David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for May, 2018

60% dos mamíferos do mundo são produtos da pecuária

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“Nossas escolhas alimentares têm um grande efeito sobre os habitats dos animais, plantas e outros organismos”

Milo: “Considero o impacto ambiental na minha tomada de decisão, então isso me ajuda a pensar se quero escolher bife ou frango ou usar tofu?” (Foto: Creative Commons)

Um estudo intitulado “A Distribuição de Biomassa na Terra”, publicado esta semana pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, revelou que 60% de todos os mamíferos do mundo são produtos da pecuária. Ou seja, existem para serem comercializados como alimentos ou fontes de alimentos.

Desses 60%, a maioria é formada por suínos e bovinos. Tratando-se de animais não mamíferos, 70% das aves do mundo todo são criadas para consumo, e apenas 30% são silvestres. Os seres humanos, que somam 7,6 bilhões na atualidade, não representam mais do que 0,01% de todos os seres vivos que habitam a Terra. Ainda assim, a humanidade conseguiu provocar o desaparecimento de 83% de todos os mamíferos selvagens desde o início da civilização, segundo a pesquisa.

Ron Milo, do Instituto de Ciência Weizmann, de Israel, que liderou o trabalho, declarou que ficou chocado ao descobrir que não havia uma estimativa abrangente de todos os diferentes componentes da biomassa. “Espero que isso dê às pessoas uma perspectiva sobre o papel dominante que a humanidade desempenha agora na Terra”, enfatizou.

Para o pesquisador, a maneira como nos alimentamos exige uma profunda reflexão. “Nossas escolhas alimentares têm um grande efeito sobre os habitats dos animais, plantas e outros organismos. Considero o impacto ambiental na minha tomada de decisão, então isso me ajuda a pensar se quero escolher bife ou frango ou usar tofu?”

Referência

The Biomass Distribution on Earth. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (21 de maio de 2018)

 



Written by David Arioch

May 24th, 2018 at 3:28 pm

Reflexão sobre a exploração animal na Inglaterra e no Brasil

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Não tenho dúvida de que o melhor caminho em contrariedade a isso é a completa abstenção do consumo de animais (Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals)

Quero te convidar a uma breve reflexão sobre a exploração animal. Publiquei uma notícia sobre uma série de episódios de tortura praticados contra porcos em uma fazenda na Inglaterra. Sim, na Inglaterra, terra de Henry Salt, pioneiro da teoria dos direitos animais, onde surgiu o veganismo em 1944, e onde o respeito aos animais é considerado muito superior ao da maioria dos países.

Ainda assim, isso não impede que na Inglaterra ocorra violência contra os animais. Afinal, animais continuam sendo explorados, privados e mortos para atender um mercado consumidor. E toda essa demanda alavanca a objetificação e ajuda a fazer com que pessoas não vejam os animais como sujeitos de uma vida, mas somente pedaços de carne ambulante, que podem ser submetidos a qualquer tipo de violência; bastando para isso que não haja reconhecimento do valor da vida não humana nem mesmo legislação verdadeiramente favorável aos animais.

Agora vamos falar do Brasil. O Brasil é o quinto maior país do mundo, ou seja, é imenso. O Reino Unido, do qual faz parte a Inglaterra, cabe dentro do estado de São Paulo. O Brasil vive imerso em corrupção, é um país que ganhou fama internacional durante a Operação Carne Fraca como o país que “comercializa carne adulterada” e que possui fiscais da superintendência agropecuária que podem ser comprados, desde que bem pagos.

Além disso, segundo o artigo “A Clandestinidade na Produção de Carne no Brasil”, de João Felippe Cury Marinho Mathias, pesquisador da Embrapa, a produção de carne de origem clandestina no Brasil pode chegar a 50%, o que significa carne sendo consumida sem inspeção, e animais sendo criados e mortos da forma que o produtor e o comprador bem entender.

Não podemos ignorar também que os últimos episódios de exportação de bovinos vivos provaram como a intervenção política pode ignorar qualquer interesse coletivo e bem-estar animal – desconsiderando o fato de animais estarem em situação lastimável e degradante, segundo registros fotográficos que podem ser consultados via Google.

