Archive for February, 2017
In front of the bathroom

The door was locked. There was a person inside
In the morning, I went to the mastologist to give him some test results that I’ve done in the last few months. Before being attended to, I felt a great urge to urinate. I went through the clinic and, in front of the bathroom, I turned the knob – the door was locked. There was a person inside. It’s alright! I pulled away and waited for my turn.
In the meantime, a pregnant woman arrived with her husband. They watched me suspiciously. As soon as a man came out of the bathroom, she stepped forward and, without asking, entered and locked the door. I saw no problem in that, even though I longed to use it. After all, she was a pregnant woman. I could keep waiting, even uneasy.
In less than a minute, the husband of the pregnant woman continued to analyze me. I did not move my head or eyes to return the doubt, curiosity or suspicion. While simulating my attention at a fixed point, I noticed her husband approaching, picking up a paper towel from a counter a few inches away from me, and pulling away. For a few seconds, I saw him walking toward the waiting room.
I stood there, motionless, with an inscrutable countenance, feeling so phlegmatic that I almost could become an extension of the balcony. Without delay, the man returned. He was still watching me. He could not pretend anymore. He fortuitously struggled to make some kind of opposition to himself. Maybe he was in conflict. Then, his wife left the bathroom. She looked at me, and I did not do the same. I realized without any effort that they watched me right and left. OK!
I had the impression that they were trying to crush me with their eyes. Without communicating, I ignored them. I walked into the bathroom without looking back, and it seemed to me that there was some kind of surprise in that, at least on their part that they did not understand what I was doing there. While I was urinating, I felt my body lighter, especially my head that seemed to carry the weight of eyes that were not mine. I washed my hands, took off my shirt, straightened my beard and hair. I cross the hallway to the second waiting room without looking at anything.
I noticed a few pairs of eyes and walked to the first waiting room, where I left the results of my exams on one of the chairs. After I was attended by the mastologist, I asked the receptionist to give me the original guide to the examination request, because I needed to present it in the laboratory. Meanwhile, the couple I met earlier approached me. When the husband saw that I was leaving, he put his helmet on one of his arms and cordially smiled, opening the office door, so I could leave.
Serial killers e crueldade contra animais

Jovens que ficaram conhecidos como Os Maníacos de Dnepropetrovsk (Foto: Reprodução)
Tenho uma coleção de livros sobre serial killers, e é intrigante reconhecer como a maioria deles começou causando dor aos animais antes de escolherem alvos humanos. Como alguém pode dizer que causar sofrimento aos animais jamais levaria o ser humano a causar sofrimento aos seus semelhantes?
Entre os anos de 2013 e 2014, estudei sobre a vida de dois jovens ucranianos, um de 19 e outro de 21 anos, que ficaram conhecidos como Os Maníacos de Dnepropetrovsk. Eles começaram assassinando animais, mas como não havia legislação específica para puni-los, continuaram cometendo esses crimes.
Um dia, Viktor Sayenko e Igor Suprunyuck, decidiram ir além, e deram início a uma série de crimes contra andarilhos e transeuntes que encontravam em locais ermos. Quando foram presos, eles já tinham assassinado pelo menos 21 pessoas.
Além disso, pesquisando e escrevendo sobre serial killers no início dos meus 20 anos, quando desenvolvi alguns trabalhos sobre o tema, conheci inúmeros casos de criminosos realmente cruéis enviados para o corredor da morte nos Estados Unidos, e que foram executados por injeção letal.
Aos animais de várias espécies, seres que nunca nos fizeram nada, naturalizamos um fim que não raramente é até pior do que aquele destinado a quem matou dezenas de seus semelhantes. Exemplo disso são os animais degolados em matadouros. Não deveríamos pelo menos refletir mais a respeito?
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Brigitte Bardot: “Os animais são nossos amigos, e nós não comemos nossos amigos”
“O que mais me frustra é que não há direitos animais. Os animais não têm direitos”

Em 1973, no auge da carreira, a famosa atriz francesa Brigitte Bardot, que estrelou 47 filmes, anunciou a sua aposentadoria do cinema. E foi assim, aos 39 anos, que ela iniciou uma nova vida como ativista dos direitos animais.
Em entrevista ao jornal britânico The Guardian em 10 de julho de 2015, ela contou que quando descobriu a verdade sobre a realidade da exploração animal, tornou-se evidentemente óbvio para ela, e até mesmo indispensável, colocar um fim em sua carreira. “Que era somente brilho e vaidade, para que eu pudesse me dedicar a esta causa urgente”, justificou.
Em entrevista publicada pelo tabloide Daily Mail em 2 de novembro de 2014, Brigitte relatou que a fama não a satisfazia mais, e que seu amor pelos animais deveria ser expressado oficialmente. “Jamais olhei para trás. Nasci com o amor pelos animais. Não tive nenhum perto de mim na minha infância porque estávamos em guerra, e a vida em Paris era muito difícil”, declarou. A experiência a marcou tanto que ela jamais suportou o som de fogos de artifícios ou trovões, porque remetem às lembranças dos bombardeios.
