David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for February, 2017

Quando as pessoas se afastam de alguém que tem uma grave doença

without comments

Fico surpreso quando as pessoas se afastam de alguém que tem uma grave doença. Se eu tivesse uma namorada e descobrisse que ela tem câncer ou até mesmo HIV, é claro que eu não me afastaria dela.

Sempre tive o exemplo da minha mãe que cuidou do meu pai até o último momento, mesmo ele incapaz de se levantar de uma cama, e já não reconhecendo ela em decorrência de um câncer que se espalhou pelo cérebro.

Minha mãe cuidou dele o tempo todo. Ao mesmo tempo, criou eu e meus dois irmãos. À época, o Juninho tinha só um ano de idade. O amor é isso, a doação e a mais genuína forma venusta de empatia que se sobressai a tudo.

Contribuição

Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:





Written by David Arioch

February 8th, 2017 at 10:38 am

Posted in Reflexões

Tagged with , , , ,

Quando você reconhece que a vida é feita de muitos caminhos…

without comments

Quando você reconhece que a vida é feita de muitos caminhos, não somente de um, você começa a entender o verdadeiro sentido de palavras como multiplicidade, respeito e transigência. Passa a entender também que verdades inquestionáveis também mantêm pessoas na zona de conforto. Afinal, gostamos de domesticá-las. Ter medo de conhecer outras verdades, não é ruim, mas se negar a refletir sobre isso, é sim.

Contribuição

Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:





Written by David Arioch

February 8th, 2017 at 10:37 am

Posted in Reflexões

Tagged with , ,

Nascem, crescem numa velocidade assustadora e morrem para tornarem-se comida

without comments

confinamento-foto-eco-planet

Logo cedo, são privados do convívio familiar

Quando eu era criança, vez ou outra eu fazia algum comentário perto da fila do açougue. “É o lugar mais frio do mercado”, eu dizia para a minha mãe – conta ela. Às vezes, me sentia desconfortável, mesmo sem entender. Com o tempo, compreendi o que cada uma daquelas partes expostas na vitrine, dispostas em bandejas ou em grilhões representa de verdade, para além do romantismo da exploração animal.

Vejo pessoas nas filas, seguindo suas vidas, conversando e brincando. Acredito que poucos refletem sobre isso enquanto aguardam o açougueiro, até porque fomos condicionados a isso nos últimos séculos, e mais ainda nas últimas décadas. É um contraste muito grande com o destino daqueles animais que têm vidas muito curtas, e logo cedo são privados do convívio familiar. Nascem, crescem numa velocidade assustadora e morrem para tornarem-se comida.

Ocasionalmente, alguém me diz que fulano de tal matou um animal para ser consumido inteiramente em uma confraternização. Difícil não pensar que toda a vida de um animal foi resumida a algumas horas de comilança, e em um evento que celebra a amizade e o companheirismo. Onde está esse senso de companheirismo quando esse animal é privado de conviver com os seus? Somos animais conscientes e racionais que celebram a vida com a morte.

Contribuição

Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:





Compreensão e ponderação

without comments

Acredito que a universalização e convergência da compreensão e da ponderação a respeito de algo é uma das coisas mais raras e gratificantes a se alcançar. E você só chega lá quando consegue atravessar barreiras ideológicas, permitindo tocar a mente e o coração das pessoas, fazendo-as se despirem de seus próprios pré-conceitos.

Written by David Arioch

February 8th, 2017 at 10:29 am

Inglaterra e os direitos animais

without comments

Interessante saber que dos países do Ocidente, a Inglaterra em um passado longínquo já era apontada como a nação considerada mais avançada no que diz respeito à conscientização sobre os direitos animais, e que por tal motivo o vegetarianismo e o veganismo daquele país, enquanto movimentos articulados, tornaram-se referências para o mundo. Já anotei aqui que um dos meus compromissos é pesquisar sobre o contexto em que se deu essa valorização do vegetarianismo e depois do veganismo na Inglaterra.

Written by David Arioch

February 8th, 2017 at 10:28 am

Nos condicionamos a crer que precisamos de carne para sobreviver

without comments

be4ea0984920b08991c11c5d5a504511

Nos condicionamos a crer que precisamos de carne para sobreviver

Quando crescemos, em algum momento de nossas vidas, temos alguma ideia de como a carne chega aos nossos pratos, mas acaba por ser mais conveniente não pensar a respeito e ignorar o sofrimento envolvido naquele pedaço de carne.

