David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for January, 2017

Exploração animal, consumo de carne e fome mundial

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Investe-se tanto no peso de animais inocentes que serão sacrificados. Ao mesmo tempo, investe-se nada naqueles que estão esfomeados (Fotos: Reprodução)

O mundo atualmente conta com mais de 1,5 bilhão de bovinos e pouco mais de sete bilhões de pessoas. Os seres humanos consomem 9,5 bilhões de quilos de comida e 20 bilhões de litros de água por dia. Por outro lado, o gado é alimentado com 61 bilhões de quilos de comida e 170 bilhões de litros de água por dia, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Ou seja, temos animais criados simplesmente para serem mortos e transformados em carne para pessoas que têm condições de pagar por ela. Claro, muitos não têm, já que o mundo soma mais de um bilhão de pessoas passando fome diariamente. Isso é absurdo e surreal. Gasta-se seis vezes mais para alimentar bovinos, quando poderíamos estudar e viabilizar uma alternativa para destinar comida de origem vegetal para sanar a fome do mundo.

Claro que muitos alegarão que ninguém tem obrigação de fazer nada em relação a isso, mas se há condições de fazer o bem, por que não fazer? Por que não investir na vida em vez de investir na morte? Que tipo de mensagem a humanidade transmite quando mata bilhões de animais por ano, e simplesmente para consumo? Além do mal que causamos aos animais não humanos, ainda desconsideramos a fome mundial, porque é isso que a produção e o consumo de carne privilegiam, uma aberrante desigualdade social, já que não se trata de algo justo nem aceitável. Acredito que quando comemos carne também estamos virando as costas para a miséria que assola o mundo e ajudando a perpetuar um sistema que incentiva mais a morte do que a vida.

 

Agathocles: “Por que matar animais quando há muitas alternativas de comida saudável ao seu redor?

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Jan Frederickx: “A indústria da carne foi construída em cima do abuso de animais, visando apenas dinheiro”

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Desde o início, uma banda formada por vegetarianos (Foto: Reprodução)

Uma das bandas mais tradicionais de grindcore, o Agathocles surgiu na Bélgica em 1985, com o objetivo de abordar questões políticas, sociais e direitos animais. Dois anos depois, os belgas começaram a tocar com os ingleses do Napalm Death e Extreme Noise Terror, grupos que também trazem vegetarianos e veganos em suas formações.

Após o lançamento da primeira demo em 1987, o grupo excursionou por toda a Europa. Em 1996, enquanto viajavam pela República Tcheca, os integrantes gravaram voluntariamente um vídeo em prol de um grupo tcheco de defesa dos direitos animais.

Em entrevista ao zine Devastation Underground Attack, o vocalista, guitarrista e principal compositor Jan Frederickx contou que há muitas razões para alguém se tornar vegetariano. “Uma importante razão é que você não precisa de carne para ser saudável. Então, por que matar animais para transformá-los em comida quando há muitas alternativas de comida saudável ao seu redor? Uma outra razão é que a produção de carne ajuda a manter os países ricos mais ricos e os países pobres mais pobres”, argumentou.

Jan também justificou que muitos dos vegetais que são consumidos hoje em dia são produzidos em países de Terceiro Mundo, principalmente em nações onde há muita gente faminta, sem acesso à comida. “E isso acontece simplesmente porque grande parte dessa comida é destinada ao gado que vai ser abatido e transformado em carne para os países mais capitalistas. Acredito que isso é o suficiente para que uma pessoa se torne vegetariana ou vegana”, enfatizou.

Em suas letras, o Agathocles que se define como mincecore, costuma abordar questões como direitos animais e humanos, ecologia, política, economia e problemas nos países de Terceiro Mundo. Em entrevista concedida ao zine tcheco Obscene Extreme em maio de 2014, Frederickx sugeriu que as pessoas assistam documentários e busquem informações na internet sobre direitos animais, vegetarianismo e veganismo.

“É importante dizer às pessoas que tomem ciência sobre o consumo de massa e o abate de animais. A forma como os animais são ‘criados’ e tratados é realmente doentia. Por exemplo, a maneira como fazem o foie gras. E nem mencionei o quanto é cruel a forma como os animais são mortos nos matadouros. A indústria da carne foi construída em cima do abuso de animais, visando apenas dinheiro”, desabafou.

