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Aplicativo que conta com moeda própria promete tornar o estilo de vida vegano mais acessível
Esta semana, o CEO Isaac Thomas anunciou o lançamento do aplicativo VeganNation, que tem o propósito de tornar o estilo de vida vegano mais acessível, criando uma comunidade global descentralizada e rica em recursos que podem ajudar as pessoas nos mais diversos aspectos de uma vida livre de ingredientes e produtos de origem animal.
Embora tenha sido idealizado para unir e facilitar a vida dos veganos, o aplicativo é destinado a qualquer pessoa que queira se abster do consumo de animais. O que também chama a atenção no VeganNation é que ele conta com moeda própria – o VeganCoin, baseado em criptografia rastreável, e que pode ser usada para uma série de serviços oferecidos na plataforma, incluindo compra e venda de alimentos, refeições e produtos. Uma pessoa do Brasil pode comprar, por exemplo, facilmente um produto vegano disponibilizado na plataforma por uma pessoa ou empresa da Islândia. Não há restrições de origem e destino. O aplicativo também permite permutas.
“A sábia Fela Durotoye disse: ‘Uma nação não é definida por suas fronteiras, uma nação é definida por pessoas diferentes que se unem por uma causa e por um sistema de valores comprometidos com uma visão do tipo de sociedade em que desejam viver e garantir às futuras gerações”, disse o CEO da VeganNation, Isaac Thomas. A plataforma também se volta para o ativismo em prol do veganismo, já que oferece recursos para o compartilhamento de conteúdo entre usuários de qualquer país.
Um desabafo vegano (ou não)
Pessoas que fazem clubismo ou criam panelinhas no “meio vegano”, que boicotam ou rejeitam pessoas que fazem um trabalho sério? Não, obrigado. Prefiro ser um sujeito inclusivo mesmo. Ninguém é porta-voz do veganismo. As pessoas podem ser porta-vozes de organizações, grupos, etc. Porém, ninguém dita quem é mais vegano ou não; ou como as pessoas devem se comportar para parecerem mais ou menos veganas. O veganismo é um movimento, de fato, com toda a sua representatividade, mas ninguém tem autoridade para falar como se o veganismo fosse uma patente que pertencesse a si mesmo.
É a mesma coisa quando alguém cria algo que sobrevive mesmo após a sua morte. Essa coisa cria vida, se torna maior do que ela, e desenvolve raízes que nem o seu criador é capaz de controlar ou mensurar. Afinal, somos humanos, e nossa pequenez é evidente. A reconheço desde os primeiros anos de vida, porque assim fui criado. Vejo o veganismo da mesma forma. E devo dizer que acho lamentável quando encontro pessoas se comportando como se elas fossem os arautos de um movimento.
Sim, me identifico como vegano, porque é o termo que melhor condiz com a forma como encaro os animais. Porém, volto a dizer mais uma vez: “O veganismo pra mim não é uma questão de identidade, não sou vegano para parecer diferente aos olhos de ninguém.” Ser chamado de vegano ou não, não muda nada para mim. O meu trabalho é contra a exploração de animais. Gosta do meu trabalho? Obrigado. Não gosta? Sem problema também.
Não busco clubismo, busco inclusão, disseminação da informação. Não quero ser louvado ou idolatrado por ninguém. Quero apenas respeito e consideração. Faço um trabalho solitário, de fato, mas esse trabalho é motivado pela minha consciência e pelo meu coração, logo razão e sensibilidade. E isso me basta porque a minha ideologia é basicamente o respeito à vida.
Um vegano no churrasco
— Boa tarde
— Boa tarde…
— Então você é o tal do cara que não consome carne, ovos, leite e tal?
— Bom, não sei se podemos dizer que sou o tal cara, já que há mais pessoas como eu, que não se alimentam de animais. Acho mais justo dizer que sou apenas “um dos caras”.
— Sei.
— Mas nem uma linguicinha de vez em quando para socializar com os amigos? Ninguém vai ficar sabendo, só entre nós.
— Acho que é bem possível socializar com os amigos sem a “linguicinha”. Bom, se bem que posso preparar Bucanera também, caso alguém queira.
