David Arioch – Jornalismo Cultural

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Há animais das mais diferentes espécies que não sabem que vão morrer amanhã

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Foto do projeto “Eyes on Animals”, que registra o olhar dos animais minutos antes de serem executados nos matadouros

A esta hora, em muitas partes do mundo, há animais das mais diferentes espécies que não sabem que vão morrer amanhã. Em breve, estarão pendurados sobre grilhões, expostos nas vitrines dos açougues, esquartejados e fatiados para ocuparem pequenos espaços em bandejas. Não sabem que a maioria não há de chorar, nem mesmo lamentar por eles.

Não terão velório nem enterro. Simplesmente perecerão como se jamais tivessem existido, como se fossem seres insignificantes. Do lado de cá, muitos olharão para suas carnes e as desejarão como se aqueles cadáveres jamais tivessem sido habitados por qualquer tipo de vida.

Imagine a si mesmo incapaz de falar ao ser subjugado por outra espécie. Não há o que fazer, a não ser torcer por um mínimo de compaixão. Mas essa compaixão inexiste porque a espécie que o domina é incapaz de vê-lo como alguém digno do direito à vida. Você é somente um produto e nada mais que isso. Apenas a realidade animal não humana.

Em todos os lugares há animais humanos e não humanos precisando de ajuda. Acho impossível viver ignorando isso e seguir a vida sem fazer nada a respeito. A empatia é uma das belas características humanas. Se rejeitamos isso, creio que não resta tantas coisas nobres pelo que viver.

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July 19th, 2017 at 2:15 am

Sobre a passionalidade

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Arte: Leonid Afremov

A passionalidade pode ser muito positiva, motivadora, mas não podemos deixá-la nos cegar ou afunilar nossa perspectiva diante das coisas. Tenho sempre em mente que é importante que não deixemos a passionalidade nos transformar naquilo que parecemos mas não somos.

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July 19th, 2017 at 1:59 am

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Um mundo com mais de sete bilhões de pessoas, onde se cria anualmente mais de 70 bilhões de animais para consumo

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Assim como nós, outros animais também têm direito à vida (Foto: Jo-Anne McArthur)

Um mundo com mais de sete bilhões de pessoas, onde se cria anualmente mais de 70 bilhões de animais terrestres para consumo. Isso é sinistro tratando-se de exploração animal. E há pessoas que dizem que vegetarianos e veganos comem a comida que deveria ser destinada aos animais. Usemos um pouco a lógica. Levando em conta esses dados da FAO e da WAP, está bem claro que mesmo que o mundo todo fosse vegano não teríamos a menor condição de chegar nem perto da quantidade de alimentos consumidos pelos animais. Basta pensarmos na mera proporcionalidade. E não estou falando de impacto ambiental nem de sustentabilidade, mas sim de uma simples obviedade, que embora real nos pareça kafkiana.

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July 19th, 2017 at 1:44 am

“Você pode levar uma marretada na cabeça ou uma injeção letal, qual você vai querer?”

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Nenhum animal dá o seu aval para morrer

Não raramente, vejo pessoas falando que documentários que defendem o veganismo usam imagens antigas ou capciosas para induzir o espectador a tornar-se vegano. Certo, agora é só me dizer em qual parte o animal ressuscita. Ou em qual parte ele deu o seu aval para morrer. Um animal não morrer não invalida o fato de que ele está sendo explorado para benefício humano. Assim como um animal não ser morto de forma visivelmente cruel não invalida o fato de que ele foi morto. Imagine se alguém te desse duas opções: “Você pode levar uma marretada na cabeça ou uma injeção letal, qual você vai querer?” Obviamente que a minha resposta seria: “Nenhuma!”

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July 19th, 2017 at 1:39 am

Sobre a realidade da produção industrial de carne suína

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Sistema industrial impõe privação intensa aos animais

A realidade da produção industrial de carne suína pode ser chocante para quem consome carne e não tem a mínima ideia de como funciona esse sistema. Muitas porcas grávidas são aprisionadas como se fossem culpadas de algo, quando na realidade a privação existe simplesmente porque são animais condicionados a nascer, viver com brevidade e morrer distantes de uma vida natural. Há situações degradantes em que elas dormem sobre as próprias fezes em gaiolas apertadas.