Para não nos sentirmos mal, colocamos em nossas mentes que precisamos da carne para sobreviver, e os animais não humanos podem sofrer, porque estão fazendo “algo bonito”, que é sanar “uma importante necessidade da humanidade”. Um “belo destino” para seres vistos como inferiores, que muitos preferem acreditar que existem simplesmente para nos servir.

Evitamos ver os animais para além da comida porque não queremos nos responsabilizar pelo fato de que somos culpados por suas vidas tão curtas, por seu sofrimento e privação. Preferimos ignorá-los, observá-los à distância e com altivez, por nos considerarmos melhores.

Há quem use o pretexto da saúde, quando, de um modo ou de outro, sabemos que a maior “justificativa” para o consumo de carne é o paladar. Sim, não há nada que motive mais o ser humano a seguir por esse caminho do que o paladar. Quando alguém refuta isso é porque não admite ser visto como alguém que é motivado pelo efêmero prazer da gustação.

Contribuição

Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:





Written by David Arioch

February 8th, 2017 at 10:26 am

Há sempre motivos mais nobres para não comer carne do que para comê-la

without comments

Arte: Dana Ellyn

Há sempre motivos mais nobres para não comer carne do que para comê-la, e, na minha opinião, isso por si só já é mais que suficiente. Quem come carne, e não abre mão, diz que é importante fonte de proteína, que é gostosa e que faz bem. Ou seja, são argumentos que, independente da veracidade, se voltam mais para a individualidade.

Já os argumentos para não comer carne são: não temos o direito de matar para beneficiar o nosso paladar e não precisamos de carne para sobreviver. A simples e maior prova disso é a existência de vegetarianos e veganos. Além disso, há muitas pesquisas que apontam que a produção de alimentos de origem animal não é sustentável.

Sugestões de leitura:

https://www.theguardian.com/sustainable-business/2017/jan/03/challenges-sustainable-food-2017-organic-farming

Why Organic Meat, Dairy and Eggs Are Not Sustainable

Agriculture And Food Systems Unsustainable

https://woods.stanford.edu/environmental-venture-projects/consequences-increased-global-meat-consumption-global-environment

 

 

 





Written by David Arioch

February 8th, 2017 at 10:09 am

Mike Ness: “Devo sempre lutar pelos animais porque eles não podem falar por eles mesmos”

without comments

“Ninguém iria assar o cachorro da família. Por que com a vaca ou com a galinha é diferente?”

06

Mike Ness: “Sou um lutador. Essa parte de mim nunca vai mudar”

Em 1978, o vocalista e guitarrista Mike Ness, inspirado em bandas britânicas como Sex Pistols e The Rolling Stones, fundou o Social Distortion nos Estados Unidos. Além da banda ser uma das mais importantes do ressurgimento do punk rock na década de 1980, é também apontada como uma das que alcançou maior sucesso comercial na história do punk rock.

Vegetariano há mais de 35 anos, Mike Ness relatou em entrevista a Maranda Pleasant, da revista Origin, dos Estados Unidos, em 5 de dezembro de 2012, que ele se considera um ativista pelo direitos animais, vegetarianismo e meio ambiente.

“Nunca fui de hastear bandeiras, mas posso dar o exemplo. Sinto que se de algum modo o público está de olho em você, isso significa que você tem um pouco de influência. As pessoas que têm a mente fechada, podem dizer: ‘Ah, isso é interessante! Talvez haja mais do que eu pensava”, declarou.

Em entrevista ao portal Idioteq, de Vasórvia, na Polônia, publicada em maio de 2012, Karol Kamiński comentou que Mike Ness é um bom exemplo da dicotomia entre pessoa pública e vida privada. “Você é esse cara durão todo tatuado e ainda assim…” Então o fundador do Social Distortion continuou:

“Sou um vegetariano que tem três chihuahuas e faz ioga e boxe. Houve um momento em minha trajetória que percebi que se eu me importasse com o que as pessoas pensam de mim, eu não estaria sendo eu mesmo. Não estou preocupado com a minha masculinidade. Sei qual é a diferença entre as coisas que fazem um homem de verdade e a falácia do que as pessoas pensam que faz de você um homem.”

