David Arioch – Jornalismo Cultural

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A trégua de Benedetti

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Benedetti conta a história de um homem em crise existencial (Foto: Divulgação)

Autor conta a história de um homem em crise existencial (Foto: Divulgação)

Lançado em 1960, o livro “A Trégua”, do escritor uruguaio Mário Benedetti, referência em literatura latino-americana, foi escrito em forma de diário e narra a história de Martín Santomé, um homem de meia-idade que há muito tempo perdeu a comunicação com os filhos, embora morem na mesma casa.

De poucos amigos, tem uma rotina monótona e marcada pela resignação e opacidade. Se contenta em registrar os dias que faltam para se aposentar. Porém, tudo muda com a chegada da jovem tímida Laura Avellaneda, com quem redescobre a própria identidade e capacidade de amar. Dependendo da versão, o livro pode ser encontrado no Brasil por preços que variam de R$ 15 a R$ 40.

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Written by David Arioch

January 30th, 2016 at 7:38 pm

Um paraíso para amantes da literatura

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Long Room da Old Library de Dublin (Foto: Temples of Knowledge)

Long Room da Old Library de Dublin (Foto: Temples of Knowledge)

Dublin, na Irlanda, tem uma população equivalente a de Londrina, no Norte do Paraná. E o mais incrível, com uma colossal biblioteca. Desconheço qualquer coisa parecida em território brasileiro. São as diferenças do Velho Mundo para o Novo Mundo. A foto destaca o Long Room da Old Library.

Incrível como o Fazendão (Dublin) com seus pouco mais de 500 mil habitantes foi terra natal de nomes inestimáveis da literatura mundial (além, claro, de outras ramificações da arte e cultura), como Bram Stoker, James Joyce, Samuel Beckett, Oscar Wilde, William Butler Yeats, Jonathan Swift, George Bernard Shaw, Seán O’Casey, Roddy Doyle, Maeve Binchy, J.M. Synge e Brendan Behan.

Acesse: templesofknowledge.com

Written by David Arioch

January 21st, 2016 at 11:30 pm

A simplicidade de Faulkner

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William Faulkner

Faulkner preferia a simplicidade ao luxo (Foto: Revista Life)

Sem luxo, era assim que o escritor William Faulkner, um dos maiores nomes da literatura dos EUA, autor de clássicos como “As I Lay Dying”, “Sanctuary”, “The Sound and the Fury”, “A Rose for Emily”, “Light in August” e “Absalom, Absalom!”, gostava de produzir –  imerso num estilo de vida que aspirava à simplicidade.





Written by David Arioch

January 18th, 2016 at 11:24 pm

Julio Cortázar vai ao teatro

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“Nada somos, apenas estamos, nos diz Cortázar, mostrando que vivemos de atravessamentos”

Coletivo Portátil do Theatro de Alumínio se apresenta em Paranavaí no dia 17 (Foto: Divulgação)

Coletivo Portátil do Theatro de Alumínio se apresenta em Paranavaí no dia 17 (Foto: Divulgação)

No dia 17, sábado, às 20h30, o Coletivo Portátil do Theatro de Alumínio, de Curitiba, vai apresentar no Teatro Municipal Dr. Altino Afonso Costa, em Paranavaí, no Noroeste do Paraná, o espetáculo “Cronópios da Cosmopista” que propõe um jogo de espelhos entre o escritor argentino Julio Cortázar, um dos mais importantes nomes da literatura latino-americana, sua obra e o olhar dos artistas em cena. O evento que tem entrada gratuita é patrocinado pelo Sesi Cultural.

Cortázar é o verdadeiro protagonista da peça “Cronópios da Cosmopista”, criada a partir de texto inédito inspirado em fragmentos reinventados, canções, poemas e frases de um realismo fantástico que nasce da gestação de vários mundos dentro de um. “São mundos que se desdobram e se fundem. O fim e o começo, paralelos e sem cronologia, nos dão chão e também nos retiram dele”, comenta o ator e diretor Rafael Camargo que transita pela música e convida o público a mergulhar em questões existenciais.