O que Brigitte Bardot nunca deixou de destacar como realmente positivo em relação à sua fama é o fato de ter condições de conseguir ajuda de pessoas do mundo todo. Em 1986, ela leiloou seus bens para criar a Fondation Brigitte Bardot, para o bem-estar e proteção dos animais. “Resgatei cães e gatos de rua durante toda a minha vida, mas quando comecei a fundação, minha intenção já era fazer muito mais do que isso. Meu objetivo é proteger todos os animais selvagens ou de estimação da França e do exterior. Comecei pequena. Tive que aprender tudo sobre proteção dos animais – as leis, a organização de instituições de caridade, a gestão, e as obrigações de saúde e segurança”, enfatizou ao Daily Mail.
Ao longo da trajetória como defensora dos animais, ela encontrou muitos obstáculos, principalmente porque, segundo ela, há um grande número de pessoas insensíveis ao sofrimento dos animais, pelos quais elas têm profundo desprezo. “Elas os consideram objetos de lucro ou carne sobre pernas”, queixou-se à jornalista Liz Jones, do Daily Mail.

Bardot é vegana, assim como seu marido Bernard d’Ormale, e seus amigos mais próximos. Para a ativista, comer a carne dos animais é semelhante ao canibalismo. “Passamos a proteger uma espécie somente quando ela está quase extinta, o elefante africano e o rinoceronte, por exemplo. Há uma necessidade urgente de protegê-los porque os rebanhos estão sendo massacrados. Mas [como sempre] soamos o alarme apenas quando é muito tarde”, lamentou.
Muitas vezes acusada de incitar ódio racial por causa de seus comentários sobre abate ritual de animais, ela nunca se arrependeu de nada que tenha dito ou escrito sobre o assunto. “Já fui ameaçada muitas vezes por caçadores, açougueiros que vendem carne de cavalo e assassinos de focas. Mas ainda estou viva!”, revelou a Liz Jones.
Brigitte Bardot tem entre suas mais importantes bandeiras, a luta pelo fim do abate halal (islâmico) e kosher (judaico) de bovinos, além do banimento do consumo de carne de cavalo. “Depois de 30 anos, minha fundação ganhou muitas batalhas pequenas, mas ainda estamos esperando pelas grandes vitórias que dependem do governo, e ele não nos concederá, infelizmente”, lamentou em entrevista à ativista Lauren Kearney, do site Respect and Connect, publicada no Huffington Post em 26 de abril de 2016.
Para alcançar seus objetivos, Brigitte passa o dia escrevendo cartas para ministros de governo, chefes de estado estrangeiros, prefeitos e altos funcionários públicos. “Também cuido dos meus animais – tenho quase 50 cavalos, burros, pôneis, cabras, ovelhas e porcos – todos salvos de abatedouros”, confidenciou. Ela também é responsável por gatos, galinhas, gansos, patos e cães resgatados.
Questionada por Liz Jones, do Daily Mail, se é mais difícil envelhecer quando se foi um grande exemplo de beleza na juventude, ela explicou que não tem tempo nem desejo de olhar para o próprio umbigo. Maior reflexo disso é que Brigitte Bardot não tem hora para almoçar. “Apenas como um pedaço de chocolate ou alguma fruta. O almoço me faz perder tempo”, argumenta.
Embora dedique muito tempo à fundação, ela não vê com bons olhos a questão dos direitos animais. “O que mais me frustra é que não há direitos animais. Os animais não têm direitos”, desabafou à Lauren Kearney, do Respect and Connect. Apesar de tudo, Brigitte segue tentando pressionar governos do mundo todo a criarem leis mais compassivas em defesa dos animais.
Durante a entrevista, Lauren pediu que Bardot enviasse uma mensagem ao mundo. Em uma frase curta, que lembra muito o que foi dito pelo escritor irlandês e vegetariano George Bernard Shaw, ela disse: “Os animais são nossos amigos, e nós não comemos nossos amigos.”
Uma de suas lutas mais antigas é contra a indústria de peles, considerada por Brigitte como uma indústria da morte e do sofrimento. “Diante dessa normalização da crueldade, devemos reagir. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, publicada em 10 de julho de 2015, perguntaram o que ela diria ao conceituado designer de moda alemão Karl Lagerfeld, radicado em Paris e conhecido por defender o uso de animais na indústria da moda, alegando que eles também são explorados para consumo.
“Duvido muito que Karl Lagerfeld come muitos visons, raposas ou chinchilas. É importante não misturar as coisas. Cada batalha deve ser travada em seu próprio direito. A criação de animais para a extração de sua pele é absolutamente terrível”, ponderou. Acusada de já ter usado as roupas de Lagerfeld, Brigitte Bardot rebateu que leva a vida de uma pessoa do campo, então não vê como seria possível que ela usasse algo da grife do alemão enquanto alimenta as cabras sob sua tutela.
