Archive for the ‘Reflexões’ Category
O silêncio e a escrita
Às vezes, passo horas em um ambiente silencioso, sem qualquer interferência, simplesmente escrevendo. Sem pessoas, sem aparelhos por perto, apenas eu, minha mão e um caderno. Então não sou mais alguém segurando a caneta, mas sim a própria caneta. Sinto os olhos quase colados no papel. Olhos que ninguém mais vê. Em menos de hora, não resta nada, nem mesmo um espaço que me situe. Acabo diluído em mim mesmo e transformo-me no que eu quiser.
O equívoco de Zezé di Camargo ao dizer que a Hungria vive uma ditadura
Imagino que o cantor Zezé di Camargo se identifique com política de centro-direita. Ele deu uma entrevista a Leda Nagle falando que a Hungria vive uma ditadura (a citando junto com países como Coréia do Norte e Venezuela). Ignorou (ou talvez não saiba) que o primeiro-ministro da Hungria é o Viktor Orbán, líder do Fidesz, maior representante de centro-direita da Hungria. Hungria só foi “comunista” nos tempos da União Soviética. Seria o mesmo que chamar a Rússia hoje de “socialista” (vide Perestroika, Glasnost). Vamos estudar um pouquinho.
Eu exploro, tu exploras, ele explora, nós exploramos
Viver é um paradoxo, existir e resistir para não cair em contradição o tempo todo. É não explorar explorando, como um eterno espetáculo que denuncia a exploração, mas é financiado por quem a edifica e a avulta. Tartufismo, mendacidade, jacobice. Vivo imerso nessas palavras que não reconheço.
Eu exploro, tu exploras, ele explora, nós exploramos. É isso. É alentador não cair em armadilhas por alguns instantes. Minutos, talvez horas do dia em que não me torno refém de incongruências, degenerescências legitimadas. Amanhã vai ser diferente. Ou não. Farisaísmo. Arataca. Estratagema.
Não sou tão ruim. Não. Sou muito bom. Fecho os olhos. Me entorpeço com a minha ablepsia, inculpabilidade, condescendência, torpor. Sou ineludivelmente bom. Compro sorrindo o que alguém chorou produzindo. Não sei se quero reconhecer que morreu para ser transformado num algo ausente de i-den-ti-da-de.
Dissociado da verdade. É bonito. Não, é lindo. Mais lindo ainda se acredito que nasceu como produto final, sem gênese. Não tenho do que me queixar se enxergo apenas o que anseio vislumbrar. É só mais um dia, da bonomia à hipocrisia.
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Manter a sanidade é importante
Peixe sendo comido vivo sobre uma mesa de um restaurante; um animal modificado geneticamente para produzir dez vezes mais “matéria-prima” para a indústria de peles; senadora Kátia Abreu falando na construção de novos matadouros para atender ao mercado de carne de jumento; novo vídeo de matadouros onde animais são mortos à marretadas. Essas são algumas das notícias que acompanhei hoje de manhã. Manter a sanidade é importante. Por isso que meu dia não se resume a ler ou escrever sobre os mesmos assuntos o tempo todo.
“A introspecção é uma atitude em extinção”
“Em aeroportos e outros espaços públicos, pessoas com telefones celulares equipados com fones de ouvido ficam andando para lá e para cá, falando sozinhas e em voz alta, como esquizofrênicos paranoicos, cegas ao ambiente ao seu redor. A introspecção é uma atitude em extinção. Defrontadas com momentos de solidão em seus carros, na rua ou nos caixas dos supermercados, mais e mais pessoas deixam de se entregar a seus pensamentos para, em vez disso, verificarem as mensagens deixadas no celular em busca de algum fiapo de evidência de que alguém, em algum lugar, possa desejá-las ou precisar delas.”
Andy Hargreaves, professor de educação e autor do livro “Teaching In The Knowledge Society: Education in the Age of Insecurity”.