Sobre direitos animais, um dos maiores clássicos do Agathocles é a música “Hormon Mob”, faixa número 20 do álbum “Razor Sharp Daggers”, lançado em 1995. Na letra, Jan diz:

Agora ele está morto – uma bala em sua cabeça

Pare a multidão do hormônio

Matar por lucro é o seu trabalho

Prato químico – é isso que você deseja?

Bife e carne – de uma raça mutante

Pelo lucro doentio – você recebe carne contaminada

Essa é a multidão – esse é o trabalho deles

Pare a multidão do hormônio

Matar por lucro é o seu trabalho

O Agathocles costuma realizar shows beneficentes para movimentos de direitos animais, como o grupo belga Gaia, Animal Liberation Front (ALF) e APMA. Também já gravou músicas em prol desses movimentos e participaram de muitos protestos em defesa dos animais. “Há uma boa quantidade de restaurantes vegetarianos aqui na Bélgica, e eles não são caros. Então acaba sendo uma forma de encorajar as pessoas a comerem pratos vegetarianos. Não é nada difícil ser vegetariano aqui, e há toneladas de opções baratas e saudáveis”, garantiu Frederickx.

Saiba Mais

Mincecore significa grindcore puro voltado para direitos animais, questões políticas e sociais.

Referências

http://www.angelfire.com/mt/attack1/ag.html

http://www.obsceneextreme.cz/cs/a/71/fanzin,agathocles-interview

http://www.angelfire.com/nj/apf/agint.html

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Chris Adler: “O problema com a coisa toda é educação e informação. A maioria das pessoas não pensa sobre a exploração de animais”

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Chris Adler em campanha para a Peta, organização em defesa dos direitos animais (Arquivo: Peta)

O baterista estadunidense Chris Adler, um dos fundadores da banda de metal Lamb of God, que compõe a chamada Nova Onda do Heavy Metal Americano, é considerado um dos melhores bateristas de metal da atualidade, de acordo com a Revolver Magazine. Em 2012, ele contou à Peta, organização que atua em defesa dos direitos animais, sua história com o vegetarianismo e como desde a infância ele sente uma real conexão com os animais.

Adler, que já fez parte da banda de thrash metal Megadeth por dois anos, com quem gravou o álbum “Dystopia”, lançado no início de 2016, abdicou do consumo de carne vermelha quando soube o que acontecia com bois e vacas nas fazendas industriais. O que o motivou a refletir sobre o assunto foi o livro “Diet For a New America”, do escritor John Robbins, lançado em 1987.

A mesma obra influenciou o humorista Weird Al Yankovic a tornar-se vegetariano. Após parar de comer carne vermelha, Chris Adler parou de consumir carne de frango quando viu um caminhão cheio de frangos indo em direção a um matadouro. “Era simplesmente nojento. Não comi mais nenhum pedaço de frango desde então. A verdade é que eu meio que sabia o que acontecia, mas não queria pensar a respeito”, disse à Peta.

Para Adler, que depois se tornou vegetariano, é importante incentivar as pessoas a pesquisarem sobre o que acontece nas fazendas industriais e nos matadouros. “O problema com a coisa toda é educação e informação. A maioria das pessoas não pensa sobre isso [a exploração de animais]. Ninguém nasce pronto para comer carne, é um hábito que você tem que desenvolver, e não é algo que você precisa desenvolver. A maior parte das pessoas veem apenas comida, não o que existe por trás disso”, lamentou.

Considerado um exemplo de versatilidade da chamada Nova Onda do Heavy Metal Americano, iniciada nos anos 1990, Chris Adler já tocou e gravou com as bandas Lamb of God, Megadeth, Testament, Burn The Priest, Blotted Science, Protest The Hero, Nitro e Jettison Charlie. “Meu casamento, meu relacionamento com minha família, minhas conquistas com a minha banda e minha escolha em ser vegetariano não são apenas coisas das quais tenho orgulho, elas me definem”, destacou à Peta.