“Tenho respeito por Lagerfeld enquanto homem, mas teria muito mais se ele, por sua vez, respeitasse os animais. Não vivemos no mesmo mundo. Ele se inclina para o seu gato, mas não se importa com todos os animais que são sacrificados para suas coleções, pela mais fútil e vulgar das modas. Pele não é luxo. É uma indústria de morte e sofrimento. Devemos boicotar casacos de pele, assim como todos os acessórios [feitos com material de origem animal]. É inacreditável que temos que lutar por algo que deveria ser óbvio para todos”, protestou ao The Guardian.
A sua batalha para proteger as focas abatidas pela indústria da pele é considerada uma das mais simbólicas da luta pelos direitos animais na Europa. “Igualmente, conseguimos obter sucesso na proibição de venda de pele de gato e de cachorro na Europa. No entanto, essa proibição deve ser estendida a todas as espécies. Pele é somente para o uso do animal que a possui. Orgulho, estupidez ou simplesmente ignorância permitiram que essa tendência sobre a exploração leal de peles de animais florescesse mais uma vez”, criticou em entrevista ao The Guardian.
Indagada pela jornalista Liz Jones, do Daily Mail, sobre o motivo do ser humano ter tão pouca compaixão pelos animais, ela respondeu: “O homem não evoluiu. Ele permanece fundamentalmente cruel e bárbaro, mesmo quando ele pensa que mudou.”
Saiba Mais
Brigitte Bardot nasceu em Paris em 28 de setembro de 1934 e começou a conquistar fama internacional em 1957 com o filme “E Deus Criou a Mulher”, do cineasta francês Roger Vadim. Na sequência, vieram “Amar é a Minha Profissão”, “A Verdade”, “O Desprezo” e “Viva Maria!”. Os cinco são considerados os filmes mais importantes da sua carreira artística.
Segundo a revista Time, a ex-atriz é uma das cem pessoas mais influentes da história da moda.
Referências
https://www.theguardian.com/fashion/2015/jul/10/brigitte-bardot-i-couldnt-wear-lagerfeld-while-feeding-my-goats
http://www.dailymail.co.uk/home/you/article-2815676/Brigitte-Bardot-ve-victim-image.html
http://www.huffingtonpost.com/lauren-kearney/interview-with-brigitte-b_b_9771702.html
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Ransom Riggs e o conto do filho vegetariano de um fazendeiro
“Quando se deu conta de que a carne das refeições vinha de animais, recusou-se a comer aquilo”

O livro “Contos Peculiares”, do escritor estadunidense Ransom Riggs, é considerado um livro dentro de livros, já que surgiu a partir da série “O Lar da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares”. Como pesquiso sobre direitos animais, vegetarianismo e veganismo na literatura, dos dez contos que fluem com facilidade e fazem o leitor mergulhar em um universo quimérico de possibilidades e impossibilidades, um me chamou mais a atenção. É a história de um jovem bastante sensível que reconhece o direito à vida de todas as criaturas. E por isso, se recusa a comê-las, explorá-las ou puni-las, mesmo sendo filho de um fazendeiro.
Intitulado “O Gafanhoto”, o conto começa narrando a história de Edvard, um homem que deixou a Noruega em busca de prosperidade nos Estados Unidos. Ele passou por tantas dificuldades no passado que decidiu dedicar-se completamente a uma fazenda que comprou no Território de Dakota, na região setentrional da Luisiana.
Recordando-se da experiência vivida por um amigo que se apaixonou, casou, teve filhos e vivia na pobreza, Edvard evitava relacionamentos. Porém, como sentimentos independem de razão ou mesmo querer, o norueguês se apaixonou, casou e mais tarde teve um filho. A criança nasceu com um coração tão grande que um lado do peito era perceptivelmente maior que o outro.
Mas a felicidade gerada pelo nascimento do filho, que trouxe muitas expectativas a Edvard, chegou ao fim quando a esposa fragilizada acabou falecendo após o parto. Tendo de criar o menino sozinho, o fazendeiro sentiu raiva da criança por ela ser especial – estranha e delicada.
Mesmo ciente de que o menino não tinha culpa da morte da esposa, todo o amor de Edvard se transfigurou em amargura. Nem as semelhanças físicas dos dois sensibilizaram o homem, que se sentia incomodado por ter um filho com coração tão imenso que se apaixonava facilmente:
“Aos sete anos, tinha pedido em casamento uma colega de turma, uma vizinha e a organista da igreja, quinze anos mais velha. Se um pássaro por acaso caísse do céu, Ollie passava dias e dias chorando. Quando se deu conta de que a carne das refeições vinha de animais, recusou-se a comer aquilo novamente. O garoto por dentro era pura sensibilidade.”

