mas sim reagindo positivamente ao que escrevi.

 





Written by David Arioch

August 26th, 2017 at 12:31 pm

“Você sabe que não como nada de origem animal”

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Arte: Sue Coe

Um amigo me ofereceu um pedaço de bolo.

— Você sabe que não como nada de origem animal.

— É praticamente um bolo vegetariano, só tem um ovo. Nada de mais. Come aí, só hoje, um pedaço. Você não vai nem sentir o gosto de ovo porque a gema foi peneirada. Não tem leite.

— Entendi. Então, o problema não é o gosto de ovo. Qual mensagem eu estou te passando se eu comer um pedaço desse bolo?

— Sei lá…a mensagem de que você é um vegano flexível.

— A mensagem que eu passaria seria a de que não tem nada de errado em ocasionalmente comer algo de origem animal. E isso não condiz com o que eu defendo, que é não enxergar os animais como fonte de alimentos ou produtos. Conheço a realidade das galinhas poedeiras, e isso não é algo que eu gostaria de incentivar, mesmo que minimamente, até porque não penso só na galinha que botou esse ovo, mas em todas. Inclusive aquelas que nesse momento estão confinadas em gaiolas. Talvez esse ovo não traga o pior dos sofrimentos, mas em algum nível traz algum tipo de exploração. Isso já vem implícito quando pensamos na galinha como fonte de alimento para seres humanos, na ideia de que elas podem e até devem nos servir. E a ideia de servir, para não falar em servidão, reflete, no melhor cenário, conveniência, caso alguém diga que as galinhas são “bem tratadas”. Não concordo com isso porque não reconheço nada de origem animal como algo que eu possa ou deva consumir. Um ovo foi botado por uma galinha, e não creio que ela o botou para que eu o comesse.  Afinal, ovos nada mais são do que ovulação de galinha.

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Written by David Arioch

August 26th, 2017 at 12:24 pm

Sue Coe e o sofrimento dos peixes

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Arte: Sue Coe

Uma vez, li uma entrevista da artista plástica vegana Sue Coe em que a questionaram sobre o motivo para ela ter criado obras em que retrata o terror vivido pelos peixes. O entrevistador fez tal indagação como se peixes estivessem abaixo dos outros animais de criação. Então Sue Coe foi enfática ao dizer que peixes sentem dor, medo da morte e fazem o que podem para evitar a captura. Ela fala isso com propriedade, já que todo o seu trabalho de artes visuais é baseado em pesquisas sobre a realidade dos animais, inclusive antes e depois do abate ou da captura.

Ela sugeriu que o entrevistador fosse até os grandes mercados de peixes capturados inclusive em áreas de proteção, como ocorre nas Ilhas Galápagos. Sue Coe comentou algo como: “Você verá a cor natural e cintilante desses peixes desaparecendo. No alvorecer de uma cidade cinzenta, é possível ver um peixe caindo na calçada e lutando pela vida.”

Em várias ocasiões a artista vegana disse que estamos destruindo a vida oceânica, e definitivamente. Entre as tragédias envolvendo animais marítimos, Sue Coe costuma citar a pesca com grandes redes em que até mesmo pássaros, baleias em extinção, golfinhos, botos e tartarugas são capturados acidentalmente e depois descartados como lixo.

Mas alguém pode dizer: “Mas eu não como animais do oceano.” Para esse comentário, Sue Coe provavelmente diria, como declarou outras vezes: “Fazendas de peixes [muito comuns hoje em dia, com a alta na produção de peixes em cativeiro] são outra praga no planeta. Os peixes nadam em produtos químicos e são então ‘colhidos.'” Fora o fato de que as águas dos rios há muito tempo estão contaminadas e muitas espécies estão desaparecendo. Obviamente que o argumento principal é baseado na senciência e no direito à vida desses animais.

“A única solução é não comer peixe”, defende Sue Coe. Esse assunto é abordado de forma impactante no seu livro “Cruel: Bearing Witness to Animal Exploitation”, publicado em 2012 e disponível na Amazon.com.

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Marcar um boi, um dos símbolos da objetificação animal

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Você encararia um ferrete?

Marcar um bovino, assim como qualquer outro ser senciente criado sob um sistema exploratório, é um dos símbolos da objetificação animal, da reafirmação de que um ser vivo nada mais é do que um produto, e que sua dor não vale nada diante do lucro a ser gerado. Imagine o sofrimento e o trauma de ser marcado com um ferrete. Você encararia?





Veganos e o compromisso de não contribuir com a exploração animal

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Retratos de um sistema exploratório que objetifica animais, os colocando em condição de privação e sofrimento. São seres vivos que, em muitos casos, nascem e morrem sem saber por que existiram (Fotos: Jo-Anne McArthur)

De vez em quando me deparo com alguém dizendo que veganos são hipócritas porque não estão livres de usarem algo de origem animal. Sim, essa pessoa tem razão ao dizer que não estamos livres de usarmos algo de origem animal, ou testado em animais. Mas sabe por que não somos hipócritas?

Justamente porque tomamos para nós a responsabilidade de não contribuir com a exploração animal. Afinal, nos esforçamos para evitá-la. Sabemos que a exploração existe, e temos conhecimento do mal que ela causa. E é por isso que entendemos que não temos o direito de fazer isso com os animais. Então ser vegano é um esforço constante de se livrar das armadilhas de uma indústria que explora os animais o máximo possível.

Hipocrisia, no meu entendimento, e aproveitando esse discurso agressivo que não raramente encontro por aí, é o fato de saber que a exploração animal existe, que é possível se esforçar para não tomar parte nisso, e ainda assim virar as costas e apontar o dedo para quem tenta contribuir com uma vida mais digna para os animais não humanos.

Muitos veganos se empenham em conscientizar as pessoas sobre as consequências que envolvem a fabricação dos muitos produtos de origem animal. E a partir do momento que a indústria reconhece que as pessoas já não aprovam o uso de animais em um produto, ou que sejam realizados testes em animais, ela é obrigada a rever o seu papel, se não junto aos animais, pelo menos junto aos consumidores, o que já força uma desaceleração que envolve esse tipo de exploração.

É importante não ignorar que se estamos imersos em um universo onde a maior parte dos produtos é de origem animal, ou pelo menos traz algo de origem animal na composição, é porque a maioria da população segue indiferente à exploração e ao sofrimento animal; assim inexistindo uma grande demanda que poderia mudar os rumos das nossas relações com os animais. Sem dúvida, as opções de alimentos e outros produtos isentos de exploração animal vão surgindo conforme as pessoas se recusarem a alimentar esse sistema injusto e mortífero.

 

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