— Bucanera? Que diabos é isso?
— É a minha linguiça vegetal e consideravelmente saudável.
— Sei. Mas se é vegetal não é linguiça, né? E saudável? Isso tá muito errado, cara!
— Por que não?
— Por que não vem de bicho, ora!
— E a páprica, o alho, a cebola e a pimenta que dão o sabor à linguiça são provenientes de quais animais?
— O que isso tem a ver? Não vamos distorcer as coisas. Linguiça é linguiça e ponto.
— Você tem razão. Sou um linguiceiro veganamente contraventor.
— O quê?
— Continuarei chamando de linguiça.
— Não! Não! Não! Ninguém morreu, ora! Ninguém morreu! Ninguém foi despedaçado! Você não juntou nem pagou para que alguém embalasse vísceras, cartilagens, miúdos, sangue, pedaços suculentos de gordura – deliciosos sebinhos em uma apetitosa tripa de porco. Sua linguiça nem mesmo deve ter uma quantidade de sódio que ultrapassa a ingestão diária de um adulto.
— Entendo. Que sabor magnificente tem a carne em seu estado natural, não é mesmo? Apague o fogo da churrasqueira. Por que perder tempo temperando tudo com ingredientes vegetais? Pra que fogo? Que tal simplesmente comer direto da fonte? Não pouparíamos tempo e trabalho? Imagine o deleite de socializar dilacerando uma vida com os próprios dentes. Poderíamos rasgar e comer partes ainda quentes de um animal com seu coração pulsando ruidosamente. Imagine toda a adrenalina, serotonina e endorfina desencadeadas pelo prazer dessa deliciosa violência. Afinal, não é pra isso que temos os nossos caninos? Nossas garras? Nossa agilidade felina?
— Que nojo, cara! Você é bem sinistro. Olhe, nada contra você, mas você é um tipo bem radical.
“E se você estiver em uma ilha deserta, só você e um porco?”
— Me falaram que você é vegano.
— Sim…
— E isso significa que você não come nada de origem animal?
— Isso mesmo.
— E posso fazer a piada do peixe?
— Não seria muito original, creio eu…
— Ah! Ok…
— Mas e se você estiver em uma ilha deserta, só você e um porco?
— Por que um porco?
— Sei lá, porco, galinha, vaca, avestruz…
— Acho que seria lindo…
— Lindo?
— Sim…
— Mas e a comida? Você teria que comê-lo!
— Por quê?
— Por que só vocês dois estariam lá.
— E quem determinou isso?
— Hã? É uma hipótese.
— Isso significa que tudo desapareceria, as árvores, os frutos, a natureza, todos os tipos de vida, restando enigmaticamente eu e um porco?
— Claro que não.
— Certo. Então em que tipo de ilha isso seria possível? Simplesmente eu e um porco.
— Ah, cara, não complica, né?
— Diga aí, você come o porco ou não.
— Não, hein?
— Mas como você sobreviveria?
— Tem certeza que isso é uma ilha? Não está faltando mais nada para ser uma ilha? Vegetais, por exemplo? Que poderiam servir de alimento tanto para mim quanto para o porco. Se a minha alimentação fora de uma ilha é mais rica em carboidratos do que em proteínas, por que eu iria me preocupar prioritariamente em matar um animal para me alimentar? Você já percebeu o quão clichê é essa ideia de um suposto retorno a um estado pretensamente primitivo em estado de privação? Não estamos na Era do Gelo. Por que o ser humano perdido na natureza deve em primeiro lugar matar animais para se alimentar? Se eu me perdesse em território inuíte inabitado ou em algum lugar perdido ao norte de Oymyakon, talvez eu fosse obrigado a repensar a minha situação, mas qual é a probabilidade disso acontecer? Eu morreria de frio antes.
— Como você é chato, cara! Deus me livre! Esqueça! Esqueça!
— Não, sou apenas vegano mesmo.
Ser vegano é mais fácil do que você imagina
“Vixi, mano! Vegano?”
Voltando para casa, encostei o carro rente ao meio-fio e atendi uma ligação. De repente, um cara em outro carro, e do outro lado da rua, esticou o pescoço para fora. Ele parecia levemente (ou não) embriagado.