Quando o menino tinha 14 anos, uma nuvem de gafanhotos que se estendia por quilômetros devorou o capim, o milho e o trigo da localidade. Os insetos arrancaram até a lã dos carneiros. Encarados como a maior ameaça dos últimos tempos, os colonos iniciaram uma guerra contra os gafanhotos, e assim cada cidadão foi obrigado a entregar quinze quilos de gafanhotos mortos por semana. Quem não fizesse isso, seria multado.
Enquanto Edvard cumpria o seu papel, Ollie recusou-se a matar qualquer inseto. O menino via valor na vida de todas as criaturas, inclusive dos gafanhotos, e saía de casa arrastando os pés para não matar nenhum deles. Irritado com o comportamento do filho que lhe custou uma multa, Edvard virou as costas para ele.
Ninguém na cidade conversava mais com o menino, e sentindo-se muito solitário, Ollie fez amizade com um gafanhoto, tornado seu confidente. O inseto, alimentado às escondidas, era mantido embaixo da cama para que Edvard não o visse. “Não é sua culpa que todos o odeiem. Você só está fazendo o que foi criado para fazer”, disse ao gafanhoto que recebeu o nome de Thor. Em resposta, ouviu somente um “Crii-criiic”.
Quando Edvard descobriu que havia um gafanhoto morando sob o seu teto, ele o arremessou na lareira e Ollie chorou depois de ouvir o lamento agudo do seu grande amigo não humano. Expulso de casa, o menino passou a noite no campo até ser encontrado pelo pai. O homem ficou chocado ao reconhecer que o filho se tornou um gafanhoto gigante. Sem saber o que fazer, buscou a ajuda de um velho sábio que possuía um livro justificando a metamorfose:
“Aqui diz que, quando uma pessoa com certo temperamento peculiar e um coração grande e generoso não se sente mais amada pelos de sua própria espécie, ela assume a forma de qualquer criatura com a qual sinta uma conexão maior.”
Edvard então foi informado de que o filho só voltaria a forma normal se fosse realmente amado por alguém. Incapaz de demonstrar o seu amor, e sentindo repulsa por Ollie ter se tornado um dos seres que ele mais desprezava, o homem alardeou por toda a cidade que ele daria a sua fazenda a quem amasse seu filho e o fizesse retornar à forma humana.
O menino em forma de gafanhoto acabou capturado por filhos de colonos. Eles o aprisionaram, mas não conseguiram alcançar o objetivo, pois nenhum deles o amava, nem mesmo o respeitava. Vendido para um velho caçador, o gafanhoto começou a conviver com cães de caça, até que assumiu a forma de um cão. Durante uma caçada, ele soube que sua função era recolher os gansos abatidos pelo caçador.
No dia seguinte, reprovando a atitude do homem, ele fugiu pelo campo com os gansos. Sem saber do paradeiro do filho, Edvard sentiu-se muito mal pela perda de Ollie. Mais tarde, o fazendeiro casou-se novamente e teve uma filha a quem deu o nome de Asgard. A menina, que de tão bondosa era muito semelhante a Ollie, não enfrentou a mesma intransigência por parte do pai, provavelmente porque o homem temia cometer os mesmos erros.
Um dia, tendo somente nabos para comer, o fazendeiro comemorou quando encontrou um ganso no campo, disperso de seu bando. Edvard capturou o animal e o levou para casa, feliz com a possibilidade de um jantar à base de carne de ganso. “Mas nós não precisamos matá-lo. Podemos tomar sopa de nabo outra vez esta noite, eu não me importo!”, insistiu a menina que desabou diante da gaiola do ganso e começou a chorar.
Lembrando-se do filho, Edvard concordou em poupá-lo. Em pouco tempo, o animal tornou-se o melhor amigo de Asgard. E todos respeitavam o seu desejo de não querer vê-lo morto nem ferido. A convivência dos dois e o amor que ela dedicava ao ganso fez com que ele, numa manhã, retornasse à sua forma humana.
Acompanhado de Asgard, o pai ficou extremamente emocionado e perguntou a Ollie se ele poderia perdoá-lo. “Eu o perdoei há anos. Só demorei um pouco para encontrar o caminho de volta para casa”, declarou o rapaz de bom coração.
Ransom Riggs
De acordo com a Editora Intrínseca, Ransom Riggs cresceu na Flórida, mas reside na terra das crianças peculiares, Los Angeles. Formou-se no Kenyon College e na Escola de Cinema e TV da Universidade do Sul da Califórnia, além de fazer alguns curtas-metragens premiados. Nas horas vagas é blogueiro e repórter especializado em viagens, e sua série de ensaios de viagem, Strange Geographies, seu primeiro romance, pode ser lida em ransomriggs.com.