Especialista em teatro experimental, principalmente em usar a ausência de ação física como estética teatral, Camargo leva ao palco não um espetáculo de personagens, mas de relações criadas a partir de situações e diferentes contextos. “Nada somos, apenas estamos, nos diz Cortázar, mostrando que vivemos de atravessamentos”, destaca o diretor que divide o palco com Christiane de Macedo e Diego Marchioro.

O primeiro espetáculo do Coletivo Portátil do Theatro de Alumínio foi “Amoradores de Rua”, lançado em 2010, seguido por “End” e “Uma Entre Mil Histórias de Amor”, de 2011. No ano seguinte, estrearam “Buraco da Fechadura”, baseado na obra de Nelson Rodrigues. “Em ‘Cronópios da Cosmopista’, de 2013, observamos o desenvolvimento e as possibilidades do nosso encontro e torcemos para que ele seja sempre tão prazeroso para o público que nos assiste quanto é para nós que o realizamos”, declara Camargo.

Cortázar ocupa a mesma posição de destaque na literatura mundial que o seu conterrâneo Jorge Luis Borges (Foto: Divulgação)

Cortázar ocupa a mesma posição de destaque na literatura mundial que o seu conterrâneo Jorge Luis Borges (Foto: Divulgação)

Todos os espetáculos do grupo nascem de processos colaborativos que envolvem atores, diretor, dramaturgo e equipe técnica. A proposta é refletir sempre a expressão artística como meio de discussão de temas bem atuais, que questionam a complexidades das ações humanas e sua natureza. No ano passado, e com a parceria do Centro Cultural Teatro Guaíra, o grupo criou a Mostra Coletivo Portátil do Theatro de Alumínio que levou ao público do Auditório Salvador Ferrante, o Guairinha, as peças “Cronópios da Cosmopista e “Buraco da Fechadura”.

Julio Cortázar, o mestre do conto curto e da prosa poética

Considerado o mestre do conto curto e da prosa poética, o escritor argentino Julio Cortázar ocupa a mesma posição de destaque na literatura mundial que o seu conterrâneo Jorge Luis Borges. Cortázar entrou para a história como um autor original que inovou na literatura ao se afastar da forma clássica de escrever.

Fugindo da linearidade, se destacou pela perene preocupação em se aprofundar no perfil psicológico de seus personagens, garantindo a eles autonomia e proporcionando ao leitor uma imersão numa criação espontânea que, identificada como realismo mágico, precede qualquer avaliação crítica.

Maior exemplo disso é o seu livro mais famoso. “Rayuela” ou “O Jogo da Amarelinha”, de 1963, que convida o espectador a fazer as mais diferentes interpretações da história surrealista de Horacio Oliveira, baseada em um monólogo interior.

Agenda do espetáculo “Cronópios da Cosmopista”

Dia 15 – Maringá

Dia 16 – Umuarama

Dia 19 – Cianorte

Dia 27 – Campo Mourão

Quatro anos de parceria com o Sesc

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Alguns escritores me marcaram mais do que outros, mas sem dúvida todos deram sua contribuição

Eu, Bárbara Lia e Ricardo Chacal no bate-papo de ontem (Foto: Gislaine Pinheiro)

Eu, Bárbara Lia e Ricardo Chacal no bate-papo de ontem (Foto: Gislaine Pinheiro)

Ontem completou quatro anos desde que o Sesc Paranavaí me convidou pela primeira vez para mediar um bate-papo com alguns dos mais importantes autores da literatura brasileira contemporânea. Desde então, conheci muita gente, tanto na Semana Literária quanto no projeto Autores e Ideias. Alguns escritores me marcaram mais do que outros, mas sem dúvida todos deram sua contribuição. Ouso até dizer que o que aprendo com esses autores me garante o equivalente a anos de conhecimento.