Sendo assim, será mesmo que deveríamos dizer algo como: “Mas isso é fora do Brasil!” “Isso é na Inglaterra!”? Será que em um país onde o respeito à vida não é exemplar, onde há muitos matadouros clandestinos e animais criados irregularmente, a parca exposição da violência contra os animais criados para consumo não é apenas uma questão de poucas denúncias e investigações? Não tenho dúvida de que o melhor caminho em contrariedade a isso é a completa abstenção do consumo de animais. Afinal, de um modo ou de outro, a violência existe e persiste.

 



Ativistas filmam funcionários torturando porcos em uma fazenda na Inglaterra

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A gravação revelou mais de cem episódios de violência em um período de apenas dez dias (Foto: Animal Equality)

A Animal Equality do Reino Unido divulgou hoje um vídeo mostrando trabalhadores da Fazenda Fir Tree, em Lincolnshire, na região leste da Inglaterra, chutando continuamente a cabeça e o estômago de dezenas de porcos. A gravação revelou mais de cem episódios de violência em um período de apenas dez dias.

Em um dos momentos do vídeo, dois funcionários se juntam para chutar um suíno que grita de dor. Outro funcionário aparece cutucando um porco com os dentes de um garfo usado para recolher esterco. Em outro momento da filmagem, um homem pula em uma baia para chutar os animais para dentro.

Os ativistas da Animal Equality informaram que receberam uma denúncia sobre as condições na fazenda e instalaram câmeras escondidas nos locais onde funcionários foram flagrados torturando os animais. As imagens captadas chocaram os ativistas e os espectadores. A propriedade pertence a Elsham Linc, um dos maiores produtores de suínos do Reino Unido.

 “Estamos acostumados a ver a brutalidade cotidiana desses lugares. Mas esse tipo de violência não se vê com tanta frequência. Os funcionários demonstram total desprezo pelos animais sob seus cuidados e parecem imunes ao sofrimento, mesmo quando os porcos gritam de dor. Exigimos que eles sejam levados à justiça”, declarou o diretor da Animal Equality do Reino Unido, Toni Shephard, acrescentando que tudo isso poderia ser evitado se as pessoas parassem de se alimentar de animais, já que o consumo financia esse tipo de violência. A Sociedade Real Para Prevenção da Crueldade Contra os Animais está investigando o caso.

 

Referências

RSPCA to investigate Lincolnshire farm after ‘workers filmed kicking pigs’. The Guardian (23 de maio de 2018). 

Breaking! Animal Equality films workers beating pigs on a Lincolnshire farm. Animal Equality (23 de maio de 2018). 

 



Elsevier e Bayer reconhecem que testes em animais podem ser ineficazes

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Os pesquisadores descobriram que testes em animais podem não garantir reações únicas relatadas em animais e em humanos (Foto: Reuters)

Um estudo divulgado este mês por um grupo de análise formado pela Elsevier, maior editora de literatura médica e científica do mundo, e pela Bayer, gigante do ramo farmacêutico, reconheceu que testes em animais podem ser ineficazes. O trabalho, intitulado “A big data approach to the concordance of the toxicity of pharmaceuticals in animals and humans”, que avaliou 1,6 milhão de reações adversas reportadas aos reguladores da União Europeia e dos Estados Unidos, foi publicado no Journal of Regulatory Toxicology and Pharmacology.

Os pesquisadores descobriram que testes em animais podem não garantir reações únicas relatadas em animais e em humanos. O estudo revelou que algumas das reações em animais após os testes nunca haviam sido observadas em um ser humano, e vice-versa.

“Todas as empresas de ciências da vida desejam diminuir os testes em animais, e com a pressão contínua dos governos, sociedades e grupos de bem-estar animal, as organizações farmacêuticas estão explorando maneiras de fazer isso”, disse o diretor de serviços científicos da Elsevier, Matthew Clark, em entrevista a PharmaTimes.