Jorge Luis Borges é monstro
Jorge Luis Borges é monstro. Além de referência mundial em literatura ficcional, quase sempre é citado pelos grandes da filosofia contemporânea. Isso que é transitar belamente por distintas esferas do conhecimento e brincar com diferentes linguagens sem receio de ser (in)compreendido. Um literato que nasceu para a filosofia, mas transmutou-se em ficção. Isso deixa evidente também porque Borges não é de fácil fruição. Quando penso nesse mestre argentino, que jamais se submeteu a opressão e supressão da identidade, a primeira palavra que me vem a mente é onirismo, um onirismo cosmopolita. E de um cosmopolitismo que não pressupõe ausência.
Breve reflexão de Richard Rorty
“Deveríamos garantir que nossos filhos se preocupem com o fato de os países que saíram na frente em termos de industrialização possuírem uma riqueza cem vezes maior que a dos ainda não-industrializados. Nossos filhos precisam aprender, desde cedo, a ver as desigualdades entre seus próprios destinos e os de outras crianças, não como a Vontade de Deus, nem como o preço necessário pela eficácia econômica, mas como uma tragédia evitável.”
Richard Rorty, autor de “Philosophy and the Mirror of Nature” e “Philosophy and Social Hope”.
Uma breve reflexão sobre a alimentação
Essa é minha opinião, e cada um pode ter a sua. Quando alguém reproduz o discurso de um profissional em relação à alimentação (e aqui falo de um discurso reproduzido exaustivamente), a primeira coisa que gosto de saber é se a pessoa vive na prática o que diz. Se ela não vive, não consigo evitar de ficar desconfiado. Vejo pessoas reproduzindo discursos de profissionais (ou não – e alguns deles inclusive são vistos como “gurus”), demonizando muitos alimentos, e logo penso: “Se isso é verdade, e essa pessoa se alimenta tão perfeitamente bem, como defende em seu discurso, por que ela não aparenta ser realmente saudável?”
Não entre em um relacionamento alimentando falsas esperanças
Se você conhece alguém que espera de você algo que você não pode oferecer, simplesmente não seja sem noção. O que quero dizer? Não entre em um relacionamento alimentando falsas esperanças. A carência pode levar as pessoas a cometerem equívocos que trazem sérias consequências. Uma delas pode ser magoar profundamente alguém que espera de você mais do que você pode oferecer. Creio que muitos relacionamentos começam errado por causa disso.
Um relacionamento para dar certo deve partir do princípio de que duas pessoas querem a mesma coisa, têm objetivos em comum na relação e não estão pensando em obstáculos que já podem minar a relação. Quem entra em um relacionamento sério para trair, ou pelo menos pensando nessa possibilidade, pode muito bem deixar claro para a outra pessoa essa sua inclinação. O que significa que isso não cabe em um relacionamento monogâmico.
Assim como não cabe ser egoísta e individualista a maior parte do tempo. Claro, é impossível nunca ser egoísta e individualista, mas é possível não ser a maior parte do tempo, bastando apenas refletir a respeito e fazer um pouco de esforço em prol de algo que não diz respeito apenas a si mesmo.
Relacionamentos muitas vezes não dão certo por falta de comunicação e honestidade. E claro, empatia, já que não se colocar no lugar do outro permite que as pessoas tenham atitudes totalmente incompatíveis com uma relação saudável. Não é monogâmico? Então encontre pessoas que também não são. Não tem segredo. É só acreditar no respeito e colocar isso em prática.
Se tratando de relacionamentos, não acho que as pessoas devam ser iguais. Na minha opinião, o que elas devem, em primeiro lugar, é ter uma forte razão para estarem juntas. O que acontece a partir daí, vai depender do esforço, da vontade e da inclinação de cada um.
Um exemplo de baliza ética vegana
Darei um exemplo de baliza ética. Se tenho uma empresa e alguém diz que a única forma de eu comercializar o meu produto em determinado mercado é realizando testes em animais, sabe o que faço? Simplesmente abro mão desse mercado ou redireciono o foco da minha atividade, até porque quem tem condições de realizar testes de produtos em animais tem grana para fazer outra coisa.