Eles se doam no que fazem, e estão sempre lá bem dispostos, independente se o público é grande ou pequeno; se a maioria conhece ou desconhece suas obras. O mais importante é esparramá-la, disseminá-la. Com naturalidade, descortinam aquela ideia obsoleta, anacrônica, de que existe uma barreira entre o escritor e o leitor. Não me considero e nunca me considerei um mediador. Sou na realidade um aprendiz que tem boas oportunidades de conhecer pessoas sensíveis que fazem a diferença na cultura brasileira e que também contribuem para a minha formação humana, mesmo que o tempo seja curto para tantas lições.

Às vezes me empolgo tanto que deixo os convidados irem além do tempo estabelecido pela organização do evento – daí recebo algumas broncas e fica tudo bem. E sempre que posso, e não esqueço também, carrego meu gravador. Claro, porque no fundo o que melhor me define é a palavra ouvinte. E sem dúvida, sou muito grato ao Sesc pelo belo e aguerrido trabalho de estimular o interesse pela cultura em sua miríade de formas, mesmo que seus eventos ainda sejam pouco valorizados pela população.

Na foto da artista Gislaine Pinheiro – eu, a paranaense Bárbara Lia e o carioca Ricardo Chacal no bate-papo de ontem. Fiquei muito feliz de reencontrar o Chacal e conhecer a Bárbara Lia. São duas figuras ímpares que se destacam por acreditar na verdadeira arte, aquela que luta para sobreviver independente das exigências do mercado e da indústria cultural. Ou seja, duas forças de resistência na contramão de um mundo veloz que tenta nos moldar de acordo com a sociedade de consumo e sua obsolescência programada.

Literatura, Paulo Coelho, culinária e Alexandre Dumas

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Há quem acredite que para ser escritor ou leitor é importante desprezar alguns autores

Sempre me pareceu muito clichê desprezar o trabalho do Paulo Coelho (Foto: Divulgação)

Sempre me pareceu muito clichê desprezar o trabalho do Paulo Coelho (Foto: Divulgação)

Em 2014, participei do lançamento do novo livro de um escritor que prefiro não dizer o nome. É um autor relativamente conceituado no cenário da literatura e que me pareceu ser uma pessoa que valia a pena conhecer. Após o lançamento, houve um bate-papo com o escritor e infelizmente percebi mais uma vez que há autores que se preocupam mais em apelar para o senso comum, o que eu chamo de “malhar o Judas”, talvez visando conquistar com mais facilidade a cumplicidade da plateia, do que propor um diferencial, surpreendê-la com alguma ideia menos usual e que instigasse a reflexão.

Nem todo escritor é obrigado a ser bom em lidar com o público, até porque não é sua obrigação, mas é sempre estranho encontrar uma pessoa com uma capacidade tão complexa de raciocínio e criatividade se condicionando a repetir ideias fragilizadas e facilmente questionáveis. Como acontece em qualquer lugar hoje em dia, o referido escritor fez questão de despender uma parte do bate-papo para falar mal do trabalho do escritor Paulo Coelho, ou seja, uma pessoa que não acrescenta nem diminui nada na literatura desse autor. Então por que ele o “criticou”?

A impressão que fica é que para ser “escritor de verdade” ou “leitor de verdade” é importante desprezar alguns ou muitos autores. Parece existir uma lista sistemática com nomes seletos que determinam que você só é escritor ou leitor se ler este ou aquele, o resto não interessa. Sempre me pareceu muito clichê desprezar o trabalho do Paulo Coelho. Acredito até que são justamente as chamadas “críticas” e “desconsiderações” pelas suas obras que o tornam ainda mais popular no Brasil. O homem nem precisa investir em publicidade. Até quem nunca leu seus livros gosta de arremessar uma pedra que reverbera seu nome.