Um vegano subnutrido
Eu hoje de manhã, um vegano subnutrido. Atualmente estou em fase de queima de graxa, o que significa que estou seguindo uma dieta hipocalórica. Nessa fase, ao contrário do que muitos pensam, não corto carbos, apenas diminuo volumes e quantidade de refeições. Passo a fazer quatro refeições em vez de cinco ou seis. E mantenho um jejum de no mínimo 12 horas diárias. Ah, mas como você consegue perder gordura sendo vegano, já que vegano parece que só come carbo?
Não, isso não é verdade, basta consumir na proporção adequada ao seu peso corporal, e claro, sem negligenciar proteínas e lipídios. Proteínas vegetais? Sim, isso mesmo, nada de origem animal! Você está perdendo peso? Sim, claro, não há como queimar graxa sem perder peso. Não existe isso de substituir gordura por músculo, então é normal que as pessoas notem isso, principalmente no meu caso que não uso esteroides. Você faz aeróbico? Não, não tenho feito nenhum, só musculação.
Você está perdendo gordura em quais partes do corpo? Nele todo. Nosso organismo não escolhe onde queimar gordura, então isso acontece de forma geral. Por isso não acredito na tal da perda de gordura localizada de forma natural. E como você se alimenta? Todas as minhas refeições atualmente têm carbos e proteínas, e em alguns momentos do dia boas fontes de gorduras/lipídios. Você se sente menos disposto nessa fase?
Não, mas como estou comendo bem menos normalmente sou mais cuidadoso no treino porque o risco de lesões pode aumentar nessa fase hipocalórica, então não é bom forçar muito as articulações. Porém, sinto sim um pouquinho de perda de força, o que é natural em decorrência da alimentação. Mas nada que me incomode. Você está usando algum termogênico? Não, nada.
Minha base é só alimentação e treino. E meu treino é praticamente o mesmo também. Minha prioridade é a exaustão. Mesmo sendo vegano e não usando qualquer e esteroide ou recurso farmacológico, não vejo impossibilidade em alcançar qualquer objetivo em relação a isso. Tenho vontade o suficiente, e isso me basta, independente do que os outros pensam.
“Ô irmão, vi que você é forte, será que pode me tirar uma dúvida?”
No mercado, um funcionário se aproximou.
— Ô irmão, vi que você é forte, será que você pode me tirar uma dúvida?
— Posso sim. Pode perguntar.
— Então, é que estou fazendo musculação e queria umas dicas.
— Dicas de que exatamente? Musculação ou alimentação?
— Os dois.
— Você já segue alguma dieta?
— Sim.
— Treina há quanto tempo?
— Tem pouco mais de três meses.
— Você procura dica de suplementação para ganho de massa muscular?
— É…
— Imaginei. Vou ser honesto contigo. A princípio, não vejo necessidade de suplementação, até porque você já está seguindo uma dieta. Mas se você estiver com dificuldade para consumir a quantidade de proteínas que seu organismo demanda, uma boa pode ser a inclusão de algum suplemento proteico.
— E o que você me indica?
— Cara, vou ser sincero. Sou vegano, então naturalmente não vou te indicar nada de proteína animal. Minha sugestão é proteína isolada de soja, de arroz, de ervilha, que é o que eu consumo. Mas suplementos devem ser consumidos de acordo com as suas necessidades individuais. A isolada de soja tem um bom custo/benefício, é só você comparar com o preço das proteínas de origem animal. E não é difícil encontrar proteína vegetal não transgênica, apesar do que muita gente diz. Proteínas vegetais também fornecem boa quantidade de aminoácidos essenciais, são de fácil digestão, muitas não contêm aditivos químicos, o que significa que costumam ser mais “naturais”, e dependendo do tipo há a vantagem de serem hipoalergênicas.
— Muito bom saber disso. Não conhecia essas proteínas, só ouvia falar de whey. E vou ver melhor esse negócio de veganismo.
— Pois é. Existe muita publicidade sobre whey protein. Mas há opções vegetais que não deixam a desejar em nenhum aspecto.
— Legal mesmo. Obrigado!








