Archive for January, 2018
Não sei se isso é um privilégio ou não
Não sei se isso é um privilégio ou não, mas pessoalmente nunca fui desrespeitado por ser contra a exploração de animais para consumo. Amigos, familiares, conhecidos, desconhecidos. Nenhuma pessoa até hoje me tratou mal ou me ofendeu pessoalmente pela minha defesa do veganismo. As situações desconfortáveis pelas quais passei foram na internet mesmo, e normalmente vindo de pessoas que não conheço, que obviamente se enquadram inclusive em alguns artigos que escrevi sobre comportamento online.
Fora dela, não me recordo de nenhum episódio do tipo. Na realidade, sempre tive conversas bem tranquilas e ponderadas sobre o assunto com pessoas que não eram ou não são vegetarianas nem veganas. Acredito que muitos dos meus textos retratam bem o nível dos diálogos e das minhas experiências. Considero isso bem positivo, embora eu não possa também antever o futuro.
Hoje é feriado
Hoje é feriado, aniversário da cidade celebrado em data diferente, e eu nem me recordava. Saí de casa às 7h50 para visitar um amigo e me deparei com chuviscos, céu brumoso, ruas desertas e silêncio. Não chovia dentro de mim, melhor assim. Essa é a realidade de quem vive em dois mundos. Às vezes um deles se torna alheio ao outro.
“A Vaca Deitada” de Van Gogh
1883 – “A Vaca Deitada” não é uma pintura muito conhecida de Van Gogh, mas é uma das minhas preferidas, porque foi pintada depois que ele decidiu não consumir mais animais ao testemunhar o sofrimento dos bovinos nos matadouros franceses. Por isso, creio que ele transferiu para a obra a prospectiva inerente, de quem já via algo nos animais que o impedia de se alimentar deles.
Talvez “A Vaca Deitada”, com seu olhar espartano, e sob uma perspectiva consideravelmente diluída, tenha sido uma manifestação de Van Gogh em eternizar o instante de paz de um animal que provavelmente não viveria muito.
Por que comemos animais?
Duas indicações de documentários sobre a realidade da exploração animal

Se fosse para eu indicar apenas dois documentários sobre a conscientização em relação à exploração animal, eu indicaria Reino Pacífico Peaceable Kingdom) e Especismo (Speciesism). Mas por quê?
O primeiro porque tem uma abordagem sensível, mas sem precisar ser tão explícita em relação à violência. E sei que muitas pessoas quando ficam sabendo que um filme é cru em relação a isso, evitam assisti-lo. Além disso, gosto da forma como o filme aborda a senciência, a consciência e ainteligência animal com base em animais criados em santuários. Também discute a transformação na vida desses animais que foram livrados de matadouros e de outras formas de exploração.
O segundo porque tem uma abordagem muito interessante no que diz respeito à questão ética e moral contrária à exploração animal. Apresenta dezenas de referências e discute de forma não passional os motivos pelos quais os animais não merecem morrer. Abre espaço inclusive para contrapontos e depois destaca porque esses contrapontos são equivocados. É um documentário mais fundamentado em discussões do que no impacto audiovisual da violência contra animais, embora também use isso como reforço de tudo que é apresentado.
“Warriors” de Sol Yurick e “Anábase” de Xenofonte

Se você gosta do livro “The Warriors”, do Sol Yurick, ou da adaptação cinematográfica do livro feita pelo Walter Hill, sugiro que leia “Anábase” porque tudo leva a crer que “The Warriors” foi inspirado nessa que é a obra mais famosa de Xenofonte.
Na obra grega, a história se passa antes da era cristã e é protagonizada por soldados, não por violentos membros de gangues. Porém, tanto os soldados de Xenofonte quanto os marginais de Yurick enfrentam uma série de obstáculos para retornarem para casa. Sem dúvida, se ler uma, vale a pena ler a outra.