Depois de deixar claro o seu desprezo por Paulo Coelho, o autor declarou que hoje em dia o mercado editorial brasileiro está ruim porque há pessoas que nunca escreveram ocupando o espaço dos verdadeiros escritores. Ora, deveria haver um concurso em que quem for reprovado ou não se enquadrar nos temas e gêneros propostos não tem o direito de escrever? Nessa linha de pensamento, posso inferir que os leitores também não deveriam ter o direito de ler o que querem? Alguns dos maiores nomes da literatura universal se lançaram no mundo de forma independente. Rimbaud que o diga.

Alexandre Dumas já reconhecia a importância da culinária no século XIX (Arte: Reprodução)

Alexandre Dumas já reconhecia a importância da culinária no século XIX (Arte: Reprodução)

Bom, mas continuando. O escritor “criticou” também o trabalho de Laurentino Gomes, defendendo que o que ele faz não é literatura. Pode não ser literatura ficcional, mas não deixa de ser literatura, tanto que ele recebeu prêmios que se enquadram em categorias literárias, o que é mais do que um contraponto ao comentário feito pelo autor. Eu, como fã de culinária e gastronomia, tive que ouvir um escritor com mais tempo de literatura do que eu de idade declarar que outra “porcaria” que estraga o mercado editorial são os livros de culinária. Bom, generalizações à parte, culinária é cultura e sempre vai ser, independente do que quem não gosta ou não entende do assunto pense.

Com a tal “porcaria”, é possível aprender muito sobre as civilizações, e não falo apenas de hábitos e costumes, mas também de história, crenças, valores, capacidade de adaptação às adversidades e preservações ou transformações étnicas. A culinária sempre teve estreita relação com um ou diversos contextos. Ela já foi determinante na sobrevivência e ascensão de muitos povos em períodos de guerra, por exemplo. Em síntese, a culinária pode ter conotação econômica, social e até política. Muitos povos tiveram suas identidades, histórias e legados fortalecidos graças à culinária.

No século XIX, o escritor francês Alexandre Dumas, eternizado por obras como “Os Três Mosqueteiros”, “O Conde de Monte Cristo” e “Os Irmãos Corsos”, já reconhecia isso, tanto que dedicou os últimos anos de vida a escrever “O Grande Dicionário de Culinária”, lançado em 1873, três anos após sua morte. Na minha opinião, dizer que livros de culinária não merecem espaço é simplesmente um preconceito tolo e que revela um ego inflado por um desejo de cerceamento que nasce da incapacidade em lidar com as diferenças.

Written by David Arioch

March 23rd, 2015 at 2:03 pm

Desinformação, incompreensão, desinteresse e paranoia

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Literatura, Marina Colasanti, Paulo Venturelli e cultura em geral

Marina Colasanti: "a literatura em si já vem embutida de formação."

Marina Colasanti: “A literatura em si já vem embutida de formação.” (Foto: Reprodução)

No sábado, a Folha de S. Paulo publicou uma entrevista interessante com a escritora Marina Colasanti defendendo que livros de histórias infantis não precisam ser educativos. Acho que quem conhece o trabalho dela entende que essa posição é defendida há muito tempo, não apenas agora. Ela inclusive viaja o Brasil discutindo sobre o assunto.

Como a própria autora diz, a literatura em si já vem embutida de formação. Hoje de manhã, quando abri o Facebook, a primeira matéria que apareceu no meu feed de notícias foi essa. Então decidi olhar brevemente os comentários. Talvez por ingenuidade, achei que encontraria apenas opiniões interessantes e construtivas.

Em meio a tantos bons comentários, alguns extremamente negativos, erráticos e vazios em sentido me chamaram a atenção. Uma professora de Apucarana, no Paraná, funcionária da rede estadual de ensino, comentou o seguinte sobre a declaração de Marina Colasanti: “Da onde vem esses completos idiotas, querendo ferrar com uma nação toda!”

