Archive for the ‘Reflexões’ Category
Quantos animais você tem?
— Quantos animais você tem?
— Nenhum.
— Como assim? Vi vários na sua casa.
— Mas não são meus, nem de ninguém. O meu papel como ser humano é cuidar deles, já que são vidas que dependem de outras vidas. Mas nenhuma delas me pertence. Não creio nem defendo a ideia de posse ou pertencimento. Se ela existisse, seria apenas fruto da minha própria mente – nada mais do que isso. Acredito na construção do contato e das relações, não da posse ou do pertencimento, seja humano ou não. Concreto é o meu pertencimento provisório enquanto eu viver, mas que finda quando eu morrer. Isso é concreto pra mim. Claro, outras pessoas, inclusive você, podem pensar diferente de mim. Mas, particularmente, é assim que encaro as relações humanas e não humanas.
Breve reflexão sobre o consumo de alimentos de origem animal
O preço da nossa carne
Imagine se acordássemos um dia e descobríssemos que a nossa carne literalmente tem um preço. As partes com menos teor de gordura sendo as mais valorizadas, ou não. Na rua, anúncios trazendo seres como nós, fragmentados em outdoors, anúncios na TV e folhetos de supermercado. Olho um encarte com atenção. Ao lado de frutas em promoção, vejo partes de um corpo como o meu à venda. Me falta uma perna. Está lá: Pernil, ornamentado com belas ervas.
Na rua, eu e outro sujeito nos entreolhamos estranhamente. Ele não tem braços. “Fui pego de surpresa. Espetinho”, lamenta. Somos bens de consumo, com um preço modesto, baixo, torpe, pode variar. É a crise. Sinto cheiro rançoso. Reconheço. É bacon na chapa. “É de quando, meu amigo?”, pergunta o freguês. “É fresquinho. De um rapaz que abateram ontem, tinha 18 anos”, responde o dono do carrinho de cachorro-quente. “Tá certo. Manda ver!”
Sequestro de pessoas? Não. Comércio legal de carne humana. O mundo mudou. Hoje você come, amanhã você pode ser comido, dizem. Sabor? Carne de porco, com algumas variações. O direito à vida desapareceu, para não humanos e humanos. Atropelamentos, assassinatos. Cadáveres largados nas esquinas deixados para apodrecer. Ninguém se importa. Não há mais velórios. Os cemitérios desapareceram.
“Morreu? Quantos minutos? Se a carne estiver em bom estado, mande um caminhão para aproveitar o que sobrou.” Carne moída de primeira, segunda, terceira e quarta. Comida. A sua liberdade termina onde a fome do outro começa. “Tem dinheiro?” “Sim!”, “É só apontar o dedo que a gente recolhe”. Um arrastão leva 40 de uma vez. No matadouro, todo mundo tenta fugir. Impossível. Laço de bezerro. Espasmos, olhos vacilantes, pistola pneumática. Abate humanitário.
Uma breve reflexão de Natal
Te convido a refletir sobre o consumo de alimentos de origem animal no Natal.
A morte de Charles Manson e cartas de amor enviadas a assassinos
Ao ler sobre a morte de Charles Manson, que tinha 83 anos, e faleceu de causas naturais nos Estados Unidos, me recordei de notícias sobre as cartas que ele recebeu na prisão enquanto cumpria pena. Correspondências de mulheres que se diziam apaixonadas, e que gostariam de iniciar um relacionamento com aquele que ficou conhecido como um dos criminosos mais famosos do século 20, responsável pela fundação da seita que assassinou a atriz Sharon Tate, que estava grávida, em 1969.
Ele não foi o único a atrair esse tipo de atenção. Algo semelhante aconteceu com o Nightstalker, o serial killer Richard Ramirez, que até hoje é um dos recordistas de “correspondências de amor” recebidas por um condenado nos Estados Unidos. Desde 1989, Ramirez cumpria pena por 13 homicídios, 5 tentativas de assassinato, 11 estupros e 14 roubos, até que morreu em decorrência de um câncer em 7 de junho de 2013, aos 53 anos.
Na Noruega há o exemplo de Anders Behring Breivik, autor de um atentado que matou 77 pessoas em 22 de julho de 2011. Quando começou a cumprir pena, Breivik recebeu muitas cartas de mulheres. No Brasil, temos o exemplo do Tiago Henrique Gomes da Rocha que confessou ter assassinado 39 pessoas, principalmente mulheres, entre os anos de 2011 e 2014 em Goiânia. Rocha até hoje recebe pedidos de casamento por correspondência.
Se quiser ter filhos, seja feliz. Se não quiser, que seja também
Há um texto sendo compartilhado em mídias sociais em que um senhor afirma que os bebês estão perdendo espaço para os “pets” ou “animais domésticos”, e que por isso estamos nos afastando de nossa “vocação humana”. Para ser honesto, não gosto muito do termo “pet”, porque como disse James Cromwell algumas vezes em entrevistas sobre direitos animais, quando falamos em “pet” há uma objetificação, uma reafirmação de uma ideia de que estamos falando de um ser vivo que parece que existe para nos servir, nos entreter. Claro que a ideia não é condenar quem usa o termo inocentemente, mas sim propor uma pequena reflexão.