Referências

http://www.peta2.com/heroes/lamb-of-gods-chris-adler/

http://www.gmanetwork.com/news/story/248413/lifestyle/lamb-of-god-drummer-chris-adler-speaks-up-for-animals

https://www.chrisadler.com/

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Written by David Arioch

January 15th, 2017 at 3:27 pm

Como o lendário baixista do Black Sabbath se tornou vegano

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Geezer Butler: “Eu costumava comer carne quando era criança, mas eu não sabia qual era a origem”

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Butler: “E um dia, cortei um pedaço de carne e saiu sangue, então perguntei a minha mãe de onde vem a carne, e ela disse: ‘Dos animais’, e foi isso” (Arquivo: Peta)

Um dos músicos mais influentes da história do heavy metal, o baixista inglês Geezer Butler, principal letrista do Black Sabbath, cresceu rodeado de animais. Com três irmãos e duas irmãs, ele se recordou que a casa vivia repleta de gatos, cães, ratos, galinhas, sapos e tartarugas.

“E eles sempre tiveram grande importância na minha vida. Meu cachorro, Scamp, era meu melhor amigo quando eu estava crescendo, e ele era tão meu irmão quanto meus irmãos humanos. Um dia, alguém jogou ácido nele, e ele quase morreu, mas meus pais gastaram as economias de uma vida para pagar por seu tratamento”, disse em entrevista ao Devils Gate Media em março de 2016.

Butler se surpreendeu em saber que as pessoas poderiam ser tão cruéis, e desde então assumiu um compromisso em defender os animais. Ativista e vegano, ele tem usado a sua influência para inspirar jovens de todas as partes do mundo.

“Eu costumava comer carne quando era criança, mas eu não sabia qual era a origem. E um dia, cortei um pedaço de carne e saiu sangue, então perguntei a minha mãe de onde vem a carne, e ela disse: ‘Dos animais’, e foi isso”, relatou.

Geezer Butler também teve uma infância difícil. Havia sete crianças na família e seu pai costumava receber apenas 30 dólares por semana para alimentar todos. “De qualquer modo, já não havia muita carne. Então eu realmente não senti falta. Conforme fui amadurecendo e começamos a pegar a estrada, tão logo você dissesse que era vegetariano, as pessoas, por alguma razão, achavam que você comia peixe. E eu dizia: ‘Como peixe pode ser um vegetal?’ Eu já tinha decidido fazer apenas coisas veganas, nada relacionado com qualquer tipo de animal. Me tornei vegano a partir daí”, informou a Bryan Reesman, do Attention Deficit Delirium.

Em entrevista concedida ao portal Team Rock em outubro de 2016, o lendário baixista admitiu que é um bom cozinheiro vegano. “E também faço uma boa xícara de chá”, emendou. Em outra entrevista concedida ao Peta2, ele disse que gosta de levar amigos para jantar em sua casa e servi-los com carne falsa. “Só depois digo a eles que aquela deliciosa refeição que eles comeram era vegana”, enfatiza.

Geezer e sua esposa Gloria estão há muitos anos envolvidos em batalhas contra criações de animais com finalidades comerciais, levando em conta que esses locais têm contribuído para ampliar a superpopulação de cães e gatos. “Há tantos cães e gatos e todos os tipos de animais que precisam de casas. Você sabe, não há razão para sair por aí e comprar um animal de um pet shop quando você pode simplesmente buscar um deles em um abrigo local”, lamentou Butler.

Saiba Mais

Geezer Butler nasceu em 17 de julho de 1949 em Aston, Birmingham, na Inglaterra.

Gravou 14 álbuns com o Black Sabbath entre os anos de 1970 e 2013; três discos solo; três discos com Ozzy Osbourne; e três discos com o Heaven & Hell.