Outro sujeito disse que o vermelho ao fundo da foto revela a origem ideológica de Marina Colasanti (acredite, não foi uma piada). Sem dúvida, faz muito sentido, ainda mais se levarmos em conta o fato de que a escritora declarou apoio ao Aécio Neves durante as eleições. Na mesma postagem, um rapaz “vociferou” que com tal comentário Marina Colasanti está defendendo a desconstrução do Brasil.

Esses exemplos me lembraram dois episódios. O primeiro foi há poucos meses, quando o escritor Paulo Venturelli, radicado em Curitiba, ministrou uma palestra e ao final o questionaram sobre o que os professores poderiam fazer para estimular nos mais jovens o interesse pela leitura. Muita gente não gostou da resposta do autor, mas provavelmente ele se valeu de sua experiência de décadas trabalhando com literatura. “Comece lendo. Leia de verdade. Um professor não pode cobrar leitura de um aluno se ele mesmo não lê”, respondeu Venturelli que também é professor.

Paulo Venturelli: “Um professor não pode cobrar leitura de um aluno se ele mesmo não lê."

Paulo Venturelli: “Um professor não pode cobrar leitura de um aluno se ele mesmo não lê.” (Foto: Reprodução)

Com esse comentário, o escritor deixou subentendido que quanto mais você lê, mais ideias você tem de como estimular a leitura. Do contrário, há de se sentir sempre anuviado. O segundo episódio não tem relação direta com literatura, mas sim com a cultura em geral.

Em 2008 ou 2009, não tenho mais certeza do ano, um grupo de professores da rede estadual de ensino entrou em contato comigo pedindo para eu apresentar voluntariamente uma sessão especial do projeto Mais Cinema na Casa da Cultura Carlos Drummond de Andrade, em Paranavaí, no Noroeste do Paraná. Eles queriam que eu exibisse um filme sobre os mais diversos aspectos da exploração infantil. Gostei da ideia e me comprometi também em fazer a análise do filme e discutir o assunto com dezenas de alunos e alguns professores.

Pois bem, durante a exibição do excelente filme All The Invisible Children, de 2005, dividido em sete curtas realizados em várias partes do mundo, alunos e professores ficaram boa parte do tempo falando ao celular e enviando sms. Alguns saíam do ambiente para conversar e depois retornavam. Era como se estivessem em casa assistindo TV. Imitavam sons de animais, deitavam e pulavam sobre as poltronas com a conivência dos professores.

Naquele dia, curiosamente, havia sete ou oito professores na Casa da Cultura. Desse total, três ou quatro foram embora antes do filme terminar. Me recordo que uma professora que resistiu para ficar até o final manteve-se recostada contra a porta, ansiosa para ir embora. Quando acabou a sessão, acredito que não havia mais do que 40% do público inicial. No fim, não houve avaliação nem discussão alguma, claro, por desinteresse dos que ficaram.

Não estou dizendo que são casos que se aplicam a muitos professores, até porque não é minha intenção quantificar nada. Só acredito que se você não está disposto a desempenhar um bom trabalho, fazer alguma diferença, talvez seja mais viável trilhar outro caminho. Quem sabe, mudar de área. Há incongruências que atingem todas as profissões. Ainda assim, acredito que o relato vale a reflexão. Há uma relação curiosa entre as três situações e deixo a cada um a livre interpretação.

Sobre H.P. Lovecraft

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Lovecraft faleceu com apenas 46 anos (Foto: Reprodução)

O escritor estadunidense H.P. Lovecraft é uma das minhas principais referências da literatura do horror, assim como Edgar Allan Poe. Sem dúvida, o gênero deve muito a ele. O próprio cinema de terror não seria o que é hoje se não fosse pela criatividade de Lovecraft, o Mestre Cthulhu reverenciado até mesmo por uma infinidade de bandas espalhadas pelo mundo.