O sujeito que publicou o texto em que critica quem convive com animais, mas não tem filhos, se posiciona como filósofo. Eu não o conheço, mas sei que no contexto da filosofia não cabe, ou pelo menos não deveria caber, senso comum ou discurso apelativo ou imponderado. Optar por não ter filhos não faz de ninguém menos humano. Desde a minha infância, tenho recordações de pessoas incríveis que marcaram a minha vida e optaram por não ter filhos.
“Teu individualismo revela tua natureza tão decadente e insuportável que somente um animal, devido a inocência, é capaz de tolerar-te, de ‘suprir’ a tua dificuldade de conviver e amar, de retirar-te da solidão, um dos tantos males da contemporaneidade.” Quando o sujeito faz tal afirmação, e extremamente agressiva se analisarmos a escolha das palavras, tenho a impressão de que ele está se referindo a pessoas que vivem em estoica misantropia.
Conheço mães e pais que são solitários, assim como pessoas que não têm filhos e não têm nenhum dos problemas citados acima. O ponto crítico desse tipo de afirmação é a óbvia generalização. Ter filhos ou não tê-los é direito de cada um. No texto, o autor afirma que o ato de ter filhos nos “humaniza”. Realmente ter filhos pode contribuir muito para o desenvolvimento humano, tenho exemplos disso na família. Mas isso não diz respeito a todos os seres humanos.
Não tê-los não significa caminhar em direção oposta. Muitos assassinos, criminosos e corruptos são pais de alguém. Acompanhe as notícias da realidade da violência intrafamiliar no Brasil e no mundo. Segundo a Fundação das Nações Unidas para a Infância, só no Brasil são registrados cinco casos por hora de violência intrafamiliar.
Sendo assim, está claro que ter filhos não “humaniza” todo mundo. Na realidade, acredito que essa percepção do ser humano que se transforma com a maternidade ou a paternidade é romântica. Sim, ela existe, mas não tanto quanto as pessoas gostam de fazer parecer, o que naturalmente é uma herança histórica cultural. E claro, quando a alçamos a níveis irreais, ela é mais idealizada do que vivida.
Muitas vezes, pessoas que vivem reclusas em seus pequenos círculos sociais, em suas zonas de conforto, acabam por ter dificuldade em perceber a heterogeneidade que isso abarca. Ter filhos, sem dúvida, pode ser um ato de amor, mas não tê-los não é um ato de desamor. Ademais, sabemos que há muitas pessoas que somente colocam filhos no mundo, mas não os educam nem dão amor.
Desrespeito, ausência de limites, comportamento violento, desvio de caráter, imoralidade, abandono…; não raramente isso faz parte do kit Omissão e Falta de Estrutura Familiar. Além disso, em um país cada vez mais populoso, não acho justo condenar pessoas que não querem ter filhos. Que cada um tenha o direito de fazer suas próprias escolhas. Se quiser ter filhos, seja feliz. Se não quiser, que seja também.
Céu
Tem gente que olha pro céu à noite e vê um vazio, um breu, um pedaço sempiterno de caligem, um semivácuo da inexistência. Outros veem a completude de uma luz que existe fora do espaço físico, que pode ser mais rutilante do que o dia; aquilo que não pode ser guiado ou projetado por olhos destreinados, simplesmente porque a luz que brilha lá fora pode ser um contínuo da luz que brilha no íntimo.
Ocidentais e orientais e o consumo de animais
Uma diferença que percebo entre os ocidentais e os orientais no que diz respeito principalmente ao consumo de carne é que os ocidentais se esforçam para enquadrar seus maus hábitos alimentares que envolvem a exploração animal dentro de um conceito distorcido de bonomia, enquanto que os orientais assumem a responsabilidade de seus atos em relação a isso. Eles não se esforçam para tentar provar que são justos com os animais quando os matam.
Ou seja, há orientais que nos parecem bárbaros nos aspectos da exploração animal porque eles não têm vergonha de assumir o que fazem, enquanto que os ocidentais preferem delegar responsabilidades, tentando isentar-se de culpa. Não admitimos que digam que tratamos os animais com crueldade, porque nós enquanto ocidentais nos consideramos mais civilizados do que os outros, quando a verdade é que rejeitamos o fato de que tudo que os animais sofrem perpassa pela nossa responsabilidade.
Temos culpa em relação ao que outras espécies sofrem, mas nos consideramos melhores por não realizarmos festivais sangrentos a céu aberto, por não incentivarmos o abate ritual. Isso faz de nós melhores? Culturalmente falando estamos imersos em um contexto onde a morte é sempre justificável quando não somos nós que matamos embora pagamos.
Me parece que virou moda demonizar as redes sociais hoje em dia
Me parece que virou moda demonizar as redes sociais hoje em dia. Acredito que o problema não está em usar as redes sociais, mas sim em saber aproveitar o que elas têm de bom a oferecer. Ultimamente, tenho encontrado muitas pessoas falando de mídias sociais como se fossem o próprio demônio. Acho isso exagerado, até porque é uma importante ferramenta de divulgação do meu trabalho, e não tenho como não considerar isso positivo. Sejamos ponderados que tudo transcorre bem.
Quando alguém parecer agressivo com você na internet…
Quando alguém parecer agressivo com você na internet, talvez um exercício interessante seja fazer uma ou duas perguntas neutras e analisar as respostas. Se o discurso ainda parecer agressivo, provavelmente a pessoa está exaltada. “Por que eu faria isso?” Bom, porque muitas vezes as pessoas podem transmitir uma mensagem de forma equivocada, ou seja, transparecendo algo que não é o objetivo do emissor.






