David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

” Centenas de milhares de pinguins eram abatidos ali com pauladas”

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Foto: Konrad Wothe

“Ela leu sobre a Ilha Macquarie [a 1450 quilômetros da Austrália]. No século XIX, era o centro da indústria de pinguins. Centenas de milhares de pinguins eram abatidos ali com pauladas e jogados em caldeiras de vapor de aço fundido para ser separados em óleo útil e resíduo inútil. Ou nem abatidos com uma paulada, mas meramente tocado com varetas por uma prancha, direto para a boca do caldeirão fumarento. E os seus descendentes do século XX parecem não ter aprendido nada. Ainda saem nadando inocentemente para dar boas-vindas aos visitantes; ainda gritam saudações quando se aproximam dos viveiros. (Ho! Ho! dizem, pois todo mundo gosta de pequenos gnomos rústicos) e permitem que os visitantes se aproximem para tocá-los, para acariciar seu peito liso.”

Páginas 63-64 de “Elizabeth Costello”, de J.M. Coetzee, publicado em 2003.

Written by David Arioch

November 17th, 2017 at 10:01 am

Por que você acredita que o sofrimento de um animal não humano não é menor do que o humano na iminência da morte?

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— Por que você acredita que o sofrimento de um animal não humano não é menor do que o humano na iminência da morte?

Molly B., vaca que fugiu de um matadouro nos Estados Unidos em janeiro de 2006 (AP Photo/Great Falls Tribune, Robin Loznak)

— Acredito que o sofrimento de um animal não humano pode ser maior, sim, realmente maior, e por uma justificativa até simples – a incapacidade de racionalizar e verbalizar o que sente. Imagine a si mesmo em uma selva e diante de um animal muito maior e mais forte do que você. De repente, vocês estão diante um do outro, e não há nada que você possa fazer para impedir que ele o ataque e o mate. Afinal, ele não partilha do mesmo código comunicativo que você. Partindo da mesma situação de um animal prestes a ser abatido, ou seja, de total vulnerabilidade, eu diria que qualquer reação sua será em vão. Isto porque falo de situações equiparáveis.

Por exemplo, um animal na pista da morte em um matadouro está no mesmo estado de vulnerabilidade de uma pessoa desarmada e despreparada caminhando pela selva. Mas nisso subsiste uma distinção substancial. E qual seria? Se um animal me matasse em território selvagem, ele o faria instintivamente, seja por fome, medo, identificação de perigo ou qualquer outro fator que desencadeie essa reação. Já os animais cativos que matamos não nos apresentam qualquer perigo. São simplesmente criados para gerar lucro e saciar paladares, logo são mortos friamente.

Creio que não apenas legitimamos esse tipo de morte como a incentivamos e a incluímos, mesmo que arbitrariamente, na nossa moralidade antropocêntrica. Se ainda assim, a minha resposta não for o suficiente, sugiro que aqueles que discordam do meu posicionamento visitem matadouros e observem a reação dos animais antes de serem abatidos. Não é incomum eles recuarem, tentarem postergar o inevitável. Um animal que testemunha a morte de outro não se oferece para ser o próximo. Muito pelo contrário.

E a ausência de um código de comunicação em comum, sem dúvida torna tudo mais doloroso. Imagino que saberíamos, de fato, como é esse tipo de sentimento se uma espécie muito superior à nossa, e que tivesse um código de comunicação completamente diferente do nosso, fizesse algo parecido conosco. Claro, diferentemente dos selvagens, não despedaçamos nossas vítimas no instante em que as matamos. Porém, não fazemos isso depois? Os açougues e as seções de frios dos mercados provam que sim.

 





“Quero saber como é ser morcego para o morcego”

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Nagel: “Não ajuda nada tentar imaginar que, nos braços, temos membranas que nos permitem voar por aí “

“Não ajuda nada tentar imaginar que, nos braços, temos membranas que nos permitem voar por aí […] pegando insetos com a boca; que temos visão deficiente, e percebemos o mundo em torno por meio de um sistema de sinais sonoros de alta frequência refletidos; e que passamos o dia pendurados pelos pés, de cabeça para baixo, num sótão. Na medida em que sou capaz de imaginar isso (que não é muito), percebo como seria pra mim me comportar como morcego. Mas a questão não é essa. Quero saber como é ser morcego para o morcego. No entanto, se tento imaginar isso, me vejo limitado aos recursos da minha própria mente, e esses recursos são inadequados para a tarefa.”

Página 169 de “What Is It Like To Be a Bat?”, publicado no livro “Mortal Questions”, de Thomas Nagel em 1979.