H.P. é um autor que faz parte de todas as fases da minha vida: infância, pré-adolescência, adolescência e fase adulta. Sem Lovecraft, não teríamos uma infinidade de obras literárias, filmes e músicas que fazem referência ao intrigante Necronomicon, O Livro dos Mortos, além de outras criações fantásticas. O preciosismo e realismo de suas obras, embora fantasiosas, há quase 90 anos estimulam pessoas de todas as partes a procurarem o Necronomicon de Abdul Alhazred, escrito em 730 d.C, de acordo com o conto “The Hound”. É uma pena que H.P. Lovecraft tenha morrido com apenas 46 anos.

A ode à natureza de Leaves of Grass

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Obra é considerada a mais emblemática de Walt Whitman

Walt Whitman exaltava a vida em todas as suas formas (Foto: Reprodução)

Em 4 de julho de 1855, o poeta humanista estadunidense Walt Whiman publicou “Leaves of Grass”, ou “Folhas de Relva”, um livro muito barato (é possível encontrar até por menos de R$ 20), considerando a sua grandiosidade reflexiva. Logo na primeira leitura faz qualquer pessoa se questionar sobre o desespero da humanidade em meio ao consumismo e materialismo, embora não seja algo tão direto ou explícito.

É uma obra transcendental que mergulha no simbolismo para construir alegorias que de forma sorrateira ou até arrebatadora subtraem o ser humano de sua leniência, torpor e preguiça existencial – aqui me refiro ao viver para além de si mesmo e do próprio bolso. No livro, não há moralidade, assim como não há imoralidade, o próprio título faz menção a uma relva que incorporada na natureza carrega também a essência e o espírito dos humanos e dos animais.

Em Leaves of Grass, Whitman exalta a vida em todas as suas formas, ressaltando que a poesia já nasce embutida não apenas na natureza, mas também no ser humano, embora interpreto que nos dias atuais, com o emergir do individualismo, não seja nada difícil encontrar quem negue o tempo todo a si mesmo o direito à existência poética e harmoniosa. Em um mundo caótico e intolerante, de grande desenvolvimento de males psicológicos, ler Walt Whitman é mais salutar que um medicamento, com o bônus de que não há colaterais negativos.

Abaixo cito um fragmento do meu exemplar de Leaves of Grass:

“Ame a terra, o sol e os animais. Despreze as riquezas, dê esmolas a todos aqueles que lhe pedem. Levante-se para o burro e também para o louco. Dedique também sua renda e trabalho aos outros. Odeie tiranos e não discuta sobre religião. Tenha paciência e indulgência para com o povo e sempre tire o chapéu para conhecidos ou desconhecidos. Leia estas folhas ao ar livre em cada estação de cada ano da sua vida e reexamine tudo o que foi dito na escola, igreja, livro ou qualquer outro lugar. Rejeite tudo aquilo que ofende a sua alma e carne e será um grande poema. Terá uma fluência mais rica não apenas em palavras, mas nas linhas silenciosas de seus lábios e rosto, e ainda entre os cílios de seus olhos e cada movimento e articulação do seu corpo.”

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Written by David Arioch

November 11th, 2012 at 1:57 pm

Hermann Hesse se correspondia com mais de seis mil leitores

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Hermann Hesse preferia se comunicar por cartas (Foto: Reprodução)

Embora ostracista, o escritor alemão Hermann Hesse, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1946, se correspondia com pessoas do mundo todo. Às vezes, mais de 1/3 do seu dia era dedicado a responder cartas. Ao longo da vida, recebeu mais de 20 mil correspondências de mais de seis mil remetentes de 100 países, segundo o Arquivo Suíço de Literatura. Todas foram respondidas por Hesse que curiosamente não gostava de visitas. O escritor é famoso por obras que se tornaram clássicos da literatura mundial, como “Demian”, “Sidarta”, “O Lobo da Estepe”, “Narciso e Goldmund” e “O Jogo das Contas de Vidro”.

Written by David Arioch

November 11th, 2012 at 11:52 am