Mikenesssociald.jpg

Ness: “Amo ser vegetariano e acredito que é a escolha certa para mim”

Em entrevista a Shelley Peckham, do blog True Endeavors, publicada em 29 de novembro de 2011, Ness disse que se você não tem nada em sua vida pelo que lutar, você não tem nada – você não está realmente vivendo, em referência à sua luta pelos direitos animais e também por inúmeras causas sociais.

“Quando eu era adolescente, minha luta era pela música. Eu tive que defendê-la. A reação ao punk rock era muito violenta e volátil às vezes, e eu tive que lutar por isso. Mas agora há outras coisas que me deixam apaixonado. Sou um lutador. Essa parte de mim nunca vai mudar”, informou.

Colaborador voluntário da organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta), Mike Ness já apareceu em vários vídeos falando sobre a contradição humana de amar alguns animais e relegar outros à morte simplesmente para transformá-los em comida. “Tenho a responsabilidade de ajudar a fazer do mundo um lugar melhor. Ninguém iria assar o cachorro da família. Por que com a vaca ou com a galinha é diferente?”, questionou retoricamente.

Nos shows do Social Distortion, não são raras as vezes em que Ness encontra algum meio de falar de forma sutil e argumentativa o motivo pelo qual ele é vegetariano e defende os direitos animais. “Devo sempre lutar pelos animais porque eles não podem falar por eles mesmos. Amo ser vegetariano e acredito que é a escolha certa para mim”, anunciou em vídeo publicado pela Peta em abril de 2009.

Saiba Mais

Mike Ness nasceu em 3 de abril de 1962 e foi criado em Orange County, na Califórnia.

Entre os anos de 1983 e 2012, ele gravou sete álbuns com o Social Distortion. Além disso, lançou dois álbuns em carreira solo.

 Referências

http://www.originmagazine.com/2012/05/12/interview-with-mike-ness-of-social-distortion/

SOCIAL DISTORTION’s Mike Ness interviewed by The Tribune, May 2012

https://trueendeavorsblog.com/2011/11/29/somewhere-between-heaven-and-hell-an-interview-with-social-distortions-mike-ness/

The ephemeral poetry of the Ephemera

without comments

mayfly-ephemera-danica-2

One day, when I was a child, I asked my mother what ephemeral means. She did not answer. Two days later, we went to a stream and in the middle of the grass was a dragonfly-like insect. He moved lightly, and he had the same edacity as the water hitting rocks. His body was yellow, brown, and black, but as he swung his wings, he looked like a gleam of gold.

As it was the weekend, my mother suggested that we spend all the day in that place, watching the routine of that singular insect. Late in the afternoon, after a nap, I woke up and saw him flying toward a small tree. There, he nestled and rested. My mother and I approached a little, and saw that the specimen did not move, it seemed fragile. I thought he was dead.

My mother warned me to be calm. An hour later, the insect deposited a large amount of eggs on one of the most hidden branches, and no longer moved. The flesh simply went away. So I asked what happened. “Why did he die like this, and right now when we came here?” My mother smiled and explained that the insect was actually a female that became an adult in the morning:

Her adult life began shortly before our arrival and ended now. She exists only for others to exist. She barely feeds because time is short, and her children need to be born. That is why her name is Ephemera, and that is what ephemeral means, everything that has a short duration. A word that should always be used in reference to the gifts of communion that we do not have the privilege of enjoying because it is time to go away.

Written by David Arioch

February 7th, 2017 at 11:06 am

Kali

without comments

15073405_1229816640443062_66558832310908531_nI came in from the gym, I took a shower, and, starving, I prepared my plate. As soon as I sat down to dinner, there was a blackout on my street. Without being stressed, I walked from the kitchen to the backyard with the plate in my hands. I sat on one of those traditional porch chairs and I dined in the moonlight. A huge moon that casted light on me and everything that surrounded me.

Then I peeled an orange and I sucked it. As soon as I finished, I heard a grim sound. It was Kali, the tuxedo cat from here, acting weird. As I tried to understand the situation, she let out a oxytone mewoed and jumped in my direction, twisting her nails into my beard. Suddenly, she calmed down, gathered her claws, and the macabre expression on her face disappeared.

I did not understand anything until I went to the bathroom to brush my teeth. In front of the mirror, there were two orange seeds in my beard, looking like two small eyes. She probably thought my beard had taken the shape of an animal and she was jealous. The moonlight dinner did not come so cheap. It cost me some nails on my neck.

Written by David Arioch

February 7th, 2017 at 11:03 am