Written by David Arioch

November 16th, 2017 at 9:48 am

“Em nenhum lugar de um zoológico o visitante encontra o olhar de um animal”

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Foto: We Animals/ Jo-Anne McArthur

“Em nenhum lugar de um zoológico o visitante encontra o olhar de um animal. No máximo, a mirada do animal pisca e passa adiante. Eles olham de soslaio. Olham cegamente adiante. Passeiam o olhar mecanicamente…Esse olhar entre animal e humano, que pode ter desempenhado um papel crucial no desenvolvimento da sociedade humana, e com o qual, em todo caso, todos os homens sempre conviveram até menos de um século atrás, foi extinto.”

Página 26 de “About Looking”, de John Berger, publicado em 1980.

 

Matar um animal, uma criatura que não quer morrer, é uma incontestável arbitrariedade

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Foto: We Animals/Jo-Anne McArthur

Matar um animal, uma criatura que não quer morrer, é uma incontestável arbitrariedade; uma facciosidade que parte de quem, por uma questão cultural, não vê nada de errado em subjugá-lo. Não conheço nenhuma história verídica de animal que sentiu prazer em tornar-se alimento. Ainda que isso acontecesse em um contexto fictício fundamentado na realidade, sabemos que até os animais considerados menos inteligentes não são tão tolos assim. Mesmo em um cenário ultrarromântico isso seria insidioso e baixo.

Ninguém nasce ansiando pela morte, nem aqueles que são mortos aos milhões. Logo não há como desconsiderar que se alimentar de animais significa nutrir-se da privação, mortificação e finitude de seres vulneráveis. Os níveis são diversos. Pode haver barbárie ou não. Mas não seria o anseio pela exploração e morte de outro um ato de barbárie em si? Muitos dizem em sua defesa que há métodos menos cruéis de se matar animais. Que podemos usurpar vidas que não nos pertencem sem a necessidade de violência excessiva.

Será que essa defesa se volta à minimização do sofrimento animal ou funciona como um afago na consciência humana? Será que nos importamos com os animais ou com a ideia de sermos vistos como menos empáticos, insensíveis ou incivilizados? Temos ojeriza pela possibilidade de sermos vistos como bárbaros porque vendemos um suposto padrão de exemplar civilidade.

A ideia de uma morte romanesca, em prol de seres humanos, logo de outra espécie, é sempre quixotesca sob a perspectiva antropocêntrica e especista. “Sou grato a esse animal que morreu para que eu possa me alimentar”, há quem diga antes de uma refeição. Mas será que a sua nutrição depende da exploração e morte de uma criatura senciente? Um prazer com duração de minutos é equiparável ao valor de uma vida?

A expressão de um animal instantes antes da morte revela explicitamente o quanto ele não anseia por tal gratidão, já que mesmo quando os criamos e os submetemos a um nível visceral de condicionamento, eles não se reconhecem verdadeiramente como seres que existem para nos servir. Afinal, servir ao ser humano não é uma característica natural de seres de outras espécies, mas somente uma consequência de séculos de condicionamento, agrilhoamento e subordinação forçada.





A crítica ao consumo de animais na escultura “O Comedor de Cadáveres”, de Paolo Troubetzkoy

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“Il Mangiatori di Cadaveri” é uma crítica ao consumo de animais

A escultura “Il Mangiatori di Cadaveri” ou “O Comedor de Cadáveres”, chamou bastante atenção na Exposição Internacional de Roma em 1913. Criada pelo artista italiano de origem russa Paolo Troubetzkoy, que era vegetariano, a obra é uma crítica ao consumo de animais. Quando começou a concebê-la, a proposta do escultor era mostrar a realidade e as consequências desse hábito, assim criando um cenário que revela a predominância do paladar, a indiferença, o destempero, a crueldade e a morte. Atualmente a escultura está resguardada no Museu Del Paessagio, na comuna italiana da Verbania, na região do Piemonte.

Troubetzkoy foi amigo do escritor russo Liev Tolstói, que o considerava um ser humano doce e inocente com grandes dons. A citação pode ser encontrada no livro “Tolstoy: A Life of My Father”, publicado em 1953 e em 1972, de Alexandra Tolstaya, filha de Tolstói. Quando o questionavam sobre o motivo dele não se alimentar de animais, Troubetzkoy respondia com parcimônia e voz tranquila: “Não posso me alimentar de cadáveres.” Em seu estúdio em São Petersburgo, ele produziu muitas obras captando a essência da importância da liberdade animal. O escritor George Bernard Shaw dizia que ele era um humanitarista extraordinário, incapaz de se alimentar de um animal.