Referências

http://devilsgatemedia.com/interview-black-sabbaths-geezer-butler/

http://www.blabbermouth.net/news/black-sabbaths-geezer-butler-ive-grown-up-with-animals-in-the-house/

http://teamrock.com/feature/2016-10-06/black-sabbaths-geezer-butler-on-knives-vegan-food-and-wanking-bandmates

http://www.bryanreesman.com/2014/03/27/geezer-butler-discusses-veganism-religion-politics-surveillance-and-life-lessons/

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Ben Kenney: “Comecei a descobrir sobre a crueldade contra os animais e, eticamente, não fazia sentido continuar comendo carne”

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Kenney: ““Fui surpreendido no momento certo com a informação certa” (Foto: Divulgação)

Foi na adolescência que o baixista Ben Kenney, da banda estadunidense de rock alternativo Incubus, por vezes também associada ao new metal, começou a se interessar pelo vegetarianismo e pelos direitos animais. Um choque de realidade o motivou a não consumir mais carne e a tornar-se vegetariano mais tarde.

“Fui surpreendido no momento certo com a informação certa. Acho que eu tinha 16 ou 17 anos quando comecei a descobrir sobre a crueldade contra os animais e, eticamente, não fazia sentido para mim continuar comendo carne, então eu parei”, disse em uma entrevista disponibilizada pelo canal AAnimalsStreetTeam2 em 23 de fevereiro de 2009, no YouTube.

Kenney ingressou na banda de rock alternativo Incubus em 2003, após a saída do baixista e membro-fundador Alex Katunich. Antes de tornar-se membro do Incubus, ele já havia tocado com o guitarrista Mike Einziger e com o baterista Jose Pasillas no Time Lapse Consortium, banda que fazia uma fusão de rock psicodélico, jazz e funk.

Além de baixo, Kenney toca outros instrumentos musicais, como guitarra e bateria. De 2004 a 2013, ele lançou os discos solo “26”, “Maduro”, “Distance and Comfort”, “Burn the Tapes” e “Leave on your Makeup”.

Com o Incubus, ele gravou os álbuns “A Crow Left of the Murder…”, de 2004; “Light Grenades”, de 2006; e “If Not Now, When?”, de 2011; além do EP “Trust Fall (Side A)”, de 2015.

“Eu estava assistindo um especial na HBO sobre hábitos alimentares e diferentes culturas, e eles mostraram como as pessoas comem gatos na China. E eu realmente gosto de gatos, e eu estava sentado no sofá com meu gato, e uma vez que vi isso, apenas coloquei tudo em perspectiva. Se eu não comeria o meu gato, qual seria a diferença entre comer um gato ou uma vaca?”, ponderou.

Referências

http://incubusonline.com/band/band/band/benmain.html

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Written by David Arioch

January 14th, 2017 at 8:11 pm

Liev Tolstói e a realidade dos matadouros

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Quando o boi não caiu onde o açougueiro queria, ele gritou: “Maldito diabo!”

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Tolstói: “Mas o açougueiro marchava atrás, pegou a cauda e a torceu; rangeram as vértebras” (Foto: Reprodução)

Em um de seus vários relatos sobre suas experiências em matadouros, o escritor russo Liev Tolstói escreveu que uma vez, quando observava um rebanho, ele notou que o primeiro animal se destacava pela beleza, robustez e cor alva com manchas e extremidades pretas.

“Um jovem animal musculoso e enérgico. Quando tiraram a corda, ele abaixou a cabeça e se deteve com decisão. Mas o açougueiro marchava atrás, pegou a cauda e a torceu; rangeram as vértebras. O boi lançou os que prendiam a corda, jogando-os contra o chão, e se deteve de novo olhando para os lados com seus olhos negros cheios de fogo”, relatou.

Sua cauda foi violentada mais uma vez, e ele avançou. Quando chegou onde queria, o açougueiro se aproximou, apontou e o golpeou. O mau golpe não fez o boi ceder. Ele agitou com força a cabeça, mugiu e, sangrento e furioso, se soltou e inclinou-se.

Segundo Tolstói, quem estava perto da porta fugiu. Acostumados com o perigo, os açougueiros pegaram a corda e mais uma vez puxaram a cauda do animal. Depois de enganar o boi, fizeram com que ficasse exatamente onde queriam. E de lá, ele não poderia escapar. Um dos açougueiros golpeou o belo animal que, cheio de vida, moveu a cabeça e as pernas enquanto o degolavam e o esfolavam.

Quando o boi não caiu onde o açougueiro queria, ele gritou: “Maldito diabo!”, e cortou a pele da cabeça do animal. Cinco minutos depois, a cabeça preta estava vermelha e aqueles olhos, que cinco minutos antes brilhavam com tanta força, estavam vítreos e apagados.