Saiba Mais
“Contos Peculiares”, de Ransom Riggs, foi lançado no Brasil em 2016 pela editora Intrínseca.
“O Gafanhoto” é o oitavo conto da obra.
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“Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos”
Paul McCartney: “Somente o preconceito permite a qualquer um pensar que existe diferença entre maltratar um gato e maltratar uma galinha, ou maltratar um cachorro e maltratar um porco”

O britânico Paul McCartney é o apresentador de Glass Walls
“Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos” se tornou uma das citações mais populares entre vegetarianos e veganos desde 2009. A frase foi dita pelo compositor britânico Paul McCartney no documentário Glass Walls (Paredes de Vidro), apresentado voluntariamente por ele em uma produção da organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta).
Logo no início, McCartney relata que animais criados para atender a demanda da indústria passam por muitas situações de sofrimento. Exemplo é a realidade de frangos e perus, apontados como os animais que mais sofrem nesse mercado. Ele narra que não é incomum encontrar aves vivendo amontoadas aos milhares em espaços imundos, convivendo inclusive com os próprios excrementos.
Selecionadas geneticamente, elas chegam a crescer tanto em pouco tempo que, incapazes de suportarem o próprio peso, sofrem fraturas e ficam aleijadas. Funcionários mal remunerados também descontam nos animais as suas insatisfações. E isso acontece com frequência porque o trabalho nesses locais não é monitorado, segundo o documentário. “Muitas investigações em abatedouros de frangos e perus revelaram chocantes crueldades que vão além dos usuais abusos”, declara Paul McCartney.
O filme também mostra um vídeo de um homem falando enquanto torce violentamente o pescoço de uma galinha. “Às vezes, elas são difíceis de matar”, comenta com naturalidade. Há locais em que o espaço de confinamento das aves é tão pequeno que elas são incapazes de mover até as asas. Outro triste fato apresentado é que a ponta de seus bicos sensíveis é cortada com uma lâmina quente que provoca muita dor.
Para quem tem dúvidas sobre se essa prática é pontual ou recorrente, é possível encontrar vídeos de pessoas cortando os bicos de galinhas e frangos depois de esquentarem ferramentas na boca do fogão. O que é muito triste, levando em conta que o animal pode ficar até mais de um mês sofrendo em decorrência do corte.
McCartney afirma que frangos e galinhas são animais inteligentes cuja habilidade de raciocinar em alguns casos pode ser superior às habilidades de cachorros e crianças. Frangos e galinhas são também animais muito sociáveis, com uma elaborada ‘ordem de bicagem’ ou sistema de hierarquia social. Ainda assim, muitos são confinadas em gaiolas realmente pequenas durante sua vida inteira.

Documentário mostra a realidade dos animais explorados pela indústria alimentícia
Acredito que todo mundo já viu galinhas ou frangos ocupando espaços minúsculos, sendo transportados por caminhões nas estradas. Então podemos dizer que não é difícil imaginar como esse tipo de confinamento é desconfortável. E se mantido por longos períodos, como acontece em grandes aviários, o confinamento em espaço reduzido gera desgaste dos músculos, além da deterioração e quebra de ossos desses animais, principalmente pela falta de uso, já que eles não têm como se movimentar.
“Seus pés ficam lacerados, e seus corpos machucados e cortados por ficarem em pé em arames durante 18 meses antes de serem enviadas para os matadouros. Ao final de suas miseráveis vidas, galinhas e perus são forçadamente jogados em gaiolas superlotadas e transportados por horas, sob todos os tipos de condições climáticas, sem comida ou água. Nos abatedouros, as pernas dessas aves são enfiadas em grilhões e suas gargantas são cortadas, muitas enquanto estão completamente conscientes”, enfatiza Paul McCartney.
Sobre os porcos, Glass Walls informa que eles são mais inteligentes do que cachorros, e se saem até melhor do que primatas em algumas tarefas, como, por exemplo, em videogames interativos. A justificativa é que suas habilidades cognitivas são superiores às habilidades de uma criança de três anos. Mesmo assim, esses animais não estão isentos de ficarem presos em condições de lotação e imundície.
“Muitos deles enlouquecem com o estresse, abusos e completa falta de estímulos mentais. Porcas reprodutoras são tratadas como máquinas, forçadas a gerar filhos atrás de filhos. Dão à luz em celas áridas, sem espaço para que cuidem dos filhotes. Leitões doentes ou muito pequenos são rotineiramente mortos”, lamenta McCartney.
O filme mostra cenas chocantes de um funcionário de um abatedouro matando um porquinho a pancadas. Um sujeito que não aparece ri e comemora. O compositor britânico denuncia que as condições vividas por muitos desses animais são tão ruins que a morte de porcos em decorrência de doenças é considerada aceitável pela indústria.