O estilo de Troubetzkoy, marcado por intimismo e melancolia, deu origem a uma forma nervosa de impressionismo. Outras importantes personalidades de sua época e que viam uma qualidade rara em suas obras estavam o Barão de Rothschild, o conde Robert de Montesquiou, Gabriele D’Annunzio, Arturo Toscanini, Enrico Caruso e Giovanni Segantini.

O escultor lecionou na Academia Imperial de Belas Artes de Moscou e recebeu importantes prêmios – como o grande prêmio da Exposição de Paris em 1900. Além da Europa, suas obras também foram levadas para os Estados Unidos. “Como não posso matar, não posso autorizar os outros a matarem. Você entende? Se você compra [carne] de um açougueiro, você está autorizando a morte de animais – a morte de criaturas indefesas e inocentes, que nem eu nem você poderíamos matar”, declarou em entrevista registrada na página 22 da The Vegetarian Magazine em 1907.

Referências

Davis, Gail. Vegetarian Food for Thought. Página 69. New Sage Press (1999).

Tolstoy, Alexandra. “Tolstoy: A Life of My Father”. Octagon Books (1972).

The Vegetarian Magazine, Volume 11, página 22 (1907).

 





“Vixi, mano! Vegano?”

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Pintura: Tom Nuggent

Voltando para casa, encostei o carro rente ao meio-fio e atendi uma ligação. De repente, um cara em outro carro, e do outro lado da rua, esticou o pescoço para fora. Ele parecia levemente (ou não) embriagado.

— Ô, mano, que barba da hora. Empresta aí.
— O quê?
— A barba. Empresta aí.
— E como seria emprestar a barba?
— Corta um pedaço aí e joga pra cá.
O rapaz abriu o porta-luvas e mostrou um tubo de cola.
— Olhe aqui, problema resolvido.
Esfregou um pouco de cola nas maçãs e sorriu.
— Não posso fazer isso. Não faz o menor sentido — respondi.
— Eu pago, irmão. Não é de graça não. Olhe aqui, po. Já estou com o rosto branco.
— Por que você fez isso, cara? Isso é perigoso. É tóxico, e pra piorar essa cola nem deve ser vegana.
— Quê?
Silêncio. Começou a gemer e a tremer como se estivesse tendo uma convulsão.
Desci do carro para socorrê-lo.
— Rá! Te peguei! — gritou e começou a gargalhar.
Minha barba se encolheu como um pequeno arbusto massageando o meu pescoço.
— Não vai topar mesmo?
— Já disse. Não tenho interesse, mas obrigado.
— Caramba, mano! Você é mau!
— É que sou vegano. Toda vida importa pra mim, inclusive a da minha barba.
— Vixi, mano. Vegano? Mexo com essas coisas não. Valeu!
Deu partida no carro e foi embora com o rosto cheio de cola.


Written by David Arioch

November 15th, 2017 at 10:44 am

Natalja Nordman e Anna Barykova e suas contribuições ao vegetarianismo russo

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As escritoras Natalja Borísovna Nordman-Severova e Anna Pavlovna Barykova foram duas importantes vozes do vegetarianismo russo no final do século 19 e início do século 20. Elas realizaram um trabalho visando a inclusão do vegetarianismo no sistema educacional russo. Natalja, que também era sufragista, foi a responsável por apresentar o vegetarianismo ao famoso pintor realista russo Ilya Repin, que logo se tornou vegetariano.

Em 1911, ela publicou o livro “Povarennaia kniga dlia golodaiushchikh” ou “Livro de Receitas para Famintos”. A escritora fazia o possível para mostrar os benefícios e a importância do vegetarianismo, tanto que em sua casa servia apenas comida vegetariana. Até mesmo quem não era vegetariano ficava extasiado com os pratos servidos. Por sua casa, passaram artistas e intelectuais como Maxim Gorky, Vladimir Mayakovsky, Vasily Polenov, Isaak Brodsky, Filipp Malyavin, Vladimir Bekhterev, Nicolai Fechin e Aleksandr Kuprin.

Já a contribuição de Anna Barykova diz respeito principalmente às questões éticas do tratamento e adoções de animais na Rússia do final do século 19. Além de divulgar os benefícios da alimentação vegetariana e discutir as implicações éticas do consumo de animais em instituições de ensino, Barykova traduziu para o russo e publicou o poema “Queen Mab: A Philosophical Poem; With Notes”, do escritor vegetariano inglês Percy Bysshe Shelley, lançado em 1813.

Ela Também traduziu cinco obras do poeta e dramaturgo inglês John Gay que levanta questionamentos sobre a crueldade e a imoralidade humana em relação aos animais: “Pythagoras and the Countryman”, “The Beggar’s Opera,” “The Wild Boar and the Ram,” “The Court of Death” e “The Philosopher and the Pheasants.”