Depois, Tolstói foi ao matadouro de ovelhas, um grande prédio com pavimento asfaltado. Ele viu mesas com apoios, e sobre elas as ovelhas e os bezerros eram degolados. Naquele local com forte odor de sangue, o trabalho tinha terminado e havia somente dois açougueiros.

“Um deles soprava a perna de uma ovelha morta e esfregava com a mão o ventre inchado do animal. O outro, que era moço e levava o avental cheio de sangue, fumava um cigarro. Seguiu-me um homem que parecia um antigo soldado. Levava um cordeiro de um dia, preto, com uma mancha no pescoço e as patas amarradas, e o pôs sobre a mesa”, relatou o escritor russo.

O cordeiro continuava imóvel como a ovelha morta e inchada enquanto eles cumprimentavam-se e conversavam. De acordo com Tolstói, a única diferença era que o animal movia vivamente a pequena cauda e ocasionalmente as laterais, com celeridade.

“O soldado, sem fazer esforço, apoiou a cabeça do pequeno animal na mesa, e o açougueiro, sem parar de falar, segurou com a mão esquerda a cabeça do cordeiro e lhe cortou o pescoço. A vítima agitou-se, a cauda ficou rígida e parou de se mover. Enquanto o sangue descia, o açougueiro acendeu o cigarro”, testemunhou.

Tolstói se surpreendeu com a tranquilidade daqueles homens. Quando o sangue parou de escorrer, o cordeiro se agitou de novo e a conversa prosseguiu sem cessar nem por um segundo.

Referência

Tolstói, Liev. O Primeiro Passo (1892).

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Written by David Arioch

January 14th, 2017 at 3:15 pm

A morte da bezerra, uma expressão equivocada

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“A Morte da Bezerra” é uma história triste que faz parte das tradições hebraicas (Arte: Wits End)

Creio que muita gente já ouviu alguém perguntar para uma pessoa distraída se ela está “pensando na morte da bezerra”. Desde a minha infância, ouvi várias vezes tal questionamento em tom de brincadeira ou ironia.

Ou seja, fala-se nisso quando se quer brincar ou fazer piada com quem não está prestando atenção. Porém, a história de origem hebraica que originou a expressão não tem nada de engraçada, embora o uso tenha se popularizado com esse viés.

Conta-se que o filho caçula do Rei Absalão era muito afeiçoado a uma pequena bezerra, e não queria que ela fosse sacrificada. Contrariando o desejo do filho, o rei a sacrificou e a ofereceu a Deus.

A partir daquele dia, o menino nunca mais deixou de pensar na morte da bezerra, amargando tristeza por toda a sua vida. Também há versões em que o garoto faleceu ao contrair uma doença agravada pelo seu profundo estado de infelicidade.





Written by David Arioch

January 13th, 2017 at 7:07 pm

Ninguém é vegano pela própria saúde

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Veganismo, de fato, é sobre evitar contribuir com a exploração animal (Foto: Reprodução)

Ninguém é vegano pela própria saúde, simplesmente porque veganismo não se trata disso. Quando uma pessoa não consome alimentos de origem animal, mas sua motivação é a saúde, ela é vegetariana estrita.

Sim, há muitos vegetarianos que se preocupam com a exploração animal, mas não são todos, logo as motivações para uma pessoa tornar-se vegetariana são bem diversas. Porém, veganismo, de fato, é sobre evitar contribuir com a exploração animal.

Naturalmente, uma pessoa que é vegetariana estrita, mas tem como única preocupação a própria saúde, exclui carnes, ovos e laticínios da sua alimentação. Mas, por outro lado, pode não se incomodar em comprar outros tipos de produtos de origem animal que não a afetem diretamente, como, por exemplo, roupas e calçados, já que esse tipo de preocupação só existe por parte de quem é contra a exploração animal.

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Written by David Arioch

January 13th, 2017 at 7:00 pm

A morte da porca selvagem e a moralidade

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Foto: ARFF

Uma amiga compartilhou no Facebook uma imagem de duas garotas felizes depois de terem matado uma porca selvagem. Uma delas segurava o filhote da porca também morto. Um sujeito comentou na publicação dela que não viu nada de errado nisso, e que essa minha amiga estava somente tentando impor a dieta dela aos outros. E que isso é uma questão de opção.