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July 19th, 2017 at 1:19 am

O sofrimento das galinhas poedeiras

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Ritmo intenso de produção favorece o surgimento de doenças

Uma galinha selvagem bota 10 a 15 ovos, mas podendo chegar a 30 por ano, e apenas no período natural de reprodução. Porém, as galinhas modernas, que produzem os ovos mais consumidos em todo o mundo, foram manipuladas geneticamente para botarem até 350 ovos por ano.

A produção de ovos é extremamente exaustiva, porque o ovo requer muitos nutrientes, especialmente o cálcio que é um importante nutriente da casca. Para cada casca de ovo produzida, uma quantidade considerável de cálcio é drenada do corpo de uma galinha. Por isso, as galinhas poedeiras geralmente sofrem de osteoporose, e têm ossos bem frágeis se comparados aos das galinhas selvagens. Há casos em que a deficiência é tão grande que elas sofrem de quebra de ossos mesmo sem fazer esforço.

Além do uso de luz artificial nas granjas, como forma de condicionar as galinhas a botarem ovos fora do seu ciclo natural, há também alguns relatos de uma prática reprovável testemunhada em algumas granjas – deixar as galinhas sem comida e água por dias. Aparentemente, isso causa um choque no organismo da galinha e a estimula a botar mais ovos caso a produção tenha caído ou estagnado. Dizem que tal prática pode ser aplicada por até três vezes antes da galinha ser enviada para um matadouro.

Outro ponto de reflexão é que galinhas poedeiras exploradas em níveis industriais não raramente sofrem de prolapso uterino, câncer de ovário, peritonite, esteatose (síndrome do fígado gorduroso) e fadiga crônica. Normalmente, uma galinha pode viver por pelo menos dez anos, mas no sistema industrial a sua expectativa de vida é de um a dois anos.

Para mais informações, sugiro a leitura:

http://www.galgoamigo.com/eggs.html

http://www.foodispower.org/hens-raised-for-eggs/

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July 19th, 2017 at 1:04 am

“Se a ‘liberdade’ de um animal está vinculada à exploração, ele não caminha como um ser vivo, mas sim como um objeto em movimento”

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O que está em primeiro lugar são os direitos animais, o direito à vida

Você acha correto dizer que vegetarianismo ético e veganismo são sobre espiritualidade?

Não. Porque espiritualidade é algo pessoal, individual, enquanto que os direitos animais são sobre o direito à vida, logo desde o princípio parte de uma consciência em que o que interessa não sou eu, mas sim os outros. Por isso, quando falamos em vegetarianismo ético e veganismo o que está em primeiro lugar são os direitos animais, o direito à vida. Claro que essa mudança pode ter alguma relação, ou até mesmo ter sido motivada por outros fatores; inclusive pela espiritualização, mas não é sobre isso. E quando falamos que sim, é preciso ter em mente que, dependendo do nosso discurso, isso pode ser contraproducente, já que corremos o risco de colocar nossa suposta evolução em uma posição de protagonismo. E o problema subsiste no fato de que isso pode reforçar um discurso acidental (ou não) de superioridade, e isso também pode reverberar especismo em algum nível.

Há pessoas sempre argumentando que há animais que não sofrem, mesmo que sejam explorados para consumo. Você acha isso possível?