“Eles são selecionados para crescer de forma anormalmente rápida, o que provoca lesões, doenças e dor constante. Depois são submetidos a um transporte massacrante antes de serem abatidos. A insensibilização por choque elétrico não é confiável, o que significa que muitos porcos estão conscientes enquanto suas gargantas são cortadas”, revela o apresentador.

O filme tem duração de apenas 13 minutos
De acordo com o professor e renomado biólogo britânico Donald Broom, da Universidade de Cambridge, vacas e bois nunca esquecem um rosto ou lugar. São animais com habilidades para resolver problemas complexos. Em suas pesquisas, Broom registrou que bovinos são tão dóceis que chegam a saltar no ar quando descobrem a solução para um problema. Ainda assim, são vistos apenas como matéria-prima para a produção de carnes e laticínios.
Outra informação pouco divulgada é que para ampliar a produção de carne e leite, os produtores alimentam as vacas com uma dieta não natural, gerando desconforto e dor ao animal. Durante o inverno em locais frios, não é tão incomum encontrar bovinos amontoados em galpões imundos e congestionados, o que lembra o mesmo regime de confinamento de aves e suínos. O que muita gente ignora, e também é defendido pelo documentário, é que as vacas produzem leite para os bezerros, não para seres humanos. E o que reforça essa afirmação é que para as vacas não pararem de produzir leite, elas são mantidas grávidas ou em fase de amamentação a maior parte de suas vidas.
As vacas leiteiras do mundo real não são como a “Maiada” do Chico Bento. Uma vaca pode chegar a vinte anos se for bem tratada, mas quando exploradas muitas morrem aos seis anos, e em regime de exploração contínua, o que gera um grande desgaste psicológico e emocional. O filhote é afastado da mãe logo após o nascimento, causando grande estresse aos dois.
“Hoje em dia, nas fazendas leiteiras, as vacas são tratadas como máquinas de leite. Algumas são geneticamente manipuladas para produzir dez vezes mais leite do que seus bezerros mamariam naturalmente. Algumas vezes por dia, elas são conectadas a máquinas, o que pode causar uma dolorosa mastite por ordenha repetitiva. Quando elas não são mais úteis como produtoras de leite, são levadas ao matadouro para serem moídas e transformadas em hambúrgueres e em matéria-prima para sopas industrializadas”, assinala Paul McCartney.
Outra etapa dolorosa é a viagem de vacas até os matadouros. Muitas delas, fragilizadas pelo desgaste decorrente dos anos dedicados à produção de leite, morrem no caminho. Antes de serem mortas, elas passam pelo sistema de insensibilização que, assim como acontece com os porcos, não é realmente eficaz e pode intensificar a agonia e o desespero das vacas diante da morte. “Os abates religiosos são, no mínimo, tão cruéis quanto os métodos de abate convencionais. A carne desses animais é certificada como kosher pela União Ortodoxa, a maior certificadora kosher do mundo”, pontua McCartney.
Outro importante aspecto elencado pelo documentário é a realidade dos animais aquáticos. Paul McCartney ressalta que peixes têm tanto direito à vida quanto outros seres vivos, pois há um consenso científico de que eles são inteligentes; têm diferentes personalidades individuais e memórias sofisticadas.

McCartney: “Sofrimento é sofrimento, não importa como você o provoque”
“Não como ninguém que eu tenha conhecido pessoalmente. Eu não comeria deliberadamente uma garoupa mais facilmente do que eu comeria um Cocker spaniel. Eles têm uma índole tão boa, tão curiosa. Você sabe, peixes são sensíveis. Eles têm personalidade, sofrem quando são feridos. Também sentem dor do mesmo jeito que mamíferos”, constatou a renomada bióloga estadunidense Sylvia Earle. Mesmo com tantas informações disponíveis sobre a natureza dos peixes, todos os anos eles são mortos aos bilhões.
Quando centenas de toneladas de peixes são capturados em redes de pesca, é comum os animais sofrerem em consequência da descompressão, sufocamento ou esmagamento. Nesse tipo de pesca, geralmente pega-se “acidentalmente” golfinhos, baleias, tartarugas e outros animais indesejados por parte da indústria. “São todos rotineiramente fisgados por anzóis e emaranhados em redes. [Quando indesejados] Seus corpos são jogados de volta ao oceano”, acrescenta McCartney, ponderando que alguns cientistas ambientais acreditam que nesse ritmo os oceanos estarão vazios até o ano de 2048.
Em Glass Walls, a aquacultura e as criações industriais subaquáticas também são qualificadas como extremamente abusivas, já que não é tão incomum os peixes terem de nadar entre seus próprios dejetos em tanques congestionados e até contaminados. “As doenças prosperam. As condições em algumas fazendas são tão horríveis que 40% dos peixes morrem antes mesmo dos criadores matá-los e empacotá-los como comida”, critica Paul McCartney.