No mundo todo, organizações, estados e países estão adotando medidas para reduzir os testes em animais. Alguns estão indo além, lutando pelo banimento da prática, que já tem sido substituída por novas tecnologias que envolvem triagem de alta produtividade, modelos computacionais e chips baseados em cultura de células e tecido humano.

Nos Estados Unidos, com a ajuda do Comitê Médico para Medicina Responsável, o Instituto Nacional de Saúde (INS) defende a eliminação dos testes em animais. “O Instituto Nacional de Saúde oferece uma rota direta para proteger melhor milhões de vidas humanas e animais”, disse a vice-presidente de pesquisa do comitê, Kristie Sullivan, em um comunicado divulgado no início do ano.

No Reino Unido, a Animal Free Research lançou em fevereiro uma campanha que defende que doenças humanas só podem ser examinadas adequadamente usando tecido humano: “Estamos mostrando como a pesquisa que nos ajuda a compreender fundamentalmente a biologia e a doença humana pode e deve ser realizada sem a necessidade de usar animais”, declarou a organização.

Referências

Elsevier/Bayer study findings could cut animal testing. Pharma Times (15 de maio de 2018)

https://www.livekindly.co/medical-animal-testing-rates-to-drop-with-new-testing-method/

 



Written by David Arioch

May 23rd, 2018 at 3:24 pm

Há sempre motivos mais nobres para não comer carne do que para comê-la

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Michael Pollan, autor de “O Dilema do Onívoro”, está cada vez mais próximo do vegetarianismo

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Michael Pollan pode se tornar vegetariano em breve (Foto: Reprodução)

O controverso escritor e jornalista Michael Pollan, autor do best-seller “O Dilema do Onívoro”, que discute o roteiro da alimentação humana antes de chegar à mesa do consumidor, sempre descreveu a si mesmo com um “carnívoro relutante”. Na semana passada, em entrevista a Terry Gross, da NPR’s Fresh Air, ele admitiu que está quase desistindo do consumo de animais.
 
A revelação foi positivamente destacada por Gross e chamou a atenção dos ouvintes. Pollan relatou que ainda consome alguns alimentos de origem animal cultivados por produtores locais, mas está cada vez mais próximo da completa abstenção. Dele, é a célebre frase: “Coma comida, não muita, mas principalmente vegetais.”

Referência

Some Girls Vegan News



Written by David Arioch

May 22nd, 2018 at 7:48 pm

Eco Experts elege a Suíça como o melhor país para vegetarianos na Europa

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A Suíça conta com mais de 165 restaurantes vegetarianos a cada cem mil pessoas (Foto: The Nomadic Vegan)

De acordo com uma pesquisa realizada pela organização Eco Experts, a Suíça é o melhor país para vegetarianos na Europa. O estudo analisou 26 países europeus e comparou o número de restaurantes vegetarianos disponíveis, consumo anual de carne e preço do quilo da carne. Considerando esses fatores, a Suíça ficou em primeiro lugar, seguida pelo Reino Unido. No entanto, Portugal ficou em último lugar na lista.

“A Suíça e os países nórdicos (excerto a Dinamarca), merecem uma visita se você é vegetariano – ou simplesmente quer seguir uma dieta sem carne”, informou a Eco Experts em seu relatório. A Suíça conta com mais de 165 restaurantes vegetarianos a cada cem mil pessoas – a maior densidade desse tipo de restaurante nos 26 países avaliados. O país também tem o menor consumo anual de carne, e a carne mais cara da Europa.

O Reino Unido abriga a segunda maior concentração de restaurantes vegetarianos na Europa – 80 para cada cem mil pessoas. Mesmo em Portugal, que foi apontada como o país com menores índices favoráveis aos vegetarianos, o veganismo e o vegetarianismo também segue em expansão, com um aumento superior a 400% na última década, segundo a Eco Experts.