Desculpe-me, mas não existe opção quando você mata um ser vivo que não deu o seu aval para morrer. E pior ainda, quando motivado pelo mórbido prazer. Schopenhauer já dizia no século 19, primordialmente em seu livro “O Mundo Como Vontade e Representação”, publicado em 1818, e não por acaso considerado uma das obras mais influentes da filosofia do século 19, que a moralidade conveniente ao homem não é moralidade. A moralidade genuína depende de você não observar somente a si mesmo e as conveniências que envolvem apenas os seus.

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Drauzio Varella, consumo de leite e a Piracanjuba

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Convite para as palestras de Varella que incentivam o consumo de leite (Fonte: Site Beba Mais Leite)

O médico Drauzio Varella, que se tornou uma referência para milhões de brasileiros, tem realizado palestras incentivando as pessoas a consumirem mais leite. Não são palestras realizadas de forma independente, mas sim patrocinadas pela Piracanjuba, o que acaba por ser um pouco controverso vindo de um conceituado profissional.

A Piracanjuba, ou Laticínios Bela Vista, é uma grande empresa que não apenas investe na exploração de animais em níveis industriais, como também foi investigada em 2015 pela Operação Leite Compen$ado, do Ministério Público do Rio Grande do Sul. À época, descobriram que lotes de leite adulterados com água e soda cáustica chegavam às indústrias Piracanjuba.

Particularmente, não acho correta essa atitude de um médico, porque quando ministramos uma palestra com patrocínio de uma indústria, de algum modo estamos passando um atestado de que confiamos nela.  Além disso, é importante considerar que nos últimos anos surgiram inúmeros estudos reprovando o consumo de leite, inclusive por parte da Universidade Harvard (referências ao final do artigo).

Outra importante referência no assunto é o médico estadunidense T. Colin Campbell, que é inclusive filho de ex-proprietários de laticínios e tem livros publicados no Brasil. Ele viaja o mundo falando sobre os malefícios do consumo de leite. Campbell é uma pessoa que dedicou décadas de pesquisa a isso, ao contrário do senhor Drauzio Varella, que embora tenha vasto conhecimento em outras áreas, fala de leite sem ser um especialista ou estudioso do tema, já que suas áreas de conhecimento são outras.

Também temos uma pesquisadora brasileira, a filósofa Sônia T. Felipe, que produziu um livro muito bom, também baseado em anos de pesquisa, que discute o impacto da produção de leite na sociedade e os efeitos dele na saúde humana. A obra intitulada  “Galactolatria: Mau Deleite”, lançada em 2012, pode inclusive ser adquirida através de contato pelo site homônimo. Ademais, nunca vi o senhor Drauzio Varella discutindo abertamente sobre esse assunto, mas somente falando sobre os benefícios do alto consumo de leite, sem dar margem para contraposições em relação ao consumo.

Observação

Minha crítica não diz respeito a todo o trabalho do médico Dráuzio Varella, mas somente a esse caso em específico.

Saiba Mais

Para a produção de quatro litros de leite são necessários 3,8 mil litros de água, de acordo com informações do documentário “Cowspiracy – O Segredo da Sustentabilidade”. Essa é a quantidade necessária em todas as etapas de produção.

Referências

http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2015/05/desta-vez-leite-adulterado-continha-so-agua-e-soda-caustica-4759744.html

http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2015/05/mp-flagra-leite-azedo-e-faz-nova-operacao-contra-transportadora-e-cooperativa-4759677.html

http://www.galactolatria.org/

http://www.huffingtonpost.ca/2013/07/05/harvard-milk-study_n_3550063.html

https://www.hsph.harvard.edu/nutritionsource/calcium-full-story/

http://nutritionstudies.org/provocations-casein-carcinogen-really/

http://nutritionstudies.org/provocations-dairy-protein-causes-cancer/

http://www.telegraph.co.uk/foodanddrink/healthyeating/10868428/Give-up-dairy-products-to-beat-cancer.html

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