Outro fator a se considerar é que, segundo o documentário, o consumo de peixes é a causa número um de intoxicação alimentar, e o único meio realmente significativo dos seres humanos estarem expostos à intoxicação por mercúrio, o que, dependendo da quantidade, pode causar problemas neurológicos.
Para Paul McCartney, não importa se a carne consumida pelos seres humanos é de um animal de quatro pernas, duas ou nenhuma. No seu entendimento, todas as carnes são vermelhas, em referência ao sangue derramado. O apresentador cita o surgimento de novas doenças em decorrência da produção moderna de carne, entre as quais a doença da vaca louca, Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) e gripe aviária.
“Produtos de origem animal estão constantemente contaminados por bactérias como campylobacter, salmonela e E. Coli. O consumo de carne animal, que está cheio de gorduras e colesterol, é também um dos principais responsáveis pelo aumento vertiginoso de pessoas com obesidade, doenças cardíacas e câncer.
Por outro lado, vegetarianos correm menos riscos de contraírem doenças, o que para o compositor britânico Paul McCartney é um grande motivo para abdicarmos dos alimentos de origem animal.
“E se você se preocupa com o meio ambiente, por favor, saiba que de acordo com cientistas da ONU [Organização das Nações Unidas], o consumo mundial de carne gera cerca de 40% mais gases do efeito estufa do que a soma dos gases emitidos por todos os transportes do mundo. O relatório da ONU também afirma que comer carne é uma das maiores contribuições à degradação de terras, escassez de água e poluição do ar e da água. Se nos preocupamos com o meio ambiente, tirar a carne da nossa dieta é a ação mais importante que podemos tomar”, recomenda McCartney.
Ao final, o apresentador diz que somente o preconceito permite a qualquer um pensar que existe diferença entre maltratar um gato e maltratar uma galinha, ou maltratar um cachorro e maltratar um porco. Sofrimento é sofrimento, não importa como você o provoque. Ademais, não tenho dúvida de que o mercado da exploração animal é um dos negócios mais lucrativos da história da humanidade. Afinal, os animais não ganham nada para serem torturados e mortos. Como isso pode não ser um grande exemplo de injustiça?
Saiba Mais
Lançado em 2009, o controverso filme de curta-metragem tem apenas 13 minutos de duração.
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Uma breve amizade com uma barata coruscante
Tive uma breve amizade com uma pequena barata coruscante. Entrei no banheiro e ela parecia me observar diante do batente. Ameacei me aproximar, mas ela não reagiu. Em vez de matá-la, posicionei meu dedo, ela saltou em minha mão, percorreu meu braço e subiu em meu deltoide. Menos de um minuto depois, ela enjoou da nossa amizade, pulou na parede, correu janela afora e desapareceu na escuridão.
Cortando o cabelo
Enquanto um camarada cortava o meu cabelo, ouvi um cara falando alto na sala ao lado. Era um desses sujeitos que sempre se destacam por falar num tom tão hiperbólico que se torna praticamente impossível não ouvir a conversa.
Na realidade, não sei se posso considerar o que ouvi uma conversa, pois parecia mais um solilóquio, já que eu não ouvia o cabeleireiro que o atendia se manifestando. Cinco minutos depois, esse homem começou a esbravejar que os Estados Unidos, Inglaterra, França e Alemanha deveriam se juntar para explodir o Oriente Médio, já que esses “povos estranhos” que espalham o mal estão “infestando” inclusive o Brasil.
No momento em que ele disse isso, coincidiu do camarada me pedir para acompanhá-lo até a outra sala, para lavar o meu cabelo. Quando me levantei e passei pelo orador, ele arroxeou, começou a gaguejar e, antes de articular uma nova frase, parou de falar. Ele não disse mais nada até a hora em que fui embora.
O Xogum dos Cachorros
Tsunayoshi ficou famoso por sua compaixão por cães e pela criação de leis beneficiando os animais

Tsunayoshi instituiu “Os Éditos Sobre a Compaixão pelas Coisas Vivas” (Arte: Japan This)
Nascido em 23 de fevereiro de 1646, o supremo líder militar Tokugawa Tsunayoshi é uma das figuras mais intrigantes da história do Japão. Além de ter garantido ao país um crescimento sem precedentes na Era Genroku, e que só seria novamente alcançado no início do século 20, o quinto xogum ficou conhecido como O Xogum dos Cachorros ou O Xogum Cão, pela sua compaixão pelos animais, mas principalmente por cães.
De acordo com a escritora alemã Beatrice Bodart-Bailey, autora do livro “The Dog Shogun: The Personality and Policies of Tokugawa Tsunayoshi”, publicado em 2006, foi sob o xogunato de Tsunayoshi, iniciado em 1680, que os cidadãos comuns do Japão tiveram pela primeira vez acesso à boa educação e condição financeira para desfrutar de formas de entretenimento que até então eram relegadas à elite governante.