O fato de hipoteticamente não haver sofrimento não significa que não haja privação, exploração ou que não haja condicionamento, o que claramente é negativo se isso ocorre intencionalmente e em nosso benefício. Afinal, temos a capacidade de reconhecer que isso significa de fato um exercício de dominância. Se interferimos na natureza de um animal, logo o estamos afastando de sua vocação. Em menor ou maior proporção, ou em curto ou longo prazo, por que animais enlouquecem em situações de privação? Simplesmente porque não nasceram pra isso. Alguém pode me dizer que há animais que são explorados, mas que estão felizes percorrendo o campo, tendo a melhor alimentação e os melhores cuidados. Não sei se eles são felizes, porque a felicidade é um conceito humano, e nem sempre usar nossas referências enquanto espécie é coerente quando falamos de outros seres vivos. Porém, é claro que animais ‘livres’ sofrem menos do que animais confinados. No entanto, se a ‘liberdade’ desse animal está vinculada à exploração, logo ele não caminha como um ser vivo, mas sim como um objeto em movimento.  É importante ter em mente sempre que se você vê um animal como alimento, ou algo que ele não te forneça como alimento, ele já passou por um processo de objetificação. Essa objetificação pode não ser nociva aos seus olhos, claro que por fatores historicamente culturais, mas é essa crença que fundamenta e endossa a exploração animal em níveis mais amplos, como a industrial, por exemplo. Afinal, se não houvesse o reconhecimento do animal como fonte de alimento, obviamente nem precisaríamos discutir exaustivamente sobre direitos animais.

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July 19th, 2017 at 12:51 am

Quando converso sobre veganismo com alguém

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Pra eu conversar pessoalmente sobre veganismo com uma pessoa, ela tem que estar inclinada a isso

Pra eu conversar pessoalmente sobre veganismo com uma pessoa, ela tem que estar inclinada a isso. Ou seja, tem que ser o tipo de pessoa que está aberta ao diálogo. É exatamente por isso que eu não falo de veganismo com todas as pessoas que conheço. Praticamente todo mundo que me conhece sabe que sou vegano e que produzo conteúdo sobre isso, então quando eles têm curiosidade ou demonstram interesse em saber a respeito, conversamos numa boa.

Caso não haja essa abertura, simplesmente não conversamos. Nunca forcei um papo sobre veganismo. Quando a conversa surge, isso ocorre de forma muito natural, e o princípio do diálogo quase sempre parte dos outros, e normalmente depois de terem lido algo que escrevi.

De vez em quando, me marcam em publicações em mídias sociais para que eu argumente com pessoas que desprezam veganos ou que fazem piadas da exploração animal. Bom, não vejo como isso pode acabar bem se o outro não estiver disposto a dialogar. Assim fica um falando de um lado sem ser ouvido, e o outro do outro lado fazendo o mesmo. Acho importante filtrar o tipo de discussão que vale a pena. Muitas delas eu passo.

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Written by David Arioch

July 19th, 2017 at 12:43 am

Há pessoas que já nascem para o veganismo

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É muito comum crianças sentirem compaixão pelos animais

Há pessoas que já nascem para o veganismo. São aquelas que ao primeiro sinal do reconhecimento do sofrimento animal já decidem mudar a maneira como vivem. Não precisam de mais do que um primeiro choque de realidade para refletirem sobre o que estamos fazendo com as outras criaturas, que parecem vulneráveis como bebês diante do nosso domínio.

Pessoas assim não necessitam de mais do que os próprios olhos para decidirem não tomar parte na exploração de seres inocentes, que normalmente já nascem subjugados. Afinal, para quem já nasce com essa consciência, a privação e o derramamento de sangue, mesmo que não testemunhado, são justificativas bem convincentes.

 

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Written by David Arioch

July 19th, 2017 at 12:26 am

Uma pessoa ser vegana não a impede de ganhar massa muscular mesmo sem o uso de esteroides

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Também não a impede de ser maior do que quem consome proteínas de origem animal

Uma pessoa ser vegana não a impede de ganhar massa muscular mesmo sem o uso de esteroides anabolizantes. Também não a impede de ser maior do que quem consome proteínas de origem animal.

Claro que o caminho das proteínas de origem animal é mais fácil. Porém, o que vai determinar se uma pessoa vai ter resultados ou não são dois fatores – alimentação e disciplina. Se você não tiver os dois, não espere muita coisa.

Isso vale tanto para quem é vegano quanto para quem não é. Não sou fisiculturista, não uso esteroides, minha alimentação é baseada somente em proteínas de origem vegetal, mas tenho disciplina e nunca tive problemas em alcançar qualquer objetivo com a musculação. Para quem tem, talvez seja o momento de avaliar se realmente está fazendo tudo que deveria.

 

Written by David Arioch

July 19th, 2017 at 12:21 am