Referência

Live Kindly





Written by David Arioch

May 22nd, 2018 at 7:01 pm

Ativistas veganos podem enfrentar 60 anos de prisão por livrarem dois leitões da morte nos Estados Unidos

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Segundo os ativistas do grupo Direct Action Everywhere (DxE), os animais, com idade de três semanas, estavam vivendo em situação degradante (Foto: DxE)

Ontem, o gabinete do procurador-geral de Utah, nos Estados Unidos, apresentou acusações contra cinco ativistas veganos que invadiram uma fazenda industrial em Mildford para resgatarem dois leitões da morte. Segundo os ativistas do grupo Direct Action Everywhere (DxE), os animais, com idade de três semanas, estavam vivendo em situação degradante.

“Porcos bebês estão sofrendo mutilação, fome e abuso em Smithfield, e a empresa não quer que o público saiba disso”, declarou o co-fundador do DxE, Wayne Hsiung, um dos cinco acusados de invadir a Smithfield Food’s Circle Four Farms em Mildford, no condado de Beaver, em Utah. Em sua defesa, a Smithfield negou todas as acusações feitas pelo DxE.

O que ajudou a identificar os suspeitos de participarem da ação foi um vídeo de 11 minutos gravado pelos próprios ativistas, registrando a ação de resgate. O material foi obtido pelo FBI. Com base nas acusações, os cinco ativistas podem ser condenados a 60 anos de prisão.

Referência

Plant Based News

 

 





Atriz do grupo Monty Python apoia campanha contra o uso de cães em testes químicos no Reino Unido

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“Estou muito feliz em falar por aqueles que não podem falar por si mesmos. Peço a todos que assinem a petição da Cruelty Free International para acabar com essas experiências vis e desnecessárias” (Acervo: Sussex Life)

A atriz e comediante Carol Cleveland, que participou durante anos do grupo Monty Python, declarou publicamente na semana passada o seu apoio a uma campanha pedindo ao governo para banir a realização de experimentação animal com cães. Liderada pela Cruelty Free International, a campanha revela que anualmente milhares de cães são usados em testes químicos no Reino Unido:

“Estou muito feliz em falar por aqueles que não podem falar por si mesmos. Peço a todos que assinem a petição da Cruelty Free International para acabar com essas experiências vis e desnecessárias”, declarou Carol.

Como parte de uma propaganda de mobilização pública, foi colocado um outdoor na estação de trem de Hastings, em East Sussex, convidando a população a participar dessa campanha contra a exploração de cães. Uma petição, que só pode ser assinada por cidadãos britânicos, também foi lançada e, segundo informações da Cruelty Free, se eles alcançarem 100 mil assinaturas, há a garantia de um debate sobre o assunto no Parlamento britânico.

A chefe-executiva da Cruelty Free International, Michelle Thew afirmou que uma nação que se considera amante dos animais deve acabar com os experimentos com cães: “Testes em cães são antiéticos e antiquados, e há muitas alternativas confiáveis e eficazes que podem ser usadas. Nós pedimos a nossa sede para revisar e colocar em prática um roteiro para acabar com o sofrimento de nossos amigos caninos nos laboratórios do Reino Unido.”

 

 

 

 





Pesquisadores descobrem que o agrião pode ajudar a prevenir deficiência de vitamina B12

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Agrião ajuda a prevenir deficiência de B12 desde que cultivado em solo enriquecido (Foto: Reprodução)

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Kent, na Inglaterra, descobriu recentemente que o agrião pode ser usado na prevenção da deficiência de cobalamina (vitamina b12).

Os resultados publicados na revista científica Cell Chemical Biology, revelam que a vitamina – comumente tomada na forma de suplementos, no caso dos veganos, está disponível nas folhas do agrião, desde que a planta seja cultivada em um solo enriquecido.

De acordo com os pesquisadores, essa descoberta pode ser uma grande aliada para enfrentar o desafio global de fornecer uma dieta vegetariana completa e nutritiva à medida que as pessoas passem a consumir cada vez menos carne com a expansão populacional.

Referência

Fleming, Sandy. University of Kent. University scientists make vitamin B12 breakthrough. 

 

 





Written by David Arioch

May 21st, 2018 at 3:21 pm