Suas políticas pouco ortodoxas e seu amor pelos animais fizeram com que muita gente o visse como uma ameaça e o qualificasse como tirano. Um dos motivos foi a criação de uma série de leis intitulada “Shorui-Awaremi-no-rei”, ou “Os Éditos Sobre a Compaixão pelas Coisas Vivas”, inspirado nos ideais budistas de clemência. Quando ascendeu ao poder, Tsunayoshi exigiu que todos os cães fossem registrados, assim como mulheres grávidas e crianças, com o objetivo de prevenir o infanticídio.
Os mais místicos atribuíam o amor de Tsunayoshi pelos animais ao fato de que ele nasceu no ano do cachorro. Considerado generoso demais com os seres vivos não humanos, ele incomodou muita gente ao criar uma lei em que punia crimes contra animais com penas proporcionais ao tipo de violência praticada. Em 1685, ao divulgar “Os Éditos Sobre a Compaixão pelas Coisas Vivas”, sua intenção era garantir que cães, animais que povoavam as ruas em maior número, não fossem incomodados por pessoas mal-intencionadas.
Para resolver o problema do grande número de animais abandonados, ele construiu muitos canis, chegando a abrigar 48.748 cães só nos subúrbios de Edo, antiga Tóquio. E todos as despesas com manutenção eram custeadas pelo governo do xogum. Como as leis garantiam cuidados aos animais doentes ou feridos, a profissão de médico veterinário se tornou muito popular no Japão. Havia inclusive uma superintendência com funcionários que passavam o dia fazendo rondas em busca de animais abandonados ou maltratados.
Em seu livro, Bodart-Bailey conta que Tokugawa Lemitsu, o pai de Tsunayoshi, o deixou aos cuidados de sua mãe, uma verdureira, e que sob influência dela, que levava uma vida bem simples, o Xogum dos Cachorros cresceu rejeitando os valores da elite japonesa, e reconhecendo que cada ser vivo tem direito a um lugar ao sol.

Um dos documentos envolvendo cães emitidos pelo Xogum dos Cachorros (Acervo: Arquivo Nacional dos Países Baixos)
Uma obra revisionista da história política do Japão, e que discorre sobre aspectos do desenvolvimento social, intelectual e econômico daquele país, “The Dog Shogun: The Personality and Policies of Tokugawa Tsunayoshi”, narra que o Xogum dos Cachorros criou cargos e nomeou funcionários para que cuidassem de viajantes doentes e procurassem um lar para crianças abandonadas. Mesmo que essas ações custassem caro, ele jamais cogitou parar de oferecer tais serviços.
Amado e odiado, Tsunayoshi tinha inimigos que diziam que sua postura intelectual baseada no budismo e no confucionismo era apenas uma distração, e que na realidade ele não levava a sério nada do que fazia em relação a isso. Porém, a escritora Bodart-Bailey apresenta provas consistentes que refutam essa afirmação. Um exemplo era o seu relacionamento com o filósofo confucionista Ogyû Sorai, o intelectual mais importante do Período Edo.
Segundo a escritora alemã, Sorai não apenas elogiou o trabalho do Xogum dos Cachorros, como também trabalhou com ele na definição e criação de muitas políticas públicas. Embora seu nome esteja sempre envolvido em controvérsias, Tsunayoshi conseguiu evitar fome e miséria em tempos conturbados da história do Japão, como quando houve a erupção mais violenta do Monte Fuji, além de desastres naturais como terremotos, tsunamis e tufões.
Sensível, o Xogum dos Cachorros foi criado como um erudito, não um guerreiro. Durante muitos anos, ele promoveu o neoconfucionismo, enfatizando principalmente a importância da lealdade e da paz. Outro episódio ou lenda associada ao seu nome foi o Ataque dos 47 Ronin, história que deu origem ao bushidō, código de honra samurai.
Além de ser mais espiritualizado que seus irmãos, Tsunayoshi preferia ouvir os conselhos de sua mãe do que os de generais e regentes, indo na contramão de seus antecessores e sucessores. Seu governo chegou ao fim em 19 de fevereiro de 1709, quatro dias antes de completar 63 anos, quando sua esposa, a filha do imperador, o matou envenenado.
Ela o assassinou porque Tsunayoshi, que também mantinha um relacionamento homossexual, queria que o seu amante fosse o seu sucessor. Sua esposa tentou dissuadi-lo em vão e, considerando a situação insustentável, o matou e depois cometeu suicídio. Quando o seu sobrinho Tokugawa Ienobu o substituiu, as leis de proteção aos animais foram revogadas.
Saiba Mais
O governo de Tokugawa Tsunayoshi começou em 1680 e terminou em 1709.
Os samurais criavam muitos cães durante o período do xogunato.
Referência
Bodart-Bailey, Beatrice. The Dog Shogun: The Personality and Policies of Tokugawa Tsunayoshi. University of Hawaii Press (2006).
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