Referências

Notaker, Henry. A History of Cookbooks: From Kitchen to Page Over Seven Centuries.  Páginas 231-232. California Studies in Food and Culture (Book 64). University of California Press (2017).

Shulga, Alexey. The History of Russian Veganism: In A Nutshell. Vegan Publishers (2015).

 





Se quiser ter filhos, seja feliz. Se não quiser, que seja também

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Os animais não afastam o ser humano de sua “humanidade”. Na realidade, eles a estimulam.

Há um texto sendo compartilhado em mídias sociais em que um senhor afirma que os bebês estão perdendo espaço para os “pets” ou “animais domésticos”, e que por isso estamos nos afastando de nossa “vocação humana”. Para ser honesto, não gosto muito do termo “pet”, porque como disse James Cromwell algumas vezes em entrevistas sobre direitos animais, quando falamos em “pet” há uma objetificação, uma reafirmação de uma ideia de que estamos falando de um ser vivo que parece que existe para nos servir, nos entreter. Claro que a ideia não é condenar quem usa o termo inocentemente, mas sim propor uma pequena reflexão.

O sujeito que publicou o texto em que critica quem convive com animais, mas não tem filhos, se posiciona como filósofo. Eu não o conheço, mas sei que no contexto da filosofia não cabe, ou pelo menos não deveria caber, senso comum ou discurso apelativo ou imponderado. Optar por não ter filhos não faz de ninguém menos humano. Desde a minha infância, tenho recordações de pessoas incríveis que marcaram a minha vida e optaram por não ter filhos.

“Teu individualismo revela tua natureza tão decadente e insuportável que somente um animal, devido a inocência, é capaz de tolerar-te, de ‘suprir’ a tua dificuldade de conviver e amar, de retirar-te da solidão, um dos tantos males da contemporaneidade.” Quando o sujeito faz tal afirmação, e extremamente agressiva se analisarmos a escolha das palavras, tenho a impressão de que ele está se referindo a pessoas que vivem em estoica misantropia.

Conheço mães e pais que são solitários, assim como pessoas que não têm filhos e não têm nenhum dos problemas citados acima. O ponto crítico desse tipo de afirmação é a óbvia generalização. Ter filhos ou não tê-los é direito de cada um. No texto, o autor afirma que o ato de ter filhos nos “humaniza”. Realmente ter filhos pode contribuir muito para o desenvolvimento humano, tenho exemplos disso na família. Mas isso não diz respeito a todos os seres humanos.

Não tê-los não significa caminhar em direção oposta. Muitos assassinos, criminosos e corruptos são pais de alguém. Acompanhe as notícias da realidade da violência intrafamiliar no Brasil e no mundo. Segundo a Fundação das Nações Unidas para a Infância, só no Brasil são registrados cinco casos por hora de violência intrafamiliar.

Sendo assim, está claro que ter filhos não “humaniza” todo mundo. Na realidade, acredito que essa percepção do ser humano que se transforma com a maternidade ou a paternidade é romântica. Sim, ela existe, mas não tanto quanto as pessoas gostam de fazer parecer, o que naturalmente é uma herança histórica cultural. E claro, quando a alçamos a níveis irreais, ela é mais idealizada do que vivida.

Muitas vezes, pessoas que vivem reclusas em seus pequenos círculos sociais, em suas zonas de conforto, acabam por ter dificuldade em perceber a heterogeneidade que isso abarca. Ter filhos, sem dúvida, pode ser um ato de amor, mas não tê-los não é um ato de desamor. Ademais, sabemos que há muitas pessoas que somente colocam filhos no mundo, mas não os educam nem dão amor.

Desrespeito, ausência de limites, comportamento violento, desvio de caráter, imoralidade, abandono…; não raramente isso faz parte do kit Omissão e Falta de Estrutura Familiar. Além disso, em um país cada vez mais populoso, não acho justo condenar pessoas que não querem ter filhos. Que cada um tenha o direito de fazer suas próprias escolhas. Se quiser ter filhos, seja feliz. Se não quiser, que seja também.





Written by David Arioch

November 14th, 2017 at 2:13 pm

A morte de Chuck Mosley

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Chuck Mosley faleceu no último dia 9 de novembro

Fiquei sabendo agora que o Chuck Mosley faleceu. Triste. Embora eu curta muito o vocal do Mike Patton, Mosley fez história com o Faith No More também. Cantei muito “We Care a Lot” na minha adolescência nos anos 1990. Música que deu origem ao disco homônimo dos caras em 1985.

Written by David Arioch

November 12th, 2017 at 11:34 pm